Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Assins & Assados

O peixe à porta - novas descobertas 2

por Paulina Mata, em 20.07.20

 

cabaz.jpg

 

beige.jpg

 

Nasci numa terra pequena na Beira Baixa. Bem, verdade, verdade, nasci na Av. António Augusto de Aguiar em Lisboa, mas com poucos dias fui para casa na Beira Baixa. Vivi muitos anos numa casa grande, onde ainda passo férias, onde a fruta se apanhava das árvores, os vegetais vinham da horta e na mercearia se comprava o arroz, a farinha, o café... Por baixo do terraço em frente da porta da cozinha eram os galinheiros, de onde de vez em quando saía uma galinha para o jantar. Uma galinha que conhecíamos desde quando era ovo... o meu Pai alugava uma chocadeira para ovos de galinha e durante algum tempo seguíamos o processo com curiosidade, os pintos iam saindo, passavam então para o galinheiro dos pintos, onde uma lâmpada grande fornecia o calor necessário para o bem estar deles, e iam crescendo.  A carne de porco vinha das matanças na fábrica, mas havia também a casa dos porcos onde durante um período viveram três porcos, mas acredito que a razão foi nós (as crianças) vermos de onde vinha o que comíamos. Às vezes comprava-se cabrito, na época da caça davam ao meu Pai, ou compravam-se, coelhos, lebres e perdizes. Vaca só comi em adulta, quando vim para Lisboa. Peixe... às vezes havia bacalhau, de que eu não gostava, e dava frequentemente discussão à sexta feira em que não se comia carne. Às vezes da mercearia vinham também umas latas de atum, e na época da lampreia havia lampreia. Raramente havia peixe naquela terra e, quando havia, acredito que a frescura não fosse a mais recomendada, portanto não fez durante muito anos parte dos meus hábitos comer peixe em casa.

 

Depois, fui comprando e cozinhando de vez em quando, esporadicamente... comia mais frequentemente fora de casa do que em casa. Nos últimos anos, se me perguntassem se gostava mais de peixe ou de carne, diria peixe. Mas continuava a comer mais fora de casa do que em casa, até porque comprar envolvia alguma disponibilidade e planeamento, nem sempre possíveis. Um dos (inesperados) efeitos deste Covid19 na minha vida, foi levar-me a consumir mais peixe em casa, até a cozinhar mais peixe do que carne nos últimos meses.

 

Um dia descobri o Peixe à Porta, da Nutrifresco. Já conhecia, muito bem, a Nutrifresco como fornecedores de peixe para restaurantes, sabia da qualidade do peixe que vendiam. E decidi experimentar encomendar peixe.

 

peixe a porta.jpg

 

Nas primeira vezes não havia o Peixe à Escolha apenas os Cabazes, vários tipos, mas o que vinha era sempre surpresa. Comprei um cabaz, e chegou um peixe fresquíssimo, arranjado e que me deu muito prazer comer. Da segunda vez pedi um cabaz de peixe e outro de marisco. E a qualidade da experiência foi idêntica. Da terceira vez já havia o peixe à escolha, mas eu estava a gostar da experiência, e voltei a pedir um cabaz e algum peixe e marisco extra, e da quarta vez fiz o mesmo. Acho que cozinhei bem mais peixe nestes últimos meses, do que cozinhava num ano inteiro.

 

É engraçado, nunca tive a menor atração pelos cabazes com vegetais, sempre preferi escolher o que queria, mas no peixe estou a achar o desafio de cozinhar peixe que não tinha o hábito de consumir em casa muito divertido. Também gosto de não ter que escolher, de receber a caixa sem saber o que lá está dentro. Da surpresa ao abrir...

 

Este pesadelo que vivemos levou a Nutrifresco a desenvolver uma nova área de negócio, o que me permitiu comer melhor, e fazer algumas novas descoberta e experiências que melhoraram bastante a minha qualidade de vida durante este confinamento.  Um hábito que veio para ficar!

 

Fotos do site do Peixe à Porta

 

 

Esta pandemia fez-me ficar uma pouco mais adulta - novas descobertas 1

por Paulina Mata, em 13.07.20

cafe.jpg

 

beige.jpg

 

Nunca tive por hábito beber café. Durante muitos anos não bebia aquilo a que, em jeito de brincadeira, chamava "água suja", e que incluía chá, café ou outras infusões. Depois, há mais de duas décadas, converti-me ao chá e até a algumas infusões. Quanto ao café nunca. Lembro-me da minha Mãe por vezes dizer que a minha resistência ao café, era de facto uma resistência a tornar-me adulta. Quem sabe... Acontece que esta pandemia me tornou mais adulta, já bebo café.

