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Assins & Assados

Assins & Assados

28
Jul23

Por acaso fui a primeira cliente do Hanoi Green!

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Foi há cerca de um mês, num dia de grande calor. Pela hora de almoço estava no Cais do Sodré, queria comer, mas nem sabia bem o quê... A certa altura passei em frente de um restaurante vietnamita, no passeio um quadro indicava que estavam em Soft Opening. Gosto muito da comida dos vários países da Ásia, regularmente sinto quase necessidade de ir a um restaurante asiático. Restaurantes vietnamitas em Lisboa, até há pouco tempo eram inexistentes e agora ainda são pouco habituais. Tudo boas razões para entrar no Hanoi Green...

Era a única cliente, sentei-me e senti alguma atrapalhação no serviço. Normal, estavam em soft opening... havia que fazer formação.

A proposta para o almoço era um menu com entrada, prato e sobremesa, havendo possibilidade de escolher entre duas ou três sugestões de entradas e pratos.

Escolhi uma entrada fresca, como a temperatura naquele dia pedia...

 

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Comecei a comer e, inesperadamente, oiço:  "Paulina, por aqui?". Um chefe português que, pelo que entendi, conhecia os donos, e que por ali tinha passado naquele dia para dar um apoio. Foi ele que me disse que era o dia de abertura e eu era a primeira cliente. 

Chegou depois o prato, não me lembro do nome, mas era um Pho (espero não estar a cometer nenhuma incorreção), mas com peixe.

 

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Muito bom, fresco e leve, como o dia pedia... Na conversa fui sabendo que pretendem fazer comida vietnamita autêntica, da sua região de origem, em que os pratos têm algumas características próprias.

Por fim chegou a sobremesa. Os nossos hábitos relativamente a sobremesas são bem diferentes dos dos asiáticos, mas não era a primeira vez que me era servida uma sobremesa como a que me trouxeram.  É um tipo de sobremesa de que gosto muito, era tão fresca que melhor não podia pedir naquele dia de calor.

 

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Quando saí, já havia um casal a almoçar numa outra mesa. Mas fui a primeira cliente! Nunca me tinha acontecido tal. Uma coincidência engraçada!

Gostei do que comi e vou certamente voltar, seja quando ali passar, quando a vontade de comer comida asiática me "atacar", ou quando me apetecer viajar à mesa em Lisboa.

 

Hanoi Green - Tv. do Carvalho 33, Lisboa

1ª Foto DAQUI

 

 

05
Fev20

Quando uma viagem nos faz viajar ainda mais...

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Uma destas segundas-feiras dei comigo, ao fim da tarde, a pensar - "Ainda bem que amanhã é sábado!". Mau sinal... e para enganar a sensação, cada dia que passava mais forte, de que o fim de semana estava a fugir de mim e não o conseguiria tão depressa alcançar, resolvi fazer uma viagenzita. Uma viagem à mesa, não havia mesmo outra hipótese... Mas se era para fugir das tarefas que me ocupavam os dias, pois que fosse para longe, muito longe. Foi até à Coreia, a um dos vários restaurantes coreanos que abriram recentemente. 

 

Um restaurante simples, uma televisão com videoclips coreanos, muitos asiáticos, penso que coreanos, na sala. E até uma cara conhecida de TV na mesa ao lado. Ainda não tinha vindo comida nenhuma e disse para mim mesma - "Se tivesse entrado aqui de olhos tapados, e só me deixassem olhar para a mesa, dizia sem dúvidas que o restaurante era coreano." Olhando para a foto em cima, essa já com os 만두 (mandu = gyosa coreanos), sabem por quê?

