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Assins & Assados

Assins & Assados

10
Mar18

Comprei e abri com alguma ansiedade... Iriam as rillettes satisfazer as minhas expectativas?

 

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Se me perguntarem as memórias de sabores mais marcantes das minhas primeiras idas a França, digo sem hesitar: Rillettes e Saucisson. Relativamente ao saucisson, o sabor e aspecto tão diferentes dos nossos enchidos, era mesmo uma descoberta. É que se agora uma grande variedade destes produtos está disponível, há quase 40 anos não eram acessíveis. Quanto às rilletes, aquele sabor rústico, os pedaços de carne a desfazerem-se, a cremosidade da gordura... uma delícia! Por vezes vou comprando rillettes, mas nem sempre me satisfazem as expectativas.

 

Hoje, no supermercado, houve uma embalagem na prateleira que me chamou a atenção, era mais ou menos assim:

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Comprei, e quando cheguei abri, com alguma ansiedade... Iriam satisfazer as minhas expectativas? Iriam estar à altura das minhas memórias (eventualmente romanceadas) das primeiras viagens a França? E não é que estavam! Maravilhosas!

 

Enquanto as comia fui vendo a embalagem e encontrei o endereço do site da empresa que as comercializa, a unearthed. O fundador,  depois de muito viajar pelo mundo, resolveu, em 2008, tornar acessíveis no UK algumas das coisas que tinha comido. Para isso procuram pequenos produtores, tentam descobrir os melhores, as coisas são produzidas nos países de origem com a marca deles, que as trazem para Inglaterra, sendo a distribuição limitada (Waitrose e Ocado). Quanto às rillettes, são feitas por um produtor premiado de Le Mans. 

 

Gostei muito do site, estive a ver os vários produtos e fiquei com vontade de experimentar mais. Também pensei que gostava de ver ali algumas coisas nossas, mas não consegui decidir o quê...

 

 

PS

Fui ao site do Ocado e gostei muito de ver isto: Ocado Modern Slavery Statement

 

As duas fotos são DAQUI

 

13
Fev18

Como é que eu vivi sem isto até hoje? As coincidências que me abriram a porta para o mundo do chocolate.

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Há duas semanas no suplemento sobre comida do The Guardian  que sai ao sábado - Feast - li uma secção que se chama How I Eat, em que há uma pessoa que diz o que geralmente come ao pequeno almoço, almoço, jantar e em snacks. Lia aquilo e só pensava "Mas porque carga de água foram escolher para isto uma pessoa que obviamente não gosta de comer?". No final, já na parte dos snacks, referiu, com algum entusiasmo, uns chocolates que andava a comer. Eram quatro e vinham na última caixa que tinha recebido da Cocoa Runners. Apesar de ser a única parte interessante do que disse, não voltei a pensar nisso. Uma semana depois comprei a National Geographic Food, que tinha um artigo sobre chocolate. No final do artigo sugeriam cinco sites a visitar. O primeiro de todos era dos Cocoa Runners e dizia "Members' club selling bean-to-bar chocolate from around the world, plus smart gifts and tasting courses." Imediatamente me lembrei do senhor que odiava comer, mas pertencia a este club. Fui ver do que se tratava.

 

No site falavam do que está a mudar no mundo do chocolate, a que chamavam a revolução do chocolate. Falavam de pequenos fabricantes que adquirem cacau a pequenos produtores, e que transformam as favas do cacau em tabletes numa escala pequena, falavam dos altos padrões de qualidade e da diversidade dos chocolates que produziam. Diziam que adquirir estes chocolates não era fácil, e por isso eles iniciaram o projeto Cocoa Runners. Sendo a missão deles descobrir e tornar acessível. Assim, correm o mundo para conhecer quem produz o cacau e fabrica as tabletes. Dizem que desde 2013 já provaram mais de 6000 tabletes diferentes e dessas escolheram as melhores. Que neste momento têm para venda 800 diferentes de mais de 80 fabricantes. Fui à página dos fabricantes, 94, não conhecia quase nenhum. Aliás, que tenha consciência disso, só comi chocolates de 4 deles.

 

Conclusão, era mesmo disto que eu estava a precisar na minha vida! Chocolates de qualidade, diferentes, e quem mos mostrasse com algum critério. Tudo isto à distância de um click e, claro, do número do cartão de crédito. Mas a despesa nem era grande, por 18.95 libras por mês recebia em casa 4 tabletes criteriosamente escolhidas, com informação sobre os produtores, os fabricantes e notas de prova. Mais, prometiam que não repetiam as tabletes, que desde que começaram já mandaram nas caixas mensais mais de 250 chocolates diferentes. Fiz logo a minha subscrição, e 3 dias depois o carteiro enfiava pela caixa do correio esta caixa com 4 tabletes (1 de chocolate de leite e 3 de chocolate preto).

