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Assins & Assados

Varanda de Lisboa - uma renovação que manteve a tradição

por Paulina Mata, em 27.01.20

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Fui há dias almoçar ao restaurante Varanda de Lisboa do Hotel Mundial. Um hotel com 60 anos, cerca de 350 quartos, e com um restaurante apostado em manter sabores e tradições. Fui convidada para conhecer o espaço e a carta que tinham sido renovados no final de 2019. 

 

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O primeiro impacto foi o do espaço, a garrafeira à entrada, o bar central, mas principalmente o espaço ter ficado mais aberto, o que dá uma sensação de uma sala muito mais ampla e mais destaque ao painel pintado numa das paredes. A um canto a mesa onde José Saramago e Pilar del Rio se conheceram, quando ela o entrevistou, e na parede uma placa com um poema que ele lhe dedicou. Porém, é impossível entrar naquela sala, num dos andares superiores do hotel, sem reparar na magnífica vista sobre o Castelo e a Baixa.

 

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Um espaço mais confortável e atual, uma carta que também sofreu uma renovação, sob a orientação do Chef Vitor Sobral, mas que continua a centrar-se sobretudo em sabores portugueses.

 

Sentámo-nos à mesa e chegou o couvert, boas azeitonas e um queijo de ovelha amanteigado da Queijaria do Monte da Vinha no Vimieiro, a que recentemente foi atribuída uma medalha de ouro nos World Cheese Awards, que decorreu na cidade italiana de Bérgamo.

 

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Durante o almoço partilhámos duas entradas.

 

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Berbigão com  Tomate e Gengibre 

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Salada de Polvo com Batata Doce e Hortelã

 

A escolha da minha companheira de mesa foi uma cabeça de peixe grelhada. Tinha um óptimo aspeto, não resisti e pedi para provar. 

 

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Já eu, fiquei encantada com a secção da lista dos arrozes, pois defendo sempre que a forma como cozinhamos e comemos o arroz é um aspeto muito característico da nossa cozinha. Na carta eram oferecidos três, um de polvo, um de galo com farinheira, e um de bacalhau com berbigão, foi sobre este que recaiu a minha escolha. Estava muito bom. 

 

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Arroz de Bacalhau com Berbigão e Coentros

 

Para a sobremesa comemos:

 

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Pudim de Limão com Leite de Coco e Pistácios

 

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Toucinho do Céu de Amendoim com Sorvete de Maçã Granny Smith

 

Apesar da renovação, houve o cuidado de preservar vários aspetos da cozinha e do serviço que caracterizam este restaurante do Hotel Mundial. O serviço de sala, que envolve a preparação ou finalização de alguns pratos frente aos clientes, é um deles. Há  mesmo uma secção da carta denominada " Cozinha de Sala" que tem várias ofertas de pratos e também sobremesas. Na mesa ao lado estavam a ser preparados uns crepes Suzette. Também, se assim se desejar, o café é preparado em balão junto à mesa.

 

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Aspetos interessantes e importantes. É de louvar que apesar da modernização realizada, tenham mantido estas características que já vão rareando e de que é tão bom poder desfrutar.

 

Durante toda a semana, aos almoços, as Sugestões do Dia, permitem refeições a um preço mais moderado naquele ambiente privilegiado. 

 

 

Varanda de Lisboa - Hotel Mundial
Praça Martim Moniz, 2 - Lisboa

Feitoria - produtos e sabores que são nossos

por Paulina Mata, em 23.01.20

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Ir ao Feitoria estava na minha lista de desejos há muito, já não ia lá há vários anos, mas ainda não tinha acontecido. Mas aconteceu no final de 2019 e ficámos numa das mesas redondas à direita na foto.

 

O menu escolhido foi o Matéria (6 pratos). Matéria, o mesmo nome do projeto do João Rodrigues para identificar produtores de excelência e de produtos únicos, para organizar essa informação e a disponibilizar. Esta matéria, ou seja os produtos portugueses, são centrais na cozinha de João Rodrigues.  Assim, o menu Matéria é baseado e produtos e sabores portugueses.

