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Assins & Assados

O Botanista - comida vegana num espaço agradável

por Paulina Mata, em 22.05.19

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A tendência é forte um pouco por todo o lado, e em Portugal também, cada vez há mais pessoas que deixaram de comer produtos de origem animal, e cada vez há mais pessoas também que reduziram o consumo de produtos de origem animal, por isso novos restaurantes vão surgindo, restaurantes que não se dirigem a um grupo especifíco, mas a um público variado. 

 

Até há muito pouco tempo a comida vegetariana e a vegana eram vistas como opções relacionadas sobretudo com a saúde, os pratos oferecidos podiam ser saudáveis, mas frequentemente não eram particularmente atraentes do ponto de vista organolético. Isso está a mudar e cada vez surgem mais restaurantes em espaços agradáveis, com uma comida interessante e  atraente para todos os gostos.

 

Recentemente fui almoçar ao O Botanista, um restaurante que está aberto de 2ª a 4ª das 12 às 20 h e de 5ª a sábado das 12 às 24 h. Um espaço agradável, uma montra de bolos de fazer crescer água na boca... não comi nenhum, mas eram muitos e lindos.  

 

Começamos por pedir uma entrada leve:

 

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Crudités, Creme de Cenoura, Aioli de Alho Negro, Tahini com Limão

 

Pedimos depois três pratos que partilhámos:

 

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Orzotto - Risotto de Cevada, Cebola Caramelizada, Castanha, Espinafres, Azeite Trufado

 

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Hokkaido - Tofu Marinado, Abóbora Hokkaido Assada, Creme de Millet

 

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Polenta com Cogumelos e Nozes - Polenta Cremosa, Queijo Azul, Pleurotos, Espinafres e Nozes.

 

Já satisfeitos, saltámos os bolos e pedimos só uma sobremesa, uma excelente mousse de chocolate com um creme de maracujá.

 

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E para terminar bebi uma daquelas bebidas coloridas tão na moda agora. 

 

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Uma almoço agradável com um preço muito razoável, para três pessoas não chegou aos 40 euros. Pratos bonitos e bons, mas acho que com margem para melhorarem, sobretudo em termos de sabor, que poderia ser um pouco mais forte.

 

É bom ver surgirem estes espaços, cada vez mais agradáveis e com uma boa oferta. Neste caso muito variada, pois estando aberto das 12 às 20 h (ou 24 h) tem muitas opções para além dos pratos principais (sandwiches, panquecas, bowls, bolos, bebidas...). A comida vegana está cada vez melhor, mais variada e mais atraente.

 

O Botanista - Rua Dom Luís I, 19, Cais do Sodré, Lisboa 

Um óptimo jantar com uma surpresa inesperada

por Paulina Mata, em 16.05.19

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Apesar da oferta de comida vegana ser cada vez mais comum, um menu de degustação vegano num restaurante de fine dining ainda é uma coisa relativamente rara. Assim, quando me desafiaram a ir ao Kisama, um restaurante de cozinha de inspiração asiática (sobretudo japonesa) na cave do bar Nocturnal Animals em Birmingham, nem hesitei. O restaurante não é vegano, mas periodicamente oferece uma "Vegan Night".

 

Entrámos pelo bar, descemos à cave, um percurso inspirado pela cultura pop dos anos 1980, e chegámos a uma sala grande com a cozinha à vista. Havia a hipótese do menu de degustação oferecido ser acompanhado por um conjunto de bebidas menos convencionais (kombucha, sumos...), mas decidimos pelo vinho, um Scheurebe. A aventura começou, e os pratos foram chegando a um bom ritmo. 

 

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Wonton Cracker, Pickled Pear, Avocado, Yuzu

 

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Seaweed Salad , Yellow Courgette, Mooli Tosazu

 

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Shitake Gunkan, Two Years Old Soy, Cep Oroshi

 

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Tom Yum, Heritage Tomato, Pineapple, Basil Ginger

 

Um prato interessante e mais complexo que os anteriores, em que uma variedade de tomates era servido com um sorvete de gengibre e lemon grass, ananás grelhado, gengibre cristalizado, óleo de manjericão, tudo coberto com um fino gel de Tom Yum.

