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Assins & Assados

Um ALIMENTO especial!

por Paulina Mata, em 26.05.18

 

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Quando a Patrícia Gabriel nos recebe para um dos seus eventos ALIMENTO é sempre especial. Alimenta-nos o corpo, mas também a alma. A entrega da Patrícia em tudo o que nos oferece é grande, o que prepara é único, e é impossível não ficarmos encantados, com a beleza, com as texturas e os sabores pouco habituais.

 

Recentemente fui convidada pela Patrícia para um almoço, eu e outras três amigas dela, porque nos queria oferecer um ALIMENTO especial, porque queria conversar connosco sobre ele, e para afinar detalhes, pois a Patrícia pretende breve começar a disponibilizar esta experiência a quem dela quiser usufruir. Em grupo muito pequenos, pois só há mesmo espaço para quatro pessoas.

 

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Sobre a mesa esperavam-nos umas favinhas cruas maravilhosas.

 

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No início, tal como já é habitual, somos recebidos com água, mas de uma forma original. Neste caso, a inspiração foi o Verão no Alentejo:

Estradas, Retas

Bermas longas e desbastadas
É funcho e terra seca

À praia tufos de Codium

À mão o mar.

 

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Uma cerveja com tremoços ao pôr do sol, foi a inspiração do momento seguinte. As cores, os sabores, o aroma da mangerona... 

 

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A refeição ia começar, e como sempre numa casa portuguesa... 

 

Gesto primeiro, refogado

 

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Com ele chegou o vinho que acompanharia os pratos seguintes  - Humus Curtimenta 2016 - um vinho maravilhoso!

 

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O caldo verde tem servido de inspiração em muitos momentos de eventos (aqui e aqui) da Patrícia Gabriel. Todos maravilhosos, mas desta vez excedeu-se... mesmo! Um prato magnífico, complexo, um momento comovente.

 

Vertical

Couve

Galega

 

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Nos eventos da Patrícia Gabriel, que traduzem sempre as suas vivências e memórias, o bacalhau está sempre presente.  Também desta vez isso aconteceu.

 

Talvez a esponja seja a nuvem que secou no mar

 

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Dois pratos de um nível tão elevado, que apelavam tanto às nossas memórias de sabores, belíssimos e tão surpreendentes... era preciso algo que nos obrigasse a fazer um reset antes de passar ao prato seguinte.

 

Lavarmos as mãos, foi uma opção excelente, até porque toda a encenação nos envolveu. O fortune cookie (de maçã) que se seguiu, além de delicioso, trazia uma mensagem que nos fez conversar e até discutir se tinha sido escrito na máquina que estava ali por perto. Claro que sim... não notam aqui que o papel não está liso...

 

água-às-mãos e jasmim

 

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fortune cookie

uma palavra só

 

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Reset concluído... Foi altura de servir o segundo vinho, que acompanhou os pratos seguintes - Alfrocheiro Vinhas Velhas 2013.

 

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A xerovia pertence ao reino animal

Serra da Estrela

 

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Em vez do saleiro, ali ao lado estava uma taça com alga cabelo de velha para polvilharmos o prato, numa alusão ao penedo Cabeça da Velha em São Romão.

 

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Dias de caça
num bolso maçãs bravo esmolfe
no outro rebuçados de mel

 

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Tanto o prato de xerovia como o de perdiz estavam excelentes, com detalhes que os tornavam únicos. No caso da perdiz as maçãs foram assadas no terraço ali ao lado, nas brasas, numa daquelas braseiras antigas. A pele da perdiz, muito estaladiça, estava  sobre esteva, o cheiro que fica dos dias de caça.

 

Chegou a hora de adoçar a boca e chegaram também as sopas de leite com doce de cascas de tangerina, algodão doce, pão de ló rico e nêsperas, e no final com uma espuma de mel de urze e alfazema.

 

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Mas não acabou por aqui, vieram os petit-fours.  Goiabada com queijo da ilha das Flores, chocolate branco com alface do mar, ovos moles com pinhão e folha de ouro, massa dos pastéis de Tentugal. Deliciosos!

 

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Mas a refeição não podia terminar sem um digestivo - salicórnia infusionada com aguardente e limão galego.

