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Assins & Assados

Cotswolds Single Malt Whisky - ser o Batch 01/2018 (first ever) dá-lhe um sabor especial

por Paulina Mata, em 30.10.18

 

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Enquanto escrevo estou a beber whisky, o que é pouco habitual. Nunca bebi este tipo de bebidas, não conhecia nada, e as experiências que tinha tido nunca me deixaram particularmente entusiasmada. Porém, tenho um genro que viveu sempre na Escócia, gosta de whisky, particularmente do escocês, e é bastante exigente com a qualidade do que bebe. No ano que passei em Inglaterra foi-me dando a provar vários bons whiskeis e, mais do que isso, tive oportunidade de saber mais sobre o processo de produção de cada um e também de comparar whiskeis com características diferentes.

 

Um dia, em Agosto, fomos até aos Cotswolds, um região lindíssima, com pequenas e belíssimas aldeias, em que tudo é em tons de amarelo dourado.

 

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Foi para os Cotswolds que foi viver Dan Szor, um nova-iorquino que trabalhou no meio financeiro em Londres, quando decidiu que era altura de mudar de atividade e ter uma vida mais calma. Gostava bastante de whisky e decidiu juntar o útil ao agradável e fundar a sua própria empresa. Perto de sua casa construiu a sua destilaria e criou a sua equipa, todos sem experiência na área, mas com vontade de aprender. E bem aconselhados começaram a trabalhar em Julho de 2014, usando equipamentos e ingredientes tradicionais e conhecimento actual. 

 

Uma pequena destilaria, a Cotswolds Distillery, rodeada de jardins com plantações de lavanda, onde produzem essencialmente Whisky e Gin, mas também outras bebidas.

 

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E é aqui dentro que quase tudo se passa:

 

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Usam apenas cevada produzida na região e maltada no chão. Em cada lote é indicada a proveniência do malte. O da minha garrafa veio da Barringhton Park Farm. A cevada é maltada pela empresa de maltagem mais antiga em Inglaterra pelos processos tradicionais, e levada para a destilaria onde é moída e misturada com água a quente em recipientes de aço. Sendo-lhe adicionados então dois tipos de fermentos, selecionados de forma a obterem o perfil aromático desejado. Ali fermenta 90 horas, nos primeiros dois dias a levedura transforma os açúcares em álcool até se atingir um teor alcoólico de 8%, e depois é a vez das bactérias fazerem o seu trabalho e serem produzidos compostos que contribuem para as características organoléticas do whisky.

 

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É então a vez da primeira destilação ocorrer, em destiladores de cobre com 2500 litros de capacidade, em que a água é separada do álcool que tem dissolvido os compostos aromáticos.

 

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Em seguida, há um outro processo de destilação em que removem as frações menos desejáveis (o início e o fim) de forma a obter um produto de qualidade e com as características pretendidas. O produto obtido nesta fase tem um teor alcoólico de 75%, é misturado com água desmineralizada até atingir os 63,5%. É então colocado em cascos de carvalho que lhe vão conferir características próprias. Aí fica a envelhecer e maturar alguns anos.

 

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Descobri lá que os tanoeiros com que trabalham são portugueses, a empresa J. Dias de Espinho.

 

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A destilaria abriu em 2014 e o 1º whisky foi comercializado em 2018. É este o lote que estou a beber - Batch Nr. 01/2018 the first ever!  É muito interessante estar a beber o primeiro produto de uma empresa, e ainda mais depois de associá-lo a um espaço e de conhecer o local onde foi produzido. Não sou grande conhecedora de whisky, mas o que sei é que gosto muito dele, muito suave e aromático.

 

Mas era preciso ir rentabilizando o espaço e ir fazendo algum dinheiro, lançaram-se assim na produção de gin, e também aqui o objetivo era ter um produto de qualidade, usando dez vezes mais botânicos do que é habitual.  O Cotswolds Dry Gin foi considerado o World's Best London Dry nos World Gin Awards 2016. 

 

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Eucryphia lucida, Tasmânia... a culpa é do mel!

por Paulina Mata, em 13.10.18

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Nunca tinha ouvido falar da Eucryphia lucida, também conhecida por Tasmanian Leatherwood.  Uma árvore de tamanho médio ou um grande arbusto comum na Tasmânia.

