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Aprender Ciência de forma Divertida e Saborosa

por Paulina Mata, em 29.03.20

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Ter as crianças em casa durante o dia todo, durante muito tempo, exige alguma dose de imaginação para encontrar atividades que as mantenham ocupadas. Fazer experiências para que todos, em família, se divirtam e aprendam ou relembrem alguns factos e conceitos, pode ser uma atividade em que se junta o útil ao agradável.

 

Há uns anos colaborei com a Ciência Viva num projeto europeu - Pollen: Seed Cities for Science, que envolvia 12 países, em que cada uma escolhia uma cidade e algumas das suas escolas do 1º ciclo e, com o envolvimento da comunidade e de investigadores, pretendia-se estimular o interesse das crianças pela ciência e tecnologia. O objetivo era que as sementes lançadas dessem frutos, não só nos diretamente envolvidos, mas em toda a comunidade.

 

Portugal escolheu envolver as famílias, pareceu-nos que usar os alimentos como base para as atividades de ciência era uma boa opção. De facto, havia algum conhecimento acumulado com as atividades A Cozinha é um Laboratório que há alguns anos eram desenvolvidas, primeiro no Pavilhão do Conhecimento, e depois noutros Centros de Ciência.  

 

Nesse contexto, e para lá do trabalho com as escolas, escrevemos um livrinho dirigido às famílias, incentivando-as a experimentar e descobrirem alguns conceitos científicos em conjunto. O livro está disponível online. 

 

Aprender ciência de forma divertida e saborosa - Sugestões de experiências para fazer em família 

 

Lembrei-me dele e de que neste período poderia ser útil para algumas famílias.

 

 

Se está com preguiça, ou se lidar com a Saccharomyces cerevisae não é o seu forte, experimente fazer um pão de cerveja

por Paulina Mata, em 25.03.20

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Houve alturas em que fazia muito pão, quase todo o que comia. Há dois anos quase deixei de fazer. Consigo comprar melhor pão perto de casa e, sobretudo, o tempo disponível é pouco. O pão ficou esquecido. Tenho frascos da minha massa mãe no congelador, e também um frasco com parte dela seca. Estão à espera de oportunidade de voltarem a mostrar o que valem.

 

Na situação que estamos a viver, e porque tenho cumprido o isolamento social muito rigorosamente, voltei a fazer todo o pão que como. A massa mãe ainda não saiu do congelador. Passar de um dia para o outro de dar aulas presenciais a dar aulas online, e muitas aulas nos últimos dias, não me permitiram ainda ter disponibilidade (se calhar sobretudo mental) de dar oportunidade à massa mãe. Mas o número de saquinhos de levedura seca da minha despensa tem vindo a diminuir substancialmente. Ou seja, tenho feito pão pelo menos de dois em dois dias. Hoje não me apetecia amassar, estava mesmo com preguiça. No frigorífico estava uma cerveja esquecida há muito e, para variar o tipo de pão, fiz o meu pão de cerveja que dá muito pouco trabalho.

 

Se lhe apetece fazer pão, ou precisar de o fazer, e lidar com a Saccharomyces cerevisae (mais conhecida por fermento de padeiro) não é o seu forte, experimente este.

 

Pão de Cerveja

400 g de farinha com fermento

1 colher de chá de fermento para bolos (Royal ou outro - mas se não tiver pode não usar) 

1 colher de sopa de açúcar (facultativo)

1,5 colheres de chá de sal

1 lata de 33 cl de cerveja à temperatura ambiente

 

1- Aqueça o forno a 180 ºC.

2- Deite numa tigela a farinha, o açúcar, o sal e a cerveja e mexa bem com um garfo. A massa pode ficar com alguns grumos pequenos, é preferível do que mexer demais.   

3- Deite numa forma de bolo inglês untada com azeite.

4- Coza durante cerca de 50 minutos a 1 hora. Se quiser mais douradinho, nos últimos 10 minutos suba o forno para 200 ºC.

 

PS

Há muito que faço com cerveja e nunca me tinha lembrado de experimentar com água com gás, hoje experimentei (300 g de farinha com fermento para 250 ml de água) e resultou muito bem, fica com um sabor mais neutro.

