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Assins & Assados

Assins & Assados

29
Jul22

As expetativas... Por vezes, são lixadas...

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Já que ia a Londres para a sessão de lançamento dos chocolates Vinte Vinte, fui cedo e portanto almoçava. Fui à lista onde anoto algumas coisas que vão surgindo, e havia um restaurante onde gostava muito de ir. Tentei marcar... em vão, só daí a umas semanas, outros não estavam abertos ao almoço. Pesquisei e surgiu o Lahpet - a localização era conveniente; ia provar um novo tipo de cozinha, birmanesa, que desconhecia e da qual, mesmo em Londres, há muito poucos restaurantes; e críticos que respeito, e em geral tudo o que encontrava, tinham-me despertado o interesse. Até o Guia Michelin lhe tinha atribuído um Bib Gourmand e referido que a cozinha era autêntica.

Há dois restaurantes Lahpet (que em birmanês significa chá) em Londres, um em Shoreditch e outro, mais recente, em Covent Garden. Resolvi ir ao de Schoreditch, há algum tempo que não ia para ali. Além disso este restaurante foi o primeiro a abrir, na sequência de um projeto que tinha começado como uma banca perto de London Bridge e passou depois para um arco em Hackney. Depois de deambular pela zona, fui até ao restaurante e .... dei com o nariz na porta! Só abria para jantar. Eu só tinha visto o horário do de Covent Garden... Estava decidido que o almoço era no Lahpet, e lá fui para Covent Garden.

Depois de tudo o que li, eu podia lá viver sem provar um Lahpet Thohk...

Grace Dent dizia no Guardian

That lahpet thohk salad is a sterling example of this delightful funkiness, with pickled tea leaves interwoven with double-fried beans,wisps of chopped cabbage, plump, sweet bursts of tomato and salty dried shrimp; sesame seeds, crunchy peanuts and a liberal amount of garlic oil and raw garlic also put in an appearance. To a western gaze, at least, this might be unlike any salad seen before, plus it’s the colour of Fozzie Bear and army-surplus combat pants. It comes with a warning that, due to the level of caffeine in it, it may well keep you up at night. Each time I order lahpet thohk, I’m unsure I love it, but I am always compelled to scoop up every last complex, enticing bite.

Segundo Jay Rayner

If you don’t know much about Burmese cuisine, then Lahpet’s menu is a real eye-opener

Lahpet thoke is a traditional salad made with pickled tea leaves, but there is so very much more going on here than the humble word “salad” suggests. It’s a salad with a lengthy CV and killer references. Alongside the tea leaves and shredded cabbage there’s the crunch of peanuts and of those crisp-fried broad beans we are familiar with from Spanish delis. There are dried shrimps and sesame seeds and a little chilli, for while a certain amount of heat is part of the story, it’s not there to bash you about the head. There’s a sweet-sour dressing with the high waft of garlic oil. It’s a heap of good things that needs to be excavated in search of ever deeper textural joy.

Para Tom Parker Bowles e Olly Smith:

Lahpet thohk. Pickled tea leaf salad. A dish, in the words of food writer Mimi Aye, that is ‘the most iconic of Burmese foods and unique to the country’. It’s also one of the most thrilling things I’ve eaten for years, at once alien and utterly familiar; soothingly rich, softly astringent, with a pert acidity and low throb of garlic and chilli. The texture also beguiles, crisp peanuts and deep-fried beans versus the comforting chew of tea and dried shrimp.

 

Nem foi preciso pensar muito sobre a entrada que ia pedir. Já ia decidido antes sequer de entrar no restaurante.

 

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Lahpet Thohk (Tea Leaf Salad)

Pickled Tea, Double Fries Beans, Cabbage, Tomato, Chilli, Dried Shrimp, Sesame Seeds, Garlic Oil, Peanuts

 

As expetativas eram tão altas, que a complexidade, a originalidade, os sabores fortes e únicos... ficaram aquém do que esperava. Não me emocionou, e nem o efeito da cafeína senti. Nas folhas de chá (que tive o cuidado de provar separadamente) também não encontrei o umami que vi referido em alguns comentários. Se era boa? Era, sem dúvida. Se esperava mais? Sim, sem dúvida. Fiquei com a sensação que as expetativas tinham prejudicado a minha apreciação. Quase desejei que não fossem tão altas...

Para prato principal, pedi o que era descrito por Jay Rayner como the most showy plate of food. Neste caso a escolha não foi tão fácil, havia várias coisas que gostava de provar. 

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Ngar Kyaw Hnut (Fried Bream)

Tomato, Shallot & Garlic Soy Glaze, Crushed Double Fried Beans & Peanuts, Greens

 

Uma dourada a que retiraram os filetes, que foram fritos e servidos com um molho de tomate cebola e alho, bastante picante, contribuindo amendoins e feijões fritos com uma certa crocância. Para além dos vegetais de acompanhamento, também pedi um arroz branco. A espinha era servida frita, o que tornava o prato impressionante, e o empregado sugeriu que a comesse também. Comi uns pedaços, mas o efeito visual era o mais interessante.  Um prato que acabou por ser mais marcante do que a salada.

A conta, sem bebidas, e com a gorjeta sugerida, ficou pelas 35 libras, um valor que achei muito aceitável, não só considerando a qualidade e quantidade que comi, mas também tendo em conta que estava numa zona turística de Londres, num restaurante com um espaço moderno e agradável e com boas críticas, que serve comida birmanesa, mas apresentando-a de forma mais requintada e sofisticada.

