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Assins & Assados

Chá - o produto mais maltratado na restauração

por Paulina Mata, em 06.08.18

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Há dias serviram-me este chá num restaurante com 1 estrela Michelin. Há várias coisas aqui discutíveis... A base onde puseram o chá, um daqueles tapetinhos de enrolar o sushi. Legítimo, mas fora de contexto num restaurante destes. A mesa nua, assunto já mais que discutido. A tacinha para beber o chá, que dava exatamente para 2 golos de chá. Tinha paredes duplas, não queimava, mantinha o chá quente, mas ele ia arrefecendo no bule.  Este, também de gosto discutível num restaurante com as características daquele em que me serviram o chá... Mas, para mim, nenhum dos aspetos anteriores é o mais grave, o que considero mais importante está relacionado com o bule, mas é outro problema.

 

Dizia  George Orwell, num texto que escreveu em 1946 denominado  A Nice Cup of Tea,  que se se pegar num qualquer livro de cozinha e se procurar "chá", provavelmente verifica-se que este não é mencionado, ou, no máximo, lhe são dedicadas algumas linhas de instruções incompletas (mais de 70 anos depois a situação é idêntica). Diz ainda que a melhor forma de fazer chá é um tema que gera discussões violentas.  É verdade que cada um terá a sua forma de fazer, adaptada ao seu gosto, e é assim que deve fazê-lo. É também verdade que há regras para fazer um bom chá. E uma delas está relacionada com o tempo que o chá deve estar em contacto com a água. Ora este chegou-me com as folhas de chá, sem me darem qualquer informação de há quanto tempo as folhas estavam em contacto com a água e, pior que isso não me trouxeram nada para pôr o cilindro perfurado com as folhas que estava no bule. Passados poucos minutos, muito poucos, o chá estava a começar a ficar amargo e adstringente. Para o evitar puxei o cilindro e coloquei-o um pouco inclinado de forma a que não ficasse em contacto com a água. Um dos empregados viu e trouxe-me um prato com um guardanapo de papel para o colocar. Tarde e a más horas...

 

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O restaurante onde me serviram este chá tinha uma carta de chás, diziam que trabalhavam com uma empresa que vendia chás de qualidade. Depois estragavam-no... Não faz sentido. Tudo isto me deixou a pensar que o chá é o produto mais maltratado na restauração.  Um assunto de que até já falei aqui, mas nunca é demais repetir... Vejamos:

 

1 ) Há cartas de vinhos mais ou menos longas. Cartas de chás? É raro, e a diversidade é enorme.  Normalmente @ empregad@ diz, "Temos preto, verde, camomila, menta e lúcia-lima.". Achavam aceitável que quando fossem escolher um vinho vos dissessem: "Há branco, tinto, rosé e cidra." 

Cidra nem vinho é!!!! Eu sei!  Mas uma tisana de erva-cidreira também não é chá...

 

O chá é uma bebida feita com folhas de Camellia sinensis. Estas, como as uvas, são diferentes conforme a região, o clima... mas também consoante a forma como são processadas. E daí obtém-se uma variedade de chás (vou voltar a isto).

 

Uma bebida feita com outras plantas (folhas, flores, cascas, frutos...), usando um processo idêntico ao que se usa para o chá, chama-se uma tisana. E chamar chá de ervas também não está certo, chá é chá, uma infusão de  Camellia sinensis e mais nada!

 

2) Se num restaurante que diz "respeitar os produtos", e que tem um certo nível de qualidade, pedir um chá e lhe servirem um chá de pacotinho, produto branco da cadeia de supermercados onde vai, acha bem? Eu não. Mas há muitos em que servem esses, outros um pouco melhores de grande consumo, os que são disponibilizados a baixo preço pela cadeia grossista onde fazem compras, ou os que lhe são impingidos pela marca a que compram o café.  Porque é que se procura qualidade no resto e não no chá?

 

E, a partir de certo nível, nem sequer é aceitável usar pacotinhos, o chá melhor não é usado para os pacotinhos. Devem usar folhas.

 

3) Cada tipo de vinho não tem uma temperatura a que deve ser servido? Pois com o chá também isso acontece. Para cozinharem peixe ou carne, não têm cuidado com a temperatura e o tempo? Uns minutos mais e é a desgraça... Com o chá também é assim. Para cada tipo de chá há temperaturas a que deve ser preparado, para cada tipo de chá, o tempo de contacto com a água é diferente (voltarei também a isto mais tarde). São raríssimos os restaurantes onde isto é considerado. Mesmo restaurantes de qualidade.

