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Às vezes é preciso mimarmo-nos... novas descobertas 3

por Paulina Mata, em 13.10.20

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Há umas semanas, durante um passeio na Baixa, passei na loja da Equador. Nunca tinha comido os chocolates deles, resolvi experimentar.  Gostei muito. Às vezes é preciso mimarmo-nos... Passar, como me tem acontecido nas últimas duas semanas e meia, no mínimo 4 horas, e por vezes 6 ou 7 horas, sentada em frente de um computador a falar para o ecrã, por muito interessantes ou interessadas que sejam as pessoas que vejo no ecrã e para quem falo, nem sempre é a forma mais compensadora de passar os dias. Justifica algum mimo especial... Fui ao site da Equador e fiz uma encomenda. Ela chegou, uns dias depois. A primeira surpresa foi o cuidado na embalagem para que os chocolates chegassem nas melhores condições. Para além do tipo de embalagem, dentro vinham dois acumuladores de frio. Primeira impressão excelente!

 

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Lá dentro uma caixa de cartão linda!

 

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Que ansiosamente abri...

 

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A forma cuidadosa como os chocolates vinham empacotados, e as lindíssimas embalagens dos chocolates... tornaram-nos um verdadeiro mimo!

 

Dentro da caixa algumas tabletes, para desfrutar lentamente e apreciar bem (em silêncio, e sobretudo com a televisão desligada, para evitar ouvir coisas que nunca acreditei alguma vez serem possíveis e que estragariam o momento). 

 

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O Chocolate Negro 68% São Tomé com Nibs de Cacau é delicioso! Os Grãos de Café Torrado com Chocolate 73% São Tomé, maravilhosos! Os outros... ainda não sei... é para desfrutar lentamente e apreciar bem. 

 

Vale a pena encomendar, mas também visitar a loja, é um prazer ver as novas lojas que estão a surgir na Baixa de alguns produtores portugueses.  É maravilhoso desfrutar da qualidade de alguns destes produtos. Um luxo!

 

 

Primeira foto DAQUI

Chocolataria Equador  - Rua da Prata, 97 Lisboa

 

O peixe à porta - novas descobertas 2

por Paulina Mata, em 20.07.20

 

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Nasci numa terra pequena na Beira Baixa. Bem, verdade, verdade, nasci na Av. António Augusto de Aguiar em Lisboa, mas com poucos dias fui para casa na Beira Baixa. Vivi muitos anos numa casa grande, onde ainda passo férias, onde a fruta se apanhava das árvores, os vegetais vinham da horta e na mercearia se comprava o arroz, a farinha, o café... Por baixo do terraço em frente da porta da cozinha eram os galinheiros, de onde de vez em quando saía uma galinha para o jantar. Uma galinha que conhecíamos desde quando era ovo... o meu Pai alugava uma chocadeira para ovos de galinha e durante algum tempo seguíamos o processo com curiosidade, os pintos iam saindo, passavam então para o galinheiro dos pintos, onde uma lâmpada grande fornecia o calor necessário para o bem estar deles, e iam crescendo.  A carne de porco vinha das matanças na fábrica, mas havia também a casa dos porcos onde durante um período viveram três porcos, mas acredito que a razão foi nós (as crianças) vermos de onde vinha o que comíamos. Às vezes comprava-se cabrito, na época da caça davam ao meu Pai, ou compravam-se, coelhos, lebres e perdizes. Vaca só comi em adulta, quando vim para Lisboa. Peixe... às vezes havia bacalhau, de que eu não gostava, e dava frequentemente discussão à sexta feira em que não se comia carne. Às vezes da mercearia vinham também umas latas de atum, e na época da lampreia havia lampreia. Raramente havia peixe naquela terra e, quando havia, acredito que a frescura não fosse a mais recomendada, portanto não fez durante muito anos parte dos meus hábitos comer peixe em casa.

 

Depois, fui comprando e cozinhando de vez em quando, esporadicamente... comia mais frequentemente fora de casa do que em casa. Nos últimos anos, se me perguntassem se gostava mais de peixe ou de carne, diria peixe. Mas continuava a comer mais fora de casa do que em casa, até porque comprar envolvia alguma disponibilidade e planeamento, nem sempre possíveis. Um dos (inesperados) efeitos deste Covid19 na minha vida, foi levar-me a consumir mais peixe em casa, até a cozinhar mais peixe do que carne nos últimos meses.

