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Assins & Assados

Meat Me - carne com muita qualidade num ambiente de luxo

por Paulina Mata, em 21.05.19

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O que se vê ao entrar no Meat Me impressiona. Cria uma expetativa de qualidade relativamente à comida e ao serviço.

 

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Na mezzanine um bar, no piso de entrada o restaurante. Estava no Meat Me a convite, e à chegada encaminharam-me para o bar. Para este recanto:

 

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Um bar em que se pretendeu recuperar o funcionamento dos bares clássicos dos anos 1920 / 30 e todos os produtos foram escolhidos pela sua qualidade e história. Foi ali que nos foram servidos alguns óptimos cocktails escolhidos da carta ilustrada por Ana Gil e criados pelo headbartender Vasco Martins.

 

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Todos os detalhes são cuidados, incluindo o gelo que é preparado em blocos que depois são cortados e marcados com o logo do restaurante.

 

Passámos ao restaurante, mas antes de nos sentarmos fomos convidados a ir até ao balcão onde estão as carnes. Carnes seleccionadas pela sua alta qualidade,  e etiquetadas com todos os detalhes relevantes, como por exemplo a proveniência, a raça e o tempo de maturação. Carnes com os selos El Capricho para os bovinos, ou Montaraz para o porco.  Optou-se por haver uma ligação estreita entre a equipa do restaurante e os produtores de forma a optimizar o resultado final. 

 

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O Chef Tomás Pires explicou que estas são cozinhadas numa das três grelhas Josper: a de churrasco clássico, a parrilla espanhola e a robata japonesa. Havia ainda o desafio de uma das pessoas do grupo não comer carne, mas isso não foi problema, havia opções para esses casos.

 

Passámos à mesa, ao lado dela, mesmo à mão, um botão dizia "Press for Champagne", rimos e um de nós carregou no botão. O champagne imediatamente apareceu:

 

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Para couvert, três tipos de pão (de fermentação lenta, foccacia e um flatbread) acompanhados por manteiga de cabra com pó de louro e um gordura de porco preto com escamas de sal.

 

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Foi-nos então apresentada a peça de carne que iriam cozinhar para nós.

 

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O sommelier António Roxo explicou como foi construida a carta de vinhos, nove produtores, cada um de um terroir diferente, representando o país de norte a sul. Referiu também uma estreita ligação com os produtores que visitou para se inteirar das características e modo de produção dos seus vinhos e seleccionar os rótulos a incluir na carta, incluindo as Preciosidades, vinhos de coleção, alguns que só podem ser provados no Meat Me.

 

O primeiro vinho a ser servido foi um branco do Esporão.

 

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E as entradas foram chegando.

 

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Carpaccio Maturado 180 dias, Azeite, Queijo S. Jorge 36 meses de cura

 

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Aba de Novilho Crocante, Maionese de Alcaparras - "É o nosso croquete"

 

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Osso Assado, Cogumelos e Pickles de Mostarda

 

Todos muito bons, deliciosos os croquetes. Mas delicioso era também o que veio para a pessoa que não comia carne e que foi partilhado connosco. Quando se cortava escorria o interior cremoso de ovo. Muito bom!

 

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Cremoso de Batata Assada e Aioli Picante

 

Um novo vinho foi servido e com ele chegou o primeiro prato.

 

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Barriga de Leitão à Bairrada

 

Muito feliz a ideia da maionese do molho do leitão, com o sabor característico, mas mais suave. O gel de laranja conferia uma agradável frescura.

 

Para o prato seguinte um novo vinho foi servido:

 

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Chuletón de Vaca 

 

A carne que nos foi mostrada no início, e que esteve a ser preparada enquanto comíamos. Separada do osso para ser cozinhada, de forma a obter uma maior homogeneidade no ponto de cozedura. Para os acompanhamentos, para além dos legumes assados, também cozinhados no Josper, dois outros menos habituais, e muito muito bons. Um Xerém de Tomate Assado e um Arroz de Morcela com Vinho Verde. A carne... excelente!

 

Chegaram as sobremesas da autoria do Chef Pasteleiro André Morgado. Começou por chegar uma pré-sobremesa deliciosa e divertida. Adorei! Umas esferas de gelado de limão, cobertas com um merengue caramelizado. Sendo as espumas más condutoras de calor, o gelado no interior continuava à temperatura ideal.

 

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De seguida vieram mais três das sobremesas para partilharmos.

 

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Mil Folhas de Doce de Leite, Caju Salgado e Limão

 

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Pudim na Lata, Ananás Assado, Lima e Hortelã

 

Muito rica e bonita a primeira. Muito fresca a segunda. A terceira será uma sobremesa menos consensual, mas foi a que mais me encheu as medidas. Também  a mais coerente com o ambiente.

