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Assins & Assados

Não há nada que um bom jantar não resolva!

por Paulina Mata, em 17.12.18

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Sexta-feira ao fim da tarde. A semana tinha sido desgastante, estava exausta. Tomei consciência que ia começar o fim de semana. Saí do trabalho e resolvi ir à Baixa, ver as iluminações de Natal, aperceber-me da época, desligar, mudar de ritmo...

 

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Depois de muito andar, senti que o que precisava mesmo era de um bom jantar. Ali perto estava o SáLA, fui até lá.  Não estava mesmo na melhor forma... sentia-me como se tivesse o mundo sobre os ombros. Sentei-me e o ambiente calmo, a perspetiva de um bom jantar, o cuidarem (muito bem) de mim, começou a fazer efeito.

 

Escolhi os pratos, pedi uma sugestão para um copo de vinho. Serviram-me um vinho austríaco, Heinrich Chardonnay, e os pratos começaram a chegar:

 

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Cogumelos | Raiz de Aipo | Folhas Verdes

 

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Tarte "Bulhão Pato"

 

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Carabineiro | Presunto | Castanhas

 

Excelentes!  Maravilhoso o carabineiro! Por esta altura já me sentia outra... Pedi uma sobremesa.

 

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Maçã | Dióspiro | Baunilha

 

Quando o doce chegou perguntaram se me podiam oferecer um cocktail. Perguntaram se gostava de bebidas quente. Gosto de tudo. E sobretudo gosto de conhecer outras coisas.  O cocktail chegou, dentro da casca de lima um puré de maçã em chamas. Na  chávena quase parecia um capuccino.

 

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Smith Hot Rum - rum envelhecido, maçã, lima, natas

 

Tão bom!  Interessante a evolução no "mundo dos cocktails". Não bebo frequentemente, mas se calhar é altura de começar a conhecer mais. Disse que voltaria um dia principalmente para os cocktails, que queria experimentar outros.

 

Saí outra, bem mais leve, com outro sorriso. Passei pela cozinha e agradeci-lhes. Não há nada que um bom jantar não resolva. E este tinha sido muito bom!

 

 

Uma oportunidade destas é um verdadeiro privilégio!

por Paulina Mata, em 15.12.18

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2018 foi o Ano Europeu do Património Cultural, tendo ocorrido eventos que procuravam destacar vários aspetos do património cultural europeu. Também na minha faculdade  (FCT NOVA) foram organizadas actividades relacionadas com o património. No final de novembro participei numa delas,  Conversas sobre o Património, organizada pelo Departamento de Conservação e Restauro e pela Biblioteca.

 

Muitas apresentações interessantes, mas a última, do Prof. Virgílio Loureiro, intitulada “Vinho, símbolo civilizacional ou apenas “copos”?” , foi a que mais me marcou. Tenho a sorte de já ter tido muitas oportunidades de ouvir o Prof. Virgílio Loureiro falar sobre vinhos. A forma como o faz, e a paixão que transparece, faz com que sejam momentos de grande interesse e aprendizagem, em que não se dá pelo tempo passar. Foi mais uma vez o caso. Ouvi-lo falar sobre vinhas e processos de produção de vinhos, apresentados num contexto histórico e geográfico, comparando as suas características com as de outras épocas e outras regiões foi muito interessante.

 

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Sabia do interesse do Prof. Virgílio pelos vinhos de talha, nunca tinha ouvido falar de lagares rupestres, lagares escavados no granito, que ainda são visíveis no Dão e também em Valpaços, no concelho de Vila Real.

 

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Se a apresentação do Prof. Virgílio Loureiro já tinha sido fascinante, ainda foi mais o facto de no final ter tido oportunidade de  provar alguns vinhos com a sua orientação.

 

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Entre outros, pudemos provar um vinho de talha alentejano - Piteira - feito segundo o processo de vinificação das villae romanas, que tem mais de dois mil anos de tradição no Alentejo, sendo ainda muito apreciado nalguns locais.

