Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Assins & Assados

Assins & Assados

17
Ago22

The sexiest cabbage I have ever eaten

cabbage.jpg

 

rosa.jpg

 

Há pratos inesquecíveis. Por vezes não é muito clara a razão. Uma refeição pode ser excelente, por vezes até há pratos que se destacam, mas passado um tempo fica uma imagem geral, difusa, de que nada se recorda em particular. Outras vezes podem até nem ser tão bons, mas por qualquer razão nunca mais se esquecem.

Há muito que queria ir ao Eat Vietnam em Stirchely, em Birmingham, as referências eram ótimas. Num almoço de fim de semana escolhemos vários pratos do menu, e uma das pessoas na mesa sugeriu pedir a Hispi cabbage with black pepper sauce, que estava nos pratos do dia num quadro negro. Não fiquei muito entusiasmada. Talvez isso até tenha contribuído para tornar o prato inesquecível e o único de que me lembro da refeição. Quando provei foi como se tivesse levado um murro. O sabor forte, mas sobretudo a  sua complexidade, elegância, sofisticação... deixaram-me deslumbrada, mais que isso, emocionada. Foi mesmo uma surpresa!

 

IMG-20220409-WA0010.jpg

Hispi Cabbage with Black Pepper Sauce

 

Há mais quem achasse o prato bom. Acho mesmo que " The sexiest cabbage I have ever eaten" é uma descrição que lhe assenta como uma luva. Tanto que a "roubei" para o título do post.

 

cabbage eatvietnam.jpg

 

E não estava tão bonita como a minha. Então se estivesse...

 

 

14
Ago22

Folium - uma refeição que me permitiu dar atenção a todos os detalhes e a mim, que foi como que um presente. 

bhm cc2.jpg

 

amarelo.jpg

 

Não é que os Jogos da Commonwealth me dissessem alguma coisa, só sabia mesmo que existiam pois há muito que via Birmingham a ser preparada e alindada para o efeito. Num sábado, sem programa nem companhia, pouco antes de começarem os jogos, decidi ir até Birmingham. Ainda não havia tanto movimento como durante os jogos, mas já se via muita gente, e também os resultados de tantos meses de obras.

 

bhm cc1.jpg

bhm cc4.jpg

bhm cc3.jpg

 

O programa, para ser completo, envolvia um bom almoço. Gosto de ir a restaurantes sozinha, gosto muito de ir a restaurantes de fine dining sozinha, é uma relação diferente com a refeição e com o que como. Não partilhar aqueles momentos com ninguém permite dar mais atenção a todos os detalhes da refeição e a mim, é como que um presente. 

A escolha recaiu sobre o Folium, um restaurante de que nunca tinha ouvido falar, mas do qual li boas referências. Ainda bem que assim foi. No site prometiam uma cozinha simples, com sabores limpos e usando ingredientes de alta qualidade. Foi isso que encontrei, num espaço também simples e com um serviço simpático e acolhedor.

Dois menus à escolha, um longo (14 pratos) e outro curto (9 pratos), escolhi o curto e fiquei com vontade de voltar para o longo.

 

tartare.jpg

Lamb Tartare with English Wasabi

 

bread.jpg

Biodynamic Grains with Cultured Butter

 

tomato.jpg

Amela Tomato with Bonito Vinegar and Shiso

 

O tártaro sobre uma pequena bolacha crocante de massa azeda. O pão, feito no restaurante, era excelente.  Quando trouxeram o tomate disseram-me que era um tomate japonês, com um maior grau de doçura e um sabor mais intenso. Posteriormente vi que os tomates Amela foram de desenvolvidos no Japão em 1996, são considerados tomates de alta qualidade e o método de produção define as suas características únicas. São produzidos em Espanha, e no site referem que associam a sofisticação e singularidade da cultura japonesa, com a vitalidade e força da cultura mediterrânica. Aqui eram servidos com um gel de dashi. Um prato muito fresco e delicado.

