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Quando quase se escreve um post que... já estava escrito...

por Paulina Mata, em 28.02.19

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Há dias referi a diversidade de novas coisas que têm aberto na zona do mercado de Arroios. Uma delas é a Zaytouna, uma mercearia com produtos do Médio Oriente que abriu há alguns meses numa das lojas exteriores do mercado.

 

Entrei para ver, não estava a pensar comprar nada, mas saí com uma garrafinha de água de flor de laranjeira. A caminho de casa vinha pensando em como há uns anos havia tantos ingredientes que era necessário trazer quando se viajava, mas agora em Lisboa há uma oferta vasta de produtos e sabores de outras paragens. Vinha também antecipando fazer um "café branco". Depois, ao bebê-lo, recordei a primeira memória que tenho de comer algo com água de flor de laranjeira - os Ovos à Antiga do Restaurante Conventual - nos anos 1980. Quase me ia sentar para escrever sobre isso, mas de repente surgiu-me um dúvida... uma pequena busca e o post estava lá, relatando tudo isto. 

 

Mas a água de flor de laranjeira despertou-me a vontade de fazer uma outra sobremesa muito simples e de que gosto muito, uma sobremesa que aprendi a fazer há muitos anos nas aulas da Cozinhomania, uma salada de laranja com água de flor de laranjeira. Rodelas de laranja descascada, uns salpicos de água de flor de laranjeira, um pouco de açúcar e canela e umas folhas de hortelã. É delicioso!

 

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No Zaytouna ficaram-me os olhos num saco de lima secas, e a vontade de passar lá para as comprar e cozinhar. Nunca cozinhei nada com limas secas. Hei-de ir comprá-las, mas antes tenho que planear o que cozinhar com elas.

 

 

1ª foto DAQUI

2ª Foto DAQUI

 

 

A minha estranha relação com o bacalhau

por Paulina Mata, em 17.02.19

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Era certo e sabido que à sexta feira a hora da refeição era tensa. Em criança / adolescente vivia numa pequena localidade da Beira Baixa, a disponibilidade de peixe não era a atual e, lá em casa, à sexta-feira não se comia carne. Recorria-se frequentemente ao bacalhau. Não gostava de bacalhau, não queria comer, mas a minha Mãe insistia que comesse... Eu não conseguia achar graça aquilo...

 

Hoje como bacalhau, com gosto. Mas se, de repente, me perguntarem se gosto de bacalhau, e me derem apenas uns segundos para responder, não responderei com convicção que sim. Talvez até diga que não, também se convicção. Hoje como bacalhau, e gosto, de alguns pratos gosto muito. Contudo, raramente cozinho bacalhau.

 

Lembro-me de ter saudades de bacalhau num ano em que vivi fora, quase há 30 anos. Vim no Natal e levei um bacalhau. Fiz pastéis de bacalhau, bacalhau assado, bacalhau à Braz...

 

Considerando esta minha estranha relação com o bacalhau, nunca me aventurei por aquelas partes "menos nobres" deste - caras, línguas, sames... Nunca entraram na minha cozinha, nem na da minha família. Lembro-me de uma das minhas irmãs (cujo aniversário seria hoje) me dizer que estava a cozinhar caras de bacalhau. Fiquei com a cara meio franzida, não achei de todo atraente (e continuo a achar que nunca comi). Há uns anos comi sames, adorei! Nunca cozinhei, mas já voltei a comer várias vezes. Gosto daquela textura. 

 

Há umas semanas, para uma demonstração de emulsões para uma aula, um dos meus alunos (por sinal brasileiro) sugeriu fazer um pil-pil com línguas de bacalhau. Tive que admitir que nunca tinha cozinhado línguas de bacalhau, nem as sabia cozinhar, ele fez.

 

Uns dias depois fui ao supermercado e vi à venda línguas de bacalhau. Achei que era altura de lhes dar uma oportunidade, e trouxe uma embalagem. Fiz línguas de bacalhau panadas. Gostei de ficar mais "esperta" com a experiência de cozinhar uma coisa diferente. Souberam-me bem com um arroz de tomate* com pimento. Mas a sensação continua a ser a mesma - gosto, mas... Nem sei o que é o mas... mas que há sempre alguma resistência, há.