 

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Kombu Charred Jersey, Yeast, Puffed Barley, Wild Garlic

 

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BBQ Mooli, Yukon Gold, Yuzu, Champagne Miso

 

O prato chegava com um delicioso puré de batata e o mooli (um rábano de sabor muito suave) e serviam depois o molho. Daqueles pratos que se comem e só por vergonha não se lambe o prato. Muito saboroso! Aliás, também o prato anterior era excelente.

 

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Japanese Woods, Pickled Shimezi, Parnsip, Sour Cherry

 

Um contraste com os anteriores, como que a cortar aquela série de dois pratos e preparar para o seguinte.

 

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Beetroot, Apple, Wasabi, Dashi Gel, Maitake

 

Outro prato delicioso em termos de sabores. Foi muito interessante, e bonito, descobrir também a beterraba, aquele cilindro de beterraba era de facto uma longuíssima tira, muito fina, e enrolada de forma a parecer um cilindro.

 

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Tinha chegado a hora da sobremesa, depois de uma sequência de pratos tão ricos de sabor, com combinações e produtos menos comuns, estava na expetativa se a sobremesa estaria à altura dos pratos anteriores...

 

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Aquafaba Meringue, Passion Fruit, Strawberry

 

Delicioso e fresco, um bom final para a refeição.  Um óptimo jantar! Mas uma surpresa estava ainda para chegar...

 

Na hora de pagar, usei o meu cartão de crédito português, a empregada de mesa olhou para ele com curiosidade, comentei que era um cartão português. Ela diz então "Mas são portugueses? O nosso Chef também é.". Já não estava ninguém no restaurante, na cozinha arrumavam, limpavam e preparavam as coisas para o dia seguinte. Ela chamou alto "Pedro!". O Chef apareceu, curiosamente quando entrei e o vi, achei que a cara dele tinha algo de familiar, comentei até que o achava um pouco parecido com outro chefe português, que a minha primeira reação até tinha sido quase de surpresa. Mas não pensei mais nisso durante o jantar. O Pedro Miranda está por Inglaterra há 8 anos e é o Chef do Kizama, o restaurante que periodicamente oferece estas noites veganas. 

 

Um óptimo jantar com uma surpresa inesperada!

 

 

 

 

 

The Green Affair - comida vegana num ambiente sofisticado

por Paulina Mata, em 11.05.19

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A primeira vez que passei à porta do The Green Affair, fiquei curiosa... Estava fechado, e estavam a preparar as mesas. De fora vi um ambiente agradável, confortável e sofisticado, mais sofisticado do que é habitual em restaurantes veganos. 

 

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Voltei num sábado a seguir para almoçar. Reconheço que já era tarde, e a cozinha estava já fechada. Penso que a situação está agora ultrapassada e que estão abertos todos os dias das 12 - 23 horas. Umas semana depois estava na zona por razões de trabalho, acabei por volta das 13 horas e resolvi ir lá almoçar. Arranjei mesa por pouco, o restaurante estava completamente cheio.

 

Sugeriram-me o menu de almoço. Notei que era fixo, com pratos diferentes em cada dia da semana. Havia sempre um prato que era um versão vegana de um prato que faz parte das memórias gastronómicas dos portugueses (no dia Tofu com Natas)  e outro mais internacional (no dia um Hambúrguer, que pelo que vi nas mesas à volta fazia sucesso). Disse que preferia escolher da carta. A empregada insistiu, que o hambúrguer era muito bom, o prato preferido dela. Insisti nas minhas escolhas... uma entrada e um prato.

 

Chegou a entrada, era bonita e colorida.  Muito fresca e agradável também. 

 

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Tártaro de Beterraba com Pasta de Abacate

 

Para prato principal, apeteceu-me algo mais tradicional, sabores portugueses...

 

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Arroz Malandrinho de Tomate com Sabores do Mar

Tofu selado com o nosso molho do Mar, Cogumelos e Salicórnia

 

Soube-me bem. Uma cozinha conforto e bastante saborosa. Fui olhando à volta, pessoas que trabalhavam por ali, grupos de amigos, mesas só com homens, só com mulheres, ou com homens e mulheres, alguns casais, num deles o homem era uma cara conhecida da televisão. Gente de todas as idades. Uma heterogeneidade de clientes que não é muito habitual num restaurante vegano.

 

Apeteceu-me ficar mais um pouco. Decidi comer uma sobremesa. Pedi uma que não fosse muito doce. Indicaram-me uma que não tinha açúcar refinado adicionado. Arrisquei...

