Mais uma pequena caminhada pela Quinta do Vesúvio e chegámos ao apeadeiro onde esperámos um pouco pelo Comboio Presidencial que ali nos tinha deixado duas horas antes para desfrutarmos da quinta e seus produtos, mas também para o comboio fazer inversão de marcha e para que tudo fosse preparado para o percurso de regresso ao Porto.
Já no comboio, uns escolheram ficar no bar, com música ao vivo, outros regressaram às cabines para descansar, eventualmente com um livro (escolhido pela Fundação de Serralves). Eu escolhi ficar à mesa, a conversar e a observar a paisagem. Mas havia mais motivos para isso... bombons, scones e bolos, e chá da TWG eram uma boa justificação.
Chegámos ao Peso da Régua. Parámos, e no comboio entraram algumas vendedoras dos famosos rebuçados da Régua, feitos de forma muito artesanal de açúcar, limão e mel. E todos nós recebemos um saquinho de rebuçados.
Houve então tempo de visitar todo o comboio, ir até à cozinha, onde o Vitor Areias me mostrou o espaço e explicou como funcionava. E eu perguntava: Mas tudo o que serviram saíu deste pequeno espaço? Atravessou o comboio inteiro? E ali ao lado já se preparava o que comeríamos em seguida, antes de chegar ao Porto.
Voltei à mesa para comer uns deliciosos enchidos - salpicão, lombo, lombo fumado, cabeça de xara. E que cabeça de xara! Acho que a melhor que comi. Comentei com o Gonçalo Castel-Branco e ele disse-me que era feita pela Dona Octávia no Cano (Alentejo). A acompanhar, um copo de vinho e o pão da Gleba, que aliás já tinha acompanhado o almoço.
Os enchidos eram excelentes e eu e o Diogo Amorim rapidamente os acabámos. Pedimos mais. É que aquela cabeça de xara era mesmo muito boa. E os pães da Gleba também, e ainda melhores com o Diogo ali ao lado a falar da Gleba, dos pães que tem feito, da forma como estava a correr, dos projectos. Também conversámos sobre iscos e sobre a paisagem, e sobre muitas outras coisas. Depois ainda vieram algumas conservas da José Gourmet.
Mas nem só de comida se vive no Comboio Presidencial, enquanto comíamos também pudemos desfrutar de música ao vivo.
Tudo o que é bom também acaba... e 9 horas depois da partida, regressámos à estação de São Bento e foi altura de voltar à vida real...
Mas à saída ainda recebemos um livrinho com um resumo da experiência que tínhamos acabado de viver.
Um excelente trabalho de toda a equipa do Comboio Presidencial. Um conjunto de produtos que contribuiu para a qualidade da experiência. Um enorme obrigada e muitos parabéns ao Gonçalo Castel-Branco, pela ideia e a forma como a concretizou, pela excelente experiência que proporciona a todos quantos embarcam no comboio presidencial para uma viagem inesquecível.
O Comboio Presidencial vai voltar na época das vindimas, para uma nova experiência, seguramente diferente, mas que será igualmente mágica e inesquecível.
O tempo estava óptimo, sem chuva e com um agradável temperatura, o Comboio Presidencial foi prosseguindo do longo do rio Douro, e todos os detalhes tinham sido pensados para tornar a viagem numa experiência inesquecível... A paisagem também ajudava.
Por volta das 15 horas chegámos ao apeadeiro ferroviário do Vesúvio, a 190 km do Porto, para uma visita à Quinta do Vesúvio, a preferida de D. Antónia Adelaide Ferreira - a Ferreirinha. D. Antónia foi a primeira a engarrafar e comercializar o vinho de uma quinta como o nome desta, fê-lo em1868 com o Porto Vintage Quinta do Vesúvio, o que contribuiu para estabelecer a reputação desta quinta actualmente propriedade da família Symington.
Depois de um breve percurso pela quinta, esperavam-nos alguns momentos de repouso, com vinhos, cafés, chás e charutos, num agradável terraço com uma magnífica vista sobre a quinta.
Mais uma pequena caminhada ao longo do rio até ao lagar da quinta, e a possibilidade de provar um vinho do Porto Graham's Vintage diretamente da barrica.
Há alguns dias recebi um convite para uma viagem imperdível. Rapidamente organizei tudo para estar no Porto no dia da viagem e pelas 10 h e 30 m cheguei à lindíssima, e centenária, estação de São Bento repleta de turistas. Ainda era cedo e aproveitei para admirar os mais de 20000 azulejos da autoria do pintor Jorge Colaço.
Depois entrei e imediatamente vi o comboio onde passaria o dia. Um comboio construído em 1890 no reinado de D. Luis I e que recebeu o nome de Comboio Real. Mais tarde, no início do século XX, o nome foi alterado para Comboio Presidencial tendo transportado os Chefes de Estado portugueses até 1970. Nele viajaram, para além de Reis e Governantes, pessoas como a Rainha Isabel II e o Papa Paulo VI. Em 2010 foi restaurado, tendo-lhe sido devolvido o charme e uma forma tão próxima da original quanto possível. Está desde então em exposição no Museu Nacional Ferroviário.