 

Um dia descobri o Peixe à Porta, da Nutrifresco. Já conhecia, muito bem, a Nutrifresco como fornecedores de peixe para restaurantes, sabia da qualidade do peixe que vendiam. E decidi experimentar encomendar peixe.

 

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Nas primeira vezes não havia o Peixe à Escolha apenas os Cabazes, vários tipos, mas o que vinha era sempre surpresa. Comprei um cabaz, e chegou um peixe fresquíssimo, arranjado e que me deu muito prazer comer. Da segunda vez pedi um cabaz de peixe e outro de marisco. E a qualidade da experiência foi idêntica. Da terceira vez já havia o peixe à escolha, mas eu estava a gostar da experiência, e voltei a pedir um cabaz e algum peixe e marisco extra, e da quarta vez fiz o mesmo. Acho que cozinhei bem mais peixe nestes últimos meses, do que cozinhava num ano inteiro.

 

É engraçado, nunca tive a menor atração pelos cabazes com vegetais, sempre preferi escolher o que queria, mas no peixe estou a achar o desafio de cozinhar peixe que não tinha o hábito de consumir em casa muito divertido. Também gosto de não ter que escolher, de receber a caixa sem saber o que lá está dentro. Da surpresa ao abrir...

 

Este pesadelo que vivemos levou a Nutrifresco a desenvolver uma nova área de negócio, o que me permitiu comer melhor, e fazer algumas novas descoberta e experiências que melhoraram bastante a minha qualidade de vida durante este confinamento.  Um hábito que veio para ficar!

 

Fotos do site do Peixe à Porta

 

 

Esta pandemia fez-me ficar uma pouco mais adulta - novas descobertas 1

por Paulina Mata, em 13.07.20

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Nunca tive por hábito beber café. Durante muitos anos não bebia aquilo a que, em jeito de brincadeira, chamava "água suja", e que incluía chá, café ou outras infusões. Depois, há mais de duas décadas, converti-me ao chá e até a algumas infusões. Quanto ao café nunca. Lembro-me da minha Mãe por vezes dizer que a minha resistência ao café, era de facto uma resistência a tornar-me adulta. Quem sabe... Acontece que esta pandemia me tornou mais adulta, já bebo café.

 

Poucas foram as minhas experiências com café expresso. Experimentei, insisti, mas de facto os dedos das duas mão são demasiados para contar as experiências. Nunca entendi o fascínio por aquela bebida amarga, em dose reduzida (nem sequer se tem o prazer de ir saboreando ao longo do tempo, aquilo acaba logo), e até um pouco gordurosa... Nisto não me identifico com os portugueses, e cedo percebi que essa não é a minha cultura de café.

 

Quando estive em 2017/2018 em Inglaterra, onde a cultura de café é diferente, comecei a beber algumas bebidas com café. Tive alguma resistência inicial... o cheiro do café com leite que pela manhã invadia os corredores do colégio onde estive alguns anos nunca me atraiu, bebia sempre o leite com chocolate (Milo). Mas um dia provei  um capuccino, e gostei. De vez em quando trocava-o por um latte ou por um mocha. E bebia com agrado. Chegou ao verão e adorei os iced latte. Comecei a pedi os cold brews, que alguns membros da minha família diziam parecer água de lavar chávenas, mas eu gostava. Tudo bebidas menos concentradas, menos amargas, mais longas, que permitem uma outra forma de consumo de que gosto mais. Há tempos experimentei beber um café feito num V60, e soube-me bem. De facto, sempre gostei do aroma do café, do sabor do café, entendi é que não gostava da habitual forma de consumo do café.

 

Gostava de ir tomar o pequeno almoço de vez em quando à Fábrica Coffee Roasters, e ficava por vezes a namorar os vários cafés e utensílios para o preparar (V60, Kalita, Chemex...), mas ficaram sempre por lá, eu nem percebo nada de café, nem bebia café, nem sabia se os ia usar, e se quisesse até tinha em casa algumas coisas que podia usar para fazer café.

 

Há umas semanas, por distração, fui ao site da Fábrica Coffee Roasters, estive a ver a loja, a variedade de cafés e as notas de aromas tão diferentes umas das outras e atraentes, para cada café vi informação sobre quem o produz e a cara de quem o produz. Além daqueles aromas atraentes, os cafés tinham uma vida, uma cara... Eu gosto quando os produtos adquirem outro significado e os associo a algo mais e passam a ter uma cara. Eram caros (por comparação com o que se vende nos supermercados), mas acredito que a qualidade se paga e produtos com personalidade valem esse preço. Este confinamento forçado era uma boa oportunidade de fazer novas experiências, e quem sabe adquirir novos hábitos.

