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Assins & Assados

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28
Fev21

Eleven - uma excelente relação custo benefício

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Num daqueles momentos em que comida conforto e comida informal eram tudo aquilo que eu não queria, em que o que precisava mesmo era uma refeição com sabores diferentes e que lembrasse um pouco o glamour de um bom restaurante (gosto tanto! que saudades!), decidi pedir o jantar do Eleven.

 

Comecei a tirar as caixas do saco e achei muito simpático terem enviado também o couvert - um pão e manteiga.  Um couvert simples, mas não o esperava.

 

A entrada era mesmo o que eu estava a precisar. O tipo de coisa que não faria nunca em casa. Uma entrada de um bom restaurante! 

 

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“Que grande lata”
Uma com atum braseado e pickles caseiros, e a outra com uns lingotes dourados de foie gras com compota de ameixas de Elvas e pão de frutos

 

Andava-me a apetecer leitão há uns tempos, e foi o que pedi. Satisfazia a vontade de comer leitão, mas num contexto diferente.

 

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Leitão confitado (24 h) com arroz frito com camarão e manga

 

Estava fantástico, suculento e com uma pele crocante. O arroz excelente e exótico. Tinha um toque q.b. de conforto e outro de aventura.

 

Para terminar... tinha mesmo que ser uma sobremesa de restaurante.

 

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A calçada de Lisboa com mousse de ginja

 

O menu de take away do Eleven promete uma cozinha com uma estrela Michelin em casa. De facto os pratos que me trouxeram, não sendo exatamente os do restaurante, traziam tanto quanto possível a cozinha de um restaurante como o Eleven. Faltam, todas as outras componentes da experiência. e são tão importantes! Mas por agora é o possível.

 

Lamento as fotos, mas foram as melhores que tinha. Mas não podia deixar de relatar esta experiência. Digo no título do post que a relação custo benefício foi excelente. Foi talvez a melhor de todas as refeições que pedi. Por tudo o que mostrei (e que dá para mais do que uma pessoa, ou para mais do que uma refeição) paguei 43 euros.

 

Parabéns, e um obrigada, ao Joachim Koerper e à equipa do Eleven pela experiência que nos proporcionam.

 

 

15
Fev21

Desta vez fui transportada para uma bolha bem fora do momento presente... Um prato do Kanazawa que me encheu as medidas.

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Se me perguntarem qual o prato que mais me marcou no último ano, foi este! A foto está má e, convenhamos, nem sequer é um prato bonito. Mas talvez tenha sido o único prato de que não me vou esquecer deste ano. Tive sorte, pois foi a primeira vez que pedi comida do Kanazawa, e descobri agora que mudam semanalmente os menus, e nos anteriores que vi este prato não estava. Era uma entrada, e quando li - Tarte Fina de Maçã com Foie Gras e Fígado de Tamboril, ficou imediatamente decidido que tinha que a comer. 

 

Dizem que as pessoas nesta situação que estamos a passar querem comida conforto. Olhando para os menus de alguns restaurantes fico com a sensação que é a esse desejo que tentam responder. São pratos aparentemente diferentes dos habituais do restaurante, são pratos de comida conforto. Outros apostam numa cozinha informal, para partilhar, para comer com as mãos... Tudo apostas válidas! Tudo uma adaptação necessária a um novo formato em que reproduzir a carta do restaurante é impossível. Eu por vezes procuro as coisas anteriores, mas neste momento sobretudo procuro pratos que me surpreendam, com combinações e sabores que me façam "viajar", que me façam sair de casa, que me façam sonhar.

 

Foi exatamente isto que que senti ao comer a Tarte Fina de Maçã com Foie Gras e Fígado de Tamboril. Um prato de sabores fortes, que não será consensual, para mim um prato maravilhoso, que me trouxe o que ainda nenhum outro tinha conseguido.

 

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Veio também um excelente Chirashi (arroz de sushi com fatias de sashimi fresco). Estava óptimo. Mas o fator surpresa, o prato que me transportou para uma bolha, para fora da terrível situação que estamos a viver foi mesmo a tarte. Obrigada Paulo!  (Ainda fui ver se tinha o seu número de telefone para lhe agradecer, mas não tinha...)

 

O Origami que vinha agrafado ao saco foi um pormenor que também fez a diferença!

 

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11
Fev21

100 Maneiras 2GO - pensar dentro da caixa

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Tenho estado a ver na Opto a mini-série documental biográfica sobre o Ljubomir Stanisic. Ele não é de meios termos, ele não é consensual, e dá para entender porquê. Como não é de meios termos, expõe-se muito também, e por vezes comove mesmo. Dá também para ter uma visão do trabalho do Ljubo, pois as facetas que a maior parte das pessoas conhecem, não são as mais interessantes.