 

Os pauzinhos eram de metal, havia ao lado deles uma colher também de metal. O pauzinhos surgiram na China há um pouco mais de 3000 anos. Funcionavam como uma extensão dos dedos, porque a comida podia estar quente ou porque a comida podia estar longe. Temos que concordar que eram extremamente evoluídos. A primeira referência aos garfos, que podemos considerar a nossa extensão da mão, surgiu no século VII no Médio Oriente. Uma princesa turca que casou com um veneziano levou-os para Itália no século XI. Foi um escândalo, foram considerados pela igreja uma rejeição da natureza, um insulto a Deus. A pobre princesa morreu cedo e tal foi considerado por muitos um castigo de Deus. Pois se Deus nos tinha dado as mão para comermos, e se ela quis ultrapassar os seus desígnios, tinha mesmo que ser castigada. Tal foi o medo que durante mais de três séculos não se ouviu falar de garfos e a reintrodução não foi fácil...  No início do século XVII o rei Henrique III de França e a corte eram motivo de sátira por usarem garfos, e só no final desse século o seu uso se generalizou. Por esta altura já os chineses usavam os pauzinhos há 3000 anos.

 

Por volta do ano 500 disseminaram-se por outras partes da Ásia, principalmente Japão, Coreia e Vietname. Mas assumiram características diferentes, não só nos materiais, como no tamanho e forma. Os pauzinhos chineses são os mais compridos, podiam ser se bambu, marfim ou outros materiais (agora muitos de plástico). Diz-se que o hábito dos chineses de terem grandes mesas com uma parte rotativa no centro foi determinante para definir o tamanho dos seus pauzinhos. Era preciso chegar ao meio da mesa, à zona onde estava a comida.

 

Os japoneses comem muito peixe, era preciso tirar espinhas, e com o tipo de comida que têm também era necessário pegar em coisas pequenas, e os seus pauzinhos são mais pequenos e mais finos na ponta, assim permitem mais precisão para estas tarefas. Mas, de facto, há pauzinhos diferentes para utilizações diferentes no Japão, até para sobremesas e mesmo funerais.

 

Na Coreia, como em muitas outras partes do mundo (por cá ainda há quem o diga), acreditava-se que a prata, e eventualmente metais prateados, em contacto com venenos escureciam. Os pauzinhos do imperador eram de prata para evitar ser envenenado, agora eles são de aço inox, são mais pequenos que os chineses e são dos três os mais afiados na ponta. Também são os mais escorregadios, acreditem que pegar nos 만두 foi uma tarefa difícil. Quando um deles escorregou para dentro da tigela com o molho de soja ficaram as marcas na mesa...

 

Os pauzinhos de metal permitiam-me identificar que estava num restaurante coreano, outro sinal era a colher. Os orientais comem bastante arroz, não é muito prático comê-lo com pauzinhos. Os chineses levam a tigela perto da boca e com os pauzinhos empurram-nos para a boca. Para os coreanos levar a tigela perto da boca não é grande sinal de boa educação, assim usam colheres.

 

Descobri ainda outra coisa muito interessante, aparentemente a primeira referência que surge na Europa aos pauzinhos, foi de um português, Tomé Pires, no livro Suma Oriental que trata do Mar Roxo até aos Chins , que escreveu entre 1512 e 1515 em Malaca. Nele diz mais ou menos isto:

Eles [os chineses] comem com dois palitos e a tigela de barro ou de porcelana na mão esquerda, perto da boca, com os dois palitos para sugarem. Esta é a maneira chinesa.

 

Tinha uma tia de Macau, fazia um porco picado e cozido a vapor maravilhoso, ainda o faço por vezes. Sabores e memórias de infância. Outra influências da minha tia era um frasco de glutamato de sódio (MSG) que estava num armário na casa de jantar. Não naquela onde comíamos diariamente, mas na das visitas. Normalmente não saía de lá muito. Mas lembro-me de como ele transformava uma canja com pouco sabor numa canja maravilhosa. A minha tia macaense não lhes chamava pauzinhos, há muitos anos que eu tentava lembrar-me do nome que ela lhes dava.