 

Poucas foram as minhas experiências com café expresso. Experimentei, insisti, mas de facto os dedos das duas mão são demasiados para contar as experiências. Nunca entendi o fascínio por aquela bebida amarga, em dose reduzida (nem sequer se tem o prazer de ir saboreando ao longo do tempo, aquilo acaba logo), e até um pouco gordurosa... Nisto não me identifico com os portugueses, e cedo percebi que essa não é a minha cultura de café.

 

Quando estive em 2017/2018 em Inglaterra, onde a cultura de café é diferente, comecei a beber algumas bebidas com café. Tive alguma resistência inicial... o cheiro do café com leite que pela manhã invadia os corredores do colégio onde estive alguns anos nunca me atraiu, bebia sempre o leite com chocolate (Milo). Mas um dia provei  um capuccino, e gostei. De vez em quando trocava-o por um latte ou por um mocha. E bebia com agrado. Chegou ao verão e adorei os iced latte. Comecei a pedi os cold brews, que alguns membros da minha família diziam parecer água de lavar chávenas, mas eu gostava. Tudo bebidas menos concentradas, menos amargas, mais longas, que permitem uma outra forma de consumo de que gosto mais. Há tempos experimentei beber um café feito num V60, e soube-me bem. De facto, sempre gostei do aroma do café, do sabor do café, entendi é que não gostava da habitual forma de consumo do café.

 

Gostava de ir tomar o pequeno almoço de vez em quando à Fábrica Coffee Roasters, e ficava por vezes a namorar os vários cafés e utensílios para o preparar (V60, Kalita, Chemex...), mas ficaram sempre por lá, eu nem percebo nada de café, nem bebia café, nem sabia se os ia usar, e se quisesse até tinha em casa algumas coisas que podia usar para fazer café.

 

Há umas semanas, por distração, fui ao site da Fábrica Coffee Roasters, estive a ver a loja, a variedade de cafés e as notas de aromas tão diferentes umas das outras e atraentes, para cada café vi informação sobre quem o produz e a cara de quem o produz. Além daqueles aromas atraentes, os cafés tinham uma vida, uma cara... Eu gosto quando os produtos adquirem outro significado e os associo a algo mais e passam a ter uma cara. Eram caros (por comparação com o que se vende nos supermercados), mas acredito que a qualidade se paga e produtos com personalidade valem esse preço. Este confinamento forçado era uma boa oportunidade de fazer novas experiências, e quem sabe adquirir novos hábitos.

 

Um dia à noite entrei na loja e comprei uma bonita Hario V60 e os respetivos filtros.

glass-coffee-dripper-v60.png

Comprei três cafés de regiões e com características diferentes. No dia seguinte de manhã ligaram-me a perguntar se queria o café moído e com que tipo de moagem. Umas horas depois entregaram-me o café. Um bom começo...

 

gathugu-250g.png

 

Li nas instruções o processo correto de fazer, vi vídeos explicativos, usei a água do Luso que em geral uso para o chá, por vezes até os fiz em cima da balança para pesar a quantidade de café e a quantidade correta de água a usar em cada fase, gosto deste ritual. Passei a beber longos e saborosos cafés pela manhã (no meio de todo este pesadelo, há pelo menos que aproveitar não ter que sair de manhã a correr). E em poucas semanas bebi as 750 g de café que tinha comprado.

 

A acreditar na minha Mãe, tinham-me feito deixar de resistir a ser adulta. Tinham-me levado a concluir definitivamente que gosto de café, não gosto é de café expresso. Tinham-me proporcionado bons momentos. No dia em que acabaram, já passava bem da meia noite, encomendei mais quatro cafés (três diferentes do que tinha pedido antes e um comum), no dia seguinte, antes do almoço, tocaram-me à porta para entregar os cafés. Mais rápido era impossível.

 

Esta terrível situação, fez-me fazer uma nova descoberta, descobrir novos sabores e experiências. Descobrir um pouco do café. Um hábito que veio para ficar. Também veio para ficar o hábito de ir ao site fazer a compra, ler sobre as características do café e da sua produção, ver a cara do produtor.

 

Vou beber o último golo do café que me acompanhou ao longo da escrita deste post, com aromas de limão, jasmim e bergamota. Se os identifiquei a todos? Confesso que não, mas nem acho importante... O que de facto importa, é que me dá prazer bebê-lo, pelo sabor, e por tudo o que referi que lhe está associado.