 

Um dia, depois de ver um dos episódios, pedi comida do 100 Maneiras 2GO , o serviço de take away e delivery criado no contexto em que vivemos. Diz o site que pela primeira vez pensaram dentro da caixa, e a primeira coisa que chama a atenção são as caixas. Materiais recicláveis e mais amigos do ambiente, adaptados aos produtos que transportam. Todas as embalagens personalizadas com autocolantes que indicam a secção da ementa em que está incluído o produto que transportam: Go Crunchy, Go Bosnian, Go Nasty, Go Cool, Go Hot, Go Happy, Go + e Go Saucy.

 

Da Go Cool veio 

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Terrina de bochecha e língua de vaca com pezinhos e orelha de porco, acompanhada por mostarda e salada de agrião e pickles

 

Aqueles, de certa forma, ingredientes hardcore, resultam numa terrina com uma grande leveza e uma textura fantástica. A salada excelente. Adorei! 

 

Da Go Bosnian veio

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Burek jugoslavo de queijo e espinafres, com molho de iogurte

 

Foi a primeira coisa que comi, um bom bocado antes das outras coisas. Acho que é receita da Mãe do Ljubo. Soube-me tão bem! 

 

Da Go Hot veio

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Entrecosto de porco fumado durante 6 horas com uma mistura de especiarias, pimentos e maçãs fumadas, com chips de batata, molho de mostarda e molho barbecue

 

Nunca vos aconteceu fazer uma escolha e pensar, que não entendem porque estão a fazer aquela escolha? Ninguém me obrigou, a decisão foi minha, e nem sei porque tomei esta decisão... é que não sou particularmente amiga de fumados... e ainda menos de fumados e molho barbecue. Pedi, e imediatamente pensei que este confinamento já estava a afetar com a minha capacidade de escolha...

 

Comi? Claro que sim. A textura era fantástica! O sabor a fumado, confesso que um pouco mais forte do que me apeteceria. Era imenso, deu para duas (boas) refeições.

 

Da Go + veio ainda 

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Pão Rosa

 

O nome está relacionado com a forma, mas certamente também com a Rosa, a Mãe do Ljubo. Foi o meu pequeno almoço do dia seguinte.

 

Gostei muito. Há outras coisas que vou experimentar, estou tentada a pedir duas terrinas (com a salada à parte) para ir comendo, a pedir bureks com outros recheios, a experimentar outras coisas. Quem sabe um dos cocktails do bar do Bistro...

 

É bom ver surgir tantas novas opções. É bom poder disfrutar delas. Mas não há nada como ir aos restaurantes! Não há mesmo.

 

 

06
Fev21

O almoço veio do Boi Cavalo e deu muito em que pensar.

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É tão bom comer aquilo que é preparado por outros! Para além da técnica, há a diversidade de aproximações, há o que cada prato reflete da personalidade de quem o cria, há as combinações de sabores... vários aspetos relacionados com o emissor. Mas, na forma como o prato é percepcionado, há ainda que considerar o recetor, o seu gosto, a sua personalidade, o seu estado de espírito, o seu percurso de vida e referências. Assim como duas pessoas com os mesmos ingredientes e a mesma receita cozinham dois pratos diferentes, também duas pessoas que comem o mesmo prato o percepcionam de forma diferente. O almoço de há uns dias, fez-me refletir sobre tudo isto.

 

Estou farta do que cozinho. Já não há pachorra! Há dias estavam-me a apetecer sabores diferentes e variedade. Há muito que andava com vontade de pedir comida do Boi Cavalo. Aliás, antes disso, há muito que andava a pensar lá voltar, mas ainda não tinha calhado. Calhou desta vez, não ir lá, mas pedir comida. Não é a mesma comida que teria no restaurante, é a que criada pelo Hugo Brito para este novo modelo de consumo, e acho que reflete bem as características do emissor. Já a percepção, foi muito influenciada também pelo recetor...

 

Olhei para o menu, queria variedade, nada melhor do que pedir as três entradas.

 

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Croquetes de entrecosto, mostarda de satay

 

Dois bons croquetes, saborosos e com uma boa textura. A mostarda avivava o sabor, e no final persistia o aroma do satay, relativamente discreto, mas o suficiente para lembrar outras experiências e situações mais exóticas. Quando se olhava tudo era familiar, quando se provava havia ali um discreto toque de irreverência. Impossível não sorrir!