 

No início do jantar chegou-nos inclusivamente um mapa onde é indicada a proveniência de grande parte dos produtos usados no Feitoria.

 

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Começou por vir  uma sucessão de pequenos pratos.

 

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Lírio curado com lima

 

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Crocante de camarão com coentro e caviar

 

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Bróculo com moamba e cebola

 

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Mexilhão com papada de porco

 

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Croquete de polvo

 

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Caldo de cozido com cupita de Barrancos sobre tosta

 

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Santola e navalheira

 

Todos muito bons,  todos muito bonitos. Já tinha ouvido falar do Caldo de Cozido com Cupita de Barrancos sobre Tosta, era mais pequeno do que o imaginava, mas melhor do que o imaginava. Adorei! Entretanto chegou também o pão com duas manteigas e dois azeite.

 

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Manteigas de ovelha e de vaca do Pico, Azeites Monterosa (Picual  e Verdeal)

 

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Quase no início do jantar trouxeram-nos um pedaço de atum para vermos, ele seria a base do primeiro prato do menu que tínhamos escolhido.

 

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Atum rabilho. caviar, daikon e caldo fumado

 

Um prato absolutamente delicioso! A seguir a este bonito prato, delicado, com produtos raros e sabores exóticos, seguiu-se um mergulho no mundo real. O mundo real é cru, às vezes duro, parece simples, mas não o é, tem o seu encanto próprio. Tal como esta matéria quase pura. 

 

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Lula de toneira da Figueira da Foz, manteiga de ovelha e cebolinho

 

O mergulho no mundo real levou-nos ainda mais longe. Trouxeram-nos os Carabineiros do Algarve que iríamos comer de seguida. 

 

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As cabeças salteadas chegaram e foram prensadas para extrair os sucos que seriam servidos como molho.

 

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Carabineiro do Algarve

 

Forte, intenso!

 

O peixe galo veio também mostrar-se. Questionei-me se não haverá muitos clientes que preferem não ver olhos nos olhos o que vão comer a seguir. No final perguntei ao João Rodrigues, disse-me que há quem goste muitos, mas também quem não goste. Concordo que é arriscado.

 

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Peixe Galo, molho de fígado e açorda

 

Agora que o peixe era absolutamente delicioso, isso sem dúvida. Um prato que nos remetia para as nossas memórias de sabores mais profundas.

 

Quando a minúscula abóbora chegou, era tão linda e perfeitinha, que nem parecia possível ser verdadeira, raspei com o dedo para confirmar. Tão bonita!  Uma escapadela ao mundo da fantasia! Deliciosa também.

 

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Abóbora assada, pinhões tostados, queijo gratinado e espuma de alho

 

Foi uma boa transição para o momento seguinte, e o pato começou por vir mostrar-se.

 

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Chegou depois delicioso e com um acompanhamento de luxo.

 

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Pato, arroz de cogumelos selvagens e trufa branca

 

Tinha chegado a hora das coisas doces, que começou com uma pré sobremesa cremosa e muito boa.

 

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A que se seguiu uma sobremesa cuja base era maçã e que foi preparada junto à mesa.

 

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Maçã assada, creme de iogurte, granizado de Granny Smith, gelado de massa folhada

 

Com os café e o chá vieram estes amouse bouche.

 

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Decidimos não fazer o pairing do menu com os vinhos sugeridos, pedimos ao somellier, André Figuinha, que nos sugerisse um número menor de vinhos para acompanhar o menu. Começámos a refeição com o Ilha, Verdelho, um DOP Madeirense de 2018, que nunca tinha bebido, um vinho diferente, com alguma salinidade, de que gostei muito, mais adiante, com os pratos foi servido o Flor Nobre, Reserva, da Beira Interior de 2014 e com a carne o She, Douro de 2016 uma ótima escolha que ainda valorizou mais os pratos. Acompanhámos a sobremesa com um Villa Oeiras, Carcavelos de 15 anos. 