 

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Charuto de chocolate, Whysky Glenfiddish, Fumo e Clementina

 

O Meat Me é um projeto arrojado do Seame Group. Para estar completo falta a esplanada na calçada no Largo do Picadeiro, que abrirá em junho,  será uma outra experiência, pois o ambiente é outro e a carta também será diferente. 

 

No início deste post dizia que o que vi à entrada me criou expetativas sobre a qualidade da comida e do serviço. Essas expetativas foram satisfeitas, ou melhor, foram superadas. Gostei muito. 

 

Relativamente aos preços, como seria de esperar, são altos para determinados cortes de carne (Chuletón de Boi Premium El Capricho e Wagyu do Chile e os Carabineiros), mas os restantes são bastante razoáveis tendo em conta o que é oferecido. Os preços das entradas andam entre os 11 e 19 euros e os dos pratos entre os 13 e 35 euros, sendo os acompanhamentos em média 6 euros e as sobremesas entre os 7 e os 8,5 euros. 

 

Atualmente fala-se muito da necessidade de passarmos a consumir muito menos carne. Mais tarde pus-me a questão de se nesse contexto tudo isto fazia sentido. Concluí que sim. Tem que se reduzir bastante, portanto o consumo que se fizer que seja de carne com qualidade. Comer carne tornar-se-á um luxo, pois que seja consumida também com a qualidade desta e num ambiente de luxo como este.  

 

1ª à 5ª Foto cedidas pelo restaurante.

 

Meat Me - Rua Duque de Bragança, Largo do Picadeiro, 8 - Lisboa

Um óptimo jantar com uma surpresa inesperada

por Paulina Mata, em 16.05.19

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Apesar da oferta de comida vegana ser cada vez mais comum, um menu de degustação vegano num restaurante de fine dining ainda é uma coisa relativamente rara. Assim, quando me desafiaram a ir ao Kisama, um restaurante de cozinha de inspiração asiática (sobretudo japonesa) na cave do bar Nocturnal Animals em Birmingham, nem hesitei. O restaurante não é vegano, mas periodicamente oferece uma "Vegan Night".

 

Entrámos pelo bar, descemos à cave, um percurso inspirado pela cultura pop dos anos 1980, e chegámos a uma sala grande com a cozinha à vista. Havia a hipótese do menu de degustação oferecido ser acompanhado por um conjunto de bebidas menos convencionais (kombucha, sumos...), mas decidimos pelo vinho, um Scheurebe. A aventura começou, e os pratos foram chegando a um bom ritmo. 

 

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Wonton Cracker, Pickled Pear, Avocado, Yuzu

 

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Seaweed Salad , Yellow Courgette, Mooli Tosazu

 

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Shitake Gunkan, Two Years Old Soy, Cep Oroshi

 

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Tom Yum, Heritage Tomato, Pineapple, Basil Ginger

 

Um prato interessante e mais complexo que os anteriores, em que uma variedade de tomates era servido com um sorvete de gengibre e lemon grass, ananás grelhado, gengibre cristalizado, óleo de manjericão, tudo coberto com um fino gel de Tom Yum.

 

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Kombu Charred Jersey, Yeast, Puffed Barley, Wild Garlic

 

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BBQ Mooli, Yukon Gold, Yuzu, Champagne Miso

 

O prato chegava com um delicioso puré de batata e o mooli (um rábano de sabor muito suave) e serviam depois o molho. Daqueles pratos que se comem e só por vergonha não se lambe o prato. Muito saboroso! Aliás, também o prato anterior era excelente.

 

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Japanese Woods, Pickled Shimezi, Parnsip, Sour Cherry

 

Um contraste com os anteriores, como que a cortar aquela série de dois pratos e preparar para o seguinte.

 

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Beetroot, Apple, Wasabi, Dashi Gel, Maitake

 

Outro prato delicioso em termos de sabores. Foi muito interessante, e bonito, descobrir também a beterraba, aquele cilindro de beterraba era de facto uma longuíssima tira, muito fina, e enrolada de forma a parecer um cilindro.

 

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Tinha chegado a hora da sobremesa, depois de uma sequência de pratos tão ricos de sabor, com combinações e produtos menos comuns, estava na expetativa se a sobremesa estaria à altura dos pratos anteriores...

 

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Aquafaba Meringue, Passion Fruit, Strawberry

 

Delicioso e fresco, um bom final para a refeição.  Um óptimo jantar! Mas uma surpresa estava ainda para chegar...

 

Na hora de pagar, usei o meu cartão de crédito português, a empregada de mesa olhou para ele com curiosidade, comentei que era um cartão português. Ela diz então "Mas são portugueses? O nosso Chef também é.". Já não estava ninguém no restaurante, na cozinha arrumavam, limpavam e preparavam as coisas para o dia seguinte. Ela chamou alto "Pedro!". O Chef apareceu, curiosamente quando entrei e o vi, achei que a cara dele tinha algo de familiar, comentei até que o achava um pouco parecido com outro chefe português, que a minha primeira reação até tinha sido quase de surpresa. Mas não pensei mais nisso durante o jantar. O Pedro Miranda está por Inglaterra há 8 anos e é o Chef do Kizama, o restaurante que periodicamente oferece estas noites veganas. 