 

Voltei para casa e levei horas a pesquisar sobre eles. Tentei encontrar o nome que a minha tia lhes dava, vi o nome chinês (ouvi no tradutor do Google como se pronunciava - kuàizi, não era aquilo), encontrei o nome japonês - hashi, mais parecido, mas não me dizia muito. Até que de repente, do nada, disse alto "fachis", e uma busca do significado da palavra deu:

Significado de Fachis  - substantivo masculino plural[Macau] Os dois pauzinhos, com que os Chineses comem, servindo-se deles como de garfo.

Estava resolvido o mistério! A mente humana é fantástica!

 

No restaurante, para além dos Mandu, também comi Dakgalbi um prato de frango com uns bolinhos de arroz, batata doce, cebola... Vários acompanhamentos, curiosamente um deles salsichas em rodelas fininhas e num molho muito condimentado. 

 

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Sabores diferentes, uma viagem que se prolongou muito e onde aprendi mais do que estava à espera. O trabalho atrasou-se, o sono sofreu com isso. Mas o balanço final foi positivo.

 

K-BOB - Av. Ressano Garcia 41, Lisboa 

 

 

15
Jan20

Os sabores moçambicanos no Chiveve

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Gosto muito de viajar à mesa, vários posts relatam essas viagens em Lisboa. Cada vez há nesta cidade mais restaurantes de cozinhas diferentes, e de vez em quanto dou umas escapadelas... mas frequentemente pelos sítios do costume. Este ano apetecem-me outras aventuras, quero viajar por mesas desconhecidas. Comecei logo a fazê-lo nos primeiros dias do ano. A viagem foi a Moçambique, à mesa do restaurante Chiveve, nome do rio que está ligado ao surgimento e desenvolvimento sócio-económico da cidade da Beira. 

 

O Chiveve, que abriu há pouco mais de um ano, tem um espaço amplo, confortável e com uma decoração moderna, apesar das muitas referências a artesanato moçambicano. Lá estão também dois bustos de um moçambicano que todo o mundo conhece - Eusébio. À frente do restaurante um casal de moçambicanos Scheila e Edner Abreu, ela na cozinha e ele na sala. Fomos recebidos com simpatia, e entusiasmo na apresentação dos pratos de uma cozinha que tem influências e sabores de diferentes cultura, em particular de África, Oriente e Europa, que lhe dão características especiais.

 

Começámos com umas Chamussas de Carne.

 

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Seguiram-se dois pratos que nos foram apresentados como pratos fortes da casa, o Caril de Camarão com Quiabos, e o Frango à Zambeziana. Ambos muito bons e bem confeccionados. 

 

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Para sobremesa foi-nos sugerida a Mousse de Malambe (o fruto do Embondeiro). Cremosa, mas com a acidez que lhe confere o fruto e lhe dá uma sabor exótico.

 

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Para além da cozinha moçambicana, também têm alguns pratos de cozinha portuguesa. Vou voltar pela moçambicana, pois a vontade de provar a Matapa com Peito de Caranguejo (com folha de mandioca, leite de coco e amendoim) é muita.

 

Chiveve - Rua Filipe Folque 19 - Lisboa

 

 

10
Jan20

Chica Chica Boom - uma viagem pelos sabores do Brasil

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O jantar foi nesta mesa. Um jantar especial, com pessoas especiais, todos ex-alunos.  O local foi o Chica Chica Boom, um restaurante de cozinha brasileira, em frente ao Museu da Carris. Três amigas brasileiras (a Jéssica Torres do Rio de Janeiro, a Carla Upiati de Brasília e a Gabriela Loureiro do Paraná) todas cozinheiras, todas com experiências diferentes, todas a viver e trabalhar em Lisboa há alguns anos, todas tendo passado por muitas cozinhas de restaurantes de renome, decidiram abrir, no início do verão passado, o seu próprio espaço em Lisboa, o Chica Chica Boom, nome inspirado na música de Cármen Miranda. A escolha para o jantar não foi por acaso. Foi porque a comida é muito boa, o espaço muito aconchegante e porque a Gabriela também pertence ao grupo dos ex-alunos. Torna o jantar mais emocionante, mas não influencia as apreciações. Juro!

