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Assins & Assados

No ZunZum da Marlene

por Paulina Mata, em 30.09.20

 

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A Marlene Vieira estava para abrir o Zunzum em Março, mas houve quem lhe trocasse as voltas... Uma criatura (nem isso se pode chamar, pois nem consegue viver por si só...) invisível e minúscula, mas que nos virou a vida do avesso, impediu-o. Tenho uma grande admiração pela Marlene, pela sua determinação e frontalidade, pelo seu trabalho, pela sua força. Também neste momento complicado a Marlene mostrou tudo isto, e nem a desprezível criatura invisível a parou.

 

O Zunzum abriu no final de Julho e num sábado recente fui lá almoçar. Tudo em vermelho, e eu gosto de vermelho e da energia que o vermelho transmite. Uma esplanada e um espaço interior todo envidraçado, que nos faz sentir integrados no espaço circundante, mas com o conforto de uma sala de restaurante.  A cozinha tem duas janelas circulares e através delas vi a Marlene sempre em grande azáfama durante todo o tempo que lá estive. Conversámos um pouco. Ainda não é possível abrir o bar de sobremesas previsto para o Zunzum, o projeto teve que ser adaptado aos tempos que correm.

 

Na mesa pedi o couvert e um copo de Marlene Vieria 2017, um Verdelho da Península de Setúbal. 

 

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Chips de peixe, Pão tradicional, Brioche, Manteiga dos Açores. Pasta de chouriço

 

Adorei os chips de peixe (que não sei qual era) - crocantes, saborosos, deliciosos! 

 

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No menu vários pratos pequenos com que se pode fazer uma refeição, ou que podem servir de entrada, alguns pratos mais substanciais e sobremesas. Para além do menu fixo, também há os pratos do dia. Produtos e sabores portugueses, que com técnicas mais atuais e a criatividade da Marlene resultam num conjunto de propostas originais, descontraídas e coerentes com o ambiente.

 

A escolha não foi fácil entre tanta coisa que me apetecia provar... Comecei com dois pratos pequenos do menu (um deles em meia dose)

 

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Filhós de berbigão à Bulhão Pato

massa de filhós, creme de berbigão, coentros, limão

 

Quando o vi no menu ficou decidido que este seria um dos pratos. Adorei a ideia, gostei ainda mais quando o vi (e comi). Fez-me lembrar os pratos salgados do Luís Baena baseados produtos de pastelaria que fazia em Catralvos. Valeu por si, valeu também pela viagem no tempo. 

 

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Ceviche de espadarte com maracujá e pimenta da terra

espadarte, maracujá, batata doce, pimenta da terra e coentros

 

Este prato foi sugerido pela Marlene, disse que era bom e muito fresco. Aceitei a sugestão e não me arrependi. As pipocas picantes contribuíam com um contraste de textura interessante, que acabava por realçar frescura do ceviche.

 

Quando me disseram qual era o prato do dia, imediatamente optei por ele. Também passei para um vinho tinto, um Terras do Anjo 2012 de Lisboa.

 

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Pato, marmelos e uvas

 

Muito outonal, e o outono já se sente e apetece. Depois das entradas mais leves e frescas, a lembrar o verão, souberam bem estes sabores de outra estação. 

 

Quando me disseram o que era a sobremesa do dia, nem sequer voltei a consultar o menu. Era mesmo o que me estava a apetecia para finalizar a refeição.

 

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Tarte de queijo da Serra e Figos, Gelado de figo 

 

Muito bom! Como tudo o resto. Parabéns Marlene! Já estou com vontade de voltar...

 

 

Zunzum Gastrobar - Av. Infante Dom Henrique, Doca do Jardim do Tabaco, Terminal de Cruzeiros de Lisboa

 

 

Os Papagaios - voltando (lentamente) aos velhos hábitos...

por Paulina Mata, em 18.07.20

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Os Papagaios, a dois passos de casa, eram o local onde ia por vezes tomar o pequeno almoço, outras almoçar entre uma manhã e uma tarde de trabalho, e até aconteceu levar o computador, tomar o pequeno almoço, almoçar e continuar pela tarde dentro a trabalhar. Os Papagaios já abriram há algumas semanas, mas ainda só tinha passado por lá uma vez para uma limonada.

 

Esta semana voltei aos velhos hábitos, e entre uma manhã e uma tarde de trabalho, fui almoçar aos Papagaios num dia de calor. O pad thai estava óptimo e soube-me muito bem, pelo sabor e por ter voltado aos velhos hábitos...