 

Um serviço de mesa excelente. No final ofereceram-nos ainda um miminho para trazermos para casa, uma caixa de bombons do Feitoria. Mas não só... também um saquinho com uma infusão de ervas e flores, um blend criado pela equipa do Feitoria para prolongarmos a experiência que nos proporcionaram.

 

Um óptimo jantar!

 

 

Feitoria - Altis Belém Hotel & Spa, Doca do Bom Sucesso, Lisboa

 

Foto inicial DAQUI

Um livro essencial!

por Paulina Mata, em 17.01.20

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Comprei o livro The Undiscovered Food Stories of Nothern Portugal um pouco por acaso. Estava num supermercado aqui do bairro, quem ia comigo perguntou-me se tinha visto o livro. Não, não tinha. Mas voltei atrás, dei com ele na prateleira de baixo, pouco visível. Peguei nele, adorei a capa e meti-o no carrinho das compras. Só já em casa, depois de o folhear, e principalmente de o ler, me apercebi do que tinha entre mãos. Há coisas que inevitavelmente o tempo vai mudar, não adianta resistir,  a forma como vivemos mudou. Há coisas que é importante registar. E este livro, muito centrado no mercado do Bolhão, regista muito do que era a vida e as vivências daquele mercado, e muito da cozinha e produtos da região norte do nosso país.

 

Tenho descoberto que gosto muito de livros sobre comida portuguesa escritos por estrangeiros. Têm uma visão diferente, valorizam coisas em que não reparamos, transmitem-nas de uma forma em que nos reconhecemos, e em que aprendemos muito. Este é escrito por uma americana, Gabriella Opaz, e por Sónia Andresson Nolasco, uma portuguesa a viver nos Estados Unidos. As belíssimas fotos são de Ryan Opaz. O casal Opaz fundou em 2005 a empresa Catavino que organiza circuitos e visitas relacionados com cozinha e vinhos em Espanha e Portugal. Inicialmente baseados em Barcelona, estão desde 2013 baseados no Porto. A certa altura decidiram que todo o conhecimento acumulado ao longo dos anos devia ser registado e partilhado. Assim nasceu o projeto deste livro.

 

Lembro-me de ir ao mercado do Bolhão em criança com uma tia que vivia no Porto. Não foram muitas as oportunidades, mas lembro-me da azáfama, dos pregões, do movimento. Anos depois voltei e encontrei um mercado do Bolhão já na sua fase de decadência, bem longe daquilo de que me recordava. O espírito do mercado do Bolhão encontrei-o neste livro, descrito de forma fascinante. 

 

Um mercado é sobretudo definido pelos seus vendedores, pelas relações que conseguem estabelecer. E foi isso que encontrei neste livro. Uma visão muito humana do mercado, das pessoas que quase lá nasceram e ali passaram toda uma vida. As caras, as histórias de vida. De repente a imagem um pouco decadente do mercado do Bolhão que tinha foi-se desvanecento, e foi voltando a imagem que ainda tinha de criança. Fui-lhe associando caras que possivelmente nunca tinha visto, histórias de vida e produtos que não conhecia.

 

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Tendo como elemento central o Bolhão e os produtos lá vendidos, várias regiões do norte e os seus produtos são introduzidos. Sempre de forma muito humana, associando as caras e histórias de quem os produz. Tanta coisa que não conhecia. Tantas coisas a descobrir.

 

Há capítulos sobre Pão, Frutas e Vegetais, Peixes e Mariscos,  Aves, Carne, Salsicharia, Doces e Café. Aqui e ali há uma  ou outra receita. Até lá descobri uma de um amigo de que há muito não sei nada.

 

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Um livro excelente!  Só não entendo uma coisa. Como é que não há uma versão do livro em português? Ainda entendo menos considerando que ele está traduzido.  

