Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Assins & Assados

Feitoria - produtos e sabores que são nossos

por Paulina Mata, em 23.01.20

feitoria restaurante.jpg

 

amarelo.jpg

 

Ir ao Feitoria estava na minha lista de desejos há muito, já não ia lá há vários anos, mas ainda não tinha acontecido. Mas aconteceu no final de 2019 e ficámos numa das mesas redondas à direita na foto.

 

O menu escolhido foi o Matéria (6 pratos). Matéria, o mesmo nome do projeto do João Rodrigues para identificar produtores de excelência e de produtos únicos, para organizar essa informação e a disponibilizar. Esta matéria, ou seja os produtos portugueses, são centrais na cozinha de João Rodrigues.  Assim, o menu Matéria é baseado e produtos e sabores portugueses.

 

No início do jantar chegou-nos inclusivamente um mapa onde é indicada a proveniência de grande parte dos produtos usados no Feitoria.

 

IMG_20200120_123151.jpg

 

Começou por vir  uma sucessão de pequenos pratos.

 

IMG_20191210_210829.jpg

Lírio curado com lima

 

IMG_20191210_210807.jpg

Crocante de camarão com coentro e caviar

 

IMG_20191210_210856.jpg

Bróculo com moamba e cebola

 

IMG_20191210_210911.jpg

Mexilhão com papada de porco

 

IMG_20191210_210945.jpg

Croquete de polvo

 

IMG_20191210_212842.jpg

Caldo de cozido com cupita de Barrancos sobre tosta

 

IMG_20191210_213401.jpg

Santola e navalheira

 

Todos muito bons,  todos muito bonitos. Já tinha ouvido falar do Caldo de Cozido com Cupita de Barrancos sobre Tosta, era mais pequeno do que o imaginava, mas melhor do que o imaginava. Adorei! Entretanto chegou também o pão com duas manteigas e dois azeite.

 

IMG_20191210_212412.jpg

Manteigas de ovelha e de vaca do Pico, Azeites Monterosa (Picual  e Verdeal)

 

IMG_20191210_212448.jpg

 

Quase no início do jantar trouxeram-nos um pedaço de atum para vermos, ele seria a base do primeiro prato do menu que tínhamos escolhido.

 

IMG_20191210_210637.jpg

IMG_20191210_213919.jpg

Atum rabilho. caviar, daikon e caldo fumado

 

Um prato absolutamente delicioso! A seguir a este bonito prato, delicado, com produtos raros e sabores exóticos, seguiu-se um mergulho no mundo real. O mundo real é cru, às vezes duro, parece simples, mas não o é, tem o seu encanto próprio. Tal como esta matéria quase pura. 

 

IMG_20191210_215355.jpg

Lula de toneira da Figueira da Foz, manteiga de ovelha e cebolinho

 

O mergulho no mundo real levou-nos ainda mais longe. Trouxeram-nos os Carabineiros do Algarve que iríamos comer de seguida. 

 

IMG_20191210_220234.jpg

 

As cabeças salteadas chegaram e foram prensadas para extrair os sucos que seriam servidos como molho.

 

IMG_20191210_220251.jpg

IMG_20191210_220319.jpg

IMG_20191210_220610.jpg

Carabineiro do Algarve

 

Forte, intenso!

 

O peixe galo veio também mostrar-se. Questionei-me se não haverá muitos clientes que preferem não ver olhos nos olhos o que vão comer a seguir. No final perguntei ao João Rodrigues, disse-me que há quem goste muitos, mas também quem não goste. Concordo que é arriscado.

 

IMG_20191210_222019.jpg

IMG_20191210_222331.jpg

Peixe Galo, molho de fígado e açorda

 

Agora que o peixe era absolutamente delicioso, isso sem dúvida. Um prato que nos remetia para as nossas memórias de sabores mais profundas.

 

Quando a minúscula abóbora chegou, era tão linda e perfeitinha, que nem parecia possível ser verdadeira, raspei com o dedo para confirmar. Tão bonita!  Uma escapadela ao mundo da fantasia! Deliciosa também.