 

turbot 2.jpg

Cornish Turbot cooked in Beef Fat with Baked Potato Butter

 

beef.jpg

Sirloin of Wagyu Beef with Yeast Béarnaise

 

O rodovalho servido de forma muito simples, apenas o peixe, mas com sabores fortes. A textura firme e o ponto de cozedura perfeitos. Na altura de servir regaram com um caldo rico em umami e com um sabor forte a batata assada. A combinação de sabores do peixe, gordura de vaca e batata assada, e a simplicidade e delicadeza do prato, resultavam em algo muito além do que a foto pode deixar adivinhar. Entretanto, enquanto comia, na mesa ao lado, onde serviam o menu longo com os vinhos sugeridos, apresentavam um vinho português, Pequenos Rebentos.

A carne, cozinhada a baixa temperatura 24 horas, era tenríssima, acho que a teria conseguido cortar só com o garfo. Acompanhava-a uma terrina de batata coberta com um molho Béarnaise, trufa negra de verão e um molho de carne. Mais uma vez sabores limpos, bem definidos e fortes.

 

iced horseradish.jpg

Iced Horseradish with Sorrel and Cucumber

 

pumpkin seeds.jpg

Sunflower and Birch Syrup

 

Primeiro um gelado de rábano com um molho de pepino e azedas, tudo muito pouco doce, por cima umas placas crocantes de leite, muito doces, que conferiam um contraste de textura e de doçura também. De seguida, um gelado de sementes de abóbora com um xarope de de bétula e crocantes de sementes de abóbora. Duas sobremesas leves, com sabores bem definidos, produtos e combinações pouco habituais. 

 

chocolate.jpg

Chocolate Tart with Cep Caramel

 

whisky.jpg

Whiskey and Peat Butterfly Bun

 

O dois últimos pratos, muito pequenos, de facto podiam ser vistos como petit-fours, tinham a riqueza, complexidade e intensidade que associamos às sobremesas, assim como o detalhe da decoração, em apenas uma ou duas dentadas. O que acabava por os tornar leves, tal como o resto da refeição. Primeiro uma pequeníssima e intensa tarte de chocolate negro com um creme de caramelo de Boletus edulis, por cima um fragmento de uma espuma sólida de chocolate. Delicioso!

O seguinte, tinha sabores menos comuns para mim, um pequeno bolo com um creme com uma textura densa, sabores fortes de whiskey. Não sei como o peat é introduzido, talvez em fumo, talvez tenha sido usado um peaty whiskey. Também aqui os sabores fortes e o cuidado da decoração o tornavam delicioso.

Mas... há sempre um mas... no final pedi um chá. Não havia carta, a pergunta foi se queria preto ou verde, ou uma qualquer infusão de que não me lembro. Verde... mas a cor era estranha, e o sabor também. Não é que fosse desagradável, apenas não era o que esperaria de um chá verde. Perguntei que chá era e trouxeram-me um boião grande com o chá, sim eram folhas de chá verde, mas misturadas com flores e frutos secos. Mais uma vez, a confirmação de que, mesmo nos restaurantes exigentes na qualidade e forma de apresentação dos produtos que servem, o chá continua a não ser tratado com a atenção que merece.

 

tea.jpg

 

No final lembrei-me de um comentário que li. Dizia alguém que gostou muito, mas a quantidade da comida era pouca, que para não ficar com fome tinha pedido o prato de queijos que é oferecido opcionalmente (com um custo acrescido) com os menus. Compreendi... pensei que o pão me tinha salvo de terminar ainda com vontade de comer mais. Um pão daqueles era o que serviam numa mesa de duas pessoas. Eu tive a sorte de ter um só para mim, mas o que importava era que tinha tido uma refeição excelente, com combinações de produtos e sabores originais e de que tinha gostado muito. Uma refeição que me permitiu dar atenção a todos os detalhes do que comi e a mim, que foi como que um presente. 

Saí dali e fui dar um passeio nos canais. Dizem que Birmingham tem mais milhas de canais do que Veneza...

 

bhm canal.jpg

 

 

10
Ago22

Ao tentar não ir a nenhum restaurante de cadeia, o menu veio com brinde!

IMG_20220804_111540.jpg

 

beige.jpg

 

Estava um dia quente, estava a terminar um passeio de barco, era hora de almoço. Apetecia-me sentar a ver a baía, a beber uma cerveja e almoçar de seguida. Uma tarefa que não era tão fácil como parecia... apesar de haver imensos restaurante, com esplanadas e com cerveja...

