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Assins & Assados

Street Food... Vegana...

por Paulina Mata, em 08.11.18

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As feiras de comida são sempre muito animadas em Inglaterra, sempre com muita variedade de produtos e muito concorridas. As feiras de produtos e comida veganos não são exceção. Fui a uma que, curiosamente, teve lugar na catedral de Coventry, no exterior e também dentro.

 

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Gosto desta abertura das igrejas para receber eventos da comunidade. Mas nem toda a gente gosta e até acha que é um sacrilégio...

 

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Mas se a senhora tivesse entrado, veria que não era um mercado de vegetais, eventualmente até acharia pior do que isso... A variedade de oferta era muita e reflete bem o que disse no post anterior. Comida normal, que agradaria a qualquer pessoa.

 

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Os veganos gostam de comer, têm prazer em comer, e uma grande criatividade, tendo arranjarado formas de manter rituais e ir ao encontro de memórias grastronómicas de quando não eram veganos. 

 

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Provei e disse: Se não soubesse, acharia que eram de carne, o sabor e a textura são parecidos... 

 

Eram mesmo!

 

 

 

 

Duas culturas, duas aproximações diferentes à comida vegana

por Paulina Mata, em 08.11.18

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Dado que o post recente sobre atitudes relativamente a veganos foi o post mais comentado de sempre aqui, decidi escrever nos próximos dias mais uns relacionados com esta temática que já estavam mais ou menos planeados. 

 

Por razões que já referi muitas vezes, tenho alguma experiência de refeições veganas em Inglaterra, e também cá (embora menos). Tem sido curioso comparar o tipo de pratos oferecidos em ambos os países. A minha perceção (não fiz uma análise exaustiva e objetiva) é que a comida vegana oferecida em Portugal em geral pretende ser também uma comida saudável. Sinto quase sempre uma associação vegana / saudável. Já em Inglaterra, isso pode acontecer nalgumas situações, mas não é tão óbvio. Talvez também porque as formas de comer sejam diferentes. A street food é muito mais presente, e sobretudo muito mais consumida, em Inglaterra, sendo muito variada e dinâmica. Portanto há muita street food vegana. Como quase todos os restaurantes e cadeias de restaurantes têm menus ou pratos veganos, acaba por ser muito na linha do que existe nesses restaurantes. Não há de facto uma diferença  muito óbvia entre comida vegana e não vegana. Acho que alguns pratos veganos que comemos nos últimos meses ilustram bem o que digo.

 

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Pratos muito variados, muito coloridos, saborosos, uns leves, outros pesados...  Come-se com prazer e não se sente a falta da carne. E os doces também não faltam...

 

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E nisto de doces, há um pequeno café a que fui uma vez, e que vou espreitando o que faz, e que não deixa nunca de me espantar . o Seaside Kitchen & Cake Parlour em Margate. Aqui fica uma imagem do High Tea e outra do Brunch deles (que não comi, mas roubei as fotos).

 

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Do meu ponto de vista, a comida vegana é a área onde atualmente vejo mais criatividade e uma evolução maior. Também uma utilização diferente de alguns produtos, por exemplo é muito comum ver-se a  jaca, que sendo uma fruta não é particularmente doce, e é usada para substituir a carne em caril, em sandes, ou para saltear como se fosse, por exemplo, frango.

 

 

 

 

 

Inaceitável!  Como se justificam este tipo de reações relativamente a quem apenas não quer comer produtos de origem animal?

por Paulina Mata, em 04.11.18

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A resposta que William Sitwell, editor do Waitrose Magazine, deu a uma jornalista freelancer, Selene Nelson, que o contactou a propor uma serie de artigos sobre comida vegana, tem sido a causa de uma grande polémica na última semana no Reino Unido. Não só através das redes sociais, mas também em toda a imprensa. Situação que culminou com a demissão de Sitwell, escritor, editor há cerca de 20 anos do Waitrose Magazine, e elemento do júri do MasterChef.