 

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A minha mesa preferida, e onde muitas vezes ficava,  estava livre e almocei sentada junto à janela, meio dentro, meio fora... Lembrei-me do dia em que lá fui tomar o pequeno almoço, na mesma mesa, com a minha filha e ela comeu umas panquecas de lentilhas e grão. O meu pequeno almoço foi outro... e incluiu um muesli com fruta da época e iogurte grego. E talvez um sumo de laranja com umas colheradas de café, de que gosto muito e que a Joana me faz. Neste almoço até perguntou se eu queria o meu sumo de laranja com café.  Fez-me sentir em casa, como se não tivesse havido este interregno, como se nada tivesse mudado, apesar de tudo ter mudado... Mas não, com o pad thai queria só uma água muito fresca. O sumo de laranja fica para a próxima, talvez com um muesli com iogurte grego e fruta.

 

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Lembrei-me que as panquecas que a minha filha comeu naquele dia estavam deliciosas, e que voltei lá uns dias depois para comer umas, curiosamente na mesma mesa... 

 

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Esta semana, quando lá estava a almoçar, para a mesa ao lado passaram uns peixinhos da horta. Lembrei-me do Adriano, que um dia, no Fome, me perguntou se já tinha comido os peixinhos da horta dos Papagaios, que eram fantásticos. E foi essa conversa que me levou a pedi-los logo que lá fui.

 

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Breve volto para os comer de novo, sinto a falta dos velhos hábitos, e destes peixinhos da horta... E, quem sabe, comer umas espetadas afegãs com molho de hortelã, ou um cuscus  de vegetais com porco desfiado com mel e mostarda...

 

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É bom voltar aos velhos hábitos! Apesar das máscaras e do desinfetante à entrada... Mas até isso começa a ser já um hábito...

 

Os Papagaios - Rua Lucinda Simões, 13, Lisboa

 

 

 

 

Um restaurante em época de Covid

por Paulina Mata, em 10.07.20

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Pouco tenho saído. Idas a restaurantes... zero nos últimos quatro meses! Até hoje de manhã. Agora passou a ser uma ida. E espero ir-lhe juntando muitas outras nos próximos tempos.

 

Hoje de manhã tive que ir para a zona do Parque das Nações. O compromisso que me levou lá foi durante a manhã e decidi a seguir fazer um programa que não fazia há muito, passear à beira do rio e depois almoçar por ali, antes de regressar (a casa e ao trabalho). Assim foi...

 

Depois do percurso junto ao rio, caminhei pela Rua do Bojador. Ainda era cedo, ninguém nos restaurantes. Entrei no Cantinho do Avillez, só estava uma mesa ocupada, sentei-me na esplanada, tirei a máscara e depois... Tudo foi normal. Se ir ao restaurante se assemelha de certa forma a ir ao hospital, como tantas vezes ouvi? Não, assemelha-se a ir ao restaurante. Os rituais são os mesmos, e o ambiente pouco diferente. É verdade que havia frascos de desinfetante em todas as mesas, é verdade que os empregados tinham máscara pretas. Mas se isso há quatro meses seria estranho, agora é normal.  

 

Chegou o couvert.

 

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Há mais de quatro meses que uma tal coisa não fazia parte das minhas experiências! Que bem me soube!

 

Os clientes foram chegando... e quando a minha entrada chegou já o movimento das mesas à volta se fazia sentir, o ruído das conversas, o vai e vem dos empregados.

 

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Estes pastéis de bacalhau com vatapá lembraram-me outros, e um post adiado...

 

Foram chegando mais pessoas. Quando o meu prato de vieiras com batata doce, espargos e tomate chegou, quase todas as mesas da esplanada estava ocupadas e  na sala também já não havia muitas livres.

 

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O burburinho nas mesas, as conversas, algumas de gente que não se via há muito (alguns não resistiram mesmo  à chegada a quebrar por instantes o aconselhado isolamento social), tudo como é característico de um restaurante. Não, a experiência não é deprimente, como muita gente receou. 

 

O almoço terminou com um leite creme com laranja e baunilha.

 

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Enquanto comia esta sobremesa conforto, fui pensando no conforto de estar de novo sentada num restaurante, usufruir da experiência completa. É tão bom!

