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Assins & Assados

Box E - um almoço fora da caixa

por Paulina Mata, em 08.09.18

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Estava sentada há pouco tempo quando ela chegou. Sentou-se sozinha numa mesa perto da minha, no terraço do restaurante. Eu estava já entretida com o pão com manteiga batida quando lhe trouxeram o menu.

 

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Ela deu uma vista de olhos e pegou no telemóvel. O empregado chegou para tomar nota do pedido. Ela mostrou o telemóvel, era aquilo que queria. Não sei o que era, mas não havia, explicaram-lhe que o menu mudava regularmente, conforme o que estava disponível. Ela voltou a olhar para o menu e escolheu outra coisa. Não sei se gostou, mas as gaivotas ali por perto, às vezes voando muito baixo, assustavam-na. Não passavam tão perto de mim, mas as abelhas fizeram-me companhia todo o almoço.

 

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Antes de ir para Bristol, fiz uma busca sobre possíveis restaurantes a ir, o Box E pareceu-me interessante. Muitas opiniões positivas e uma boa crítica do Jay Rayner. Tinha gostado de a ler, não tanto devido ao que dizia sobre o restaurante, mas mais a introdução. Contava que nos anos 1990 começaram a chegar da China para os EUA enormes contentores cheios de mercadorias baratas. Era caro mandá-los de volta, e eram desmantelados. Mas o preço do aço subiu, e deixou de ser viável fazê-lo, passaram a ser enviados de volta. Mas contentores vazios ficam instáveis, iam cheios de  jornais. Mais tarde, com a expansão económica da China, e com ela a da classe média, o consumo de carne aumentou muito. Eram necessários cereais para alimentar o gado, os contentores passaram a ir cheios e cereais. Esta troca, que alimentou a globalização do século XXI, tornou os contentores num ícone desta época mercantil. O sistema modular, fácil de manusear e robusto fez com que surgisse a idéia de os transformar em edifícios, bastavam pequenos ajustes. E, como diz Jay Rayner, "É assim que o impulsionador da forma mais radical e pesada do comércio global de massas, também se torna o impulsionador de negócios independentes em pequena escala".  Foi o que aconteceu em Bristol, onde na zona portuária foi construído um conjunto de edifícios com contentores onde estão localizados uma série de negócios independentes.

 

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Normalmente a comida oferecida em restaurantes nestes espaços, em que as condições são reduzidas, não se destaca particularmente pela qualidade. No caso do Box E, onde estávamos, a situação é diferente, apesar de um espaço reduzido e condições muito básicas, o chefe Elliott Lidstone pretende oferecer uma cozinha de qualidade.

 

O restaurante é simples, apenas com o básico e  cerca de 12 lugares sentados no interior, com um espaço minúsculo para a cozinha. 

 

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Quando o tempo o permite, há uma esplanada exterior, e foi lá que almocei. De uma ementa com quatro entradas, três pratos (um de carne, um de peixe e um vegetariano) e duas sobremesas, escolhi:

 

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Heritage beetrot, goats' curd and summer truffle

 

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Breast of duck, spelt and rainbow chard

 

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Vanilla pannacotta, strawberries and candied almonds

 

Os dois pratos muito bons, que acompanhei com um Maturano 2015, um vinho laranja. A sobremesa agradável, mas longe de estar ao nível do resto (como é habitual). 

 

Foi uma óptima refeição, tentei voltar para jantar dois dias depois. Subi a escada e a esplanada estava vazia. Pensei "Como pode não ter ninguém?". Mas dentro o restaurante estava cheio... Perguntei se podia comer na esplanada, disseram-me que o chefe não tinha capacidade para servir mais pessoas. Pena! Mas compreendi, naquela "cozinha corredorzinho" era difícil certamente fazer mais e manter a qualidade!

 

 1ª e 6ª Fotos DAQUI

 

 

 

Floral by Lima: um jantar que me fez pensar nos assuntos do costume...

por Paulina Mata, em 28.08.18

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Dava uma volta por Covent Garden, em Londres, enquanto pensava onde iria jantar antes de apanhar o comboio para regressar a casa. Passei pela esquina de Floral Street e lembrei-me do Floral by Lima, um dos restaurantes de Londres do chef Virgílio Martinez. Fui até lá, era cedo e o restaurante estava quase cheio, mas pouco tempo depois estava a jantar.  