 

Segundo a própria jornalista os motivos que levaram a propor esse trabalho e o que de facto propôs foram:

 

Last week, I pitched an article to my favourite food magazine. Inspired by Waitrose’s announcement that plant-based sales had soared 85 per cent, I emailed Waitrose Food‘s editor, William Sitwell, about a new series on vegan food: plant-based recipes, tips from vegan chefs, new ways of cooking with new ingredients. This series wouldn’t just appeal to vegans, I wrote, but anyone looking to eat more healthily and sustainably. The email was sent in a professional capacity, to the email address Sitwell publicises on his website – not, as claimed, a “private email”.

 

A resposta de Sitwell foi a seguinte:

 

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É incompreensível num país em que há mais de 3,5 milhões de consumidores veganos, e trabalhando Sitwell para a uma cadeia de supermercados que pretende ter um posicionamento a um nível de topo, não só em termos de qualidade, mas também em termos de sustentabilidade e comportamento ético. E neste caso isso não se refere apenas à forma de produção do que vendem, mas também respeito e condições de trabalho oferecidos aos colaboradores (que são referidos como partners) e em relação ao bem estar dos clientes.  A Waitrose foi ainda a primeira cadeia de supermercados no Reino Unido a ter uma linha própria de produtos veganos. Considerando tudo isto a resposta é ainda mais chocante, revelando também uma grande falta de profissionalismo e de responsabilidade. Atualmente este tipo de coisas chega em poucas horas ao conhecimento de milhões de pessoas e envolve não só quem escreve mas, em situações como estas, a imagem das empresas.

 

Quando li pela primeira vez, fiquei curiosa com o desenrolar do processo. Na minha opinião ele não podia continuar nem mais um dia, sob pena de ferir gravemente a reputação da Waitrose. A empresa imediatamente disse que o que tinha sido dito por Sitwell não refletia de todo a sua posição. As opiniões dividiram-se entre aqueles que enquanto não fosse tomada uma posição mais forte pela empresa deixariam de consumir produtos desta cadeia de supermercados, e aqueles que desvalorizavam o teor do email, considerando-o um email privado, ou vendo nele algum sentido de humor. Aliás, desculpa dada pelo próprio Sitwell.

 

He said he had enjoyed working on Waitrose Food for the last two decades and reiterated his “apology to any food and life-loving vegan who was genuinely offended by remarks written by me as an ill-judged joke in a private email and now widely reported”.

 

Um email enviado pelo editor de uma revista, em resposta a uma proposta profissional de trabalho pode ser considerado um email privado?  Parece-me que não.

 

Um email que revela uma atitude hostil e até ódio relativamente a um grupo de consumidores que apenas decidiu não comer produtos de origem animal é aceitável? Parece-me que não. 

 

É inacreditável o que se ouve quando se fala de veganos, desde chefes a dizer que se querem comer assim, que comam em casa e não saiam à rua, até coisas como estas. Mas não só, é muito desgastante ter que justificar constantemente uma opção alimentar que não obriga ninguém e ouvir constantemente "piadas" desagradáveis, ou questões que são sempre as mesmas.

 

Na generalidade o objetivo de quem segue esta dieta não é fazer ninguém sentir-se mal, mas preocupações com o bem estar animal, e portanto consumir excluindo, tanto quanto possível, tudo o que resulte de exploração de animais e crueldade relativamente a estes. Mas também preocupações com o ambiente, a sustentabilidade e a saúde. Aliás estas últimas razões têm feito com que muitas pessoas mudem a sua dieta, e mesmo quando não se tornam 100% veganos, tenham tendência a consumir cada vez mais pratos baseados em plantas.

 

Coisas que dão que pensar...

 

 

 

My Mother's Daughters - comida vegana em Lisboa

por Paulina Mata, em 24.04.18

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As pessoas vegetarianas e veganas são cada vez mais, e em Portugal também, por isso em Lisboa abrem cada vez mais restaurantes vegetarianos e veganos. Curiosamente, comparando com a situação em Inglaterra, e particularmente em Birmingham, noto que em Lisboa há muito mais restaurantes exclusivamente veganos (estive a contar e serão cerca de 20), mas é mais difícil encontrar noutros restaurantes pratos veganos e ainda menos menus com várias opções exclusivamente veganas.

