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Assins & Assados

Um saltinho aos sabores da Argentina

por Paulina Mata, em 09.03.19

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As minhas viagens à mesa em Lisboa andam pouco variadas. Tenho-as feito, mas em geral revisitando destinos onde já estive. É altura de novas aventuras... uma, recente, foi para um destino há muito adiado.

 

Há anos que planeava ir ao Café Buenos Aires. E quando digo anos, eram mesmo muitos anos... já que o Café Buenos Aires abriu em 2002. Há dias estava ali perto, estávamos a pensar onde jantar, e o destino foi, finalmente, o Café Buenos Aires. Felizmente chegámos cedo, porque as mesas estavam quase todas reservadas.

 

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Gostei do ambiente e gostei da música. Há quem diga que lembra os cafés de Buenos Aires, não sei pois nunca lá estive. Mas o ambiente, as mesas com estrangeiros a beberem um copo de vinho, o ruído de fundo, davam a sensação de estar num outro local. Estava a precisar de fugir um pouco do quotidiano, por isso foi um bom começo.

Quanto ao menu, tem alguns pratos argentinos, outros de cozinha mais global, e pratos de outras cozinhas também. Era a primeira vez que estávamos no Café Buenos Aires, decidimos ficar pelos pratos da Argentina, que acompanhámos com um vinho também argentino. Aliás a opção da maior parte das pessoas que ocupavam as outras mesas foram também os pratos de carne.

 

Começámos com 

 

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Pastéis de Carne Argentina 

 

Para prato principal comi o bife indicado como "Especialidade"

 

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Tira de Carne Argentina  Grelhada. Com Chimichurri e Batata Doce de Aljezur 

 

Excelente carne e bem confeccionada. O Bife Argentino que foi para a mesa ao lado, tinha um óptimo ar também. Para terminar, uma sobremesa para partilhar, que acompanhei com uma infusão argentina, um Mate-Cocido.

 

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Bola de Gelado Caseiro de Dulce de Leche

 

Soube-me bem esta visita a outras paragens. Hei-de voltar, pela comida e pelo ambiente, e até para experimentar outros pratos.

 

 

Café Buenos Aires  -  Calçada do Duque - 31B, Lisboa

Se forem ao Fome, vão com muita fome

por Paulina Mata, em 18.02.19

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Estava com fome, e também com saudades de ir ao Fome. A escolha foi óbvia para o jantar de sexta feira, fui ao Fome matar a fome e matar as saudades. Quando me trouxeram o quadro com os pratos do dia e me explicaram cada um, pensei que não ia ser fácil decidir e, obviamente, pensei que tinha que voltar breve. Cheguei mesmo a pensar voltar no dia seguinte, não aconteceu, mas não vão faltar muitos dias, porque não deu para matar as saudades todas, porque gosto muito do Fome. Gosto da comida, gosto do espaço bonito, do ambiente acolhedor e da forma simpática como nos recebem. Gosto de haver sempre novas coisas para experimentar, e da sensação de que tenho andado a perder muito, e que seja o que for que escolha vou falhar alguma coisa de que ia mesmo gostar...

 

Trouxeram-me um tabuleiro com vários pratinhos e um cesto de pão, perguntaram-me o que queria escolher para couvert. E eu escolhi:

 

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Hummus de lentilhas com papadums e corações de frango

 

Nunca me tinham servido corações de frango no couvert, não será para toda a gente, mas o tabuleiro tem várias opções e cada um escolhe o que quer. Souberam-me bem, mas o que de facto me encheu as medidas foi o hummus de lentilhas com papadums. Delicioso e com um sabor muito elegante!

 

Por esta altura a temperatura acolhedora da sala, a música e o ambiente agradável, em que se via que toda a gente estava curiosa com a comida e satisfeita também, já me tinham feito esquecer o longo dia de trabalho sentada em frente do computador.

 

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Mexilhões com molho à tailandesa

 

Vieram os mexilhões, para abrir o apetite para o prato seguinte. E abriram mesmo, com os seus suaves sabores exóticos.