 

Um óptimo jantar com uma surpresa inesperada!

 

 

 

 

 

Ingera - uma espera de 20 anos para o provar. Será que valeu a pena?

por Paulina Mata, em 12.05.19

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Passaram 20 anos desde que ouvi falar deste pão até o provar!  Mas a história é longa... Em 1995 foi lançado o site Epicurious da Condé Nast, que também tinha as revistas Bon Appétit e Gourmet. Talvez tenha descoberto o site porque por vezes comprava as revistas, não me lembro. Mas o que de facto despertou o meu interesse, e de que me lembro muito bem, foi o Forum de discussão e troca de receitas, o Gail's Recipe Swap.  Isto muito antes de sequer se pensar nas redes sociais atuais. Não havia dia que não acompanhasse (geralmente  várias vezes por dia) o que se passava no forum. Não participava muito, mas lia muito. Acho que foi lá que descobri que havia muita gente como eu, com uma grande paixão por cozinha e comida. Mas o que me fascinava era todo o conhecimento que tinham. Sabiam tudo! Foi com receitas de lá que no final da década de 1990 comecei a fazer fumados em casa e a cozinhar carne a baixa temperatura, e muitas outras coisas. Lá aprendi muitíssimo! Um dia fizeram mudanças no site, eu sei que tem que se evoluir, mas aconteceu-me ali o que já me aconteceu noutros locais, deixa de ser familiar, passo a ir menos, e um dia... nada dura para sempre.  Felizmente imprimi muitas das coisas que me despertaram a atenção e tenho vários dossiers com essas impressões. Hoje fui buscar um, fiquei com vontade de perder umas horas com eles.

 

Mas voltando ao assunto do post... Um dia alguém perguntou lá o que era Injera. Rapidamente apareceu quem soubesse tudo sobre Injera e o explicasse. Era um pão da Etiópia feito com farinha de Teff e fermentado. Uns crepes enormes (cerca de 50 cm de diâmetro), finos, mas esponjosos e macios. Esqueci-me de milhares de outras perguntas que fizeram, mas nunca da do Injera. Farinha de Teff era inacessível, nem sequer podia fazer para experimentar. Imaginei-o, mas apenas isso. 

 

Pouco tempo depois comprei o livro Flatbreads & Flavors de Jeffrey Alford e Naomi Duguid, um livro que me marcou muito. O Ingera era um dos flatbreads de que falavam e davam a receita. No meio de tantos pães se calhar nem teria reparado no Ingera, mas dado que antes as conversas no Gail's Recipe Swap me tinham chamado a atenção, reparei nele. Mas o livro tinha poucas ilustrações e nem uma foto tinha... Dizia contudo que o Injera era usada como uma superfície para comer, e que em pedaços era usado para recolher e embrulhar a comida que se ia metendo na boca. Interessante!

 

Há tempos a minha filha mais nova disse-me que tinha ido com uns amigos a um restaurante da Etiópia.Traziam um prato grande que punham no meio da mesa e toda a gente comia do mesmo prato com as mãos. Disse-me que achava que eu gostaria de lá ir. E gostava... a experiência parecia-me interessante, mas havia uma coisa que ela não tinha referido que me fazia ter muita vontade de lá ir. Certamente teriam Injera!

 

Foi assim que 20 anos depois entrei no Blue Nile em Birmingham com a grande expetativa de provar Injera.

 

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Pedimos, e pouco depois trouxeram um tabuleiro redondo grande coberto por um Injera e sobre ele a nossa refeição. Vinha também um cesto com metades de Ingera enrolados. 

 

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Começou a aventura!  Que acompanhei com uma cerveja da Etiópia.

 

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Primeiro fiz, para os meus acompanhantes, uma revisão das regras de boa educação para comer com as mãos:

- Tudo aquilo em que se pega é retirado e deve ser comido;

- Comer lentamente para não parecer que se está a querer ficar com a comida do vizinho;

- Comer só da zona do prato mais perto de nós;

- Só se usa mão direita e os dedos não tocam na boca;

- A porções que se levam à boca devem ser pequenas;

- Nunca se prepara novo pedaço, enquanto não se engolir o anterior.

 

Não digo que tenhamos cumprido rigorosamente todas as regras de boa educação. Mas não foi terrível também. No final não ficou nada para amostra, nem da comida, nem do Ingera sobre o qual ela estava,  nem dos Injera que nos trouxeram à parte.