 

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 Beef Saltadito, Turnips, Soy Sauce and Creamed Corn 

 

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Salt - uma refeição com sal q.b. que me fez pensar na gestão de marcações nos restaurante

por Paulina Mata, em 24.08.18

 

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Tinha lido boas referências ao restaurante. Andava com vontade de lá ir. Um dia, sem planear muito, pensei em lá almoçar, mas era noutra cidade e por problemas com os transportes não tinha a certeza de conseguir chegar, e não marquei. Cheguei, eram 12:15, entrei num restaurante completamente vazio, perguntei se tinham mesa e disseram-me que não, estavam completamente cheios para o almoço. Insisti. Não poderiam mesmo arranjar uma mesa? Disseram-me que não de novo. Disse que tinha vindo de longe e não sabia se tinha oportunidade de voltar. Disseram-me que esperasse que iam ver o que podiam fazer. Voltaram e disseram que me arranjavam uma mesa com uma condição, tinha que sair às 13:30. Faltava 1 hora e 15 minutos. Disse que por mim estava óptimo, e sentei-me num restaurante completamente vazio.

 

Deram-me a carta, perguntei se havia alguma hipótese de escolher o menu de degustação, que gostaria muito, mas compreendia se não pudesse ser e que escolheria outra coisa. Foram à cozinha saber. Sim, podia ser.

 

O Salt, em Stratford-upon-Avon, é do chefe Paul Foster (que durante todo o almoço esteve presente), que depois de alguns anos a trabalhar noutros restaurantes (incluindo The French Laundry, Restaurant Sat Bains, Le Manor aux Quat’Saisons e WD50) resolveu abrir o seu próprio espaço e, para isso, recorreu a crowdfunding. Um espaço simpático, simples mas acolhedor (com excepção das mesas nuas...).

 

Trouxeram o couvert e um copo de um vinho que escolhi.

 

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Comecei a achar que tinha valido a pena. O pequeno pão individual, era excelente. Quando o traziam, ainda quente, explicavam que tinha sido feitos com sourdough que o chefe tinha há 5 anos. Reparei que noutras mesas, quando isto era mencionado, as pessoas olhavam para o pão com um ar de maior apreciação, este deixava de ser um pão banal, mesmo antes de o provarem. Adorei as amêndoas fumadas.

 

Por esta altura já não estava sozinha no restaurante, havia mais uma mesa ocupada quando chegou o primero prato, uns tomates com um creme de abacate, sobre uma bolacha de humus, e tendo por cima umas rodelas de chouriço assado.

 

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 Quando chegou o peixe-galo com aipo e algas já havia três mesas ocupadas.

 

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Ambos bons, mas o melhor prato da refeição chegou a seguir. Cenouras - umas cruas, outras em pickles e outras cozinhadas em manteiga de galinha, uns croutons, pele de galinha crocante e no fundo um delicioso molho de galinha. Parecia que estava a comer um excelente frango assado, mas sem o frango. Um prato óptimo, daqueles que quando acabam se tem pena e apetece pedir outro.

 

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Nem me apercebi bem, mas devem ter chegado mais pessoas enquanto me dedicava a apreciar o prato, pois a sala estava a ficar mais composta quando chegou o porco mangalitza (criado no Yorkshire) com um puré delicioso de couve flor caramelizada, couve flor e um molho de ervas várias.

 

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Quando chegaram as sobremesas havia ainda duas mesas completamente vazias. Primeiro uma sobremesa de iogurte com óleo de menta e uns biscoitos esfarelados.

 

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Depois, uma espuma sólida de chocolate com framboesas, sorvete de framboesa e caramelo salgado. 

 

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Comi-as com agrado, mas sem grande entusiasmo (sobretudo a segunda). Nestes restaurantes as sobremesas são sempre o elo mais fraco... No entanto, o profiterole recheado com um creme aromatizado com pinheiro de Douglas (Douglas Fir Pine), que veio com o chá,  foi uma agradável surpresa, um petit-four muito original.

