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Estamos numa época de mudança e é muito interessante acompanhá-la

por Paulina Mata, em 23.02.19

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Uma notícia que li há pouco, sobre o aumento de lucros da cadeia de bakeries (nunca sei como traduzir, nem sei se temos palavra correspondente) Greggs, fez-me relembrar o início de Janeiro. 

 

A 3 de Janeiro a minha filha mandou-me a foto acima, dois sausage rolls veganos que tinha comprado. Tinham sido lançados naquele dia pela Greggs. A campanha publicitária tinha sido excelente (filme promocional aqui) e eram esperados com grande ansiedade. Eram o resultado de um processo de desenvolvimento de quase um ano, em consequência do enorme aumento da procura por produtos vegetarianos e veganos e, em particular, em resposta a uma petição on-line iniciativa da PETA  (People for the Ethical Treatment of Animals) e assinada por mais de 20000 pessoas que pedia uma versão vegana do produto mais vendido pela Greggs.

 

Imediatamente começou um enorme debate, nalguns casos com posições extremas, que foi objeto de vários artigos na imprensa. Algumas pessoas felizes, já que os sausage rolls têm um lugar especial nos hábitos alimentares dos ingleses e estão muito enraizados na sua cultura gastronómica, e finalmente iam poder voltar a comê-los. Tinha sido uma opção não comerem carne, mas sentiam a falta dos sausage rolls. Outros discutiam se se podiam chamar de sausage rolls, já que não tinham porco, procuravam encontrar defeitos, e chegavam a considerar que era quase um ultraje o Greggs vender sausage rolls veganos, sentiam-no como uma traição ou uma ameaça.  Alguns achavam que o facto de terem sido lançados na altura apenas em cerca de metade da lojas representava um juízo de valor relativamente às localidades onde não foram vendidos logo nos primeiros dias. Alguns desesperavam, as lojas já os tinham, mas não tinham as pinças para os servir, estas tinham que ser diferentes para não haver contaminação cruzada com os produtos contendo carne. Enfim, tudo reações fortes...

Tal não aconteceu quando outras cadeias lançaram produtos veganos. Era referido que outras cadeias eram bastante globais, e menos enraizadas na cultura britânica. A situação da Greggs é particular, é a maior cadeia de bakeries do UK, e provavelmente a mais antiga (desde 1951), com quase 2000 lojas, cujos lucros aumentaram em 2018 quando a generalidade das cadeias sentia dificuldades. Vende basicamente produtos tradicionais, a preços relativamente baixos, vendendo mais de 1,5 milhões de sausage rolls por semana.  Os motivos para a forte reação, em que havia pessoas que diziam que tinham sido coisas como aquela que as tinha feito votar a favor do Brexit, ou que nunca mais entrariam num Greggs, eram, segundo alguns, razões políticas e de classe. 

 
Tudo isto, que fui acompanhando nos primeiros dias deste ano era muito interessante. Dois dias depois do lançamento estive com a minha filha, que antes passou num Greggs para comprar sausage rolls veganos para provarmos. Eram bons, tão bons como me lembrava da versão com carne. No dia seguinte, a caminho do autocarro, passei em frente de um Greggs e comprei um, mas de carne, ainda tinha a memória fresca do vegano e queria comparar. Sabores idênticos, a textura do recheio do vegano era um pouco mais densa.
 
Regressei e não voltei a comer mais nenhum, mas o sucesso continua, a vendas continuam a subir e os lucros ultrapassaram as expetativas da empresa. Dizem que possivelmente não apenas devido à venda de sausage rolls veganos, mas também à publicidade associada. 
 
Um fenómeno interessante, estamos verdadeiramente numa época de mudança a que é muito interessante assistir. Não só assistir à mudança,  como às reações das pessoas perante ela. 

 

 

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