 

Na minha opinião, em bons restaurantes, quem prepara o chá deve saber a temperatura e o tempo de contacto e trazer o chá corretamente preparado, sem as folhas. Que até podem ser mostradas antes e depois, se assim se justificar.

 

Noutros locais, mais simples, a água deve ser boa, o chá escolhido com os mesmos critérios dos outros produtos, e o papel de remover as folhas pode ser deixado ao cliente. Mas ele tem que saber quando deve remover, e há formas de o indicar, e que são usadas em espaços informais. (Note-se que há uma tacinha para pôr o cilindro com as folhas e uma ampulheta para indicar o tempo correto de contacto das folhas com a água).

 

Uns podem gostar de mais tempo de contacto, outros de menos. Uns gostam de um chá mais forte, outros menos. Mas há que dar possibilidade de decisão. E um chá mais forte faz-se com mais folhas, e nunca com mais tempo de infusão. 

 

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4) Cerca de 99% do chá é água. A qualidade desta também é importante. 

 

5) Depois, há chás de que se podem fazer várias infusões, todas com características diferentes. Só uma vez num restaurante em Lisboa, me trouxeram o chá e me explicaram que depois fariam outras infusões das mesmas folhas para que apreciasse completamente as várias "facetas" daquele chá. E acho que foi por acaso, quem fez isso não está lá normalmente (mas, verdade seja dita, não me aconteceu também em nenhum restaurante mais em qualquer outro local).

 

6) Orgulhamo-nos dos nossos produtos, há quem opte sempre que possível pelo nacional... excepto no chá. Nós até produzimos chá... Nunca fui a nenhum restaurante português onde isso fosse referido.

 

7) Finalmente, é importante escolher loiça adequada.

 

Por tudo isto, e mais alguma coisa que eventualmente esqueci, acho mesmo que o chá é mesmo o produto mais mal tratado na restauração.

 

 

O Segredo

por Paulina Mata, em 02.08.18

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O segredo, ou se quiserem o ingrediente secreto, irrita-me profundamente! Não sei se ensinam a quem apresenta programas de televisão a referir, sempre que falam de um prato, que há um ingrediente secreto, ou um segredo que não deve ser revelado... Depois, quem cozinha, ou explica o procedimento, confirma sempre que sim, que há um segredo! Diz que não vai revelar os ingredientes todos, há uns secretos. Ficaria mal se dissesse que não há nada secreto, que está tudo à vista. Sem segredo é que não dá. A conversa termina quase sempre com quem apresenta a dizer, com um piscar de olhos de cumplicidade, "O segredo é a alma do negócio". Não sei se esse mistério atrai alguém. Eu fico logo nervosa.

 

Há dias, depois de um passeio ao pé do mar, no sul de Portugal, fomos a um restaurante. O peixe tinha sabido bem, era hora de escolher uma sobremesa. Havia uma no menu que era exclusiva da casa. Enumeraram alguns dos ingredientes e depois disseram que havia um secreto. Eu comecei a ficar nervosa... Mas pedimos o dito doce do ingrediente secreto. Chegou, provámos, e o doce até era bom. Demos vários palpites para o ingrediente secreto. Não era nada, estávamos longe, muito longe.

 

Tínhamos acabado, perguntei de novo o que era. A resposta foi que certamente não estava à espera que dissessem, pois era segredo. Outra empregada apareceu, confirmou, com ar de quem receava que a alma do negócio estivesse em risco, se o segredo se mantinha. E a minha irritação era cada vez maior...

 

Referi que, de acordo com a legislação, eles tinham que informar o que tinham os pratos, pois poderia haver pessoas com alergias ou intolerâncias. E a senhora voltou a falar no "segredo" e disse que se alguém tiver alguma alergia ou intolerância e lhes disser, eles dizem se pode comer ou não...

 

Não valia a pena! O doce até era bom, mas a irritação provocada pelo segredo deixou-me a boca amarga.