 

 

Dia das Algas Marinhas - um bom dia para elas começarem a entrar na sua cozinha

por Paulina Mata, em 04.06.20

DSC03204.jpg

 

beige.jpg

 

Hoje, 4 de junho, comemora-se o Dia das Algas Marinhas e será feito lançamento do Manifesto das Algas Marinhas, resultado de um trabalho de colaboração da indústria, instituições de investigação, ONU e sociedade civil. O objetivo é refletir sobre o potencial das algas marinhas para alimentar o mundo, mitigar as mudanças climáticas e preservar os ecossistemas.
 
 

Seaweed Manifesto.jpg

 
Pertenço a uma equipa de investigação que começou no final de 2015 a estudar algas marinhas da nossa costa e o seu potencial gastronómico. Em 2017, submetemos o projeto  ALGA4FOOD – Algas na Gastronomia: Desenvolvimento de Técnicas Inovadoras de Conservação e Utilização que foi financiado pelo Programa Operacional MAR 2020. Este financiamento permitiu-nos desenvolver um trabalho mais abrangente e aprofundado.

 

Temos uma costa muito extensa (1860 km) com uma enorme variedade de algas (cerca de 400), e uma produção de aquacultura considerada entre as melhores do mundo. As algas têm grandes potencialidades no contexto da sustentabilidade, das restrições alimentares várias, e até mesmo para diversificação de fontes de alimentos e experiências gastronómicas. O interesse pela sua introdução na alimentação é cada vez maior, pois têm-lhes sido associados benefícios nutricionais relevantes associados à saúde e bem-estar. São ricas em proteínas e fibras dietéticas, vitaminas, oligoelementos, minerais e ácidos gordos poliinsaturados tipo ω-3 e ω-6. São, por isso, consideradas como alternativas alimentares importantes e sustentáveis.
 
 
 

Codium tomentosum.jpg

O. pinnatifida.jpg

Vivemos num País onde os produtos do mar desde sempre fizeram parte da cultura e da gastronomia, contudo as algas marinhas estão pouco presentes na nossa alimentação. Por tudo isto achámos relevante estudar as características das nossa algas e as suas potencialidades gastronómicas. Tem sido uma descoberta constante e um incentivo à criatividade e ao desenvolvimento de produtos (deliciosos) usando uma metodologia baseada no conhecimento científico.
 

Alentejo style gazpacho with 'bladder wrack' (Fucu

Beer bread with 'nori' (Porphyra sp.).png

Um dos objetivo do projeto é o de desenvolver estratégias e produtos para incentivar a introdução das algas na nossa alimentação. De facto, as algas estão à venda no comércio, mas a maior parte de nós nunca as usou, nem sabe bem como começar. Para inspirar, dar ideias e incentivar novas experiências gastronómicas, desenvolvemos duas publicações da autoria da Patrícia Gabriel, cujo download é gratuito, e que gostaria de partilhar hoje, Dia das Algas Marinhas. 

 
 
Algas – o Mar à Mesa
 

Algas o mar a mesa.jpg

 

Algas – onde o Mar Começa
 

Algas onde o mar comeca.jpg

 

Hoje é um bom dia para as algas começarem a entrar na sua cozinha. Aventure-se!  Experimente!

 

 

Nunca desprezes uma crise...

por Paulina Mata, em 05.04.20

Miguel Patricio.jpg

 

beige.jpg

 

Nunca desprezes uma crise, é nos momentos de crise que as pessoas estão mais propensas a mudar. É nos momentos de crise que as pessoas se reinventam. É mais o menos isto que o Miguel Patrício, o CEO Global da Kraft Heinz diz numa entrevista essencialmente sobre os efeitos da crise que vivemos. Os conselhos que dá são: criatividade, otimismo e coragem.

 

miguel Patricio XP.jpg

A visão do CEO Global da Kraft Heinz para a crise

 

Economia não é o meu forte, mas gostei muito de ouvir o Miguel (que por acaso é meu primo direito). A realidade dele é muito diferente da minha e da de muitos de nós, o contexto também, mas penso que há aspetos que são importantes para qualquer pessoa.

 

Acho mesmo que vale a pena ouvir o Miguel, a hora que dura a entrevista passa depressa, tal é o interesse do que diz.