 

Ao entrarem pela primeira vez no espaço do restaurante a Gabriela, a Jéssica e a Carla souberam que era ali, parecia quase que estavam a entrar em casa da avó... Herdaram a decoração do projeto anterior, apenas lhe deram um toque mais pessoal. Móveis antigos, muitos espelhos, quadros, livros, peças diversas... quase excessivo, mas com personalidade. Em casa da avó partilha-se a comida, e no Chica Chica Boom também. Cozinha brasileira, das várias regiões do Brasil, tal como elas, alguns pratos re-interpretados. Ou seja é a cozinha delas... o que envolve usar as técnicas que foram aprendendo ao longo dos anos em muitas cozinha de renome. O resultado... pratos deliciosos, sabores bem definidos e bem combinados. Uma cozinha conforto, mas com alguma inovação.

 

Éramos um grupo grande, deu para provar muita coisa.

 

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Chips de raízes

 

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Caldinho de feijão com espuma de espinafres

 

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Coxinhas de galinha (e também as houve vegetarianas)

 

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Tártaro do Sertão

(batata doce, mandioca, quiabo, chuchu e abóbora picados, maionese com mostarda)

 

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Sandes de carne de panela

 

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Rolinho de moqueca com espuma de coco  (delicioso!)

 

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Pão de queijo e goiabada arretada

 

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Escondidinho de vazia (e também houve de cogumelos)

 

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Pica-pau de coração de galinha

(inspirado no nosso pica-pau, mas aqui com corações de galinha)

 

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Camarão na Moranga

(abóbora recheada com camarão, creme de catupiry e palmito)

 

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Barreado

(O nome vem do facto da carne ser cozinhada numa panela vedada ou barreada com uma mistura de farinha, cinzas e água, sendo a cozedura lenta e em lume muito brando. Come-se com banana e farinha de mandioca, que no prato é escaldada com o caldo bem quente. Há quem diga  ser uma herança deixada pelos portugueses, mais especificamente pelos açorianos, tanto mais que tradicionalmente era cozinhado em buracos no chão que eram previamente aquecidos com uma fogueira.)

 

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Bolo de chocolate com cupuaçu

 

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Torta paulista

(Um bolo de bolacha, mas com creme de amendoim e doce de leite)

 

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Bolo de coco com creme inglês

 

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Brigadeiro de colher com peta-zetas

 

Poder viajar à mesa em Lisboa pela mão da Gabriela, da Carla e da Jéssica é um privilégio. Gostei mesmo muito. Porque a comida é muito boa  (muito mais apetitosa do que as fotos demonstram, mas a luz em casa das avós nunca é a ideal...). Porque cada vez gosto mais destes projetos pequenos, com personalidade, e em que se nota a paixão e a dedicação.

 

Experimentem e contem!

 

Chica Chica Boom -  Calçada Santo Amaro, 6 -  Lisboa

 

1ª Foto DAQUI

 

 

20
Jul19

Uma inesperada visita ao Marrakesh

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20 horas e 30 minutos. Estávamos numa aula. Passava um filme em que se viam imagens do Iftar (a quebra do jejum dos muçulmanos durante o Ramadão), uma família Marroquina preparava uma Bastilla.

 

O meu vizinho do lado disse baixinho:

Gosto tanto daquilo! Há tanto tempo que não como...

Respondi também baixinho:

Eu também. Sei de um restaurante onde há, a 5 minutos daqui. Vamos?

 

E foi assim que, de uma forma que não tinha sido planeada, pouco mais de meia hora depois estávamos sentados à mesa do Marrakesh. Pela decoração, e também pelas pessoas sentadas nas outras mesas, quase parecia que estávamos em Marrocos. A sala de aula, apesar de estar apenas a algumas dezenas de metros dali, parecia longe, longe...

