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Box E - um almoço fora da caixa

por Paulina Mata, em 08.09.18

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Estava sentada há pouco tempo quando ela chegou. Sentou-se sozinha numa mesa perto da minha, no terraço do restaurante. Eu estava já entretida com o pão com manteiga batida quando lhe trouxeram o menu.

 

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Ela deu uma vista de olhos e pegou no telemóvel. O empregado chegou para tomar nota do pedido. Ela mostrou o telemóvel, era aquilo que queria. Não sei o que era, mas não havia, explicaram-lhe que o menu mudava regularmente, conforme o que estava disponível. Ela voltou a olhar para o menu e escolheu outra coisa. Não sei se gostou, mas as gaivotas ali por perto, às vezes voando muito baixo, assustavam-na. Não passavam tão perto de mim, mas as abelhas fizeram-me companhia todo o almoço.

 

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Antes de ir para Bristol, fiz uma busca sobre possíveis restaurantes a ir, o Box E pareceu-me interessante. Muitas opiniões positivas e uma boa crítica do Jay Rayner. Tinha gostado de a ler, não tanto devido ao que dizia sobre o restaurante, mas mais a introdução. Contava que nos anos 1990 começaram a chegar da China para os EUA enormes contentores cheios de mercadorias baratas. Era caro mandá-los de volta, e eram desmantelados. Mas o preço do aço subiu, e deixou de ser viável fazê-lo, passaram a ser enviados de volta. Mas contentores vazios ficam instáveis, iam cheios de  jornais. Mais tarde, com a expansão económica da China, e com ela a da classe média, o consumo de carne aumentou muito. Eram necessários cereais para alimentar o gado, os contentores passaram a ir cheios e cereais. Esta troca, que alimentou a globalização do século XXI, tornou os contentores num ícone desta época mercantil. O sistema modular, fácil de manusear e robusto fez com que surgisse a idéia de os transformar em edifícios, bastavam pequenos ajustes. E, como diz Jay Rayner, "É assim que o impulsionador da forma mais radical e pesada do comércio global de massas, também se torna o impulsionador de negócios independentes em pequena escala".  Foi o que aconteceu em Bristol, onde na zona portuária foi construído um conjunto de edifícios com contentores onde estão localizados uma série de negócios independentes.

 

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Normalmente a comida oferecida em restaurantes nestes espaços, em que as condições são reduzidas, não se destaca particularmente pela qualidade. No caso do Box E, onde estávamos, a situação é diferente, apesar de um espaço reduzido e condições muito básicas, o chefe Elliott Lidstone pretende oferecer uma cozinha de qualidade.

 

O restaurante é simples, apenas com o básico e  cerca de 12 lugares sentados no interior, com um espaço minúsculo para a cozinha. 

 

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Quando o tempo o permite, há uma esplanada exterior, e foi lá que almocei. De uma ementa com quatro entradas, três pratos (um de carne, um de peixe e um vegetariano) e duas sobremesas, escolhi:

 

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Heritage beetrot, goats' curd and summer truffle

 

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Breast of duck, spelt and rainbow chard

 

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Vanilla pannacotta, strawberries and candied almonds

 

Os dois pratos muito bons, que acompanhei com um Maturano 2015, um vinho laranja. A sobremesa agradável, mas longe de estar ao nível do resto (como é habitual). 

 

Foi uma óptima refeição, tentei voltar para jantar dois dias depois. Subi a escada e a esplanada estava vazia. Pensei "Como pode não ter ninguém?". Mas dentro o restaurante estava cheio... Perguntei se podia comer na esplanada, disseram-me que o chefe não tinha capacidade para servir mais pessoas. Pena! Mas compreendi, naquela "cozinha corredorzinho" era difícil certamente fazer mais e manter a qualidade!

 

 1ª e 6ª Fotos DAQUI

 

 

 

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