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The Fat Duck - Os dias seguintes

por Paulina Mata, em 22.06.18

 

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No dia seguinte ao almoço no The Fat Duck, recebemos um email personalizado do nosso Story Teller, referindo os nossos dois nomes, em que agradecia a visita. Mas, mais do que isso, referia conversas que tínhamos tido com ele durante o almoço.  Mais um detalhe numa experiência em que todos os detalhes são pensados com muito cuidado.

 

Como disse no primeiro post, uma coisa que me fascina na cozinha de Heston Blumenthal é uma aproximação completamente diferente do habitual à cozinha, uma busca constante de conhecimento multidisciplinar e colaboração com profissionais de muitas outras áreas. Nas visitas anteriores tive oportunidade de apreciar a perfeição técnica, a aproximação multi-sensorial em que foi pioneiro, a qualidade dos pratos, que eram de facto deliciosos, e ainda a componente lúdica.

 

Quando reabriu no final de 2015, depois de um período na Austrália, Heston Blumenthal disse que tinha aproveitado aquele período para repensar o que tinha feito no The Fat Duck e definir o que pretendia para o futuro. Que sentia que 20 anos depois de abrir, o The Fat Duck estava de facto a começar. Que todo o trabalho que tinha feito nas duas décadas anteriores tinha sido de pesquisa para o restaurante que ia abrir.

 

A experiência que tive nesta visita foi bem diferente das anteriores. Todos os aspetos que referi relativamente às minhas experiências anteriores se mantêm, mas o menu, a sequência dos pratos e as suas características passaram a contar uma história, explorando sentimentos de nostalgia. Um conceito diferente, que envolve toda uma encenação que torna a experiência única. Para isto também contribui a personalização desta com detalhes pessoais de cada cliente. É de facto uma experiência que não é comparável com nenhuma que tenha tido antes. A consciência que Heston Blumenthal tem dos diversos factores, exteriores ao que está no prato, que vão determinar a perceção que se tem ao comer é grande, cada vez maior, e mais do que nunca isso é explorado agora no The Fat Duck.

 

Todo este processo leva a um envolvimento, com componentes adicionais, na experiência que estamos a viver. Tornam-na inesquecível. Heston Blumenthal referiu numa entrevista que a uma questão sobre o que queria que os clientes sentissem quando saíssem do The Fat Duck, respondeu "curiosidade, descoberta, aventura, ludicidade - que proporcionassem felicidade". Bem dizia a caixa de cereais: 

 

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Penso que o consegue. Pelo menos para quem tem disponibilidade para se envolver, para percorrer todo aquele itinerário Like a Kid in a Sweetshop. Acredito que não é uma experiência que agrade a todos.  Mas nada agrada a todos...

 

Para mim a ida ao The Fat Duck acaba apenas agora, depois de ter refletido sobre ela e de a ter registado. E não tenho dúvidas em considerar esta a experiência gastronómica mais completa e mais interessante que alguma vez tive. Espero poder voltar. É que eu gosto mesmo muito da complexidade dos pratos, de todo o conhecimento envolvido (o que me permite adquirir sempre mais conhecimento também), da busca da perfeição, da qualidade do que ali comi, daquele luxo, da atenção dada a todos os detalhes... Uma refeição cara, mas uma refeição que vale cada cêntimo que custa. 

 

 

 

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