 

Seguiu-se o prato principal, uma coisa que não comia há muito:

 

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Sável frito com açorda de ovas

 

Tudo muito bom! Com alma e personalidade. 

 

Já estava quase sem fome, mas a gulodice fez-me escolher uma das sobremesas. Já ela estava sobre a mesa, fizeram-me sinal para esperar e trouxeram-me um mimito, um pequeno bao recheado com corvina e com molho béarnaise. Delicioso! Para a mesa ao lado, onde estava um casal francês, chegou a dose completa de três pequenos baos. Eles também adoraram. Até lamberam os dedos!

 

Foi a vez da sobremesa, fiquei indecisa entre a torta de laranja, que já lá tinha comido antes e que acho quase igual à que a minha Mãe fazia, e o creme brûlée de abóbora. Decidi-me por este que ainda não tinha provado.

 

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Saí a pensar que é uma sorte ter o Fome aqui tão perto. Esta semana vou voltar para experimentar mais uns pratos. Se forem ao Fome, vão com muita fome, pois há muita coisa boa por onde escolher,

 

Vivo perto do mercado de Arroios há muitos anos, era uma zona em que não havia nada, com as obras no mercado e a opção das lojas exteriores passarem a ser restaurantes, apareceram muitas coisas interessantes, não só no mercado, como à volta deste (como é o caso do Fome). Projetos pequenos, feitos com muito esforço e paixão. É uma zona que está a ficar muito agradável. Vale a pena ir! É importante ir!

 

 

Fome  -  Rua Ângela Pinto 4 - Lisboa

(Aberto aos jantares e sábado ao almoço, fecha ao domingo e segunda).

 

 

Uma boa forma de começar um fim de semana, com boa comida e num espaço muito bonito.

por Paulina Mata, em 11.02.19

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Na mesa ao lado da nossa estava uma família de quatro pessoas originárias de um qualquer país asiático.  Mais adiante, uma jovem também asiática comia sozinha. Estava no O Asiático do Kiko Martins. Tive vontade de lhes perguntar o que achavam da comida, e como viam aquela interpretação da cozinha asiática.  Esta pergunta, que lhes gostaria de ter feito mas não fiz, é uma que me ponho muitas vezes. Como vêem as pessoas originárias de uma dado país, a sua comida e os seus sabores interpretados por pessoas com outras culturas gastronómicas? 

 

Sem ter tido a coragem de satisfazer esta minha grande curiosidade, aproveitei para satisfazer outra: Como era o brunch no O Asiático?

 

Havia três hipóteses de escolha, escolhemos duas (Brunch Ramen e Brunch Bao) que partilhámos. Comum aos dois menus chegou:

 

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Seleção de Pães (Bao, Flat Bread, Croissant, Manteiga, Manteiga de Kimchi e Compota de Goiaba)

 

Com os pães veio ainda um prato com fiambre e outro com queijo. Pediram-nos que escolhêssemos o sumo que desejávamos. Os gostos dividiram-se entre Sumo de Maracujá e Coco e Sumo de Cereja e Yuzu. Foi um bom começo, uma boa variedade de pães com características distintas, que podiam ser comidos com acompanhamentos que satisfaziam aqueles com gostos mais tradicionais, mas também quem gosta de um pouco de aventura.

 

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Tapioca Cremosa de Coco com Maracujá

 

Com o estômago aconchegado, passámos para um excelente prato, o primeiro que de facto nos levava a viajar até à Ásia.

 

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Ovo a Baixa Temperatura, Camarão e Cogumelos Shiitake

 

Terminada a parte comum dos dois menus, passámos aos pratos seguintes do Brunch Bao:

 

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Guiozas de Lavagante, Porco Preto e Sake

 

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Bao Surf & Turf (Pão ao Vapor, Barriga de Porco Confitada, Camarão e Wasabi)

 

Passámos finalmente ao último prato do Brunch Ramen:

 

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Ramen de Porco Preto, Noodles de Arroz, Algas e Pak-Choi

 

Terminei com um Café Vietnamita.