 

O luxo do Essencial

por Paulina Mata, em 23.02.20

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O Foie Gras Mi Cuit com Compota de Pera aromatizada com Baunilha e Brioche foi uma das entradas que pedi há dias no Essencial de André Lança Cordeiro. O jantar era um presente de aniversário para um amigo que viveu alguns anos em França, a cozinha de base assumidamente francesa de André Lança Cordeiro pareceu-me a mais apropriada na ocasião, e marquei mesa no Essencial, o seu restaurante no Bairro Alto.

 

Sempre me questionei sobre a razão para haver tão poucos restaurantes com uma cozinha assumidamente com uma base francesa em Lisboa. Entre os cozinheiros portugueses mais jovens, é também muito raro referirem essa influência. André Lança Cordeiro trabalhou alguns anos em França, grande parte da sua formação como cozinheiro foi nesse país, e a sua cozinha reflete-o. Está em contracorrente com algumas das tendências atuais e isso torna a sua cozinha ainda mais interessante.

 

Entrei numa sala com uma decoração de grande simplicidade, madeiras claras, quase nua, apenas separada da cozinha por um balcão. Coerente com o que tinha lido sobre a cozinha do Essencial ser uma ode ao minimalismo. Não foi assim que interpretei o que me serviram, nada do que ali comi caracterizaria como minimalista, mas como uma cozinha com técnicas de base francesas clássicas, necessariamente adaptada às condições quase minimalistas da cozinha.  Portanto exigindo alguma simplificação, ou melhor, evitando opções muito elaboradas.

 

A outra entrada pedida foi um Carpaccio de Encharéu com Crème Fraîche e Ovas de Arenque, era uma das opções do dia. Vinha acompanhada de algo que me pareceram blinis, mas que o André explicou terem como base batata, disse o nome, mas que não recordo.

 

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O André enviou-nos ainda uma outra entrada, Atum com Ouriço do Mar.

 

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O primeiro prato principal foi a Raia, Grenobloise e Batata. Estas cozidas em caldo de galinha, o que lhes conferia mais complexidade e um maior teor de umami.

 

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Quando chegámos a sala estava meio cheia, entretanto tinha enchido. Na mesa ao lado falavam francês. Frequentemente quem vinha trazer os pratos eram os cozinheiros. O André foi à mesa ao lado, quando passou pela nossa disse-lhe que estava a gostar muito, ele respondeu que achava que o prato de que iria gostar mais era o último. Tínhamos pedido a codorniz, que chegou desossada e com adornos de luxo. O André tinha razão, todos os pratos estavam muito bons, mas a Codorniz com recheio de Foie Gras, com Morilles e Trufa, e acompanhada com puré de batata, estava magnífica. De comer e chorar por mais.

 

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Para sobremesa escolhemos o Soufflé de Pistácio estava ótimo, e quando alguma colherada apanhava um dos fragmentos de limão confitado que estava no fundo havia uma explosão de sabor que contrastava com o sabor dominante, que o tornava ainda melhor.

 

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O espaço do Essencial é menos minimalista do que o da minha primeira experiência com a cozinha do André Lança Cordeiro. Nessa altura ele referiu que era importante para ele o contacto com as pessoas para quem cozinhava, aspeto que se mantém neste novo espaço.  Talvez no futuro tenha condições para uma cozinha de base francesa ainda mais elaborada. Não sei se faz parte dos seus planos, mas seria interessante.

 

Um óptimo jantar!

 

Essencial - Rua da Rosa, 176, Bairro Alto, Lisboa

 

 

 

 

Quando uma viagem nos faz viajar ainda mais...

por Paulina Mata, em 05.02.20

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Uma destas segundas-feiras dei comigo, ao fim da tarde, a pensar - "Ainda bem que amanhã é sábado!". Mau sinal... e para enganar a sensação, cada dia que passava mais forte, de que o fim de semana estava a fugir de mim e não o conseguiria tão depressa alcançar, resolvi fazer uma viagenzita. Uma viagem à mesa, não havia mesmo outra hipótese... Mas se era para fugir das tarefas que me ocupavam os dias, pois que fosse para longe, muito longe. Foi até à Coreia, a um dos vários restaurantes coreanos que abriram recentemente. 

 

Um restaurante simples, uma televisão com videoclips coreanos, muitos asiáticos, penso que coreanos, na sala. E até uma cara conhecida de TV na mesa ao lado. Ainda não tinha vindo comida nenhuma e disse para mim mesma - "Se tivesse entrado aqui de olhos tapados, e só me deixassem olhar para a mesa, dizia sem dúvidas que o restaurante era coreano." Olhando para a foto em cima, essa já com os 만두 (mandu = gyosa coreanos), sabem por quê?

