Quando uma pessoa vegana vai às compras, o seu cesto tem seguramente muitos vegetais, leguminosas e frutos. Poderá ter certamente arroz e massa, e até outros cereais. Mas não tem que se ficar por aqui. Cada vez mais há opções para diversificar pratos e sabores.
Um hambúrguer para grelhar nas brasas ou na frigideira pode ser uma opção. Já provei o No Bull Burguer da cadeia de supermercados Iceland, e que está representado na imagem. Faz lembrar o de carne, mas sobretudo permite uma refeição agradável. O sucesso foi tanto que esta cadeia de supermercados lançou uma extensa linha de produtos veganos.
Foram agora lançados em Inglaterra uns hambúrgueres que dizem ser chocantemente (para alguns veganos) idênticos aos de carne, na textura, no cheiro e no sabor, e até "sangram". São os Beyond Burgers já comercializados nos US há cerca de dois anos e meio. Sobre eles saiu hoje um artigo no The Guardian, pois vão começar a ser vendidos em supermercados no UK, embora já sejam servidos nalguns restaurantes há cerca de duas semanas.
Curiosamente estes hambúrgueres são colocados junto aos de carne, penso que de forma a ganhar visibilidade para além dos consumidores veganos e atrair o interesse de quem procura os de carne.
Mas o cesto de compras vegano também pode conter 100% plant based minced, que pode ser usado para fazer umas almôndegas ou uma bolonhesa.
Para aqueles dias em que a energia não dá senão para meter uma pizza no forno, cada vez há mais disponíveis.
Mas se o que se quer é servir aos amigos uma tábua de "queijos" cada vez a variedade e a qualidade são maiores.
Também há substitutos da charcutaria ou do salmão fumado.
Um cesto de uma pessoa vegana já não é o que era, e cada vez a disponibilidade de produtos é maior. De facto eles estão lá para todos os que querem reduzir o consumo de carne. Que dizem ser no UK já 22 milhões de pessoas.
Em geral não sabem ao mesmo, e se a expectativa for essa, não vai ser satisfeita, pois é irreal. No entanto, fazem lembrar, e comem-se com prazer. Isso posso dizer, pois já comi alguns dos que referi, e muitos outros.
Tem sido espantoso assistir à dinâmica de lançamento deste tipo de produtos e oferta nos restaurantes no último ano, e sobretudo nos últimos meses, e ainda à enorme evolução na sua qualidade.
O mundo como o conhecemos está a mudar, e muito depressa...
Depois do pequeno almoço passei em frente da Manteigaria Silva. Lisboa está mesmo cheia de turistas! Tive que esperar um pouco para conseguir passar. As castanhas à porta chamaram-me a atenção.
O outono já se sente, o fim de semana ia estar chuvoso e eu adoro castanhas cozidas. Entrei para comprar castanhas. Lá dentro esqueci-me delas. O requeijão que vendem a peso é delicioso! Uns turistas ao lado estavam a mandar cortar paio do cachaço... eu também queria! As manteigas do Açores são de longe as minha preferidas e a Rainha do Pico só encontro aqui...
Saí com todos estes tesouros. Quando cheguei à praça da Figueira reparei que me tinha esquecido das castanhas. Estive para voltar atrás, mas do outro lado da praça estava o Mercado da Figueira. Nunca lá tinha entrado, lembrei-me de que mais do que uma vez já me tinham perguntado se conhecia. Diziam que valia a pena.
A porta estreita entre uma loja de sapatos e uma de hamburgueres não deixa prever o que está dentro. Uma boa loja com uma grande variedade de produtos. Ia-me distraindo com tudo o que vi. Mas saí com castanhas e erva doce.
A caminho do Chiado passei na Casa Pereira, sei que vendem chás Andorinha. Estava mesmo a precisar de um Oolong para enfrentar o outono... Comprei ainda um marron glacé, que vendem à unidade.