 

IMG_20191210_223526.jpg

Abóbora assada, pinhões tostados, queijo gratinado e espuma de alho

 

Foi uma boa transição para o momento seguinte, e o pato começou por vir mostrar-se.

 

IMG_20191210_224453.jpg

IMG_20191210_224659.jpg

 

Chegou depois delicioso e com um acompanhamento de luxo.

 

IMG_20191210_225249.jpg

Pato, arroz de cogumelos selvagens e trufa branca

 

Tinha chegado a hora das coisas doces, que começou com uma pré sobremesa cremosa e muito boa.

 

IMG_20191210_231009.jpg

 

A que se seguiu uma sobremesa cuja base era maçã e que foi preparada junto à mesa.

 

IMG_20191210_232606.jpg

IMG_20191210_232721.jpg

Maçã assada, creme de iogurte, granizado de Granny Smith, gelado de massa folhada

 

Com os café e o chá vieram estes amouse bouche.

 

IMG_20191210_233501.jpg

 

Decidimos não fazer o pairing do menu com os vinhos sugeridos, pedimos ao somellier, André Figuinha, que nos sugerisse um número menor de vinhos para acompanhar o menu. Começámos a refeição com o Ilha, Verdelho, um DOP Madeirense de 2018, que nunca tinha bebido, um vinho diferente, com alguma salinidade, de que gostei muito, mais adiante, com os pratos foi servido o Flor Nobre, Reserva, da Beira Interior de 2014 e com a carne o She, Douro de 2016 uma ótima escolha que ainda valorizou mais os pratos. Acompanhámos a sobremesa com um Villa Oeiras, Carcavelos de 15 anos. 

 

Um serviço de mesa excelente. No final ofereceram-nos ainda um miminho para trazermos para casa, uma caixa de bombons do Feitoria. Mas não só... também um saquinho com uma infusão de ervas e flores, um blend criado pela equipa do Feitoria para prolongarmos a experiência que nos proporcionaram.

 

Um óptimo jantar!

 

 

Feitoria - Altis Belém Hotel & Spa, Doca do Bom Sucesso, Lisboa

 

Foto inicial DAQUI

Os sabores moçambicanos no Chiveve

por Paulina Mata, em 15.01.20

IMG_20200107_215220.jpg

 

laranja.jpg

 

Gosto muito de viajar à mesa, vários posts relatam essas viagens em Lisboa. Cada vez há nesta cidade mais restaurantes de cozinhas diferentes, e de vez em quanto dou umas escapadelas... mas frequentemente pelos sítios do costume. Este ano apetecem-me outras aventuras, quero viajar por mesas desconhecidas. Comecei logo a fazê-lo nos primeiros dias do ano. A viagem foi a Moçambique, à mesa do restaurante Chiveve, nome do rio que está ligado ao surgimento e desenvolvimento sócio-económico da cidade da Beira. 

 

O Chiveve, que abriu há pouco mais de um ano, tem um espaço amplo, confortável e com uma decoração moderna, apesar das muitas referências a artesanato moçambicano. Lá estão também dois bustos de um moçambicano que todo o mundo conhece - Eusébio. À frente do restaurante um casal de moçambicanos Scheila e Edner Abreu, ela na cozinha e ele na sala. Fomos recebidos com simpatia, e entusiasmo na apresentação dos pratos de uma cozinha que tem influências e sabores de diferentes cultura, em particular de África, Oriente e Europa, que lhe dão características especiais.

 

Começámos com umas Chamussas de Carne.

 

IMG_20200107_211159.jpg

 

Seguiram-se dois pratos que nos foram apresentados como pratos fortes da casa, o Caril de Camarão com Quiabos, e o Frango à Zambeziana. Ambos muito bons e bem confeccionados. 

 

IMG_20200107_211601.jpg

IMG_20200107_212916.jpg

 

Para sobremesa foi-nos sugerida a Mousse de Malambe (o fruto do Embondeiro). Cremosa, mas com a acidez que lhe confere o fruto e lhe dá uma sabor exótico.