 

 

 

Até a Ladurée!!!

por Paulina Mata, em 16.01.20

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Uma transição na forma como nos alimentamos que está a ocorrer a grande velocidade. Até a Ladurée começa a ter lojas (no caso a de Beverly Hills) 100% veganas, em que os produtos são desenvolvidos de forma a que não percam as suas características habituais.

 

Há tempos uma aluna comentou que enquanto os movimentos gastronómicos e alterações na cozinha até aqui tinham sido sempre da iniciativa de chefes, já a autêntica revolução que está a acontecer não é da iniciativa deles, mas exigida pelos consumidores. Os profissionais de cozinha terão que se adaptar, não há mesmo alternativa. Não vai ser um processo fácil, mas certamente vai ser um processo fascinante e que vai exigir pensar completamente fora da caixa e muita criatividade.

 

 

Os sabores moçambicanos no Chiveve

por Paulina Mata, em 15.01.20

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Gosto muito de viajar à mesa, vários posts relatam essas viagens em Lisboa. Cada vez há nesta cidade mais restaurantes de cozinhas diferentes, e de vez em quanto dou umas escapadelas... mas frequentemente pelos sítios do costume. Este ano apetecem-me outras aventuras, quero viajar por mesas desconhecidas. Comecei logo a fazê-lo nos primeiros dias do ano. A viagem foi a Moçambique, à mesa do restaurante Chiveve, nome do rio que está ligado ao surgimento e desenvolvimento sócio-económico da cidade da Beira. 

 

O Chiveve, que abriu há pouco mais de um ano, tem um espaço amplo, confortável e com uma decoração moderna, apesar das muitas referências a artesanato moçambicano. Lá estão também dois bustos de um moçambicano que todo o mundo conhece - Eusébio. À frente do restaurante um casal de moçambicanos Scheila e Edner Abreu, ela na cozinha e ele na sala. Fomos recebidos com simpatia, e entusiasmo na apresentação dos pratos de uma cozinha que tem influências e sabores de diferentes cultura, em particular de África, Oriente e Europa, que lhe dão características especiais.

 

Começámos com umas Chamussas de Carne.

 

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Seguiram-se dois pratos que nos foram apresentados como pratos fortes da casa, o Caril de Camarão com Quiabos, e o Frango à Zambeziana. Ambos muito bons e bem confeccionados. 

 

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Para sobremesa foi-nos sugerida a Mousse de Malambe (o fruto do Embondeiro). Cremosa, mas com a acidez que lhe confere o fruto e lhe dá uma sabor exótico.

 

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Para além da cozinha moçambicana, também têm alguns pratos de cozinha portuguesa. Vou voltar pela moçambicana, pois a vontade de provar a Matapa com Peito de Caranguejo (com folha de mandioca, leite de coco e amendoim) é muita.

 

Chiveve - Rua Filipe Folque 19 - Lisboa

 

 

Mas o que é então o Beyond Burguer?

por Paulina Mata, em 12.01.20

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O mundo está a mudar a uma enorme velocidade, e o mesmo está a acontecer na forma como nos alimentamos e no que comemos. Grandes mudanças vão acontecer num futuro relativamente próximo, quer queiramos ou não... Uma das coisas que mudará será a forma como consumimos carne e peixe.  Por esta razão estão a surgir a um ritmo acelerado produtos verdadeiramente inovadores que mimetizam a carne e o peixe. Uns já disponíveis no mercado, e outros ainda em fase de desenvolvimento.

 

Os críticos destes produtos discutem a necessidade de imitar produtos de origem animal. Contudo, é um facto que há 2,5 milhões de anos consumimos carne, é verdade que o sabor da carne faz parte das nossas memórias de sabores mais profundas, e que muitos de nós gostamos muito de carne. É também um facto que a nossa forma de pensar uma refeição é baseada na carne ou no peixe como elemento central e depois vegetais para acompanhar. Estes hábitos enraizados não se mudam de um dia para o outro. E, de facto, desde há séculos que se desenvolvem produtos que mimetizam a carne.