Fui depois à Vida Portuguesa e saí de lá com uma tacinha de marmelada. Excelente! Sabe quase à que a minha Mãe fazia. Quilos, para todo o ano para uma família grande. Lembro-me muito bem do dia de fazer a marmelada e da azáfama que isso envolvia. Gosto desta, vem numa taça de barro vidrado e tapada com o papel vegetal, como a da minha Mãe, e sem plásticos desnecessários.
Na véspera tinha ido à Isco em Alvalade e tinha trazido pão de trigo e pão de espelta e centeio. Voltei para casa e o almoço foram todos estes tesouros!
Gosto de pequenos almoços, sentada à mesa, com tempo, variados. Durante o ano que estive fora tinha maior flexibilidade de tempo e frequentemente tinha pequenos almoços assim, em casa ou fora. A escolha era vasta e havia que desfrutar das oportunidades.
Uma vez até fui até Warwick para tomar o pequeno almoço, pois soube que havia lá uma café português.
Não é que cá não haja hipótese de tomar um bom pequeno almoço. As nossas pastelarias, oferecem grande variedade, e se forem boas, pode ser mesmo muito bom. Mas queria matar saudades, e não era isso que me apetecia. Mais, nunca bebi café, um expresso ainda é algo que não bebo, a não ser muito, muito raramente, mas o ano passado habituei-me aos omnipresentes cappuccinos, lattes, mochas e quejandos, e apetecia-me um bom cappuccino ou qualquer coisa semelhante.
Sexta à noite resolvi planear o pequeno almoço de sábado e a escolha recaiu no Fábrica - Coffee Roasters, onde nunca tinha ido, pois achei que cumpria os requisitos para matar as saudades. Cheguei a um espaço quase cheio (alguns minutos depois e seria um espaço com fila de espera), sentei-me, pedi, e fui olhando em volta. Pareceu-me que uma percentagem muito elevada das pessoas eram estrangeiros, o espaço era agradável e pelo que fui vendo chegar para as outras mesas achei que não me tinha enganado na escolha do local.
Quando comi os ovos escalfados com salmão, sobre pão escuro e abacate, com rúcula e tomate seco, acompanhados de um excelente sumo de laranja e de um ótimo e cremosos cappuccino, confirmei que não me tinha enganado mesmo. Soube-me tão bem!
Vou voltar, e também descobrir outros espaços assim em Lisboa.
À saída passei à porta da Igreja de São Domingos, e entrei, é um espaço que sempre me impressiona.
Depois fui matar outra saudades...
Fábrica - Coffee Roasters - Rua das Portas de Santo Antão, 136, Lisboa
Em algumas paredes de Mação estão a começar a surgir receitas de pratos tradicionais do concelho. Esta, de que apenas vi a foto, parece-me muito bonita.
Muito interessante, pois é um trabalho para uma dissertação de mestrado sobre tradições alimentares e sua valorização, em que a arte urbana é usada como um dos meios de divulgação e valorização.
Uma excelente iniciativa! Para mim, tem ainda um sabor acrescido por Mação ser o concelho onde nasci e cresci.
Durante muitos anos poucas referências havia fora de Portugla aos nossos produtos e cozinha. Agora vão aparecendo mais. Se calhar é um pouco parolo (mas o que importa? é bom ser parolo de vez em quando...), mas sempre que vejo fico contente. Acontece que a cadeia de cafés Costa, já há uns tempos, tem à porta e por todas as montras cartazes a divulgar um novo menu de café com pastel de nata.
Há dias entrei para ver, e havia um tabuleiro cheio. Não tinham ar dos melhores pastéis de nata que tinha visto. Mas eram pastéis de nata, e a vida não é só feita do melhor...
Comprovei que não eram os melhores pastéis de nata do mundo, mas deu para matar saudades.
Num restaurante italiano pedi arancini de entrada. Quando me trouxeram o prato fiquei boquiaberta com a escolha para o empratamento. Os dois pastéis de arroz fritos vinham sobre um papel que absorvia a gordura, mais que isso, estava pingado de gordura extra. Escorrer os fritos é na cozinha, não no percurso entre a mesa e a cozinha... Estavam sensaborões e sem grande graça, mas sequinhos, mas não foi essa a imagem com que fiquei.