 

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Muito marcante foi a oportunidade, possivelmente única, de provar o Calcatorium, um vinho de lagar rupestre, obtido recorrendo à extracção do mosto de uvas brancas e tintas num lagar escavado na rocha a céu aberto,  com pisa a pé, seguindo o método de produção da época do lagar, em que a fermentação ocorreu numa pipa de madeira. O vinho foi produzido em 2016 para o 1º Simpósio Ibérico sobre Lagares Rupestres.

 

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Uma oportunidade destas é um verdadeiro privilégio!

 

 

 

 

 

Faz Frio, Sabores Quentes, Comida Conforto

por Paulina Mata, em 12.12.18

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Comida portuguesa, bem feita, sem twists... muitas vezes temos aqui referido que faz falta. De preferência a preços razoáveis. Encontrei há dias! A minha experiência foi boa, a das duas pessoas que comigo almoçaram também.

 

Estávamos ali pelo Príncipe Real, queríamos almoçar, uma das pessoas sugeriu o restaurante Faz Frio (difícil não o referir como a Antiga Casa Faz Frio, a força do hábito...). Há muitos anos, bem mais de uma década, que lá não ia. Tinha lido que tinha reaberto mais bonito, mas sem ser descaracterizado. Entrámos e gostámos do que vimos, um espaço agradável e com muita luz.

 

Sentámo-nos e entretivemo-nos com as azeitonas descaroçadas com um leve tempero de azeite e com a manteiga, servidos com um bom pão ali feito. 

 

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Estava a saber bem. Para ainda ser melhor, sugerimos que no futuro substituíssem os recipientes onde vinham servidas as azeitonas e a manteiga, neste último caso era difícil retirá-la, e ainda mais difícil não espalhar o sal que vinha ao lado pela mesa. Problemas fáceis de resolver. Gostámos do naperon de renda da cesta do pão. Um deles disse que lembrava a casa da Avó. Comentámos o facto dos guardanapos serem de pano e bordados, já tão raro...

 

Começámos com uns pastelinhos de Massa Tenra que estavam saborosos. Não correspondiam bem à minha ideia de pastéis de massa tenra, mas eram bons. Desapareceram rapidamente.

 

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Um dos meus companheiros de almoço escolheu um dos pratos do dia, um Arroz de Carnes Fumadas, o outro escolheu o Bitoque de Lombo. Provei os dois, ambos bons e em quantidades muito generosas.  Todos os dias há um prato de bacalhau, como era habitual no restaurante noutras épocas, no dia em que fui era Feijoada de Sames. Não podia ser melhor, estava mesmo a apetecer-me. 

 

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Gostei muito do sabor, era bem rica em sames (adoro aquela textura um pouco gelatinosa), adorei o facto do chouriço e vegetais virem picados em cubinhos minúsculos - confere alguma delicadeza ao prato. Excelente!

 

Para sobremesa, eles comeram um mousse de chocolate, provei e estava muito boa, e um arroz doce - também bom, mas gosto mais da forma tradicional. Eu fiquei-me pelo Pastel de Nata feito no restaurante. Ganhava se a massa não fosse tão fina. Mas foi um excelente final de refeição.

 

Se bem me lembro só bebemos água, tínhamos que trabalhar a seguir. A conta não chegou aos 20 euros a cada um.

 

Gostei mesmo! Que continue cada vez melhor, pois precisamos de restaurantes assim.

 

 

Faz Frio -   Rua Dom Pedro V, 96, Príncipe Real, Lisboa

 

 

Come Prima e o aroma inebriante da trufa branca de Alba

por Paulina Mata, em 10.12.18

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Entrei a porta e o odor era inconfundível, cheirava a trufa! Não era de estranhar, há alguns dias que via na comunicação social fotos da enorme trufa branca de Alba, diziam que a maior da década, que tinha sido adquirida por Tanka Sapkota para o seu restaurante Come Prima. Quando recebi o convite para ir lá almoçar imaginei que iria ainda comer parte da trufa gigante. É que 1,153 kg de trufa é mesmo muito trufa. Não aconteceu. Foi quase toda consumida no primeiro dia, nem sequer deu para todo um segundo dia. Mas havia outras, não tão grandes, mas acredito que igualmente boas. Ali estavam elas sobre a mesa, não resisti a pegar numa. Quando a pousei cheirei a mão, não podia deixar de aspirar os voláteis (acredito que bem mais de uma centena) que ali tinham ficado.

