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Assins & Assados

A Taberna do Mar - sabores familiares com outras formas

por Paulina Mata, em 05.12.18

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Entrámos no restaurante, procurei a espinha do atum-rabilho de 160 kg que tinha lido ali estar. Sim, estava lá, pendurada sobre as nossas cabeças. Dias antes tinha recebido um email de uma ex-aluna a dar notícias do seu percurso profissional, no final falava de um novo restaurante de que achava que eu iria gostar. Segui o conselho.

 

Um espaço simples e agradável, toda a decoração remetia para o mar, uma taberna atual, o que se reflete no nome - Taberna do Mar.  O chef Filipe Rodrigues, que já conhecia de outros restaurantes que serviam essencialmente peixe, chegou com  o menu.  Muitos sabores portugueses, particularmente do Algarve de onde é Filipe Rodrigues, algumas técnicas orientais, que refletem o seu percurso na cozinha.  O menu de degustação, de 10 pratos, custava 25 euros. Não foi difícil decidir, assim podíamos experimentar quase tudo, e poupava-nos a tarefa da escolha. Disse que tenta ter uma oferta de vinhos menos conhecidos, e sugeriu  acompanharmos o menu com alguns desses vinhos.  Assim foi!

 

Logo chegou o Varanda do Conde, um vinho verde branco da sub-região de Monção e Melgaço, e começaram a chegar os pratos.

 

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Tortilha fumada, tremoço, hortelã

 

Gostei muito,  um conjunto de sabores pouco comum. Perguntei como fumavam as tortilhas. Logo me mostraram  um sistema bem simples, que estava sobre o balcão, em que usavam folhas de aroeira para defumar.

 

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Pão de alfarroba a vapor, carapau seco e "Dim Sum" de língua de vitela, algas

 

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Sashimi de sarrajão fumado

 

Mais três bons pratos. Gostei particularmente do pão de alfarroba com o carapau seco. Talvez por ser menos comum. Chegou então o segundo vinho, desta vez da região de Lisboa, Quinta de S. Jerónimo, Arinto e Sauvignon Blanc. Com ele algo que parecia muxama, mas que era preparado ali mesmo no restaurante, também o pão era feito por eles.

 

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Atum curado seco - "A nossa Muxama"

 

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Torricado, pickle de sardinha, limão

 

Sabores fortes, familiares, muito bons. E logo de seguida chegou um outro vinho branco, desta vez da região do Dão, o Vinha de Reis de 2017.

 

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Sopa de cavala, croutons, coentros

 

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Xerém, choco, berbigão, cebolo

 

Um prato em que Filipe Rodrigues reunia duas das suas memórias infância, dois pratos feitos pelas suas duas Avós, um xerém de berbigão e uns chocos guisados. Uma combinação que resultou muito bem. A seguir veio um prato assinatura do chef, que o tem acompanhado ao longo de vários anos.

 

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Niguiri de sardinha assada

 

Tinha chegado a vez do último prato e do último vinho, um vinho tinto, um vinho que tinha acabado de chegar.

 

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Malandrinho, cabeça de bacalhau, coentro

 

As sobremesas (extra menu) agradáveis, mas não ao mesmo nível do resto dos pratos.

 

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Pudim de pão com amoras silvestres, natas

 

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Leite creme de funcho do mar

 

Uma excelente refeição, um preço imbatível.  Foi bom ver o chef Filipe Rodrigues a falar do seu projeto e do seu trabalho. Pressentir todo o esforço para o pôr de pé. Cada vez valorizo mais estas coisas, cada vez me interessam mais estes projetos menos ambiciosos e onde há mais paixão. 

 

Vou certamente voltar!

 

 

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