 

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Gyozas de berbigão, molho ponzu

 

Neste caso a situação era diferente, sem relação com a nossa cultura alimentar, apesar de familiar em consequência de muitas viagens à mesa. Quando se trincava, o sabor e os berbigões remetiam para memórias de sabores bem antigas, para a infância, bem antes de ter alguma vez ouvido falar de gyozas. E eu gosto tanto de berbigão! Impossível não sorrir!

 

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Koftas de batata-doce fumada, maionese de amêndoas

 

Se nas duas propostas anteriores havia algo de familiar, nesta não havia referências a que associar à imagem visual. Mais não havia que fazer do que provar, com alguma expetativa. Um contraste absoluto de cores, um sabor exótico, diferente... Um pulo no desconhecido. Impossível não ficar pensativa! Conclusões? Agradável, mas acho que melhorava com a inclusão de alguma textura que contrastasse.

 

Objetivos atingidos, guardei para o fim algumas gyosas, era aquele o sabor com que queria ficar no final.

 

Para acompanhar a refeição, uma Bread Combo.

 

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Não esta, mas uma que estava no meu frigorífico. Uma cerveja resultante de uma parceira entre a Musa e a Gleba. Assim descrita no site da Musa:

É filha da mãe massa que a Gleba preparou e do pão que o Diogo amassou. Uma experiência complexa com notas de citrinos, pimenta e padaria aos sábados de manhã. Boa para cacete! 

Era mesmo. Ainda por cima, pouco tempo antes tinha convidado o Diogo Amorim, que há alguns anos frequentou o mestrado em Ciências Gastronómicas, para falar para os atuais alunos sobre o projeto Gleba. Também a cerveja me fez pensar no percurso do Diogo, na forma como aprofunda o conhecimento, na paixão pelo que faz...

 

Foi um bom almoço! Tanto quanto possível...  é que não há nada como ir a um restaurante! 

 

Menu DAQUI

Última foto DAQUI

 

16
Jan21

Um chá para cada dia, hora e estado de espírito... novas descobertas 4

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Há pequenas coisas que nos melhoram os dias, e a disposição. Um bom chá pode ser uma delas. No início da pandemia fui gastando algumas coisas esquecidas, e deitando fora outras, depois deixou de ser uma atividade interessante. Um dia, há uns meses, estava a olhar para os chás que tinha para decidir o que ia beber, e pensei que precisava de mais variedade e, sobretudo, de melhores chás. As hipóteses de variar rotinas não sendo muitas, há que dar atenção a coisas aparentemente pequenas, mas que podem fazer a diferença, dar mais qualidade ao que podemos fazer.

 

Já fazia compras online, mas a maior variedade de opções online e a maior dificuldade de ir a outras lojas, fizeram-me mudar de hábitos (nenhuma originalidade, aconteceu a todos). As coisas não voltarão a ser como eram... A Companhia Portugueza do Chá vendia online e encomendei seis chás: preto, verde, branco, oolong e ainda um aromatizado com flores. Fui bebendo... e apeteceu-me variar mais. Voltei aos Chás Andorinha, (que nos últimos anos comprava na Casa Pereira que fechou), e vieram mais chás diferentes: oolong, verde, verde com matcha e arroz tufado... 

 

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A ansiedade da abertura das embalagens e da primeira prova, a escolha do que em cada momento mais se adapta à situação e ao estado de espírito, o ritual da preparação... tudo coisas que melhoram os dias.

 

Todos os dias penso, como é que o chá é tão maltratado em Portugal?

 

 

 

 

02
Jan21

O luxo do Essencial. Em casa... 10 meses depois...

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Foi precisamente um mês antes de começar o confinamento, em meados de Fevereiro do ano passado, que fui pela primeira vez jantar ao Essencial.  Menos de um ano depois foi o Essencial que veio a minha casa.

 

A entrada, Foie Gras mi cuit com Marmelo Confitado, até foi idêntica à do jantar 10 meses antes, aliás é a foto de início de ambos os posts. Da primeira vez, chegou à minha mesa empratada. Desta vez chegou a minha casa embalada.

 

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Não deu muito trabalho, foi só torrar o brioche enquanto colocava o foie gras e o marmelo no prato.

 

Entretanto, também preparei o Peixe Galo com Escamas de Trufa e Batata Prensada. Primeiro a batata no forno. Enquanto esta gratinava, o peixe cozinhou uns minutos em água a ferver e aqueci o molho. Tudo seguindo as detalhadas instruções que acompanhavam os pratos.

 

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Já a sobremesa, uma Tarte Tatin, foi só mesmo tirar da embalagem e deliciar-me com ela. Adorei o facto da maçã ter sido cortada numa longa e fina tira que foi enrolada. Maravilhoso!