O número de cadeias de restaurantes, cafés e coisas do tipo no UK é uma coisa quase inimaginável. Vi uma lista dos mais populares, onde estão mais de 100, e até era capaz de adicionar bem mais de uma dezena de nomes que lá não estão, talvez por terem menos restaurantes. Há de todos os tipos, para todos os gostos, e de preços variados. Estão por todo o lado, em qualquer cidade, sobretudo nas zonas mais frequentadas por visitantes, e nas zonas comerciais... os nomes são os mesmos, os menus também. Em Portugal também as há, algumas até são as mesmas, outras não, mas a escala é bem diferente.

Compreendo as vantagens - economia de escala nas compras e na produção da comida, acredito que são usadas cozinhas centrais e as refeições só são finalizadas nos restaurantes. Também permitem alguma consistência, os clientes sabem o que os espera, não só o que está disponível, como a qualidade, são consistentes em todas as lojas.

Reconheço até que algumas até têm propostas interessantes e ambientes engraçados, que por vezes dá jeito saber o que nos espera, que a relação preço qualidade também é boa em certos casos. Mas é tão bom experimentar coisas novas! Dou por mim muitas vezes a procurar restaurantes num dado local e a fazer a busca por "independent restaurants".

Uma semana de férias e uma decisão, tentar não ir a nenhum restaurante de cadeia, apenas independentes (ou pelo menos que os considerasse como tal, pois por vezes pertencem aos mesmos grupos).

No Mermaid Quay, na Baía de Cardiff, a tarefa não parecia fácil. Algumas dezenas de restaurantes e eu conhecia praticamente todos os nomes. Finalmente vi a Bayside Brasserie, uma esplanada num terraço, uma bonita vista, e  não conhecia o nome, não associava a nenhuma cadeia. A juntar a isto, um menu de almoço com um preço razoável. Estava decidido!

O menu até tinha coisas interessantes e adaptadas ao local. Olhei para a lista das bebidas, não tinha cervejas de pressão, e nem sequer artesanais. Mas... vinha com brinde! Uma das poucas cervejas de garrafa disponíveis  dizia-me muito!

 

IMG_20220804_123624.jpg

 

 

03
Ago22

As coisas que nos ficam na memória...

IMG_20220416_204840.jpg

 

rosa.jpg

 

Há tempos fui jantar ao Zindiya Streatery & Bar, um restaurante de street food indiana em Birmingham. O ambiente é descontraído e simpático, da comida podia dizer o mesmo. Já lá fui várias vezes, e o que comi não diferiu muito das vezes anteriores. 

Neste jantar mais recente, sentámo-nos, peguei na lista, olhei para a sala e vi passar um saco de plástico com uma palhinha e um líquido dentro. Veio-me imediatamente à memória o percurso para o cais em Singapura onde fui apanhar um barco para um passeio turístico. Lembro-me muito pouco do passeio, diria mesmo que nada me ficou na memória, aquilo de que claramente me lembro eram as dezenas de pessoas que iam apanhar outros barcos e que levavam na mão um saco de plástico com um líquido dentro e uma palhinha.

No Zindiya ao ver passar aquilo, disse de imediato "tenho mesmo que pedir esta bebida", também pensei "não é a forma mais sustentável de servir uma bebida". Mas o primeiro pensamento teve mais força. Chamei a empregada e pedi que me indicasse no menu o que era. Não era certamente o que vi nos sacos em Singapura, mas não importava, já era mais do que uma bebida, pois tinha associada uma camada de memórias e emoções.

Passado uns minutos tinha o meu cocktail de lima e limão, e uma série de pequenos pratos para o acompanhar, porque naquele dia a estrela foi mesmo a bebida, no saco de plástico.

 

IMG-20220416-WA0031.jpg

 

As coisas que nos ficam na memória... E como mais de uma década depois nos levam a tomar decisões....