 

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Chegou um prato com meio pão, o pão que é feito diariamente no Come Prima, vinha barrado com uma pasta de Ricotta e Fontina, os dois com sabores suaves para deixar sobressair a trufa branca de Alba fatiada à mesa sobre cada um dos pratos. 

 

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Tanka Sapkota, nepalês que teve o primeiro contacto com cozinha italiana a trabalhar em restaurantes na Alemanha, veio um dia a Portugal de férias e por cá ficou. Abriu o Come Prima em 1999 e a sua preocupação sempre foi aprender mais e fazer melhor. Frequentou cursos na escola de cozinha da Gambero Rosso, fez muitas visitas a Itália e, atualmente, está a participar num documentário que envolve percursos por algumas regiões - Piemonte, Puglia, Veneto  e Campania - onde contacta com quem pratica a verdadeira cozinha tradicional, mas também com chefes reconhecidos e produtores. O objetivo é mais uma vez conhecer mais, aprender mais e fazer melhor.

 

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Foi com orgulho que informou que tinha sido nomeado recentemente Cavaliere dell'Ordine del Tartufo e dei Vini di Alba.

 

O almoço prosseguiu com um ovo biológico cozido a baixa temperatura (64ºC), temperado com flor de sal e servido apenas com trufa branca de Alba.

 

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De seguida veio o prato que para mim foi o ponto mais alto do almoço. Delicioso!  Uma pasta caseira com manteiga dos Açores e um pouco de Parmigiano Reggiano.

 

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Para acompanhar os pratos anteriores foi servido um Pêra-Manca Branco de 2016. Com o prato seguinte, um escalope de vitela muito jovem levemente frito em manteiga e servido com trufa, veio um Quinta de Carvalhais Reserva Tinto 2012.

 

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Até a sobremesa,  um bolo de chocolate com creme de Mascarpone foi servido com trufa  branca de Alba. Foi acompanhada de um Porto Ferreira.

 

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Uma experiência excelente, uma refeição fantástica, condimentada ainda com o orgulho do Tanka Sapkota em fazer bem, e cada vez melhor, e trazer para Portugal, para o seu restaurante, trufa branca de Alba. Para ser ainda mais interessante contribuiu o excelente convívio e conversa com os meus companheiros de mesa.

 

Este é um produto sazonal, a época dura poucos dias e no Come Prima termina no dia 12 de Dezembro.

 

Come Prima  - R. do Olival 258, Lisboa

 

 

 

 

A Taberna do Mar - sabores familiares com outras formas

por Paulina Mata, em 05.12.18

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Entrámos no restaurante, procurei a espinha do atum-rabilho de 160 kg que tinha lido ali estar. Sim, estava lá, pendurada sobre as nossas cabeças. Dias antes tinha recebido um email de uma ex-aluna a dar notícias do seu percurso profissional, no final falava de um novo restaurante de que achava que eu iria gostar. Segui o conselho.

 

Um espaço simples e agradável, toda a decoração remetia para o mar, uma taberna atual, o que se reflete no nome - Taberna do Mar.  O chef Filipe Rodrigues, que já conhecia de outros restaurantes que serviam essencialmente peixe, chegou com  o menu.  Muitos sabores portugueses, particularmente do Algarve de onde é Filipe Rodrigues, algumas técnicas orientais, que refletem o seu percurso na cozinha.  O menu de degustação, de 10 pratos, custava 25 euros. Não foi difícil decidir, assim podíamos experimentar quase tudo, e poupava-nos a tarefa da escolha. Disse que tenta ter uma oferta de vinhos menos conhecidos, e sugeriu  acompanharmos o menu com alguns desses vinhos.  Assim foi!

 

Logo chegou o Varanda do Conde, um vinho verde branco da sub-região de Monção e Melgaço, e começaram a chegar os pratos.