 

Os pauzinhos eram de metal, havia ao lado deles uma colher também de metal. O pauzinhos surgiram na China há um pouco mais de 3000 anos. Funcionavam como uma extensão dos dedos, porque a comida podia estar quente ou porque a comida podia estar longe. Temos que concordar que eram extremamente evoluídos. A primeira referência aos garfos, que podemos considerar a nossa extensão da mão, surgiu no século VII no Médio Oriente. Uma princesa turca que casou com um veneziano levou-os para Itália no século XI. Foi um escândalo, foram considerados pela igreja uma rejeição da natureza, um insulto a Deus. A pobre princesa morreu cedo e tal foi considerado por muitos um castigo de Deus. Pois se Deus nos tinha dado as mão para comermos, e se ela quis ultrapassar os seus desígnios, tinha mesmo que ser castigada. Tal foi o medo que durante mais de três séculos não se ouviu falar de garfos e a reintrodução não foi fácil...  No início do século XVII o rei Henrique III de França e a corte eram motivo de sátira por usarem garfos, e só no final desse século o seu uso se generalizou. Por esta altura já os chineses usavam os pauzinhos há 3000 anos.

 

Por volta do ano 500 disseminaram-se por outras partes da Ásia, principalmente Japão, Coreia e Vietname. Mas assumiram características diferentes, não só nos materiais, como no tamanho e forma. Os pauzinhos chineses são os mais compridos, podiam ser se bambu, marfim ou outros materiais (agora muitos de plástico). Diz-se que o hábito dos chineses de terem grandes mesas com uma parte rotativa no centro foi determinante para definir o tamanho dos seus pauzinhos. Era preciso chegar ao meio da mesa, à zona onde estava a comida.

 

Os japoneses comem muito peixe, era preciso tirar espinhas, e com o tipo de comida que têm também era necessário pegar em coisas pequenas, e os seus pauzinhos são mais pequenos e mais finos na ponta, assim permitem mais precisão para estas tarefas. Mas, de facto, há pauzinhos diferentes para utilizações diferentes no Japão, até para sobremesas e mesmo funerais.

 

Na Coreia, como em muitas outras partes do mundo (por cá ainda há quem o diga), acreditava-se que a prata, e eventualmente metais prateados, em contacto com venenos escureciam. Os pauzinhos do imperador eram de prata para evitar ser envenenado, agora eles são de aço inox, são mais pequenos que os chineses e são dos três os mais afiados na ponta. Também são os mais escorregadios, acreditem que pegar nos 만두 foi uma tarefa difícil. Quando um deles escorregou para dentro da tigela com o molho de soja ficaram as marcas na mesa...

 

Os pauzinhos de metal permitiam-me identificar que estava num restaurante coreano, outro sinal era a colher. Os orientais comem bastante arroz, não é muito prático comê-lo com pauzinhos. Os chineses levam a tigela perto da boca e com os pauzinhos empurram-nos para a boca. Para os coreanos levar a tigela perto da boca não é grande sinal de boa educação, assim usam colheres.

 

Descobri ainda outra coisa muito interessante, aparentemente a primeira referência que surge na Europa aos pauzinhos, foi de um português, Tomé Pires, no livro Suma Oriental que trata do Mar Roxo até aos Chins , que escreveu entre 1512 e 1515 em Malaca. Nele diz mais ou menos isto:

Eles [os chineses] comem com dois palitos e a tigela de barro ou de porcelana na mão esquerda, perto da boca, com os dois palitos para sugarem. Esta é a maneira chinesa.

 

Tinha uma tia de Macau, fazia um porco picado e cozido a vapor maravilhoso, ainda o faço por vezes. Sabores e memórias de infância. Outra influências da minha tia era um frasco de glutamato de sódio (MSG) que estava num armário na casa de jantar. Não naquela onde comíamos diariamente, mas na das visitas. Normalmente não saía de lá muito. Mas lembro-me de como ele transformava uma canja com pouco sabor numa canja maravilhosa. A minha tia macaense não lhes chamava pauzinhos, há muitos anos que eu tentava lembrar-me do nome que ela lhes dava.

 

Voltei para casa e levei horas a pesquisar sobre eles. Tentei encontrar o nome que a minha tia lhes dava, vi o nome chinês (ouvi no tradutor do Google como se pronunciava - kuàizi, não era aquilo), encontrei o nome japonês - hashi, mais parecido, mas não me dizia muito. Até que de repente, do nada, disse alto "fachis", e uma busca do significado da palavra deu:

Significado de Fachis  - substantivo masculino plural[Macau] Os dois pauzinhos, com que os Chineses comem, servindo-se deles como de garfo.