 

Ao lado estavam embalagens de sames, um dia destes dou-lhes a oportunidade de entrarem na minha cozinha.

 

 

* Pois, eu sei que não é altura do tomate, mas usei tomate em conserva. A atual obsessão com a sazonalidade às vezes quase leva a que se esqueçam coisas bem importantes e interessantes.

Em miúda lembro-me de na época do tomate a minha Mãe fazer conserva de tomate em casa. Vivíamos numa localidade pequena da Beira Baixa, o acesso a vários produtos era limitado. No quintal havia muito tomate no verão, que não consumíamos todo, fazia-se conserva para o inverno e também  muito doce de tomate (o único que havia, a par da marmelada).  Gosto deste conhecimento, e do engenho e arte para desenvolver técnicas para conservar alimentos, e dos novos sabores desses alimentos.

O sabor do tomate em conserva no inverno faz parte das minhas memórias gastronómicas e não tenho nada contra ele, antes pelo contrário. E, já agora, temos mesmo ótimas conservas de tomate produzidas pela indústria alimentar.

 

 

1ª foto adaptada DAQUI

 

 

O pequeno-almoço Español

por Paulina Mata, em 03.02.19

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Gosto de longos pequenos almoços. Gosto da diferença de hábitos relativamente aos pequenos almoços. Fascinam-me a diferença de hábitos, mesmo quando a distância é curta. Há umas semanas fui com as minhas três irmãs a Badajoz. De tempos a tempos fazemos um fim se semana algures só nós quatro, sem famílias. Desta vez escolhemos Badajoz porque era lá que antes do Natal, ou quando precisávamos de roupa, ou quando precisávamos apenas de espairecer, os meus pais nos levavam em crianças. A "nossa" loja de brinquedos mágica era  Las Três Campanas, do supermercado Simago vinham os caramelos, os melocotones, os patés... Dos Preciados a roupa. Recordações que são certamente as de muitos portugueses, há quem as descreva de forma a que nos revemos completamente no relato.

 

Cerca de 50 anos depois dessas excitantes viagens a Badajoz, resolvemos voltar, na viagem fomos fazendo a lista de tudo o queríamos ver, como se o tempo não tivesse passado. Badajoz é outra agora, porque os tempos mudaram no quase meio século que passou e a cidade evoluiu, porque os portugueses deixaram de ir comprar caramelos e melocotones. Mas foi igualmente divertido.Estivemos à porta de Las Três Campanas, que já fechou, e o bonito edifício vai ser transformado num hotel. Fomos ao Simago, que já não é Simago, nem tem já os perritos calientes de que nos lembrávamos. Mas foi numa cafetaria lá que acabámos por tomar o nosso primeiro pequeno almoço. Tostadas com cachuela, tomate /hamón ibéricotomate/queso, aceite com miel.

 

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Gosto particularmente das de tomate com presunto que me fizeram lembrar outras (melhores) que tinha comido umas semanas antes em Sevilla.

 

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Há dias li que uma empresa espanhola tinha aberto na Baixa uma loja, que funcionava como charcutaria, mas também servia refeições ligeiras, incluíndo pequenos almoços. Vieram-me logo à memória estas lembranças e uma grande vontade de lá ir tomar o pequeno almoço. E assim foi...

 

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Soube-me bem! Recordou-me também que está na altura de voltar a viajar à mesa em Lisboa. Enquanto comia pensei no que diria se alguém me perguntasse como era um pequeno almoço característico de Portugal. Não sei bem. Algumas sugestões?