 

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Uma boa forma de começar um fim de semana,  um brunch diferente, generoso e muito agradável, num espaço muito bonito.

 

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Muitas vezes tenho falado dos altos preços. Impõe-se que aqui fale do preço justo destes brunches (Brunch Ramen 22,30 €; Brunch Bao 23,70 €  - com tudo o que referi incluído).

 

O Asiático - Rua da Rosa 317, Lisboa

 

1ª e última fotos DAQUI

3ª foto DAQUI

 

 

O pequeno-almoço Español

por Paulina Mata, em 03.02.19

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Gosto de longos pequenos almoços. Gosto da diferença de hábitos relativamente aos pequenos almoços. Fascinam-me a diferença de hábitos, mesmo quando a distância é curta. Há umas semanas fui com as minhas três irmãs a Badajoz. De tempos a tempos fazemos um fim se semana algures só nós quatro, sem famílias. Desta vez escolhemos Badajoz porque era lá que antes do Natal, ou quando precisávamos de roupa, ou quando precisávamos apenas de espairecer, os meus pais nos levavam em crianças. A "nossa" loja de brinquedos mágica era  Las Três Campanas, do supermercado Simago vinham os caramelos, os melocotones, os patés... Dos Preciados a roupa. Recordações que são certamente as de muitos portugueses, há quem as descreva de forma a que nos revemos completamente no relato.

 

Cerca de 50 anos depois dessas excitantes viagens a Badajoz, resolvemos voltar, na viagem fomos fazendo a lista de tudo o queríamos ver, como se o tempo não tivesse passado. Badajoz é outra agora, porque os tempos mudaram no quase meio século que passou e a cidade evoluiu, porque os portugueses deixaram de ir comprar caramelos e melocotones. Mas foi igualmente divertido.Estivemos à porta de Las Três Campanas, que já fechou, e o bonito edifício vai ser transformado num hotel. Fomos ao Simago, que já não é Simago, nem tem já os perritos calientes de que nos lembrávamos. Mas foi numa cafetaria lá que acabámos por tomar o nosso primeiro pequeno almoço. Tostadas com cachuela, tomate /hamón ibéricotomate/queso, aceite com miel.

 

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Gosto particularmente das de tomate com presunto que me fizeram lembrar outras (melhores) que tinha comido umas semanas antes em Sevilla.

 

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Há dias li que uma empresa espanhola tinha aberto na Baixa uma loja, que funcionava como charcutaria, mas também servia refeições ligeiras, incluíndo pequenos almoços. Vieram-me logo à memória estas lembranças e uma grande vontade de lá ir tomar o pequeno almoço. E assim foi...

 

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Soube-me bem! Recordou-me também que está na altura de voltar a viajar à mesa em Lisboa. Enquanto comia pensei no que diria se alguém me perguntasse como era um pequeno almoço característico de Portugal. Não sei bem. Algumas sugestões?

 

 

Beher - Rua da Prata, 249 - Lisboa

 

 

 

 

 

Lino - Jay Rayner escolheu-o para terminar 2018, e eu para começar 2019

por Paulina Mata, em 16.01.19

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No último dia de 2018 li uma crítica de Jay Rayner no The Guardian. Dizia que tinha escolhido, propositadamente, para a última crítica do ano o restaurante Lino em Londres, pois a sua aproximação à cozinha era muito característica de 2018. O restaurante ocupa o espaço de uma antiga fábrica de linóleo, perto do Barbican e do mercado de carne de Smithfield.

 

No seu site  o Lino apresenta-se como oferecendo uma "nova abordagem" para comer e beber fora, e diz:

We re-use, re-love and re-imagine. From salvaged light fittings to our sustainably sourced materials – we give overlooked pieces a chance to shine.

We bake, ferment, pickle and cure onsite. We mix old classics and shake up new combinations. We make the most of seasonal shrubs, herbs, fruits and veg - everything we serve is inspired by what’s available.

