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Assins & Assados

O Cais do Ginjal com a sua beleza dura... e Lisboa na outra margem...

por Paulina Mata, em 01.06.19

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Gosto muito de Lisboa vista do outro lado do Tejo. Gosto da azáfama de Cacilhas. Gosto de atravessar o Tejo de barco (mas não dos barcos, são bonitos vistos de fora, dentro nem por isso). Usar o comboio que atravessa a ponte para regressar a Lisboa dá-me a sensação de "regresso do trabalho", usar o barco dá-me a sensação de "sair da rotina do quotidiano, de quase férias". Faço-o frequentemente às sextas feiras, ou quando estou distraída e me esqueço de sair no Pragal (o que aconteceu hoje à tarde, e aproveitei para comer uns caracóis antes de apanhar o barco).

 

Há anos que andava a pensar dar um passeio ali pelo Cais do Ginjal. Nunca o tinha feito. Numa sexta feira recente  estava tão cansada que achei que precisava mesmo de algo diferente, que me fizesse sentir de férias, ainda mais do que o barco, e meti-me a caminho.

 

A vista de Lisboa do outro lado do rio deixa-me sempre com a respiração suspensa... é tão bonito! Gosto daquela visão de fora, sem sentir as pessoas, o movimento, os sons, quase sem vida, como se fosse uma pintura. Podemos distanciar-nos e  imaginar a cidade como quisermos. 

 

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A caminhada durou uns 15 minutos, sabia que havia uns restaurantes no final, mas durante muito tempo nem vestígios deles. De um lado o rio, do outro um conjunto de prédios degradados.

 

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O rio limpíssimo, as águas completamente transparentes.

 

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A certa altura vislumbrei os restaurantes que sabia ali estarem.

 

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Sentei-me numa mesa, curiosamente o empregado de mesa fez um enorme esforço para me convencer a ficar dentro do restaurante, numa sala escura, sem vista para o exterior... não entendi o objetivo. Fiquei na esplanada.

 

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Pedi algo para comer, nada de memorável... Estava a começar a ficar fresco, e eu tinha-me esquecido de trazer o casaco, pedi uma manta. Ainda dava uma maior sensação de férias, estar ali com uma manta pelos ombros a ver Lisboa do outro lado...

 

Ao fundo um elevador que permite um acesso diferente aquele espaço. Deve ser uma experiência engraçada, mas não o usei. Talvez noutra oportunidade.

 

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Regressei pelo mesmo caminho.

 

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Todos aqueles edifícios degradados e todos aqueles graffitis coloridos, têm uma beleza própria e dura de que gosto muito. Contudo, acho difícil entender como é que um espaço como aquele, com uma vista belíssima e o rio logo ali ao lado, está naquele estado. Li posteriormente que há planos para ali serem construídos casas, hostels, espaços para indústrias criativas, lojas, praças e passeios largos. De facto o espaço tem todo o potencial para isso. Mas não terá mais aquele tipo de beleza e encanto... 

 

No final reparei em dois graffitis que não tinha visto inicialmente.

 

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Reparei também que estava bem menos cansada, e pronta para o fim de semana.

 

Sandwich - provavelmente a mais icónica invenção culinária britânica

por Paulina Mata, em 30.05.19

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A semana passada foi a British Sandwich Week. Uma semana para celebrar aquilo que o site oficial diz provavelmente ser a mais icónica invenção culinária britânica.  Diz-se, eventualmente sem grande fundamento, que Lord John Montague, o 4º Conde de Sandwich,  um grande jogador, achava que o tempo era melhor gasto a jogar do que a fazer uma refeição. Assim, pedia aos empregados do casino que lhe trouxessem fatias de carne entre duas fatias de pão. Os amigos que com ele jogavam, começaram a pedir "o mesmo que Sandwich!", rapidamente (possivelmente para não se distraírem do jogo) o pedido passou a ser apenas "Sandwich".