 

O chocolate de leite, de cacau de Madagascar, produzido por um dos dois únicos fabricantes de chocolate em Madagascar, a Menakao; do Peru, um cacau albino que esteve quase extinto e está a ser recuperado, para a tablete produzida pela Original Beans, uma empresa holandesa; cacau da Jamaica foi transformado numa deliciosa tablete em Inglaterra pela Pump Street Chocolate, finalmente cacau da República Dominicana foi transformado pela empresa catalã Blanxart. Todos completamente diferentes, uns frutados, outro com notas de caramelo, rum e passas, e ainda outro com notas de frutos secos. Maravilhoso!

 

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Como é que eu vivi sem isto até agora? Espero ansiosamente que o carteiro traga a próxima!

 

 

26
Ago17

Chocolates "Single Estate" e a sua Fascinante Diversidade

 

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Há ainda relativamente pouco tempo o chocolate era visto quase como assunto de crianças ou de mulheres, consoante o tipo de chocolate. Felizmente houve quem o levasse mais a sério e agora a diversidade e a qualidade acessíveis a todos são bem maiores.

 

aqui tinha falado em tempos de chocolates da Willie's Cacao, e há dias encontrei uma caixa que achei muito interessante. O conteúdo eram 5 tabletes single estate, com características diferentes, mas todas com teores de sólidos de cacau semelhantes - entre 69% e 72%, e ainda um mapa com a localização de cada uma das propriedades e da fábrica e mais alguma informação.

 

 

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Comprei, e pensei logo fazer uma prova de chocolates para nos apercebermos das diferenças e tentar traduzi-las em palavras. Notámos as diferenças, expressá-las foi mais complicado... é mesmo muito difícil encontrar palavras para transmitir estas diferenças de sabores e aromas. Identificámos também o que gostávamos mais. 

 

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Mais tarde, na viagem de comboio de regresso, fizemos o teste ao contrário. Já conhecíamos os chocolates, já conhecíamos as características e o objetivo era identificar, perante a informação na embalagem, qual era qual. Aqui os resultados já foram melhores 3 certos em 5, ou seja cada um de nós trocou 2, que curiosamente não foram os mesmos.

 

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Foi divertido, e muito educativo. De certeza que vamos fazer mais sessões destas. 

 

 

21
Mai17

Quase parecem queijo!

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Espantosas estas alternativas  ao queijo sem produtos animais. O aspecto tão real!

 

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Comemo-las ontem o lanche. O sabor do "camembert" excelente, quase enganava. O outro ainda precisa de alguma afinação no gosto, mas já é muito agradável. 

 

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Alternativas ao queijo de produção artesanal e difíceis de encontrar. Muito, muito interessante!

 

 

10
Mai17

Chás Andorinha - um projecto com paixão e que nos permite desfrutar de chás excelentes

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No curso de chás que referi no post anterior, conheci António Vieira da Cruz, que com a sua mulher Margarida Vieira da Cruz fundaram em 2015 os Chás Andorinha. Este casal, com uma grande paixão por bons chás, apercebeu-se que o acesso aos melhores chás do mundo era bastante difícil em Portugal. Propuseram-se assim, com os Chás Andorinha, contribuir para a recuperação da cultura do chá no nosso país, disponibilizando uma variedade de chás de alta qualidade.

 

Para tal viajaram para aprender mais sobre chá, conhecer chás, produtores e plantações. Estabeleceram parcerias com produtores locais, membros de famílias que há várias gerações produzem chá e em que o conhecimento passa de geração em geração. Seleccionaram desta forma chás que consideram diferentes, especiais e autênticos.

 

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Tivemos oportunidade de conhecer a gama de chás que comercializam e ainda de provar o chá Oolong.  Gostei muito dos chás que vi e do que provei e logo que cheguei fui ver o site e adquiri dois chás, o Oolong e um chá verde japonês o Umegashima que me têm proporcionado momentos muito relaxantes e agradáveis.

 

Gosto destes projectos com caras, com paixão e que nos permitem desfrutar de produtos com qualidade.

 

 

 

22
Nov16

Folhados de Lampreia - inovar dando novas roupagens a sabores tradicionais

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Gosto muito de lampreia, desde que me lembro nunca passou nenhum ano em que não a tenha comido pelo menos uma vez. Uma das minhas memórias de infância é ver a minha Mãe a preparar as lampreias, pois sempre se comeram (com grande entusiasmo) em minha casa.