 

O que pedimos? Obviamente uma Bastilla de Frango com Amêndoas, como a que tínhamos visto no filme:

 

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A massa exterior fina e estaladiça, o recheio de frango saboroso, por cima algumas amêndoas, mas também açúcar fino e canela. Soube tão bem! O meu companheiro de mesa chegou a dizer que era a melhor que tinha comido. 

 

Seguiu-se uma Tagine de Vitela com Ameixas e Amêndoas acompanhada com Couscous. Pena não ter chegado no tipo de recipiente que lhe dá o nome. Imaginámo-la vinda de um tacho... estava saborosa, mas faltava o recipiente...

 

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Para sobremesa partilhámos uma Laranja com Água de Flor de Laranjeira e Canela.

 

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O Marrakesh tem comida marroquina e indiana, o ambiente parece mais marroquino e nós estávamos ali pela comida marroquina. Valeu a pena a inesperada viagem à mesa até Marrocos.

 

 

Marrakesh - Avenida Conde de Valbom, 53, Lisboa

 

 

13
Jul19

A Geórgia, aqui tão perto...

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A conversa foi mais ou menos assim:

- Está-me a apetecer viajar.

- Agora!!!??? Queres ir onde?

- Acho que à Geórgia. Nunca lá fui...

- Então vamos lá à Geórgia...

 

Cerca de meia hora depois estávamos sentados à mesa do Treestory, prontos para a viagem. Esta é um das vantagens de viajar à mesa. 

 

Vimos a carta. Perguntei se não tinham vinho da Geórgia. Foi lá que provavelmente se produziram os primeiros vinhos, há cerca de 8000 anos. A origem da palavra vinho talvez até tenha sido gvino, a palavra georgiana para designar esta bebida. Não tinham. Fiquei com pena.

 

Para começar...

 

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Tarte de Gúria

tarte quente fechada recheada com ovo e queijo

 

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Ele achou um pouco pesado. Eu achei pura comida conforto. A massa macia, o queijo derretido do recheio, o sabor suave.

 

De seguida veio uma outra entrada que nos disseram ser uma das que mais sucesso fazia. 

 

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Sortido de pkhali, beringela e cenoura

espinafres, beringela e cenoura com nozes e especiarias

 

Fresca, colorida e exótica. Ele gostou mais da beringela - puré de beringela envolvido em tiras de beringela grelhada. Eu também. Gosto da romã nos pratos, da sua cor, da doçura e acidez, do exotismo da sua introdução num prato salgado. 

 

Partilhámos o prato principal.

 

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Carne de porco em molho de nozes com especiarias

 

Ele gostou muito, eu gostei, mas com menos entusiasmo.

 

Na vitrine do balcão havia várias sobremesas com aspetos interessantes. Estava calor, as doses são bem generosas, e resolvemos partilhar a que tinha um ar mais leve e menos doce.  Achei graça à figura de cisne.

 

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Acho que tínhamos ficado mais bem servidos com uma das outras. Mas cumpriu a sua função.

 

Fomos beber o café e o chá para o agradável pátio exterior ao fundo do restaurante. Um espaço simpático, cheio de pessoas que almoçavam.

 

Ficaram no menu várias coisas que gostava de experimentar. Talvez lá mais para o Outono volte para nova viagem à mesa à Geórgia.