 

 

29
Jul22

As expetativas... Por vezes, são lixadas...

fish2.jpg

 

amarelo.jpg

 

Já que ia a Londres para a sessão de lançamento dos chocolates Vinte Vinte, fui cedo e portanto almoçava. Fui à lista onde anoto algumas coisas que vão surgindo, e havia um restaurante onde gostava muito de ir. Tentei marcar... em vão, só daí a umas semanas, outros não estavam abertos ao almoço. Pesquisei e surgiu o Lahpet - a localização era conveniente; ia provar um novo tipo de cozinha, birmanesa, que desconhecia e da qual, mesmo em Londres, há muito poucos restaurantes; e críticos que respeito, e em geral tudo o que encontrava, tinham-me despertado o interesse. Até o Guia Michelin lhe tinha atribuído um Bib Gourmand e referido que a cozinha era autêntica.

Há dois restaurantes Lahpet (que em birmanês significa chá) em Londres, um em Shoreditch e outro, mais recente, em Covent Garden. Resolvi ir ao de Schoreditch, há algum tempo que não ia para ali. Além disso este restaurante foi o primeiro a abrir, na sequência de um projeto que tinha começado como uma banca perto de London Bridge e passou depois para um arco em Hackney. Depois de deambular pela zona, fui até ao restaurante e .... dei com o nariz na porta! Só abria para jantar. Eu só tinha visto o horário do de Covent Garden... Estava decidido que o almoço era no Lahpet, e lá fui para Covent Garden.

Depois de tudo o que li, eu podia lá viver sem provar um Lahpet Thohk...

Grace Dent dizia no Guardian

That lahpet thohk salad is a sterling example of this delightful funkiness, with pickled tea leaves interwoven with double-fried beans,wisps of chopped cabbage, plump, sweet bursts of tomato and salty dried shrimp; sesame seeds, crunchy peanuts and a liberal amount of garlic oil and raw garlic also put in an appearance. To a western gaze, at least, this might be unlike any salad seen before, plus it’s the colour of Fozzie Bear and army-surplus combat pants. It comes with a warning that, due to the level of caffeine in it, it may well keep you up at night. Each time I order lahpet thohk, I’m unsure I love it, but I am always compelled to scoop up every last complex, enticing bite.

Segundo Jay Rayner

If you don’t know much about Burmese cuisine, then Lahpet’s menu is a real eye-opener

Lahpet thoke is a traditional salad made with pickled tea leaves, but there is so very much more going on here than the humble word “salad” suggests. It’s a salad with a lengthy CV and killer references. Alongside the tea leaves and shredded cabbage there’s the crunch of peanuts and of those crisp-fried broad beans we are familiar with from Spanish delis. There are dried shrimps and sesame seeds and a little chilli, for while a certain amount of heat is part of the story, it’s not there to bash you about the head. There’s a sweet-sour dressing with the high waft of garlic oil. It’s a heap of good things that needs to be excavated in search of ever deeper textural joy.

Para Tom Parker Bowles e Olly Smith:

Lahpet thohk. Pickled tea leaf salad. A dish, in the words of food writer Mimi Aye, that is ‘the most iconic of Burmese foods and unique to the country’. It’s also one of the most thrilling things I’ve eaten for years, at once alien and utterly familiar; soothingly rich, softly astringent, with a pert acidity and low throb of garlic and chilli. The texture also beguiles, crisp peanuts and deep-fried beans versus the comforting chew of tea and dried shrimp.

 

Nem foi preciso pensar muito sobre a entrada que ia pedir. Já ia decidido antes sequer de entrar no restaurante.

 

salade.jpg

Lahpet Thohk (Tea Leaf Salad)

Pickled Tea, Double Fries Beans, Cabbage, Tomato, Chilli, Dried Shrimp, Sesame Seeds, Garlic Oil, Peanuts

 

As expetativas eram tão altas, que a complexidade, a originalidade, os sabores fortes e únicos... ficaram aquém do que esperava. Não me emocionou, e nem o efeito da cafeína senti. Nas folhas de chá (que tive o cuidado de provar separadamente) também não encontrei o umami que vi referido em alguns comentários. Se era boa? Era, sem dúvida. Se esperava mais? Sim, sem dúvida. Fiquei com a sensação que as expetativas tinham prejudicado a minha apreciação. Quase desejei que não fossem tão altas...

