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Um almoço no Lyle's e uma questão sobre a coerência na atribuição das estrelas Michelin

por Paulina Mata, em 29.11.17

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Há dias, com uma amiga, em Londres, o Lyle's, em Shoreditch, foi o restaurante escolhido para almoçarmos. Nenhuma de nós conhecia e as duas já tínhamos ouvido falar bastante.

 

Chegámos a um espaço informal, com muita luz, decoração simples e austera e mesas sem toalhas. O chef é James Lowe que, soube posteriormente, foi chef do St John Bread and Wine um restaurante de que gosto e onde vou ocasionalmente há alguns anos, possivelmente até lá estive quando ele o chefiava. A cozinha é descrita como nova cozinha inglesa e o restaurante tem 1* Michelin.

 

Ao almoço escolhe-se à carta de um menu que varia diariamente. As doses são, com exceções, pequenas e podem ser partilhadas 

 

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O nosso almoço foi assim:

 

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 Pheasant Thigh, Yoghurt & Pomegranate

 

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 Celeriac Broth, Beef Fat & Cotswold White Egg

 

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Pig's Head Terrine

 

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 Mallard & Damson Toast

 

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 Quince Posset & Chestnut Meringue

 

Foi uma óptima refeição que acompanhámos com uma Fine Perry, uma bebida produzida a partir de peras (neste caso Blakeney Red Perry Pear) por um processo semelhante ao usado para a cidra.  Os três primeiros pratos excelentes, gostámos particularmente da terrina. Depois o nível baixou um pouco, já que na minha opinião o prato de pato com abrunhos (Mallard & Damson Toast) foi o menos bem conseguido. Os restantes pratos caracterizavam-se por sabores bem definidos e um equilíbrio que não encontrei neste. A sobremesa bastante agradável.

 

Um óptimo almoço, num ambiente e com um serviço simpáticos. Fiquei com vontade de voltar. Mas...

 

O restaurante tem uma estrela Michelin e não consegui encontrar aqui o padrão de exigência que associo a restaurantes com uma estrela - nem no conforto do espaço, nem no serviço, nem na comida. Sei que não fui ao jantar, em que a situação é diferente. Mas será que um restaurante com estas características, com um menu de almoço assim, e com uma loiça com falhas como estas:

 

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em Portugal teria uma estrela Michelin? 

 

Ainda outro dia foram anunciadas as estrelas (já agora parabéns aos novos estrelados e em particular ao Vista onde estive há poucos meses), e se voltou a discutir quem mereceria ou não, porque foram ou não foram atribuídas... e tenho que constatar que não vejo qualquer coerência de critérios, já que muitos dos restaurantes de que se falou têm globalmente um padrão de conforto, serviço e até de qualidade superior.

 

 

Lyle's - Tea Building, 56 Shoreditch High Street, London

 

 

1ª foto DAQUI

 

 

3 comentários

  • Sem imagem de perfil

    De Adriano a 01.12.2017 às 18:43

    E comer sem toalha... tanta vez vi fila de construtores civis para lavar as mãos no bico da torneira. E por toalha modesta e velha em bancada de trabalho antes do almoço marmiteiro e partilhado. Até nas piores condições há mínimos e brio! Não sei como é na prisão, mas espero que haja a decência de uma folhinha de papel debaixo do prato pelo menos.

    As refeições são momentos ritualizados onde se celebra a nossa natureza transcendental. Todos os nossos actos viscerais são mascarados na farsa “divina”. É por isso que em determinadas alturas se deve fechar a porta da casa de banho e noutras sentar à mesa com toalha limpa e mastigar de boca fechada. Mesmo noutras culturas com outros códigos que à primeira vista podem parecer antagônicos servem precisamente os mesmos propósitos.

    Até há agora uma campanha anti-almoço total, melhor, pela erradicação do almoço, bem organizada por entidades econômicas, onde se fomenta de forma muito pratica e criminosa o não-almoço que é o que se chama quando comes a sandes a caminho de outros afazeres ou a babares e a deitar comida para o chão em frente ao computador como um verdadeiro animal. Seres obrigado a comeres em pé em instalações impróprias. Zero tempo para reflectir, zero tempo para existir... tudo acompanhado de Zips de palhinhas como as crianças. Ou os doentes.
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    De Paulina Mata a 02.12.2017 às 19:57

    Adriano, as conversas são mesmo como as cerejas... até onde foi...

    Primeiro as toalhas. Também gosto delas, dá logo características diferentes ao ritual... Mas aceito que em determinadas condições não se use. Confesso que no Lyle's, dadas as características, nem me choca muito. Se pensar na estrela... já começo a torcer um pouco o nariz... à mesa sem toalha, ao eventual spray de desinfectante para limpar a mesa...


    Quanto à campanha anti-almoços... gostei do que escreveu. E concordo. Como muitos almoços frente ao computador... decididamente é um assunto que tenho que repensar. Chega mesmo da correria constante... Obrigada por contribuir.
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