Hei-de voltar, provar mais uns pratos e dar mais uma oportunidade à salada, agora com expetativas mais realistas. É que as expetativas por vezes são lixadas. 

 
 

 

 

26
Jul22

Em Londres com os Chocolates Vinte Vinte

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Há umas semanas fui ao Gourmet do El Corte Ingles, passei na zona dos chocolates e vi uma marca que não conhecia, Vinte Vinte, não fui ver o que eram, nem pensei muito mais nisso. Uns dias depois, no UK, recebi um email dos Cocoa Runners, com quem tenho uma subscrição para me enviarem mensalmente chocolates artesanais Bean to Bar, ou por vezes até Tree to Bar. Nesse email anunciavam um evento que ia decorrer umas semanas depois, a apresentação dos chocolates portugueses Vinte Vinte que iam começar a comercializar. Tinha mesmo que ir ver o que eram estes chocolates...

 

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Passados uns dias lá estava. E que bom ter ido!

Já tinha ouvido falar do WOW (World of Wine), um museu que não é só sobre vinho, já tinha ouvido falar do Museu do Chocolate (The Chocolate Story) que percebi ser uma parte do WOW, até já tinha pensado visitar quando fosse ao Porto. Mas não sabia que o The Chocolate Story, para além de contextualizar a história do chocolate e de oferecer atividades demonstrando como as favas de cacau são transformadas em barras de chocolate, também tinha produção artesanal de chocolate e uma marca própria, a Vinte Vinte. Nome que  é uma referência ao cacaueiro (Theobroma cacao) que cresce numa área geográfica entre as latitudes 20 ° N e 20 ° S do Equador, e ainda à excelência que ambicionam ter 20/20. 

Pertencendo ao grupo Taylor Fladgate, nada mais natural do que explorar as melhores combinações entre os chocolates Vinte Vinte e o vinho do Porto. Foi isso que também tivemos oportunidade de fazer. Não só pudemos provar chocolates das várias gamas produzidas (Classic, Intensity e Grand Cru), particularmente das duas últimas, com cacau de diferentes origens e percentagens, e completamente Bean to Bar, como também experienciámos várias combinações com vinhos do Porto.

A primeira proposta foi interessante, provar o Chocolate Branco, o mais doce em prova, e o Chocolate 100% Peru, o menos doce, com o mesmo Porto Branco, o Taylor's Chip Dry.  A perceção do vinho era completamente diferente, no primeiro caso, o doce do Chocolate Branco de certa forma adoçava o vinho, no segundo caso, com o Chocolate 100%, de cacau de uma variedade rara - Marañon - e sem nenhum açúcar adicionado, o vinho passava a ser sentido como levemente adocicado e a contribuir com uma certa doçura para o chocolate.

Seguiu-se o Chocolate 85% Madagáscar, chocolate frutado e com notas cítricas, que foi servido com um Ruby, o Fonseca Terra Prima Orgânico, e a acidez do chocolate contrabalançava a doçura do vinho. O Chocolate 75% Nicarágua, um chocolate com notas de frutos tropicais, café e avelã, foi emparelhado com um Taylor's LBV de 2017.

O vinho seguinte, Fonseca 20 Anos, um Tawny, foi provado com três chocolates diferentes que, entre outras, tinham notas de frutos secos e mel. Com o Chocolate 65% da República Dominicana, senti um equilíbrio muito grande, uma excelente combinação. Já com o chocolate do Uganda a 55%, achei menos equilibrado, devido à doçura do chocolate.  Contudo, com o Chocolate de Leite 45% da Venezuela, a componente láctea tornava a combinação muito interessante.

Para o fim ficou o chocolate topo de gama da Vinte Vinte, um chocolate com cacau de uma única colheita, da mesma quinta e da mesma variedade (muito rara) - Porcelana Blanca Rioja. Da gama Grand Cru, o México Soconusco, Finca la Rioja  - 70 %, tem um perfil aromático complexo, com notas de maçã, passas e frutos secos, e um leve tabaco. Foi o que suscitou maior desafio para combinar com um vinho. A escolha recaiu sobre o Taylor's Vintage Vargellas 2012.

Fechámos com chave de ouro uma sessão de provas muito interessante e participada, e muito bem conduzida pelo Pedro Martins Araújo que, depois de um percurso como Chef, se dedicou ao chocolate e aprofundou os seus conhecimentos viajando por países produtores. Sendo o responsável pelo The Chocolate Story e a Vinte Vinte, conhece todas as quintas onde é produzido o cacau que usam. De facto, como nos disse, para um bom chocolate há três aspetos fundamentais, a genética, o processo de fermentação e a torra. Os dois primeiros estão nas mãos dos produtores, sendo assim essencial conhecê-los para os avaliar com tanto detalhe quanto possível. Apenas o último, a torra, é realizado na fábrica.

 

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À saída ofereceram a cada participante uma caixa com 4 pequenas tabletes e 4 amostras de vinho do Porto, e ainda duas tabletes das que provámos a 100% e a 65%.

Uma tarde excelente! Uma sessão que me fez ter uma vontade ainda maior de visitar o WOW e em particular o The Chocolate Story.

 

 

Imagens 2 e 3  DAQUI

 

 

 

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