 

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Ao longo do almoço fui vendo que várias mesas continuavam desocupadas. Quando saí, às 13:30, como combinado, estavam a chegar as pessoas para uma outra mesa, ainda não tinha chegado ninguém para a minha, e havia outra mesa vazia. Perguntei-me se faz sentido, e se os restaurantes se podem dar ao luxo de gerir as marcações desta forma. Sei que há muitas pessoas que não gostam que quando marcam uma refeição lhes digam a hora de início e fim da refeição. Não me importo quando o fazem, cumpro sempre, e de certa forma compreendo-o. Há restaurantes que se podem dar ao luxo de não rodar as mesas, há restaurantes que pelas suas características e/ou preço o podem fazer. Num restaurante destes, acho que para o rentabilizar eficientemente é importante rodar as mesas e acho normal que se façam dois turnos. O que não acho normal é recusarem clientes quando a mesas ficam vazias durante mais de metade do período de almoço. Se não tivesse insistido mais do que uma vez, tinha-me vindo embora e haveria pelo menos 3 mesas vazias durante um tempo mais do que necessário para servirem uma refeição.

 

Para mim faz sentido que sejam definidos turnos, e que na altura da marcação isso fique bem claro. É importante que bons projetos vinguem, e acho que este pode ser um aspeto que pode ser decisivo para que isso aconteça.

 

 

 

 

The Undercroft at St Mary's - comida tradicional e os detalhes que a valorizam.

por Paulina Mata, em 03.08.18

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A conta foi leve, não chegou aos 10 euros. Dirão que só comi umas salsichas com puré de batata e uma cerveja de pressão, e é verdade. Contudo, se considerar todos os detalhes da refeição, foi mesmo muito barata.

 

Comecemos pelo local, mesmo ao lado das ruínas da catedral de Coventry que foi bombardeada durante a II Guerra, numa rua estreita, está um edifício histórico - o St. Mary's Guildhall.

 

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Os registos da primeira reunião da guilda naquele local datam de 1342. O edifício cresceu e foi melhorado, pois algumas das guildas de comerciantes e artesãos fundiram-se e a sede ficou ali localizada. Em meados do século XVI as guildas foram dissolvidas, mas o edifício continuou a ser sempre usado pelos órgãos governamentais locais e até como teatro - parece inclusivamente que Shakespeare durante sua carreira de ator ali actuou. Milagrosamente, durante a Guerra, escapou aos bombardeamentos mesmo ali ao lado. Hoje, as suas belíssimas salas continuam a ser usadas para atos oficiais (penso que está sob a alçada do Coventry City Council), casamentos e outras festas.

 

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Ao lado do edifício principal está a cripta, que data do século XIV e não sofreu grandes alterações, era usada como armazém. Hoje foi transformada num café, o The Undercroft at St Mary's, que serve almoços, refeições ligeiras, bolos e durante a tarde os tradicionais afternoon teas. Dizem que tudo é cozinhado nas cozinhas medievais usadas para os banquetes ali realizados. Um espaço onde vale a pena ir.

 

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Depois de saber tudo isto fiquei com curiosidade de conhecer, e um dia fui lá almoçar. Bastantes pessoas, habitantes locais, já com alguma idade na maior parte. Uma decoração simples. Pedi o prato de salsichas, e quando chegou fiquei muito agradavelmente surpreendida com os detalhes, e depois com o sabor, as salsichas eram muito boas.

 

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 Spiced Warwickshire Whizzer sausages with mustard mash, green beans and onion gravy

 

Os molhinhos de feijão verde metidos nas rodelas de pepino, podem não ser das apresentações mais vanguardistas, mas revelam um cuidado e atenção e uma estética que se coaduna com o local.

 

Olhando com cuidado para o menu, acabei por encontrar informação sobre os fornecedores das salsichas e de muitos outros produtos que reflectem a ligação à economia local e a produtos de qualidade.

 

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No fim pensei, tendo em conta isto tudo, foi mesmo muito barato! 

 

 

 

64 Degrees - quando o demasiado generoso não é uma vantagem

por Paulina Mata, em 30.07.18

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Brighton é uma cidade que acho muito simpática, as ruelas estreitas no centro, a praia de calhaus, o pier com os salões de máquinas de jogo... Há dias a minha filha tinha que lá ir, e resolvi ir com ela e passar por lá o dia. Desta vez até tinha uma razão extra, há uns meses tinha ouvido em Lisboa falar Douglas McMaster do restaurante Silo e tinham ficado com vontade de conhecer. Iria lá almoçar.