 

IMG_20200107_215026.jpg

 

Para além da cozinha moçambicana, também têm alguns pratos de cozinha portuguesa. Vou voltar pela moçambicana, pois a vontade de provar a Matapa com Peito de Caranguejo (com folha de mandioca, leite de coco e amendoim) é muita.

 

Chiveve - Rua Filipe Folque 19 - Lisboa

 

 

Chica Chica Boom - uma viagem pelos sabores do Brasil

por Paulina Mata, em 10.01.20

Chica chica boom.jpg

 

amarelo.jpg

 

O jantar foi nesta mesa. Um jantar especial, com pessoas especiais, todos ex-alunos.  O local foi o Chica Chica Boom, um restaurante de cozinha brasileira, em frente ao Museu da Carris. Três amigas brasileiras (a Jéssica Torres do Rio de Janeiro, a Carla Upiati de Brasília e a Gabriela Loureiro do Paraná) todas cozinheiras, todas com experiências diferentes, todas a viver e trabalhar em Lisboa há alguns anos, todas tendo passado por muitas cozinhas de restaurantes de renome, decidiram abrir, no início do verão passado, o seu próprio espaço em Lisboa, o Chica Chica Boom, nome inspirado na música de Cármen Miranda. A escolha para o jantar não foi por acaso. Foi porque a comida é muito boa, o espaço muito aconchegante e porque a Gabriela também pertence ao grupo dos ex-alunos. Torna o jantar mais emocionante, mas não influencia as apreciações. Juro!

 

Ao entrarem pela primeira vez no espaço do restaurante a Gabriela, a Jéssica e a Carla souberam que era ali, parecia quase que estavam a entrar em casa da avó... Herdaram a decoração do projeto anterior, apenas lhe deram um toque mais pessoal. Móveis antigos, muitos espelhos, quadros, livros, peças diversas... quase excessivo, mas com personalidade. Em casa da avó partilha-se a comida, e no Chica Chica Boom também. Cozinha brasileira, das várias regiões do Brasil, tal como elas, alguns pratos re-interpretados. Ou seja é a cozinha delas... o que envolve usar as técnicas que foram aprendendo ao longo dos anos em muitas cozinha de renome. O resultado... pratos deliciosos, sabores bem definidos e bem combinados. Uma cozinha conforto, mas com alguma inovação.

 

Éramos um grupo grande, deu para provar muita coisa.

 

IMG_20191211_202503.jpg

Chips de raízes

 

IMG_20191211_210532.jpg

Caldinho de feijão com espuma de espinafres

 

IMG_20191211_210651.jpg

Coxinhas de galinha (e também as houve vegetarianas)

 

IMG_20191211_210805.jpg

Tártaro do Sertão

(batata doce, mandioca, quiabo, chuchu e abóbora picados, maionese com mostarda)

 

IMG_20191211_211142.jpg

Sandes de carne de panela

 

IMG_20191211_211514.jpg

Rolinho de moqueca com espuma de coco  (delicioso!)

 

IMG_20191211_211550.jpg

Pão de queijo e goiabada arretada

 

IMG_20191211_212211.jpg

Escondidinho de vazia (e também houve de cogumelos)

 

IMG_20191211_213532.jpg

Pica-pau de coração de galinha

(inspirado no nosso pica-pau, mas aqui com corações de galinha)

 

IMG_20191211_215220.jpg

Camarão na Moranga

(abóbora recheada com camarão, creme de catupiry e palmito)

 

IMG_20191211_215535.jpg

Barreado

(O nome vem do facto da carne ser cozinhada numa panela vedada ou barreada com uma mistura de farinha, cinzas e água, sendo a cozedura lenta e em lume muito brando. Come-se com banana e farinha de mandioca, que no prato é escaldada com o caldo bem quente. Há quem diga  ser uma herança deixada pelos portugueses, mais especificamente pelos açorianos, tanto mais que tradicionalmente era cozinhado em buracos no chão que eram previamente aquecidos com uma fogueira.)