 

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Aliás, para ser franca, sabia que a Tasmânia era na Austrália, mas nem era capaz de a localizar, e muito menos sabia que era uma ilha separada do resto do território da Austrália. Pois esta árvore, nativa da Tasmânia, é a principal planta cujo néctar é lá usado pelas abelhas para produzir o mel, cerca de 70% do mel da Tasmânia é de Leatherwood. Há dias, deram-me a provar um mel Leatherwood da Tasmânia e o impacto foi tal que me levou a querer saber mais.

 

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Eu gosto de mel, se me pedissem para dizer uma coisa que associasse a uma comida conforto, era provável que dissesse pão com manteiga e mel. A minha Mãe dava-nos frequentemente para o lanche pão com manteiga com um fio de mel por cima. De vez em quando ainda o como. Delicioso!

 

Bem, mas deixando estas memórias de lado, e voltando ao mel da Tasmânia... Era fluído mas espesso, com pequeníssimos cristais que o tornavam cremoso e se desfaziam na boca. O sabor era diferente de todos os outros, por isso foi até incluído na Arca dos Sabores do Slow Food. Muito floral, um leve sabor a especiarias, um sabor complexo. Delicioso!  Daqueles sabores cuja memória persiste ao longo do tempo, e de que de vez em quando nos lembramos, e nos apetece mais...

 

Não vou dizer quem me deu, senão ainda aparece toda a gente a pedir para provar o mel. Mas um dia destes, como quem não quer a coisa, apareço para almoçar e jantar... e quem sabe comer um pouco mais de mel da Tasmânia.

 

 

1ª Foto DAQUI

2ª Foto DAQUI

 

Leite de Camela e Tâmaras

por Paulina Mata, em 22.05.18

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Eu sei que vivemos na época do local... também gosto, e acho que se deve valorizar o que é local. Mas também gosto muito do que vem de outras paragens. Não provei o leite de camela, mas foi a primeira vez que o vi a vender assim.

 

Na mesma loja, do lado de fora, estavam uns frutos do tamanho de ameixas. Suspeitámos o que eram, mas fomos confirmar. Tâmaras frescas.  Foi a primeira vez que as vi, trouxemos umas e provámos. Gostei mesmo muito! Fez-me lembrar uma pêra rija, mas com um aroma diferente.

 

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Caixas de tâmaras secas havia muitas. Está a decorrer o Ramadão e tradicionalmente o jejum quebra-se com tâmaras.

 

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Viva a diversidade! Adoro a possibilidade de ter acesso a todas estas coisas de outras culturas e de outras paragens deste mundo.

 

 

Comprei e abri com alguma ansiedade... Iriam as rillettes satisfazer as minhas expectativas?

por Paulina Mata, em 10.03.18

 

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Se me perguntarem as memórias de sabores mais marcantes das minhas primeiras idas a França, digo sem hesitar: Rillettes e Saucisson. Relativamente ao saucisson, o sabor e aspecto tão diferentes dos nossos enchidos, era mesmo uma descoberta. É que se agora uma grande variedade destes produtos está disponível, há quase 40 anos não eram acessíveis. Quanto às rilletes, aquele sabor rústico, os pedaços de carne a desfazerem-se, a cremosidade da gordura... uma delícia! Por vezes vou comprando rillettes, mas nem sempre me satisfazem as expectativas.

 

Hoje, no supermercado, houve uma embalagem na prateleira que me chamou a atenção, era mais ou menos assim:

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Comprei, e quando cheguei abri, com alguma ansiedade... Iriam satisfazer as minhas expectativas? Iriam estar à altura das minhas memórias (eventualmente romanceadas) das primeiras viagens a França? E não é que estavam! Maravilhosas!

 

Enquanto as comia fui vendo a embalagem e encontrei o endereço do site da empresa que as comercializa, a unearthed. O fundador,  depois de muito viajar pelo mundo, resolveu, em 2008, tornar acessíveis no UK algumas das coisas que tinha comido. Para isso procuram pequenos produtores, tentam descobrir os melhores, as coisas são produzidas nos países de origem com a marca deles, que as trazem para Inglaterra, sendo a distribuição limitada (Waitrose e Ocado). Quanto às rillettes, são feitas por um produtor premiado de Le Mans. 