 

Um dia à noite entrei na loja e comprei uma bonita Hario V60 e os respetivos filtros.

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Comprei três cafés de regiões e com características diferentes. No dia seguinte de manhã ligaram-me a perguntar se queria o café moído e com que tipo de moagem. Umas horas depois entregaram-me o café. Um bom começo...

 

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Li nas instruções o processo correto de fazer, vi vídeos explicativos, usei a água do Luso que em geral uso para o chá, por vezes até os fiz em cima da balança para pesar a quantidade de café e a quantidade correta de água a usar em cada fase, gosto deste ritual. Passei a beber longos e saborosos cafés pela manhã (no meio de todo este pesadelo, há pelo menos que aproveitar não ter que sair de manhã a correr). E em poucas semanas bebi as 750 g de café que tinha comprado.

 

A acreditar na minha Mãe, tinham-me feito deixar de resistir a ser adulta. Tinham-me levado a concluir definitivamente que gosto de café, não gosto é de café expresso. Tinham-me proporcionado bons momentos. No dia em que acabaram, já passava bem da meia noite, encomendei mais quatro cafés (três diferentes do que tinha pedido antes e um comum), no dia seguinte, antes do almoço, tocaram-me à porta para entregar os cafés. Mais rápido era impossível.

 

Esta terrível situação, fez-me fazer uma nova descoberta, descobrir novos sabores e experiências. Descobrir um pouco do café. Um hábito que veio para ficar. Também veio para ficar o hábito de ir ao site fazer a compra, ler sobre as características do café e da sua produção, ver a cara do produtor.

 

Vou beber o último golo do café que me acompanhou ao longo da escrita deste post, com aromas de limão, jasmim e bergamota. Se os identifiquei a todos? Confesso que não, mas nem acho importante... O que de facto importa, é que me dá prazer bebê-lo, pelo sabor, e por tudo o que referi que lhe está associado.

 

 

Dia das Algas Marinhas - um bom dia para elas começarem a entrar na sua cozinha

por Paulina Mata, em 04.06.20

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Hoje, 4 de junho, comemora-se o Dia das Algas Marinhas e será feito lançamento do Manifesto das Algas Marinhas, resultado de um trabalho de colaboração da indústria, instituições de investigação, ONU e sociedade civil. O objetivo é refletir sobre o potencial das algas marinhas para alimentar o mundo, mitigar as mudanças climáticas e preservar os ecossistemas.
 
 

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Pertenço a uma equipa de investigação que começou no final de 2015 a estudar algas marinhas da nossa costa e o seu potencial gastronómico. Em 2017, submetemos o projeto  ALGA4FOOD – Algas na Gastronomia: Desenvolvimento de Técnicas Inovadoras de Conservação e Utilização que foi financiado pelo Programa Operacional MAR 2020. Este financiamento permitiu-nos desenvolver um trabalho mais abrangente e aprofundado.

 

Temos uma costa muito extensa (1860 km) com uma enorme variedade de algas (cerca de 400), e uma produção de aquacultura considerada entre as melhores do mundo. As algas têm grandes potencialidades no contexto da sustentabilidade, das restrições alimentares várias, e até mesmo para diversificação de fontes de alimentos e experiências gastronómicas. O interesse pela sua introdução na alimentação é cada vez maior, pois têm-lhes sido associados benefícios nutricionais relevantes associados à saúde e bem-estar. São ricas em proteínas e fibras dietéticas, vitaminas, oligoelementos, minerais e ácidos gordos poliinsaturados tipo ω-3 e ω-6. São, por isso, consideradas como alternativas alimentares importantes e sustentáveis.
 
 
 

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Vivemos num País onde os produtos do mar desde sempre fizeram parte da cultura e da gastronomia, contudo as algas marinhas estão pouco presentes na nossa alimentação. Por tudo isto achámos relevante estudar as características das nossa algas e as suas potencialidades gastronómicas. Tem sido uma descoberta constante e um incentivo à criatividade e ao desenvolvimento de produtos (deliciosos) usando uma metodologia baseada no conhecimento científico.
 

