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Assins & Assados

A Geórgia, aqui tão perto...

por Paulina Mata, em 13.07.19

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A conversa foi mais ou menos assim:

- Está-me a apetecer viajar.

- Agora!!!??? Queres ir onde?

- Acho que à Geórgia. Nunca lá fui...

- Então vamos lá à Geórgia...

 

Cerca de meia hora depois estávamos sentados à mesa do Treestory, prontos para a viagem. Esta é um das vantagens de viajar à mesa. 

 

Vimos a carta. Perguntei se não tinham vinho da Geórgia. Foi lá que provavelmente se produziram os primeiros vinhos, há cerca de 8000 anos. A origem da palavra vinho talvez até tenha sido gvino, a palavra georgiana para designar esta bebida. Não tinham. Fiquei com pena.

 

Para começar...

 

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Tarte de Gúria

tarte quente fechada recheada com ovo e queijo

 

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Ele achou um pouco pesado. Eu achei pura comida conforto. A massa macia, o queijo derretido do recheio, o sabor suave.

 

De seguida veio uma outra entrada que nos disseram ser uma das que mais sucesso fazia. 

 

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Sortido de pkhali, beringela e cenoura

espinafres, beringela e cenoura com nozes e especiarias

 

Fresca, colorida e exótica. Ele gostou mais da beringela - puré de beringela envolvido em tiras de beringela grelhada. Eu também. Gosto da romã nos pratos, da sua cor, da doçura e acidez, do exotismo da sua introdução num prato salgado. 

 

Partilhámos o prato principal.

 

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Carne de porco em molho de nozes com especiarias

 

Ele gostou muito, eu gostei, mas com menos entusiasmo.

 

Na vitrine do balcão havia várias sobremesas com aspetos interessantes. Estava calor, as doses são bem generosas, e resolvemos partilhar a que tinha um ar mais leve e menos doce.  Achei graça à figura de cisne.

 

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Acho que tínhamos ficado mais bem servidos com uma das outras. Mas cumpriu a sua função.

 

Fomos beber o café e o chá para o agradável pátio exterior ao fundo do restaurante. Um espaço simpático, cheio de pessoas que almoçavam.

 

Ficaram no menu várias coisas que gostava de experimentar. Talvez lá mais para o Outono volte para nova viagem à mesa à Geórgia.

 

 

Treestory  -  Rua Luciano Cordeiro, 46A, Lisboa

 

 

Veganapati - comida estimulante, variada, boa e bonita

por Paulina Mata, em 02.07.19

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Talvez não lhe tivesse dado uma oportunidade, não fosse a minha filha ter sugerido lá irmos. Pode até ser preconceito...  mas a Baixa não é propriamente um paraíso gastronómico. Depois, não era claro para mim o que era o restaurante, indiano, ou não? Mas o importante é que fui, e já voltei mais três vezes, uma outra com a minha filha, as restantes duas com amigos.

 

No Veganapati há comida indiana, embora não a que encontramos na maioria dos restaurantes indiano, pois os donos são indianos. Mas tem muito mais para além disso... pratos criados pelos Chefes Ricardo Salsa e Luís Campos responsáveis pela oferta do restaurante. Tudo é vegano, mas nem sempre parece. Numa das refeições com a minha filha comemos uns croquetes de "alheira", de tal forma achei o sabor parecido que lhe perguntei se não ficava receosa que tivesse havido algum engano. Ela apontou para a parede.

 

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O nome do restaurante Veganapati resulta da junção das palavras Vegan e Ganapati (um dos nomes da entidade sagrada indu Ganesha, reconhecida pela sua cabeça de elefante, que simboliza a ligação do supremo à natureza). O nome de facto está relacionado com os objetivos, pois pretendem oferecer um comida vegana que reflita um estilo de vida compassivo, saudável, sustentável e estimulante. Descreveria a comida como estimulante, variada, boa, e muito bonita. Um dia ao almoço (cujo menu é um pouco diferente do do jantar) fui invejando a comida que ia para as mesas à volta, de tal forma era bonita e apetitosa. 

 

Há pratos indianos, e por lá já comi uma impressionante Dosa, um finíssimo crepe feito com uma massa de arroz e lentilhas fermentada, recheado com umas saborosas batatas e que vinha acompanhado de um sambhar (guisado) de lentilhas e chutneys de coco, de tomate e de menta. E digo impressionante, pois as suas dimensões são maiores do que as da mesa... 

 

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Tal como as dosas, também originários do sul da Índia, já comi mais do que uma vez os Idlis (pequenas panquecas de uma massa idêntica à das dosas, mas neste caso cozida a vapor). Os mini idlis são servidos como entrada e com um acompanhamento idêntico ao da dosa.

 

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Entre os pratos de origem indiana comi também o Bhajis, uns fritos com um polme de farinha de grão, neste caso a variedade oferecida é diferente da original, vem com cebola, mas também com "alheira" e abacate.

 

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Na foto anterior, para além dos Bhajis, estão também os Croquetes de "alheira" de fumeiro. Bastante interessantes, um dos meus amigos, "especialista" e acérrimo defensor das alheiras, concordou que tinham um sabor que se assemelhava.

 

Ainda dentro dos pratos que vão ao encontro das nossas memórias gustativas, e que oferecem para que os veganos portugueses possam matar saudades sem peso na consciência, há um Pica-Pau de seitan bio com pickles de couve roxa e bolo do caco.