 

Quando a minha filha vem a Lisboa, vem sempre com uma lista de coisas novas para experimentar, de vez em quando vou com ela, e já vou conhecendo alguns. Desta vez fomos almoçar a um restaurante que abriu em Novembro passado, o My Mother's Daughters. Pelo que li, um restaurante aberto por uma Mãe e as suas três filhas. Sendo uma delas vegana, decidiram abrir um espaço que apenas serve comida vegana, e em que o menu muda regularmente para usar essencialmente os vegetais da estação.

 

Na decoração, também tiveram a preocupação de usar madeiras de fontes sustentáveis e, por exemplo, o balcão (1ª foto) é forrado de azulejos partidos que estavam destinados ao lixo. As loiças, talheres,candeeiros... são originais recorreram a artistas portugueses para os criar. Adorei os candeeiros, as loiças muito bonitas também. Já os garfos me fizeram resmungar muito durante toda a refeição... dadas as suas características, viram-se nos dedos e é um desafio usá-los.

 

Éramos três pessoas, fui a primeira a chegar e entrei numa sala pequena, mas bastante bonita e acolhedora. Estavam apenas três ou quatro pessoas a comer e disseram-me que não tinham mesa dentro. Estava tudo reservado. Sugeriram que ficássemos na pequena esplanada e que logo que possível nos mudariam para dentro. Sentámo-nos e enquanto víamos o menu trouxeram-nos copos e um jarro com água, ervas e uma tira de casca de beterraba. Muito bonito e agradável.

 

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Pouco depois de termos escolhido, conseguiram arranjar-nos mesa, passámos para dentro, e a refeição começou.

 

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 "Burrata" com Pesto

 

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 Soufflé de Legumes e Ohmm-let de Cogumelos com "Bacon" e "Maionese"

 

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Especial Mother - Hamburguers com puré de batata doce roxa

 

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 Pão desQueijo

 

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 Bolo de Chocolate, Tarte de Chocolate crua, chá, café e um "latte" de baunilha com carvão

 

Ao longo da refeição foi entrando cada vez mais gente, uns para as mesas marcadas, outros para à procura de mesa, e perdeu-se a sensação de calma e serenidade inicial. Quanto à comida, pratos em geral com boa apresentação, atraentes e saborosos. Não gostei muito do Pão desQueijo, achei muito interessante a "burrata", os bolos foram um bom final de refeição e particularmente o bolo de chocolate era muito bom.

 

Quando chegou a conta é que ficou tudo um pouco mais amargo, quase 60 euros pela refeição, tendo bebido apenas água. Não é barato, por comparação com os preços em Inglaterra, na zona onde vivo, é bem mais caro. Mas o restaurante estava cheio e muita gente à espera... essencialmente mulheres, homens eram muito poucos. Parece que há mais mulheres vegetarianas e veganas do que homens.

 

Não posso deixar de dizer... tenho pena que o nome seja em inglês. São tão mais bonitos os nomes em português...

 

 

 

Um menu vegan num restaurante de fine dining

por Paulina Mata, em 12.02.18

 

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Nos últimos anos tenho comido muitas refeições vegan. A minha filha mais nova é vegan há cerca de 3 anos e, quando estou com ela,  a maior parte das vezes, como também refeições vegan. Para podermos partilhar, porque acho mais simpático e para abrir horizontes (e tem aberto mesmo). Já me aconteceu não ter pedido um prato vegan, e depois de provar o dela ter concluído que tinha feito mal. Foram refeições em casa e em restaurantes, uns de comida mais rápida e menos elaborada, outros em restaurantes de cadeias, que por aqui têm sempre pratos vegan, outros em restaurantes independentes de comida vegan, vegetariana, ou apenas oferecendo alguns pratos vegan. Faltava-me comer uma refeição vegan num restaurante de fine dining. Nem todos oferecem um menu equivalente ao menu normal, em número de pratos e qualidade, mas a minha filha sabia que o restaurante Adam's, no centro de Birmingham, e com uma estrela Michelin, o fazia. Mais que isso, tinha ouvido muito boas referências. 