Alentejo style gazpacho with 'bladder wrack' (Fucu

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Um dos objetivo do projeto é o de desenvolver estratégias e produtos para incentivar a introdução das algas na nossa alimentação. De facto, as algas estão à venda no comércio, mas a maior parte de nós nunca as usou, nem sabe bem como começar. Para inspirar, dar ideias e incentivar novas experiências gastronómicas, desenvolvemos duas publicações da autoria da Patrícia Gabriel, cujo download é gratuito, e que gostaria de partilhar hoje, Dia das Algas Marinhas. 

 
 
Algas – o Mar à Mesa
 

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Algas – onde o Mar Começa
 

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Hoje é um bom dia para as algas começarem a entrar na sua cozinha. Aventure-se!  Experimente!

 

 

NOAH - uma óptima descoberta!

por Paulina Mata, em 11.10.19

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Há dias vinha a descer a Av. Guerra Junqueiro e entrei na Mercearia Criativa. A ideia era comprar qualquer coisa para lanchar. Olhei para o frigorífico logo à entrada e vi umas embalagens bem atraentes. Parecia queijo, e quando olhei melhor vi que era um "queijo" vegano. Foi isso que comprei.

 

Ao desembrulhar, o aspeto de um queijo seco deixou-me curiosa.

 

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Cortei e a textura era também muito parecida à de um queijo seco. O sabor, muito agradável. Comi logo ao lanche a parte que cortei.

 

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Com o número cada vez maior de pessoas veganas ou intolerantes à lactose, este mercado tem crescido. Qualquer supermercado tem agora "queijos" de origem vegetal. Alguns desempenham o seu papel, e até de forma tão boa como outros queijos industriais. Mas aqueles que são bons, que valem por si e dão vontade de comprar de novo não são muitos. Tinha encontrado um!

 

É um queijo artesanal, feito pelo Projeto Romã numa quinta em Palmela, e com muita qualidade. Um produto que não tem necessariamente que ser visto como um substituto do queijo, pois vale por si. A base é caju e a mistura é fermentada.

 

Passei na Mercearia Criativa mais tarde e comprei mais dois, o LEIA com ervas aromáticas, e o NOEMI umas bolas de "mozzarella" vegana. Também bons, mas o NOAH continua o meu preferido.

 

É bom ver esta criatividade e estes novos produtos, ainda desconhecidos de muitos, que têm o seu lugar nas nossas mesas e acredito que cada vez mais o vão ter. Muito bom!

 

 

Duas culturas, duas aproximações diferentes à comida vegana

por Paulina Mata, em 08.11.18

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Dado que o post recente sobre atitudes relativamente a veganos foi o post mais comentado de sempre aqui, decidi escrever nos próximos dias mais uns relacionados com esta temática que já estavam mais ou menos planeados. 

 

Por razões que já referi muitas vezes, tenho alguma experiência de refeições veganas em Inglaterra, e também cá (embora menos). Tem sido curioso comparar o tipo de pratos oferecidos em ambos os países. A minha perceção (não fiz uma análise exaustiva e objetiva) é que a comida vegana oferecida em Portugal em geral pretende ser também uma comida saudável. Sinto quase sempre uma associação vegana / saudável. Já em Inglaterra, isso pode acontecer nalgumas situações, mas não é tão óbvio. Talvez também porque as formas de comer sejam diferentes. A street food é muito mais presente, e sobretudo muito mais consumida, em Inglaterra, sendo muito variada e dinâmica. Portanto há muita street food vegana. Como quase todos os restaurantes e cadeias de restaurantes têm menus ou pratos veganos, acaba por ser muito na linha do que existe nesses restaurantes. Não há de facto uma diferença  muito óbvia entre comida vegana e não vegana. Acho que alguns pratos veganos que comemos nos últimos meses ilustram bem o que digo.

 

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Pratos muito variados, muito coloridos, saborosos, uns leves, outros pesados...  Come-se com prazer e não se sente a falta da carne. E os doces também não faltam...

 

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E nisto de doces, há um pequeno café a que fui uma vez, e que vou espreitando o que faz, e que não deixa nunca de me espantar . o Seaside Kitchen & Cake Parlour em Margate. Aqui fica uma imagem do High Tea e outra do Brunch deles (que não comi, mas roubei as fotos).

 

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Do meu ponto de vista, a comida vegana é a área onde atualmente vejo mais criatividade e uma evolução maior. Também uma utilização diferente de alguns produtos, por exemplo é muito comum ver-se a  jaca, que sendo uma fruta não é particularmente doce, e é usada para substituir a carne em caril, em sandes, ou para saltear como se fosse, por exemplo, frango.