Bolos de Chocolate - Cozinhar com as Crianças

por Paulina Mata, em 18.03.20

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O meu neto adora ajudar a cozinhar. Fazer bolos de chocolate é uma das suas atividades preferidas, sempre que estou com ele frequentemente diz.  "Avó, vamos fazer bolos de chocolate.". Mede os ingredientes, mistura, e até parte os ovos sozinho desde os 4 anos. Depois põe pedacinhos de chocolate nos bolos, e aguarda ansiosamente comer o que ficou na tigela. Estes bolos são cozidos no micro-ondas, demoram apenas 2 minutos. Lembro-me da primeira vez em que fizemos, de como olhava admirado para a porta do forno de micro-ondas, e ao ver os bolos a crescer dizer "Oh my goodness! What is happening?".  Nesta altura, em que as crianças estão por casa e é preciso inventar diariamente atividades, pode ser uma boa opção.

 

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Misturam tudo numa tigela. Se tiverem formas de queque de silicone, que possam ir ao micro-ondas, dividam a mistura por 5 formas. Ponham-nas num prato raso, e podem pôr lentilhas de chocolate, pedacinhos de uma tablete, frutos secos... o que quiserem por cima. Levem ao micro-ondas, na potência máxima, por 2 minutos. Depois é só comer.

 

Se não tiverem as forminhas, há outra opção, não ficam tão bonitos, mas ficam igualmente bons. Misturem tudo muito bem dentro de uma caneca que possa ir ao micro-ondas. Ponham a caneca os 2 minutos no micro-ondas, depois desenformem e cortem em pedaços. Tempo de cozedura mais longo pode deixar o bolo seco.

 

E se não forem crianças e vos apetecer um bolo de chocolate, façam também. Eu por vezes faço.

 

 

 

 

É altura de ficar por casa, de nos mimarmos

por Paulina Mata, em 13.03.20

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Tudo muda por estes dias, de forma muito rápida. Tudo é novo, tudo seria inacreditável há poucos dias. O exterior perdeu atração, esperemos que por pouco tempo. É altura de ficar por casa, de nos mimarmos. Fazer pão pode ser uma boa atividade. Acho que amanhã vou fazer o meu Monkey Bread.

 

Monkey Bread

Parte A

½ chávena de água

½ chávena de natas com umas gotinhas de sumo de limão (ou  metade natas, metade iogurte)

3 chávenas de farinha

1 carteirinha de fermento para pão

1,5 colheres de chá de sal

2 colheres de sopa de manteiga amolecida

2 colheres de sopa de açúcar

 

Parte B

4 dentes de alho picados 

2  colheres de chá de folhas de tomilho 

4 colheres de sopa de manteiga derretida

 

1- Misture todos os ingredientes da Parte A e amasse. Se fôr necessário junte mais um pouco de água (ou farinha), a massa deve ficar elástica e sem se agarrar às mãos, mas não muito seca. Deixe levedar mais ou menos até duplicar de volume.

2 -  Divida a massa em cerca de 40 pedaços.

3 -  Entretanto misture os ingredientes da Parte B e ponha num prato. Com cada pedaço da massa de pão faça uma bolinha e passe-a pela mistura da manteiga. Ponha numa forma de bolo sem buraco. Não deixe muito apertado porque crescem. Pode pôr uma camada em baixo e depois os outros numa segunda camada.

4 - Deixe de novo levedar até quase duplicar.

5 - Leve ao forno a 180 – 200º  entre 20 e 30 minutos, até ficar dourado.

(1 chávena = 250 ml)

 

Para comer não se parte, basta agarrar num dos pedaços e puxar. E a seguir outro, e mais outro...

 

 

Que 2020 seja um bom ano!

por Paulina Mata, em 04.01.20

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Que 2020 seja um bom ano! Já não peço que seja um ano excelente, óptimo, feliz...  Nesta época um pouco louca em que vivemos, se for bom já vale muito.