 

Que nem um cheirinho

 

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Para mim com um chá verde, Gorreana, 70º, 2 minutos. É que a Patrícia Gabriel viveu nos Açores.

 

Uma experiência única! Uma abordagem diferente da cozinha. Um ALIMENTO especial!

 

 

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Filigrana de Refogado

Outras formas de pensar cozinha. Outras formas de falar de cozinha.

 

1ª Foto de Herberto Smith

Petiscos e Miudezas - fazia falta um livro assim!

por Paulina Mata, em 25.04.18

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A fábrica de salsicharia da minha família, como disse há dias, foi fundada em 1908 numa terra onde a energia elétrica só chegou em 1958. Como referi também  a atividade era sazonal, e grande parte dos empregados eram de outras terras e trabalhava apenas de inverno. Além do salário, tinham direito também a alojamento e alimentação. Por semana matavam-se no anos 1950 cerca de 60 porcos, para fazer presuntos e enchidos. Mas o porco come-se todo e o que não era usado para os presuntos e salsicharia era usado para as refeições do pessoal e da família. 

 

Numas notas que o meu Pai escreveu diz:

"A miolada era um prato regional, muito apreciado pelos trabalhadores, e servido no jantar do dia da desmancha. Mas a semineta, feita com fígado fresco e cebola, servida ao jantar do dia da matança, era um excelente pitéu.

...

Também no dia da matança, e depois de todos os porcos estarem abertos e dependurados era oferecido ao pessoal beiços assados e um copo de vinho

...

As matanças tornavam-se assim num dia de convívio e boa disposição."

 

Lembro-me bem destes tempos, e de ir a casa da minha avó (ligada à fábrica) comer beiços e rabos assados no dia da matança. A miolada, uma açorda de miolos com rim, é um daqueles pratos com que ainda sonho. A semineta sempre foi um prato comum na minha infância, mas também as línguas de porco, a fressura de porco guisada com batatas (a que chamávamos batatas sujas), os rins, o arroz de fressura de cabrito... Nada se deitava fora, tudo se aproveitava, o desperdício zero tão falado agora, era a base da economia doméstica. E a criatividade das mulheres, responsáveis pela cozinha, ao longo dos séculos foi arranjando formas de tornar estas partes, muitas vezes (sem razão) consideradas menos nobres, em pratos deliciosos e ricos de sabores e texturas. Pratos que adoro!

 

Assim, é com grande agrado, e mesmo com alguma nostalgia, que vejo o livro "Petiscos e Miudezas à Portuguesa" de Isabel Zibaia RafaelVirgílio Nogueiro Gomes. Dividido em capítulos sobre os vários animais (Aves, Bovinos, Caprinos e Ovinos, e Suínos), em cada um deles há receitas, umas mais tradicionais e outras mais atuais, em que os protagonistas principais são as miudezas destes animais. Mais do que isso, em cada capítulo há uma introdução, sobre o referido animal, incluindo curiosidades e referências históricas, e também é dada informação sobre  aqueles qualificados e protegidos por normas e designações da União Europeia (DOP e IGP).

 

Curiosamente recentemente  Michel Roux publicou um livro sobre o mesmo tema "Les Abats: Recipes celebrating the whole beast" e há algumas semanas li uma entrevista com ele em que lhe perguntavam, se numa altura em que a tendência é para se reduzir o consumo de carne, se fazia sentido um livro assim. Ele respondeu que precisamente por isso fazia sentido, que por questões de sustentabilidade se tem mesmo que reduzir o consumo de carne, e portanto faz todo o sentido que, já que se mata o animal, que se comam todas as suas parte. Que é uma questão até de respeito pelo animal. Que isto fazia parte da sua cultura e educação.

 

Precisamente por estas razões, e também porque muitas das receitas me fazem crescer água na boca e me  despertam recordações, gostei muito do livro da Isabel e do Virgílio.

 

Fazia falta um livro assim!

 

 

Outras formas de pensar cozinha. Outras formas de falar de cozinha.

por Paulina Mata, em 11.11.17

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Outras formas de pensar cozinha. Outras formas de falar de cozinha. 