 

Provar o Ingera foi uma experiência marcante! Valeu a pena, é um pão especial. Um sabor agradável, levemente ácido, mas sobretudo a textura extremamente macia e esponjosa, apesar de fino. Adorei!  

 

 

The Green Affair - comida vegana num ambiente sofisticado

por Paulina Mata, em 11.05.19

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A primeira vez que passei à porta do The Green Affair, fiquei curiosa... Estava fechado, e estavam a preparar as mesas. De fora vi um ambiente agradável, confortável e sofisticado, mais sofisticado do que é habitual em restaurantes veganos. 

 

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Voltei num sábado a seguir para almoçar. Reconheço que já era tarde, e a cozinha estava já fechada. Penso que a situação está agora ultrapassada e que estão abertos todos os dias das 12 - 23 horas. Umas semana depois estava na zona por razões de trabalho, acabei por volta das 13 horas e resolvi ir lá almoçar. Arranjei mesa por pouco, o restaurante estava completamente cheio.

 

Sugeriram-me o menu de almoço. Notei que era fixo, com pratos diferentes em cada dia da semana. Havia sempre um prato que era um versão vegana de um prato que faz parte das memórias gastronómicas dos portugueses (no dia Tofu com Natas)  e outro mais internacional (no dia um Hambúrguer, que pelo que vi nas mesas à volta fazia sucesso). Disse que preferia escolher da carta. A empregada insistiu, que o hambúrguer era muito bom, o prato preferido dela. Insisti nas minhas escolhas... uma entrada e um prato.

 

Chegou a entrada, era bonita e colorida.  Muito fresca e agradável também. 

 

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Tártaro de Beterraba com Pasta de Abacate

 

Para prato principal, apeteceu-me algo mais tradicional, sabores portugueses...

 

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Arroz Malandrinho de Tomate com Sabores do Mar

Tofu selado com o nosso molho do Mar, Cogumelos e Salicórnia

 

Soube-me bem. Uma cozinha conforto e bastante saborosa. Fui olhando à volta, pessoas que trabalhavam por ali, grupos de amigos, mesas só com homens, só com mulheres, ou com homens e mulheres, alguns casais, num deles o homem era uma cara conhecida da televisão. Gente de todas as idades. Uma heterogeneidade de clientes que não é muito habitual num restaurante vegano.

 

Apeteceu-me ficar mais um pouco. Decidi comer uma sobremesa. Pedi uma que não fosse muito doce. Indicaram-me uma que não tinha açúcar refinado adicionado. Arrisquei...

 

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"Cheesecake" crudívero de Caju, Citrinos e Romã com uma base de Frutos Secos e Tâmaras

 

Comi com gosto, mas sem entusiasmo, até meio e deixei o resto. Era muito e um pouco pesado. Acho que tinha ficado mais contente com uma das outras sobremesas. Fica para a próxima...

 

Os preços são razoáveis, não me lembro do valor exato, mas penso que andou pelos 20 euros, talvez uma pouco menos.  Se tivesse optado pelo menu de almoço teria pago 9,5 euros por uma entrada, um prato e uma bebida.

 

Apenas um senão... o restaurante é grande (comprido) e tem uma esplanada, a cozinha é no fundo. Tal faz com que haja um constante vai e vem dos empregados de mesa, atarefados e acelerados. Ver os empregados a correr sempre me deixou cansada, parece que passo eu também a refeição a correr. Sempre achei que um pouco mais de calma não reduziria em muito a eficiência. Penso que cada um fazia o seu melhor, mas acho que era necessária alguma formação para que não se desse tanto por eles e  sentíssemos um pouco mais de calma.

 

Um bom restaurante vegano. Fazem falta mais assim. 

 

The Green Affair -  Av. Duque de Ávila 32-A, Lisboa

1ª, 2ª e 3ª Fotos DAQUI

 

 

Vanilla Black - boa comida vegetariana

por Paulina Mata, em 08.05.19

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Por vezes há dias de sorte... ou será que é muito treino e experiência?  A lista tinha 19 opções e eu escolhi uma, e acertei! Entre fraldas, exames, cozinhar e preparar biberons e fazer o relatório das minhas atividades dos últimos três anos pouco tempo ficava, ainda refilei pela escolha ser complicada...mas não tive outro remédio. Nas vésperas da ida a Londres a minha filha perguntou-me onde queria almoçar, disse-lhe que escolhesse ela, o almoço teria que ser vegano e ela é que estava a par do que havia. Foi na sequência desta conversa que recebi a tal lista. Perante a minha indignação com a extensão da lista, ela disse-me que em Londres há mais de 300 restaurantes vegetarianos e veganos e ela desses tinha escolhido apenas 19 (com o link dos respetivos sites) para me facilitar o trabalho. Nos intervalos do trabalho, roupa, cozinha, fraldas e biberons fui clicando nos links e olhando para os menus. Rapidamente arranjei um critério: hamburgueres, pizzas, bowls e coisas do género estavam fora de questão. A redução foi drástica a lista passou de 19 para 5. Uma breve vista de olhos aos menus e a escolha foi o Vanilla Black. Ainda por cima era central, o que dava jeito. Nem li mais nada.