 

Fazem os menus vegan, mas apenas se solicitado antes (embora tenha verificado que há pratos que fazem  parte dos menus servidos habitualmente). Assim, quando da marcação (na véspera) dissemos que pretendíamos uma refeição vegan. A (boa) experiência começou aí. Quem fez a marcação deu os parabéns pela escolha sensata, e pelo facto de com essa opção alimentar estarmos a contribuir para salvar o nosso planeta. Disse ainda que não tinha conseguido fazer essa opção, mas andava a reduzir o consumo de carne a 1 ou 2 vezes por semana, mas que o principal problema dele era a manteiga porque adorava cozinha francesa. Ou seja, um atendimento muito simpático, personalizado, em que fizeram sentir que não era um pedido inconveniente para eles, mas que tinham todo o gosto em se adaptar aos nossos requisitos alimentares. (Uns dias antes tinha ouvido relatar uma situação ocorrida num outro restaurante com uma estrela Michelin em que disseram que não faziam, mas tiveram a infeliz ideia de dizer às pessoas que se queriam comer lá, tinham a opção de deixar de serem vegans por um dia).

 

Entrámos numa sala muito confortável e agradável, com um bom espaço entre as mesas. Depois de nos sentarmos trouxeram-nos a carta e havia duas escolhas, um menu com 8 pratos e um menu com 3 pratos. Não nos tinham perguntado nada sobre isso e portanto estavam preparados para nos servir qualquer dos tipos de menus que ofereciam habitualmente. Os preços também eram os mesmos dos menus não vegan. Escolhemos o menu de 3 pratos (£ 39,5), mas nesse havia duas opções para cada prato. Perguntámos se podíamos escolher os dois menus diferentes, e portanto os 6 pratos. Disseram-nos que não havia qualquer problema nisso, e assim foi. Ou seja, provámos 6 dos pratos oferecidos no menu de 8 pratos.

 

Antes dos pratos, chegaram-nos os amuse-bouche: couve-flor (um dos géis era de coentros), biscoitos de noz recheados com creme de aipo-nabo, crackers de arroz com um creme tipo maionese (corados de negro) e um cone com fondant de tomate e puré de abóbora. Sabores e texturas muito variados, todos muito bons.

 

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 Foi depois o momento de dois excelentes pães. 

 

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Seguiram-se então os pratos, para começar:

 

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 Celeriac, parsley, pine

 

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 King oyster, mushroom ketchup, shiitake tea

 

O primeiro muito bom. O segundo excelente. Com aquele ar simples era de uma riqueza de texturas e sabores muito grande. O chá de shiitake (no copo atrás do prato) com uma grande intensidade de sabor, fazia toda a diferença. Um prato que não vou nunca esquecer. Que gostaria de comer muito mais vezes. 

 

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 Purple sprouting broccoli, sourdough

 

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 Salt baked salsify, parsley root, shiitake

 

Dois pratos também muito bons, ricos em sabores e texturas como os anteriores. Mas, considerando a estrutura habitual de um menu, em que há entrada, seguida de prato principal, as expectativas eram outras - de algo mais "substancial" com a estrutura de um prato principal. Também penso que deveria haver um crescendo no menu. Para mim, depois daquele prato de cogumelos era difícil... Trocando a ordem dos pratos ficaria mais feliz. Não era preciso serem outros, apenas trocar a ordem, principalmente o dos brócolos com o dos cogumelos.

 

Chegou em seguida uma pré sobremesa: 

 

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Inspirada no arroz doce com manga tailandês, manga fresca, um gelado de manga, uma espuma de coco e caril verde, por cima arroz (quase pareciam uns insectos, até me assustei e pensei, "mas não tínhamos pedido vegan?")

