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Já não é futurologia, já é o presente.

por Paulina Mata, em 20.10.18

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Assisti há dias a parte da apresentação de Morgaine Gaye em Lisboa nos Food & Nutrition Awards. Quando consegui chegar já tinha começado, mas ainda a ouvi durante algum tempo. Gostei, é uma forma diferente de falar de alimentos e alimentação. Disse coisas com que me identifico, outras nem tanto, mas fiquei curiosa. Fui procurar mais informação e encontrei uma entrevista ao Expresso em que ela comenta o que comeu em Portugal:

 

Conheceu restaurantes portugueses? Gostou do que comeu?
Portugal está muito assente na cultura de queijo, pão e carne... e peixe. Mas é tudo muito carne, carne, carne. Vi saladas muito limitadas. Não são verdadeiramente saladas feitas de uma variedade de legumes. A maioria das coisas na ementa dos restaurantes a que fui (sete em três dias) são carne. E isso diz muito de uma cultura que não saiu há muito tempo da pobreza. Quando se vai a um país mais rico, vemos uma comida mais saudável. É uma questão cultural.

 

Curiosamente pouco depois li o artigo da Alexandra Prado Coelho sobre as tendências na alimentação em Berlim.

 

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Em Lisboa há muitos restaurantes vegetarianos e veganos, é uma tendência que cá já chegou também. Mas exceptuando esses, não houve uma adaptação nos outros. Quase que são dois mundos paralelos. Quem não vai a esses locais específicos, o que vê é exatamente o descrito na resposta à pergunta do Expresso. Acho que não há uma consciencialização de que não é uma moda, é uma opção a crescer todos os dias, e que veio para ficar. Como dizia a Morgaine Gaye na palestras, estas mudanças acontecem quer se goste ou não, e as empresas que não se adaptarem, acabarão por morrer.

 

Voltando à resposta da Morgaine Gaye, o que ela disse é verdade. A situação é real, e a razão também o será. É necessário que ocorra uma adaptação, não só porque cada vez há mais vegetarianos e veganos, mas porque aqueles que não o são também começam a comer menos carne e peixe, e a querer refeições baseadas em vegetais. Por outro lado, somos um país que recebe muitos turistas, e portanto muita gente com estes requisitos alimentares.

 

Em Inglaterra, onde ela vive, praticamente todos os menus têm uma boa secção de comida vegana e vegetariana, há restaurantes que têm um menu separado, quase tão extenso como os outros. Todos os dias surgem coisas novas, sendo particularmente evidente nas cadeias de restaurantes e cafés e nas de supermercados. Todos os dias são anunciados novos produtos. É impressionante a dinâmica, e quase impossível de acompanhar. Do meu ponto de vista a cozinha vegana e o desenvolvimento de novos produtos veganos, que aumentam cada dia de qualidade, é onde a dinâmica e criatividade é maior atualmente.