 

Para facilitar esta mudança, porque o planeta o exige, há várias empresas a desenvolver produtos com um aspeto, uma forma de cozinhar e um sabor muito idêntico ao da carne. Várias empresas trabalham nesta área em várias partes do mundo, e em particular nos EUA. Curiosamente algumas financiadas por pessoas como Bill Gates, Leonardo di Caprio e outros nomes conhecidos que são há muito vegetarianos. Os frutos desta investigação estão já disponíveis no mercado. Produtos das marcas Beyond Meat e Impossible Foods são principalmente produtos semelhantes à carne picada, hambúrgueres e salsichas. Estas, e outras marcas que cada vez mais surgem, estão disponíveis no retalho e são servidas em restaurantes. Em termos de sabor e textura são produtos muito idênticos à carne, alguns muito difíceis de distinguir de um hambúrguer de carne comum ou de um pedaço de frango, por exemplo.

 

No caso do Beyond Burger, produzido pela empresa Beyond Meat, é baseado essencialmente em proteínas de ervilha, de arroz e de feijão mungo, gorduras vegetais, concentrado de  sumo de beterraba para a cor e algumas outras coisas:

Water, Pea Protein Isolate, Expeller-Pressed Canola Oil, Refined Coconut Oil, Rice Protein, Natural Flavors, Cocoa Butter, Mung Bean Protein, Methylcellulose, Potato Starch, Apple Extract, Pomegranate Extract, Salt, Potassium Chloride, Vinegar, Lemon Juice Concentrate, Sunflower Lecithin, Beet Juice Extract (for color), Carrot.

Tudo isto é depois tratado de forma a mimetizar a textura da carne. O sabor, como já referi é parecido, a textura e o aspeto também. Cozinha-se da mesma forma e até o cheiro é parecido. Permitem assim que quem sente a falta da carne reduza mais facilmente o consumo.

 

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Em termos nutricionais, são idênticos em valor calórico e conteúdos de proteínas e gorduras, têm até mais ferro, e têm a vantagem de não ter colesterol. Também não há o problema de poderem conter antibióticos,

 

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Em termos ambientais, também têm vantagens, consomem substancialmente menos água, precisam de menos terra e produzem substancialmente menos gases com efeito de estufa. 

 

Em termos de preço, no caso dos Beyond Burger, são mais caros ainda que os de carne, embora não proibitivamente caros. Uma embalagem com dois hambúrgueres custa cerca de 5 euros.

 

Estas imitações começam a ter cada vez mais qualidade e cada vez surgem mais opções com bases diferentes, sejam hambúrgueres, frango bacon, peixe... Acredito que farão parte de muitas das nossas refeições no futuro.

 

 

1ª Imagem DAQUI

2ª Imagem DAQUI

3ª Imagem DAQUI

 

 

Substitutos da carne baseados em plantas - cada vez mais parecidos e mais acessíveis

por Paulina Mata, em 11.01.20

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Há dias li um artigo que se intitulava Alain Ducasse slams plant-based meat products like Beyond Meat. Nele Ducasse era descrito como um chefe que respeita a natureza e a sazonalidade, tendo inclusivamente um menu vegetariano no Plaza Athenée. Falavam do facto do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas ter aconselhado uma redução de 50% no consumo de carne. Ducasse concordava que não é necessário comer tanta carne como comemos, e dizia que no futuro se comeria muito menos carne, mas de melhor qualidade e de animais criados de uma forma menos prejudicial para o ambiente. Até aqui tudo ia bem.