 

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As saladas são lindíssimas, é o caso desta de Manga, coco, amêndoas torradas e rebentos de ervilhas.

 

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O Carpaccio de beterraba, "feta", abacate e nozes caramelizadas, muito fresco e saboroso.

 

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Nas entradas, uma que me surpreendeu muito foi a de "Feta", rabanetes assados, mirtilos e mostarda preta.

 

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Mas também uns deliciosos Pimentos Padrón com tomates cereja.

 

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Entre os pratos principais já comi por lá  a Beringela com crosta de ervas e milho, polenta crocante e vichyssoise de hortelã e agrião.

 

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O Portobello sous-vide, caldo rasan e moringa, batata doce e garam masala.

 

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O Brownie Burguer - burguer de feijão preto e tofu fumado, mayo de lima e coentros, abacate e cebola caramelizada, "queijo Cheddar", tomate e espinafres. Acompanhado de batata doce frita e ketchup de beterraba.

 

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Mas o mais impressionante foi talvez o Bife de seitan bio, manteiga de amendoim e tamarindo, chips de mandioca e pak choi grelhada. Não sou particularmente fã de seitan, mas neste caso a textura e o sabor são surpreendentes, e o molho com notas muito tailandesas é excelente.

 

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 Os doces por lá são famosos, mas o único que ainda comi foi a Tarte de chocolate branco e baobab

 

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A variedade é grande, já provei uma boa amostragem da oferta, mas ainda há muito para experimentar. Gosto muito da comida, é um bom restaurante, que por sinal é vegano. A relação qualidade preço é inultrapassável.  De facto, a conta é sempre uma agradável surpresa.

 

Talvez o restaurante vegano a que fui em Lisboa de que mais gostei, e onde me apetece mais voltar.

 

 

 

Veganapati  -  Rua da Prata 242, Lisboa

 

 

Bacalhoaria Moderna - um restaurante onde o nosso "fiel amigo" é tratado com a amizade e dignidade que merece

por Paulina Mata, em 29.06.19

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Chamamos ao bacalhau "fiel amigo". Tal reflete a sua importância e posição única na alimentação e cultura portuguesas. É mesmo mais do que um alimento, de facto pode ser considerado um símbolo da nossa identidade. Este estatuto foi adquirido ao longo dos séculos, em que o bacalhau passou de um ingrediente associado à abstinência e à pobreza, a um produto sofisticado, que tem o seu lugar nos restaurantes de fine dining


Abundante nas águas do Atlântico Norte, o percurso para chegar até ao sul da Europa era longo, tal não impediu que fosse trazido para o nosso país e adquirisse uma grande popularidade. Somos os maiores consumidores do mundo (comendo aproximadamente 20% de todo o bacalhau capturado nas águas deste planeta). Os pescadores portugueses começaram a pescá-lo no século XV nas águas longínquas em que vive, mas hoje Portugal importa mais de 96% do bacalhau da Noruega e da Islândia. Temos, no entanto, as maiores instalações do mundo para produção de bacalhau salgado.

 

Era necessário preservá-lo para que pudesse suportar a longa jornada sem se deteriorar. Salgá-lo e secá-lo foi o método escolhido. As alterações que sofre neste processo de conservação conferem-lhe o sabor de que tanto gostamos.  Fala-se mesmo de um processo de "Cura Tradicional Portuguesa".

 

O consumo de peixe, em Portugal como em outras sociedades europeias, está associado à religião. O cristianismo impunha o jejum e abstinência de carne e gorduras animais em grande parte do ano. As áreas costeiras tinham acesso a peixe fresco, mas esse não chegava facilmente ao interior. Foi o processo de conservação referido que permitiu que se difundisse um pouco por todas as regiões, e ocupasse um lugar importante na mesa dos portugueses nos dias em que a religião não permitia o consumo de carne. Possivelmente o seu alto teor de proteína (cerca de 80%), que contribuía para enriquecer a dieta extremamente pobre de quem o comia, seja outra causa da sua popularidade.

 

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A primeira representação conhecida de um bacalhau aparece numa pintura de uma mulher portuguesa, Josefa de Óbidos, na segunda metade do século XVII. No século XVIII as receitas com bacalhau começaram a aparecer em livros de culinária portugueses. E de tal forma se tornou imprescindível, e um "fiel amigo", que desde o início do século XIX, associado às batatas e às couves, tem sido o elemento central na ceia de Natal dos portugueses. 

 

Cebola, alho, azeite e batatas são os principais ingredientes que surgem nos pratos de bacalhau, que é usado “do nariz à cauda”. Um panfleto do final do século XVIII referia que os portugueses conheciam 1000 formas de cozinhar bacalhau. 

 

Talvez por isso a Chefe Ana Moura diga que não se sente limitada nas suas opções e criatividade. Pensa um pouco, e diz que acha que se fosse uma cozinha baseada em qualquer outro produto, a limitação pudesse ser maior. Disse-me isto há dias, numa refeição para que fui convidada na Bacalhoaria Moderna. Um restaurante que faz todo o sentido, já que há que prestar tributo ao nosso "fiel amigo" e manter esta amizade. Ou seja, há que conferir-lhe dignidade e consumi-lo, sobretudo se for bem cozinhado e com qualidade, o que é o caso na Bacalhoaria Moderna.

