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A moda do abacate e as suas repercussões... tão graves que alguns restaurantes já os tiraram do menu

por Paulina Mata, em 17.01.19

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Hoje ao passar as páginas da Time Out vi, logo na primeira página, a rubrica "A Equipa Responde" em que a questão era: "Qual a tua posição sobre o abacate?". Uma das pessoas comia ao pequeno almoço, almoço, lanche e jantar, já a outra não era uma adepta tão entusiasmada, consumia ocasionalmente e preferia uma maçã pois, segundo dizia, não destruía tanto os solos.

 

Não sou consumidora obsessiva, mas gosto de abacate, seja um guacamole, seja apenas barrado numa fatia de pão sem qualquer tempero, numa salada... é bom. Acontece é que de repente o abacate entrou na moda, passou a ser visto como uma opção saudável,  e começou a ser usado para todas as ocasiões e mais algumas. 

 

Estas modas e obsessões têm consequências, e a moda do abacate não é exceção. A necessidade de produzir abacates para satisfazer a procura exigiu novas plantações, tal levou à desflorestação de algumas zonas, nomeadamente no Chile e no México. A sua produção também exige uma grande quantidade de água - quase 250 litros por cada quilo de abacate. Este facto, associado aos químicos agrícolas usados na sua produção e consequente contribuição para a contaminação e solos e lençóis de água, tem causado problemas ambientais graves em várias regiões produtoras e nomeadamente na Califórnia.

 

Por outro lado, no México, o maior produtor de abacate com 33% da produção mundial, os abacates estão na origem de muitas situações de violência. São até chamados de ouro verde, abacates de sangue ou diamantes de sangue. O enorme aumento da procura fez com surgisse o interesse por parte dos vários cartéis da droga no controle das plantações, sobretudo na região de Michoacán onde estas se concentram. Estes obrigam agricultores e proprietários de terras a pagar taxas sobre os seus lucros, o que leva a situações de grande violência, chegando até ao assassinato de quem se recusa a fazê-lo. Também na Nova Zelândia foi registado um aumento da criminalidade associado ao aumento do interesse na produção de abacate.

 

Por todas estas razões, alguns chefes estão a começar a banir os abacates dos seus menus, e até a tentar sensibilizar os consumidores para reduzirem o consumo deste fruto.

 

Tudo isto dá que pensar, quantas vezes estas opções e modas têm repercussões que nem imaginamos?  Comer é cada vez mais complicado...

 

 

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