 

"Cozinha Multissensorial" - Patrícia Gabriel 

Criar.pt | 31 Out, 2017 

 

 

Filigrana de Refogado

por Paulina Mata, em 14.07.17

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Se há elementos representativos da cozinha portuguesa, o refogado é um deles. No seu processo de análise, reflexão e criação com base na cozinha portuguesa, a Patrícia Gabriel já se dedicou ao refogado.

 

Há alguns meses, num jantar, serviu o seu refogado. Começou por trazer à mesa um pequeno tacho a fumegar ainda. Pediu-nos que sem olhar tentássemos identificar o aroma. Mas não era suposto comê-lo.

 

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Depois chegou à mesa uma "filigrana". Um coração de Viana de refogado. Até custava destruí-lo... mas para usufruir completamente dele era necessário fazê-lo...

 

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Lindíssimo. estaladiço, leve e a saber a refogado.

 

Mais um original trabalho de Patrícia Gabriel. Associando o refogado, um elemento muito distintivo e característico da nossa cozinha, com a filigrana, a arte de trabalhar o ouro através de delicados fios entrelaçados, tão representativa e característica do norte do nosso país.

 

Trabalho único e que merece mais divulgação e oportunidades. 

 

 

Fotos de  Herberto Smith

 

 

Partage du Sensible - (5)

por Paulina Mata, em 06.07.17

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Se os quatro momentos que referi nos posts anteriores da Instalação Gastronómica  Partage du Sensible de Patrícia Gabriel estavam relacionados com as nossas memórias gastronómicas e os nossos sabores, o quinto momento tinha características diferentes. Apelava a momentos lúdicos de actividades de infância.

 

No exterior, no pátio da Galeria Monumental, estava uma grande máquina cheia de bolas, bolas grandes e todas elas com algo dentro.

 

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Se se queria uma bola, havia que meter uma moeda na máquina, rodar a alavanca  e finalmente retirar a que nos tinha saído.

 

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E, tal como sempre acontece nestas ocasiões, era com expectativa que se descobria o que nos tinha calhado... 

 

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De dentro da bola saía uma mensagem e um Fortune Cookie, este feito com maçã desidratada e pimenta. Um sabor diferente, uma forma que nos remete para outras culturas. Uma frase para ler e pensar.

 

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E quem é que resistiu a meter uma moeda e retirar uma bola? Penso que poucos. 

 

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No pátio exterior foram também servidos hors d'oeuvre sonoros por Mike Stellar.

 

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Já escuro ainda era possível desfrutar deles, e a máquina das bolas lá continuava também. E os "clientes" continuavam a chegar...

 

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Nas conversas ouvia-se e sentia-se o entusiasmo das pessoas com a experiência que tinha vivido. Excelente! 

 

 

Fotos 9 e 10 de Maria Pires

 

Partage du Sensible - (4)

por Paulina Mata, em 05.07.17

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O terceiro momento na  Sala 2  da  Instalação Gastronómica  Partage du Sensible de Patrícia Gabriel era doce, muito doce.

 

Uma longa mesa posta, que intrigava.

 

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Frente à mesa um computador em que passava em loop um filme em que se via fazer a massa dos pastéis de Tentúgal, em que se via rechear pastéis de Tentúgal com doce de ovos.  E eu pensei "Vi o início. E agora um ano e meio depois o resultado está aqui." 

 

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Sobre a mesa suportes de cobre tinham meia casca de ovo, no fundo uma colher de doce de ovos, o nosso doce de ovos. Ao lado um estranho guardanapo. Não, de facto não era um guardanapo, era um triângulo de massa dos pastéis de Tentúgal. Vários frascos sobre a mesa com amêndoa ralada para deitarmos sobre os ovos.

 

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As pessoas sentavam-se e comiam...

 

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Era tão doce, tão bom, sabores tão nossos, despertava-nos as memórias gastronómicas mais profundas. Memórias que nos uniam. Sabores que nos entusiasmavam e experimentávamos como se fosse a primeira vez. Porque nunca os tínhamos comido desta forma.