 

Há cerca de um ano, no El Corte Ingles, encontrei uns Folhados de Lampreia de Penacova da empresa Cruidoce.  Comprei para provar e gostei. São bons para reviver o sabor da lampreia fora da época, são bons para ocasionalmente comer com uma salada ou uns legumes. O maior defeito, é não terem ainda mais lampreia. Depois desapareceram muitos meses, mas encontrei-os recentemente.

 

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Uma forma de inovação que veste com outras roupagens produtos tradicionais e que permite outras formas de consumo. No caso dos Folhados de Lampreia de Penacova, um produto que me parece bem conseguido.

 

 

19
Nov16

E ao passar no Largo de São Domingos descobri o djagatu...

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Na visita à descoberta de outros sabores e culturas gastronómicas em Lisboa passámos pelo Largo de São Domingos, onde há sempre um grupo de mulheres guineenses a vender produtos recém chegados da sua terra.

 

Chamaram-me a atenção uns vegetais que desconhecia. Perguntei o que era e disseram-me ser parecido com uma beringela. Perguntei como se cozinhava, não foram muito esclarecedoras. Podia ser partido ou inteiro, com carne ou sem ela... Parti um para ver como era.

 

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Decidi fazer um lombinho de porco estufado com os ditos vegetais inteiros.  Parecido com a beringela, como tinham dito, mais amargo.

 

Algumas pesquisas e descobri o livro Guiné-Bissau - da terra à mesa - produtos e pratos tradicionais, organizado pelo Slow Food e nele vi que se chama djagatu.

 

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Tanta coisa para descobrir que, vindo de paragens longínquas, está aqui mesmo ao virar da esquina...

 

 

11
Set16

Cervejas para paladares aventureiros e cervejas com humor

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Uma loja de cervejas, essencialmente cervejas artesanais, de várias proveniências, mas uma percentagem elevada produzidas em várias cidades das Midlands, onde me encontrava. Decidimos entrar. Estava um dia ameno de sol e provar algumas pareceu-nos um bom programa para um fim de tarde no jardim de casa. Escolhemos à sorte três, escolha que não foi baseada em nenhum conhecimento, apenas por serem diferentes...

 

Começámos pela de abóbora, Pumpkin King, uma cerveja produzida pela Brewdog, uma empresa escocesa. Que depois descobrimos ser uma das que classificam com Small-Batch por serem produzidas em quantidades reduzidas e ultrapassarem os padrões mais comuns, consideradas cervejas com características únicas e marcantes. Halloween, virado do avesso e de pernas para o ar, dentro de uma garrafa, era o que prometiam no rótulo. Diferente, agradável e sentimos o sabor da abóbora, caramelo e especiarias. Teste passado... gostámos!

 

Passámos à segunda, uma cerveja produzida pela Bristol Beer Factory,  com um grau alcoólico mais elevado, o dobro das outras - 10% - e a que despertava mais a minha curiosidade.

 

Dizia o rótulo em letras gigantes: "Oak Bourbon Barrel Aged / 75% Wheat / Smooth & Full Bodied / Blended with Cold Brewed Coffee / Fermented with our Triple Strain House Yeast / Savour". No verso dizia ainda " A brewer's beer for those with adventurous taste buds." E nós saboreámos, e gostámos. Adventurous taste buds é comigo... e foi a minha preferida das três, forte, cheia de personalidade, um agradável sabor a café sem ser dominante.

 

Para o fim ficou a de morango, da Mad Hatter Brewing Company de Liverpool.  Servimos, provámos, e não sabia a morango! Nada mesmo. Olhámos para o rótulo para ver os ingredientes e nada de morango.

 

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Vimos o outro lado e demos uma gargalhada bem sonora:

 

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"This strawberrieless beer is a dry hopped belgian style saison. Containing no strawberries, just the essence of their absence."

 

E só depois reparámos que no rótulo principal dizia "Abscence of Strawberries". E que nós só tinhamos visto um rótulo cor de rosa a dizer strawberries!!!

 

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Foi aquela de que gostámos menos, a mais comum. Além disso, quando a deitei no copo, pareceu-me muito espessa. Desconfiei que tinha um espessante, mas no rótulo não o refere. Eu continuo desconfiada..  Contudo, o sentido de humor e as gargalhadas que demos  valeram por tudo, e se calhar é aquela de que mais nos vamos lembrar. E, possivelmente, se não fosse ela não tinha escrito este post. Comer, ou beber, é mesmo muito mais do que aquilo que ingerimos.

 

Agora ía mesmo era uma com café extraído com água fria e envelhecida em cascos de carvalho de Bourbon...

 

 

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