 

Um restaurante, com uma decoração em tons claros, simples e elegante, e em que a decoração se inspira no mar, sendo central a parede com bacalhaus Bordallo Pinheiro que lembram um cardume a nadar. Na Bacalhoaria Moderna usa-se bacalhau de cura tradicional portuguesa, que vem da Islândia. É usado para preparar pratos tradicionais, que se pretende que sejam fiéis aos originais e que os reconheçamos, embora sejam apresentados de uma forma mais refinada. Um restaurante em que há também espaço para alguma criatividade.

 

O almoço começou com um bom pão, manteiga, brandade e pastéis de bacalhau.

 

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Já com o estômago aconchegado e o sabor do bacalhau na boca, a servir de aperitivo para o que se seguia, chegaram as entradas.

 

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Tártaro de Bacalhau com Vinagreta de Mostarda

 

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Línguas de Bacalhau com Gema de Ovo

 

Uma mais moderna, outra mais tradicional. Fresco e saboroso o tártaro que comecei por comer, óptimas as línguas de bacalhau, com a sua textura característica que contrastava com o crocante do panado. A gema de ovo dava uma agradável cremosidade e suavidade.

 

Seguiu-se um prato que todos reconhecemos, e de que todos gostamos. Saboroso, muito cremoso, por cima algumas batatas conferiam um contraste de textura e a azeitona surgia quase como molho. Pequenos detalhes que não alteravam a identidade.

 

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... à Braz (Posta Asa Branca)

 

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... em Arroz (Lombo)

 

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... com Grão e Broa (Lombo)

 

O arroz muito saboroso, com um azeite picante para quem quisesse alterar-lhe um pouco a personalidade. Não será o tradicional arroz de bacalhau, mas era muito bom. Excelente também o bacalhau com grão. Ponto de cozedura perfeito, o grão inteiro e também em puré. O crocante da broa conferia um apontamento de textura e sabor complementar. Delicioso!

 

Já o prato seguinte pretendia levar-nos para fora da nossa zona de conforto, associando o estragão, uma erva que não usamos na nossa cozinha. Outro prato muito bem conseguido. 

 

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... com Couves, Estragão e Tomate (Cachaço)

 

Vários pratos em que o ingrediente base era o mesmo, vários pratos tão diferentes...

 

Seguiram-se as sobremesas. Estas sem bacalhau... Mas fica o desafio de criar uma sobremesa com bacalhau.

 

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Torta de Laranja, Moscatel e Rum.

 

Uma sobremesa conforto. Tão parecida com a que a minha Mãe fazia!

 

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Tarte de Queijo e Toffee

 

Esta sobremesa mais moderna e igualmente boa. Olhando agora para as fotos, dá para entender um vai e vem constante entre a modernidade e o tradicional, a descoberta e o conforto do conhecido.

 

Almocei com a Susana Almeida e Sousa, que idealizou este espaço, que me falou do projeto e dos objetivos. Uma conversa que se foi tornando cada vez mais animada ao longo da refeição. Dá para entender a paixão que a levou para esta área, apesar de ser arquiteta.

 

Da mesa via-se o movimento da cozinha a uma certa distância. Perguntei à Ana Moura se não era um pouco stressante estar sempre a ser observada. Disse que não, referiu que em restaurantes onde esteve antes não via para quem cozinhava, que está a gostar muito da experiência de ver quem come o que cozinha, assim como as reações quando provam o que está no prato. É, portanto, uma cozinha com vista para a sala.

 

Para quem não gostar de bacalhau, há opções vegetarianas, assim como dois pratos de carne  e uma entrada de polvo.

 

Gostei muito, precisamos de mais restaurantes assim! Parabéns à Susana e à Ana por trabalharem com paixão para manterem esta amizade de séculos e darem dignidade e modernidade ao nosso "fiel amigo".

 

 

Bacalhoaria Moderna -  Rua São Sebastião da Pedreira, 150, Marquês de Pombal, Lisboa

 

 

O Botanista - comida vegana num espaço agradável

por Paulina Mata, em 22.05.19

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A tendência é forte um pouco por todo o lado, e em Portugal também, cada vez há mais pessoas que deixaram de comer produtos de origem animal, e cada vez há mais pessoas também que reduziram o consumo de produtos de origem animal, por isso novos restaurantes vão surgindo, restaurantes que não se dirigem a um grupo especifíco, mas a um público variado. 

 

Até há muito pouco tempo a comida vegetariana e a vegana eram vistas como opções relacionadas sobretudo com a saúde, os pratos oferecidos podiam ser saudáveis, mas frequentemente não eram particularmente atraentes do ponto de vista organolético. Isso está a mudar e cada vez surgem mais restaurantes em espaços agradáveis, com uma comida interessante e  atraente para todos os gostos.

 

Recentemente fui almoçar ao O Botanista, um restaurante que está aberto de 2ª a 4ª das 12 às 20 h e de 5ª a sábado das 12 às 24 h. Um espaço agradável, uma montra de bolos de fazer crescer água na boca... não comi nenhum, mas eram muitos e lindos.  

 

Começamos por pedir uma entrada leve:

 

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Crudités, Creme de Cenoura, Aioli de Alho Negro, Tahini com Limão

 

Pedimos depois três pratos que partilhámos:

 

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Orzotto - Risotto de Cevada, Cebola Caramelizada, Castanha, Espinafres, Azeite Trufado

 

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Hokkaido - Tofu Marinado, Abóbora Hokkaido Assada, Creme de Millet

 

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Polenta com Cogumelos e Nozes - Polenta Cremosa, Queijo Azul, Pleurotos, Espinafres e Nozes.