Numa visita ao museu, Gonçalo Castel Branco apaixonou-se pelo Comboio Presidencial. A sua filha Inês sonhou com a possibilidade de o ver de novo circular, com todo o esplendor de outras épocas. Gonçalo decidiu pôr em prática a ideia. O objetivo era proporcionar viagens inesquecíveis e mágicas a bordo deste histórico comboio, num ambiente de luxo, passando por paisagens de perder a respiração e servindo refeições de elevado nível e disponibilizando os melhores produtos que encontrasse.
No dia em que viajei o responsável pelo almoço foi o Chefe João Rodrigues. Ainda mal tínhamos saído da Estação de São Bento e já nos estavam a servir um vinho e os amuse-bouche.
Cubos de Melão Impregnados com Hibisco e Lima / Falsas Cerejas de Foie Gras / Telhas com Amendoim
Serviram de introdução para estabelecer a conversa com os companheiros de cabine. Mas pouco depois chamaram-nos para almoçar.
E o excelente almoço, com um óptimo pairing de vinhos, começou a ser servido.
Espargos Brancos / Maionese de Alhos Fermentados / Crumble de Cebola
Niepoort Moscatel Dócil 2004
Carabineiro do Algarve / Molho de Carabineiro / Iodado de Ervilhas
Redoma Reserva 2015
Pregado / Raízes (topinambo e salsifis) / Molho de Espumante, Bivalves e Crustáceos
Quinta do Vallado Reserva Branco 2015
Entretanto íamos admirando a belíssima paisagem e estações por onde íamos passando enquanto comíamos.
Matança do Porco (Presa de Porco / Coração de Alface)
Vale D. Maria VVV Valeys 2014 Douro Tinto
Eucalipto / Pinhão / Pinheiro
Niepoort Porto Branco 10 anos
Uma sobremesa excelente a lembrar um passeio na floresta a que se seguiu chá e café acompanhados com petit fours.
Na cozinha, para receber os chefes convidados, o Chefe Vítor Areias e uma equipa em que participavam alunos da Escola de Hotelaria do Porto. Também desta escola vieram os alunos que serviram as refeições durante o dia. Impressionante o trabalho da cozinha e o serviço num comboio em movimento e que trepidava bastante. Sobretudo se tivermos em conta que a cozinha era muito pequena e num dos extremos do comboio, e que havia três salas de refeições. Impressionante também o ritmo a que a refeição foi servida. Era impossível fazer melhor.
Continuámos sentados à mesa a conversar e a admirar a paisagem de cortar a respiração.
Heston Blumenthal vai receber o Diners Club Lifetime Achievement Award 2017 no próximo mês de Abril em Melbourne na cerimónia dos World's 50 Best Restaurants. Uma notícia que me deixou muito contente. Admiro o seu trabalho e a sua aproximação à cozinha baseada num conhecimento aprofundado. Para mim uma cozinha extremamente revolucionária.
After 20 years of The Fat Duck, I now feel like I’m just starting – and those 20 years were my apprenticeship. [...] The future is very exciting.
A associação entre o conceito de desconstrução e um prato surgiu para caracterizar alguns trabalhos da equipa do elBulli em que partiam de um prato bem conhecido, tradicional até, e usando os mesmos ingredientes os apresentavam numa outra forma, radicalmente diferente. Tentando preservar a essência do prato, alteravam temperaturas, texturas e apresentação de forma a provocar e surpreender quem o comesse.
Segundo descrito no livro A Day at elBulli - An insight into the ideas, methods and creativity of Ferran Adrià os métodos criativos usados eram uma síntese de vinte anos de experiências na cozinha, e muitas vezes só foram identificados como métodos criativos vários anos depois de terem sido desenvolvidos, através de um estudo e análise da evolução da cozinha no elBulli e considerando os métodos criativos usados nos campos da música, arte e moda. Aliás o termo desconstrução para caracterizar o trabalho acima referido foi sugerido por uma arquiteto, amigo e cliente do el Bulli. O termo era já usado em arquitetura, teoria literária e outras áreas, e sem pretender fazer um paralelo com o seu uso noutras situações, foi considerado que descrevia de forma perfeita o trabalho de re-imaginação de pratos clássicos ou tradicionais.
Este conceito foi posteriormente utilizado em muitos outros trabalhos nas cozinhas, mas não só... tudo é recuperado e democratizado. O que era vanguarda um dia, deixa de o ser, para dar lugar a outra vanguarda. E foi com um enorme sorriso que eu li o rótulo deste pacote de snacks. E não pude resistir a esta desconstrução...
Quem disse que os vegetais só servem para comer? Ou que não se brinca com a comida? Brinca-se sim, e de uma forma muito séria. E os vegetais também servem para fazer música. É o que faz a The Vegetable Orchestra que por sinal até já deu um espectáculo em Lisboa em Dezembro de 2015 (que infelizmente não vi).
A The Vegetable Orchestra foi fundada em 1988, está baseada em Viena, e tem dado concertos um pouco por todo o mundo. A sua particularidade é que todos os instrumentos são feitos com vegetais frescos, e portanto têm que ser feitos de novo para cada concerto. Geralmente com vegetais adquiridos no local do evento.
Segundo informação do site, não há fronteiras musicais para a The Vegetable Orchestra. O seu trabalho é uma fusão dos estilos musicais mais diversos - música contemporânea, House, música electrónica experimental, Free Jazz, Noise, Dub, Clicks'n'Cuts - o âmbito musical do conjunto expande-se de forma consistente, e os novos instrumentos vegetais e os seus sons, muitas vezes determinam o resultado final.