 

IMG_20191211_222412.jpg

Bolo de chocolate com cupuaçu

 

IMG_20191211_222440.jpg

Torta paulista

(Um bolo de bolacha, mas com creme de amendoim e doce de leite)

 

IMG_20191211_222727.jpg

Bolo de coco com creme inglês

 

IMG_20191211_223824.jpg

Brigadeiro de colher com peta-zetas

 

Poder viajar à mesa em Lisboa pela mão da Gabriela, da Carla e da Jéssica é um privilégio. Gostei mesmo muito. Porque a comida é muito boa  (muito mais apetitosa do que as fotos demonstram, mas a luz em casa das avós nunca é a ideal...). Porque cada vez gosto mais destes projetos pequenos, com personalidade, e em que se nota a paixão e a dedicação.

 

Experimentem e contem!

 

Chica Chica Boom -  Calçada Santo Amaro, 6 -  Lisboa

 

1ª Foto DAQUI

 

 

Degust'AR - Uma viagem gastronómica pelo Alentejo

por Paulina Mata, em 15.12.19

slide3.jpg

 

amarelo.jpg

 

Já lá tinha ido antes, ainda recordava o Ensopado de Borrego e o Cação de Coentrada que estavam excelentes. Foi por isso com prazer que recebi o convite do Chefe António Nobre, conhecido por trabalhar com mestria os produtos, aromas  e sabores que caracterizam a cozinha da sua região natal, para um jantar no Degust'AR.   

 

Um restaurante bonito e confortável, cujas mesas foram sendo ocupadas, e em pouco tempo a sala estava quase cheia. O menu do jantar foi escolhido pelo António Nobre, que nos quis proporcional uma viagem gastronómica pelo Alentejo.

 

Começámos com uma variedade de entradas:

 

IMG_20191010_201950.jpg

Bisque de lagostim do rio

 

IMG_20191010_202825.jpg

Empadinha de galinha / Torresmo do rissol

 

IMG_20191010_203127.jpg

Salada de búzios

 

IMG_20191010_203512.jpg

Farinheira de porco alentejano frita com batatas e ovos escalfados

 

IMG_20191010_204957.jpg

Rabo de boi estufado lentamente no tacho em vinho tinto alentejano

 

Estavam todos excelentes. Comemo-los com muito prazer, mas não é difícil adivinhar que por esta altura já nos começávamos a questionar sobre a nossa capacidade de chegar ao fim desta viagem... Veio então um Arroz de coentros malandrinho com pataniscas de bacalhau, tendo terminado a sequência de pratos salgados com umas migas com carne de porco.

 

IMG_20191010_214211.jpg

Migas de espargos verdes com lombinhos de porco Ibérico, linguiça frita e laranja

 

Na pré-sobremesa os poejos, tão característicos da cozinha alentejana, eram apresentados num contexto diferente do habitual, num doce.

 

IMG_20191010_220718.jpg

Sopa de frutos vermelhos com chocolate e poejos

 

Mas na sobremesa a tradição dominou,  com o gelado de tangerina e alguns frutos vermelhos a introduzir notas de frescura.

 

IMG_20191010_222246.jpg

Trio de doces conventuais com gelado de tangerina

 

O serviço de sala foi excelente. A atenção que nos dedicaram e a forma como introduziam os pratos contribuiu para que a refeição fosse ainda melhor.

 

Várias vezes tenho referido aqui a importância dos restaurantes que oferecem uma cozinha tradicional bem executada. É o caso do Degust'AR. Na carta há pratos de cozinha alentejana, assim como outros criados pelo Chefe António Nobre. Há também uma carta de petiscos para quem o preferir. 

 

A cozinha alentejana, com as suas características únicas, merecia um restaurante assim!

 

Degust'AR   -   Rua Latino Coelho - 63,  Lisboa

 

1ª  Foto  DAQUI

Um encontro à Esqina com sabores do Mundo

por Paulina Mata, em 30.11.19

sala.jpg

 

amarelo.jpg

 

O Esqina Gastro & Cocktail Bar, no hotel Esqina Cosmopolitan Lodge, na Rua da Madalena, é chefiado por Nicolás López, um argentino que já viveu na Venezuela, na Austrália, em Nova Iorque, na Noruega, no Chile e, mais recentemente, na Colômbia, em Bogotá, onde o seu restaurante  Villanos En Bermudas obteve em 2018 o 15º lugar nos The 50 Best Restaurants of Latin America.