 

Como refere Jay Rayner, fazer algo genuinamente novo numa cidade como Londres (e eu digo que é uma situação geral), é uma tarefa difícil. Do que li, compreendi que o trabalho que faziam estava muito na linha da aproximação à cozinha atual - sustentável, sazonal, fermentações, fazer o próprio pão, ingredientes mais "terra a terra"... Não esperava nada muito original, nem precisava, nem me apetecia, estou um pouco cansada desta necessidade constante de originalidade, mas o Jay Rayner dizia que a comida era excepcionalmente boa. Terminava o comentário a um dos pratos dizendo que merecia se lambessem as pontas dos dedos. Ficou imediatamente decidido que lá iria nos dois dias que ia passar a Londres no início do ano.

 

Não estava na melhor forma... mas que isso não me impedisse de ir conhecer um novo restaurante. Era uma boa maneira de começar o ano, mesmo que exigisse uma refeição relativamente simples e leve. Assim, a escolha recaiu sobre a Lasagne of Pumpkin, Jerusalem Artichocke and Parmesan assim descrita por Jay Rayner: "Uma lasanha de abóbora e alcachofra de Jerusalém, feita com dobras de massas sedosas e amarelas como manteiga, é o melhor do outono elevado a luxuoso."  

 

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Tenho que confessar que não gosto particularmente de abóbora,  e achei o prato delicioso! Mesmo muito bom!

 

Em grande parte dos restaurantes a sobremesa é o elo mais fraco, a crítica que li dizia que não era o caso do Lino. Escolhi o  Croissant Bread and Butter Pudding, Marmalade and Coffee, mas não tinham no dia. Fiquei com pena, e decidi-me pela Earl Grey Custard Tart and Lemon Sorbet.  Delicioso! Acho que a fotografia dá para adivinhar a textura muito cremosa, mas densa. Não muito doce, a massa da tarte finíssima, a combinação com  sorvete de limão perfeita! Talvez me tenha impressionado mais do que o prato. 

 

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Estes espaços industriais adaptados por vezes comprometem o conforto. O espaço era bonito e agradável, mas um pouco frio, não sei se era assim em todo o restaurante, mas reparei depois que a maior parte das pessoas da zona onde estava tinham o casaco vestido. Imagino que seja difícil aquecer espaços como aquele.

 

O preço, mais uma vez um aspeto positivo. Londres, um restaurante na moda, e com os dois pratos e uma cerveja artesanal  a conta foi de 23,6 £, a que adicionaram 12,5% de serviço, sendo o valor final de 26,55 £.

 

Uma coisa de que gostei muito é que o restaurante abre às 7h 30m e fecha pelas 23h 30m durante a semana, abrindo pelas 10h ao fim de semana. Gosto de pequenos almoços e gosto da ideia de um restaurante como este que faz o seu pão, croissants... servir pequenos almoços dos mais simples aos mais substanciais.

 

 

 
 

Não há nada que um bom jantar não resolva!

por Paulina Mata, em 17.12.18

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Sexta-feira ao fim da tarde. A semana tinha sido desgastante, estava exausta. Tomei consciência que ia começar o fim de semana. Saí do trabalho e resolvi ir à Baixa, ver as iluminações de Natal, aperceber-me da época, desligar, mudar de ritmo...

 

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Depois de muito andar, senti que o que precisava mesmo era de um bom jantar. Ali perto estava o SáLA, fui até lá.  Não estava mesmo na melhor forma... sentia-me como se tivesse o mundo sobre os ombros. Sentei-me e o ambiente calmo, a perspetiva de um bom jantar, o cuidarem (muito bem) de mim, começou a fazer efeito.

 

Escolhi os pratos, pedi uma sugestão para um copo de vinho. Serviram-me um vinho austríaco, Heinrich Chardonnay, e os pratos começaram a chegar:

 

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Cogumelos | Raiz de Aipo | Folhas Verdes

 

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Tarte "Bulhão Pato"

 

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Carabineiro | Presunto | Castanhas

 

Excelentes!  Maravilhoso o carabineiro! Por esta altura já me sentia outra... Pedi uma sobremesa.