 

 

Treestory  -  Rua Luciano Cordeiro, 46A, Lisboa

 

 

21
Abr19

Boubou's - viajar para outras paragens, sem sair do Príncipe Real

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Quando entrei no Boubou's a primeira sensação foi de surpresa, o pequeno bar na entrada, a sala interior, e depois o pátio, onde jantámos, cheio de plantas e muito agradável. Tinha vindo diretamente do trabalho, chegar ali foi como que entrar numa bolha, e tudo o resto ficou lá fora. Ao pensar nisso hoje, passados já uns dias, acho que tal sensação está relacionada com as características do espaço, que são um reflexo do percurso de vida de quem está por detrás dele. Alexis e Agnes Bourrat, ele francês mas com ligações familiares a Portugal, ela húngara com nacionalidade inglesa, ambos trabalharam em restaurantes e hotéis de renome em Inglaterra, e foi aí que se conheceram. Decidiram depois vir para Portugal e abriram o Boubou's no Príncipe Real. No comando da cozinha Louise, irmã de Alexis.  As suas vivências e percursos de vida refletem-se no espaço, mas também no menu. Tudo  nos faz sentir um pouco "de férias, num outro qualquer lugar". 

 

Quando recebi o convite para ir ao Boubou's, ainda não tinha ouvido falar no restaurante, e não fiz nenhuma pesquisa, portanto tudo foi surpresa. O que foi bom, ainda acentuava mais a tal sensação de férias e de descoberta. Éramos três pessoas à mesa e deixámos a decisão do que iríamos comer a Alexis Bourrat, que nos recebeu.

 

Pouco depois chegaram três entradas:

 

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Ceviche de Atum

 

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Tártaro de Salmão

 

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Croquetes de Coelho

 

As duas de peixe, saborosas, frescas e leves. A de atum, com o ovo por cima, mais interessante. Dos croquetes de coelho, baseados numa receita de rillettes da família Bourrat,  com a mostarda que lhes avivava o sabor, gostei muito. Uma entrada a remeter para sabores franceses.

 

Chegou depois um dos pratos com mais sucesso do Boubou's, o Kebab de Cordeiro com Pão Pitta e vários condimentos. Este é depois preparado na mesa para que cada um possa rechear o seu pão a gosto.

 

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Numa época em que as propostas de muitos dos novos restaurantes são dominadas por pequenos pratos que se partilham, gostei desta ideia do grande prato que fica no centro da mesa e se partilha também, mas comendo todos o mesmo. Neste caso, para além disso, a componente da preparação, com um certo carácter lúdico e informal, permite uma interação entre as pessoas na mesa que pode ser interessante e incentivar à descoberta dos vários condimentos oferecidos. Quase remete para uma refeição familiar, para um momento de descanso descontraído.

 

Chegou a hora da sobremesa, os meus companheiros decidiram-se por sobremesas frescas e leves, de que normalmente também gosto mais. Mas, decididamente, eu estava num dia de comida conforto. Ainda provei as agradáveis sobremesas deles, mas o que me soube mesmo bem, vinha mais na linha dos croquetes de coelho e do "kebab", e foi o Paris-Brest.

 

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Cremoso de Yuzu e Limão com Crumble

 

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Abacaxi, Gingerbread, Sorvete de Framboesa

 

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Paris-Brest, Praliné, Avelã

 

A descoberta do Boubou's foi uma agradável surpresa, em particular pelo tipo de propostas diferentes do habitual, e também pela influência francesa, não muito comum em Lisboa. Embora recorrendo tanto quanto possível a produtos portugueses, o Boubou's permite-nos viajar por outras paragens.

 

Boubou's

Rua do Monte Olivete, 32A,  Lisboa

 

Primeira Foto DAQUI

 

10
Abr19

Uma aventura pelos sabores da Arménia

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Nada sabia da cozinha da Arménia, mas também não procurei. Por vezes é bom ir sem expetativas, completamente à aventura, e depois desfrutar do que der e vier. Foi o que aconteceu quando fui ao Ararate pela primeira vez, logo após ter descoberto que havia um restaurante de comida da Arménia em Lisboa. Se a primeira visita foi uma ida às cegas, da segunda já sabia o que me esperava, e a motivação principal foi a de descobrir novos pratos.

 

Bem perto da Gulbenkian, portanto quase paredes meias com o legado que um Arménio nos deixou, o restaurante é grande, confortável e com um ambiente simples, mas com alguma sofisticação. No menu os pratos estão bem explicados e ilustrados.