 

Já satisfeitos, saltámos os bolos e pedimos só uma sobremesa, uma excelente mousse de chocolate com um creme de maracujá.

 

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E para terminar bebi uma daquelas bebidas coloridas tão na moda agora. 

 

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Uma almoço agradável com um preço muito razoável, para três pessoas não chegou aos 40 euros. Pratos bonitos e bons, mas acho que com margem para melhorarem, sobretudo em termos de sabor, que poderia ser um pouco mais forte.

 

É bom ver surgirem estes espaços, cada vez mais agradáveis e com uma boa oferta. Neste caso muito variada, pois estando aberto das 12 às 20 h (ou 24 h) tem muitas opções para além dos pratos principais (sandwiches, panquecas, bowls, bolos, bebidas...). A comida vegana está cada vez melhor, mais variada e mais atraente.

 

O Botanista - Rua Dom Luís I, 19, Cais do Sodré, Lisboa 

Meat Me - carne com muita qualidade num ambiente de luxo

por Paulina Mata, em 21.05.19

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O que se vê ao entrar no Meat Me impressiona. Cria uma expetativa de qualidade relativamente à comida e ao serviço.

 

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Na mezzanine um bar, no piso de entrada o restaurante. Estava no Meat Me a convite, e à chegada encaminharam-me para o bar. Para este recanto:

 

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Um bar em que se pretendeu recuperar o funcionamento dos bares clássicos dos anos 1920 / 30 e todos os produtos foram escolhidos pela sua qualidade e história. Foi ali que nos foram servidos alguns óptimos cocktails escolhidos da carta ilustrada por Ana Gil e criados pelo headbartender Vasco Martins.

 

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Todos os detalhes são cuidados, incluindo o gelo que é preparado em blocos que depois são cortados e marcados com o logo do restaurante.

 

Passámos ao restaurante, mas antes de nos sentarmos fomos convidados a ir até ao balcão onde estão as carnes. Carnes seleccionadas pela sua alta qualidade,  e etiquetadas com todos os detalhes relevantes, como por exemplo a proveniência, a raça e o tempo de maturação. Carnes com os selos El Capricho para os bovinos, ou Montaraz para o porco.  Optou-se por haver uma ligação estreita entre a equipa do restaurante e os produtores de forma a optimizar o resultado final. 

 

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O Chef Tomás Pires explicou que estas são cozinhadas numa das três grelhas Josper: a de churrasco clássico, a parrilla espanhola e a robata japonesa. Havia ainda o desafio de uma das pessoas do grupo não comer carne, mas isso não foi problema, havia opções para esses casos.

 

Passámos à mesa, ao lado dela, mesmo à mão, um botão dizia "Press for Champagne", rimos e um de nós carregou no botão. O champagne imediatamente apareceu:

 

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Para couvert, três tipos de pão (de fermentação lenta, foccacia e um flatbread) acompanhados por manteiga de cabra com pó de louro e um gordura de porco preto com escamas de sal.

 

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Foi-nos então apresentada a peça de carne que iriam cozinhar para nós.

 

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O sommelier António Roxo explicou como foi construida a carta de vinhos, nove produtores, cada um de um terroir diferente, representando o país de norte a sul. Referiu também uma estreita ligação com os produtores que visitou para se inteirar das características e modo de produção dos seus vinhos e seleccionar os rótulos a incluir na carta, incluindo as Preciosidades, vinhos de coleção, alguns que só podem ser provados no Meat Me.

 

O primeiro vinho a ser servido foi um branco do Esporão.

 

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E as entradas foram chegando.

 

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Carpaccio Maturado 180 dias, Azeite, Queijo S. Jorge 36 meses de cura

 

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Aba de Novilho Crocante, Maionese de Alcaparras - "É o nosso croquete"

 

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Osso Assado, Cogumelos e Pickles de Mostarda

 

Todos muito bons, deliciosos os croquetes. Mas delicioso era também o que veio para a pessoa que não comia carne e que foi partilhado connosco. Quando se cortava escorria o interior cremoso de ovo. Muito bom!

 

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Cremoso de Batata Assada e Aioli Picante

 

Um novo vinho foi servido e com ele chegou o primeiro prato.

 

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Barriga de Leitão à Bairrada

 

Muito feliz a ideia da maionese do molho do leitão, com o sabor característico, mas mais suave. O gel de laranja conferia uma agradável frescura.

 

Para o prato seguinte um novo vinho foi servido:

 

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Chuletón de Vaca 

 

A carne que nos foi mostrada no início, e que esteve a ser preparada enquanto comíamos. Separada do osso para ser cozinhada, de forma a obter uma maior homogeneidade no ponto de cozedura. Para os acompanhamentos, para além dos legumes assados, também cozinhados no Josper, dois outros menos habituais, e muito muito bons. Um Xerém de Tomate Assado e um Arroz de Morcela com Vinho Verde. A carne... excelente!

 

Chegaram as sobremesas da autoria do Chef Pasteleiro André Morgado. Começou por chegar uma pré-sobremesa deliciosa e divertida. Adorei! Umas esferas de gelado de limão, cobertas com um merengue caramelizado. Sendo as espumas más condutoras de calor, o gelado no interior continuava à temperatura ideal.