Para prato principal, pedi o que era descrito por Jay Rayner como the most showy plate of food. Neste caso a escolha não foi tão fácil, havia várias coisas que gostava de provar. 

 fish1.jpg

Ngar Kyaw Hnut (Fried Bream)

Tomato, Shallot & Garlic Soy Glaze, Crushed Double Fried Beans & Peanuts, Greens

 

Uma dourada a que retiraram os filetes, que foram fritos e servidos com um molho de tomate cebola e alho, bastante picante, contribuindo amendoins e feijões fritos com uma certa crocância. Para além dos vegetais de acompanhamento, também pedi um arroz branco. A espinha era servida frita, o que tornava o prato impressionante, e o empregado sugeriu que a comesse também. Comi uns pedaços, mas o efeito visual era o mais interessante.  Um prato que acabou por ser mais marcante do que a salada.

A conta, sem bebidas, e com a gorjeta sugerida, ficou pelas 35 libras, um valor que achei muito aceitável, não só considerando a qualidade e quantidade que comi, mas também tendo em conta que estava numa zona turística de Londres, num restaurante com um espaço moderno e agradável e com boas críticas, que serve comida birmanesa, mas apresentando-a de forma mais requintada e sofisticada.

Hei-de voltar, provar mais uns pratos e dar mais uma oportunidade à salada, agora com expetativas mais realistas. É que as expetativas por vezes são lixadas. 

 
 

 

 

12
Set21

Grandes Pequenos Almoços no Pequeno

IMG_20210813_125429.jpg

 

amarelo.jpg

 

O Pequeno Café e Bistrô é mesmo pequeno, mas tenho lá tomado grandes pequenos almoços. Um espaço no mercado de Arroios de uma brasileira e um eslovaco. As propostas são vegetarianas ou veganas. A comida tem um aspeto fresco, imaginativo e delicioso.

 

Descobri-o recentemente e a minha experiência são só os pequenos almoços. Como já disse, gosto deles com tempo e variados. O primeiro foi uma Tosta aberta com Pesto de Brócolos e Tomatinhos, que comi acompanhada de um Capuccino com leite de amêndoas. Fiquei com vontade de voltar logo no dia seguinte. Não o fiz... mas uns dias depois voltei, desta vez para uma Tosta aberta com Manteiga vegana, Cogumelos e Parmesão vegano. A bebida foi um Matcha Latte com leite de aveia. Delicioso também.

 

IMG_20210824_123204.jpg

 

São eles que fazem os queijos veganos que vendem. Têm mesmo uma pequena mercearia em que disponibilizam alguns dos produtos que fazem e usam nos pratos. 

 

Estava planeado num fim de tarde ir com a minha filha petiscar uma tábua de queijos vegana com um vinho natural da Eslováquia. A vida trocou-nos as voltas... tem que ficar para uma outra oportunidade.

 

Gosto muito destes espaços, em que se sente sobretudo a paixão, a simpatia, a criatividade e a vontade de fazer bem e diferente. 

 

Pequeno Café e Bistrô - Mercado de Arroios - Loja 5 - Lisboa

24
Ago21

O pequeno almoço da Sala de Corte

IMG_20210731_110303.jpg

 

amarelo.jpg

 

Tínhamos combinado ir almoçar, mas os horários não eram compatíveis. Decidimo-nos pelo pequeno almoço. Tentámos um local que minimizasse deslocações e ficámos pelo Cais do Sodré. A escolha acabou por cair na Sala de Corte que serve pequenos almoços ao fim de semana.

 

Marcámos antes para não termos surpresas. Quando cheguei pensei que ia encontrar uma esplanada cheia. Não... ninguém! Durante o resto do horário do pequeno almoço não esteve mais ninguém, tivemos o restaurante por nossa conta. Que desperdício!

 

A carta é curta, mas as propostas são atraentes. Os meus Ovos Florentine, com espinafres, cogumelos e molho holandês, estavam excelentes. Provei os Ovos Benedict com presunto pata negra e eram igualmente bons.