Estava resolvido o mistério! A mente humana é fantástica!

 

No restaurante, para além dos Mandu, também comi Dakgalbi um prato de frango com uns bolinhos de arroz, batata doce, cebola... Vários acompanhamentos, curiosamente um deles salsichas em rodelas fininhas e num molho muito condimentado. 

 

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Sabores diferentes, uma viagem que se prolongou muito e onde aprendi mais do que estava à espera. O trabalho atrasou-se, o sono sofreu com isso. Mas o balanço final foi positivo.

 

K-BOB - Av. Ressano Garcia 41, Lisboa 

 

 

Varanda de Lisboa - uma renovação que manteve a tradição

por Paulina Mata, em 27.01.20

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Fui há dias almoçar ao restaurante Varanda de Lisboa do Hotel Mundial. Um hotel com 60 anos, cerca de 350 quartos, e com um restaurante apostado em manter sabores e tradições. Fui convidada para conhecer o espaço e a carta que tinham sido renovados no final de 2019. 

 

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O primeiro impacto foi o do espaço, a garrafeira à entrada, o bar central, mas principalmente o espaço ter ficado mais aberto, o que dá uma sensação de uma sala muito mais ampla e mais destaque ao painel pintado numa das paredes. A um canto a mesa onde José Saramago e Pilar del Rio se conheceram, quando ela o entrevistou, e na parede uma placa com um poema que ele lhe dedicou. Porém, é impossível entrar naquela sala, num dos andares superiores do hotel, sem reparar na magnífica vista sobre o Castelo e a Baixa.

 

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Um espaço mais confortável e atual, uma carta que também sofreu uma renovação, sob a orientação do Chef Vitor Sobral, mas que continua a centrar-se sobretudo em sabores portugueses.

 

Sentámo-nos à mesa e chegou o couvert, boas azeitonas e um queijo de ovelha amanteigado da Queijaria do Monte da Vinha no Vimieiro, a que recentemente foi atribuída uma medalha de ouro nos World Cheese Awards, que decorreu na cidade italiana de Bérgamo.

 

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Durante o almoço partilhámos duas entradas.

 

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Berbigão com  Tomate e Gengibre 

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Salada de Polvo com Batata Doce e Hortelã

 

A escolha da minha companheira de mesa foi uma cabeça de peixe grelhada. Tinha um óptimo aspeto, não resisti e pedi para provar. 

 

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Já eu, fiquei encantada com a secção da lista dos arrozes, pois defendo sempre que a forma como cozinhamos e comemos o arroz é um aspeto muito característico da nossa cozinha. Na carta eram oferecidos três, um de polvo, um de galo com farinheira, e um de bacalhau com berbigão, foi sobre este que recaiu a minha escolha. Estava muito bom. 

 

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Arroz de Bacalhau com Berbigão e Coentros

 

Para a sobremesa comemos:

 

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Pudim de Limão com Leite de Coco e Pistácios

 

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Toucinho do Céu de Amendoim com Sorvete de Maçã Granny Smith

 

Apesar da renovação, houve o cuidado de preservar vários aspetos da cozinha e do serviço que caracterizam este restaurante do Hotel Mundial. O serviço de sala, que envolve a preparação ou finalização de alguns pratos frente aos clientes, é um deles. Há  mesmo uma secção da carta denominada " Cozinha de Sala" que tem várias ofertas de pratos e também sobremesas. Na mesa ao lado estavam a ser preparados uns crepes Suzette. Também, se assim se desejar, o café é preparado em balão junto à mesa.

 

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Aspetos interessantes e importantes. É de louvar que apesar da modernização realizada, tenham mantido estas características que já vão rareando e de que é tão bom poder desfrutar.

 

Durante toda a semana, aos almoços, as Sugestões do Dia, permitem refeições a um preço mais moderado naquele ambiente privilegiado. 

 

 

Varanda de Lisboa - Hotel Mundial
Praça Martim Moniz, 2 - Lisboa

Feitoria - produtos e sabores que são nossos

por Paulina Mata, em 23.01.20

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Ir ao Feitoria estava na minha lista de desejos há muito, já não ia lá há vários anos, mas ainda não tinha acontecido. Mas aconteceu no final de 2019 e ficámos numa das mesas redondas à direita na foto.