 

Há algumas semanas recebi um convite para ir conhecer a proposta de Nicolás López, sabia apenas que apresentava uma cozinha sazonal contemporânea, muito atenta às raízes portuguesas e com alguns reflexos do seu legado e história pessoal. Tive nesse almoço oportunidade de provar alguns pratos de uma carta que tinha muito recentemente mudado, já que a sazonalidade o exigiu.

 

IMG_20191106_133153.jpg

Peixe Cru com Ostras e Abacate

 

IMG_20191106_133206.jpg

Salada de Abóbora, Castanha, Dióspiro e Iogurte

 

IMG_20191106_133257.jpg

Salada de Maçã, Aipo, Rábano, Creme de Amendoim e Amendoim Picante

 

IMG_20191106_133339.jpg

Tosta de Sardinha, Cebola Confitada em Manteiga, Pickles de Rabanete e Espuma de Funcho

 

IMG_20191106_140429.jpg

Bacalhau com Batata Doce, Kale e Molho Pil-Pil

 

IMG_20191106_140447.jpg

Carabineiro com Cebolinha e Alho

 

IMG_20191106_142722.jpg

Tarte de Mascarpone com Fruta da Época

 

IMG_20191106_142751.jpg

Mousse de Chocolate com Amêndoas

 

IMG_20191106_142807.jpg

Flan de Doce de Leite com Natas

 

É arriscado fazer bacalhau em Portugal, achei interessante a apresentação e a combinação menos habitual, mas nós precisamos de uma mão mais pesada no sal no bacalhau. Mas gostei muito do Carabineiro e do Peixe Cru com as Ostras e o Abacate.

 

A lista baseia-se principalmente nas entradas, em que para além das referidas e outras interessantes como um tártaro de cordeiro,  inclui presunto, ostras, tábua de queijos... O que me parece incentivar a refeições mais leves, ou petiscos para acompanhar os cocktails do bar. A lista de pratos principais é curta, apenas três pratos.

 

Ao comer sentem-se referências bem diferentes das nossas, mesmo que não se saiba, adivinha-se que o Chefe não é português. Somos desafiados a sair da nossa zona de conforto. Gosto disso, da oportuniade de viajar à mesa, e sentir o percurso de vida de quem criou os pratos.

 

 

Esqina Gastro & Cocktail Bar  -  Rua da Madalena, 195, Lisboa

1º Foto DAQUI

 

EPUR - À saída disse que esperava que esta quarta-feira trouxesse uma boa notícia. E assim foi!

por Paulina Mata, em 20.11.19

01epur.jpg

 

amarelo.jpg

 

Foi há menos de uma semana que ao sair do EPUR disse ao Vincent Farges: Espero que na quarta-feira haja uma boa notícia. Hoje, ao ver a gala de atribuição das novas estrelas do Guia Michelin, fiquei muito contente de o ver subir ao palco. Uma estrela mais do que merecida!

Uma boa oportunidade para voltar ao jantar no EPUR, nesta mesa de onde dava para ver a cozinha e o Vincent e a sua equipa a prepararem os pratos.

 

epur-sala.jpg

 

Começámos com os amuse-bouche:

 

IMG_20191106_195715.jpg

Aipo Bola, Creme de Ostras e Espuma de Salsa 

 

IMG_20191106_200323.jpg

Mousse de Foie-Gras, Cogumelos, Emulsão de Pastinaca e Chocolate Branco

 

IMG_20191106_201251.jpg

Escolar (peixe), Emulsão de Vieira e Endívia

 

Foi então a vez dos pães de trigo, centeio e sem glúten, chegarem à mesa. Não posso deixar de referir o pão sem glúten, preparado no restaurante (o da esquerda), que era excelente. Com eles vinha a óptima manteiga do Pico e um azeite transmontano.