 

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Uma excelente refeição!  Não é todos os dias que atualmente se pode escolher do menu e ter uma refeição com esta qualidade. Um luxo!

 

Não é o mesmo que ir ao restaurante... não é mesmo! É o possível...Melhor, muito melhor, vai ser poder voltar aos restaurantes descontraidamente. Tantas saudades!

 

 

08
Dez20

Tocaram à porta, pelo intercomunicador disseram "Epur"... uma situação que há uns meses acharia impossível

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Tocaram à porta, pelo intercomunicador disseram "Epur". Eu abri a porta, afinal já os esperava. Dentro do saco que me entregaram vinha o jantar. Os pratos, vinham refrigerados, acompanhados de instruções de preparação detalhadas,  cabia-me a mim terminá-los.  Se há cerca de um ano, no final do jantar no Epur, me tivessem dito que a minha próxima refeição do Epur chegaria à minha porta e seria eu que teria que terminá-la, acharia absolutamente impossível. O mundo mudou tanto...  Como dizia há dias, não é o mesmo... não é mesmo! Mas é o possível...

 

Para entrada tinha pedido uns Ravioles de Aipo e Carbonara Trufada. Chegaram impecavelmente arrumados, e souberam-me bem.

 

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O prato principal foi uma Presa de Porco Preto com Batatas Confitadas e Molho de Cogumelos. Tirei tudo com cuidado e coloquei num prato para ir ao forno. A textura ficou excelente, o prato saboroso.  

 

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A sobremesa vinha bem "encaixotada", não é o mesmo comê-la da caixinha... mas é o possível...

 

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Foi bom poder desfrutar de uma óptima refeição, foi bom poder escolher do menu, foi boa a excitação da antecipação. É bom poder usufruir destas coisas, repetirei certamente. Admiro a capacidade de adaptação dos restaurantes, o desenvolvimento de novos produtos no contexto de uma realidade tão diferente.  Mas, melhor, muito melhor, vai ser poder voltar aos restaurantes descontraidamente. Tantas saudades!

 

 

30
Nov20

do Kiko - pratos com uma componente lúdica associada.

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Gosto de restaurantes. Gosto muito de restaurantes. Do espaço e tudo o que transmite, da comida, do serviço. É mesmo bom! De take away nem por isso. Há anos que não mandava vir comida de um restaurante. Comprar um frango, tudo bem. Mais que isso... já lá ia muito, muito tempo...

 

Inicialmente, no primeiro período de confinamento, voltei a cozinhar todos os dias, todas as refeições, até o pão... Soube-me bem. Há muito que não o fazia tão sistematicamente. Ajudava numa imposição de isolamento, numa necessidade de conforto, de referências e de controle.

 

Depois de alguns meses fechada em casa, foi bom voltar a ir a um restaurante. Soube mesmo muito bem! Mas, o que julgo ser bom senso, leva-me a ficar em casa a maior parte do tempo. Depois de tantos meses, a necessidade de voltar a comer comida cozinhada por outros é cada vez maior. E se não dá ir ao restaurante, pois que venha o restaurante até casa. Não é o mesmo... não é mesmo! Mas é o possível...

 

Há dias vi algumas fotos dos pratos do "do Kiko", um restaurante virtual com alguns dos best sellers dos restaurantes do Kiko Martins. Adorei as embalagens e o cuidado nos detalhes e resolvi encomendar.

 

Veio um Ceviche Puro de Corvina

 

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Lá dentro o peixe, o puré de batata doce, as algas, a cebola... Num frasquinho ao lado o leche de tigre, e as instruções para o preparar. Segui tudo, passo a passo...

 

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Diverti-me. Soube-me bem. Lembrou-me o último que comi, em Setembro no Talho (onde tirei também a foto do início do post).

 

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Se é o mesmo? Não não é o mesmo. A perceção do que comemos é o resultado de muitas componentes para além do que temos no prato. Falta o espaço do restaurante e a sensação que transmite, faltam as outras pessoas no restaurante e o ruído de fundo, falta o serviço e a forma como cuidam de nós. Não é o mesmo... é o possível... 

 

Veio também um Tártaro. Também já o comi algumas vezes no Talho. Claro que não foi o mesmo desta vez. Mas foi divertido, o conjunto e a forma de o preparar conferem uma componente lúdica. 

 

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Admiro esta capacidade de adaptação, o desenvolvimento de novos produtos adaptados a uma realidade tão diferente. É bom poder usufruir destas coisas. Mas, melhor, muito melhor, vai ser poder voltar aos restaurantes descontraidamente.