 

Gostei muito do site, estive a ver os vários produtos e fiquei com vontade de experimentar mais. Também pensei que gostava de ver ali algumas coisas nossas, mas não consegui decidir o quê...

 

 

PS

Fui ao site do Ocado e gostei muito de ver isto: Ocado Modern Slavery Statement

 

As duas fotos são DAQUI

 

Como é que eu vivi sem isto até hoje? As coincidências que me abriram a porta para o mundo do chocolate.

por Paulina Mata, em 13.02.18

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Há duas semanas no suplemento sobre comida do The Guardian  que sai ao sábado - Feast - li uma secção que se chama How I Eat, em que há uma pessoa que diz o que geralmente come ao pequeno almoço, almoço, jantar e em snacks. Lia aquilo e só pensava "Mas porque carga de água foram escolher para isto uma pessoa que obviamente não gosta de comer?". No final, já na parte dos snacks, referiu, com algum entusiasmo, uns chocolates que andava a comer. Eram quatro e vinham na última caixa que tinha recebido da Cocoa Runners. Apesar de ser a única parte interessante do que disse, não voltei a pensar nisso. Uma semana depois comprei a National Geographic Food, que tinha um artigo sobre chocolate. No final do artigo sugeriam cinco sites a visitar. O primeiro de todos era dos Cocoa Runners e dizia "Members' club selling bean-to-bar chocolate from around the world, plus smart gifts and tasting courses." Imediatamente me lembrei do senhor que odiava comer, mas pertencia a este club. Fui ver do que se tratava.

 

No site falavam do que está a mudar no mundo do chocolate, a que chamavam a revolução do chocolate. Falavam de pequenos fabricantes que adquirem cacau a pequenos produtores, e que transformam as favas do cacau em tabletes numa escala pequena, falavam dos altos padrões de qualidade e da diversidade dos chocolates que produziam. Diziam que adquirir estes chocolates não era fácil, e por isso eles iniciaram o projeto Cocoa Runners. Sendo a missão deles descobrir e tornar acessível. Assim, correm o mundo para conhecer quem produz o cacau e fabrica as tabletes. Dizem que desde 2013 já provaram mais de 6000 tabletes diferentes e dessas escolheram as melhores. Que neste momento têm para venda 800 diferentes de mais de 80 fabricantes. Fui à página dos fabricantes, 94, não conhecia quase nenhum. Aliás, que tenha consciência disso, só comi chocolates de 4 deles.

 

Conclusão, era mesmo disto que eu estava a precisar na minha vida! Chocolates de qualidade, diferentes, e quem mos mostrasse com algum critério. Tudo isto à distância de um click e, claro, do número do cartão de crédito. Mas a despesa nem era grande, por 18.95 libras por mês recebia em casa 4 tabletes criteriosamente escolhidas, com informação sobre os produtores, os fabricantes e notas de prova. Mais, prometiam que não repetiam as tabletes, que desde que começaram já mandaram nas caixas mensais mais de 250 chocolates diferentes. Fiz logo a minha subscrição, e 3 dias depois o carteiro enfiava pela caixa do correio esta caixa com 4 tabletes (1 de chocolate de leite e 3 de chocolate preto).

 

O chocolate de leite, de cacau de Madagascar, produzido por um dos dois únicos fabricantes de chocolate em Madagascar, a Menakao; do Peru, um cacau albino que esteve quase extinto e está a ser recuperado, para a tablete produzida pela Original Beans, uma empresa holandesa; cacau da Jamaica foi transformado numa deliciosa tablete em Inglaterra pela Pump Street Chocolate, finalmente cacau da República Dominicana foi transformado pela empresa catalã Blanxart. Todos completamente diferentes, uns frutados, outro com notas de caramelo, rum e passas, e ainda outro com notas de frutos secos. Maravilhoso!

 

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Como é que eu vivi sem isto até agora? Espero ansiosamente que o carteiro traga a próxima!

 

 

Tão simples, tão bonito, tão saboroso!

por Paulina Mata, em 03.02.18

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Esta infusão de menta com mel produzido localmente já me fez voltar muitas vezes ao local onde a servem.

 

Pequenas coisas que fazem a diferença.

 

Tão simples, tão bonito, tão saboroso!