 

 

Beher - Rua da Prata, 249 - Lisboa

 

 

 

 

 

Associando memórias de infância a memórias mais recentes, de descoberta de outras culturas e outros sabores

por Paulina Mata, em 14.01.19

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Penso que foi há cerca de 10 anos que reparei nele pela primeira vez, no mel com trufa branca. Do lugar onde o vi, não tenho dúvidas, foi no Borough Market. Lembro-me da banca - trufas, um grande aquário de vidro cheio de ovos e com uma trufa dentro para os aromatizar, frasquinhos de azeite com trufa, e os frascos de mel com trufa. Não era fácil deparar com algo assim! Um frasco de mel aberto, ali ao lado pequenos cubinhos de pão. Provei, gostei, e trouxe um.

 

Não sei porquê, mas esteve muito tempo numa prateleira da minha cozinha. De vez em quando comia um pouco, mas durou muito tempo. 

 

Lembro-me de em criança a minha Mãe nos dar pão com manteiga e mel. Uma fatia de pão barrada com manteiga e um fio de mel por cima, não muito, o suficiente para aromatizar, para adoçar levemente. Nalgumas dentadas apenas se adivinhava o sabor do mel, noutras era mais evidente. Era tão bom! Um dia barrei uma fatia de um bom pão com manteiga e pus por cima um fio daquele mel. Delicioso!

 

A partir daí, sempre que vou ao Borough Market trago um frasco de mel com trufa branca que como, quase todo, com pão com manteiga. Uma forma de associar memórias de infância a memórias mais recentes. Gosto do cheiro quando abro o frasco, gosto do sabor. Gosto que em algumas dentadas apenas se adivinhe o sabor do mel, e noutras seja mais evidente. 

 

Há uns dias cheguei a Londres a meio da manhã, tinha planeado o local de almoço. Tinha uma hora pelo meio sem planos. Onde vou? Uma ideia surgiu logo... ao Borough Market comprar um frasco de mel com trufa branca. Acho que o último o tinha comprado já há cerca de um ano. 

 

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Delicioso! Gosto que simultaneamente me remeta para a infância, e para uma idade adulta, a descoberta de outras culturas e outros sabores.

 

 

Quando as saudades batem... há que matá-las! (4)

por Paulina Mata, em 05.11.18

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Gosto de pequenos almoços, sentada à mesa, com tempo, variados. Durante o ano que estive fora tinha maior flexibilidade de tempo e frequentemente tinha pequenos almoços assim, em casa ou fora. A escolha era vasta e havia que desfrutar das oportunidades.

 

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Uma vez até fui até Warwick para tomar o pequeno almoço, pois soube que havia lá uma café português.

 

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Não é que cá não haja hipótese de tomar um bom pequeno almoço. As nossas pastelarias, oferecem grande variedade, e se forem boas, pode ser mesmo muito bom. Mas queria matar saudades, e não era isso que me apetecia. Mais, nunca bebi café, um expresso ainda é algo que não bebo, a não ser muito, muito raramente, mas o ano passado habituei-me aos omnipresentes cappuccinos, lattes, mochas e quejandos, e apetecia-me um bom cappuccino ou qualquer coisa semelhante.

 

Sexta à noite resolvi planear o pequeno almoço de sábado e a escolha recaiu no Fábrica - Coffee Roasters, onde nunca tinha ido, pois achei que cumpria os requisitos para matar as saudades. Cheguei a um espaço quase cheio (alguns minutos depois e seria um espaço com fila de espera), sentei-me, pedi, e fui olhando em volta. Pareceu-me que uma percentagem muito elevada das pessoas eram estrangeiros, o espaço era agradável e pelo que fui vendo chegar para as outras mesas achei que não me tinha enganado na escolha do local. 

 

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Quando comi os ovos escalfados com salmão, sobre pão escuro e abacate, com rúcula e tomate seco, acompanhados de um excelente sumo de laranja e de um ótimo e cremosos cappuccino, confirmei que não me tinha enganado mesmo. Soube-me tão bem!

 

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Vou voltar, e também descobrir outros espaços assim em Lisboa.

 

À saída passei à porta da Igreja de São Domingos, e entrei, é um espaço que sempre me impressiona.

 

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Depois fui matar outra saudades...