 

Hoje percebo que a escolha foi boa, depois de ter lido meia dúzia de críticas que dizem coisas como que é o melhor restaurante vegetariano de Londres, que se pudessem escolher só um seria o Vanilla Black, que tem uma comida surpreendente e inovadora e outras coisas do género. O restaurante, de Andrew Dargue and Donna Conroy, não é recente, abriu em 2004, numa altura em que ser vegetariano ou vegano não era tão comum. Sendo vegetarianos cansaram-se de ir a restaurantes e nem precisarem de olhar para o menu para escolher os pratos pois as massas, o risotto de cogumelos e os caris de vegetais eram sempre as opções. Havia mais mundo para além daquilo... Abriram um restaurante em que ficou definido não haver estes pratos. De facto é um restaurante de fine dining que por sinal é vegetariano, e com muitas opções veganas.

 

O restaurante é em Holborn, numa rua estreita numa zona de edifícios altos que parecem de empresas, acho que por ali há também várias coisas ligadas à justiça. O ambiente é bastante clássico e elegante, paredes claras, madeiras e uma iluminação que cria um ambiente intimista. As empregadas de mesa (só vi mulheres) de preto e branco, com um ar bastante clássico também. 

 

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Ao almoço funciona com menu de degustação dois pratos 23 £, três pratos 28,5 £. Escolhemos comer apenas entrada e prato principal, e como éramos 3 pessoa pudemos experimentar todas as entradas e pratos.

 

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Salted Caramel Beans and Black Olive Madeleine

Burnt Lemon, Tomato and Green Olive Mayonnaise

 

Este foi o primeiro prato que provei e era tão, tão bom! A diversidade de sabores e a sua intensidade, a variedade de texturas. Excelente! Talvez o prato de que mais gostei. Mas os que seguiram eram muito bons também.

 

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Whipped "Cheese", Branston Pickle Toffee and Sourdough

Cellery and Lovage Jam and Walled Garden Salad

 

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Cauliflower Croquette, Endive and Cocoa

Pickled Cauliflower and Puree

 

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Warm Mushroom Paté, Lemon and Rice

Field Mushrooms and Spinach

 

Nos últimos anos cresceu muito a oferta de refeições vegetarianas e veganas,  mas em restaurantes de fine dining ainda não são muito comuns. É sempre com muito prazer que as experimento e acabo por concluir que não sinto particularmente a falta do peixe ou da carne.  Que é possível ser criativo e obter resultados de alto nível.

 

O preço é mais do que razoável para o que foi servido, e se tivermos em conta que o restaurante é o centro de Londres, mais razoável é ainda.

 

Ficou a vontade de voltar um dia ao jantar para experimentar pratos mais elaborados...

 

 

1ª foto DAQUI

2ª foto DAQUI

 

 

Boubou's - viajar para outras paragens, sem sair do Príncipe Real

por Paulina Mata, em 21.04.19

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Quando entrei no Boubou's a primeira sensação foi de surpresa, o pequeno bar na entrada, a sala interior, e depois o pátio, onde jantámos, cheio de plantas e muito agradável. Tinha vindo diretamente do trabalho, chegar ali foi como que entrar numa bolha, e tudo o resto ficou lá fora. Ao pensar nisso hoje, passados já uns dias, acho que tal sensação está relacionada com as características do espaço, que são um reflexo do percurso de vida de quem está por detrás dele. Alexis e Agnes Bourrat, ele francês mas com ligações familiares a Portugal, ela húngara com nacionalidade inglesa, ambos trabalharam em restaurantes e hotéis de renome em Inglaterra, e foi aí que se conheceram. Decidiram depois vir para Portugal e abriram o Boubou's no Príncipe Real. No comando da cozinha Louise, irmã de Alexis.  As suas vivências e percursos de vida refletem-se no espaço, mas também no menu. Tudo  nos faz sentir um pouco "de férias, num outro qualquer lugar". 

 

Quando recebi o convite para ir ao Boubou's, ainda não tinha ouvido falar no restaurante, e não fiz nenhuma pesquisa, portanto tudo foi surpresa. O que foi bom, ainda acentuava mais a tal sensação de férias e de descoberta. Éramos três pessoas à mesa e deixámos a decisão do que iríamos comer a Alexis Bourrat, que nos recebeu.