 

13
Out20

Às vezes é preciso mimarmo-nos... novas descobertas 3

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Há umas semanas, durante um passeio na Baixa, passei na loja da Equador. Nunca tinha comido os chocolates deles, resolvi experimentar.  Gostei muito. Às vezes é preciso mimarmo-nos... Passar, como me tem acontecido nas últimas duas semanas e meia, no mínimo 4 horas, e por vezes 6 ou 7 horas, sentada em frente de um computador a falar para o ecrã, por muito interessantes ou interessadas que sejam as pessoas que vejo no ecrã e para quem falo, nem sempre é a forma mais compensadora de passar os dias. Justifica algum mimo especial... Fui ao site da Equador e fiz uma encomenda. Ela chegou, uns dias depois. A primeira surpresa foi o cuidado na embalagem para que os chocolates chegassem nas melhores condições. Para além do tipo de embalagem, dentro vinham dois acumuladores de frio. Primeira impressão excelente!

 

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Lá dentro uma caixa de cartão linda!

 

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Que ansiosamente abri...

 

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A forma cuidadosa como os chocolates vinham empacotados, e as lindíssimas embalagens dos chocolates... tornaram-nos um verdadeiro mimo!

 

Dentro da caixa algumas tabletes, para desfrutar lentamente e apreciar bem (em silêncio, e sobretudo com a televisão desligada, para evitar ouvir coisas que nunca acreditei alguma vez serem possíveis e que estragariam o momento). 

 

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O Chocolate Negro 68% São Tomé com Nibs de Cacau é delicioso! Os Grãos de Café Torrado com Chocolate 73% São Tomé, maravilhosos! Os outros... ainda não sei... é para desfrutar lentamente e apreciar bem. 

 

Vale a pena encomendar, mas também visitar a loja, é um prazer ver as novas lojas que estão a surgir na Baixa de alguns produtores portugueses.  É maravilhoso desfrutar da qualidade de alguns destes produtos. Um luxo!

 

 

Primeira foto DAQUI

Chocolataria Equador  - Rua da Prata, 97 Lisboa

 

03
Out20

As saudades que eu já tenho de clotted cream...

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Quando chego a Inglaterra e vou ao supermercado, uma das coisas que meto logo no carrinho é uma embalagem de clotted cream. A fina camada superior de gordura solidificada, que dá uma sensação levemente granulosa, a camada inferior muito espessa, cremosa (cerca de 60% de gordura), o sabor suave, entre o da manteiga e o das natas, tornam-no delicioso.

 

Consta que a técnica para produzir clotted cream foi levada para a Cornualha pelos fenícios por volta do ano 500. O da embalagem acima, Rodda's Clotted Cream, é produzido desde 1890 na Cornualha e é o mais comum nos supermercados. Os ingleses consomem-no bastante, e esta empresa produz cerca de 5 toneladas por dia, e na altura do Natal chegam às 25 toneladas diárias. Os scones comem-se com clotted cream, e não com manteiga, mas também se pode usar para cozinhar.

 

Nunca vi clotted cream fresco à venda cá, vi uma vez um nuns frascos, de longa duração. Comprei, mas não gostei nada. Dadas as circunstâncias não vou a Inglaterra há muito, e de vez em quando lá me lembro, com saudades, do clotted cream e daquela textura deliciosa. Um dia destes fui ver como se fazia. Tudo o que era preciso eram natas frescas e um forno. Tinha as duas coisas. Passadas 12 horas tinha estas duas tigelas de clotted cream:

 

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Saíu caro. Foram 12 horas no forno a 80º C para apenas um pacote de natas. Mas tinha que ser... O resultado tinha a fina camada de gordura sólida por cima, por baixo um creme espesso. Mas não tão espesso como o que compro, penso que isso talvez se resolva com mais tempo no forno. No fundo fica uma camada de soro de leite que tem que se retirar (os industriais não tem esta parte). Com o soro fiz uns scones, e matei saudades dos scones com clotted cream.

 

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O sabor era diferente, o meu clotted cream tinha um sabor a leite mais forte. Mas tenho que experimentar com outra marca de natas. De qualquer forma a natas da Cornualha não sabem certamente ao mesmo das natas de Portugal, o leite também não sabe ao mesmo...

 

Continuo com muitas saudades do clotted cream que como em Inglaterra. Este é simpático, talvez até repita... mas não é o mesmo. Quando a pérfida criaturinha invisível me permitir voltar a um supermercado em Inglaterra, a primeira coisa que vou fazer é meter no carrinho uma embalagem de clotted cream.

 

 

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