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The Green Affair - comida vegana num ambiente sofisticado

por Paulina Mata, em 11.05.19

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A primeira vez que passei à porta do The Green Affair, fiquei curiosa... Estava fechado, e estavam a preparar as mesas. De fora vi um ambiente agradável, confortável e sofisticado, mais sofisticado do que é habitual em restaurantes veganos. 

 

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Voltei num sábado a seguir para almoçar. Reconheço que já era tarde, e a cozinha estava já fechada. Penso que a situação está agora ultrapassada e que estão abertos todos os dias das 12 - 23 horas. Umas semana depois estava na zona por razões de trabalho, acabei por volta das 13 horas e resolvi ir lá almoçar. Arranjei mesa por pouco, o restaurante estava completamente cheio.

 

Sugeriram-me o menu de almoço. Notei que era fixo, com pratos diferentes em cada dia da semana. Havia sempre um prato que era um versão vegana de um prato que faz parte das memórias gastronómicas dos portugueses (no dia Tofu com Natas)  e outro mais internacional (no dia um Hambúrguer, que pelo que vi nas mesas à volta fazia sucesso). Disse que preferia escolher da carta. A empregada insistiu, que o hambúrguer era muito bom, o prato preferido dela. Insisti nas minhas escolhas... uma entrada e um prato.

 

Chegou a entrada, era bonita e colorida.  Muito fresca e agradável também. 

 

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Tártaro de Beterraba com Pasta de Abacate

 

Para prato principal, apeteceu-me algo mais tradicional, sabores portugueses...

 

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Arroz Malandrinho de Tomate com Sabores do Mar

Tofu selado com o nosso molho do Mar, Cogumelos e Salicórnia

 

Soube-me bem. Uma cozinha conforto e bastante saborosa. Fui olhando à volta, pessoas que trabalhavam por ali, grupos de amigos, mesas só com homens, só com mulheres, ou com homens e mulheres, alguns casais, num deles o homem era uma cara conhecida da televisão. Gente de todas as idades. Uma heterogeneidade de clientes que não é muito habitual num restaurante vegano.

 

Apeteceu-me ficar mais um pouco. Decidi comer uma sobremesa. Pedi uma que não fosse muito doce. Indicaram-me uma que não tinha açúcar refinado adicionado. Arrisquei...

 

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"Cheesecake" crudívero de Caju, Citrinos e Romã com uma base de Frutos Secos e Tâmaras

 

Comi com gosto, mas sem entusiasmo, até meio e deixei o resto. Era muito e um pouco pesado. Acho que tinha ficado mais contente com uma das outras sobremesas. Fica para a próxima...

 

Os preços são razoáveis, não me lembro do valor exato, mas penso que andou pelos 20 euros, talvez uma pouco menos.  Se tivesse optado pelo menu de almoço teria pago 9,5 euros por uma entrada, um prato e uma bebida.

 

Apenas um senão... o restaurante é grande (comprido) e tem uma esplanada, a cozinha é no fundo. Tal faz com que haja um constante vai e vem dos empregados de mesa, atarefados e acelerados. Ver os empregados a correr sempre me deixou cansada, parece que passo eu também a refeição a correr. Sempre achei que um pouco mais de calma não reduziria em muito a eficiência. Penso que cada um fazia o seu melhor, mas acho que era necessária alguma formação para que não se desse tanto por eles e  sentíssemos um pouco mais de calma.

 

Um bom restaurante vegano. Fazem falta mais assim. 

 

The Green Affair -  Av. Duque de Ávila 32-A, Lisboa

1ª, 2ª e 3ª Fotos DAQUI

 

 