 

A mim, ainda me despertaram outras memórias, de quando há um ano e meio a Patrícia me disse que precisava conhecer mais sobre os Pastéis de Tentúgal e os Ovos Moles. Desafiou-nos a ir com ela, organizou tudo, e estivemos em Aveiro e em Tentúgal, fotografámos e a Patrícia filmou. E uma ano e meio depois aqui estava uma instalação brilhante.

 

Faltava ainda o quinto momento...

 

 

Fotos 1, 2 e 6 de Maria Pires

 

 

Partage du Sensible - (3)

por Paulina Mata, em 04.07.17

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Continuando na Sala 2 da  Instalação Gastronómica  Partage du Sensible de Patrícia Gabriel... 

 

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Numa das paredes, a todo o comprimento uma linha de cerejas.

 

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Para comê-las, bastava arrancá-las do pequeno espigão onde estavam espetadas. Com a mão ou, melhor, com a boca...

 

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Iam ficando cada vez menos...

 

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E a Patrícia comeu a última.

 

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Tão bons momentos... Nunca uma cereja soube tão bem.

 

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Fotos 5, 7, 8 e 9 de Maria Pires

 

 

Partage du Sensible - (2)

por Paulina Mata, em 04.07.17

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Sexta-feira ao fim da tarde, na Galeria Monumental, na Instalação Gastronómica  Partage du Sensible de Patrícia Gabriel, depois do momento do caldo verde, passei à segunda sala. Nela havia três momentos. Um deles dedicado ao Pão, ao Pão com Manteiga, porque "Nem só de pão vive o homem".

 

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Vários pães do Diogo Amorim da Gleba e do Adolfo Henriques da Maçussa.

 

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Uma das coisas que captava de imediato o olhar era uma roda de oleiro, a circular, tendo sobre ela um enorme bloco de manteiga. O grande paralelepípedo amarelo rodava... Cabia-nos a nós mudar-lhe a forma. Esculpi-lo... A Patrícia tinha-me falado tantas vezes desta ideia. Fiquei emocionada de a ver ali concretizada, e sobretudo de resultar tão bem. 

 

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O nosso papel era simples, cortar o pão, no local a isso destinado, pôr manteiga e comer...

 

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Comer pão com manteiga passava para outra dimensão. E o enorme bloco ia sendo esculpido, ia-se transformando...

 

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E no final ele estava assim:

 

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Mas nesta sala ainda estavam as sobremesas...

 

 

Fotos 1, 3, 8 e 9 de Maria Pires

 

Partage du Sensible - (1)

por Paulina Mata, em 03.07.17

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É muito bom quando na vida nos cruzamos com alguém com uma sensibilidade e uma criatividade que fazem com que veja sempre as coisas de um ângulo diferente. É óptimo quando podemos acompanhar os projetos e usufruir dessa criatividade. E se juntarmos a isto tudo o facto dessa criatividade e sensibilidade ser direccionada para a cozinha, é excelente. Eu cruzei-me há uns anos com a Patrícia Gabriel, que tem todas estas características.

 

Muitas vezes se discute a cozinha portuguesa e a forma de a tornar mais atraente e sexy. Muitas vezes essas tentativas resultam em algo interessante, outras vezes nem por isso. O fascínio da Patrícia Gabriel pela nossa cozinha, pelos sabores, pelos gestos e memórias é enorme. E a criatividade para os transmitir admirável.

 

Sexta-feira ao fim da tarde, na Galeria Monumental, a Patrícia Gabriel apresentou a sua mas recente Instalação Gastronómica a que chamou Partage du Sensible.

 

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Cinco momentos para desfrutarmos. Sabores que, embora familiares, abordávamos com entusiasmo e expectativa, tal a originalidade com que nos eram apresentados.

 

A sala de entrada era completamente dedicada a algo que é familiar a qualquer português, sem excepção. Algo que tem um delicadeza e envolve uma criatividade que por vezes nos passam despercebidas. A Patrícia conseguiu aqui apresentá-lo de uma forma belíssima e que fazia com que comer uma tigela de caldo verde se transformasse num momento especial. Permitiu que lhe déssemos mais atenção e que o entendêssemos melhor e mais profundamente. Por vezes passamos por um local e há detalhes em que nem reparamos, e um dia questionamo-nos se eles sempre lá estiveram. Acho que o mesmo aconteceu a muita gente com este caldo verde.