 

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Tortilha fumada, tremoço, hortelã

 

Gostei muito,  um conjunto de sabores pouco comum. Perguntei como fumavam as tortilhas. Logo me mostraram  um sistema bem simples, que estava sobre o balcão, em que usavam folhas de aroeira para defumar.

 

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Pão de alfarroba a vapor, carapau seco e "Dim Sum" de língua de vitela, algas

 

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Sashimi de sarrajão fumado

 

Mais três bons pratos. Gostei particularmente do pão de alfarroba com o carapau seco. Talvez por ser menos comum. Chegou então o segundo vinho, desta vez da região de Lisboa, Quinta de S. Jerónimo, Arinto e Sauvignon Blanc. Com ele algo que parecia muxama, mas que era preparado ali mesmo no restaurante, também o pão era feito por eles.

 

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Atum curado seco - "A nossa Muxama"

 

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Torricado, pickle de sardinha, limão

 

Sabores fortes, familiares, muito bons. E logo de seguida chegou um outro vinho branco, desta vez da região do Dão, o Vinha de Reis de 2017.

 

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Sopa de cavala, croutons, coentros

 

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Xerém, choco, berbigão, cebolo

 

Um prato em que Filipe Rodrigues reunia duas das suas memórias infância, dois pratos feitos pelas suas duas Avós, um xerém de berbigão e uns chocos guisados. Uma combinação que resultou muito bem. A seguir veio um prato assinatura do chef, que o tem acompanhado ao longo de vários anos.

 

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Niguiri de sardinha assada

 

Tinha chegado a vez do último prato e do último vinho, um vinho tinto, um vinho que tinha acabado de chegar.

 

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Malandrinho, cabeça de bacalhau, coentro

 

As sobremesas (extra menu) agradáveis, mas não ao mesmo nível do resto dos pratos.

 

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Pudim de pão com amoras silvestres, natas

 

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Leite creme de funcho do mar

 

Uma excelente refeição, um preço imbatível.  Foi bom ver o chef Filipe Rodrigues a falar do seu projeto e do seu trabalho. Pressentir todo o esforço para o pôr de pé. Cada vez valorizo mais estas coisas, cada vez me interessam mais estes projetos menos ambiciosos e onde há mais paixão. 

 

Vou certamente voltar!

 

 

Os restaurantes sugeridos pelo guia Michelin

por Paulina Mata, em 03.12.18

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Fim de semana em Sevilha, eram 13h e 28m quando passei em frente do restaurante Torres y Garcia, reconheci o nome como um dos que tinha visto como sendo classificados pelo guia Michelin com um Bib Gourmand. Ainda estava fechado. Olhei para o menu e havia algumas coisas que até gostaria de comer. Continuei a andar, mas pouco depois ouvi abrirem a porta de correr - eram exatamente 13h e 30m.  Acabei por voltar para trás. O restaurante pareceu-me grande, mas sentaram-me numa mesa perto da entrada, outra mesa estava já ocupada. Percebi depois que quase todas as mesas estavam reservadas, tinha ficado aquelas três ou quatro à entrada para quem chegava sem marcação. 

 

Pedi um Vermut Nordesia agitado en coctelera com gotas de angostura y piel de naranja  vinha decorado com um pé de salicórnia. Chegou com umas azeitonas.

 

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Fui bebendo, pensando no que iria comer e vendo o movimento em volta, era domingo e havia famílias e grupos de amigos que chegavam para almoçar. Não estava com muita fome, não queria nada muito pesado. A escolha acabou por recair sobre dois pratos de que não sabia bem o que eram alguns ingredientes, mas tenho a sorte de gostar de tudo e também de aventura.

 

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Vieiras con velo de papada, acelgas y sopa montada de espárragos blancos y trufa

 

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Mollejas de ternera con puré de boniato y tirabeques

 

Estavam bons os dois, diferentes, agradáveis, e souberam-me bem. 

 

A conta chegou com um tubo de ensaio de um licor e dizia Que bueno que viniste!  Achei simpático e também fiquei contente por ter ido.

 

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Não sendo nada de transcendente, achei muito razoáveis os 28 euros que paguei. Também achei razoável que lhe tivesse sido atribuído um Bib Gourmand.