Vanilla Black - boa comida vegetariana

por Paulina Mata, em 08.05.19

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Por vezes há dias de sorte... ou será que é muito treino e experiência?  A lista tinha 19 opções e eu escolhi uma, e acertei! Entre fraldas, exames, cozinhar e preparar biberons e fazer o relatório das minhas atividades dos últimos três anos pouco tempo ficava, ainda refilei pela escolha ser complicada...mas não tive outro remédio. Nas vésperas da ida a Londres a minha filha perguntou-me onde queria almoçar, disse-lhe que escolhesse ela, o almoço teria que ser vegano e ela é que estava a par do que havia. Foi na sequência desta conversa que recebi a tal lista. Perante a minha indignação com a extensão da lista, ela disse-me que em Londres há mais de 300 restaurantes vegetarianos e veganos e ela desses tinha escolhido apenas 19 (com o link dos respetivos sites) para me facilitar o trabalho. Nos intervalos do trabalho, roupa, cozinha, fraldas e biberons fui clicando nos links e olhando para os menus. Rapidamente arranjei um critério: hamburgueres, pizzas, bowls e coisas do género estavam fora de questão. A redução foi drástica a lista passou de 19 para 5. Uma breve vista de olhos aos menus e a escolha foi o Vanilla Black. Ainda por cima era central, o que dava jeito. Nem li mais nada.

 

Hoje percebo que a escolha foi boa, depois de ter lido meia dúzia de críticas que dizem coisas como que é o melhor restaurante vegetariano de Londres, que se pudessem escolher só um seria o Vanilla Black, que tem uma comida surpreendente e inovadora e outras coisas do género. O restaurante, de Andrew Dargue and Donna Conroy, não é recente, abriu em 2004, numa altura em que ser vegetariano ou vegano não era tão comum. Sendo vegetarianos cansaram-se de ir a restaurantes e nem precisarem de olhar para o menu para escolher os pratos pois as massas, o risotto de cogumelos e os caris de vegetais eram sempre as opções. Havia mais mundo para além daquilo... Abriram um restaurante em que ficou definido não haver estes pratos. De facto é um restaurante de fine dining que por sinal é vegetariano, e com muitas opções veganas.

 

O restaurante é em Holborn, numa rua estreita numa zona de edifícios altos que parecem de empresas, acho que por ali há também várias coisas ligadas à justiça. O ambiente é bastante clássico e elegante, paredes claras, madeiras e uma iluminação que cria um ambiente intimista. As empregadas de mesa (só vi mulheres) de preto e branco, com um ar bastante clássico também. 

 

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Ao almoço funciona com menu de degustação dois pratos 23 £, três pratos 28,5 £. Escolhemos comer apenas entrada e prato principal, e como éramos 3 pessoa pudemos experimentar todas as entradas e pratos.

 

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Salted Caramel Beans and Black Olive Madeleine

Burnt Lemon, Tomato and Green Olive Mayonnaise

 

Este foi o primeiro prato que provei e era tão, tão bom! A diversidade de sabores e a sua intensidade, a variedade de texturas. Excelente! Talvez o prato de que mais gostei. Mas os que seguiram eram muito bons também.

 

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Whipped "Cheese", Branston Pickle Toffee and Sourdough

Cellery and Lovage Jam and Walled Garden Salad

 

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Cauliflower Croquette, Endive and Cocoa

Pickled Cauliflower and Puree

 

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Warm Mushroom Paté, Lemon and Rice

Field Mushrooms and Spinach

 

Nos últimos anos cresceu muito a oferta de refeições vegetarianas e veganas,  mas em restaurantes de fine dining ainda não são muito comuns. É sempre com muito prazer que as experimento e acabo por concluir que não sinto particularmente a falta do peixe ou da carne.  Que é possível ser criativo e obter resultados de alto nível.

 

O preço é mais do que razoável para o que foi servido, e se tivermos em conta que o restaurante é o centro de Londres, mais razoável é ainda.

 

Ficou a vontade de voltar um dia ao jantar para experimentar pratos mais elaborados...

 

 

1ª foto DAQUI

2ª foto DAQUI

 

 

La Fauxmagerie - e os seus falsos queijos

por Paulina Mata, em 04.05.19

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Andava eu há dias a Flâner no Mercado de Brixton...

 

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Quando de repente, inesperadamente, dou de caras com a La Fauxmagerie.

 

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A estória até podia ser assim, mas não foi. 

 

A La Fauxmagerie abriu em Londres no início de Fevereiro, surgiram de repente na imprensa imensos artigos sobre esta loja que vende "queijos" à base de plantas. Falavam do sucesso que fazia, das filas`porta... Fiquei curiosa e decidi que quando voltasse a Inglaterra lá iria com a minha filha. Aconteceu agora pela altura da Páscoa. Foi essa  razão que me levou ao mercado de Brixton. Já agora, depois de visitar a loja foi um prazer Flâner pelo mercado.