 

Da primeira vez começamos a refeição com um  Khachapuri Barco, descrito como um pastel tradicional caucasiano recheado com queijo, gema de ovo e manteiga. Adorei o pão macio e saboroso, e a cremosidade do recheio. Gostei do serviço na mesa, em que o empregado mistura a gema com o queijo derretido e corta o pão em pedaços. Da segunda vez começámos também a refeição com o Khachapuri Barco.

 

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A primeira decisão na segunda visita foi, contudo, sobre o vinho a escolher. Na carta havia alguns vinhos da Arménia, um país com uma longa tradição na produção de vinhos, e que para nós eram completamente desconhecidos. Diz-se que após quarenta dias e quarenta noites de chuvas torrenciais, a Arca de Noé chegou à mais alta montanha da Arménia, o Monte Ararate, e que das primeiras coisas que Noé fez foi plantar vinha para produzir vinho. Estando no restaurante com o nome da montanha, e dado que não nos víamos há bem mais de quarenta dias e quarenta noites, não podíamos mesmo deixar de escolher um vinho da Arménia.

 

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A carta tem uma secção de petiscos. Foi por aí que começámos das duas vezes, o objetivo era experimentar diversas coisas. Sendo as doses relativamente generosas, mal saímos daí. Explorar melhor os pratos principais terá que ficar para próximas oportunidades. Entre as duas visitas, tive oportunidade de provar:

 

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Khinkali - saquinhos de massa recheados com carne picada e um caldo aromático

 

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Satsivi - peru em molho de nozes

 

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Dolmá - carne de vitelão picada com arroz, cebola, verduras e especiarias, envolvida em folhas de videira com molho de matsun e alho

 

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 Tjvjik - fígado, coração e pulmões de cordeiro estufados com cebola e tomatada

 

IMG_20190312_195604.jpgChacapuli - pedacinhos de borrego com vinho branco, ervas aromáticas e alho

 

Achei este último prato menos interessante, mas todos os outros me agradaram muito. Para os acompanhar pão, não só um pão levedado, mas também Lavash, um pão em folhas finíssimas, muito tradicional na Arménia.

 

Um dos "pratos fortes" do Ararate são os Khorovats ou seja as espetadas. Na segunda visita comemos uma espetada de costeletas de borrego acompanhada de uma espetada de batatas. A carne excelente e tenríssima.

 

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Para terminar, da primeira vez escolhemos o Ecler, uma sobremesa francesa adotada pelos Arménios.

 

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Já da segunda aventurámo-nos por uma maior diversidade de doces.

 

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Torta de Merengue com creme

 

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Bolo de mel

 

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Pakhlava - pasta de nozes trituradas com cravinhos e canela, envolvida em massa filó e banhada em xarope

 

E para terminar, enquanto acabávamos de pôr a conversa em dia, um brandy da Arménia.

 

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É bom ter em Lisboa oportunidade de desfrutar dos sabores de outras paragens, viajar à mesa é excelente, e desta vez foi por sabores completamente desconhecidos. Muito há ainda por explorar... ficou a vontade de o fazer. 

 

 

Ararate -   Avenida Conde Valbom, 70,  Lisboa

 

 

 

 

09
Mar19

Um saltinho aos sabores da Argentina

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As minhas viagens à mesa em Lisboa andam pouco variadas. Tenho-as feito, mas em geral revisitando destinos onde já estive. É altura de novas aventuras... uma, recente, foi para um destino há muito adiado.

 

Há anos que planeava ir ao Café Buenos Aires. E quando digo anos, eram mesmo muitos anos... já que o Café Buenos Aires abriu em 2002. Há dias estava ali perto, estávamos a pensar onde jantar, e o destino foi, finalmente, o Café Buenos Aires. Felizmente chegámos cedo, porque as mesas estavam quase todas reservadas.