 

O menu escolhido foi o Matéria (6 pratos). Matéria, o mesmo nome do projeto do João Rodrigues para identificar produtores de excelência e de produtos únicos, para organizar essa informação e a disponibilizar. Esta matéria, ou seja os produtos portugueses, são centrais na cozinha de João Rodrigues.  Assim, o menu Matéria é baseado e produtos e sabores portugueses.

 

No início do jantar chegou-nos inclusivamente um mapa onde é indicada a proveniência de grande parte dos produtos usados no Feitoria.

 

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Começou por vir  uma sucessão de pequenos pratos.

 

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Lírio curado com lima

 

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Crocante de camarão com coentro e caviar

 

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Bróculo com moamba e cebola

 

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Mexilhão com papada de porco

 

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Croquete de polvo

 

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Caldo de cozido com cupita de Barrancos sobre tosta

 

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Santola e navalheira

 

Todos muito bons,  todos muito bonitos. Já tinha ouvido falar do Caldo de Cozido com Cupita de Barrancos sobre Tosta, era mais pequeno do que o imaginava, mas melhor do que o imaginava. Adorei! Entretanto chegou também o pão com duas manteigas e dois azeite.

 

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Manteigas de ovelha e de vaca do Pico, Azeites Monterosa (Picual  e Verdeal)

 

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Quase no início do jantar trouxeram-nos um pedaço de atum para vermos, ele seria a base do primeiro prato do menu que tínhamos escolhido.

 

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Atum rabilho. caviar, daikon e caldo fumado

 

Um prato absolutamente delicioso! A seguir a este bonito prato, delicado, com produtos raros e sabores exóticos, seguiu-se um mergulho no mundo real. O mundo real é cru, às vezes duro, parece simples, mas não o é, tem o seu encanto próprio. Tal como esta matéria quase pura. 

 

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Lula de toneira da Figueira da Foz, manteiga de ovelha e cebolinho

 

O mergulho no mundo real levou-nos ainda mais longe. Trouxeram-nos os Carabineiros do Algarve que iríamos comer de seguida. 

 

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As cabeças salteadas chegaram e foram prensadas para extrair os sucos que seriam servidos como molho.

 

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Carabineiro do Algarve

 

Forte, intenso!

 

O peixe galo veio também mostrar-se. Questionei-me se não haverá muitos clientes que preferem não ver olhos nos olhos o que vão comer a seguir. No final perguntei ao João Rodrigues, disse-me que há quem goste muitos, mas também quem não goste. Concordo que é arriscado.

 

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Peixe Galo, molho de fígado e açorda

 

Agora que o peixe era absolutamente delicioso, isso sem dúvida. Um prato que nos remetia para as nossas memórias de sabores mais profundas.

 

Quando a minúscula abóbora chegou, era tão linda e perfeitinha, que nem parecia possível ser verdadeira, raspei com o dedo para confirmar. Tão bonita!  Uma escapadela ao mundo da fantasia! Deliciosa também.

 

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Abóbora assada, pinhões tostados, queijo gratinado e espuma de alho

 

Foi uma boa transição para o momento seguinte, e o pato começou por vir mostrar-se.

 

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Chegou depois delicioso e com um acompanhamento de luxo.

 

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Pato, arroz de cogumelos selvagens e trufa branca

 

Tinha chegado a hora das coisas doces, que começou com uma pré sobremesa cremosa e muito boa.

 

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A que se seguiu uma sobremesa cuja base era maçã e que foi preparada junto à mesa.

 

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Maçã assada, creme de iogurte, granizado de Granny Smith, gelado de massa folhada

 

Com os café e o chá vieram estes amouse bouche.

 

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Decidimos não fazer o pairing do menu com os vinhos sugeridos, pedimos ao somellier, André Figuinha, que nos sugerisse um número menor de vinhos para acompanhar o menu. Começámos a refeição com o Ilha, Verdelho, um DOP Madeirense de 2018, que nunca tinha bebido, um vinho diferente, com alguma salinidade, de que gostei muito, mais adiante, com os pratos foi servido o Flor Nobre, Reserva, da Beira Interior de 2014 e com a carne o She, Douro de 2016 uma ótima escolha que ainda valorizou mais os pratos. Acompanhámos a sobremesa com um Villa Oeiras, Carcavelos de 15 anos. 