 

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Se inicialmente eram algumas fatias de carne entre duas fatias de pão, rapidamente as possibilidades foram aumentando. No seu país de origem, em qualquer loja que as venda para uma refeição rápida, as variedades são inúmeras, com todos os ingredientes, com sabores mais comuns ou mais exóticos, com vários tipos de pão... Lembro-me que quando há muitos anos comecei a ir a Inglaterra (mesmo sendo a variedade bem inferior à que existe agora) me fascinavam, particularmente as sandwiches de camarão. Por cá comia camarão em dias de festa, de modo que duas fatias de pão de forma recheadas com muitos camarões com um pouco de maionese sabia a festa. Agora raramente as como, mas uma vez por outro apetece-me matar saudades.

 

Para além das sandwiches embaladas, que se vendem um pouco por todo o lado, muitos cafés as vendem também, com variados recheios e sempre acompanhadas de uma salada, a que por vezes juntam umas batatas fritas. São mesmo, em casa ou fora, o menu de almoço de eleição de muitos ingleses.

 

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Mas não só ao almoço as comem, os famosos high tea têm sempre no prato inferior uma variedade de pequenas sandwiches que são comidas antes dos scones e dos bolos e doces que surgem nos pratos acima.

 

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Por cá, apesar de não ser da nossa tradição, bem podíamos ter um pouco mais de imaginação e qualidade nas nossas sandwiches...

 

 

O Brexit e o que se come e bebe

por Paulina Mata, em 03.04.19

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Tenho acompanhado o complexo (para ser simpática) processo do Brexit e vou registando algumas coisas relacionadas com o que se come e bebe (quando se pensa principalmente nisso, é normal...). Guardei as imagens destes dois cartazes que vi já não sei onde.

 

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Mas a melhor de todas foi um comentário do meu neto. Tem 4 anos, e quando os Pais viam a BBC News perguntou:

"Mamã, why are BBC News always talking about soft breadsticks and hard breadsticks?"

 

O que se pode querer mais quando se tem um neto que faz estas perguntas?

 

Desta vez era mentira...

por Paulina Mata, em 02.04.19

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A imagem acima era a do post do 1º de abril do blog da empresa The Meatless Farm Cº. A empresa produz produtos substitutos da carne, 100% de origem vegetal, que são já comercializados no Reino Unido (idênticos a carne picada e hambúrgueres). No 1º de abril "apresentou" este novo produto, um kit com sementes para uma planta que daria algo semelhante a carne picada.

 

O mais engraçado é que várias pessoas acreditaram que era verdade. Interpreto isso como um sinal da qualidade de muitos novos produtos que ontem se pensava serem impossíveis, inconcebíveis mesmo, e que hoje estão aí prontos a serem consumidos.

 

A forma como comemos vai de facto mudar, muito e muito rapidamente. Está a ser fascinante acompanhar o surgimento destes novos produtos. O início de uma revolução na forma como comemos, uma revolução que me parece bem mais profunda, e sobretudo com uma influência mais extensa, do que a que aconteceu há cerca de uma década e meia na alta cozinha.

 

 

 

Não me parece que a intenção seja a mesma... e não gostei...

por Paulina Mata, em 16.03.19

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Há dias fui ao aeroporto, passei junto ao Starbucks e vi este poster. Achei interessante, lembrei-me de um post que escrevi recentemente e fiquei contente por cá se começar também a incentivar as pessoas a levarem o seu próprio copo, até porque o desconto era convidativo. De repente olhei melhor e verifiquei que o desconto apenas se aplicava a quem tivesse copos ou termos daquela cadeia. Seria? Entrei e fui perguntar. Confirmaram-me isso. Para não haver dúvidas perguntei se se eu trouxesse de casa outro copo faziam desconto. A empregada, simpaticamente, disse-me que não fariam desconto, mas serviam o café e eu estava a contribuir para melhorar o ambiente.

 

Dei meia volta e enviei um sms à minha filha a pedir-lhe que confirmasse se em Inglaterra se passava o mesmo. Tinha quase a certeza que não, tanto que há várias cadeias a fazer o mesmo e ninguém andaria com um copo de cada uma. No dia seguinte ela entrou num café da mesma cadeia e foi perguntar. O desconto aplica-se quando se leva qualquer copo, seja deles, seja de outra cadeia, seja a caneca que trouxe de casa. Ainda passou numa loja, que vende termos e copos para estas situações e tirou uma foto da informação sobre o desconto que as várias cadeias ofereciam.