 

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Gostei do ambiente e gostei da música. Há quem diga que lembra os cafés de Buenos Aires, não sei pois nunca lá estive. Mas o ambiente, as mesas com estrangeiros a beberem um copo de vinho, o ruído de fundo, davam a sensação de estar num outro local. Estava a precisar de fugir um pouco do quotidiano, por isso foi um bom começo.

Quanto ao menu, tem alguns pratos argentinos, outros de cozinha mais global, e pratos de outras cozinhas também. Era a primeira vez que estávamos no Café Buenos Aires, decidimos ficar pelos pratos da Argentina, que acompanhámos com um vinho também argentino. Aliás a opção da maior parte das pessoas que ocupavam as outras mesas foram também os pratos de carne.

 

Começámos com 

 

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Pastéis de Carne Argentina 

 

Para prato principal comi o bife indicado como "Especialidade"

 

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Tira de Carne Argentina  Grelhada. Com Chimichurri e Batata Doce de Aljezur 

 

Excelente carne e bem confeccionada. O Bife Argentino que foi para a mesa ao lado, tinha um óptimo ar também. Para terminar, uma sobremesa para partilhar, que acompanhei com uma infusão argentina, um Mate-Cocido.

 

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Bola de Gelado Caseiro de Dulce de Leche

 

Soube-me bem esta visita a outras paragens. Hei-de voltar, pela comida e pelo ambiente, e até para experimentar outros pratos.

 

 

Café Buenos Aires  -  Calçada do Duque - 31B, Lisboa

03
Fev19

O pequeno-almoço Español

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Gosto de longos pequenos almoços. Gosto da diferença de hábitos relativamente aos pequenos almoços. Fascinam-me a diferença de hábitos, mesmo quando a distância é curta. Há umas semanas fui com as minhas três irmãs a Badajoz. De tempos a tempos fazemos um fim se semana algures só nós quatro, sem famílias. Desta vez escolhemos Badajoz porque era lá que antes do Natal, ou quando precisávamos de roupa, ou quando precisávamos apenas de espairecer, os meus pais nos levavam em crianças. A "nossa" loja de brinquedos mágica era  Las Três Campanas, do supermercado Simago vinham os caramelos, os melocotones, os patés... Dos Preciados a roupa. Recordações que são certamente as de muitos portugueses, há quem as descreva de forma a que nos revemos completamente no relato.

 

Cerca de 50 anos depois dessas excitantes viagens a Badajoz, resolvemos voltar, na viagem fomos fazendo a lista de tudo o queríamos ver, como se o tempo não tivesse passado. Badajoz é outra agora, porque os tempos mudaram no quase meio século que passou e a cidade evoluiu, porque os portugueses deixaram de ir comprar caramelos e melocotones. Mas foi igualmente divertido.Estivemos à porta de Las Três Campanas, que já fechou, e o bonito edifício vai ser transformado num hotel. Fomos ao Simago, que já não é Simago, nem tem já os perritos calientes de que nos lembrávamos. Mas foi numa cafetaria lá que acabámos por tomar o nosso primeiro pequeno almoço. Tostadas com cachuela, tomate /hamón ibéricotomate/queso, aceite com miel.

 

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Gosto particularmente das de tomate com presunto que me fizeram lembrar outras (melhores) que tinha comido umas semanas antes em Sevilla.

 

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Há dias li que uma empresa espanhola tinha aberto na Baixa uma loja, que funcionava como charcutaria, mas também servia refeições ligeiras, incluíndo pequenos almoços. Vieram-me logo à memória estas lembranças e uma grande vontade de lá ir tomar o pequeno almoço. E assim foi...

 

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Soube-me bem! Recordou-me também que está na altura de voltar a viajar à mesa em Lisboa. Enquanto comia pensei no que diria se alguém me perguntasse como era um pequeno almoço característico de Portugal. Não sei bem. Algumas sugestões?

 

 

Beher - Rua da Prata, 249 - Lisboa

 

 

 

 

 

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