 

Voltando à loja, ela pertence a duas jovens irmãs uma delas intolerante à lactose e outra vegana. As duas gostavam de queijo e decidiram abrir um loja com produtos de qualidade, à base de plantas, desenvolvidos para substituir o queijo. O objetivo é oferecerem produtos para pessoas que por razões éticas ou de saúde não consomem queijo, e assim não tenham que ser privadas de um sabor e um hábito de consumo que tinham antes. Mas, para além disso, consideram que os produtos que vendem valem por si e que a sua qualidade os torna atraentes até para aqueles que comem queijo. Para além do falso queijo vendem também bom pão, compotas e um produto que imita o mel (dizem que muito bem).

 

Logo após a abertura a associação dos produtores de queijos ingleses (Dairy UK) contactou-as a pedir para removerem a palavra "cheese" e tudo o que estava relacionado com a loja. Dizem que é enganador. Elas responderam-lhes convidando-os a visitar a loja, pois teriam muito gosto em lhes mostrar e dar a provar os produtos que vendem. Disseram-lhes que havia espaço no mercado para todos.  Disseram ainda que a palavra "cheese" vem da palavras "kwat" do Proto-Indo-Europeu, que significa fermentado ou ácido, e que os queijos que vendem obtidos com base em cajus, ou outros frutos secos, e em soja, são também fermentados. Dá que pensar... E também dá que pensar porque é que os produtores de queijo se preocupam tanto com uma pequena loja no mercado de Brixton que vende produtos produzidos artesanalmente e em pequena escala, também por um conjunto de jovens.

 

Quando entrei na loja quase fiquei desiludida... era tão, tão pequena! Apenas um balcão com queijos que tinha menos de 1m2. Ainda tinha uma grande variedade, mas era meio da tarde de sábado e muitos já existiam em pequena quantidade. 

 

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Provámos vários e fui ficando mais entusiasmada, valiam por si, eu comeria qualquer um deles com prazer. Saímos com um conjunto de queijos:

 

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Um tipo cammembert da Mouse's Favourite,  o Nerominded - Black Trufle da I Am Nut OK (uma base de caju fermentada, com carvão ativado e óleo de trufa negra). No interior uns veios dourados de curcuma e por cima também polvilhado com curcuma. Lindíssmo e bastante bom. Já que a minha foto não lhe faz justiça, aqui fica a foto do site.

 

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Trouxemos ainda outro queijo lindíssimo com espirulina da Kinda Co. 

 

Os quatro muito bons, com um aspeto atraente e que eu comeria por aquilo que valem.

 

Já tenho saudades...

 

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Hei-de voltar para Flâner mais um pouco no Mercado de Brixton e comprar mais uns queijos veganos.

 

 

Boubou's - viajar para outras paragens, sem sair do Príncipe Real

por Paulina Mata, em 21.04.19

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Quando entrei no Boubou's a primeira sensação foi de surpresa, o pequeno bar na entrada, a sala interior, e depois o pátio, onde jantámos, cheio de plantas e muito agradável. Tinha vindo diretamente do trabalho, chegar ali foi como que entrar numa bolha, e tudo o resto ficou lá fora. Ao pensar nisso hoje, passados já uns dias, acho que tal sensação está relacionada com as características do espaço, que são um reflexo do percurso de vida de quem está por detrás dele. Alexis e Agnes Bourrat, ele francês mas com ligações familiares a Portugal, ela húngara com nacionalidade inglesa, ambos trabalharam em restaurantes e hotéis de renome em Inglaterra, e foi aí que se conheceram. Decidiram depois vir para Portugal e abriram o Boubou's no Príncipe Real. No comando da cozinha Louise, irmã de Alexis.  As suas vivências e percursos de vida refletem-se no espaço, mas também no menu. Tudo  nos faz sentir um pouco "de férias, num outro qualquer lugar". 

 

Quando recebi o convite para ir ao Boubou's, ainda não tinha ouvido falar no restaurante, e não fiz nenhuma pesquisa, portanto tudo foi surpresa. O que foi bom, ainda acentuava mais a tal sensação de férias e de descoberta. Éramos três pessoas à mesa e deixámos a decisão do que iríamos comer a Alexis Bourrat, que nos recebeu.