 

IMG_20191106_201747.jpg

 

Passámos então à entrada e pratos de peixe e de carne do menu de quatro pratos que escolhemos.

 

IMG_20191106_203002.jpg

Sapateira / Toranja / Caril / Maçã Verde

 

peixe epur.jpg

Peixe-Galo / Cépes / Kombu e Salicórnia

 

IMG_20191106_210814.jpg

Porco / Couve / Melanosporum

 

Terminámos com uma fresca pré-sobremesa, e uma excelente sobremesa muito outonal.

 

IMG_20191106_212952.jpg

Bolo de Cenoura e Avelã, Citrinos e Sorvete de Licor de Genciana

 

IMG_20191106_215214.jpg

Dióspiro / Chioggia / Sésamo

 

Para terminar com os chás e os cafés, fruta (maracujá e uvas) e uns petit fours.

 

IMG_20191106_222139.jpg

 

Na sala, elegante, simples e sóbria, há azulejos portugueses combinados com um mobiliários de linhas quase nórdicas. O que nos surge no prato pode ser descrito quase da mesma forma elegante, simples e sóbrio. Bons produtos (alguns menos habituais) que são valorizados. Cada prato permite descobrir uma variedade de sabores muito bem definidos e de texturas. Um excelente jantar numa sala cheia (aliás pretendíamos marcar para a véspera e não conseguimos) e com um óptimo serviço de sala.

Com a sala cheia e à noite, não deu para desfrutar da vista das grandes janelas, uma visita ao almoço pode ser uma boa oportunidade para resolver este problema e uma boa desculpa para voltar a desfrutar da cozinha do Vincent Farges.

 

EPUR - Largo da Academia das Belas Artes, 14 - Lisboa 

1ª Foto DAQUI

2ª Foto DAQUI

8ª Foto Roubada a um amigo.

 

 

Arkhe - Sem carne, sem peixe, mas com muito sabor

por Paulina Mata, em 29.09.19

IMG_20190925_204800.jpg

 

amarelo.jpg

 

 

Gosto  muito de melancia. Não foi a primeira vez que a comi como um elemento central de um prato salgado, mas os dedos das duas mãos são demais para contar as vezes que isso aconteceu. Este mês aconteceu duas vezes.

 

Fiquei curiosa quando li vi no menu a entrada de Crocantes de Tapioca e Beterraba com Melancia, Mostarda de Dijon e Alcaparras. Ela chegou, e a melancia era de facto o elemento central. Fatias finas de melancia, bem temperadas e com uma textura que fazia lembrar a carne. Não tenho a certeza se o efeito da cor não se perde no crocante, e até se este é o acompanhamento ideal. Mas gostei do conjunto e adorei a melancia.

 

Esta foi uma entrada de uma boa refeição. Aqui e ali, como em qualquer refeição deste tipo, algo a precisar de ser mais trabalhado, mas pratos muito bons e com características bem diferentes.

 

IMG_20190925_204806.jpg

Flatbread de Batata, Courgette Grelhada, Mousse de Queijo de Cabra, Pickles de Shimeji e Avelãs

 

IMG_20190925_211215.jpg

Shiitake, Couve Flor Assada, Demiglace de Umeboshi, Ameixas e Nozes

 

IMG_20190925_211228.jpg

(Excelente) Tortellini de Kimchi, Creme de Cenoura e Miso, Espuma de Parmesão 

 

IMG_20190925_215623.jpg

Granita de Abacaxi e Gengibre, Creme de Coco, Abacaxi Assado e Praliné de Amêndoas

 

IMG_20190925_215644.jpg

Morangos , Bolo de Amêndoa, Creme de Maracujá, Sorvete de Frutos Vermelhos

 

Refeições deste tipo, sem carne e sem peixe, são ainda pouco comuns. Já comi algumas, mas os dedos das duas mãos são demais para contar as vezes que isso aconteceu.  