 

Mas não fui... Na véspera à noite fui ver onde era o restaurante e o horário. As informações sobre a abertura ao almoço eram diferentes em vários sites, e mesmo no site do restaurante, dependia do local onde via. Nuns locais dizia que abria à quinta, sexta e sábado, ao almoço, noutros apenas à sexta e sábado, para brunch. Pois eu ia numa quinta-feira, era melhor arranjar um plano B para o caso de estar fechado. E estava!  É preciso ter o cuidado de atualizar informações. 

 

Uma busca na internet sobre os melhores restaurantes de Brighton, e excluindo os que não estavam abertos ao almoço, deu-me algumas opções para o meu plano B, e a selecionada foi o 64 Degrees, que tinha sido votado em 2016 e 2017 o melhor restaurante de Brighton. Sobre ele diziam:

It was no surprise to anyone that for a second year running 64 Degrees won the award for number 1 restaurant in Brighton. Chef and Owner, Michael Bremner also took home the award for ‘Best Chef’... 

 

Depois de uma caminhada pelas estreitas ruelas da zona histórica The Lanes, cheguei ao 64 Degrees  e entrei num espaço pequeno, um balcão com cerca de 10 lugares e uns 15 em mesas. Estava apenas um casal ao balcão. Perguntaram-me se queria ficar ao balcão, que fui vendo ser a escolha preferida, mas não, não queria. Gosto mais de uma mesa (hei-de voltar a este assunto).

 

Deram-me o menu com 10 pratos, disseram-me que o normal seriam 2 ou 3, mas tinham um menu de degustação com todos os pratos. Eu gosto de doses pequenas e variar muito. Pois que viesse o menu de degustação! Acompanhei-o com um copo de vinho da Croácia e água fresca.

 

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Começou por vir um bom pão de centeio com manteiga temperada com za'atar.

 

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E rapidamente os pratos começaram a chegar, tinham-me dito que os primeiros chegariam mais rapidamente e depois o ritmo seria mais lento para os últimos.

 

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Chicken liver parfait, fennel salad, golden raisins, granola

 

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 Cured trout, spiced watermelon, caviar

 

Gostei particularmente deste, a melancia "prensada" em vácuo tinha uma textura rija e densa, e nesse processo tinha sido infusionada com especiarias, por cima uma alcaparras muito crocantes conferiam um interessante contraste de textura.

 

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Sunflower ajo blanco, toasted cashew nuts, summer vegetables

 

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 Romaine lettuce, corra lin, anchovies, candied walnuts

 

Outro momento alto da refeição, muito fresco e saboroso.

 

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Gurnard, chickpea miso, lobster butter

 

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 Preserved lemon tagliatelle, local sea vegetables, pickled egg yolk

 

Maravilhoso!

 

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 Marinated heritage tomato, brined courgette, smoked aubergine purée

 

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 Fried cauliflower, BBQ sauce, pumpkin seeds, sweetcorn relish

 

Quando vi o prato assustei-me! Era o oitavo prato, doses generosas, e esta era enorme... ainda faltavam mais dois... Comi só metade. Era muito saboroso, mas um foi para dentro...

 

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 Duck breast, butternut squash, szechuan pepper

 

Este, eu já tive que o comer devagarinho... 

 

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Charred hispi, hollandaise, Australian winter truffle

 

Quando me puserem este prato de couve  à frente, uma dose enorme, só pensei "tirem-me isto daqui, por favor". Já não tinha espaço para mais, cheirava a couve cozinhada, e aquele aroma dado pelos compostos de enxofre não é muito agradável... Comi uma garfada apenas, achei o pior prato do menu, mas não tinha já capacidade para discernir...

 

Quando a empregada chegou disse-lhe que era comida demais, ela concluiu que certamente já não queria sobremesa. Disse-lhe que não. Mas ela trouxe-me uma pequena quenelle de um sorvete de bergamota e flor de sabugueiro para refrescar. 

 

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Saí a pensar que nestes menus grandes é mesmo muito importante ter cuidado com a sequência e o tamanho das doses. Estas eram quase todas grandes demais para um menu com 10 pratos. A couve não era decididamente prato para terminar um menu destes.

 

Com doses mais pequenas (e sem a couve, mas admito que pudesse repensar isto se a tivesse provado noutra situação) tinha sido um almoço excelente. Assim, saí com uma sensação pouco agradável, por estar cheia demais, pela quase repulsa que senti quando me puseram a couve em frente. E só tinha comido metade do prato de couve flor... É importante não só fazer boa comida, como planear bem a forma como é servida e a quantidade. Quando o muito generoso é demasiado generoso, não é uma vantagem, antes pelo contrário.