 

 

Post dedicado ao "Anónimo"

 

 

 

Uma coisa que me vem incomodando...

por Paulina Mata, em 08.03.18

 

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Cada vez que faço ma compra on-line recebo um email com um pedido de avaliação da experiência, frequentemente quando faço uma viagem de avião, recebo um email com um pedido de avaliação da experiência, e o mesmo se repete em muitas outras situações. Raramente respondo, e a tendência é para ainda responder menos. É uma boa forma de fazerem estudos de mercado e controle de qualidade grátis... E eu o que ganho com isso? Algum desconto na próxima experiência? Não, nada. Paguei o que tinha que pagar e no fim ainda me pedem que, voluntariamente, contribua para fazer um trabalho que eles deveriam pagar... Ou seja, eu não trabalho para eles... mas até parece. 

 

Vem isto a propósito de um email que recebi há pouco sobre a abertura de um novo restaurante em que o press release diz:

 

É um espaço com um conceito inovador, uma vez que, tal como o próprio nome indica, pretende envolver o cliente no processo criativo, apelando à sua avaliação mediante vários parâmetros: palato, confecção, empratamento, harmonização, inovação e geral. No final da refeição é colocado em cima da mesa um tablet com uma aplicação própria para este efeito.

 

Até acredito que a intenção seja boa, mas será que os clientes querem ser envolvidos? Será que estão dispostos a, depois de pagarem a conta, trabalharem para o restaurante de borla?

 

Há muito que estas coisas me incomodam (na linha do que acontece noutras situações). Será que estou a ver mal?

 

 

Imagem DAQUI

Se não tivesse ido, tinha-me arrependido. Assim, está o assunto arrumado!

por Paulina Mata, em 21.02.18

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Se me perguntarem pelas primeiras e mais fortes memórias que tenho das primeiras vezes que fui a Londres, direi as montras dos restaurantes chineses com as carnes penduradas. Em Queensway, zona em que estavam grande parte dos hotéis oferecidos pelas agências de viagens em Portugal, e sobretudo em Chinatown. Aliás, era fascinante ir a Chinatown, o ar exótico, os restaurantes e as montras, não só com as carnes, mas onde se vê fazer dumplings, os supermercados com ingredientes e vegetais que nem sonhava o que eram, mas fui aprendendo (alguns claro). Enfim... fascinante!

 

Há muito anos que na altura do Ano Novo Chinês pensava sempre "um dia tenho que ir a Chinatown por esta altura". Imaginava a animação, as bancas de comida... Este ano estive indecisa, e a certa altura disse-me "se não fores vais-te arrepender". E fui, no dia a seguir ao início do ano do Cão. O que vi? Uma Chinatown igual à do costume, sem bancas nenhumas e com 10 vezes mais pessoas. Grupos com dragões dançando, sobretudo em frente dos restaurantes onde iam pedir dinheiro. Acontece que as pessoas paravam para ver e fazer fotos e era impossível circular, e não se via quase nada. E eu pensava... onde eu me vim meter...

 

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Antes de ir, tentei planear o almoço num restaurante com comentários positivos. Depois de muitos encontrões consegui lá chegar. Tinha fechado para remodelações (pelo que entendi foi obrigado a isso pelas entidades sanitárias). Entrei noutro "Não, está cheio, e toda a gente começou agora...". Entrei num outro "Só aquela mesa", ainda perguntei se não tinha outra "Não". Sentei-me, era ao pé da porta, cada vez que abriam a porta entrava uma enorme corrente de ar frio. E estavam sempre a abrir. Levantei-me e saí. Chegava!

 

Pensei "Há que tempos que não vou ao Yauatcha!",  o nível era outro, até tinha uma estrela Michelin. Fui. Cheguei lá... "Mesa, só daqui por 45 minutos a 1 hora". Estava com fome, não estava para isso. Decidi que não ia ser almoço chinês, fui ao Kiln (um tailandês de um inglês, muito na moda - vinha uma entrevista com ele no 1º número da National Geographic Food). Entrei e estava cheio. Lugar, só ao balcão, mas estava completamente cheio, e gente à espera. Como eu detesto comer em balcões, bancos altos, a ter que dar e receber cotoveladas dos vizinhos... A cozinha era à vista. Olhei para a cara dos cozinheiros - exaustos! Não, eu não queria de todo comer a um balcão, aos encontrões aos vizinhos do lado e a olhar para umas pessoas exaustas (por favor, repensem os horários dos cozinheiros e as cozinhas à vista!). 