 

 
Fábrica - Coffee Roasters - Rua das Portas de Santo Antão, 136, Lisboa
 
 
 

 

Saudades e algumas questões...

por Paulina Mata, em 28.10.18

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Recebo uma mensagem que diz: "Mãe, estamos num sítio que gostas muito, no The Greyhound Inn." .  É verdade que gosto muito, e rapidamente me lembrei da última refeição que lá comi, há cerca de dois meses:

 

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 Sizzling king prawns in a chilli, garlic, ginger, lemon grass & parsley butter served with crispy ciabatta

 

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Baked mushrooms in a creamy garlic & parsley sauce served on a garlic ciabatta topped with a pancetta crumb

 

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Slow braised blade of beef on a bubble and squeak mash with honey glazed roasted vegetables, wilted greens and red wine reduction

 

Lembro-me de uma comida conforto e muito saborosa, de um ambiente acolhedor de pub, do ruído característico destes espaços, da janela com vista para o canal mesmo ali à porta.

 

 

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Do passeio à beira do canal depois do almoço, com um ambiente calmo e barcos sempre a passar. Lembro-me das pequenas eclusas e de por vezes ficar a observar todo o processo necessário para as passar.

 

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Disse-lhes: "Divirtam-se e aproveitem!". Pensei "Já tenho saudades!".

 

Mas mais do que isso, pensei que os ingleses preservam muito bem estes espaços com características muito particulares, modernizando-os por vezes, mas sem os descaracterizar. Mais do que isso, são espaços muito vividos. Pensei também na comida, pratos tradicionais sempre tão presentes, os Sunday Roast que continuam a ser sempre oferecidos ao domingo em muitos espaços, os Cream Teas disponibilizados em todo o lado...

 

Pensei, que era bom que também nós fizéssemos isto. Mas rapidamente me apercebi que também continuamos a fazê-lo, a nossa comida tradicional ainda é muito presente nalguns espaços. Não sei se mais se menos, não sou capaz de avaliar.

 

De seguida veio-me à memória uma frase muito dita por portugueses que vão a Inglaterra: "Não se come nada de jeito. Não têm cozinha própria.", nada mais longe da verdade. De facto a perspectiva depende da pequena amostra que vimos, depende das expetativas, ou seja depende da experiência que temos no local e da nossa experiência prévia, e também do nosso feitio, dos nossos gostos, do nosso grau de abertura. Haverá uma verdade absoluta?

 

Mas tenho saudades... E de repente veio-me à memória uma visita a uma exposição no Birmingham Museum & Art Gallery em que ao ler o processo de preparação daquela exposição temporária dizia:

 

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Eucryphia lucida, Tasmânia... a culpa é do mel!

por Paulina Mata, em 13.10.18

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Nunca tinha ouvido falar da Eucryphia lucida, também conhecida por Tasmanian Leatherwood.  Uma árvore de tamanho médio ou um grande arbusto comum na Tasmânia.

 

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Aliás, para ser franca, sabia que a Tasmânia era na Austrália, mas nem era capaz de a localizar, e muito menos sabia que era uma ilha separada do resto do território da Austrália. Pois esta árvore, nativa da Tasmânia, é a principal planta cujo néctar é lá usado pelas abelhas para produzir o mel, cerca de 70% do mel da Tasmânia é de Leatherwood. Há dias, deram-me a provar um mel Leatherwood da Tasmânia e o impacto foi tal que me levou a querer saber mais.

 

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Eu gosto de mel, se me pedissem para dizer uma coisa que associasse a uma comida conforto, era provável que dissesse pão com manteiga e mel. A minha Mãe dava-nos frequentemente para o lanche pão com manteiga com um fio de mel por cima. De vez em quando ainda o como. Delicioso!

 

Bem, mas deixando estas memórias de lado, e voltando ao mel da Tasmânia... Era fluído mas espesso, com pequeníssimos cristais que o tornavam cremoso e se desfaziam na boca. O sabor era diferente de todos os outros, por isso foi até incluído na Arca dos Sabores do Slow Food. Muito floral, um leve sabor a especiarias, um sabor complexo. Delicioso!  Daqueles sabores cuja memória persiste ao longo do tempo, e de que de vez em quando nos lembramos, e nos apetece mais...