 

Caminhei até à praia, passeei ao longo da praia e sentei-me nas pedras ver o mar.

 

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Quando as saudades batem... há que matá-las! (1)

por Paulina Mata, em 27.07.18

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Estou longe, mas isso não significa que trabalhe menos. De facto tenho trabalhado imenso, às vezes é quase uma violência. Há dias já não aguentava mais corrigir trabalhos, já não aguentava mais estar sentada no computador... meti-me no autocarro para ir ao centro ver gente e almoçar. Nem sabia bem o quê, qualquer coisa, o importante era mesmo descansar, e ver gente.

 

Quando cheguei, e enquanto pensava para onde me ia dirigir para almoçar, passei em frente de uma esplanada e vi no chão uma asa de frango, não olhei com muita atenção, mas pareceu-me frango assado. Aí, fez-se luz! Era mesmo isso, frango assado! Matar algumas saudades de casa e dos sabores de casa. A pouco mais de 5 minutos de onde estava havia um Nando's. Só lá tinha ido uma vez, há 15 anos quando a minha filha mais velha veio de Erasmus (curiosamente para estudar na universidade onde é agora professora). Pus-me a caminho...

 

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Lembrava-me de no meio da sala haver vários lavatórios e de um letreiro a dizer qualquer coisa como: "Faça como os portugueses, coma o frango com as mão". O letreiro já lá não estava, havia igualmente lavatórios no meio da sala, mas pareceram-me menos.

 

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Sentei-me num espaço agradável e fresco (que por cá está mais calor do que vejo estar aí). Aqui e ali havia um ou outro apontamento discreto que remetia para a nossa cultura.

 

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Escolhi e pedi:

 

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Soube-me bem o almoço, deu para matar algumas saudades.

 

 

Um almoço no Café Príncipe Real tendo Lisboa com pano de fundo

por Paulina Mata, em 25.07.18

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No  último dia de uma estadia recente em Lisboa, cruzei-me durante umas horas como a minha filha mais velha que tinha acabado de chegar. Combinámos almoçar.  Queria um sítio calmo e com um vista bonita e lembrei-me do Hotel Memmo Príncipe Real. Conhecia já a cozinha do Chef Vasco Lello, mas ainda não tinha estado no Café Príncipe Real.

 

A ideia inicial era almoçarmos na esplanada, para podermos usufruir da vista, mas ao chegar verificámos que nos apetecia mais o agradável ambiente da sala, era mais calmo, estava mais fresquinho, e a vista era a mesma devido às grandes janelas.

 

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No menu de almoço havia três opções de entradas e de pratos, escolhemos cada uma uma entrada e partilhámos os dois pratos.

 

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 Couvert (3 variedades de pão, manteiga simples e  com tinta de choco)

 

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 Carpaccio de novilho, pickles de legumes e ovo de codorniz

 

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 Ostras de Aveiro em creme a ao natural

 

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Tomates da época, burrata e mangericão

 

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 Coelho frito com caracóis

 

No final ainda pedimos sobremesas, a minha foi:

 

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Tarte de amêndoa e cerejas, gelado de manjericão

 

Um excelente almoço, todos os pratos muito bonitos e saborosos, sendo as propostas diferentes do habitual. Um bom e simpático serviço. Para além disso uma óptima relação qualidade preço (entrada e prato - 22 euros). A juntar a tudo isto, a vista é magnífica - Lisboa é uma cidade linda! E uma cidade que tem uma oferta cada vez maior de restaurantes de grande qualidade.

 

 

Café Príncipe Real - Memmo Príncipe Real Hotel, Rua Dom Pedro V, 56J

 

 

Cantina Zé Avillez

por Paulina Mata, em 24.07.18

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Num sábado de compras na Baixa, em que de repente me apeteceram sabores portugueses, rumei ao Campo das Cebolas. Depois das obras está muito bonito e ainda não conhecia a Cantina Zé Avillez.

