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Assins & Assados

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31
Out20

Shaken, not stirred

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"Shaken, not stirred", foi o que imediatamente me veio à cabeça hoje quando vi a notícia da morte do Sean Connery. Nem sabia muito do cocktail a que se referia, apenas que o preferia batido. Lembrei-me de um artigo do Telegraph, Food science and food myths: James Bond may have been onto something,  que deixo todos os anos aos meus alunos, normalmente no final de uma semana de aulas, para lerem durante o fim de semana. Será que algum o leu? Tenho algumas dúvidas... Eu também não o lia há muito.

 

Lembrava-me da discussão sobre a preferência de James Bond - shaken, not stirred, aliás relacionado com o título do artigo, de mais nada, mas apenas os 3 últimos dos 18 parágrafos do artigo são sobre este assunto. Gostei de voltar a ler. Depois fui procurar saber um pouco mais sobre o cocktail, descobri que é pela primeira vez pedido por James Bond no livro de 1953 de Ian Fleming, Casino Royale.  Onde é assim descrito:

"Three measures of Gordon's, one of vodka, half a measure of Kina Lillet. Shake it very well until it's ice-cold, then add a large thin slice of lemon-peel. Got it?" ("​Casino Royale," Chapter 7.)

Embora a frase "shaken, not stirred" só apareça no livro Diamonds are Forever de 1956. No cinema é pedido pela primeira vez por James Bond, representado por Sean Connery, em Goldfinger em 1964. Foi interessante descobrir uma recriação do cocktail, com alguma informação sobre ele, num artigo recente - James Bond's Famous Vesper Martini - no site The Spruce Eats.

 

Mas porquê batido no shaker, quando  geralmente  os cocktails só com bebidas transparentes são apenas mexidos? Reservando-se o shaker para quando os cocktails têm outros ingredientes. Têm surgido várias explicações, mas a apresentada no artigo do Telegraph como a razão para o James Bond, um homem de bom gosto, preferir a sua bebida batida está relacionada com as características da vodka na época em que Ian Fleming escreveu o livro. Estava-se no pós Segunda Guerra Mundial, os cereais eram caros, e a batata era muito usada na produção de vodka.  Estas vodkas de batata são mais oleosas, e se o cocktail for batido, o óleo fica melhor emulsionado e a bebia mais suave.

 

Aparentemente isto foi confirmado em prova cega na redação do Telegraph, e a preferência do James Bond validada. Ficou confirmado que o James Bond era mesmo um homem de bom gosto e a culpa para o aparente erro na preparação era mesmo da batata.

 

Foto DAQUI

 

 

18
Out20

Borrachões e outras memórias...

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Há dias o meu amigo Virgílio Gomes escreveu uma crónica que começava assim:

Hoje estou a escrever sobre memórias da minha meninice, um doce a que nos era limitado o consumo, pelos nossos Pais, pela concentração alcoólica que parecia conter.

O nome dos bolo, que comia em Espanha, é Borrachos. O Virgílio fala sobre eles, sobre a relação estreita com Espanha, pois é de Bragança e era mais acessível para compras e outras atividades. No final fala de bolos portugueses também com bebidas alcoólicas como ingrediente, nomeadamente dos Borrachões.

 

Lembrei-me da minha meninice também, da relação estreita que tínhamos com Espanha, todas as memórias de compras de brinquedos, roupa e comidas menos habituais que tenho são de Espanha. No meu caso de Badajoz. E são as mesmas memórias de muitos outros

 

Há dois anos fui com as minhas três irmãs passar um fim de semana a Badajoz. Fomos à procura das nossas memórias de infância. O edifício do Simago, onde tantas compras fazíamos, ainda lá está, com um supermercado com outro nome. Bem recordámos os perritos calientes, impossíveis de esquecer, que se vendiam no vão da escada para o parque de estacionamento. Tomámos o pequeno almoço no local onde antes os nossos Pais no levavam a almoçar uns platos combinados. Fomos procurar a mais maravilhosa loja de brinquedos onde alguma vez entrámos Las Tres Campanas. Lá estava o edifício, fechado, iam construir ali um hotel.

 

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A minha maior desilusão foi não ter visto nenhum dos enormes cones de latas de melocotón (que para mim era um fruto mágico, lisinho, brilhante, de um amarelo atraente e delicioso, e que só bem crescida associei a pêssego). Aliás, as lojas onde ia com o meu Pai, comprar enchidos, patés, melocotóns e caramelos, e que me deixavam maravilhada, já não existem. O mundo mudou e Badajoz também. Foi um excelente fim de semana, cheio de recordações e também de descobertas.

 

Ui! Perdi-me! O objetivo não era falar destas memórias, mas dos biscoitos mais maravilhosos que alguma vez comi. Biscoitos esses que o Virgílio Gomes refere na sua crónica, os Borrachões da Beira Baixa. Eram os biscoitos mais comuns durante a minha infância. Tão maravilhosos são que se continuam a fazer em minha casa e na de todos os meus irmãos. Não sei se hoje seria bem visto dar às crianças biscoitos feitos com vinho e aguardente... mas o mundo era outro.

 

Das férias de verão tinha trazido uma garrafinha com aguardente artesanal para fazer borrachões, ler a crónica do Virgílio foi o empurrão que precisava. Segui a receita da minha Mãe:

 

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Metade vinho branco, metade aguardente, uma colher de sopa bem cheia de banha e o resto azeite. Ficaram maravilhosos. São mesmo os melhores biscoitos que alguma vez comi!