 

Pouco depois chegaram três entradas:

 

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Ceviche de Atum

 

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Tártaro de Salmão

 

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Croquetes de Coelho

 

As duas de peixe, saborosas, frescas e leves. A de atum, com o ovo por cima, mais interessante. Dos croquetes de coelho, baseados numa receita de rillettes da família Bourrat,  com a mostarda que lhes avivava o sabor, gostei muito. Uma entrada a remeter para sabores franceses.

 

Chegou depois um dos pratos com mais sucesso do Boubou's, o Kebab de Cordeiro com Pão Pitta e vários condimentos. Este é depois preparado na mesa para que cada um possa rechear o seu pão a gosto.

 

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Numa época em que as propostas de muitos dos novos restaurantes são dominadas por pequenos pratos que se partilham, gostei desta ideia do grande prato que fica no centro da mesa e se partilha também, mas comendo todos o mesmo. Neste caso, para além disso, a componente da preparação, com um certo carácter lúdico e informal, permite uma interação entre as pessoas na mesa que pode ser interessante e incentivar à descoberta dos vários condimentos oferecidos. Quase remete para uma refeição familiar, para um momento de descanso descontraído.

 

Chegou a hora da sobremesa, os meus companheiros decidiram-se por sobremesas frescas e leves, de que normalmente também gosto mais. Mas, decididamente, eu estava num dia de comida conforto. Ainda provei as agradáveis sobremesas deles, mas o que me soube mesmo bem, vinha mais na linha dos croquetes de coelho e do "kebab", e foi o Paris-Brest.

 

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Cremoso de Yuzu e Limão com Crumble

 

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Abacaxi, Gingerbread, Sorvete de Framboesa

 

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Paris-Brest, Praliné, Avelã

 

A descoberta do Boubou's foi uma agradável surpresa, em particular pelo tipo de propostas diferentes do habitual, e também pela influência francesa, não muito comum em Lisboa. Embora recorrendo tanto quanto possível a produtos portugueses, o Boubou's permite-nos viajar por outras paragens.

 

Boubou's

Rua do Monte Olivete, 32A,  Lisboa

 

Primeira Foto DAQUI

 

Uma aventura pelos sabores da Arménia

por Paulina Mata, em 10.04.19

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Nada sabia da cozinha da Arménia, mas também não procurei. Por vezes é bom ir sem expetativas, completamente à aventura, e depois desfrutar do que der e vier. Foi o que aconteceu quando fui ao Ararate pela primeira vez, logo após ter descoberto que havia um restaurante de comida da Arménia em Lisboa. Se a primeira visita foi uma ida às cegas, da segunda já sabia o que me esperava, e a motivação principal foi a de descobrir novos pratos.

 

Bem perto da Gulbenkian, portanto quase paredes meias com o legado que um Arménio nos deixou, o restaurante é grande, confortável e com um ambiente simples, mas com alguma sofisticação. No menu os pratos estão bem explicados e ilustrados.

 

Da primeira vez começamos a refeição com um  Khachapuri Barco, descrito como um pastel tradicional caucasiano recheado com queijo, gema de ovo e manteiga. Adorei o pão macio e saboroso, e a cremosidade do recheio. Gostei do serviço na mesa, em que o empregado mistura a gema com o queijo derretido e corta o pão em pedaços. Da segunda vez começámos também a refeição com o Khachapuri Barco.

 

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A primeira decisão na segunda visita foi, contudo, sobre o vinho a escolher. Na carta havia alguns vinhos da Arménia, um país com uma longa tradição na produção de vinhos, e que para nós eram completamente desconhecidos. Diz-se que após quarenta dias e quarenta noites de chuvas torrenciais, a Arca de Noé chegou à mais alta montanha da Arménia, o Monte Ararate, e que das primeiras coisas que Noé fez foi plantar vinha para produzir vinho. Estando no restaurante com o nome da montanha, e dado que não nos víamos há bem mais de quarenta dias e quarenta noites, não podíamos mesmo deixar de escolher um vinho da Arménia.

 

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A carta tem uma secção de petiscos. Foi por aí que começámos das duas vezes, o objetivo era experimentar diversas coisas. Sendo as doses relativamente generosas, mal saímos daí. Explorar melhor os pratos principais terá que ficar para próximas oportunidades. Entre as duas visitas, tive oportunidade de provar:

 

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Khinkali - saquinhos de massa recheados com carne picada e um caldo aromático

 

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Satsivi - peru em molho de nozes

 

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Dolmá - carne de vitelão picada com arroz, cebola, verduras e especiarias, envolvida em folhas de videira com molho de matsun e alho

 

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 Tjvjik - fígado, coração e pulmões de cordeiro estufados com cebola e tomatada

 

IMG_20190312_195604.jpgChacapuli - pedacinhos de borrego com vinho branco, ervas aromáticas e alho

 

Achei este último prato menos interessante, mas todos os outros me agradaram muito. Para os acompanhar pão, não só um pão levedado, mas também Lavash, um pão em folhas finíssimas, muito tradicional na Arménia.