 

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Entrava-se e os nossos olhos eram atraídos por um círculo de folhas de couve no chão, por cima a bata e a faca que a Avó da Patrícia usa para cortar a couve para o caldo verde.

 

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Do lado direito uma projecção da Avó da Patrícia a cortar caldo-verde.

 

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Mais à frente uma mesa com uma grande panela cheia de um delicado caldo base para o caldo verde e o que precisávamos para o temperar.  Também uma mesa com o equipamento necessário para cortar a couve.

 

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Ao fundo, pendurado na parede o chouriço.

 

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No chão tudo o que precisávamos para comer.

 

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As couves que antes formavam o círculo foram cortadas, o caldo quente deitado sobre elas, tudo foi temperado, e no final uma rodela de chouriço foi adicionada.

 

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Quando todos terminaram a sopa, tudo estava assim:

 

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Todos aderiram com entusiasmo.  Acho mesmo que acabámos a conhecer e a apreciar melhor um caldo verde. E a vê-lo com outros olhos.

 

Por vezes pergunta-se como apresentar a nossa cozinha (a nossa, sem twists...) de uma forma atraente. Aqui está uma forma criativa, culta, inteligente e lúdica, que permite um contacto e envolvimento profundos e o entendimento completo  de um prato.

 

Estava na hora de passar à segunda sala...

 

 

Fotos 5, 14, 15, 16, 18 e 24 de Maria Pires.

 

 

Uma entrevistas e outras memórias

por Paulina Mata, em 12.06.17

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O blog  Mesa Marcada, de  Duarte Calvão e do Miguel Pires, onde escrevi durante quatro anos, tem publicado ao longo dos últimos meses uma série de entrevistas a várias pessoas ligadas à gastronomia - Menu de Interrogação. Há precisamente uma semana foi publicada uma entrevista minha. Gostei muito de responder.

 

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Curiosamente a minha primeira entrevista, a 9 de Junho de 2004, foi precisamente ao Duarte Calvão, para o Diário de Notícias, tendo saído pouco depois. Quase exactamente 13 anos antes desta. Foi nesse dia que conheci o Duarte, mas já lia o que escrevia e identificava-me muito com as suas opiniões sobre restaurantes e vários outros assuntos. Logo a seguir o Duarte convidou-me a mim e à Margarida Guerreiro para escrevermos sobre ciência e cozinha no Boa Vida que coordenava no Diário de Notícias, aliás essa informação saiu logo no artigo que o Duarte escreveu. Fizemo-lo durante dois anos e meio, cerca de um artigo por mês. (Obrigada Duarte pelo "empurrão".)

 

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O Miguel "conheci-o" pouco depois, em Maio de 2005. E está entre aspas pois nem sequer falei com ele e só o descobri bem mais tarde. Pessoas com interesses comuns frequentam os  mesmos locais. Estivemos os dois no mesmo curso do prova de azeites na Casa do Azeite. Nesse curso estava na fila de trás um grupo de pessoas em que uma delas, não concordando com o que foi dito pela formadora (que tinha toda a razão), entrou em conflito com ela  e saiu. Eu e algumas pessoas que foram comigo estávamos logo à frente, e a meio da sala dois rapazes que entraram quando já estávamos sentados e por isso me lembro. Um deles era o Miguel. Quase 10 anos depois o Miguel falou sobre o curso e a discussão, eu ouvi e disse "Eras tu! Coincidências!". Voltámos a encontrar-nos depois, no início de 2006, no forum de discussão Os 5 às 8 e acabámos por nos encontrar e conhecer em jantares dos participantes do forum.

 

Em resumo, há mais de um década que o Miguel e o Duarte têm sido companheiros de análise e discussão do que se passa no mundo da gastronomia. Muitas horas de conversa, e há sempre mais e mais assuntos, algumas discussões acessas, porque todos gostamos muito de gastronomia e nem sempre estamos de acordo, e porque gostamos os três de argumentar. Muitas refeições à mesma mesa. É muito bom acompanhar a evolução da gastronomia a nível mundial com, e por vezes pelos olhos de, outras pessoas. Obrigada Miguel e Duarte por tudo isso e pela entrevista também.