 

Um serviço de mesa excelente. No final ofereceram-nos ainda um miminho para trazermos para casa, uma caixa de bombons do Feitoria. Mas não só... também um saquinho com uma infusão de ervas e flores, um blend criado pela equipa do Feitoria para prolongarmos a experiência que nos proporcionaram.

 

Um óptimo jantar!

 

 

Feitoria - Altis Belém Hotel & Spa, Doca do Bom Sucesso, Lisboa

 

Foto inicial DAQUI

Os sabores moçambicanos no Chiveve

por Paulina Mata, em 15.01.20

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Gosto muito de viajar à mesa, vários posts relatam essas viagens em Lisboa. Cada vez há nesta cidade mais restaurantes de cozinhas diferentes, e de vez em quanto dou umas escapadelas... mas frequentemente pelos sítios do costume. Este ano apetecem-me outras aventuras, quero viajar por mesas desconhecidas. Comecei logo a fazê-lo nos primeiros dias do ano. A viagem foi a Moçambique, à mesa do restaurante Chiveve, nome do rio que está ligado ao surgimento e desenvolvimento sócio-económico da cidade da Beira. 

 

O Chiveve, que abriu há pouco mais de um ano, tem um espaço amplo, confortável e com uma decoração moderna, apesar das muitas referências a artesanato moçambicano. Lá estão também dois bustos de um moçambicano que todo o mundo conhece - Eusébio. À frente do restaurante um casal de moçambicanos Scheila e Edner Abreu, ela na cozinha e ele na sala. Fomos recebidos com simpatia, e entusiasmo na apresentação dos pratos de uma cozinha que tem influências e sabores de diferentes cultura, em particular de África, Oriente e Europa, que lhe dão características especiais.

 

Começámos com umas Chamussas de Carne.

 

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Seguiram-se dois pratos que nos foram apresentados como pratos fortes da casa, o Caril de Camarão com Quiabos, e o Frango à Zambeziana. Ambos muito bons e bem confeccionados. 

 

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Para sobremesa foi-nos sugerida a Mousse de Malambe (o fruto do Embondeiro). Cremosa, mas com a acidez que lhe confere o fruto e lhe dá uma sabor exótico.

 

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Para além da cozinha moçambicana, também têm alguns pratos de cozinha portuguesa. Vou voltar pela moçambicana, pois a vontade de provar a Matapa com Peito de Caranguejo (com folha de mandioca, leite de coco e amendoim) é muita.

 

Chiveve - Rua Filipe Folque 19 - Lisboa

 

 

Chica Chica Boom - uma viagem pelos sabores do Brasil

por Paulina Mata, em 10.01.20

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O jantar foi nesta mesa. Um jantar especial, com pessoas especiais, todos ex-alunos.  O local foi o Chica Chica Boom, um restaurante de cozinha brasileira, em frente ao Museu da Carris. Três amigas brasileiras (a Jéssica Torres do Rio de Janeiro, a Carla Upiati de Brasília e a Gabriela Loureiro do Paraná) todas cozinheiras, todas com experiências diferentes, todas a viver e trabalhar em Lisboa há alguns anos, todas tendo passado por muitas cozinhas de restaurantes de renome, decidiram abrir, no início do verão passado, o seu próprio espaço em Lisboa, o Chica Chica Boom, nome inspirado na música de Cármen Miranda. A escolha para o jantar não foi por acaso. Foi porque a comida é muito boa, o espaço muito aconchegante e porque a Gabriela também pertence ao grupo dos ex-alunos. Torna o jantar mais emocionante, mas não influencia as apreciações. Juro!

 

Ao entrarem pela primeira vez no espaço do restaurante a Gabriela, a Jéssica e a Carla souberam que era ali, parecia quase que estavam a entrar em casa da avó... Herdaram a decoração do projeto anterior, apenas lhe deram um toque mais pessoal. Móveis antigos, muitos espelhos, quadros, livros, peças diversas... quase excessivo, mas com personalidade. Em casa da avó partilha-se a comida, e no Chica Chica Boom também. Cozinha brasileira, das várias regiões do Brasil, tal como elas, alguns pratos re-interpretados. Ou seja é a cozinha delas... o que envolve usar as técnicas que foram aprendendo ao longo dos anos em muitas cozinha de renome. O resultado... pratos deliciosos, sabores bem definidos e bem combinados. Uma cozinha conforto, mas com alguma inovação.

 

Éramos um grupo grande, deu para provar muita coisa.