 

O espaço é bonito, com um ar leve e agradável, com muita luz e uma esplanada. Não entendo bem o nome, para nós cantina é um restaurante de escola ou empresa, nada que traga boas expetativas. Penso que deve ser um nome para estrangeiros e associado ao significado em Espanha ou Itália, ou seja uma taberna. Mas considerando que é de cozinha portuguesa, é um opção um pouco estranha. Gostei do pormenor dos azulejos nas cadeiras e da promessa de uma cozinha portuguesa, que era o que procurava. 

 

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Gosto muito de miudezas, e outras partes consideradas por muitos menos nobres, mas que têm sabores e texturas únicos. A escolha recaiu em pratos destes.

 

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Mãozinhas de vitela com grão e enchidos

 

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Iscas finas de porco com batata frita e cebolada

 

De sobremesa um pudim...

 

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Pudim de Mel e Azeite com Ananás

 

Gostei da mãozinha de vitela, muito saborosa e a textura gelatinosa do molho muito boa. Fiquei contente por as iscas serem de porco, as que gosto mais. Quando as vi fiquei desconfiada com o molho, demasiado cremoso.  Preferia-o menos cremoso, mas o sabor era bom - o das iscas de cebolada. As iscas, muito, muito finas estavam tenras. Agora não gostei nada do acompanhamento... Eu sabia ao que ia, estava escrito no menu. As batatas até eram boas. Mas para mim as iscas dão-se bem melhor com batatas cozidas. Talvez seja mais fácil servir batatas fritas, talvez os estrangeiros até possam gostar mais (não sei...), é coerente com a tendência (muito pouco interessante) de quase tudo vir com batata frita nos restaurantes portugueses. Mas não gostei da ideia. As iscas não ganharam nada com estas as alterações, antes pelo contrário.

 

Relativamente ao pudim, na carta prometiam um pudim denso e dourado que se derretia na boca. Sendo estas as minhas expetativas, não foram satisfeitas. Acho que deve ter cozido um pouco demais, não estava denso, não se desfazia na boca, como aliás se pode ver da foto. O sabor era bom, gostei da ideia do ananás e ligava bem. Mas é preciso optimizar um pouco a receita e/ou a cozedura para ficar como o menu promete.

 

O restaurante pretende ser de comida portuguesa, mas os pratos vegetarianos são um chilli e um caril verde, ou seja muito pouco portugueses. Penso que isto deve ser repensado, e com base nos sabores portugueses oferecer pratos de qualidade. Há tanto por onde escolher.

 

Em resumo, gostei da ideia de um bom restaurante de comida familiar, mas penso que há muito espaço para melhorar e algumas coisas que devem ser repensadas, um processo normal num restaurante que ainda não abriu há muito. 

 

 

Cantina Zé Avillez -  Rua dos Arameiros, 15, Lisboa

 

 

 

 

Soão Taberna Asiática

por Paulina Mata, em 23.07.18

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Ir a Lisboa significa pôr a conversa em dia com muita gente, desta última vez significou também conhecer muitos novos restaurantes. Um dos almoços foi no Soão Taberna Asiática com uma das minhas irmãs que, tal como eu, também gosta muito de comidas asiáticas.

 

O espaço é muito bonito, mas, pelo menos do andar de cima (não vi o de baixo), podia ter uns assentos um pouco mais confortáveis (hei-de voltar um dia destes a este assunto). Partilhámos três entradas e um prato. Gostei muito da comida, algum tempo depois de ter saído o sabor da salada de papaia verde com wagiu, temperada com lima, amendoim e tomate cherry ainda persistia. E era tão fresco, tão aromático!

 

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 Tostas de choco com maionese, ovas e yuzu

 

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 Shaomai de frango e vieiras

 

O almoço (em que, para além do referido, partilhámos também um bao de barriga de porco) foi acompanhado por chá verde e foi muito agradável. Mas... foi caro. Saímos bem, mas foi um almoço leve, não comemos sobremesa e bebemos apenas chá, e a conta chegou quase aos 50 euros. Numa refeição normal facilmente se ultrapassa, em muito, este valor. O restaurante não está numa zona de passagem de turistas, é em Alvalade, numa zona em que há muitos serviços, e portanto muita gente a almoçar. Achei estranho nem sequer haver um menu de almoço mais acessível.

 

Sei que a comida é boa e que os produtos bons. Mas será possível manter estes preços? Por muito que as pessoas gostem, terão mesmo que pensar duas, ou três vezes antes de repetir. Tal como já referi muitas vezes, vejo sempre com espanto os preços praticados em Lisboa, e não os consigo entender...