 

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"Cheesecake" crudívero de Caju, Citrinos e Romã com uma base de Frutos Secos e Tâmaras

 

Comi com gosto, mas sem entusiasmo, até meio e deixei o resto. Era muito e um pouco pesado. Acho que tinha ficado mais contente com uma das outras sobremesas. Fica para a próxima...

 

Os preços são razoáveis, não me lembro do valor exato, mas penso que andou pelos 20 euros, talvez uma pouco menos.  Se tivesse optado pelo menu de almoço teria pago 9,5 euros por uma entrada, um prato e uma bebida.

 

Apenas um senão... o restaurante é grande (comprido) e tem uma esplanada, a cozinha é no fundo. Tal faz com que haja um constante vai e vem dos empregados de mesa, atarefados e acelerados. Ver os empregados a correr sempre me deixou cansada, parece que passo eu também a refeição a correr. Sempre achei que um pouco mais de calma não reduziria em muito a eficiência. Penso que cada um fazia o seu melhor, mas acho que era necessária alguma formação para que não se desse tanto por eles e  sentíssemos um pouco mais de calma.

 

Um bom restaurante vegano. Fazem falta mais assim. 

 

The Green Affair -  Av. Duque de Ávila 32-A, Lisboa

1ª, 2ª e 3ª Fotos DAQUI

 

 

La Fauxmagerie - e os seus falsos queijos

por Paulina Mata, em 04.05.19

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Andava eu há dias a Flâner no Mercado de Brixton...

 

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Quando de repente, inesperadamente, dou de caras com a La Fauxmagerie.

 

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A estória até podia ser assim, mas não foi. 

 

A La Fauxmagerie abriu em Londres no início de Fevereiro, surgiram de repente na imprensa imensos artigos sobre esta loja que vende "queijos" à base de plantas. Falavam do sucesso que fazia, das filas`porta... Fiquei curiosa e decidi que quando voltasse a Inglaterra lá iria com a minha filha. Aconteceu agora pela altura da Páscoa. Foi essa  razão que me levou ao mercado de Brixton. Já agora, depois de visitar a loja foi um prazer Flâner pelo mercado.

 

Voltando à loja, ela pertence a duas jovens irmãs uma delas intolerante à lactose e outra vegana. As duas gostavam de queijo e decidiram abrir um loja com produtos de qualidade, à base de plantas, desenvolvidos para substituir o queijo. O objetivo é oferecerem produtos para pessoas que por razões éticas ou de saúde não consomem queijo, e assim não tenham que ser privadas de um sabor e um hábito de consumo que tinham antes. Mas, para além disso, consideram que os produtos que vendem valem por si e que a sua qualidade os torna atraentes até para aqueles que comem queijo. Para além do falso queijo vendem também bom pão, compotas e um produto que imita o mel (dizem que muito bem).

 

Logo após a abertura a associação dos produtores de queijos ingleses (Dairy UK) contactou-as a pedir para removerem a palavra "cheese" e tudo o que estava relacionado com a loja. Dizem que é enganador. Elas responderam-lhes convidando-os a visitar a loja, pois teriam muito gosto em lhes mostrar e dar a provar os produtos que vendem. Disseram-lhes que havia espaço no mercado para todos.  Disseram ainda que a palavra "cheese" vem da palavras "kwat" do Proto-Indo-Europeu, que significa fermentado ou ácido, e que os queijos que vendem obtidos com base em cajus, ou outros frutos secos, e em soja, são também fermentados. Dá que pensar... E também dá que pensar porque é que os produtores de queijo se preocupam tanto com uma pequena loja no mercado de Brixton que vende produtos produzidos artesanalmente e em pequena escala, também por um conjunto de jovens.

 

Quando entrei na loja quase fiquei desiludida... era tão, tão pequena! Apenas um balcão com queijos que tinha menos de 1m2. Ainda tinha uma grande variedade, mas era meio da tarde de sábado e muitos já existiam em pequena quantidade. 

 

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Provámos vários e fui ficando mais entusiasmada, valiam por si, eu comeria qualquer um deles com prazer. Saímos com um conjunto de queijos:

 

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Um tipo cammembert da Mouse's Favourite,  o Nerominded - Black Trufle da I Am Nut OK (uma base de caju fermentada, com carvão ativado e óleo de trufa negra). No interior uns veios dourados de curcuma e por cima também polvilhado com curcuma. Lindíssmo e bastante bom. Já que a minha foto não lhe faz justiça, aqui fica a foto do site.