 

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De seguida vieram mais três das sobremesas para partilharmos.

 

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Mil Folhas de Doce de Leite, Caju Salgado e Limão

 

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Pudim na Lata, Ananás Assado, Lima e Hortelã

 

Muito rica e bonita a primeira. Muito fresca a segunda. A terceira será uma sobremesa menos consensual, mas foi a que mais me encheu as medidas. Também  a mais coerente com o ambiente.

 

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Charuto de chocolate, Whysky Glenfiddish, Fumo e Clementina

 

O Meat Me é um projeto arrojado do Seame Group. Para estar completo falta a esplanada na calçada no Largo do Picadeiro, que abrirá em junho,  será uma outra experiência, pois o ambiente é outro e a carta também será diferente. 

 

No início deste post dizia que o que vi à entrada me criou expetativas sobre a qualidade da comida e do serviço. Essas expetativas foram satisfeitas, ou melhor, foram superadas. Gostei muito. 

 

Relativamente aos preços, como seria de esperar, são altos para determinados cortes de carne (Chuletón de Boi Premium El Capricho e Wagyu do Chile e os Carabineiros), mas os restantes são bastante razoáveis tendo em conta o que é oferecido. Os preços das entradas andam entre os 11 e 19 euros e os dos pratos entre os 13 e 35 euros, sendo os acompanhamentos em média 6 euros e as sobremesas entre os 7 e os 8,5 euros. 

 

Atualmente fala-se muito da necessidade de passarmos a consumir muito menos carne. Mais tarde pus-me a questão de se nesse contexto tudo isto fazia sentido. Concluí que sim. Tem que se reduzir bastante, portanto o consumo que se fizer que seja de carne com qualidade. Comer carne tornar-se-á um luxo, pois que seja consumida também com a qualidade desta e num ambiente de luxo como este.  

 

1ª à 5ª Foto cedidas pelo restaurante.

 

Meat Me - Rua Duque de Bragança, Largo do Picadeiro, 8 - Lisboa

Um óptimo jantar com uma surpresa inesperada

por Paulina Mata, em 16.05.19

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Apesar da oferta de comida vegana ser cada vez mais comum, um menu de degustação vegano num restaurante de fine dining ainda é uma coisa relativamente rara. Assim, quando me desafiaram a ir ao Kisama, um restaurante de cozinha de inspiração asiática (sobretudo japonesa) na cave do bar Nocturnal Animals em Birmingham, nem hesitei. O restaurante não é vegano, mas periodicamente oferece uma "Vegan Night".

 

Entrámos pelo bar, descemos à cave, um percurso inspirado pela cultura pop dos anos 1980, e chegámos a uma sala grande com a cozinha à vista. Havia a hipótese do menu de degustação oferecido ser acompanhado por um conjunto de bebidas menos convencionais (kombucha, sumos...), mas decidimos pelo vinho, um Scheurebe. A aventura começou, e os pratos foram chegando a um bom ritmo. 

 

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Wonton Cracker, Pickled Pear, Avocado, Yuzu

 

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Seaweed Salad , Yellow Courgette, Mooli Tosazu

 

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Shitake Gunkan, Two Years Old Soy, Cep Oroshi

 

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Tom Yum, Heritage Tomato, Pineapple, Basil Ginger

 

Um prato interessante e mais complexo que os anteriores, em que uma variedade de tomates era servido com um sorvete de gengibre e lemon grass, ananás grelhado, gengibre cristalizado, óleo de manjericão, tudo coberto com um fino gel de Tom Yum.

 

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Kombu Charred Jersey, Yeast, Puffed Barley, Wild Garlic

 

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BBQ Mooli, Yukon Gold, Yuzu, Champagne Miso

 

O prato chegava com um delicioso puré de batata e o mooli (um rábano de sabor muito suave) e serviam depois o molho. Daqueles pratos que se comem e só por vergonha não se lambe o prato. Muito saboroso! Aliás, também o prato anterior era excelente.

 

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Japanese Woods, Pickled Shimezi, Parnsip, Sour Cherry

 

Um contraste com os anteriores, como que a cortar aquela série de dois pratos e preparar para o seguinte.

 

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Beetroot, Apple, Wasabi, Dashi Gel, Maitake

 

Outro prato delicioso em termos de sabores. Foi muito interessante, e bonito, descobrir também a beterraba, aquele cilindro de beterraba era de facto uma longuíssima tira, muito fina, e enrolada de forma a parecer um cilindro.

 

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Tinha chegado a hora da sobremesa, depois de uma sequência de pratos tão ricos de sabor, com combinações e produtos menos comuns, estava na expetativa se a sobremesa estaria à altura dos pratos anteriores...

 

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Aquafaba Meringue, Passion Fruit, Strawberry

 

Delicioso e fresco, um bom final para a refeição.  Um óptimo jantar! Mas uma surpresa estava ainda para chegar...

 

Na hora de pagar, usei o meu cartão de crédito português, a empregada de mesa olhou para ele com curiosidade, comentei que era um cartão português. Ela diz então "Mas são portugueses? O nosso Chef também é.". Já não estava ninguém no restaurante, na cozinha arrumavam, limpavam e preparavam as coisas para o dia seguinte. Ela chamou alto "Pedro!". O Chef apareceu, curiosamente quando entrei e o vi, achei que a cara dele tinha algo de familiar, comentei até que o achava um pouco parecido com outro chefe português, que a minha primeira reação até tinha sido quase de surpresa. Mas não pensei mais nisso durante o jantar. O Pedro Miranda está por Inglaterra há 8 anos e é o Chef do Kizama, o restaurante que periodicamente oferece estas noites veganas. 