 

Se calhar devia ter ficado no Yauatcha! Mas agora já não voltava. Estava outra vez perto de Chinatown, resolvi voltar lá e tentar a sorte. Sempre era Ano Novo Chinês e há anos que pensava que gostava de lá  ir por essa altura. Durante estas voltas tinha passado pela loja de chocolates do Paul A Young - comprei meia dúzia de bombons custaram-me quase 11 libras. Estava com fome! Comi um bombom. Não me encheu as medidas... mais à frente outro, também não... Ainda por cima eram caros (dos 6, só de um é que gostei mesmo).

 

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Cheguei a Gerrard Street as filas enormes à porta dos restaurantes continuavam. Havia um que tinha uma fila mais pequena, tinha a montra com as carnes. Não procurava mais, era nesse! Fiquei à porta, só havia um homem com uma criança à minha frente. Esperámos, esperámos... A certa altura chegou um grupo com um dragão, dançou ali à porta, vieram os empregados a correr pendurar no topo da porta uma alface com um envelope vermelho (1ª, 2ª e 3ª fotos, no canto superior direito), os envelopes onde se mete o dinheiro que se oferece no ano novo chinês. No final da dança o dragão saltou, apanhou a alface, retirou o dinheiro, desfez a alface toda, atirou os bocados, alguns vieram para cima de mim. Pelo menos distraiu-me um bocado e estava integrado no espírito da época e do local..

 

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Entrei, mandaram-me para uma cave, sem janelas, muitos chineses, mas não só, na mesa ao lado tinha uma família de brasileiros. Com várias mesas vazias, questionei-me porque razão tinha estado tanto tempo à espera, mas não valia a pena... Comi pato e barriga de porco, igual aos que tinha visto o cozinheiro cortar enquanto esperava. Um pouco secos, mas mataram a fome...

 

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Durante anos tinha um refúgio, quando andava por aquela zona e estava cansada ia até Regent St, subia um pouco, entrava por Heddon St e tinha o MoCafé, ao lado do restaurante marroquino Momo. Estava sempre tudo muito calmo, parecia que estava noutro mundo, noutra cultura, era tão agradável. Resolvi ir lá. A rua calma, as plantas a fazerem a fronteira, a esconderem aquele refúgio de calma.

 

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Entrei... cheio, cheíssimo, grupos, famílias, tudo bebia chá e comia bolos num ambiente ruidoso. Voltei a sair... era mesmo hora de sair daquela zona.

 

Ano Novo Chinês em Chinatown, nunca, mas nunca mais! E Londres já foi mais agradável... Mas se não tivesse ido, tinha-me arrependido, e houve momentos bons e risquei várias coisas da minha lista de coisas a fazer em Londres...

 

 

 

 

Que haja bom senso!

por Paulina Mata, em 08.02.18

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Li hoje isto:

Se uma ação judicial, correntemente em avaliação por um tribunal da Califórnia, tiver desfecho favorável aos autores, os produtores e lojas de café poderão ser forçados a etiquetar os produtos com avisos de químicos potencialmente cancerígenos.

 

Há 13 anos foi o mesmo, mas para as batatas fritas:

 

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E o veredicto foi este:

 

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Para associar esta informação ao café, tem que se associar a alguns produtos de batatas, ao pão (sobretudo ao artesanal com a côdea bem escurinha), aos biscoitos, cereais de pequeno almoço...

 

O problema da acrilamida nos alimentos existe, está a ser estudado há alguns anos, há regulamentação para a reduzir, sobretudo na indústria. Ações para sensibilizar e formar para quem cozinha em restaurantes e em casa é que não são muito comuns.

 

Mas se não fôr a acrilamida, será outra coisa. É que não sei se há algum alimento que se safe!

 

Coisas como esta só causam insegurança e não resolvem nada, só causam ansiedade e não esclarecem nada. Não se podem pôr as coisas desta forma.

 

 

1ª Imagem DAQUI onde há uma boa explicação.

 

 

 

Ignorância? Distração? Discriminação?

por Paulina Mata, em 02.02.18

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Olhem bem para a foto que aparece neste artigo. Aqui vai maior para verem bem:

 

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Contem bem quantos chefes portugueses estão na foto?

4 ? Acertaram!