 

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Maçã | Dióspiro | Baunilha

 

Quando o doce chegou perguntaram se me podiam oferecer um cocktail. Perguntaram se gostava de bebidas quente. Gosto de tudo. E sobretudo gosto de conhecer outras coisas.  O cocktail chegou, dentro da casca de lima um puré de maçã em chamas. Na  chávena quase parecia um capuccino.

 

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Smith Hot Rum - rum envelhecido, maçã, lima, natas

 

Tão bom!  Interessante a evolução no "mundo dos cocktails". Não bebo frequentemente, mas se calhar é altura de começar a conhecer mais. Disse que voltaria um dia principalmente para os cocktails, que queria experimentar outros.

 

Saí outra, bem mais leve, com outro sorriso. Passei pela cozinha e agradeci-lhes. Não há nada que um bom jantar não resolva. E este tinha sido muito bom!

 

 

Faz Frio, Sabores Quentes, Comida Conforto

por Paulina Mata, em 12.12.18

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Comida portuguesa, bem feita, sem twists... muitas vezes temos aqui referido que faz falta. De preferência a preços razoáveis. Encontrei há dias! A minha experiência foi boa, a das duas pessoas que comigo almoçaram também.

 

Estávamos ali pelo Príncipe Real, queríamos almoçar, uma das pessoas sugeriu o restaurante Faz Frio (difícil não o referir como a Antiga Casa Faz Frio, a força do hábito...). Há muitos anos, bem mais de uma década, que lá não ia. Tinha lido que tinha reaberto mais bonito, mas sem ser descaracterizado. Entrámos e gostámos do que vimos, um espaço agradável e com muita luz.

 

Sentámo-nos e entretivemo-nos com as azeitonas descaroçadas com um leve tempero de azeite e com a manteiga, servidos com um bom pão ali feito. 

 

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Estava a saber bem. Para ainda ser melhor, sugerimos que no futuro substituíssem os recipientes onde vinham servidas as azeitonas e a manteiga, neste último caso era difícil retirá-la, e ainda mais difícil não espalhar o sal que vinha ao lado pela mesa. Problemas fáceis de resolver. Gostámos do naperon de renda da cesta do pão. Um deles disse que lembrava a casa da Avó. Comentámos o facto dos guardanapos serem de pano e bordados, já tão raro...

 

Começámos com uns pastelinhos de Massa Tenra que estavam saborosos. Não correspondiam bem à minha ideia de pastéis de massa tenra, mas eram bons. Desapareceram rapidamente.

 

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Um dos meus companheiros de almoço escolheu um dos pratos do dia, um Arroz de Carnes Fumadas, o outro escolheu o Bitoque de Lombo. Provei os dois, ambos bons e em quantidades muito generosas.  Todos os dias há um prato de bacalhau, como era habitual no restaurante noutras épocas, no dia em que fui era Feijoada de Sames. Não podia ser melhor, estava mesmo a apetecer-me. 

 

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Gostei muito do sabor, era bem rica em sames (adoro aquela textura um pouco gelatinosa), adorei o facto do chouriço e vegetais virem picados em cubinhos minúsculos - confere alguma delicadeza ao prato. Excelente!

 

Para sobremesa, eles comeram um mousse de chocolate, provei e estava muito boa, e um arroz doce - também bom, mas gosto mais da forma tradicional. Eu fiquei-me pelo Pastel de Nata feito no restaurante. Ganhava se a massa não fosse tão fina. Mas foi um excelente final de refeição.

 

Se bem me lembro só bebemos água, tínhamos que trabalhar a seguir. A conta não chegou aos 20 euros a cada um.

 

Gostei mesmo! Que continue cada vez melhor, pois precisamos de restaurantes assim.