 

Um óptimo jantar com uma surpresa inesperada!

 

 

 

 

 

Ingera - uma espera de 20 anos para o provar. Será que valeu a pena?

por Paulina Mata, em 12.05.19

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Passaram 20 anos desde que ouvi falar deste pão até o provar!  Mas a história é longa... Em 1995 foi lançado o site Epicurious da Condé Nast, que também tinha as revistas Bon Appétit e Gourmet. Talvez tenha descoberto o site porque por vezes comprava as revistas, não me lembro. Mas o que de facto despertou o meu interesse, e de que me lembro muito bem, foi o Forum de discussão e troca de receitas, o Gail's Recipe Swap.  Isto muito antes de sequer se pensar nas redes sociais atuais. Não havia dia que não acompanhasse (geralmente  várias vezes por dia) o que se passava no forum. Não participava muito, mas lia muito. Acho que foi lá que descobri que havia muita gente como eu, com uma grande paixão por cozinha e comida. Mas o que me fascinava era todo o conhecimento que tinham. Sabiam tudo! Foi com receitas de lá que no final da década de 1990 comecei a fazer fumados em casa e a cozinhar carne a baixa temperatura, e muitas outras coisas. Lá aprendi muitíssimo! Um dia fizeram mudanças no site, eu sei que tem que se evoluir, mas aconteceu-me ali o que já me aconteceu noutros locais, deixa de ser familiar, passo a ir menos, e um dia... nada dura para sempre.  Felizmente imprimi muitas das coisas que me despertaram a atenção e tenho vários dossiers com essas impressões. Hoje fui buscar um, fiquei com vontade de perder umas horas com eles.

 

Mas voltando ao assunto do post... Um dia alguém perguntou lá o que era Injera. Rapidamente apareceu quem soubesse tudo sobre Injera e o explicasse. Era um pão da Etiópia feito com farinha de Teff e fermentado. Uns crepes enormes (cerca de 50 cm de diâmetro), finos, mas esponjosos e macios. Esqueci-me de milhares de outras perguntas que fizeram, mas nunca da do Injera. Farinha de Teff era inacessível, nem sequer podia fazer para experimentar. Imaginei-o, mas apenas isso. 

 

Pouco tempo depois comprei o livro Flatbreads & Flavors de Jeffrey Alford e Naomi Duguid, um livro que me marcou muito. O Ingera era um dos flatbreads de que falavam e davam a receita. No meio de tantos pães se calhar nem teria reparado no Ingera, mas dado que antes as conversas no Gail's Recipe Swap me tinham chamado a atenção, reparei nele. Mas o livro tinha poucas ilustrações e nem uma foto tinha... Dizia contudo que o Injera era usada como uma superfície para comer, e que em pedaços era usado para recolher e embrulhar a comida que se ia metendo na boca. Interessante!

 

Há tempos a minha filha mais nova disse-me que tinha ido com uns amigos a um restaurante da Etiópia.Traziam um prato grande que punham no meio da mesa e toda a gente comia do mesmo prato com as mãos. Disse-me que achava que eu gostaria de lá ir. E gostava... a experiência parecia-me interessante, mas havia uma coisa que ela não tinha referido que me fazia ter muita vontade de lá ir. Certamente teriam Injera!

 

Foi assim que 20 anos depois entrei no Blue Nile em Birmingham com a grande expetativa de provar Injera.

 

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Pedimos, e pouco depois trouxeram um tabuleiro redondo grande coberto por um Injera e sobre ele a nossa refeição. Vinha também um cesto com metades de Ingera enrolados. 

 

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Começou a aventura!  Que acompanhei com uma cerveja da Etiópia.

 

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Primeiro fiz, para os meus acompanhantes, uma revisão das regras de boa educação para comer com as mãos:

- Tudo aquilo em que se pega é retirado e deve ser comido;

- Comer lentamente para não parecer que se está a querer ficar com a comida do vizinho;

- Comer só da zona do prato mais perto de nós;

- Só se usa mão direita e os dedos não tocam na boca;

- A porções que se levam à boca devem ser pequenas;

- Nunca se prepara novo pedaço, enquanto não se engolir o anterior.

 

Não digo que tenhamos cumprido rigorosamente todas as regras de boa educação. Mas não foi terrível também. No final não ficou nada para amostra, nem da comida, nem do Ingera sobre o qual ela estava,  nem dos Injera que nos trouxeram à parte.

 

Provar o Ingera foi uma experiência marcante! Valeu a pena, é um pão especial. Um sabor agradável, levemente ácido, mas sobretudo a textura extremamente macia e esponjosa, apesar de fino. Adorei!  

 

 

The Green Affair - comida vegana num ambiente sofisticado

por Paulina Mata, em 11.05.19

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A primeira vez que passei à porta do The Green Affair, fiquei curiosa... Estava fechado, e estavam a preparar as mesas. De fora vi um ambiente agradável, confortável e sofisticado, mais sofisticado do que é habitual em restaurantes veganos. 