 

Agora leiam o texto do artigo e particularmente este parágrafo:

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Agora contem bem quantos nomes dos chefes portugueses que constam na foto acima são referidos?

3? Acertaram! Notem até que a ordem seguida foi a da sua posição na foto (da esquerda para a direita).

 

Qual falta?

Da única mulher que está na foto.  (Notem que não pus ponto de exclamação...)

 

Ignorância da jornalista, que não sabe o nome dela? Distração? Discriminação?

 

Qualquer destas razões é grave. Muito grave.

 

Chega! Chega mesmo! 

 

 

 

Abaixo a Discriminação Ímpar!

por Paulina Mata, em 19.11.17

 

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Há uns meses fui ver da possibilidade de marcar um jantar no The Fat Duck. Estava a pensar ir sozinha. Durante o processo de marcação on-line não me aparecia nenhuma opção para marcar para uma pessoa. No mínimo duas... Tentei informar-me melhor e descobri que no The Fat Duck apenas aceitam marcações para 2, 3, 4 e 6 pessoas. Para ir sozinha teria que pagar dois jantares, embora só comesse um. Imagino que seria por estar a impedir que vendessem aquele lugar que estaria à minha frente. Se tivesse um grupo de 5 pessoas, ou arranjava mais uma, ou pagava 6 jantares, ou uma ficava em casa. O preço do jantar, £ 275 (excluindo vinhos e serviço) é pago na íntegra no acto da marcação (cerca de 4 meses antes) e se houver uma desistência só serão devolvidos em condições muito específicas. Ou seja, podem não ser de todo recuperados. 

Portanto, o The Fat Duck tem como objetivo funcionar com todas os lugares ocupados, ou pelo menos todos os lugares pagos. Havendo assim uma discriminação óbvia de pessoas que vão sozinhas ou em grupos de 5.

 

A semana passada recebi um email do Noma. Vão abrir o novo restaurante, iam começar as marcações. Para mesas para 2, 4, 6 e 8 pessoas.  Mandei  um email a pedir que me confirmassem se não era possível marcar para 1 ou para 3. Recebi pouco tempo depois a resposta, dizendo que lamentavam, mas não. Terminavam o email sugerindo que eu arranjasse mais uma pessoa. "I am so sorry for being limited help but there is nothing we could do and we hope you’d be able to find one more to join your party and we will welcome you in 2018.".

 

Números ímpares... não têm direito. O objectivo é lucro máximo, todos os lugares ocupados, e todos os jantares pagos com alguns meses de antecedência. O dinheiro e o lucro são tudo! 

 

Não gosto! Não se está a ir longe demais? 

 

Abaixo a discriminação ímpar!

 

 

 

Imagem  DAQUI onde é dito que "dining with me, myself, and I can be a delicious experience".


 

Inacreditável!

por Paulina Mata, em 20.10.17

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Precisava de me encontrar com duas pessoas ao fim da tarde. A pastelaria Mexicana era um ponto de encontro conveniente. Hesitei. Tinha lá estado dois dias antes com uma amiga, ao fim de 15 minutos, completamente ignoradas, chamámos o empregado e perguntámos se nos podia atender pois estávamos já há muito à espera. Gesticulou, disse que tinha muito que fazer, muitas mesas para atender. Veio uma colega, fez mais ou menos o mesmo. Levantámo-nos e fomos ao Mc Donald, onde a experiência foi mais agradável. 

 

Como disse hesitei, mas pensei que não podia ser pior e marquei a reunião lá. Como estava enganada! Fui a primeira a chegar. Duas mesas lado a lado, uma cheia de loiça suja, outra mais ou menos limpa e sem loiça. Sentei-me nessa. Chegou uma das pessoas com que me ia encontrar, sentou-se à minha frente. A mesa ao lado continuava cheia de loiça suja. Veio a segunda pessoa. A primeira passou para uma das cadeiras da mesa suja e cheia de loiça, a outra sentou-se à minha frente. E tudo continuava na mesma. Terminado o assunto que tinha que tratar com a segunda pessoa, que ainda levou bem 15 minutos, ela saiu e a primeira pessoa voltou a passar para a mesa sem loiça, onde ficámos a tratar dos restantes assuntos que tínhamos que resolver. Sempre com a loiça suja na mesa ao lado, e sempre sem consumirmos nada, pois nunca apareceu ninguém. Os empregados de mesa andavam por ali, mas nem para nós olhavam.