 

Um dos "pratos fortes" do Ararate são os Khorovats ou seja as espetadas. Na segunda visita comemos uma espetada de costeletas de borrego acompanhada de uma espetada de batatas. A carne excelente e tenríssima.

 

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Para terminar, da primeira vez escolhemos o Ecler, uma sobremesa francesa adotada pelos Arménios.

 

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Já da segunda aventurámo-nos por uma maior diversidade de doces.

 

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Torta de Merengue com creme

 

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Bolo de mel

 

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Pakhlava - pasta de nozes trituradas com cravinhos e canela, envolvida em massa filó e banhada em xarope

 

E para terminar, enquanto acabávamos de pôr a conversa em dia, um brandy da Arménia.

 

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É bom ter em Lisboa oportunidade de desfrutar dos sabores de outras paragens, viajar à mesa é excelente, e desta vez foi por sabores completamente desconhecidos. Muito há ainda por explorar... ficou a vontade de o fazer. 

 

 

Ararate -   Avenida Conde Valbom, 70,  Lisboa

 

 

 

 

Um saltinho aos sabores da Argentina

por Paulina Mata, em 09.03.19

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As minhas viagens à mesa em Lisboa andam pouco variadas. Tenho-as feito, mas em geral revisitando destinos onde já estive. É altura de novas aventuras... uma, recente, foi para um destino há muito adiado.

 

Há anos que planeava ir ao Café Buenos Aires. E quando digo anos, eram mesmo muitos anos... já que o Café Buenos Aires abriu em 2002. Há dias estava ali perto, estávamos a pensar onde jantar, e o destino foi, finalmente, o Café Buenos Aires. Felizmente chegámos cedo, porque as mesas estavam quase todas reservadas.

 

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Gostei do ambiente e gostei da música. Há quem diga que lembra os cafés de Buenos Aires, não sei pois nunca lá estive. Mas o ambiente, as mesas com estrangeiros a beberem um copo de vinho, o ruído de fundo, davam a sensação de estar num outro local. Estava a precisar de fugir um pouco do quotidiano, por isso foi um bom começo.

Quanto ao menu, tem alguns pratos argentinos, outros de cozinha mais global, e pratos de outras cozinhas também. Era a primeira vez que estávamos no Café Buenos Aires, decidimos ficar pelos pratos da Argentina, que acompanhámos com um vinho também argentino. Aliás a opção da maior parte das pessoas que ocupavam as outras mesas foram também os pratos de carne.

 

Começámos com 

 

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Pastéis de Carne Argentina 

 

Para prato principal comi o bife indicado como "Especialidade"

 

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Tira de Carne Argentina  Grelhada. Com Chimichurri e Batata Doce de Aljezur 

 

Excelente carne e bem confeccionada. O Bife Argentino que foi para a mesa ao lado, tinha um óptimo ar também. Para terminar, uma sobremesa para partilhar, que acompanhei com uma infusão argentina, um Mate-Cocido.

 

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Bola de Gelado Caseiro de Dulce de Leche

 

Soube-me bem esta visita a outras paragens. Hei-de voltar, pela comida e pelo ambiente, e até para experimentar outros pratos.

 

 

Café Buenos Aires  -  Calçada do Duque - 31B, Lisboa

Se forem ao Fome, vão com muita fome

por Paulina Mata, em 18.02.19

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Estava com fome, e também com saudades de ir ao Fome. A escolha foi óbvia para o jantar de sexta feira, fui ao Fome matar a fome e matar as saudades. Quando me trouxeram o quadro com os pratos do dia e me explicaram cada um, pensei que não ia ser fácil decidir e, obviamente, pensei que tinha que voltar breve. Cheguei mesmo a pensar voltar no dia seguinte, não aconteceu, mas não vão faltar muitos dias, porque não deu para matar as saudades todas, porque gosto muito do Fome. Gosto da comida, gosto do espaço bonito, do ambiente acolhedor e da forma simpática como nos recebem. Gosto de haver sempre novas coisas para experimentar, e da sensação de que tenho andado a perder muito, e que seja o que for que escolha vou falhar alguma coisa de que ia mesmo gostar...

 

Trouxeram-me um tabuleiro com vários pratinhos e um cesto de pão, perguntaram-me o que queria escolher para couvert. E eu escolhi:

 

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Hummus de lentilhas com papadums e corações de frango

 

Nunca me tinham servido corações de frango no couvert, não será para toda a gente, mas o tabuleiro tem várias opções e cada um escolhe o que quer. Souberam-me bem, mas o que de facto me encheu as medidas foi o hummus de lentilhas com papadums. Delicioso e com um sabor muito elegante!