 

A fazer Hanjies... várias vezes já foram uma bóia de salvação

por Paulina Mata, em 05.04.20

IMG_20200401_230039.jpg

 

beige.jpg

 

Há duas coisas sem as quais nunca saio de casa: um par de brincos  e um livro de Hanjies. Normalmente não uso qualquer outro adereço, mas se por acaso saio sem brincos, sinto-me meio nua e não sou eu. Já me aconteceu ir comprar brincos quando reparo que saí sem eles. Não me peçam para explicar porquê... mas se me pedirem para explicar porque é que tenho sempre um livro de Hanjies na carteira, isso já sei explicar. 

 

Os Hanjies são puzzles de lógica, que me ocupam a cabeça e me acalmam. Numa altura complicada, aprendi que contar os quadradinhos, não de cinco em cinco, mas um por um, e de forma relativamente lenta me acalma, passei a fazê-lo sempre. Disse que me ocupam a cabeça, mas de facto fazer Hanjies ocupa-me apenas parte da cabeça, a outra parte continua calmamente a pensar, e tenho resolvido muita coisa e tomado muitas decisões a fazer Hanjies.

 

O objetivo quando se faz um Hanjie é preencher os quadradinhos a branco ou preto, com base nos números indicados e usando um raciocínio lógico. No final obtém-se uma imagem. No caso deste, no final ficará assim:

 

IMG_20200401_225706.jpg

 

Para mim, é indiferente o que fica, o problema lógico é o que me atrai. Penso até que se fizesse várias vezes o mesmo livro o desafio seria igual. 

 

Na vida normal, há duas situações principais em que faço Hanjies, nos transportes públicos (que uso diariamente) e quando tenho que esperar por alguma coisa, é óptimo pois nem dou pelo tempo passar. De vez em quando faço-os quando tomo o pequeno almoço ou lancho fora de casa sozinha. Não me lembro de na última década fazer Hanjies em casa. Agora faço, como não saio o livro não está na carteira, está ao lado do sofá em que me sento, e o efeito terapêutico dos Hanjies tem sido bem útil. 

 

Tenho sempre vários livros para garantir que nunca me faltam, só os encontro no UK, em apenas uma cadeia de lojas, e não em todas as lojas dessa cadeia. Cheguei a ficar um pouco preocupada porque para além do livro que estou a fazer, só tenho outro. Mas lembrei-me que há uns 15 anos comprei uns em tamanho A4, grandes demais para fazer nos transportes, e até com alguns puzzles a cores, bem mais complexos. Fiquei mais descansada, tenho que os procurar, foram-me úteis numa época de crise, em que fazia Hanjies em casa, depois nunca mais lhes peguei.

 

Mas voltando a este Hanjie específico, que se chama Pizza, fiquei com vontade de fazer uma. Faltava pouco para o jantar e a fome não aconselhava todo o processo de amassar e levedar. Lembrei-me da Pizza-Omelete que fazia quando as minhas filhas eram crianças. O jantar foi assim:

 

Pizza-Omelete

4 ovos

1 colher de sopa de salsa

1/2 colher de sopa de óleo

40 g de fiambre

1 tomate médio

6 azeitonas recheadas

100 g de queijo Mozzarella em fatias finas

oregãos

sal e pimenta

1 - Batem-se os ovos com 2 colheres de sopa de água, a salsa, o sal e a pimenta.

2 - Deita-se o óleo numa frigideira de fundo não aderente, que possa ir ao forno, e leva-se a aquecer.

3 - Deitam-se os ovos na frigideira e cozem alguns minutos, até os ovos prenderem, mas devem continuar líquidos por cima.

4 - Cobrem-se com o tomate em rodelas, as azeitonas e o fiambre. Leva-se ao grelhador do forno 2 a 3 minutos. Retira-se a frigideira, polvilha-se com oregãos, cobre-se com o queijo e polvilha-se com mais alguns oregãos. Leva-se de novo ao grelhador até o queijo ficar derretido e levemente corado.

Nota: Podem-se substituir os ingredientes da cobertura por qualquer outra combinação, por exemplo pode usar atum, cogumelos, milho, anchovas...

 

Aprender Ciência de forma Divertida e Saborosa

por Paulina Mata, em 29.03.20

as maca2.jpg

 

beige.jpg

 

Ter as crianças em casa durante o dia todo, durante muito tempo, exige alguma dose de imaginação para encontrar atividades que as mantenham ocupadas. Fazer experiências para que todos, em família, se divirtam e aprendam ou relembrem alguns factos e conceitos, pode ser uma atividade em que se junta o útil ao agradável.