 

Pouco depois chegaram três entradas:

 

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Ceviche de Atum

 

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Tártaro de Salmão

 

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Croquetes de Coelho

 

As duas de peixe, saborosas, frescas e leves. A de atum, com o ovo por cima, mais interessante. Dos croquetes de coelho, baseados numa receita de rillettes da família Bourrat,  com a mostarda que lhes avivava o sabor, gostei muito. Uma entrada a remeter para sabores franceses.

 

Chegou depois um dos pratos com mais sucesso do Boubou's, o Kebab de Cordeiro com Pão Pitta e vários condimentos. Este é depois preparado na mesa para que cada um possa rechear o seu pão a gosto.

 

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Numa época em que as propostas de muitos dos novos restaurantes são dominadas por pequenos pratos que se partilham, gostei desta ideia do grande prato que fica no centro da mesa e se partilha também, mas comendo todos o mesmo. Neste caso, para além disso, a componente da preparação, com um certo carácter lúdico e informal, permite uma interação entre as pessoas na mesa que pode ser interessante e incentivar à descoberta dos vários condimentos oferecidos. Quase remete para uma refeição familiar, para um momento de descanso descontraído.

 

Chegou a hora da sobremesa, os meus companheiros decidiram-se por sobremesas frescas e leves, de que normalmente também gosto mais. Mas, decididamente, eu estava num dia de comida conforto. Ainda provei as agradáveis sobremesas deles, mas o que me soube mesmo bem, vinha mais na linha dos croquetes de coelho e do "kebab", e foi o Paris-Brest.

 

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Cremoso de Yuzu e Limão com Crumble

 

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Abacaxi, Gingerbread, Sorvete de Framboesa

 

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Paris-Brest, Praliné, Avelã

 

A descoberta do Boubou's foi uma agradável surpresa, em particular pelo tipo de propostas diferentes do habitual, e também pela influência francesa, não muito comum em Lisboa. Embora recorrendo tanto quanto possível a produtos portugueses, o Boubou's permite-nos viajar por outras paragens.

 

Boubou's

Rua do Monte Olivete, 32A,  Lisboa

 

Primeira Foto DAQUI

 

Uma aventura pelos sabores da Arménia

por Paulina Mata, em 10.04.19

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Nada sabia da cozinha da Arménia, mas também não procurei. Por vezes é bom ir sem expetativas, completamente à aventura, e depois desfrutar do que der e vier. Foi o que aconteceu quando fui ao Ararate pela primeira vez, logo após ter descoberto que havia um restaurante de comida da Arménia em Lisboa. Se a primeira visita foi uma ida às cegas, da segunda já sabia o que me esperava, e a motivação principal foi a de descobrir novos pratos.

 

Bem perto da Gulbenkian, portanto quase paredes meias com o legado que um Arménio nos deixou, o restaurante é grande, confortável e com um ambiente simples, mas com alguma sofisticação. No menu os pratos estão bem explicados e ilustrados.

 

Da primeira vez começamos a refeição com um  Khachapuri Barco, descrito como um pastel tradicional caucasiano recheado com queijo, gema de ovo e manteiga. Adorei o pão macio e saboroso, e a cremosidade do recheio. Gostei do serviço na mesa, em que o empregado mistura a gema com o queijo derretido e corta o pão em pedaços. Da segunda vez começámos também a refeição com o Khachapuri Barco.

 

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A primeira decisão na segunda visita foi, contudo, sobre o vinho a escolher. Na carta havia alguns vinhos da Arménia, um país com uma longa tradição na produção de vinhos, e que para nós eram completamente desconhecidos. Diz-se que após quarenta dias e quarenta noites de chuvas torrenciais, a Arca de Noé chegou à mais alta montanha da Arménia, o Monte Ararate, e que das primeiras coisas que Noé fez foi plantar vinha para produzir vinho. Estando no restaurante com o nome da montanha, e dado que não nos víamos há bem mais de quarenta dias e quarenta noites, não podíamos mesmo deixar de escolher um vinho da Arménia.