 

Não vou dizer quem me deu, senão ainda aparece toda a gente a pedir para provar o mel. Mas um dia destes, como quem não quer a coisa, apareço para almoçar e jantar... e quem sabe comer um pouco mais de mel da Tasmânia.

 

 

1ª Foto DAQUI

2ª Foto DAQUI

 

Joël Robuchon - os livros e o puré

por Paulina Mata, em 08.08.18

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Comprei o primeiro livro de Joël Robuchon, em Paris, no final dos anos 1980. Curiosamente, creio que foi também o primeiro livro que ele escreveu - Ma Cuisine Pour Vous. 

 

Nunca tinha ido a nenhum restaurante do nível dos dele, não tinha possibilidade de o fazer, mas tinha curiosidade em saber o que faziam os grandes chefes franceses. Para ter alguma ideia, comprei vários livros desta coleção publicada pela Robert Laffont, e entre eles o de Joël Robuchon.:

 

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Muitas vezes tenho lido chefes de renome, entre eles Ferran Àdria e Heston Blumenthal, referir a importância destes livros na sua formação, já os vi descritos como bíblias da Nouvelle Cuisinne.  

 

Anos mais tarde comprei um outro sobre batatas, ou não estivesse o nome dele ligado ao puré de batata elevado à perfeição. Puré de batata esse que tive oportunidade de provar uma vez, há 9 anos, no L'Atelier de Joël Robuchon em Londres. 

 

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Soube hoje (é o que faz estar de férias e um pouco desligada das notícias) que  Robuchon tinha morrido há dois dias. Lembrei-me de tudo isto. Não tenho os livros perto, senão tinha ido dar-lhes uma vista de olhos, em jeito de homenagem por tudo o que fez pela cozinha, pelo seu talento. Mas fui ver o que escrevi no Forum da Nova Crítica sobre a ida ao restaurante dele e o puré de batata. 

 

Pois a primeira semana deste mês (Agosto de 2009) foi uma semana de primeiras vezes. Uma outra foi o L'Atelier de Joel Robuchon, em Londres. 

Não marquei, apareci e tive lugar, mas estava quase cheio. Devo dizer que prefiro mil vezes comer a uma mesa do que ao balcão. Lá também há mesas, mas estando sozinha e tendo em conta a disponibilidade de lugares, comi ao balcão. 

O serviço assim, assim. Simpáticos, mas não muito eficientes. Sobretudo se tivermos em conta que tem 2 estrelas. 
E às vezes uma "familiaridade" excessiva. A empregada perguntou-me de onde era, não sei se é relevante, mas tudo bem. Disse-me as palavras que sabia em português: "Tudo bem?" podia ser mais grave... Perguntei-lhe de onde era e ela disse-me "De Paris. Uma cidade muito, muito aborrecida." Não é grave, mas disse-me bem mais do que eu queria saber. 

Fui ao almoço e o menu do almoço custava: 
2 pratos - 19£ 
3 pratos - 25£ 

Não foi o que comi, mas foi o que os meus vizinhos do lado comeram e portanto vi. Pareceu-me simpático, mas nada de especial. Mas comeram os dois entrada e prato e uma garrafa de vinho inteira por cerca de 70 £. (A proximidade também me permitiu ver a conta) 

Eu escolhi os pratos pequenos, disseram-me que escolhesse três, vi vários que gostaria. Decidi por um que tinha o famoso puré e mais dois. Verifiquei depois que os três estão incluídos no menu de degustação (Menu decouvert). 