 

Chovia muito à hora do jantar. Decidi não ir para muito longe do hotel. Logo ali perto havia um restaurante classificado com um Prato no Guia Michelin, o Casa Robles, e a experiência do almoço não tinha sido má. Já lá tinha passado antes, tinha ar de ser um restaurante tradicional, antigo. Um balcão com vários pratos de cogumelos por cozinhar, onde algumas pessoas comiam tapas. Sentei-me, a janela vedava mal e comecei a ficar com muito frio. Pedi para trocar de mesa. O serviço não era simpático, um sorriso torna tudo melhor, mas ali não havia nenhum. Pedi ortiguillas, que nunca tinha comido, perguntei se os cogumelos que estavam sobre o balcão estavam na carta, disseram que não. Tinham ar de ter chegado há pouco, pedi uma dose. Pouco depois vieram dizer que já não havia ortiguillas, escolhi outra coisa e o empregado disse que escolhesse os choquinhos. Não era o que mais me apetecia, mas tudo bem. 

 

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As duas coisas corretas, não mais do que isso. Na parede quadros com fotos dos reis, pareceu-me que ali. Estava meio desconsolada com a chuva, o que comi não ajudou, resolvi pedir uma sobremesa. Não me consolou, comi duas colheradas e deixei o resto...

 

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Os dois pratos e a sobremesa e um copo de cerveja, e paguei 37 euros. Não entendi a razão de ter um Prato Michelin. A Varanda do Ritz, o Ferrugem, o Mini Bar, O Talho, o Euskalduna (sei que outros restaurantes mais tradicionais também) é o que têm... e que diferença de ambiente, de serviço, de comida. Eventualmente tive azar, eventualmente no andar de cima, noutra sala, tinha sido diferente, mas nem sei se estava a funcionar, toda a gente que vi entrar ficou em baixo. A chuva não ajudou...

 

No dia seguinte insisti. Desta vez era um bar de tapas. Sei que não devia ter sequer entrado. O menu não era particularmente interessante. Uma grande misturada... o salmorejo, misturado com os ravioli de galinha chineses, o tártaro de atum, misturado com o ceviche, o tataki, o risotto e o salmão em papilotte thai... esta mistura toda não era bom sinal. Mas os inspetores da Michelin deviam saber o que faziam. Não me apetecia procurar outra coisa. Tinha a vantagem de ser barato e com um Prato Michelin, se calhar até podia ser interessante...

 

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Tentei minimizar os estragos... estava em Espanha, não me apetecia nada thai, chinês, japonês...  Optei pela Torta de Aceite Inês Rosales com vegetais assados e anchovas e pelas bochechas de porco com puré de batata e alho assado.

 

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Agradável... apenas isso. Nada que destacasse os pratos apresentados. Paguei 16,40 euros  pelo jantar e vim embora. Meio nervosa... É que não entendi a razão de ter um Prato Michelin. A Varanda do Ritz, o Ferrugem, o Mini Bar, o Talho, o Euskalduna, a Tia Alice... é o que têm... e que diferença de ambiente, de serviço, de comida. 

 

Tal como disse, não entendo os critérios. Não entendo mesmo! 

 

Não se deveria exigir aos guias o que eles exigem aos restaurantes?

por Paulina Mata, em 26.11.18

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Aos restaurantes exigem perfeição e consistência... os critérios de avaliação são exigentes. O nome do guia exige-o...

 

Pergunto-me se tudo isso que é exigido aos restaurantes (mais a uns que a outros...) não devia também ser exigido ao dito guia? Pois, acho que sim... mas cada vez concluo mais que não...

 

Critérios? Para mim são  insondáveis. Coerência? Não vejo nenhuma. Objetividade?  Não a consigo vislumbrar. Preconceitos? Muitíssimos. Credibilidade? Para mim já tem pouca. 

