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A pandemia e a forma como nos alimentamos - uma revolução acelerada e amplificada?

por Paulina Mata, em 24.05.20

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A noite passada o sono demorava chegar e fui lendo jornais, todos tinham artigos sobre aspetos dos nossos hábitos alimentares que tomávamos como normais, alguns em que não pensávamos até, e que de um dia para o outro mudaram ou, noutros casos, em que se iniciou um processo de grande mudança.

 

O primeiro artigo que li foi no The Guardian - If this is the end of the buffet breakfast, it's not just the toast I'll miss. Não me tinha ainda ocorrido a necessidade de eliminação dos buffets de pequeno almoço nos hotéis, mas vai ter que acontecer, pelo menos nos tempos mais próximos (e que podem ser longos). Tal como a autora do artigo, também gosto muito dos pequenos almoços buffet dos hotéis. Gosto da variedade e abundância, da possibilidade de escolha. Tal como ela, também acho que os buffets de pequeno almoço são importantes, porque são uma parte essencial da ilusão de que tudo é permitido, porque nos fazem sentir mimados. Estou curiosa para ver como os hotéis vão ultrapassar esta situação mas proporcionar uma experiência semelhante (e até acho que poderá ser melhor se o desejarem), criando a mesma ilusão, e sem aumentar o desperdício.

 

Logo de seguida li no The New York Times - Plant-Based "Meats" Catch on in the Pandemic, em que é dito que durante a pandemia a taxa de crescimento da carne foi superada pela das alternativas baseadas em plantas, com vários depoimentos em que as pessoas explicam as razões para isso. Lembrei-me também de outro artigo do mesmo jornal que me mandaram há dias, The End of Meat is Here, em que referia que  o que estamos a viver chamava a atenção, de uma forma ainda mais dramática, para as desigualdades sociais e raciais e a importância fundamental do trabalho, não reconhecido nem devidamente remunerado, dessas pessoas para garantir a nossa forma de vida. Outro aspeto que destaca também é a necessidade, cada vez mais premente, de mudarmos de hábitos devido aos seus impactos nas mudanças climáticas. De facto, tentamos todos evitar pensar nestas coisas quando fazemos as nossas escolhas alimentares, mas prevê-se que esta pandemia possa ser uma alavanca para alterar esta postura. Essa perceção deve ser bem real, até na indústria, esta semana disseram-me que uma grande multinacional de laticínios aumentou o investimento na pesquisa de alternativas baseadas em plantas, pois as expetativas são de que uma das consequências da pandemia seja que o consumo de produtos baseados em plantas aumente, ainda de forma mais acelerada do que já estava a acontecer.

 

Como já tinha referido várias vezes noutros posts, há três meses acreditava que uma enorme revolução na forma como nos alimentamos estava em curso. Vejo agora que os números e a perceção de muita gente é que essa mudança tenha sido substancialmente acelerada  e amplificada pelo momento que vivemos. 

 

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