 

Mas para além dos sabor, encanta-me a simplicidade dos ingredientes, o engenho, a arte e a criatividade para fazer uns biscoitos deliciosos com o pouco que havia.

 

 

Foto dos Borrachões DAQUI  (é que dos meus já não sobrava nenhum)

 

 

16
Out20

Bom Dia Mundial da Alimentação!

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Hoje é Dia Mundial da Alimentação! Dependemos dela para viver e ser felizes. O que comemos tem um impacto enorme, em nós, no ambiente, no futuro. E ela está a mudar tanto! Podemos até tentar resistir... mas o que tem que ser, tem muita força.

 

Uma boa oportunidade para refletir e ouvir falar sobre tudo isto é o debate "SustentHabilidades" hoje ao fim da tarde, que será transmitido no Facebook do Museu da Farmácia.

 

Não vou perder... e aconselho!

 

13
Out20

Às vezes é preciso mimarmo-nos... novas descobertas 3

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Há umas semanas, durante um passeio na Baixa, passei na loja da Equador. Nunca tinha comido os chocolates deles, resolvi experimentar.  Gostei muito. Às vezes é preciso mimarmo-nos... Passar, como me tem acontecido nas últimas duas semanas e meia, no mínimo 4 horas, e por vezes 6 ou 7 horas, sentada em frente de um computador a falar para o ecrã, por muito interessantes ou interessadas que sejam as pessoas que vejo no ecrã e para quem falo, nem sempre é a forma mais compensadora de passar os dias. Justifica algum mimo especial... Fui ao site da Equador e fiz uma encomenda. Ela chegou, uns dias depois. A primeira surpresa foi o cuidado na embalagem para que os chocolates chegassem nas melhores condições. Para além do tipo de embalagem, dentro vinham dois acumuladores de frio. Primeira impressão excelente!

 

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Lá dentro uma caixa de cartão linda!

 

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Que ansiosamente abri...

 

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A forma cuidadosa como os chocolates vinham empacotados, e as lindíssimas embalagens dos chocolates... tornaram-nos um verdadeiro mimo!

 

Dentro da caixa algumas tabletes, para desfrutar lentamente e apreciar bem (em silêncio, e sobretudo com a televisão desligada, para evitar ouvir coisas que nunca acreditei alguma vez serem possíveis e que estragariam o momento). 

 

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O Chocolate Negro 68% São Tomé com Nibs de Cacau é delicioso! Os Grãos de Café Torrado com Chocolate 73% São Tomé, maravilhosos! Os outros... ainda não sei... é para desfrutar lentamente e apreciar bem. 

 

Vale a pena encomendar, mas também visitar a loja, é um prazer ver as novas lojas que estão a surgir na Baixa de alguns produtores portugueses.  É maravilhoso desfrutar da qualidade de alguns destes produtos. Um luxo!

 

 

Primeira foto DAQUI

Chocolataria Equador  - Rua da Prata, 97 Lisboa

 

03
Out20

As saudades que eu já tenho de clotted cream...

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Quando chego a Inglaterra e vou ao supermercado, uma das coisas que meto logo no carrinho é uma embalagem de clotted cream. A fina camada superior de gordura solidificada, que dá uma sensação levemente granulosa, a camada inferior muito espessa, cremosa (cerca de 60% de gordura), o sabor suave, entre o da manteiga e o das natas, tornam-no delicioso.

 

Consta que a técnica para produzir clotted cream foi levada para a Cornualha pelos fenícios por volta do ano 500. O da embalagem acima, Rodda's Clotted Cream, é produzido desde 1890 na Cornualha e é o mais comum nos supermercados. Os ingleses consomem-no bastante, e esta empresa produz cerca de 5 toneladas por dia, e na altura do Natal chegam às 25 toneladas diárias. Os scones comem-se com clotted cream, e não com manteiga, mas também se pode usar para cozinhar.

 

Nunca vi clotted cream fresco à venda cá, vi uma vez um nuns frascos, de longa duração. Comprei, mas não gostei nada. Dadas as circunstâncias não vou a Inglaterra há muito, e de vez em quando lá me lembro, com saudades, do clotted cream e daquela textura deliciosa. Um dia destes fui ver como se fazia. Tudo o que era preciso eram natas frescas e um forno. Tinha as duas coisas. Passadas 12 horas tinha estas duas tigelas de clotted cream:

 

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Saíu caro. Foram 12 horas no forno a 80º C para apenas um pacote de natas. Mas tinha que ser... O resultado tinha a fina camada de gordura sólida por cima, por baixo um creme espesso. Mas não tão espesso como o que compro, penso que isso talvez se resolva com mais tempo no forno. No fundo fica uma camada de soro de leite que tem que se retirar (os industriais não tem esta parte). Com o soro fiz uns scones, e matei saudades dos scones com clotted cream.

 

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O sabor era diferente, o meu clotted cream tinha um sabor a leite mais forte. Mas tenho que experimentar com outra marca de natas. De qualquer forma a natas da Cornualha não sabem certamente ao mesmo das natas de Portugal, o leite também não sabe ao mesmo...

 

Continuo com muitas saudades do clotted cream que como em Inglaterra. Este é simpático, talvez até repita... mas não é o mesmo. Quando a pérfida criaturinha invisível me permitir voltar a um supermercado em Inglaterra, a primeira coisa que vou fazer é meter no carrinho uma embalagem de clotted cream.

 

 

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