 

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Trouxemos ainda outro queijo lindíssimo com espirulina da Kinda Co. 

 

Os quatro muito bons, com um aspeto atraente e que eu comeria por aquilo que valem.

 

Já tenho saudades...

 

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Hei-de voltar para Flâner mais um pouco no Mercado de Brixton e comprar mais uns queijos veganos.

 

 

Estamos numa época de mudança e é muito interessante acompanhá-la

por Paulina Mata, em 23.02.19

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Uma notícia que li há pouco, sobre o aumento de lucros da cadeia de bakeries (nunca sei como traduzir, nem sei se temos palavra correspondente) Greggs, fez-me relembrar o início de Janeiro. 

 

A 3 de Janeiro a minha filha mandou-me a foto acima, dois sausage rolls veganos que tinha comprado. Tinham sido lançados naquele dia pela Greggs. A campanha publicitária tinha sido excelente (filme promocional aqui) e eram esperados com grande ansiedade. Eram o resultado de um processo de desenvolvimento de quase um ano, em consequência do enorme aumento da procura por produtos vegetarianos e veganos e, em particular, em resposta a uma petição on-line iniciativa da PETA  (People for the Ethical Treatment of Animals) e assinada por mais de 20000 pessoas que pedia uma versão vegana do produto mais vendido pela Greggs.

 

Imediatamente começou um enorme debate, nalguns casos com posições extremas, que foi objeto de vários artigos na imprensa. Algumas pessoas felizes, já que os sausage rolls têm um lugar especial nos hábitos alimentares dos ingleses e estão muito enraizados na sua cultura gastronómica, e finalmente iam poder voltar a comê-los. Tinha sido uma opção não comerem carne, mas sentiam a falta dos sausage rolls. Outros discutiam se se podiam chamar de sausage rolls, já que não tinham porco, procuravam encontrar defeitos, e chegavam a considerar que era quase um ultraje o Greggs vender sausage rolls veganos, sentiam-no como uma traição ou uma ameaça.  Alguns achavam que o facto de terem sido lançados na altura apenas em cerca de metade da lojas representava um juízo de valor relativamente às localidades onde não foram vendidos logo nos primeiros dias. Alguns desesperavam, as lojas já os tinham, mas não tinham as pinças para os servir, estas tinham que ser diferentes para não haver contaminação cruzada com os produtos contendo carne. Enfim, tudo reações fortes...

Tal não aconteceu quando outras cadeias lançaram produtos veganos. Era referido que outras cadeias eram bastante globais, e menos enraizadas na cultura britânica. A situação da Greggs é particular, é a maior cadeia de bakeries do UK, e provavelmente a mais antiga (desde 1951), com quase 2000 lojas, cujos lucros aumentaram em 2018 quando a generalidade das cadeias sentia dificuldades. Vende basicamente produtos tradicionais, a preços relativamente baixos, vendendo mais de 1,5 milhões de sausage rolls por semana.  Os motivos para a forte reação, em que havia pessoas que diziam que tinham sido coisas como aquela que as tinha feito votar a favor do Brexit, ou que nunca mais entrariam num Greggs, eram, segundo alguns, razões políticas e de classe. 

 
Tudo isto, que fui acompanhando nos primeiros dias deste ano era muito interessante. Dois dias depois do lançamento estive com a minha filha, que antes passou num Greggs para comprar sausage rolls veganos para provarmos. Eram bons, tão bons como me lembrava da versão com carne. No dia seguinte, a caminho do autocarro, passei em frente de um Greggs e comprei um, mas de carne, ainda tinha a memória fresca do vegano e queria comparar. Sabores idênticos, a textura do recheio do vegano era um pouco mais densa.
 
Regressei e não voltei a comer mais nenhum, mas o sucesso continua, a vendas continuam a subir e os lucros ultrapassaram as expetativas da empresa. Dizem que possivelmente não apenas devido à venda de sausage rolls veganos, mas também à publicidade associada. 
 
Um fenómeno interessante, estamos verdadeiramente numa época de mudança a que é muito interessante assistir. Não só assistir à mudança,  como às reações das pessoas perante ela. 