 

O meu começou com uns dias a preguiçar, e com a realização, logo no dia 1, de um projeto que há muito queria pôr em prática, um afternoon tea vegano para um lanche em família. Agora é fazê-lo melhor ainda e mais variado. 

 

Aqui fica também um desejo. Este depende de vós... Que os comentários anónimos deixem de ser completamente anónimos. Não preciso de saber o nome real e não preciso de associar cada nome a uma cara. Mas cada um de vós tem uma personalidade que vamos aprendendo a conhecer. Se são todos apenas anónimos fica difícil fazê-lo. Não tenho que vos conhecer melhor, mas é mais interessante se assim for... Podem ser o Anónimo nº 99, o Anónimo dos Olhos Azuis (mesmo que os tenha castanhos)... o que quiserem! O objetivo é associar cada conjunto de comentários a uma pessoa.  Gostava muito!

 

Mais uma vez um BOM 2020 para todos!

 

Pós-Natal...

por Paulina Mata, em 28.12.19

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Diálogo num supermercado com as prateleiras muito vazias em resultado de um período de festas...

Eu - Leva dois pacotes de batatas fritas.

Ela - Já tirei umas com sal, queres algumas com aromas?

Eu - Detesto batatas com aromas. Leva duas com sal.

 

Umas prateleiras adiante, com saldos de final de época...

Eu - Adoro! Já viste estas são para quem gosta de couves de Bruxelas, aquelas para quem não gosta. Vamos levar as das couves de Bruxelas?

Ela - Mas não acabaste de dizer que não gostas de batatas com aromas?

Eu - Sim. Mas quem é que consegue resistir a umas batatas fritas com sabor a couves de Bruxelas? 

 

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Divertido! Acho que até poderiam ter o seu mercado.

 

As de Turkey & Stuffing também reproduziam o sabor. Mas passadas várias horas ainda tinha aquele cheiro nas mãos, apesar de as ter lavado várias vezes. Já estava enjoada! Falta provar as de Pigs in Blankets! Fica para amanhã... De facto ninguém cá por casa gosta muito de batatas com aromas. Mas quem é que resiste a umas batatas fritas com aroma a Couves de Bruxelas? Todos temos o nosso preço...

 

 

Bom Natal!

por Paulina Mata, em 23.12.19

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BOM NATAL!

 

 

O Cais do Ginjal com a sua beleza dura... e Lisboa na outra margem...

por Paulina Mata, em 01.06.19

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Gosto muito de Lisboa vista do outro lado do Tejo. Gosto da azáfama de Cacilhas. Gosto de atravessar o Tejo de barco (mas não dos barcos, são bonitos vistos de fora, dentro nem por isso). Usar o comboio que atravessa a ponte para regressar a Lisboa dá-me a sensação de "regresso do trabalho", usar o barco dá-me a sensação de "sair da rotina do quotidiano, de quase férias". Faço-o frequentemente às sextas feiras, ou quando estou distraída e me esqueço de sair no Pragal (o que aconteceu hoje à tarde, e aproveitei para comer uns caracóis antes de apanhar o barco).

 

Há anos que andava a pensar dar um passeio ali pelo Cais do Ginjal. Nunca o tinha feito. Numa sexta feira recente  estava tão cansada que achei que precisava mesmo de algo diferente, que me fizesse sentir de férias, ainda mais do que o barco, e meti-me a caminho.

 

A vista de Lisboa do outro lado do rio deixa-me sempre com a respiração suspensa... é tão bonito! Gosto daquela visão de fora, sem sentir as pessoas, o movimento, os sons, quase sem vida, como se fosse uma pintura. Podemos distanciar-nos e  imaginar a cidade como quisermos. 

 

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A caminhada durou uns 15 minutos, sabia que havia uns restaurantes no final, mas durante muito tempo nem vestígios deles. De um lado o rio, do outro um conjunto de prédios degradados.

 

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O rio limpíssimo, as águas completamente transparentes.

 

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A certa altura vislumbrei os restaurantes que sabia ali estarem.

