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64 Degrees - quando o demasiado generoso não é uma vantagem

por Paulina Mata, em 30.07.18

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Brighton é uma cidade que acho muito simpática, as ruelas estreitas no centro, a praia de calhaus, o pier com os salões de máquinas de jogo... Há dias a minha filha tinha que lá ir, e resolvi ir com ela e passar por lá o dia. Desta vez até tinha uma razão extra, há uns meses tinha ouvido em Lisboa falar Douglas McMaster do restaurante Silo e tinham ficado com vontade de conhecer. Iria lá almoçar.

 

Mas não fui... Na véspera à noite fui ver onde era o restaurante e o horário. As informações sobre a abertura ao almoço eram diferentes em vários sites, e mesmo no site do restaurante, dependia do local onde via. Nuns locais dizia que abria à quinta, sexta e sábado, ao almoço, noutros apenas à sexta e sábado, para brunch. Pois eu ia numa quinta-feira, era melhor arranjar um plano B para o caso de estar fechado. E estava!  É preciso ter o cuidado de atualizar informações. 

 

Uma busca na internet sobre os melhores restaurantes de Brighton, e excluindo os que não estavam abertos ao almoço, deu-me algumas opções para o meu plano B, e a selecionada foi o 64 Degrees, que tinha sido votado em 2016 e 2017 o melhor restaurante de Brighton. Sobre ele diziam:

It was no surprise to anyone that for a second year running 64 Degrees won the award for number 1 restaurant in Brighton. Chef and Owner, Michael Bremner also took home the award for ‘Best Chef’... 

 

Depois de uma caminhada pelas estreitas ruelas da zona histórica The Lanes, cheguei ao 64 Degrees  e entrei num espaço pequeno, um balcão com cerca de 10 lugares e uns 15 em mesas. Estava apenas um casal ao balcão. Perguntaram-me se queria ficar ao balcão, que fui vendo ser a escolha preferida, mas não, não queria. Gosto mais de uma mesa (hei-de voltar a este assunto).

 

Deram-me o menu com 10 pratos, disseram-me que o normal seriam 2 ou 3, mas tinham um menu de degustação com todos os pratos. Eu gosto de doses pequenas e variar muito. Pois que viesse o menu de degustação! Acompanhei-o com um copo de vinho da Croácia e água fresca.

 

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Começou por vir um bom pão de centeio com manteiga temperada com za'atar.

 

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E rapidamente os pratos começaram a chegar, tinham-me dito que os primeiros chegariam mais rapidamente e depois o ritmo seria mais lento para os últimos.

 

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Chicken liver parfait, fennel salad, golden raisins, granola

 

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 Cured trout, spiced watermelon, caviar

 

Gostei particularmente deste, a melancia "prensada" em vácuo tinha uma textura rija e densa, e nesse processo tinha sido infusionada com especiarias, por cima uma alcaparras muito crocantes conferiam um interessante contraste de textura.

 

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Sunflower ajo blanco, toasted cashew nuts, summer vegetables

 

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 Romaine lettuce, corra lin, anchovies, candied walnuts

 

Outro momento alto da refeição, muito fresco e saboroso.

 

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Gurnard, chickpea miso, lobster butter

 

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 Preserved lemon tagliatelle, local sea vegetables, pickled egg yolk

 

Maravilhoso!

 

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 Marinated heritage tomato, brined courgette, smoked aubergine purée

 

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 Fried cauliflower, BBQ sauce, pumpkin seeds, sweetcorn relish

 

Quando vi o prato assustei-me! Era o oitavo prato, doses generosas, e esta era enorme... ainda faltavam mais dois... Comi só metade. Era muito saboroso, mas um foi para dentro...

 

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 Duck breast, butternut squash, szechuan pepper

 

Este, eu já tive que o comer devagarinho... 

 

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Charred hispi, hollandaise, Australian winter truffle

 

Quando me puserem este prato de couve  à frente, uma dose enorme, só pensei "tirem-me isto daqui, por favor". Já não tinha espaço para mais, cheirava a couve cozinhada, e aquele aroma dado pelos compostos de enxofre não é muito agradável... Comi uma garfada apenas, achei o pior prato do menu, mas não tinha já capacidade para discernir...

 

Quando a empregada chegou disse-lhe que era comida demais, ela concluiu que certamente já não queria sobremesa. Disse-lhe que não. Mas ela trouxe-me uma pequena quenelle de um sorvete de bergamota e flor de sabugueiro para refrescar. 

 

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Saí a pensar que nestes menus grandes é mesmo muito importante ter cuidado com a sequência e o tamanho das doses. Estas eram quase todas grandes demais para um menu com 10 pratos. A couve não era decididamente prato para terminar um menu destes.

 

Com doses mais pequenas (e sem a couve, mas admito que pudesse repensar isto se a tivesse provado noutra situação) tinha sido um almoço excelente. Assim, saí com uma sensação pouco agradável, por estar cheia demais, pela quase repulsa que senti quando me puseram a couve em frente. E só tinha comido metade do prato de couve flor... É importante não só fazer boa comida, como planear bem a forma como é servida e a quantidade. Quando o muito generoso é demasiado generoso, não é uma vantagem, antes pelo contrário.

 

Caminhei até à praia, passeei ao longo da praia e sentei-me nas pedras ver o mar.

 

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