E assim foi: 

 

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 LA NOIX DE SAINT-JACQUES poêlée au fregola avec une émulsion coraline (Seared scallop fregola with lobster foam) 

 

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 LE FOIE GRAS de canard chaud, rhubarbe confite à la grenadine (Hot foie gras with confit rhubarb) 

 

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LA CAILLE au foie gras et caramélisée avec une pomme purée truffée (Free range quail stuffed with foie gras and truffled mashed potatoes) 

 
(Vinha mais puré do que o que estava no prato) 

Para sobremesa 

 

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LA PERLE DE CHOU au praliné noisette, crème madame à la vanille de Tahiti (Chou pastry with praline hazelnuts, Tahiti vanilla cream)
 


Não sei se há razão para tudo o que tem sido dito sobre o puré de batata (a avaliar pelo que comi). Não sei se há razão para tanto... mas tenho que reconhecer que era muito bom. 
O pão excelente, mesmo muito bom. Tudo tecnicamente perfeito. Uma óptima refeição. 

Mas... há muitas vezes que saio de um restaurante com pena de ter acabado, ou com vontade de voltar no dia seguinte. Ali não. Era tudo muito perto da perfeição, mas não me emocionou. Se calhar as histórias que me contavam não são as que me interessam mais. Era tudo muito certinho, muito perfeito, mas não me dava margem para sonhar. Os sabores complexos, mas muito fortes e intensos. Eu gosto de mais mistério e subtileza. Há obviamente uma busca da perfeição, mas do meu ponto de vista, falta irreverência. 
Em resumo excelente, mas não é a cozinha que me emociona. 

O espaço... já disse que balcão não faz parte das minha predilecções, nem aquele tipo de serviço, nem a decoração do espaço, mas isso são gostos pessoais e nada têm a ver com a comida.

 

Foi bom recordar, tudo isto e os tempos do Forum da Nova Crítica também. Gostei muito de ler o tópico, que saudades daquelas conversas! Achei engraçado continuar a rever-me em  quase tudo o que disse...

 

 

 

 

Quando as saudades batem... há que matá-las! (3)

por Paulina Mata, em 04.08.18

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Durante muitos anos poucas referências havia fora de Portugla aos nossos produtos e cozinha. Agora vão aparecendo mais. Se calhar é um pouco parolo (mas o que importa? é bom ser parolo de vez em quando...), mas sempre que vejo fico contente.  Acontece que a cadeia de cafés Costa, já há uns tempos, tem à porta e por todas as montras cartazes a divulgar um novo menu de café com pastel de nata.

 

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Há dias entrei para ver, e havia um tabuleiro cheio. Não tinham ar dos melhores pastéis de nata que tinha visto. Mas eram pastéis de nata, e a vida não é só feita do melhor...

 

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Comprovei que não eram os melhores pastéis de nata do mundo, mas deu para matar saudades.

 

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Quando as saudades batem... há que matá-las! (1)

por Paulina Mata, em 27.07.18

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Estou longe, mas isso não significa que trabalhe menos. De facto tenho trabalhado imenso, às vezes é quase uma violência. Há dias já não aguentava mais corrigir trabalhos, já não aguentava mais estar sentada no computador... meti-me no autocarro para ir ao centro ver gente e almoçar. Nem sabia bem o quê, qualquer coisa, o importante era mesmo descansar, e ver gente.

 

Quando cheguei, e enquanto pensava para onde me ia dirigir para almoçar, passei em frente de uma esplanada e vi no chão uma asa de frango, não olhei com muita atenção, mas pareceu-me frango assado. Aí, fez-se luz! Era mesmo isso, frango assado! Matar algumas saudades de casa e dos sabores de casa. A pouco mais de 5 minutos de onde estava havia um Nando's. Só lá tinha ido uma vez, há 15 anos quando a minha filha mais velha veio de Erasmus (curiosamente para estudar na universidade onde é agora professora). Pus-me a caminho...

 

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Lembrava-me de no meio da sala haver vários lavatórios e de um letreiro a dizer qualquer coisa como: "Faça como os portugueses, coma o frango com as mão". O letreiro já lá não estava, havia igualmente lavatórios no meio da sala, mas pareceram-me menos.

 

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Sentei-me num espaço agradável e fresco (que por cá está mais calor do que vejo estar aí). Aqui e ali havia um ou outro apontamento discreto que remetia para a nossa cultura.

 

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Escolhi e pedi:

 

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Soube-me bem o almoço, deu para matar algumas saudades.