 

O que acho mais interessante na cozinha nos últimos anos é a criatividade que origina pratos excelentes, sem recurso a produtos de origem animal.  Não vou deixar de comer carne e peixe. Não quero fazê-lo. Mas tem sido a descoberta de "outro mundo", em que se tem que pensar e cozinhar muito fora dos padrões habituais, novas ideias, novas técnicas, novos sabores.

 

PS

Este post é idêntico ao anterior. Duas experiências diferentes em dois países diferentes. Duas experiências com muita coisa em comum, que achei que ficavam bem contadas em paralelo. 

Não foi a primeira fez que fui ao Arkhe e as experiências foram idênticas. Os pratos são mais bonitos do que as fotos deixam ver, mas a luz do restaurante não me permitiu conseguir melhor...

 

Arke - Boqueirão do Duro, 46, Santos, Lisboa

 

Land - Sem carne, sem peixe, mas com muito sabor

por Paulina Mata, em 27.09.19

IMG_20190906_194620.jpg

 

amarelo.jpg

 

 

Gosto  muito de melancia. Não foi a primeira vez que a comi como um elemento central de um prato salgado, mas os dedos das duas mãos são demais para contar as vezes que isso aconteceu. 

 

Fiquei curiosa quando li no menu de degustação que me iam servir "Watermelon - Chilli - Coriander - Polenta". Ela chegou, e era de facto o elemento central do prato. Um bom naco de melancia, impregnado com alguns temperos e grelhada. Uma textura que fazia lembrar a carne, um sabor delicioso. A acompanhar, além de uns crocantes de milho, sobretudo melancia em pickle, picante, uma textura bem firme. Melancia com melancia, mas sabores e texturas muito diferentes, e que se complementavam. Adorei!

 

Este foi o terceiro prato de um menu muito bom. Aqui e ali, como em qualquer menu deste tipo, algo a precisar de ser mais trabalhado, neste caso sobretudo as sobremesas, de resto um menu com pratos muito bons e com características bem diferentes.

 

IMG_20190906_191847.jpg

IMG_20190906_193553.jpg

Tofu - Aubergine - Choi Sum - Shimeji

 

IMG_20190906_200338.jpg

Oyster Mushroom - Courgette - Cashew

 

IMG_20190906_201732.jpg

Carrot Terrine - Barley - Miso - Avocado

 

IMG_20190906_203201.jpg

Apple - Caramel - Bay Leaf - Hazelnut 

 

IMG_20190906_204239.jpg

Strawberry - Coconut - Elderflower - Shortbread

 

Menus de degustação deste tipo, sem carne e sem peixe, e no caso sem nenhum produto de origem animal, são ainda pouco comuns. Já comi alguns, mas os dedos de uma mão são demais para contar as vezes que isso aconteceu.  

 

O que acho mais interessante na cozinha nos últimos anos é a criatividade que origina pratos excelentes, sem recurso a produtos de origem animal.  Não vou deixar de comer carne e peixe. Não quero fazê-lo. Mas tem sido a descoberta de "outro mundo", em que se tem que pensar e cozinhar muito fora dos padrões habituais, novas ideias, novas técnicas, novos sabores.

 

 

Land Restaurant  -  26 Great Western Arcade, Birmingham 

 

 

 

Uma inesperada visita ao Marrakesh

por Paulina Mata, em 20.07.19

64824124_921626794835445_3901180419147563008_n1.jp

 

amarelo.jpg

 

 

20 horas e 30 minutos. Estávamos numa aula. Passava um filme em que se viam imagens do Iftar (a quebra do jejum dos muçulmanos durante o Ramadão), uma família Marroquina preparava uma Bastilla.

 

O meu vizinho do lado disse baixinho:

Gosto tanto daquilo! Há tanto tempo que não como...

Respondi também baixinho:

Eu também. Sei de um restaurante onde há, a 5 minutos daqui. Vamos?

 

E foi assim que, de uma forma que não tinha sido planeada, pouco mais de meia hora depois estávamos sentados à mesa do Marrakesh. Pela decoração, e também pelas pessoas sentadas nas outras mesas, quase parecia que estávamos em Marrocos. A sala de aula, apesar de estar apenas a algumas dezenas de metros dali, parecia longe, longe...