 

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Voltei num sábado a seguir para almoçar. Reconheço que já era tarde, e a cozinha estava já fechada. Penso que a situação está agora ultrapassada e que estão abertos todos os dias das 12 - 23 horas. Umas semana depois estava na zona por razões de trabalho, acabei por volta das 13 horas e resolvi ir lá almoçar. Arranjei mesa por pouco, o restaurante estava completamente cheio.

 

Sugeriram-me o menu de almoço. Notei que era fixo, com pratos diferentes em cada dia da semana. Havia sempre um prato que era um versão vegana de um prato que faz parte das memórias gastronómicas dos portugueses (no dia Tofu com Natas)  e outro mais internacional (no dia um Hambúrguer, que pelo que vi nas mesas à volta fazia sucesso). Disse que preferia escolher da carta. A empregada insistiu, que o hambúrguer era muito bom, o prato preferido dela. Insisti nas minhas escolhas... uma entrada e um prato.

 

Chegou a entrada, era bonita e colorida.  Muito fresca e agradável também. 

 

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Tártaro de Beterraba com Pasta de Abacate

 

Para prato principal, apeteceu-me algo mais tradicional, sabores portugueses...

 

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Arroz Malandrinho de Tomate com Sabores do Mar

Tofu selado com o nosso molho do Mar, Cogumelos e Salicórnia

 

Soube-me bem. Uma cozinha conforto e bastante saborosa. Fui olhando à volta, pessoas que trabalhavam por ali, grupos de amigos, mesas só com homens, só com mulheres, ou com homens e mulheres, alguns casais, num deles o homem era uma cara conhecida da televisão. Gente de todas as idades. Uma heterogeneidade de clientes que não é muito habitual num restaurante vegano.

 

Apeteceu-me ficar mais um pouco. Decidi comer uma sobremesa. Pedi uma que não fosse muito doce. Indicaram-me uma que não tinha açúcar refinado adicionado. Arrisquei...

 

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"Cheesecake" crudívero de Caju, Citrinos e Romã com uma base de Frutos Secos e Tâmaras

 

Comi com gosto, mas sem entusiasmo, até meio e deixei o resto. Era muito e um pouco pesado. Acho que tinha ficado mais contente com uma das outras sobremesas. Fica para a próxima...

 

Os preços são razoáveis, não me lembro do valor exato, mas penso que andou pelos 20 euros, talvez uma pouco menos.  Se tivesse optado pelo menu de almoço teria pago 9,5 euros por uma entrada, um prato e uma bebida.

 

Apenas um senão... o restaurante é grande (comprido) e tem uma esplanada, a cozinha é no fundo. Tal faz com que haja um constante vai e vem dos empregados de mesa, atarefados e acelerados. Ver os empregados a correr sempre me deixou cansada, parece que passo eu também a refeição a correr. Sempre achei que um pouco mais de calma não reduziria em muito a eficiência. Penso que cada um fazia o seu melhor, mas acho que era necessária alguma formação para que não se desse tanto por eles e  sentíssemos um pouco mais de calma.

 

Um bom restaurante vegano. Fazem falta mais assim. 

 

The Green Affair -  Av. Duque de Ávila 32-A, Lisboa

1ª, 2ª e 3ª Fotos DAQUI

 

 

Vanilla Black - boa comida vegetariana

por Paulina Mata, em 08.05.19

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Por vezes há dias de sorte... ou será que é muito treino e experiência?  A lista tinha 19 opções e eu escolhi uma, e acertei! Entre fraldas, exames, cozinhar e preparar biberons e fazer o relatório das minhas atividades dos últimos três anos pouco tempo ficava, ainda refilei pela escolha ser complicada...mas não tive outro remédio. Nas vésperas da ida a Londres a minha filha perguntou-me onde queria almoçar, disse-lhe que escolhesse ela, o almoço teria que ser vegano e ela é que estava a par do que havia. Foi na sequência desta conversa que recebi a tal lista. Perante a minha indignação com a extensão da lista, ela disse-me que em Londres há mais de 300 restaurantes vegetarianos e veganos e ela desses tinha escolhido apenas 19 (com o link dos respetivos sites) para me facilitar o trabalho. Nos intervalos do trabalho, roupa, cozinha, fraldas e biberons fui clicando nos links e olhando para os menus. Rapidamente arranjei um critério: hamburgueres, pizzas, bowls e coisas do género estavam fora de questão. A redução foi drástica a lista passou de 19 para 5. Uma breve vista de olhos aos menus e a escolha foi o Vanilla Black. Ainda por cima era central, o que dava jeito. Nem li mais nada.

 

Hoje percebo que a escolha foi boa, depois de ter lido meia dúzia de críticas que dizem coisas como que é o melhor restaurante vegetariano de Londres, que se pudessem escolher só um seria o Vanilla Black, que tem uma comida surpreendente e inovadora e outras coisas do género. O restaurante, de Andrew Dargue and Donna Conroy, não é recente, abriu em 2004, numa altura em que ser vegetariano ou vegano não era tão comum. Sendo vegetarianos cansaram-se de ir a restaurantes e nem precisarem de olhar para o menu para escolher os pratos pois as massas, o risotto de cogumelos e os caris de vegetais eram sempre as opções. Havia mais mundo para além daquilo... Abriram um restaurante em que ficou definido não haver estes pratos. De facto é um restaurante de fine dining que por sinal é vegetariano, e com muitas opções veganas.