 

 

 

 

 

Eucryphia lucida, Tasmânia... a culpa é do mel!

por Paulina Mata, em 13.10.18

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Nunca tinha ouvido falar da Eucryphia lucida, também conhecida por Tasmanian Leatherwood.  Uma árvore de tamanho médio ou um grande arbusto comum na Tasmânia.

 

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Aliás, para ser franca, sabia que a Tasmânia era na Austrália, mas nem era capaz de a localizar, e muito menos sabia que era uma ilha separada do resto do território da Austrália. Pois esta árvore, nativa da Tasmânia, é a principal planta cujo néctar é lá usado pelas abelhas para produzir o mel, cerca de 70% do mel da Tasmânia é de Leatherwood. Há dias, deram-me a provar um mel Leatherwood da Tasmânia e o impacto foi tal que me levou a querer saber mais.

 

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Eu gosto de mel, se me pedissem para dizer uma coisa que associasse a uma comida conforto, era provável que dissesse pão com manteiga e mel. A minha Mãe dava-nos frequentemente para o lanche pão com manteiga com um fio de mel por cima. De vez em quando ainda o como. Delicioso!

 

Bem, mas deixando estas memórias de lado, e voltando ao mel da Tasmânia... Era fluído mas espesso, com pequeníssimos cristais que o tornavam cremoso e se desfaziam na boca. O sabor era diferente de todos os outros, por isso foi até incluído na Arca dos Sabores do Slow Food. Muito floral, um leve sabor a especiarias, um sabor complexo. Delicioso!  Daqueles sabores cuja memória persiste ao longo do tempo, e de que de vez em quando nos lembramos, e nos apetece mais...

 

Não vou dizer quem me deu, senão ainda aparece toda a gente a pedir para provar o mel. Mas um dia destes, como quem não quer a coisa, apareço para almoçar e jantar... e quem sabe comer um pouco mais de mel da Tasmânia.

 

 

1ª Foto DAQUI

2ª Foto DAQUI

 

A caixa de chocolates de Agosto tinha uma agradável surpresa!

por Paulina Mata, em 08.10.18

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Uma das minhas grandes descobertas do último ano foram os Cocoa Runners, de que já aqui falei. Recebi já nove caixas (com quatro tabletes cada) da subscrição que tenho. Com cada uma o meu conhecimento e experiência do que é chocolate, das diferenças entre chocolates, e da paixão que move quem produz estes chocolates vai aumentando. De facto, o que sabia sobre a produção artesanal de chocolates, que envolve um contacto direto com os produtores do cacau, e depois a transformação da fava do cacau até à tablete, era quase nada e não tinha a menor ideia do que se fazia pelo mundo. Os chocolates que tenho recebido têm-me permitido uma diversidade enorme de experiências. De facto, nestes nove meses, recebi tabletes com cacau proveniente de Equador, Vietname, Taiwan, Jamaica, República Dominicana, Madagáscar, Peru, Costa Rica, Brasil, Belize, Venezuela, Guatemala, México, Índia, St Vincent, Nicarágua, Filipinas e Granada, transformado em Inglaterra, França, Polónia, Alemanha, Holanda, Taiwan, Espanha, Lituânia, Suíça, Equador, Madagáscar, EUA, Venezuela, República Checa, México, St Vincent e... Portugal.

 

Foi uma agradável surpresa no último pacote estar incluída uma tablete produzida em Portugal com cacau da Costa Rica da Feitoria do Cacau.

 

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Produzido em Aveiro por uma portuguesa e uma japonesa - Susana Tavares e Tomoko Suga - que numa visita a São Tomé se apaixonaram pelo cacau e decidiram fazer chocolates.

 

Gostei muito do chocolate e também da embalagem.  Tanto que já encomendei mais uns.

 

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Pump Street Bakery - o Pão e o Chocolate

por Paulina Mata, em 04.04.18

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Há umas semanas comi um chocolate de que gostei muito da Pump Street Bakery. Não só gostei do chocolate, mas também da embalagem. Fui procurar mais informação e descobri um projeto muito interessante. Chris Brennan, após se ter reformado de uma carreira na IBM, decidiu iniciar-se na arte de fazer pão. Alcançou bons resultados e em 2010 abriu, com a sua filha Joanna, a padaria/pastelaria Pump Street Bakery em Orford, Suffolk. O objetivo era produzirem pães e pastelaria de alta qualidade.