 

O que pedimos? Obviamente uma Bastilla de Frango com Amêndoas, como a que tínhamos visto no filme:

 

IMG_20190716_220414.jpg

 

A massa exterior fina e estaladiça, o recheio de frango saboroso, por cima algumas amêndoas, mas também açúcar fino e canela. Soube tão bem! O meu companheiro de mesa chegou a dizer que era a melhor que tinha comido. 

 

Seguiu-se uma Tagine de Vitela com Ameixas e Amêndoas acompanhada com Couscous. Pena não ter chegado no tipo de recipiente que lhe dá o nome. Imaginámo-la vinda de um tacho... estava saborosa, mas faltava o recipiente...

 

IMG_20190716_220438.jpg

 

Para sobremesa partilhámos uma Laranja com Água de Flor de Laranjeira e Canela.

 

IMG_20190716_223534.jpg

 

O Marrakesh tem comida marroquina e indiana, o ambiente parece mais marroquino e nós estávamos ali pela comida marroquina. Valeu a pena a inesperada viagem à mesa até Marrocos.

 

 

Marrakesh - Avenida Conde de Valbom, 53, Lisboa

 

 

Se ali trabalhasse, almoçava no Panorâmico todos os dias!

por Paulina Mata, em 17.07.19

IMG_20190626_143927.jpg

 

amarelo.jpg

 

 

Quando viu chegar a  Bruschetta de Sardinha Braseada, Tomate e Pimentos, uma das pessoas que estava à mesa comentou que não gostava de sardinhas. A Marlene Vieira sugeriu que provasse. Assim foi, e... gostou mesmo!

 

Fomos almoçar ao Panorâmico da Marlene Vieira. Tal como o nome indica a vista é belíssima. Dizem que dá para ver Sintra, Cascais, Oeiras e Lisboa. Uma sala espaçosa, confortável e com muita luz. No terraço uma horta. De vez em quando a Marlene saía de tesoura na mão e ia apanhar uma ervas aromáticas para o nossos pratos. Éramos um grupo de 6 e, perante a indecisão, a Marlene ofereceu-se para fazer um pequeno menu de degustação com os pratos da carta, para que todos pudéssemos provar mais coisas.

 

Foi assim que a Bruschetta de Sardinha chegou à mesa. Estava de facto maravilhosa, a pele corada, o peixe suculento, o sabor da sardinha assada numa textura bem mais agradável. A seguir à sardinha chegou uma sopa de tomate. Disse a Marlene que os tomates já estavam muito bons. O Creme de Tomate, Ovo Escalfado e Hortelã estava de facto muito saboroso.

 

IMG_20190626_144925.jpg

 

De seguida vieram os Rolinhos de Robalinho Escalfados, Legumes da Época e Velouté. No final alguém dizia que tinha sido o prato de que tinha gostado mais.

 

IMG_20190626_150745.jpg

 

Eu estava indecisa, pois o Rosbife de Vitela com Molho Mirandês também estava muitíssimo bom.

 

IMG_20190626_152834.jpg

 

Para sobremesa veio para todos o Fudge de Chocolate e Caramelo e Flor de Sal

 

IMG_20190626_154836.jpg

 

Houve alguém que falou do Pudim Abade de Priscos da Marlene. Como que por magia, momentos depois cada um de nós tinha um cubinho do famoso pudim.

 

IMG_20190626_155651.jpg

 

No final só me ocorreu dizer uma coisa: "Que inveja de quem trabalha no Tagus Park! ".  Percebi também que já tinha saudades da comida da Marlene!

 

O Menu Executivo com couvert, entrada, prato principal e sobremesa, custa 18,5 euros. Com comida com esta qualidade é excelente! Se ali trabalhasse, almoçava no Panorâmico todos os dias!

 

 

Panorâmico - Avenida Dr Jacques Delors, Nucleo central, nº 1, 401, Tagus Park, Oeiras