 

 

Faz Frio -   Rua Dom Pedro V, 96, Príncipe Real, Lisboa

 

 

Come Prima e o aroma inebriante da trufa branca de Alba

por Paulina Mata, em 10.12.18

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Entrei a porta e o odor era inconfundível, cheirava a trufa! Não era de estranhar, há alguns dias que via na comunicação social fotos da enorme trufa branca de Alba, diziam que a maior da década, que tinha sido adquirida por Tanka Sapkota para o seu restaurante Come Prima. Quando recebi o convite para ir lá almoçar imaginei que iria ainda comer parte da trufa gigante. É que 1,153 kg de trufa é mesmo muito trufa. Não aconteceu. Foi quase toda consumida no primeiro dia, nem sequer deu para todo um segundo dia. Mas havia outras, não tão grandes, mas acredito que igualmente boas. Ali estavam elas sobre a mesa, não resisti a pegar numa. Quando a pousei cheirei a mão, não podia deixar de aspirar os voláteis (acredito que bem mais de uma centena) que ali tinham ficado.

 

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Chegou um prato com meio pão, o pão que é feito diariamente no Come Prima, vinha barrado com uma pasta de Ricotta e Fontina, os dois com sabores suaves para deixar sobressair a trufa branca de Alba fatiada à mesa sobre cada um dos pratos. 

 

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Tanka Sapkota, nepalês que teve o primeiro contacto com cozinha italiana a trabalhar em restaurantes na Alemanha, veio um dia a Portugal de férias e por cá ficou. Abriu o Come Prima em 1999 e a sua preocupação sempre foi aprender mais e fazer melhor. Frequentou cursos na escola de cozinha da Gambero Rosso, fez muitas visitas a Itália e, atualmente, está a participar num documentário que envolve percursos por algumas regiões - Piemonte, Puglia, Veneto  e Campania - onde contacta com quem pratica a verdadeira cozinha tradicional, mas também com chefes reconhecidos e produtores. O objetivo é mais uma vez conhecer mais, aprender mais e fazer melhor.

 

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Foi com orgulho que informou que tinha sido nomeado recentemente Cavaliere dell'Ordine del Tartufo e dei Vini di Alba.

 

O almoço prosseguiu com um ovo biológico cozido a baixa temperatura (64ºC), temperado com flor de sal e servido apenas com trufa branca de Alba.

 

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De seguida veio o prato que para mim foi o ponto mais alto do almoço. Delicioso!  Uma pasta caseira com manteiga dos Açores e um pouco de Parmigiano Reggiano.

 

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Para acompanhar os pratos anteriores foi servido um Pêra-Manca Branco de 2016. Com o prato seguinte, um escalope de vitela muito jovem levemente frito em manteiga e servido com trufa, veio um Quinta de Carvalhais Reserva Tinto 2012.

 

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Até a sobremesa,  um bolo de chocolate com creme de Mascarpone foi servido com trufa  branca de Alba. Foi acompanhada de um Porto Ferreira.

 

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Uma experiência excelente, uma refeição fantástica, condimentada ainda com o orgulho do Tanka Sapkota em fazer bem, e cada vez melhor, e trazer para Portugal, para o seu restaurante, trufa branca de Alba. Para ser ainda mais interessante contribuiu o excelente convívio e conversa com os meus companheiros de mesa.

 

Este é um produto sazonal, a época dura poucos dias e no Come Prima termina no dia 12 de Dezembro.

 

Come Prima  - R. do Olival 258, Lisboa

 

 

 

 

A Taberna do Mar - sabores familiares com outras formas

por Paulina Mata, em 05.12.18

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Entrámos no restaurante, procurei a espinha do atum-rabilho de 160 kg que tinha lido ali estar. Sim, estava lá, pendurada sobre as nossas cabeças. Dias antes tinha recebido um email de uma ex-aluna a dar notícias do seu percurso profissional, no final falava de um novo restaurante de que achava que eu iria gostar. Segui o conselho.