 

O restaurante é em Holborn, numa rua estreita numa zona de edifícios altos que parecem de empresas, acho que por ali há também várias coisas ligadas à justiça. O ambiente é bastante clássico e elegante, paredes claras, madeiras e uma iluminação que cria um ambiente intimista. As empregadas de mesa (só vi mulheres) de preto e branco, com um ar bastante clássico também. 

 

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Ao almoço funciona com menu de degustação dois pratos 23 £, três pratos 28,5 £. Escolhemos comer apenas entrada e prato principal, e como éramos 3 pessoa pudemos experimentar todas as entradas e pratos.

 

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Salted Caramel Beans and Black Olive Madeleine

Burnt Lemon, Tomato and Green Olive Mayonnaise

 

Este foi o primeiro prato que provei e era tão, tão bom! A diversidade de sabores e a sua intensidade, a variedade de texturas. Excelente! Talvez o prato de que mais gostei. Mas os que seguiram eram muito bons também.

 

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Whipped "Cheese", Branston Pickle Toffee and Sourdough

Cellery and Lovage Jam and Walled Garden Salad

 

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Cauliflower Croquette, Endive and Cocoa

Pickled Cauliflower and Puree

 

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Warm Mushroom Paté, Lemon and Rice

Field Mushrooms and Spinach

 

Nos últimos anos cresceu muito a oferta de refeições vegetarianas e veganas,  mas em restaurantes de fine dining ainda não são muito comuns. É sempre com muito prazer que as experimento e acabo por concluir que não sinto particularmente a falta do peixe ou da carne.  Que é possível ser criativo e obter resultados de alto nível.

 

O preço é mais do que razoável para o que foi servido, e se tivermos em conta que o restaurante é o centro de Londres, mais razoável é ainda.

 

Ficou a vontade de voltar um dia ao jantar para experimentar pratos mais elaborados...

 

 

1ª foto DAQUI

2ª foto DAQUI

 

 

Boubou's - viajar para outras paragens, sem sair do Príncipe Real

por Paulina Mata, em 21.04.19

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Quando entrei no Boubou's a primeira sensação foi de surpresa, o pequeno bar na entrada, a sala interior, e depois o pátio, onde jantámos, cheio de plantas e muito agradável. Tinha vindo diretamente do trabalho, chegar ali foi como que entrar numa bolha, e tudo o resto ficou lá fora. Ao pensar nisso hoje, passados já uns dias, acho que tal sensação está relacionada com as características do espaço, que são um reflexo do percurso de vida de quem está por detrás dele. Alexis e Agnes Bourrat, ele francês mas com ligações familiares a Portugal, ela húngara com nacionalidade inglesa, ambos trabalharam em restaurantes e hotéis de renome em Inglaterra, e foi aí que se conheceram. Decidiram depois vir para Portugal e abriram o Boubou's no Príncipe Real. No comando da cozinha Louise, irmã de Alexis.  As suas vivências e percursos de vida refletem-se no espaço, mas também no menu. Tudo  nos faz sentir um pouco "de férias, num outro qualquer lugar". 

 

Quando recebi o convite para ir ao Boubou's, ainda não tinha ouvido falar no restaurante, e não fiz nenhuma pesquisa, portanto tudo foi surpresa. O que foi bom, ainda acentuava mais a tal sensação de férias e de descoberta. Éramos três pessoas à mesa e deixámos a decisão do que iríamos comer a Alexis Bourrat, que nos recebeu.

 

Pouco depois chegaram três entradas:

 

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Ceviche de Atum

 

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Tártaro de Salmão

 

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Croquetes de Coelho

 

As duas de peixe, saborosas, frescas e leves. A de atum, com o ovo por cima, mais interessante. Dos croquetes de coelho, baseados numa receita de rillettes da família Bourrat,  com a mostarda que lhes avivava o sabor, gostei muito. Uma entrada a remeter para sabores franceses.

 

Chegou depois um dos pratos com mais sucesso do Boubou's, o Kebab de Cordeiro com Pão Pitta e vários condimentos. Este é depois preparado na mesa para que cada um possa rechear o seu pão a gosto.

 

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Numa época em que as propostas de muitos dos novos restaurantes são dominadas por pequenos pratos que se partilham, gostei desta ideia do grande prato que fica no centro da mesa e se partilha também, mas comendo todos o mesmo. Neste caso, para além disso, a componente da preparação, com um certo carácter lúdico e informal, permite uma interação entre as pessoas na mesa que pode ser interessante e incentivar à descoberta dos vários condimentos oferecidos. Quase remete para uma refeição familiar, para um momento de descanso descontraído.

 

Chegou a hora da sobremesa, os meus companheiros decidiram-se por sobremesas frescas e leves, de que normalmente também gosto mais. Mas, decididamente, eu estava num dia de comida conforto. Ainda provei as agradáveis sobremesas deles, mas o que me soube mesmo bem, vinha mais na linha dos croquetes de coelho e do "kebab", e foi o Paris-Brest.

 

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Cremoso de Yuzu e Limão com Crumble

 

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Abacaxi, Gingerbread, Sorvete de Framboesa

 

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Paris-Brest, Praliné, Avelã

 

A descoberta do Boubou's foi uma agradável surpresa, em particular pelo tipo de propostas diferentes do habitual, e também pela influência francesa, não muito comum em Lisboa. Embora recorrendo tanto quanto possível a produtos portugueses, o Boubou's permite-nos viajar por outras paragens.

 

Boubou's

Rua do Monte Olivete, 32A,  Lisboa

 

Primeira Foto DAQUI