 

Mas a certa altura resolveram perguntar-lhe sobre os substitutos da carne baseados em plantas, como o Beyond Burguer e o Impossible Burguer, pois estas empresas, entre outras que produzem substitutos da carne, têm visto os seus lucros crescerem a pique, já que os seus produtos têm tido uma enorme aceitação e sucesso. O chefe foi menos entusiástico sobre eles, o que também não me admirou. Ducasse é Ducasse, e certamente não terão lugar nos seus restaurantes, nem é esse o público alvo.  O que me admirou foi terem-lhe feito perguntas sobre este assunto, mas tudo bem... O pior foi a resposta... Tal como seria provável Alain Ducasse não sabia do que estavam a falar, não o assumiu, mas foi fácil ver pela sua resposta:

“ainda acreditamos que precisamos que pareça carne picada, mas não precisamos que um picado vegetal pareça picado carne, deve parecer uma mistura de vegetais, ponto final. ”

 

Hoje ao ler no Público um artigo sobre um novo restaurante em Lisboa, vi que os hambúrgueres que serviam eram da Beyond Burguer e lembrei-me da entrevista a Ducasse. Lembrei-me também que há muito que andava para escrever um post sobre estes hambúrgueres e achei que era a altura.

 

A primeira vez que comi um hambúrguer da Beyond Burguer, penso que foi há cerca de um ano. A minha filha comprou uns, pois andava muito entusiasmada para provar, já que tinham começado a ser comercializados no Reino Unido, embora já estivessem disponíveis nalguns restaurantes. Achei que era uma excelente imitação de carne e que teria dificuldade em os distinguir de hambúrgueres idênticos de carne. Na altura não se vendiam cá e de uma vez que fui a Inglaterra trouxe uns para dar a provar aos meus alunos. Estavam 15, quase todos cozinheiros, e todos disseram que não diriam que não era carne. Claro que não são uns hambúrgueres de uma carne picada à mão, devem ser comparados com outros hambúrgueres disponibilizados para consumo corrente. Posteriormente, soube que se vendiam em Portugal, na Makro e no Continente e já tenho comprado (penso que não estão disponíveis em todos, tenho comprado on-line).

 

Os hambúrgueres da Beyond Burguer (na foto inicial do post) não são vegetais picados aglomerados, envolvem muito mais investigação e tecnologia. Um trabalho que vai muito para além do que é possível fazer numa cozinha. O público alvo nem são necessariamente veganos, até já ouvi alguns dizerem que não os conseguem comer, tal a semelhança com a carne. Até o cheiro quando são cozinhados é parecido. O público alvo são aqueles que querem reduzir o consumo de carne, os flexitarianos, e pelos vistos são bastante. Uma polémica recente no Reino Unido com a Burger King, que passou a vender hambúrgueres 100% de origem vegetal, parece demonstrá-lo. Este produto não é anunciado como vegano ou vegetariano, pois é cozinhado na mesma grelha que os hambúrgueres de carne, destinando-se principalmente aos flexitarianos.

 

Mas o que é então o Beyond Burguer?  Fica para o próximo post que este já vai longo...

 

1ª Foto DAQUI  

 

Chica Chica Boom - uma viagem pelos sabores do Brasil

por Paulina Mata, em 10.01.20

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O jantar foi nesta mesa. Um jantar especial, com pessoas especiais, todos ex-alunos.  O local foi o Chica Chica Boom, um restaurante de cozinha brasileira, em frente ao Museu da Carris. Três amigas brasileiras (a Jéssica Torres do Rio de Janeiro, a Carla Upiati de Brasília e a Gabriela Loureiro do Paraná) todas cozinheiras, todas com experiências diferentes, todas a viver e trabalhar em Lisboa há alguns anos, todas tendo passado por muitas cozinhas de restaurantes de renome, decidiram abrir, no início do verão passado, o seu próprio espaço em Lisboa, o Chica Chica Boom, nome inspirado na música de Cármen Miranda. A escolha para o jantar não foi por acaso. Foi porque a comida é muito boa, o espaço muito aconchegante e porque a Gabriela também pertence ao grupo dos ex-alunos. Torna o jantar mais emocionante, mas não influencia as apreciações. Juro!