 

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A carta tem uma secção de petiscos. Foi por aí que começámos das duas vezes, o objetivo era experimentar diversas coisas. Sendo as doses relativamente generosas, mal saímos daí. Explorar melhor os pratos principais terá que ficar para próximas oportunidades. Entre as duas visitas, tive oportunidade de provar:

 

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Khinkali - saquinhos de massa recheados com carne picada e um caldo aromático

 

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Satsivi - peru em molho de nozes

 

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Dolmá - carne de vitelão picada com arroz, cebola, verduras e especiarias, envolvida em folhas de videira com molho de matsun e alho

 

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 Tjvjik - fígado, coração e pulmões de cordeiro estufados com cebola e tomatada

 

IMG_20190312_195604.jpgChacapuli - pedacinhos de borrego com vinho branco, ervas aromáticas e alho

 

Achei este último prato menos interessante, mas todos os outros me agradaram muito. Para os acompanhar pão, não só um pão levedado, mas também Lavash, um pão em folhas finíssimas, muito tradicional na Arménia.

 

Um dos "pratos fortes" do Ararate são os Khorovats ou seja as espetadas. Na segunda visita comemos uma espetada de costeletas de borrego acompanhada de uma espetada de batatas. A carne excelente e tenríssima.

 

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Para terminar, da primeira vez escolhemos o Ecler, uma sobremesa francesa adotada pelos Arménios.

 

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Já da segunda aventurámo-nos por uma maior diversidade de doces.

 

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Torta de Merengue com creme

 

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Bolo de mel

 

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Pakhlava - pasta de nozes trituradas com cravinhos e canela, envolvida em massa filó e banhada em xarope

 

E para terminar, enquanto acabávamos de pôr a conversa em dia, um brandy da Arménia.

 

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É bom ter em Lisboa oportunidade de desfrutar dos sabores de outras paragens, viajar à mesa é excelente, e desta vez foi por sabores completamente desconhecidos. Muito há ainda por explorar... ficou a vontade de o fazer. 

 

 

Ararate -   Avenida Conde Valbom, 70,  Lisboa

 

 

 

 

O Brexit e o que se come e bebe

por Paulina Mata, em 03.04.19

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Tenho acompanhado o complexo (para ser simpática) processo do Brexit e vou registando algumas coisas relacionadas com o que se come e bebe (quando se pensa principalmente nisso, é normal...). Guardei as imagens destes dois cartazes que vi já não sei onde.

 

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Mas a melhor de todas foi um comentário do meu neto. Tem 4 anos, e quando os Pais viam a BBC News perguntou:

"Mamã, why are BBC News always talking about soft breadsticks and hard breadsticks?"

 

O que se pode querer mais quando se tem um neto que faz estas perguntas?

 

Desta vez era mentira...

por Paulina Mata, em 02.04.19

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A imagem acima era a do post do 1º de abril do blog da empresa The Meatless Farm Cº. A empresa produz produtos substitutos da carne, 100% de origem vegetal, que são já comercializados no Reino Unido (idênticos a carne picada e hambúrgueres). No 1º de abril "apresentou" este novo produto, um kit com sementes para uma planta que daria algo semelhante a carne picada.

 

O mais engraçado é que várias pessoas acreditaram que era verdade. Interpreto isso como um sinal da qualidade de muitos novos produtos que ontem se pensava serem impossíveis, inconcebíveis mesmo, e que hoje estão aí prontos a serem consumidos.

 

A forma como comemos vai de facto mudar, muito e muito rapidamente. Está a ser fascinante acompanhar o surgimento destes novos produtos. O início de uma revolução na forma como comemos, uma revolução que me parece bem mais profunda, e sobretudo com uma influência mais extensa, do que a que aconteceu há cerca de uma década e meia na alta cozinha.

 

 

 

Não me parece que a intenção seja a mesma... e não gostei...

por Paulina Mata, em 16.03.19

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Há dias fui ao aeroporto, passei junto ao Starbucks e vi este poster. Achei interessante, lembrei-me de um post que escrevi recentemente e fiquei contente por cá se começar também a incentivar as pessoas a levarem o seu próprio copo, até porque o desconto era convidativo. De repente olhei melhor e verifiquei que o desconto apenas se aplicava a quem tivesse copos ou termos daquela cadeia. Seria? Entrei e fui perguntar. Confirmaram-me isso. Para não haver dúvidas perguntei se se eu trouxesse de casa outro copo faziam desconto. A empregada, simpaticamente, disse-me que não fariam desconto, mas serviam o café e eu estava a contribuir para melhorar o ambiente.