 

 

1ª Foto DAQUI

 

Soão Taberna Asiática - Avenida de Roma 100 - Lisboa

 

 

Um Desnorte com um rumo muito bem definido

por Paulina Mata, em 18.07.18

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Junto à porta tem um sinal de proibido, mas não é proibido entrar no Desnorte, antes pelo contrário, é aconselhável entrar, procurar um lugar e, sobretudo, comer. Aliás, quando se olha para o interior entende-se isso pelo espaço distribuído por três níveis, com um ambiente acolhedor e uma cozinha à vista.

 

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Foi uma surpresa quando há dias uns amigos me convidaram para o seu novo restaurante no Bairro Alto, quase à esquina com o Largo de Camões. Não sabia que se tinham metido na aventura de abrir um restaurante... e fui, cheia de curiosidade.  Sentámo-nos à mesa e foram-me falando do projeto e das "aventuras" dos últimos meses. Enquanto isso íamos petiscando do couvert e decidindo o que comeríamos.

 

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E o jantar começou com 

 

 Tempura de Polvo com Amêndoa e Maionese de Kimchi e Lima

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Muito boa, o polvo tenro e o crocante dado pelas lascas de amêndoa muito agradável. O frasquinho com a maionese de kimchi e lima, uma forma menos comum de servir o molho, cria pequenos momentos de uma interação diferente com o prato que nos obriga a dar-lhe mais atenção.

 

O mesmo aconteceu com outra das entradas 

 

Tártaro de Atum com Lima Fresca e Salada de Abacate

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Também aqui os diversos componentes do tártaro vêm separados e cabe-nos misturá-los a nosso gosto e descobrir os vários sabores e texturas.

 

O conjunto de entradas terminou com 

 

 Carpaccio de Novilho com Pasta de Trufas e Cogumelos e Pistácio

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Três entradas muito boas que nos despertaram o apetite para os pratos. Gostei muito do que se seguiu

 

Bacalhau do Brás

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O Chefe chama-se Emanuel Brás e este  é o seu bacalhau. Por sinal uma versão inspirada no Bacalhau à Brás. Quando chega a cataplana vê-se uma boa posta de bacalhau confitado e um creme amarelo. Quando nos servimos vimos por baixo as batatas levemente crocantes, o creme é de ovo e quando comemos o sabor é o de um cremoso Bacalhau à Brás, com a vantagem da excelente textura das lascas de bacalhau. Gostei muito do bacalhau do Brás, em que novas técnicas atualmente disponíveis são usadas para conferir novas características ao prato. Excelente!

 

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Seguiu-se

 

 Entrecôte Maturado com Batata Rústica, Arroz de Cogumelos e Legumes Salteados

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Um prato para duas pessoas, em que a variedade de acompanhamentos permite que cada um componha o seu prato da forma que mais gostar.  Muito bom o arroz de cogumelos, e carne excelente!

 

Pelo meio ainda tive oportunidade de provar  um dos pratos vegetarianos

 

Quinoa real cremosa com legumes, pesto e parmesão

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Para a sobremesa não escolhemos nenhuma das sobremesas da carta (que pelas fotos que vi são muito generosas e têm um aspeto que desperta o apetite), mas uma combinação de componentes de diversas das sobremesas.

 

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Gostei muito da ideia de todos os meses escolherem um doce tradicional e fazerem uma sobremesa inspirada nele, no dia em que fui era um Pudim Abade de Priscos, servido com um sorvete de lima que estava muito bom. Gostei muito também do créme brulée de manga.

 

O chefe consultor é Jorge Fernandes, membro da Equipa Olímpica de Cozinha Sénior, o chefe executivo é Emanuel Brás também ele um dos membros da Equipa Olímpica. Das mesas no nível da entrada pode ver-se o trabalho da cozinha, e é sempre espantoso como se faz tanto num espaço tão pequeno. O serviço de sala é excelente e muito simpático.

 

Apesar de ainda em soft opening, a experiência que tive no Desnorte foi óptima. Mais uma boa opção para um jantar na zona do Chiado. Para jantar e não só, pois vão abrir durante o fim de semana para oferecer um brunch que fiquei com curiosidade de experimentar. 

 

1ª e 2ª Fotos DAQUI

 

Desnorte - Rua do Norte, 13 Lisboa