 

Há uns anos colaborei com a Ciência Viva num projeto europeu - Pollen: Seed Cities for Science, que envolvia 12 países, em que cada uma escolhia uma cidade e algumas das suas escolas do 1º ciclo e, com o envolvimento da comunidade e de investigadores, pretendia-se estimular o interesse das crianças pela ciência e tecnologia. O objetivo era que as sementes lançadas dessem frutos, não só nos diretamente envolvidos, mas em toda a comunidade.

 

Portugal escolheu envolver as famílias, pareceu-nos que usar os alimentos como base para as atividades de ciência era uma boa opção. De facto, havia algum conhecimento acumulado com as atividades A Cozinha é um Laboratório que há alguns anos eram desenvolvidas, primeiro no Pavilhão do Conhecimento, e depois noutros Centros de Ciência.  

 

Nesse contexto, e para lá do trabalho com as escolas, escrevemos um livrinho dirigido às famílias, incentivando-as a experimentar e descobrirem alguns conceitos científicos em conjunto. O livro está disponível online. 

 

Aprender ciência de forma divertida e saborosa - Sugestões de experiências para fazer em família 

 

Lembrei-me dele e de que neste período poderia ser útil para algumas famílias.

 

 

Se está com preguiça, ou se lidar com a Saccharomyces cerevisae não é o seu forte, experimente fazer um pão de cerveja

por Paulina Mata, em 25.03.20

IMG_20200325_193136.jpg

 

beige.jpg

 

Houve alturas em que fazia muito pão, quase todo o que comia. Há dois anos quase deixei de fazer. Consigo comprar melhor pão perto de casa e, sobretudo, o tempo disponível é pouco. O pão ficou esquecido. Tenho frascos da minha massa mãe no congelador, e também um frasco com parte dela seca. Estão à espera de oportunidade de voltarem a mostrar o que valem.

 

Na situação que estamos a viver, e porque tenho cumprido o isolamento social muito rigorosamente, voltei a fazer todo o pão que como. A massa mãe ainda não saiu do congelador. Passar de um dia para o outro de dar aulas presenciais a dar aulas online, e muitas aulas nos últimos dias, não me permitiram ainda ter disponibilidade (se calhar sobretudo mental) de dar oportunidade à massa mãe. Mas o número de saquinhos de levedura seca da minha despensa tem vindo a diminuir substancialmente. Ou seja, tenho feito pão pelo menos de dois em dois dias. Hoje não me apetecia amassar, estava mesmo com preguiça. No frigorífico estava uma cerveja esquecida há muito e, para variar o tipo de pão, fiz o meu pão de cerveja que dá muito pouco trabalho.

 

Se lhe apetece fazer pão, ou precisar de o fazer, e lidar com a Saccharomyces cerevisae (mais conhecida por fermento de padeiro) não é o seu forte, experimente este.

 

Pão de Cerveja

400 g de farinha com fermento

1 colher de chá de fermento para bolos (Royal ou outro - mas se não tiver pode não usar) 

1 colher de sopa de açúcar (facultativo)

1,5 colheres de chá de sal

1 lata de 33 cl de cerveja à temperatura ambiente

 

1- Aqueça o forno a 180 ºC.

2- Deite numa tigela a farinha, o açúcar, o sal e a cerveja e mexa bem com um garfo. A massa pode ficar com alguns grumos pequenos, é preferível do que mexer demais.   

3- Deite numa forma de bolo inglês untada com azeite.

4- Coza durante cerca de 50 minutos a 1 hora. Se quiser mais douradinho, nos últimos 10 minutos suba o forno para 200 ºC.

 

PS

Há muito que faço com cerveja e nunca me tinha lembrado de experimentar com água com gás, hoje experimentei (300 g de farinha com fermento para 250 ml de água) e resultou muito bem, fica com um sabor mais neutro.

Bolos de Chocolate - Cozinhar com as Crianças

por Paulina Mata, em 18.03.20

bolos de chocolate r.jpg

 

beige.jpg

 

O meu neto adora ajudar a cozinhar. Fazer bolos de chocolate é uma das suas atividades preferidas, sempre que estou com ele frequentemente diz.  "Avó, vamos fazer bolos de chocolate.". Mede os ingredientes, mistura, e até parte os ovos sozinho desde os 4 anos. Depois põe pedacinhos de chocolate nos bolos, e aguarda ansiosamente comer o que ficou na tigela. Estes bolos são cozidos no micro-ondas, demoram apenas 2 minutos. Lembro-me da primeira vez em que fizemos, de como olhava admirado para a porta do forno de micro-ondas, e ao ver os bolos a crescer dizer "Oh my goodness! What is happening?".  Nesta altura, em que as crianças estão por casa e é preciso inventar diariamente atividades, pode ser uma boa opção.