 

Um fim de semana numa cidade a que já não vinha há umas décadas. Não queria estrelas, queria qualquer coisa com qualidade... Bib Gourmand? Ah! Há 3 anos que há uma outra classificação, os Pratos, que premeiam a qualidade, independentemente do preço. Fui ver a quem tinham sido atribuídos em Portugal. Uma mão cheia de bons restaurantes que conheço. Fui a um dos que indicavam para a cidade onde estou. Serviço péssimo, comida pouco melhor. Tive azar...? No dia seguinte fui a outro, até fiquei nervosa... Tive que ir caminhar um pouco a seguir... Inaceitável!

 

Um dia destes, quando tiver computador (isto de escrever no telemóvel não é para a minha idade), conto. Com fotos e tudo para o justificar.

 

 

A luta foi dura! No final eles empataram. Eu diverti-me!

por Paulina Mata, em 18.11.18

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Há dias ouvi falar numa Rixa Gastronómica que ia acontecer bem perto de minha casa. Fiquei na dúvida... contei as mãos - 8. Muita mão! A minha experiência com refeições preparadas a 4 mãos, ou 6, ou 8 mão fez-me sempre sair convencida que não há nada como 2 mãos... Ou seja, como um menu pensado para ser equilibrado e coerente, com um andamento com pontos altos e outros menos. Não digo que a partilha de experiências entre cozinheiros não seja importante, acredito que seja, mas aprendi a não ter grandes expectativas e, quando os preços são altos, a concluir que é preferível usar aquele dinheiro para, se possível, conhecer o trabalho de cada um dos chefes nos seus restaurantes.

 

Tendo em conta tudo isto, pensei um pouco, olhei para a imagem usada para divulgação... eles queriam divertir-se, eu ia divertir-me também.

 

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Sobre a mesa havia uma mola de roupa. Disseram-me ser o boletim de voto. Explicaram-me as regras: o menu tinha quatro momentos - vegetariano, peixe, carne e sobremesa. Em cada momento eu ia receber, em simultâneo, dois pratos. Comia e depois a mola servia para indicar qual o prato vencedor em cada momento. Ainda perguntei se não podia estar dispensada de votar, mas disseram-me que regras são regras, e pelas daquele jogo tinha mesmo que votar.

 

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Entre o "risotto" com beterraba e a mousse de cogumelos, olhei bem antes de comer, os dois com um ar apetecível. Um mais cozinha conforto, que também achei mais saboroso. Comi, pensei, e votei no prato com a beterraba.

 

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Se no primeiro momento não  tive qualquer ideia de quem eram os autores de cada um dos pratos, neste segundo momento não tive muitas dúvidas. A abóbora tinha um ADN brasileiro e a feijoada com polvo um ADN português. Os sabores da feijoada entusiasmaram-me mais, foi para ela o meu voto.

 

Por esta altura já tinha percebido que a tarefa ia ser dura... as doses eram generosas e ainda estava a meio. Mas não sou de desistir.

 

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Um dos pratos era mais elaborado, barriga de porco, um mil folhas de batata em cubos, agradou-me a ideia, agradou-me a apresentação. O outro era menos elaborado, com uma apresentação menos cuidada, castanhas, chips de mandioca e uma bochechas estufadas. Pelo aspeto, votaria no primeiro, pelo sabor a mola foi colocada no segundo...

 

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Duas sobremesas, uma à base de requeijão, doce de abóbora e amêndoas, a outra de chocolate.  Votei na segunda...

 

No final quis saber o balanço, não em termos de pratos, mas de votos em cada uma das equipas. Tinham empatado! Dois votos na equipa portuguesa, dois votos na equipa brasileira. Foi justo! Foi divertido.

 

 

 

Simples ou complexo? Os dois, por favor!

por Paulina Mata, em 15.11.18

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Uma coisa que oiço frequentemente, é o louvor da simplicidade, e nesse contexto oiço dizer que o prato tem que ter um número limitado (por vezes muito limitado) de ingredientes. Dizem que se assim não for é uma confusão. Ou que não há capacidade de se perceber tudo.

