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Assins & Assados

A sala do restaurante só para mim deu-me muito em que pensar...

por Paulina Mata, em 08.03.20

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Há dias, no regresso do trabalho, estava muito cansada e sem coragem para preparar fosse o que fosse para comer. Só me apetecia sentar-me à mesa de um restaurante em que nada exigisse de mim grande esforço, um restaurante simples, onde sabia o que esperava, e com uma comida saborosa. Imediatamente as palavras que a seguir me vieram à cabeça foram "e com muito umami".  A escolha foi óbvia - um restaurante chinês perto de casa. Há um a que gosto de ir, só tem um inconveniente, tem sempre muita gente e frequentemente há uma pequena fila de espera. Olhei para o relógio, 19h e 40m, ainda não devia haver muita gente, resolvi arriscar, e fui direta para o restaurante.

 

Não estava preparada para o que vi... cheguei e dei com uma sala como a da foto acima (que não é do dito restaurante). Numa mesa ao fundo os empregados conversavam. Questionei-me se me teria enganado na hora, se seriam 18h 40m. Verifiquei. Eram já 19h e 50m. Entrei, os empregados levantaram-se, perguntei se podia jantar, disseram que sim. Tive a sala do restaurante (que deve pelo menos ter uns 70 lugares) só para mim durante quase todo o jantar.

 

Por três ou quatro vezes a porta abriu-se, entrou alguém de uma empresa de distribuição de refeições ao domicílio para ir buscar a encomenda, por duas vezes entraram estudantes estrangeiros para comprar uma refeição para levar. Estava quase a acabar de comer quando entrou um casal de espanhóis para jantar. Quando ia a sair, eram cerca de 20h e 30m, entrou uma família de três portugueses. Tinham marcado... há poucas semanas seria necessário, naquele dia ficaram com a sala só para eles. Ao sair perguntei ao empregado, que na ausência de algo para fazer ia de vez em quando espreitar à janela e no regresso desinfetava as mãos, se todos os clientes tinham desaparecido por causa do vírus, disse-me que sim.

 

Incrível! Vivemos uma época complicada, as medidas tomadas até podem ser consideradas exageradas por alguns (não me compete discuti-lo, pois não tenho fundamentos para isso), mas num restaurante chinês não se correrá certamente mais risco do que noutro dos restaurantes ao lado que estavam bem compostos. Admito que todos os restaurantes irão sofrer com a situação, sem exceção, porque haverá menos turismo e porque as pessoas ficarão mais em casa para se protegerem. Mas confesso que fiquei chocada!

 

Pouco depois li uma crítica do Jay Rainer sobre um restaurante chinês a que costuma ir e Londres, onde algo parecido com o que descrevi acontecia também. Além de criticar o restaurante, criticava também a atitude dos potenciais clientes. Não será também papel da imprensa chamar a atenção para estas coisas, fazer-nos pensar sobre situações como estas?

 

Ultimamente tenho-me questionado se os restaurantes italianos estarão também vazios... Tenho um palpite, mas não vou dizer, é só um palpite. Mas até gostava de confirmar.

 

Dá que pensar...