 

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 Dark chocolate, passion fruit, mango

 

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 Comice pear, toasted hay, praliné

 

Muito boas as sobremesas, e também a pré sobremesa, seria ainda melhor se não tivesse havido a repetição do gelado de manga na pré sobremesa e na sobremesa. Para terminar uns bombons. E à saída deram-nos ainda uma caixinha com outros bombons para trazermos.

 

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Um óptimo almoço, que acompanhámos com um vinho branco inglês a copo - Sixteen Ridges, Bacchus, 2015. 

Falta falar do serviço, que foi excelente, sempre muito atento e simpático. Mas teve uma curiosidade extra. A certa altura a minha filha diz, "acho que o empregado é português, pelo sotaque pareceu-me". Quando escolhi o vinho conversei um pouco com o sommelier (que não era português) sobre os vinhos ingleses. No final ele disse "sei que são portuguesas, ontem estive a provar vinhos portugueses da Quinta do Crasto". Ainda suspeitámos mais fortemente que o empregado que tinha estado antes na nossa mesa era português. Perguntámos, e era mesmo. Fez o curso em Portugal, numa escola do norte, e quando acabou havia uma oportunidade de trabalho em Inglaterra. Veio, para ganhar experiência durante uns meses, está cá há seis anos, os últimos quatro no Adam's. Passado um pouco apareceu para nos trazer outros pratos com outra colega e disse, "desta vez vêm os dois portugueses". Falei com ela que me disse que tinha trabalhado em alguns restaurantes em Lisboa, e depois decidiu vir ganhar alguma experiência para Inglaterra. Está no Adam's há seis meses, falou-me do bom ambiente de trabalho, ambos gostam muito de viver em Birmingham. 

 

Uma óptima experiência, fiquei a saber que os menus vegan são feitos quando pedidos na marcação e variam, que se lá voltar provavelmente não vou comer nenhum daqueles pratos. Era muito bom que cada vez mais restaurantes deste nível fizessem o mesmo. Gostei muito da comida, gostei do ambiente, e fiquei com vontade de voltar para outras experiências.

 

 

 1ª Foto DAQUI

Veganuary

por Paulina Mata, em 31.01.18

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Este mês decorreu o Veganuary, acontece em Janeiro, desde 2014. Um mês em que se encorajam as pessoas a aderirem (inteiramente ou parcialmente) a uma dieta vegan. Um movimento que está a crescer mesmo muito. É fácil entendê-lo aqui onde a generalidade dos restaurantes oferece opções vegan ou menus vegan muito completos, onde os supermercados cada vez têm mais  produtos vegan. 

 

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Quanto ao Veganuary, há o site que auxilia as pessoas, e há uma adesão muito grande de restaurantes que oferecem opções vegan. Vários têm anunciado que o sucesso tem sido tanto que as vão manter. Há outros que oferecem descontos substanciais mediante a apresentação de códigos ou vouchers que se obtêm através dos sites dos restaurantes. Por exemplo 50% de desconto na comida vegan, ou 50% de desconto nos pratos principais. Os supermercados também aderem lançando novas linhas de produtos.

 

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Foi um mês em que calhou estar várias vezes em Birmingham com a minha filha mais nova e por isso temos aproveitado e comido coisas óptimas a preços excelentes. 

 

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Acredito que seja uma moda que veio para ficar, pelo menos durante muito tempo. Hoje  olho para cartas que não têm opções vegan como pertencendo ao século passado. Não só porque insistem em ignorar um público cujos números crescem (muito), como pela falta de flexibilidade e criatividade em desenvolver pratos sem produtos animais. Ainda entendo menos em restaurantes que falam de sustentabilidade...  para isso é essencial comermos menos carne.

 

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Não sendo vegan, cada vez gosto mais das descobertas que vou fazendo. Os pratos que ilustram este post são alguns dos que comi este mês.

 

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Ovos estrelados sem ovos

por Paulina Mata, em 23.11.17

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Diz o ditado popular que não se fazem omeletes sem ovos. Mas é um ditado de outros tempos... conseguem-se fazer "omeletes" parecidas e sem ovos. Assim como se fazem "ovos estrelados sem ovos".  Eu sei que não é exactamente o mesmo, mas cumpre o seu papel. Há dias a minha filha, que é vegan, disse-me que estava com saudades de ovos estrelados e de molhar o pão na gema. Decidimos meter mão à obra e fazer "ovos estrelados" sem ovo.