 

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Sentei-me numa mesa, curiosamente o empregado de mesa fez um enorme esforço para me convencer a ficar dentro do restaurante, numa sala escura, sem vista para o exterior... não entendi o objetivo. Fiquei na esplanada.

 

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Pedi algo para comer, nada de memorável... Estava a começar a ficar fresco, e eu tinha-me esquecido de trazer o casaco, pedi uma manta. Ainda dava uma maior sensação de férias, estar ali com uma manta pelos ombros a ver Lisboa do outro lado...

 

Ao fundo um elevador que permite um acesso diferente aquele espaço. Deve ser uma experiência engraçada, mas não o usei. Talvez noutra oportunidade.

 

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Regressei pelo mesmo caminho.

 

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Todos aqueles edifícios degradados e todos aqueles graffitis coloridos, têm uma beleza própria e dura de que gosto muito. Contudo, acho difícil entender como é que um espaço como aquele, com uma vista belíssima e o rio logo ali ao lado, está naquele estado. Li posteriormente que há planos para ali serem construídos casas, hostels, espaços para indústrias criativas, lojas, praças e passeios largos. De facto o espaço tem todo o potencial para isso. Mas não terá mais aquele tipo de beleza e encanto... 

 

No final reparei em dois graffitis que não tinha visto inicialmente.

 

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Reparei também que estava bem menos cansada, e pronta para o fim de semana.

 

Sandwich - provavelmente a mais icónica invenção culinária britânica

por Paulina Mata, em 30.05.19

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A semana passada foi a British Sandwich Week. Uma semana para celebrar aquilo que o site oficial diz provavelmente ser a mais icónica invenção culinária britânica.  Diz-se, eventualmente sem grande fundamento, que Lord John Montague, o 4º Conde de Sandwich,  um grande jogador, achava que o tempo era melhor gasto a jogar do que a fazer uma refeição. Assim, pedia aos empregados do casino que lhe trouxessem fatias de carne entre duas fatias de pão. Os amigos que com ele jogavam, começaram a pedir "o mesmo que Sandwich!", rapidamente (possivelmente para não se distraírem do jogo) o pedido passou a ser apenas "Sandwich".

 

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Se inicialmente eram algumas fatias de carne entre duas fatias de pão, rapidamente as possibilidades foram aumentando. No seu país de origem, em qualquer loja que as venda para uma refeição rápida, as variedades são inúmeras, com todos os ingredientes, com sabores mais comuns ou mais exóticos, com vários tipos de pão... Lembro-me que quando há muitos anos comecei a ir a Inglaterra (mesmo sendo a variedade bem inferior à que existe agora) me fascinavam, particularmente as sandwiches de camarão. Por cá comia camarão em dias de festa, de modo que duas fatias de pão de forma recheadas com muitos camarões com um pouco de maionese sabia a festa. Agora raramente as como, mas uma vez por outro apetece-me matar saudades.

 

Para além das sandwiches embaladas, que se vendem um pouco por todo o lado, muitos cafés as vendem também, com variados recheios e sempre acompanhadas de uma salada, a que por vezes juntam umas batatas fritas. São mesmo, em casa ou fora, o menu de almoço de eleição de muitos ingleses.

 

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Mas não só ao almoço as comem, os famosos high tea têm sempre no prato inferior uma variedade de pequenas sandwiches que são comidas antes dos scones e dos bolos e doces que surgem nos pratos acima.

 

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Por cá, apesar de não ser da nossa tradição, bem podíamos ter um pouco mais de imaginação e qualidade nas nossas sandwiches...

 

 

O Brexit e o que se come e bebe

por Paulina Mata, em 03.04.19

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Tenho acompanhado o complexo (para ser simpática) processo do Brexit e vou registando algumas coisas relacionadas com o que se come e bebe (quando se pensa principalmente nisso, é normal...). Guardei as imagens destes dois cartazes que vi já não sei onde.

 

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Mas a melhor de todas foi um comentário do meu neto. Tem 4 anos, e quando os Pais viam a BBC News perguntou:

"Mamã, why are BBC News always talking about soft breadsticks and hard breadsticks?"

 

O que se pode querer mais quando se tem um neto que faz estas perguntas?