 

Dei meia volta e enviei um sms à minha filha a pedir-lhe que confirmasse se em Inglaterra se passava o mesmo. Tinha quase a certeza que não, tanto que há várias cadeias a fazer o mesmo e ninguém andaria com um copo de cada uma. No dia seguinte ela entrou num café da mesma cadeia e foi perguntar. O desconto aplica-se quando se leva qualquer copo, seja deles, seja de outra cadeia, seja a caneca que trouxe de casa. Ainda passou numa loja, que vende termos e copos para estas situações e tirou uma foto da informação sobre o desconto que as várias cadeias ofereciam.

 

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Como se pode ver o desconto é maior cá que no café da mesma cadeia em Inglaterra. Curiosamente o copo é mais caro cá (2 euros, segundo fui informada) do que em Inglaterra (1 libra). Curiosamente também, em Inglaterra cobram mais 5p a quem pede a bebida em copos descartáveis.

 

O espírito em Inglaterra é, ou pelo menos é essa a imagem que transmitem, o de incentivar a consumir menos produtos descartáveis, a produzir menos lixo. O espírito cá, apesar de nos quererem transmitir que é idêntico, parece ser o de fidelizar clientes. Se cá várias cadeias fizessem o mesmo, tínhamos que andar com um copo de cada?!

 

Sinceramente não gostei, era melhor um desconto menor e estendê-lo a todos os que levavam o seu próprio copo, assim fazia sentido. Desta forma, para mim, não faz pois parece-me que a intenção é bem diferente do que a que pretendem transmitir. 

 

 

 

 

Um saltinho aos sabores da Argentina

por Paulina Mata, em 09.03.19

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As minhas viagens à mesa em Lisboa andam pouco variadas. Tenho-as feito, mas em geral revisitando destinos onde já estive. É altura de novas aventuras... uma, recente, foi para um destino há muito adiado.

 

Há anos que planeava ir ao Café Buenos Aires. E quando digo anos, eram mesmo muitos anos... já que o Café Buenos Aires abriu em 2002. Há dias estava ali perto, estávamos a pensar onde jantar, e o destino foi, finalmente, o Café Buenos Aires. Felizmente chegámos cedo, porque as mesas estavam quase todas reservadas.

 

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Gostei do ambiente e gostei da música. Há quem diga que lembra os cafés de Buenos Aires, não sei pois nunca lá estive. Mas o ambiente, as mesas com estrangeiros a beberem um copo de vinho, o ruído de fundo, davam a sensação de estar num outro local. Estava a precisar de fugir um pouco do quotidiano, por isso foi um bom começo.

Quanto ao menu, tem alguns pratos argentinos, outros de cozinha mais global, e pratos de outras cozinhas também. Era a primeira vez que estávamos no Café Buenos Aires, decidimos ficar pelos pratos da Argentina, que acompanhámos com um vinho também argentino. Aliás a opção da maior parte das pessoas que ocupavam as outras mesas foram também os pratos de carne.

 

Começámos com 

 

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Pastéis de Carne Argentina 

 

Para prato principal comi o bife indicado como "Especialidade"

 

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Tira de Carne Argentina  Grelhada. Com Chimichurri e Batata Doce de Aljezur 

 

Excelente carne e bem confeccionada. O Bife Argentino que foi para a mesa ao lado, tinha um óptimo ar também. Para terminar, uma sobremesa para partilhar, que acompanhei com uma infusão argentina, um Mate-Cocido.

 

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Bola de Gelado Caseiro de Dulce de Leche

 

Soube-me bem esta visita a outras paragens. Hei-de voltar, pela comida e pelo ambiente, e até para experimentar outros pratos.

 

 

Café Buenos Aires  -  Calçada do Duque - 31B, Lisboa

Uma boa surpresa no Dia Internacional da Mulher

por Paulina Mata, em 08.03.19

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Fui para beber um chá, mas não o bebi, todas as mesas da L'Éclaire estavam ocupadas. Ao olhar para o balcão dos bolos reparei que cada bolo tinha uma placa de chocolate branco com a foto de uma mulher. Pena ter sido já tarde e haver poucos, gostava de ter visto a montra completa.

 

Estive indecisa entre trazer uma Marie Curie ou uma Amália. Acabei por sair com  a Amália.

 

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Uma boa surpresa no Dia Internacional da Mulher.