 

O jantar foram os "ovos estrelados", cogumelos salteados e umas fatias de pão torrado com alho e azeite.  Foi divertido cozinhá-los, porque parte do processo é idêntico ao dos ovos normais. Também fritam na frigideira:

 

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E foi divertido comê-los e molhar o pão na gema:

 

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Até fazia lembrar a gema real. Vamos agora aperfeiçoar ainda mais o nosso ovo. 

 

E não me venham dizer, como tantas vezes oiço:

"Se são vegans, porque é que imitam as comidas não vegans? Comidas que por opção deixaram de comer."

 

A resposta adaptei-a de uma que a minha filha colocou aqui num comentário de um outro post:

 

"A grande maioria das pessoas vegan não escolheram ser vegan porque não gostavam do sabor dos produtos de origem animal, grande parte de nós adorava. A maior parte dos vegans tornam-se vegan por questões relacionadas com direitos dos animais. No entanto, são poucas as pessoas que nasceram vegan, como tal, fomos a vida toda habituados a comer e a gostar de produtos de origem animal. Quando nos apercebemos da realidade por detrás da produção de alimentos de origem animal, naturalmente deixamos de os querer consumir, mas não deixamos de gostar do sabor. 

Estes produtos são uma forma de podermos continuar a usufruir do mesmo sabor das comidas que gostámos a vida toda mas sem contribuir, nem apoiar, práticas com as quais não concordamos. Para além disso, muitas das memórias das pessoas estão associadas à comida. Para mim que vivo fora de Portugal, por exemplo, ovos mexidos com farinheira é uma comida muito portuguesa que me faz lembrar Portugal. Sendo vegan nunca iria comer a versão “verdadeira”, mas o facto de poder ter uma versão vegan destes pratos tradicionais também me faz sentir mais próxima do meu país :) "

 

De facto comer, é muito mais do que o que está no prato, e se tivermos isto em conta, é muito fácil entender estas imitações. São os sabores, são os rituais e os gestos, são as memórias que se procuram.

 

 

 

 

A Cozinha da Larissa no seu Quintal d'Santo Amaro

por Paulina Mata, em 14.10.17

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A Larissa chegou há cerca de um ano do Rio de Janeiro. Veio do outro lado do Atlântico para estudar. Tinha acabado um curso de gastronomia, mas sentia muita necessidade de aprofundar conhecimentos sobre técnicas e ciência dos alimentos. Fui reler a carta que me escreveu quando da sua candidatura ao curso, e acho que não há melhores palavras para descrever o seu percurso até chegar à gastronomia do que as da Larissa. Espero que ela não se zangue comigo, mas achei-as muito bonitas.

 

Nasci e cresci em Barra do Piraí, uma pequena cidade no interior do Estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Sou descendente de família paterna de Sírios e família materna de Libaneses e entre as minhas memórias infantis, uma das mais vivas é o fogão aceso da vovó, o cheiro de broa e o saco branco que estava constantemente secando a coalhada na pia.

 

Aprendi cedo que comida boa é aquela que se faz em casa, e não adianta correr pois cada alimento tem o seu tempo de cozimento e pré-preparo. Nunca entendi muito bem a necessidade de tantas etapas, mas lembro que aos cinco anos meu programa preferido era moer carne na máquina pesada de ferro do vovô.

 

Aos 15 anos sai da casa da minha mãe e me mudei para o Rio de Janeiro. Meu pai, sempre muito preocupado com a educação dos filhos, achava que na capital eu estudaria em uma escola melhor e teria mais chances de ingressar em uma boa universidade. O primeiro ano morando sozinha foi muito difícil e, se por um lado estar na cozinha sempre me fascinou, naquela época, se tornou uma necessidade. Aprendi a fazer a minha própria comida e logo tomei gosto pelo fogão. Aos poucos comecei a entender as tantas etapas necessárias para o preparo de cada alimento e em pouco tempo minha casa se tornou uma experiência de sabores, uns bons outros não tão bons assim. Comecei a cozinhar para meus irmãos e meus amigos. Se por um lado eles gostavam de comer por outro, eu gostava de fazer.