 

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Como se pode ver o desconto é maior cá que no café da mesma cadeia em Inglaterra. Curiosamente o copo é mais caro cá (2 euros, segundo fui informada) do que em Inglaterra (1 libra). Curiosamente também, em Inglaterra cobram mais 5p a quem pede a bebida em copos descartáveis.

 

O espírito em Inglaterra é, ou pelo menos é essa a imagem que transmitem, o de incentivar a consumir menos produtos descartáveis, a produzir menos lixo. O espírito cá, apesar de nos quererem transmitir que é idêntico, parece ser o de fidelizar clientes. Se cá várias cadeias fizessem o mesmo, tínhamos que andar com um copo de cada?!

 

Sinceramente não gostei, era melhor um desconto menor e estendê-lo a todos os que levavam o seu próprio copo, assim fazia sentido. Desta forma, para mim, não faz pois parece-me que a intenção é bem diferente do que a que pretendem transmitir. 

 

 

 

 

Uma boa surpresa no Dia Internacional da Mulher

por Paulina Mata, em 08.03.19

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Fui para beber um chá, mas não o bebi, todas as mesas da L'Éclaire estavam ocupadas. Ao olhar para o balcão dos bolos reparei que cada bolo tinha uma placa de chocolate branco com a foto de uma mulher. Pena ter sido já tarde e haver poucos, gostava de ter visto a montra completa.

 

Estive indecisa entre trazer uma Marie Curie ou uma Amália. Acabei por sair com  a Amália.

 

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Uma boa surpresa no Dia Internacional da Mulher.

 

 

Quando quase se escreve um post que... já estava escrito...

por Paulina Mata, em 28.02.19

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Há dias referi a diversidade de novas coisas que têm aberto na zona do mercado de Arroios. Uma delas é a Zaytouna, uma mercearia com produtos do Médio Oriente que abriu há alguns meses numa das lojas exteriores do mercado.

 

Entrei para ver, não estava a pensar comprar nada, mas saí com uma garrafinha de água de flor de laranjeira. A caminho de casa vinha pensando em como há uns anos havia tantos ingredientes que era necessário trazer quando se viajava, mas agora em Lisboa há uma oferta vasta de produtos e sabores de outras paragens. Vinha também antecipando fazer um "café branco". Depois, ao bebê-lo, recordei a primeira memória que tenho de comer algo com água de flor de laranjeira - os Ovos à Antiga do Restaurante Conventual - nos anos 1980. Quase me ia sentar para escrever sobre isso, mas de repente surgiu-me um dúvida... uma pequena busca e o post estava lá, relatando tudo isto. 

 

Mas a água de flor de laranjeira despertou-me a vontade de fazer uma outra sobremesa muito simples e de que gosto muito, uma sobremesa que aprendi a fazer há muitos anos nas aulas da Cozinhomania, uma salada de laranja com água de flor de laranjeira. Rodelas de laranja descascada, uns salpicos de água de flor de laranjeira, um pouco de açúcar e canela e umas folhas de hortelã. É delicioso!

 

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No Zaytouna ficaram-me os olhos num saco de lima secas, e a vontade de passar lá para as comprar e cozinhar. Nunca cozinhei nada com limas secas. Hei-de ir comprá-las, mas antes tenho que planear o que cozinhar com elas.

 

 

1ª foto DAQUI

2ª Foto DAQUI

 

 

O pequeno-almoço Español

por Paulina Mata, em 03.02.19

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Gosto de longos pequenos almoços. Gosto da diferença de hábitos relativamente aos pequenos almoços. Fascinam-me a diferença de hábitos, mesmo quando a distância é curta. Há umas semanas fui com as minhas três irmãs a Badajoz. De tempos a tempos fazemos um fim se semana algures só nós quatro, sem famílias. Desta vez escolhemos Badajoz porque era lá que antes do Natal, ou quando precisávamos de roupa, ou quando precisávamos apenas de espairecer, os meus pais nos levavam em crianças. A "nossa" loja de brinquedos mágica era  Las Três Campanas, do supermercado Simago vinham os caramelos, os melocotones, os patés... Dos Preciados a roupa. Recordações que são certamente as de muitos portugueses, há quem as descreva de forma a que nos revemos completamente no relato.