 

IMG_20210731_113749.jpg

 

Partilhámos sobremesas, e a French Toast com maçã caramelizada encheu-me as medidas. Porque era linda, e porque era deliciosa.

 

Gosto da proposta de aos fins de semana servirem pequenos almoços durante a manhã, nunca entendi porque é tão raro os restaurantes rentabilizarem os espaços noutros horários. A oferta é de excelente nível, e a preços muito razoáveis. O espaço, na Praça Dom Luís I, é muito bom, escolhemos ficar na esplanada, mas tínhamos todo um restaurante só para nós. Fiquei a pensar: "Porquê? Como é possível?". Fiquei também com vontade de voltar.

 

Apenas uma sugestão... era importante terem uma ou duas propostas sem produtos de origem animal, já não é compreensível não haver esta oferta.

 

Sala de Corte - Praça Dom Luís I - 7 - Lisboa

 

 

12
Ago21

ZunZum Gastrobar - é desta comida conforto que estava a precisar

IMG_20210625_160333.jpg

 

amarelo.jpg

 

Foi há umas semanas numa esplanada à beira do Tejo que as comi. Bem... verdade, verdade, só comi uma das tarteletes. Lindas! Ainda mais depois de um período como o que temos vivido em que ir a um restaurante, coisa que tomávamos por garantida, deixou de ser durante muito tempo uma possibilidade. Contudo, mesmo numa situação normal (o antigo normal), seria sempre um luxo servirem-nos um prato destes. E, sobretudo, num ambiente muito descontraído, uma esplanada à beira do Tejo.

 

Primeiro comem os olhos... e o aspeto não nos dá qualquer referência sobre o que o sabor e a textura serão... Um jogo divertido. Depois a primeira dentada... e o sabor é tão português! O de uma óptima salada de bacalhau. As Tarteletes de Bacalhau da Marlene Vieira são maravilhosas! Só por elas valeria a pena ir ao ZunZum, mas há mais, muito mais coisas a descobrir...

 

IMG_20210529_130954.jpg

 

A Filhós de Berbigão à Bulhão Pato é outra razão. Primeiro comem os olhos... e se no caso anterior o que os olhos viam não nos traziam grandes referências, com a filhós isso não acontece. Todos reconhecemos a filhós, o berbigão... Coisas que associamos a memórias bem diferentes a filhós a sobremesas doces de Natal, o berbigão ao verão, a lembrar o mar. Associá-los não é óbvio... mas o resultado é brilhante!

 

Qualquer um dos dois pratos tinha lugar num menu de degustação de um restaurante de fine dining. Mas há outras propostas que são um prazer bem mais terra a terra (ou mar a mar... o terra a mar...). O Pica-Pau de Perceves, não é tão bonito, mas é de comer, lamber os dedos, e chorar por mais...

 

IMG_20210529_131548.jpg

 

E as sobremesas... Lindas! Mas, sobretudo, deliciosas.

 

IMG_20210529_135021.jpg

IMG_20210529_135102.jpg

IMG_20210625_163104.jpg

 

Fui, voltei mas semanas depois, repeti umas coisas, experimentei outras... Encontrei aqui o que é um prazer encontrar num restaurante mais casual de um(a) Chef de renome: boa cozinha, criatividade, propostas menos óbvias, preços razoáveis, e muita qualidade. A Marlene Vieira em plena forma! Com uma cozinha muito própria, muito enraizada nos sabores e produtos portugueses, mas muito criativa e atual e que nos dá, para além de uma dose de conforto, uma dose de aventura.

 

É desta comida conforto que estava a precisar!

 

 

ZunZum Gastrobar

Av. Infante Dom Henrique, Doca do Jardim do Tabaco, Terminal de Cruzeiros de Lisboa

 

28
Fev21

Eleven - uma excelente relação custo benefício

eleven.jpg

 

amarelo.jpg

 

Num daqueles momentos em que comida conforto e comida informal eram tudo aquilo que eu não queria, em que o que precisava mesmo era uma refeição com sabores diferentes e que lembrasse um pouco o glamour de um bom restaurante (gosto tanto! que saudades!), decidi pedir o jantar do Eleven.