 

Com 17 anos fui fazer intercâmbio na Austrália. Embora o objetivo principal fosse aprimorar meu inglês, ao chegar lá conheci pessoas das mais diversas culturas, que comiam os ingredientes mais exóticos que eu já tinha ouvido falar. Querendo ou não eu precisava me comunicar com esse universo de sabores que se abria na minha frente. O inglês melhorou, mas o meu paladar, sem dúvida, se aprimorou.

 

Voltei para o Brasil e entrei para a faculdade de Jornalismo. Me formei e trabalhei durante 7 anos em uma grande emissora de televisão brasileira, a TV Globo. Como o salário era pouco, comecei a vender doces, sanduíches e compotas para complementar a renda. Em 2011 sai da TV para trabalhar com Marketing. Embora eu gostasse do meu trabalho, me faltava paixão. Durante todo esse tempo, sempre cozinhei nas minhas festas, nos aniversários dos amigos, e depois que a vovó morreu, assumi o fogão nos encontros da família.

 

Estava acostumada a cozinhar para muitas pessoas e em 2014 resolvi fazer da cozinha a minha segunda profissão. Abri um “Ateliê Culinário”, como gosto de chamar minha pequena empresa que oferece o serviço de chefe em casa, encomendas para festas com até 80 pessoas e pequenos encontros onde ensino alguns pratos para aqueles que querem se aventurar pela cozinha.  Em 2015, certa de que precisava me aprimorar, ingressei em um curso de Chef Executivo no SENAC. 

 

Depois do SENAC a vida da Larissa continuou deste lado do Atlântico, fechou o seu Ateliê Culinário, cozinhou menos, e estudou muito. Gostou de nós e resolveu ficar por Lisboa. Para o fazer precisa de trabalhar e voltou à cozinha. Com uma pequena empresa, de momento num espaço pequeno e muito agradável, onde não pode ter um fogão. Mas tem um forno, e com ele faz muita coisa.

 

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No seu Quintal d'Santo Amaro, a Larissa oferece todos os dias várias opções veganas. Para confecionar os pratos, que quer saborosos, mas equilibrados e que contribuam para que as pessoas comam melhor, usa vegetais orgânicos. Pode-se comer numa das pouquíssimas mesas do espaço, ou levar para casa.

 

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Todos os dias a Larissa tem uma Lunch Box diferente, com muitas cores, sabores e texturas. A minha comi-a logo ali, com um dos sumos do dia - pêra e laranja.

 

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Couscous marroquino com ervilhas, salada de beringela com grão, bolinho de quinoa, cenoura assada com parmesão vegano, salada verde com marmelo e semente de cânhamo.

 

Em cima do balcão estava um bolo de maçã com um ar de comida boa, daquela que se faz em casa. 

 

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Mas enquanto almoçava e conversava com a Larissa, chegara os brownies de batata doce com chocolate e goji, e trouxe um deles para comer mais tarde. Tenho andado a comer aos poucos, acabei-o enquanto escrevia este post.

 

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Ficaram-me os olhos nas belíssimas tostas de hummus de feijão e cenoura com tomate confitado e hummus de grão com rúcula em pão da Gleba (1ª foto). Breve voltarei para experimentar. 

 

Tenho o privilégio de poder, ao longo de dois anos, acompanhar o percurso de pessoas com formações e culturas muito diversificadas, juntos aprendermos muito, partilharmos muitos momentos e experiências. É tão bom vê-los depois evoluírem e seguirem o seu caminho!

 

A comida da Larissa, reflete a mistura de culturas que moldaram a sua personalidade, e é uma comida saborosa e bonita, e alegre como a Larissa.