 

Pouco tempo depois começaram a interessar-se por produzir chocolates também. Durante dois anos visitaram produtores de cacau em várias partes do mundo para seleccionar os que lhes interessavam, pois decidiram produzir os seus chocolates artesanalmente e em pequena escala a partir da fava de cacau. Sabendo que o terroir, a variedade de cacau, a forma como é cultivado e colhido, e depois o processo de fermentação e secagem são fundamentais para a qualidade final do chocolate, optaram por pequenas fazendas e cooperativas com boas variedades de cacau e que lhes dão garantias de um produto final de qualidade. Trabalham com cacau proveniente do Equador, Madagáscar, Honduras, Jamaica e Granada nas Caraíbas. Depois, toda a transformação desde as favas de cacau até ao produto final é feita e Orford na Pump Street Bakery.

 

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O primeiro dos chocolates que provei era com cacau da Jamaica. Gostei tanto que fui ver o tipo de chocolates que produziam, descobri que tinham associado as duas paixões, o pão e o chocolate, e tinham chocolates com pão -  o Sourdough & Sea Salt 66%  e o Rye Crumb, Milk & Sea Salt 60%,  ambos produzidos com cacau do Equador. Os dois feitos com os pães produzidos na sua própria padaria. Achei uma combinação muito curiosa, não conhecia nada assim e, segundo vi depois no site, foi um produto completamente inovador. 

 

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Claro que encomendei logo os dois chocolates. Parti-os e olhei para eles e não consegui identificar qualquer sinal das migalhas de pão. Mastiguei e aí sim, o chocolate tinha um crocante muito evidente. As migalhas finíssimas e muito bem secas para dar aquele resultado. Descobri posteriormente que são adicionadas ao cacau quando este é moído. Ao comê-los, primeiro sente-se o sabor de um excelente chocolate, mas também um bem evidente sabor a pão. Excelente... dos chocolates mais interessantes que comi.

 

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Tenho pena da Pump Street Bakery ser um pouco longe, gostava de a conhecer, mas os seus chocolates felizmente estão mais acessíveis e a curiosidade de provar outros, e a vontade de repetir estes é grande.

 

Há projetos  muito interessantes! 

 

 

Todas as fotos DAQUI

 

 

 

Kalettes - o engenho e arte humanos associados aos da natureza

por Paulina Mata, em 29.03.18

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Há dias no supermercado vi uns pacotes de uma hortaliça que não conhecia. Chamavam-lhe Kalettes. Peguei no pacote para ver o que era e dizia que era um cruzamento entre couve (kale) e couves de Bruxelas.

 

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De facto o aspecto era de couves em miniatura. Trouxe um pacote para experimentar.

 

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Apenas as salteei num pouco de azeite com um alho esmagado. Gostámos bastante daquelas couves em miniatura. A foto seguinte de uma na minha mão dá para entender melhor a escala.

 

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Tive curiosidade de ir procurar mais de informação sobre estas kalettes. Encontrei o site deste produto, em que é dito que a inspiração para o desenvolvimentos das kalettes veio do desejo de criar um vegetal do tipo couve que fosse versátil, fácil de preparar e tivesse bom aspeto. Podem inclusivamente comer-se cruas. Foram desenvolvidas no Reino Unido pela empresa Tozer Seeds, um processo que demorou cerca de 15 anos usando os processos de hibridização tradicionais. Foram lançadas no UK em 2010, chamavam-lhe na altura flower sprouts, mas passaram praticamente despercebidas. Em 2015 foram lançadas nos EUA e aí começou o seu sucesso, talvez devido a uma campanha de marketing mais agressiva. Agora já podem ser adquiridas em alguns países da Europa (Escandinávia, Holanda, Alemanha e Suíça).

 

Este novo vegetal é de facto interessante e permite uma nova apresentação para as couves, e torná-las mais atraentes e até fáceis de cozinhar. Já não as comprarei muito mais vezes, pois são um produto sazonal e a época é de Novembro e Março. Mas quando estava a pesquisar informação lembrei-me de uma frase de uma das minhas filhas. Em pequena perguntava por vezes (para massa, arroz, feijões...): Mãe, isto nasce ou faz-se ?  Uma resposta rigorosa é difícil... Nasce, mas grande parte dos vegetais e frutos que consumimos foram feitos. O engenho e arte humanos associados aos da natureza.