 

Um espaço simples e agradável, toda a decoração remetia para o mar, uma taberna atual, o que se reflete no nome - Taberna do Mar.  O chef Filipe Rodrigues, que já conhecia de outros restaurantes que serviam essencialmente peixe, chegou com  o menu.  Muitos sabores portugueses, particularmente do Algarve de onde é Filipe Rodrigues, algumas técnicas orientais, que refletem o seu percurso na cozinha.  O menu de degustação, de 10 pratos, custava 25 euros. Não foi difícil decidir, assim podíamos experimentar quase tudo, e poupava-nos a tarefa da escolha. Disse que tenta ter uma oferta de vinhos menos conhecidos, e sugeriu  acompanharmos o menu com alguns desses vinhos.  Assim foi!

 

Logo chegou o Varanda do Conde, um vinho verde branco da sub-região de Monção e Melgaço, e começaram a chegar os pratos.

 

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Tortilha fumada, tremoço, hortelã

 

Gostei muito,  um conjunto de sabores pouco comum. Perguntei como fumavam as tortilhas. Logo me mostraram  um sistema bem simples, que estava sobre o balcão, em que usavam folhas de aroeira para defumar.

 

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Pão de alfarroba a vapor, carapau seco e "Dim Sum" de língua de vitela, algas

 

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Sashimi de sarrajão fumado

 

Mais três bons pratos. Gostei particularmente do pão de alfarroba com o carapau seco. Talvez por ser menos comum. Chegou então o segundo vinho, desta vez da região de Lisboa, Quinta de S. Jerónimo, Arinto e Sauvignon Blanc. Com ele algo que parecia muxama, mas que era preparado ali mesmo no restaurante, também o pão era feito por eles.

 

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Atum curado seco - "A nossa Muxama"

 

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Torricado, pickle de sardinha, limão

 

Sabores fortes, familiares, muito bons. E logo de seguida chegou um outro vinho branco, desta vez da região do Dão, o Vinha de Reis de 2017.

 

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Sopa de cavala, croutons, coentros

 

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Xerém, choco, berbigão, cebolo

 

Um prato em que Filipe Rodrigues reunia duas das suas memórias infância, dois pratos feitos pelas suas duas Avós, um xerém de berbigão e uns chocos guisados. Uma combinação que resultou muito bem. A seguir veio um prato assinatura do chef, que o tem acompanhado ao longo de vários anos.

 

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Niguiri de sardinha assada

 

Tinha chegado a vez do último prato e do último vinho, um vinho tinto, um vinho que tinha acabado de chegar.

 

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Malandrinho, cabeça de bacalhau, coentro

 

As sobremesas (extra menu) agradáveis, mas não ao mesmo nível do resto dos pratos.

 

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Pudim de pão com amoras silvestres, natas

 

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Leite creme de funcho do mar

 

Uma excelente refeição, um preço imbatível.  Foi bom ver o chef Filipe Rodrigues a falar do seu projeto e do seu trabalho. Pressentir todo o esforço para o pôr de pé. Cada vez valorizo mais estas coisas, cada vez me interessam mais estes projetos menos ambiciosos e onde há mais paixão. 

 

Vou certamente voltar!

 

 

Os restaurantes sugeridos pelo guia Michelin

por Paulina Mata, em 03.12.18

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Fim de semana em Sevilha, eram 13h e 28m quando passei em frente do restaurante Torres y Garcia, reconheci o nome como um dos que tinha visto como sendo classificados pelo guia Michelin com um Bib Gourmand. Ainda estava fechado. Olhei para o menu e havia algumas coisas que até gostaria de comer. Continuei a andar, mas pouco depois ouvi abrirem a porta de correr - eram exatamente 13h e 30m.  Acabei por voltar para trás. O restaurante pareceu-me grande, mas sentaram-me numa mesa perto da entrada, outra mesa estava já ocupada. Percebi depois que quase todas as mesas estavam reservadas, tinha ficado aquelas três ou quatro à entrada para quem chegava sem marcação. 

 

Pedi um Vermut Nordesia agitado en coctelera com gotas de angostura y piel de naranja  vinha decorado com um pé de salicórnia. Chegou com umas azeitonas.