 

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Chips de raízes

 

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Caldinho de feijão com espuma de espinafres

 

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Coxinhas de galinha (e também as houve vegetarianas)

 

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Tártaro do Sertão

(batata doce, mandioca, quiabo, chuchu e abóbora picados, maionese com mostarda)

 

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Sandes de carne de panela

 

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Rolinho de moqueca com espuma de coco  (delicioso!)

 

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Pão de queijo e goiabada arretada

 

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Escondidinho de vazia (e também houve de cogumelos)

 

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Pica-pau de coração de galinha

(inspirado no nosso pica-pau, mas aqui com corações de galinha)

 

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Camarão na Moranga

(abóbora recheada com camarão, creme de catupiry e palmito)

 

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Barreado

(O nome vem do facto da carne ser cozinhada numa panela vedada ou barreada com uma mistura de farinha, cinzas e água, sendo a cozedura lenta e em lume muito brando. Come-se com banana e farinha de mandioca, que no prato é escaldada com o caldo bem quente. Há quem diga  ser uma herança deixada pelos portugueses, mais especificamente pelos açorianos, tanto mais que tradicionalmente era cozinhado em buracos no chão que eram previamente aquecidos com uma fogueira.)

 

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Bolo de chocolate com cupuaçu

 

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Torta paulista

(Um bolo de bolacha, mas com creme de amendoim e doce de leite)

 

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Bolo de coco com creme inglês

 

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Brigadeiro de colher com peta-zetas

 

Poder viajar à mesa em Lisboa pela mão da Gabriela, da Carla e da Jéssica é um privilégio. Gostei mesmo muito. Porque a comida é muito boa  (muito mais apetitosa do que as fotos demonstram, mas a luz em casa das avós nunca é a ideal...). Porque cada vez gosto mais destes projetos pequenos, com personalidade, e em que se nota a paixão e a dedicação.

 

Experimentem e contem!

 

Chica Chica Boom -  Calçada Santo Amaro, 6 -  Lisboa

 

1ª Foto DAQUI

 

 

Degust'AR - Uma viagem gastronómica pelo Alentejo

por Paulina Mata, em 15.12.19

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Já lá tinha ido antes, ainda recordava o Ensopado de Borrego e o Cação de Coentrada que estavam excelentes. Foi por isso com prazer que recebi o convite do Chefe António Nobre, conhecido por trabalhar com mestria os produtos, aromas  e sabores que caracterizam a cozinha da sua região natal, para um jantar no Degust'AR.   

 

Um restaurante bonito e confortável, cujas mesas foram sendo ocupadas, e em pouco tempo a sala estava quase cheia. O menu do jantar foi escolhido pelo António Nobre, que nos quis proporcional uma viagem gastronómica pelo Alentejo.

 

Começámos com uma variedade de entradas:

 

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Bisque de lagostim do rio

 

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Empadinha de galinha / Torresmo do rissol

 

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Salada de búzios

 

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Farinheira de porco alentejano frita com batatas e ovos escalfados

 

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Rabo de boi estufado lentamente no tacho em vinho tinto alentejano

 

Estavam todos excelentes. Comemo-los com muito prazer, mas não é difícil adivinhar que por esta altura já nos começávamos a questionar sobre a nossa capacidade de chegar ao fim desta viagem... Veio então um Arroz de coentros malandrinho com pataniscas de bacalhau, tendo terminado a sequência de pratos salgados com umas migas com carne de porco.

 

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Migas de espargos verdes com lombinhos de porco Ibérico, linguiça frita e laranja

 

Na pré-sobremesa os poejos, tão característicos da cozinha alentejana, eram apresentados num contexto diferente do habitual, num doce.

 

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Sopa de frutos vermelhos com chocolate e poejos

 

Mas na sobremesa a tradição dominou,  com o gelado de tangerina e alguns frutos vermelhos a introduzir notas de frescura.

 

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Trio de doces conventuais com gelado de tangerina

 

O serviço de sala foi excelente. A atenção que nos dedicaram e a forma como introduziam os pratos contribuiu para que a refeição fosse ainda melhor.

 

Várias vezes tenho referido aqui a importância dos restaurantes que oferecem uma cozinha tradicional bem executada. É o caso do Degust'AR. Na carta há pratos de cozinha alentejana, assim como outros criados pelo Chefe António Nobre. Há também uma carta de petiscos para quem o preferir. 

 

A cozinha alentejana, com as suas características únicas, merecia um restaurante assim!

 

Degust'AR   -   Rua Latino Coelho - 63,  Lisboa

 

1ª  Foto  DAQUI