 

ing bolo.jpg

 

Misturam tudo numa tigela. Se tiverem formas de queque de silicone, que possam ir ao micro-ondas, dividam a mistura por 5 formas. Ponham-nas num prato raso, e podem pôr lentilhas de chocolate, pedacinhos de uma tablete, frutos secos... o que quiserem por cima. Levem ao micro-ondas, na potência máxima, por 2 minutos. Depois é só comer.

 

Se não tiverem as forminhas, há outra opção, não ficam tão bonitos, mas ficam igualmente bons. Misturem tudo muito bem dentro de uma caneca que possa ir ao micro-ondas. Ponham a caneca os 2 minutos no micro-ondas, depois desenformem e cortem em pedaços. Tempo de cozedura mais longo pode deixar o bolo seco.

 

E se não forem crianças e vos apetecer um bolo de chocolate, façam também. Eu por vezes faço.

 

 

 

 

É altura de ficar por casa, de nos mimarmos

por Paulina Mata, em 13.03.20

mb.jpg

 

beige.jpg

 

Tudo muda por estes dias, de forma muito rápida. Tudo é novo, tudo seria inacreditável há poucos dias. O exterior perdeu atração, esperemos que por pouco tempo. É altura de ficar por casa, de nos mimarmos. Fazer pão pode ser uma boa atividade. Acho que amanhã vou fazer o meu Monkey Bread.

 

Monkey Bread

Parte A

½ chávena de água

½ chávena de natas com umas gotinhas de sumo de limão (ou  metade natas, metade iogurte)

3 chávenas de farinha

1 carteirinha de fermento para pão

1,5 colheres de chá de sal

2 colheres de sopa de manteiga amolecida

2 colheres de sopa de açúcar

 

Parte B

4 dentes de alho picados 

2  colheres de chá de folhas de tomilho 

4 colheres de sopa de manteiga derretida

 

1- Misture todos os ingredientes da Parte A e amasse. Se fôr necessário junte mais um pouco de água (ou farinha), a massa deve ficar elástica e sem se agarrar às mãos, mas não muito seca. Deixe levedar mais ou menos até duplicar de volume.

2 -  Divida a massa em cerca de 40 pedaços.

3 -  Entretanto misture os ingredientes da Parte B e ponha num prato. Com cada pedaço da massa de pão faça uma bolinha e passe-a pela mistura da manteiga. Ponha numa forma de bolo sem buraco. Não deixe muito apertado porque crescem. Pode pôr uma camada em baixo e depois os outros numa segunda camada.

4 - Deixe de novo levedar até quase duplicar.

5 - Leve ao forno a 180 – 200º  entre 20 e 30 minutos, até ficar dourado.

(1 chávena = 250 ml)

 

Para comer não se parte, basta agarrar num dos pedaços e puxar. E a seguir outro, e mais outro...

 

 

Que 2020 seja um bom ano!

por Paulina Mata, em 04.01.20

IMG-20200101-WA0004.jpg

 

beige.jpg

 

Que 2020 seja um bom ano! Já não peço que seja um ano excelente, óptimo, feliz...  Nesta época um pouco louca em que vivemos, se for bom já vale muito.

 

O meu começou com uns dias a preguiçar, e com a realização, logo no dia 1, de um projeto que há muito queria pôr em prática, um afternoon tea vegano para um lanche em família. Agora é fazê-lo melhor ainda e mais variado. 

 

Aqui fica também um desejo. Este depende de vós... Que os comentários anónimos deixem de ser completamente anónimos. Não preciso de saber o nome real e não preciso de associar cada nome a uma cara. Mas cada um de vós tem uma personalidade que vamos aprendendo a conhecer. Se são todos apenas anónimos fica difícil fazê-lo. Não tenho que vos conhecer melhor, mas é mais interessante se assim for... Podem ser o Anónimo nº 99, o Anónimo dos Olhos Azuis (mesmo que os tenha castanhos)... o que quiserem! O objetivo é associar cada conjunto de comentários a uma pessoa.  Gostava muito!

 

Mais uma vez um BOM 2020 para todos!