 

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Fui bebendo, pensando no que iria comer e vendo o movimento em volta, era domingo e havia famílias e grupos de amigos que chegavam para almoçar. Não estava com muita fome, não queria nada muito pesado. A escolha acabou por recair sobre dois pratos de que não sabia bem o que eram alguns ingredientes, mas tenho a sorte de gostar de tudo e também de aventura.

 

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Vieiras con velo de papada, acelgas y sopa montada de espárragos blancos y trufa

 

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Mollejas de ternera con puré de boniato y tirabeques

 

Estavam bons os dois, diferentes, agradáveis, e souberam-me bem. 

 

A conta chegou com um tubo de ensaio de um licor e dizia Que bueno que viniste!  Achei simpático e também fiquei contente por ter ido.

 

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Não sendo nada de transcendente, achei muito razoáveis os 28 euros que paguei. Também achei razoável que lhe tivesse sido atribuído um Bib Gourmand.

 

Chovia muito à hora do jantar. Decidi não ir para muito longe do hotel. Logo ali perto havia um restaurante classificado com um Prato no Guia Michelin, o Casa Robles, e a experiência do almoço não tinha sido má. Já lá tinha passado antes, tinha ar de ser um restaurante tradicional, antigo. Um balcão com vários pratos de cogumelos por cozinhar, onde algumas pessoas comiam tapas. Sentei-me, a janela vedava mal e comecei a ficar com muito frio. Pedi para trocar de mesa. O serviço não era simpático, um sorriso torna tudo melhor, mas ali não havia nenhum. Pedi ortiguillas, que nunca tinha comido, perguntei se os cogumelos que estavam sobre o balcão estavam na carta, disseram que não. Tinham ar de ter chegado há pouco, pedi uma dose. Pouco depois vieram dizer que já não havia ortiguillas, escolhi outra coisa e o empregado disse que escolhesse os choquinhos. Não era o que mais me apetecia, mas tudo bem. 

 

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As duas coisas corretas, não mais do que isso. Na parede quadros com fotos dos reis, pareceu-me que ali. Estava meio desconsolada com a chuva, o que comi não ajudou, resolvi pedir uma sobremesa. Não me consolou, comi duas colheradas e deixei o resto...

 

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Os dois pratos e a sobremesa e um copo de cerveja, e paguei 37 euros. Não entendi a razão de ter um Prato Michelin. A Varanda do Ritz, o Ferrugem, o Mini Bar, O Talho, o Euskalduna (sei que outros restaurantes mais tradicionais também) é o que têm... e que diferença de ambiente, de serviço, de comida. Eventualmente tive azar, eventualmente no andar de cima, noutra sala, tinha sido diferente, mas nem sei se estava a funcionar, toda a gente que vi entrar ficou em baixo. A chuva não ajudou...

 

No dia seguinte insisti. Desta vez era um bar de tapas. Sei que não devia ter sequer entrado. O menu não era particularmente interessante. Uma grande misturada... o salmorejo, misturado com os ravioli de galinha chineses, o tártaro de atum, misturado com o ceviche, o tataki, o risotto e o salmão em papilotte thai... esta mistura toda não era bom sinal. Mas os inspetores da Michelin deviam saber o que faziam. Não me apetecia procurar outra coisa. Tinha a vantagem de ser barato e com um Prato Michelin, se calhar até podia ser interessante...

 

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Tentei minimizar os estragos... estava em Espanha, não me apetecia nada thai, chinês, japonês...  Optei pela Torta de Aceite Inês Rosales com vegetais assados e anchovas e pelas bochechas de porco com puré de batata e alho assado.

 

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Agradável... apenas isso. Nada que destacasse os pratos apresentados. Paguei 16,40 euros  pelo jantar e vim embora. Meio nervosa... É que não entendi a razão de ter um Prato Michelin. A Varanda do Ritz, o Ferrugem, o Mini Bar, o Talho, o Euskalduna, a Tia Alice... é o que têm... e que diferença de ambiente, de serviço, de comida. 

 

Tal como disse, não entendo os critérios. Não entendo mesmo!