 

Cerca de 50 anos depois dessas excitantes viagens a Badajoz, resolvemos voltar, na viagem fomos fazendo a lista de tudo o queríamos ver, como se o tempo não tivesse passado. Badajoz é outra agora, porque os tempos mudaram no quase meio século que passou e a cidade evoluiu, porque os portugueses deixaram de ir comprar caramelos e melocotones. Mas foi igualmente divertido.Estivemos à porta de Las Três Campanas, que já fechou, e o bonito edifício vai ser transformado num hotel. Fomos ao Simago, que já não é Simago, nem tem já os perritos calientes de que nos lembrávamos. Mas foi numa cafetaria lá que acabámos por tomar o nosso primeiro pequeno almoço. Tostadas com cachuela, tomate /hamón ibéricotomate/queso, aceite com miel.

 

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Gosto particularmente das de tomate com presunto que me fizeram lembrar outras (melhores) que tinha comido umas semanas antes em Sevilla.

 

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Há dias li que uma empresa espanhola tinha aberto na Baixa uma loja, que funcionava como charcutaria, mas também servia refeições ligeiras, incluíndo pequenos almoços. Vieram-me logo à memória estas lembranças e uma grande vontade de lá ir tomar o pequeno almoço. E assim foi...

 

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Soube-me bem! Recordou-me também que está na altura de voltar a viajar à mesa em Lisboa. Enquanto comia pensei no que diria se alguém me perguntasse como era um pequeno almoço característico de Portugal. Não sei bem. Algumas sugestões?

 

 

Beher - Rua da Prata, 249 - Lisboa

 

 

 

 

 

Porque há Assins & Assados que marcam os dias... Três Anos Depois...

por Paulina Mata, em 04.01.19

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Tomei consciência agora que hoje é 4 de Janeiro. Ou seja, o Assins & Assados faz três anos hoje!  Vai começar, um novo ano desta aventura que é ter um blog!

 

No primeiro post escrevi:

 

E com a mudança que tem ocorrido no mundo, na gastronomia, na vida... acho que preciso de pensar, de reflectir, de descobrir o que sinto. De certa forma preciso de repensar tudo. Escrever ajuda a aprofundar e arrumar ideias. Este é um dos objectivos deste espaço, que será sobretudo vocacionado para um tema que me apaixona: o que comemos e como comemos... mas que não tem que ser exclusivamente dedicado a ele.

 

O objetivo principal continua esse, mas acho que estou tão confusa como no início... Tudo continua a mudar de forma bastante acelerada. Demasiado...

 

Também escrevi:

 

Ao longo do tempo fui descobrindo que o que escrevo, sobretudo sobre experiências, me ajuda a aprofundá-las e funciona como um arquivo dessas mesmas experiências. Um arquivo onde posso voltar sempre que preciso ou quero. Onde encontro sempre detalhes que a memória e a voracidade dos dias não permitiram manter vivos. E é bom revivê-los...

 

Continua a ter esta função...

 

Mas o mais importante é agradecer a quem está do outro lado do ecrã. Como já tinha dito antes, obrigada aos que comentam, é óptimo trocar impressões convosco. Obrigada aos que não comentam mas, quando me encontram, me dizem que lêem o Assins & Assados (por vezes nem nos conhecíamos pessoalmente antes). É muito gratificante. Obrigada aos que não comentam, mas lêem (eu também leio regularmente vários blogs que nunca, ou raramente, comentei).

 

Até já!

 

PS

Todos os posts têm que ter uma foto, ontem vi esta escultura em Londres e gostei. Achei que era uma boa imagem para comemorar o terceiro aniversário do Assins & Assados.

 

 

 

 

Bom Natal!

por Paulina Mata, em 23.12.18

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Bom Natal!