 

Comecei a tirar as caixas do saco e achei muito simpático terem enviado também o couvert - um pão e manteiga.  Um couvert simples, mas não o esperava.

 

A entrada era mesmo o que eu estava a precisar. O tipo de coisa que não faria nunca em casa. Uma entrada de um bom restaurante! 

 

IMG_20210216_201737.jpg

“Que grande lata”
Uma com atum braseado e pickles caseiros, e a outra com uns lingotes dourados de foie gras com compota de ameixas de Elvas e pão de frutos

 

Andava-me a apetecer leitão há uns tempos, e foi o que pedi. Satisfazia a vontade de comer leitão, mas num contexto diferente.

 

IMG_20210216_201854.jpg

Leitão confitado (24 h) com arroz frito com camarão e manga

 

Estava fantástico, suculento e com uma pele crocante. O arroz excelente e exótico. Tinha um toque q.b. de conforto e outro de aventura.

 

Para terminar... tinha mesmo que ser uma sobremesa de restaurante.

 

IMG_20210216_201159.jpg

A calçada de Lisboa com mousse de ginja

 

O menu de take away do Eleven promete uma cozinha com uma estrela Michelin em casa. De facto os pratos que me trouxeram, não sendo exatamente os do restaurante, traziam tanto quanto possível a cozinha de um restaurante como o Eleven. Faltam, todas as outras componentes da experiência. e são tão importantes! Mas por agora é o possível.

 

Lamento as fotos, mas foram as melhores que tinha. Mas não podia deixar de relatar esta experiência. Digo no título do post que a relação custo benefício foi excelente. Foi talvez a melhor de todas as refeições que pedi. Por tudo o que mostrei (e que dá para mais do que uma pessoa, ou para mais do que uma refeição) paguei 43 euros.

 

Parabéns, e um obrigada, ao Joachim Koerper e à equipa do Eleven pela experiência que nos proporcionam.

 

 

15
Fev21

Desta vez fui transportada para uma bolha bem fora do momento presente... Um prato do Kanazawa que me encheu as medidas.

IMG_20210208_212007.jpg

 

amarelo.jpg

 

Se me perguntarem qual o prato que mais me marcou no último ano, foi este! A foto está má e, convenhamos, nem sequer é um prato bonito. Mas talvez tenha sido o único prato de que não me vou esquecer deste ano. Tive sorte, pois foi a primeira vez que pedi comida do Kanazawa, e descobri agora que mudam semanalmente os menus, e nos anteriores que vi este prato não estava. Era uma entrada, e quando li - Tarte Fina de Maçã com Foie Gras e Fígado de Tamboril, ficou imediatamente decidido que tinha que a comer. 

 

Dizem que as pessoas nesta situação que estamos a passar querem comida conforto. Olhando para os menus de alguns restaurantes fico com a sensação que é a esse desejo que tentam responder. São pratos aparentemente diferentes dos habituais do restaurante, são pratos de comida conforto. Outros apostam numa cozinha informal, para partilhar, para comer com as mãos... Tudo apostas válidas! Tudo uma adaptação necessária a um novo formato em que reproduzir a carta do restaurante é impossível. Eu por vezes procuro as coisas anteriores, mas neste momento sobretudo procuro pratos que me surpreendam, com combinações e sabores que me façam "viajar", que me façam sair de casa, que me façam sonhar.

 

Foi exatamente isto que que senti ao comer a Tarte Fina de Maçã com Foie Gras e Fígado de Tamboril. Um prato de sabores fortes, que não será consensual, para mim um prato maravilhoso, que me trouxe o que ainda nenhum outro tinha conseguido.

 

IMG_20210208_211922.jpg

 

Veio também um excelente Chirashi (arroz de sushi com fatias de sashimi fresco). Estava óptimo. Mas o fator surpresa, o prato que me transportou para uma bolha, para fora da terrível situação que estamos a viver foi mesmo a tarte. Obrigada Paulo!  (Ainda fui ver se tinha o seu número de telefone para lhe agradecer, mas não tinha...)

 

O Origami que vinha agrafado ao saco foi um pormenor que também fez a diferença!

 

IMG_20210208_233502.jpg

 

 

Mais sobre mim

Seguir

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Comentários recentes