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Assins & Assados

Se não tivesse ido, tinha-me arrependido. Assim, está o assunto arrumado!

por Paulina Mata, em 21.02.18

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Se me perguntarem pelas primeiras e mais fortes memórias que tenho das primeiras vezes que fui a Londres, direi as montras dos restaurantes chineses com as carnes penduradas. Em Queensway, zona em que estavam grande parte dos hotéis oferecidos pelas agências de viagens em Portugal, e sobretudo em Chinatown. Aliás, era fascinante ir a Chinatown, o ar exótico, os restaurantes e as montras, não só com as carnes, mas onde se vê fazer dumplings, os supermercados com ingredientes e vegetais que nem sonhava o que eram, mas fui aprendendo (alguns claro). Enfim... fascinante!

 

Há muito anos que na altura do Ano Novo Chinês pensava sempre "um dia tenho que ir a Chinatown por esta altura". Imaginava a animação, as bancas de comida... Este ano estive indecisa, e a certa altura disse-me "se não fores vais-te arrepender". E fui, no dia a seguir ao início do ano do Cão. O que vi? Uma Chinatown igual à do costume, sem bancas nenhumas e com 10 vezes mais pessoas. Grupos com dragões dançando, sobretudo em frente dos restaurantes onde iam pedir dinheiro. Acontece que as pessoas paravam para ver e fazer fotos e era impossível circular, e não se via quase nada. E eu pensava... onde eu me vim meter...

 

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Antes de ir, tentei planear o almoço num restaurante com comentários positivos. Depois de muitos encontrões consegui lá chegar. Tinha fechado para remodelações (pelo que entendi foi obrigado a isso pelas entidades sanitárias). Entrei noutro "Não, está cheio, e toda a gente começou agora...". Entrei num outro "Só aquela mesa", ainda perguntei se não tinha outra "Não". Sentei-me, era ao pé da porta, cada vez que abriam a porta entrava uma enorme corrente de ar frio. E estavam sempre a abrir. Levantei-me e saí. Chegava!

 

Pensei "Há que tempos que não vou ao Yauatcha!",  o nível era outro, até tinha uma estrela Michelin. Fui. Cheguei lá... "Mesa, só daqui por 45 minutos a 1 hora". Estava com fome, não estava para isso. Decidi que não ia ser almoço chinês, fui ao Kiln (um tailandês de um inglês, muito na moda - vinha uma entrevista com ele no 1º número da National Geographic Food). Entrei e estava cheio. Lugar, só ao balcão, mas estava completamente cheio, e gente à espera. Como eu detesto comer em balcões, bancos altos, a ter que dar e receber cotoveladas dos vizinhos... A cozinha era à vista. Olhei para a cara dos cozinheiros - exaustos! Não, eu não queria de todo comer a um balcão, aos encontrões aos vizinhos do lado e a olhar para umas pessoas exaustas (por favor, repensem os horários dos cozinheiros e as cozinhas à vista!). 

 

Se calhar devia ter ficado no Yauatcha! Mas agora já não voltava. Estava outra vez perto de Chinatown, resolvi voltar lá e tentar a sorte. Sempre era Ano Novo Chinês e há anos que pensava que gostava de lá  ir por essa altura. Durante estas voltas tinha passado pela loja de chocolates do Paul A Young - comprei meia dúzia de bombons custaram-me quase 11 libras. Estava com fome! Comi um bombom. Não me encheu as medidas... mais à frente outro, também não... Ainda por cima eram caros (dos 6, só de um é que gostei mesmo).

 

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Cheguei a Gerrard Street as filas enormes à porta dos restaurantes continuavam. Havia um que tinha uma fila mais pequena, tinha a montra com as carnes. Não procurava mais, era nesse! Fiquei à porta, só havia um homem com uma criança à minha frente. Esperámos, esperámos... A certa altura chegou um grupo com um dragão, dançou ali à porta, vieram os empregados a correr pendurar no topo da porta uma alface com um envelope vermelho (1ª, 2ª e 3ª fotos, no canto superior direito), os envelopes onde se mete o dinheiro que se oferece no ano novo chinês. No final da dança o dragão saltou, apanhou a alface, retirou o dinheiro, desfez a alface toda, atirou os bocados, alguns vieram para cima de mim. Pelo menos distraiu-me um bocado e estava integrado no espírito da época e do local..

 

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Entrei, mandaram-me para uma cave, sem janelas, muitos chineses, mas não só, na mesa ao lado tinha uma família de brasileiros. Com várias mesas vazias, questionei-me porque razão tinha estado tanto tempo à espera, mas não valia a pena... Comi pato e barriga de porco, igual aos que tinha visto o cozinheiro cortar enquanto esperava. Um pouco secos, mas mataram a fome...

 

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Durante anos tinha um refúgio, quando andava por aquela zona e estava cansada ia até Regent St, subia um pouco, entrava por Heddon St e tinha o MoCafé, ao lado do restaurante marroquino Momo. Estava sempre tudo muito calmo, parecia que estava noutro mundo, noutra cultura, era tão agradável. Resolvi ir lá. A rua calma, as plantas a fazerem a fronteira, a esconderem aquele refúgio de calma.

 

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Entrei... cheio, cheíssimo, grupos, famílias, tudo bebia chá e comia bolos num ambiente ruidoso. Voltei a sair... era mesmo hora de sair daquela zona.

 

Ano Novo Chinês em Chinatown, nunca, mas nunca mais! E Londres já foi mais agradável... Mas se não tivesse ido, tinha-me arrependido, e houve momentos bons e risquei várias coisas da minha lista de coisas a fazer em Londres...

 

 

 

 

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