 

Por esta altura a temperatura acolhedora da sala, a música e o ambiente agradável, em que se via que toda a gente estava curiosa com a comida e satisfeita também, já me tinham feito esquecer o longo dia de trabalho sentada em frente do computador.

 

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Mexilhões com molho à tailandesa

 

Vieram os mexilhões, para abrir o apetite para o prato seguinte. E abriram mesmo, com os seus suaves sabores exóticos.

 

Seguiu-se o prato principal, uma coisa que não comia há muito:

 

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Sável frito com açorda de ovas

 

Tudo muito bom! Com alma e personalidade. 

 

Já estava quase sem fome, mas a gulodice fez-me escolher uma das sobremesas. Já ela estava sobre a mesa, fizeram-me sinal para esperar e trouxeram-me um mimito, um pequeno bao recheado com corvina e com molho béarnaise. Delicioso! Para a mesa ao lado, onde estava um casal francês, chegou a dose completa de três pequenos baos. Eles também adoraram. Até lamberam os dedos!

 

Foi a vez da sobremesa, fiquei indecisa entre a torta de laranja, que já lá tinha comido antes e que acho quase igual à que a minha Mãe fazia, e o creme brûlée de abóbora. Decidi-me por este que ainda não tinha provado.

 

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Saí a pensar que é uma sorte ter o Fome aqui tão perto. Esta semana vou voltar para experimentar mais uns pratos. Se forem ao Fome, vão com muita fome, pois há muita coisa boa por onde escolher,

 

Vivo perto do mercado de Arroios há muitos anos, era uma zona em que não havia nada, com as obras no mercado e a opção das lojas exteriores passarem a ser restaurantes, apareceram muitas coisas interessantes, não só no mercado, como à volta deste (como é o caso do Fome). Projetos pequenos, feitos com muito esforço e paixão. É uma zona que está a ficar muito agradável. Vale a pena ir! É importante ir!

 

 

Fome  -  Rua Ângela Pinto 4 - Lisboa

(Aberto aos jantares e sábado ao almoço, fecha ao domingo e segunda).

 

 

Uma boa forma de começar um fim de semana, com boa comida e num espaço muito bonito.

por Paulina Mata, em 11.02.19

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Na mesa ao lado da nossa estava uma família de quatro pessoas originárias de um qualquer país asiático.  Mais adiante, uma jovem também asiática comia sozinha. Estava no O Asiático do Kiko Martins. Tive vontade de lhes perguntar o que achavam da comida, e como viam aquela interpretação da cozinha asiática.  Esta pergunta, que lhes gostaria de ter feito mas não fiz, é uma que me ponho muitas vezes. Como vêem as pessoas originárias de uma dado país, a sua comida e os seus sabores interpretados por pessoas com outras culturas gastronómicas? 

 

Sem ter tido a coragem de satisfazer esta minha grande curiosidade, aproveitei para satisfazer outra: Como era o brunch no O Asiático?

 

Havia três hipóteses de escolha, escolhemos duas (Brunch Ramen e Brunch Bao) que partilhámos. Comum aos dois menus chegou:

 

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Seleção de Pães (Bao, Flat Bread, Croissant, Manteiga, Manteiga de Kimchi e Compota de Goiaba)

 

Com os pães veio ainda um prato com fiambre e outro com queijo. Pediram-nos que escolhêssemos o sumo que desejávamos. Os gostos dividiram-se entre Sumo de Maracujá e Coco e Sumo de Cereja e Yuzu. Foi um bom começo, uma boa variedade de pães com características distintas, que podiam ser comidos com acompanhamentos que satisfaziam aqueles com gostos mais tradicionais, mas também quem gosta de um pouco de aventura.

 

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Tapioca Cremosa de Coco com Maracujá

 

Com o estômago aconchegado, passámos para um excelente prato, o primeiro que de facto nos levava a viajar até à Ásia.

 

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Ovo a Baixa Temperatura, Camarão e Cogumelos Shiitake

 

Terminada a parte comum dos dois menus, passámos aos pratos seguintes do Brunch Bao:

 

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Guiozas de Lavagante, Porco Preto e Sake

 

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Bao Surf & Turf (Pão ao Vapor, Barriga de Porco Confitada, Camarão e Wasabi)

 

Passámos finalmente ao último prato do Brunch Ramen:

 

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Ramen de Porco Preto, Noodles de Arroz, Algas e Pak-Choi

 

Terminei com um Café Vietnamita.

 

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Uma boa forma de começar um fim de semana,  um brunch diferente, generoso e muito agradável, num espaço muito bonito.

 

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Muitas vezes tenho falado dos altos preços. Impõe-se que aqui fale do preço justo destes brunches (Brunch Ramen 22,30 €; Brunch Bao 23,70 €  - com tudo o que referi incluído).

 

O Asiático - Rua da Rosa 317, Lisboa

 

1ª e última fotos DAQUI

3ª foto DAQUI