 

 

 

Quintal d'Santo Amaro

Rua de Santo Amaro - nº 6 B - Lisboa 

Não sou vegan e não conto vir a ser. Mas gostei tanto do que comi no 1847 que já estou a pensar em voltar.

por Paulina Mata, em 20.08.17

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Havia que festejar, a tese de mestrado só se entrega uma vez na vida. Disse à minha filha que escolhesse um bom restaurante para irmos almoçar. Ela escolheu o 1847 numa das arcadas comerciais de Birmingham.

 

Entrámos, a sala no piso da entrada estava quase cheia, mas arranjámos uma mesa. Pedimos duas entradas e dois pratos. Nos vinhos a copo havia um português, o Alandra do Esporão, pedimos um copo para cada uma. Nada como festejar com vinho português!

 

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As entradas chegaram, e visualmente superaram muito as minhas expectativas. 

 

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Asparagus, avocado mousse, burnt vinaigrette, shallot rings

 

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Salt baked carrot, soy cream, crispy buckwheat, onion ash

 

O sabor superou-as ainda mais... Óptimos pontos de cozedura dos vegetais, muito sabor e bom contraste de texturas. A fasquia estava alta, agora as expectativas para os pratos eram bem maiores.

 

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Roasted cauliflower, pearl barley and almond risotto, baby spinach

 

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 Pressed potato terrine, turnip, charred broccoli, shallot puree, red pepper jus

 

Excelentes os dois, de novo bom contraste de texturas e carregados de sabor. Ainda por cima bonitos.

 

Inicialmente tínhamos pensado não comer sobremesa e ir a outro lado. Mas, perante o que tínhamos comido, quis experimentar uma sobremesa.

 

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Macerated cherries, banana custard, meringue

 

Boa, mas alguns pontos abaixo do que tínhamos comido antes. 

 

Um nível muito elevado. Apesar de já ter comido muitas coisas vegan boas, pertenciam a um outro campeonato. Esta foi sem dúvida a melhor refeição vegan que comi.

 

No  menu oferecido no 1847 todos os pratos são vegetarianos, grande parte deles vegan, e havendo ainda uma versão vegan para alguns dos que contêm queijo ou ovos. Curiosamente, a maior parte dos pratos são também sem glúten, ou havendo uma versão sem glúten para outros. Ou seja, cobrem uma variedade de restrições alimentares (vegetarianos, vegans, celíacos ou pessoas que evitam o glúten, intolerantes à lactose, alergias a ovos ou leite), oferecendo um produto de qualidade que satisfaz qualquer consumidor sem as ditas restrições. 

 

Se eu já não entendia porque é que a maior parte dos chefes não inclui no menu pratos vegan, bem pensados e com qualidade idêntica aos outros, passei a entender ainda menos... Para além disso é uma cozinha mais amiga da natureza e do ambiente, mais sustentável. E sendo estes conceitos uma "bandeira" de tantos, porque não alargam a oferta de pratos de vegetais? Não dá para entender...

 

Não sou vegan, não conto vir a ser, mas também não preciso de carne e peixe todos os dias... Do 1847 gostei tanto que já estou a pensar em voltar, para experimentar outras coisas.

 

 

Ovos para quê?

por Paulina Mata, em 12.03.17

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Uns dias em Inglaterra e venho verdadeiramente impressionada com a variedade e qualidade dos bolos vegan. Em quase todo o lado há muito boas opções disponíveis. Mas, mais do que isso, cada vez mais abrem lojas exclusivamente de bolos vegan. 

 

A oferta é excelente.Texturas variadas, bolos leves e saborosos. Dá para perguntar: "Ovos para quê?". Comi vários e, numa prova cega, não os distinguiria de bolos "normais", sobretudo em termos de qualidade.

 

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E não é só em Londres, de onde são os bolos das fotos acima, da Vida Bakery em Brick Lane. Mesmo em pequenas cidades isso acontece. Como é o caso do Seaside Cake Parlour em Margate onde tivemos um excelente brunch. Nas duas lojas os produtos são exclusivamente vegan.

 

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