 

 

Um verdadeiro mimo!

por Paulina Mata, em 28.01.19

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No início do mês fui com a minha filha a uma pequena e despretensiosa pastelaria que tinha aberto perto da casa dela, num bairro nos subúrbios de Birmingham. O que nos levou lá foi terem alguns bolos veganos. Saímos de lá com o bolo acima, com a sensação de que estávamos verdadeiramente a mimar-nos, e antecipando o momento de o comermos.

 

Um bolo com um aspeto e uma qualidade excelentes. Espetada no bolo vinha uma pequena pipeta com um xarope de sumo de limão, para o "temperarmos" a gosto. 

 

Criar e inovar, sobretudo no mercado de luxo, cada vez é mais difícil pois a concorrência de estabelecimentos menos pretensiosos e a rápida integração do que ontem era novidade é grande. Vejo com muito interesse e simpatia espaços como este, que têm por detrás gente com conhecimentos e paixão, que querem, sem comprometer a qualidade, abrir pequenos negócios mais sustentáveis. Acho fantástica esta democratização da cozinha!

 

Violeta, obrigada pela foto.

 

 

Tem a certeza que conseguiria distingir sempre a versão vegana da não vegana?

por Paulina Mata, em 15.01.19

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Eu tenho a certeza que nem sempre conseguiria... eles também não conseguiram...

 

Divertido! Mas dá que pensar...

 

 

Street Food... Vegana...

por Paulina Mata, em 08.11.18

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As feiras de comida são sempre muito animadas em Inglaterra, sempre com muita variedade de produtos e muito concorridas. As feiras de produtos e comida veganos não são exceção. Fui a uma que, curiosamente, teve lugar na catedral de Coventry, no exterior e também dentro.

 

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Gosto desta abertura das igrejas para receber eventos da comunidade. Mas nem toda a gente gosta e até acha que é um sacrilégio...

 

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Mas se a senhora tivesse entrado, veria que não era um mercado de vegetais, eventualmente até acharia pior do que isso... A variedade de oferta era muita e reflete bem o que disse no post anterior. Comida normal, que agradaria a qualquer pessoa.

 

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Os veganos gostam de comer, têm prazer em comer, e uma grande criatividade, tendo arranjarado formas de manter rituais e ir ao encontro de memórias grastronómicas de quando não eram veganos. 

 

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Provei e disse: Se não soubesse, acharia que eram de carne, o sabor e a textura são parecidos... 

 

Eram mesmo!

 

 

 

 

Duas culturas, duas aproximações diferentes à comida vegana

por Paulina Mata, em 08.11.18

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Dado que o post recente sobre atitudes relativamente a veganos foi o post mais comentado de sempre aqui, decidi escrever nos próximos dias mais uns relacionados com esta temática que já estavam mais ou menos planeados. 

 

Por razões que já referi muitas vezes, tenho alguma experiência de refeições veganas em Inglaterra, e também cá (embora menos). Tem sido curioso comparar o tipo de pratos oferecidos em ambos os países. A minha perceção (não fiz uma análise exaustiva e objetiva) é que a comida vegana oferecida em Portugal em geral pretende ser também uma comida saudável. Sinto quase sempre uma associação vegana / saudável. Já em Inglaterra, isso pode acontecer nalgumas situações, mas não é tão óbvio. Talvez também porque as formas de comer sejam diferentes. A street food é muito mais presente, e sobretudo muito mais consumida, em Inglaterra, sendo muito variada e dinâmica. Portanto há muita street food vegana. Como quase todos os restaurantes e cadeias de restaurantes têm menus ou pratos veganos, acaba por ser muito na linha do que existe nesses restaurantes. Não há de facto uma diferença  muito óbvia entre comida vegana e não vegana. Acho que alguns pratos veganos que comemos nos últimos meses ilustram bem o que digo.

 

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Pratos muito variados, muito coloridos, saborosos, uns leves, outros pesados...  Come-se com prazer e não se sente a falta da carne. E os doces também não faltam...

 

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E nisto de doces, há um pequeno café a que fui uma vez, e que vou espreitando o que faz, e que não deixa nunca de me espantar . o Seaside Kitchen & Cake Parlour em Margate. Aqui fica uma imagem do High Tea e outra do Brunch deles (que não comi, mas roubei as fotos).

 

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Do meu ponto de vista, a comida vegana é a área onde atualmente vejo mais criatividade e uma evolução maior. Também uma utilização diferente de alguns produtos, por exemplo é muito comum ver-se a  jaca, que sendo uma fruta não é particularmente doce, e é usada para substituir a carne em caril, em sandes, ou para saltear como se fosse, por exemplo, frango.