 

45 minutos depois de ter chegado, levantámo-nos para sair. Passei pelo empregado e disse-lhe: "Estivemos 45 minutos sentados naquelas mesas, ninguém foi limpar a mesa nem perguntar se queríamos alguma coisa". A resposta foi: "Ah! não reparei, pensei que o consumo era vosso". Nem um pedido de desculpa. Estranho, sobretudo porque o número de mesas nem é muito grande, já que é só a sala de entrada, visto que a de dentro foi transformada num restaurante de rodízio (opção bem discutível).

 

Pastelaria Mexicana nunca mais!  Uma pequena pesquisa e as queixas sobre o péssimo serviço são muitas. Já percebi que pode ser sempre pior. Mesmo que pareça inacreditável. Houve uma mudança de gerência, houve uma remodelação da Mexicana, é um café que tem sempre movimento, não consigo entender como se justifica esta falta de cuidado e atenção, este serviço péssimo.

 

 

 

Cabazes de Legumes - recuperação de um processo alternativo de distribuição

por Paulina Mata, em 15.05.17

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Há uns anos surgiram os cabazes de legumes. Geralmente pequenos produtores, ou grupos de pequenos produtores, que não tendo possibilidade de escoar os seus produtos pelos grandes canais de distribuição alimentar, encontravam uma forma alternativa e mais personalizada de chegar aos seus clientes. Esta forma de comprar legumes e fruta diretamente aos produtores, sem passar por intermediários comerciais, permitia uma ligação mais estreita entre consumidores e produtores e um incentivo e apoio à produção local.

 

Embora não fosse consumidora destes cabazes, via com muito bons olhos esta forma alternativa de distribuição e este contacto mais estreito entre produtores e clientes. Para os clientes era também uma forma de, sem grande esforço, obterem os produtos sazonais, de facto aqueles que estavam na força da sua produção em cada semana, e também um desafio a que consumissem vegetais diferentes, que normalmente não comprariam, mas que vinham no capaz e acabavam por experimentar.

 

No entanto a grande distribuição recupera tudo. Até isto! Não gostei de ver há umas semanas que agora o Continente disponibiliza aos seus clientes cabazes, entregues em casa. De legumes, mas também de fruta, carne, de peixe e de mariscos. Tudo o que levou à criação desta forma de distribuição, e que era interessante nela, se perdeu, e eles usam essa imagem e conceito para venderem mais e aumentarem os seus lucros. Retiram significado ao conceito, ocupam um espaço que era de outros e, eventualmente, acabam com o negócio e forma de vida de pequenos agricultores. 

 

É tão triste ver estas coisas a serem recuperadas pelas grandes cadeias! É também mau sinal, como ontem referia.

 

Foto DAQUI

Não como nada com químicos!

por Paulina Mata, em 27.02.17

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"Não como nada com químicos!"

 

Quando oiço isto, por vezes digo:

"Ai come, come!"

 

Outras vezes limito-me a sorrir para dentro e a pensar

"Acredite no que quiser."

 

Depende da disposição.

 

Toda a matéria é formada por compostos químicos. Todos os processos culinários envolvem técnicas para promover reações químicas entre esses compostos, ou então para evitar algumas destas reações. E os produtos resultantes, uns são simpáticos, outros menos. Mesmo quando tudo é feito de forma natural. Será que uns grelhados na brasa passariam no crivo de um processo de avaliação como os que são exigidos actualmente? Talvez não...

 

A indústria alimentar também não contribui para informar de forma correta, antes explora ambiguidades, crendices e ideias difundidas, aparentemente intuitivas, e não fundamentadas. Se isso vende...

 

Os alimentos são sistemas muito complexos, não há linhas divisórias claras entre bom e mau. Sobretudo critérios como natural vs sintético, ingrediente tradicional vs aditivo, processo tradicional vs processo inovador, não são minimamente úteis para avaliar o efeito dos compostos químicos presentes em qualquer alimento. O que parece intuitivo, raramente funciona como distinção. Tudo depende do contexto, da forma como se consome, tudo depende de um conhecimento mais profundo. 

 

Por mais que alguém tente, uma vida "livre de químicos" não é exequível. Compreender um pouco sobre os compostos químicos nos alimentos e como se comportam, pode ser útil e interessante.  Nos próximos dias há mais...