 

Confesso que não entendo muito bem. A simplicidade pode ser interessante, mas a complexidade também. Tudo desde que bem feito. Não gosto nada desta aproximação, que muitas vezes vai ao soprar das modas, do é  X OU Y. Porque não X E Y? Ainda gosto menos, e acho que transmite uma péssima imagem, quando chefes aparecem em sessões de show cooking a dizer que não fazem isto ou aquilo, com um juízo crítico daqueles que o fazem. Cada um faz o que quiser e muito bem lhe apetecer, há espaço para tudo. Críticas ao que fazem os outros só transmite má imagem, não de quem faz mas de quem diz que não faz, e retira tempo para explicarem o que fazem. Às vezes nem se percebe bem o que fazem, tanto falam do que não fazem...

 

Mas voltando à simplicidade e ao número reduzido de ingredientes... nos últimos tempos, quando me falam disto, lembro-me de uma sobremesa que comi no The Fat Duck,  a Botrytis Cinerea. Uma sobremesa com cerca de 70 ingredientes, alguns deles usados mais do que uma vez, em que são usadas várias técnicas. Uma sobremesa com cerca de 20 elementos diferentes. Não se levam à boca duas colheradas idênticas. Uma sobremesa excelente! Se havia confusão? Não, nenhuma. Se percebi os 70 ingredientes? Não, de todo. Também não era suposto. O importante é o equilíbrio, a perceção global e a coerência do prato. O número de ingredientes não importa de todo, desde que se consiga equilíbrio, elegância e coerência.

 

O que me fez lembrar de tudo isto, foi uma crítica do Jay Rayner que acabei de ler. Nela ele diz:

 

It has become fashionable to sneer at the complex, and I am more than susceptible to fashion. We venerate simplicity, with good reason. Simple is terrific. If you’ve got great ingredients, offer them up to the best of their own advantage by not doing very much at all. That’s a lovely thing. But there is a place for complicated, if you know what you’re doing.

 

Simples pode ser muito muito bom, mas confesso que adoro o muito complexo muito bem feito!  Não é para todos os dias. Mas quando se tem a sorte de poder desfrutar de um prato assim, é um luxo! 

 

 

 

Os restaurantes de fine dining não são sustentáveis.

por Paulina Mata, em 14.11.18

 

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Os restaurantes de fine dining não são sustentáveis. Uma afirmação que pode ser controversa e que foi proferida por Magnus Nilson numa entrevista recente, publicada no site Fine Dining Lovers. Ele justifica-o:

 

“Acho que o desperdício alimentar nos restaurantes é um problema muito menor do que as pessoas dizem. O desperdício alimentar como um problema global não está na realidade associado a restaurantes, mas sim ao retalho, onde perto de 40% do que é vendido por grossistas e retalhistas nunca chega ao consumidor final ou nunca é comido”, diz. "Os restaurantes, por razões económicas, sempre foram muito bons em minimizar o desperdício alimentar... é bom que as pessoas façam tudo o que podem e tudo ajuda, mas acho que esse é um dos pontos menos importantes ao abordar o tema da sustentabilidade."

 

Restaurantes como Fäviken e outros semelhantes são, segundo Nilsson, insustentáveis devido à sua própria natureza, pois o jet set gastronómico internacional chega em voos de todo o mundo para comer lá. E isso não tem problema.

 

"É de certa forma pouco importante", diz ele. “Não acho que alguém queira viver a sua vida de uma forma em que todos os dias sejam idênticos, onde para cada dia se tenha apenas à disposição o que é sustentável e que o que sustenta.

 

“Toda a gente precisa fazer o que pode, especialmente quando se está numa posição como a minha em que há muitos olhos postos em nós e se inspira muita gente. Acho que a coisa mais importante nas discussões em torno da sustentabilidade, quando se fala de restaurantes como Fäviken, é admitir para si próprio que o que se faz é totalmente insustentável”.

 

Como ele diz, "tudo ajuda"... Mas dá que pensar...

 

Considerando o que diz, faz sentido associar o conceito de sustentabilidade e práticas sustentáveis ao conceito que norteia a atividade de um restaurante de fine dining? Não digo que as práticas em si não seja importantes, tudo é. Pergunto apenas se faz sentido associá-las ao conceito base de uma atividade que, dadas as suas características intrínsecas, pode ser considerada não sustentável. Admitirão esses restaurantes que a sua atividade não é sustentável?