 

 

 

 

 

Inaceitável!  Como se justificam este tipo de reações relativamente a quem apenas não quer comer produtos de origem animal?

por Paulina Mata, em 04.11.18

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A resposta que William Sitwell, editor do Waitrose Magazine, deu a uma jornalista freelancer, Selene Nelson, que o contactou a propor uma serie de artigos sobre comida vegana, tem sido a causa de uma grande polémica na última semana no Reino Unido. Não só através das redes sociais, mas também em toda a imprensa. Situação que culminou com a demissão de Sitwell, escritor, editor há cerca de 20 anos do Waitrose Magazine, e elemento do júri do MasterChef.

 

Segundo a própria jornalista os motivos que levaram a propor esse trabalho e o que de facto propôs foram:

 

Last week, I pitched an article to my favourite food magazine. Inspired by Waitrose’s announcement that plant-based sales had soared 85 per cent, I emailed Waitrose Food‘s editor, William Sitwell, about a new series on vegan food: plant-based recipes, tips from vegan chefs, new ways of cooking with new ingredients. This series wouldn’t just appeal to vegans, I wrote, but anyone looking to eat more healthily and sustainably. The email was sent in a professional capacity, to the email address Sitwell publicises on his website – not, as claimed, a “private email”.

 

A resposta de Sitwell foi a seguinte:

 

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É incompreensível num país em que há mais de 3,5 milhões de consumidores veganos, e trabalhando Sitwell para a uma cadeia de supermercados que pretende ter um posicionamento a um nível de topo, não só em termos de qualidade, mas também em termos de sustentabilidade e comportamento ético. E neste caso isso não se refere apenas à forma de produção do que vendem, mas também respeito e condições de trabalho oferecidos aos colaboradores (que são referidos como partners) e em relação ao bem estar dos clientes.  A Waitrose foi ainda a primeira cadeia de supermercados no Reino Unido a ter uma linha própria de produtos veganos. Considerando tudo isto a resposta é ainda mais chocante, revelando também uma grande falta de profissionalismo e de responsabilidade. Atualmente este tipo de coisas chega em poucas horas ao conhecimento de milhões de pessoas e envolve não só quem escreve mas, em situações como estas, a imagem das empresas.

 

Quando li pela primeira vez, fiquei curiosa com o desenrolar do processo. Na minha opinião ele não podia continuar nem mais um dia, sob pena de ferir gravemente a reputação da Waitrose. A empresa imediatamente disse que o que tinha sido dito por Sitwell não refletia de todo a sua posição. As opiniões dividiram-se entre aqueles que enquanto não fosse tomada uma posição mais forte pela empresa deixariam de consumir produtos desta cadeia de supermercados, e aqueles que desvalorizavam o teor do email, considerando-o um email privado, ou vendo nele algum sentido de humor. Aliás, desculpa dada pelo próprio Sitwell.

 

He said he had enjoyed working on Waitrose Food for the last two decades and reiterated his “apology to any food and life-loving vegan who was genuinely offended by remarks written by me as an ill-judged joke in a private email and now widely reported”.

 

Um email enviado pelo editor de uma revista, em resposta a uma proposta profissional de trabalho pode ser considerado um email privado?  Parece-me que não.

 

Um email que revela uma atitude hostil e até ódio relativamente a um grupo de consumidores que apenas decidiu não comer produtos de origem animal é aceitável? Parece-me que não. 

 

É inacreditável o que se ouve quando se fala de veganos, desde chefes a dizer que se querem comer assim, que comam em casa e não saiam à rua, até coisas como estas. Mas não só, é muito desgastante ter que justificar constantemente uma opção alimentar que não obriga ninguém e ouvir constantemente "piadas" desagradáveis, ou questões que são sempre as mesmas.

 

Na generalidade o objetivo de quem segue esta dieta não é fazer ninguém sentir-se mal, mas preocupações com o bem estar animal, e portanto consumir excluindo, tanto quanto possível, tudo o que resulte de exploração de animais e crueldade relativamente a estes. Mas também preocupações com o ambiente, a sustentabilidade e a saúde. Aliás estas últimas razões têm feito com que muitas pessoas mudem a sua dieta, e mesmo quando não se tornam 100% veganos, tenham tendência a consumir cada vez mais pratos baseados em plantas.

 

Coisas que dão que pensar...