 

Ao entrarem pela primeira vez no espaço do restaurante a Gabriela, a Jéssica e a Carla souberam que era ali, parecia quase que estavam a entrar em casa da avó... Herdaram a decoração do projeto anterior, apenas lhe deram um toque mais pessoal. Móveis antigos, muitos espelhos, quadros, livros, peças diversas... quase excessivo, mas com personalidade. Em casa da avó partilha-se a comida, e no Chica Chica Boom também. Cozinha brasileira, das várias regiões do Brasil, tal como elas, alguns pratos re-interpretados. Ou seja é a cozinha delas... o que envolve usar as técnicas que foram aprendendo ao longo dos anos em muitas cozinha de renome. O resultado... pratos deliciosos, sabores bem definidos e bem combinados. Uma cozinha conforto, mas com alguma inovação.

 

Éramos um grupo grande, deu para provar muita coisa.

 

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Chips de raízes

 

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Caldinho de feijão com espuma de espinafres

 

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Coxinhas de galinha (e também as houve vegetarianas)

 

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Tártaro do Sertão

(batata doce, mandioca, quiabo, chuchu e abóbora picados, maionese com mostarda)

 

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Sandes de carne de panela

 

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Rolinho de moqueca com espuma de coco  (delicioso!)

 

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Pão de queijo e goiabada arretada

 

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Escondidinho de vazia (e também houve de cogumelos)

 

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Pica-pau de coração de galinha

(inspirado no nosso pica-pau, mas aqui com corações de galinha)

 

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Camarão na Moranga

(abóbora recheada com camarão, creme de catupiry e palmito)

 

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Barreado

(O nome vem do facto da carne ser cozinhada numa panela vedada ou barreada com uma mistura de farinha, cinzas e água, sendo a cozedura lenta e em lume muito brando. Come-se com banana e farinha de mandioca, que no prato é escaldada com o caldo bem quente. Há quem diga  ser uma herança deixada pelos portugueses, mais especificamente pelos açorianos, tanto mais que tradicionalmente era cozinhado em buracos no chão que eram previamente aquecidos com uma fogueira.)

 

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Bolo de chocolate com cupuaçu

 

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Torta paulista

(Um bolo de bolacha, mas com creme de amendoim e doce de leite)

 

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Bolo de coco com creme inglês

 

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Brigadeiro de colher com peta-zetas

 

Poder viajar à mesa em Lisboa pela mão da Gabriela, da Carla e da Jéssica é um privilégio. Gostei mesmo muito. Porque a comida é muito boa  (muito mais apetitosa do que as fotos demonstram, mas a luz em casa das avós nunca é a ideal...). Porque cada vez gosto mais destes projetos pequenos, com personalidade, e em que se nota a paixão e a dedicação.

 

Experimentem e contem!

 

Chica Chica Boom -  Calçada Santo Amaro, 6 -  Lisboa

 

1ª Foto DAQUI

 

 

Que 2020 seja um bom ano!

por Paulina Mata, em 04.01.20

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Que 2020 seja um bom ano! Já não peço que seja um ano excelente, óptimo, feliz...  Nesta época um pouco louca em que vivemos, se for bom já vale muito.

 

O meu começou com uns dias a preguiçar, e com a realização, logo no dia 1, de um projeto que há muito queria pôr em prática, um afternoon tea vegano para um lanche em família. Agora é fazê-lo melhor ainda e mais variado. 

 

Aqui fica também um desejo. Este depende de vós... Que os comentários anónimos deixem de ser completamente anónimos. Não preciso de saber o nome real e não preciso de associar cada nome a uma cara. Mas cada um de vós tem uma personalidade que vamos aprendendo a conhecer. Se são todos apenas anónimos fica difícil fazê-lo. Não tenho que vos conhecer melhor, mas é mais interessante se assim for... Podem ser o Anónimo nº 99, o Anónimo dos Olhos Azuis (mesmo que os tenha castanhos)... o que quiserem! O objetivo é associar cada conjunto de comentários a uma pessoa.  Gostava muito!

 

Mais uma vez um BOM 2020 para todos!