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The Fat Duck - Evening – Are you ready for Dinner?

por Paulina Mata, em 19.06.18

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Evening – Are you ready for Dinner?

 

Depois de um dia com muitas atividades, tinha chegado a hora do jantar, o nosso itinerário dizia que este teria uma entrada, um prato principal, uma sobremesa e um digestivo. Mas nada sobre eles.

 

Trouxeram-nos então o Table d'Hote Menu:

 

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Nas entradas e sobremesas não havia escolha, mas no prato principal havia, teríamos que escolher entre o prato de peixe e o de carne:

 

Fish of the Day, wild garlic, morels, brandade

ou

Coq au Vin, smoked onion, lardons, Maury

 

Escolhemos ambos o prato de carne. O menu e os pratos que chegaram revelavam uma inspiração em clássicos que Heston Blumenthal recordaria das suas férias em França. Aparentemente esta parte do menu muda frequentemente, pois poucas referências encontrei a estes pratos. Eles começaram a chegar: 

 

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 Cuttlefish cannelonni, shiso, cod, peabutter

 

Lembro-me de um prato muito bom, mas um prazer calmo, sem grandes emoções.  

 

Com ele foi servido 

 

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Matosevic Alba Antiqua - Malvazija Istarska

 

Um vinho de Ivica Matošević, reconhecido por alguns um dos melhores produtores da  Croácia e um líder na evolução da indústria de vinhos do seu país. Com um doutoramento em agricultura, abandonou a sua carreira para se dedicar à produção de vinho. Também tem desempenhado um papel importante na defesa da casta Malvazija Istarska originária da península de Istria na Croácia, e usada para este vinho.

 

Seguiu-se o Coq au Vin, e começou por nos chegar à mesa uma pata de galinha desossada e com o exterior muito crocante um género de croquete de Coq au Vin com o seu sabor tradicional e uma maionese de vinho tinto. Um excelente começo.

 

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Coq au Vin, smoked onion, lardons, Maury

 

Do prato constava ainda peito de Frango de Bresse, cozinhado a baixa temperatura e com um excelente textura e uma pele crocante, que veio acompanhado dos restantes ingredientes do Coq au Vin - bacon, cogumelos e cebola. Com ele vinha também uma crista de galo e trazia o molho habitual do Coq au Vin. Excelente! 

 

Fiquei muito contente por ser este o prato. A minha Mãe tinha numa gaveta da cozinha alguns livros de receitas, entre eles o "As Receitas da TV"  e Maria de Lourdes Modesto, que eu passava horas a ver. Foi ele que ao longo de muitos anos me fez sonhar com coisas diferentes das que comia todos os dias, foi por ele que comecei a cozinhar. E um dos pratos que me fez sonhar e descobrir outras cozinhas, um dos pratos que de lá cozinhei foi o Coq au Vin (a propósito, é sempre muito interessante ler os artigos da Maria de Lourdes Modesto e gosto deste onde refere o Coq au Vin).  É um prato a que associo muitas emoções, um prato tradicional francês que gostei muito de comer aqui em versão de alta cozinha. 

 

O vinho que acompanhou o Coq au Vin, foi um vinho italiano. 

 

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Valtellina Superiore – Sassella 2005

 

O meu companheiro de aventura também gostou muito, mas quando o acabámos, disse que tinha curiosidade de saber como era o prato de peixe e... decidimos pedir se podíamos provar. Não deve ser uma pergunta habitual, e o nosso Story Teller disse que tinha que ir perguntar. Voltou com os talheres para o peixe, depreendemos que a resposta tinha sido "sim". Poucos minutos depois tínhamos sobre a mesa duas doses pequenas do prato de peixe.

 

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  Fish of the Day, wild garlic, morels, brandade

 

Era bom... mas ficámos contentes por ter escolhido o Coq au Vin, definitivamente um prato que considerámos mais interessante e mais de acordo com o nosso gosto.

 

Tinha chegado a hora da sobremesa. Esperava-a ansiosamente. algumas semanas antes deste almoço tinha visto a receita da Botrytis Cinerea e gostava muito de ter oportunidade de a provar. Na véspera li-a cuidadosamente. Quando vi o menu do jantar e a vi lá fiquei mesmo contente.

 

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A sobremesa foi pensada para reproduzir os sabores de um vinho feito com uvas infetadas com o fungo Botyris Cinerea (podridão nobre). Tinha tentado contar o número de ingredientes diferentes. Cerca de 70, alguns deles usados mais do que uma vez.  São também usadas várias técnicas - espumas desidratadas, géis e géis fluidos, gelados, impregnações a vácuo, trabalhos de açúcar com isomalte... Uma sobremesa com cerca de 20 elementos diferentes, e cada colher que se leva à boca tem sabores e texturas únicos. Uma sobremesa brilhante! Comê-la com a consciência da sua complexidade e de todo o trabalho envolvido ainda permite valorizá-la mais.

 

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O vinho para a acompanhar só podia ser um vinho do tipo dos que inspiraram esta sobremesa.

 

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 Sauternes – Chateau Lafaurie-Peyraguey 2005 

 

Faltavam os digestivos para terminar o momento do jantar. Trouxeram-nos a carta para escolhermos chá ou café. 

 

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Eu escolhi um chá Oolong Bai Hao de Taiwan, ele escolheu café. Mais uma vez o café não esteve à altura dos padrões de gosto. Também não gostei da forma como foi servido.

 

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Chegou depois uma moldura com um mapa da Escócia, no vidro estavam coladas 4 gomas de whiskys em forma de garrafinhas na parte correspondente à região onde foram produzidos. Ao lado, um outro mapa com uma goma de um whiskey dos EUA. Sugerem-nos a ordem para os comermos de forma ao impacto ser maior. É tão interessante compara os sabores, marcadamente diferentes, de todos estes whis(e)ys, para além disso é divertido, as gomas são excelentes, e é muito interessante verificar as diferenças. Bem dizia o menu 

 

Serious enough for kids Fun enough for adults

 

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O momento 5, o jantar, do nosso itinerário tinha terminado. Um jantar excelente. Mas segundo o nosso mapa, ainda tínhamos mais dois momentos antes do nosso almoço terminar... Amanhã volto para contar o que se seguiu.

 

            

 

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