 

 

 

Chocolates "Single Estate" e a sua Fascinante Diversidade

por Paulina Mata, em 26.08.17

 

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Há ainda relativamente pouco tempo o chocolate era visto quase como assunto de crianças ou de mulheres, consoante o tipo de chocolate. Felizmente houve quem o levasse mais a sério e agora a diversidade e a qualidade acessíveis a todos são bem maiores.

 

aqui tinha falado em tempos de chocolates da Willie's Cacao, e há dias encontrei uma caixa que achei muito interessante. O conteúdo eram 5 tabletes single estate, com características diferentes, mas todas com teores de sólidos de cacau semelhantes - entre 69% e 72%, e ainda um mapa com a localização de cada uma das propriedades e da fábrica e mais alguma informação.

 

 

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Comprei, e pensei logo fazer uma prova de chocolates para nos apercebermos das diferenças e tentar traduzi-las em palavras. Notámos as diferenças, expressá-las foi mais complicado... é mesmo muito difícil encontrar palavras para transmitir estas diferenças de sabores e aromas. Identificámos também o que gostávamos mais. 

 

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Mais tarde, na viagem de comboio de regresso, fizemos o teste ao contrário. Já conhecíamos os chocolates, já conhecíamos as características e o objetivo era identificar, perante a informação na embalagem, qual era qual. Aqui os resultados já foram melhores 3 certos em 5, ou seja cada um de nós trocou 2, que curiosamente não foram os mesmos.

 

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Foi divertido, e muito educativo. De certeza que vamos fazer mais sessões destas. 

 

 

Quase parecem queijo!

por Paulina Mata, em 21.05.17

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Espantosas estas alternativas  ao queijo sem produtos animais. O aspecto tão real!

 

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Comemo-las ontem o lanche. O sabor do "camembert" excelente, quase enganava. O outro ainda precisa de alguma afinação no gosto, mas já é muito agradável. 

 

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Alternativas ao queijo de produção artesanal e difíceis de encontrar. Muito, muito interessante!

 

 

Chás Andorinha - um projecto com paixão e que nos permite desfrutar de chás excelentes

por Paulina Mata, em 10.05.17

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No curso de chás que referi no post anterior, conheci António Vieira da Cruz, que com a sua mulher Margarida Vieira da Cruz fundaram em 2015 os Chás Andorinha. Este casal, com uma grande paixão por bons chás, apercebeu-se que o acesso aos melhores chás do mundo era bastante difícil em Portugal. Propuseram-se assim, com os Chás Andorinha, contribuir para a recuperação da cultura do chá no nosso país, disponibilizando uma variedade de chás de alta qualidade.

 

Para tal viajaram para aprender mais sobre chá, conhecer chás, produtores e plantações. Estabeleceram parcerias com produtores locais, membros de famílias que há várias gerações produzem chá e em que o conhecimento passa de geração em geração. Seleccionaram desta forma chás que consideram diferentes, especiais e autênticos.

 

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Tivemos oportunidade de conhecer a gama de chás que comercializam e ainda de provar o chá Oolong.  Gostei muito dos chás que vi e do que provei e logo que cheguei fui ver o site e adquiri dois chás, o Oolong e um chá verde japonês o Umegashima que me têm proporcionado momentos muito relaxantes e agradáveis.

 

Gosto destes projectos com caras, com paixão e que nos permitem desfrutar de produtos com qualidade.

 

 

 

Folhados de Lampreia - inovar dando novas roupagens a sabores tradicionais

por Paulina Mata, em 22.11.16

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Gosto muito de lampreia, desde que me lembro nunca passou nenhum ano em que não a tenha comido pelo menos uma vez. Uma das minhas memórias de infância é ver a minha Mãe a preparar as lampreias, pois sempre se comeram (com grande entusiasmo) em minha casa.

 

Há cerca de um ano, no El Corte Ingles, encontrei uns Folhados de Lampreia de Penacova da empresa Cruidoce.  Comprei para provar e gostei. São bons para reviver o sabor da lampreia fora da época, são bons para ocasionalmente comer com uma salada ou uns legumes. O maior defeito, é não terem ainda mais lampreia. Depois desapareceram muitos meses, mas encontrei-os recentemente.

 

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Uma forma de inovação que veste com outras roupagens produtos tradicionais e que permite outras formas de consumo. No caso dos Folhados de Lampreia de Penacova, um produto que me parece bem conseguido.