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Assins & Assados

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20
Out19

Sem natas... Sem leite... Sem ovos... Mas com muito sabor!

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Os pastéis de nata da Pastelaria Batalha na Praça Luís de Camões têm fama, já foram até considerados os terceiros melhores de Lisboa no concurso O Melhor Pastel de Nata, organizado durante o Peixe em Lisboa

 

Há cerca de dois meses vi várias notícias de que tinham lançado um pastel de nata vegano.  Fiquei curiosa, e recentemente fui lá.  O aspeto é muito parecido com a versão tradicional. Lado a lado há uma pequena diferença, os tradicionais são mais brilhantes:

 

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Chegou a hora de o provar... A massa era excelente! Não esperava outra coisa, deverá ser a mesma dos pastéis tradicionais. O recheio agradável, saboroso e cremoso. Muito parecido com o de um pastel de nata tradicional. Sorte para os veganos e as pessoas com alergias ao leite ou aos ovos, que agora podem comer um bom pastel de nata também.

 

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Uma boa iniciativa da Pastelaria Batalha, que a executou com grande qualidade!  Parabéns.

 

Pastelaria Batalha - R. Horta Seca 1, Lisboa

 

 

18
Out19

As conversas da mesa ao lado que teimavam em confirmar que o que tinha acabado de saber não era justo...

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Às vezes é difícil não ouvir as conversas das mesas ao lado... 

 

Enquanto comia o meu Carpaccio de Mão de Vaca com Grão, na mesa ao lado passava-se o seguinte:

 

Chegou o Ceviche Prestige e a conversa foi:

Ela - UAU!

Ele - O que eu gosto aqui é que é tudo genuinamente diferente.

Ela (depois de provar) - Adoro! Se não fosses tu nunca ia conhecer este lugar.
[...]
Ele (depois de provar o Bao de Corvina) - Hoje ainda está melhor do que da última vez que cá estive.
 
 
Eu suspirei... o meu prato também estava muito bom. Pena não o poder comer muito mais vezes... 
 
 

 

 

12
Out19

Não estará a Universidade de Coimbra a desempenhar o seu papel?

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Lembro-me de ter lido há alguns anos que os descendentes de emigrantes perdiam mais rapidamente a língua do país de origem do que o tipo de alimentação. De facto o que comemos está profundamente relacionado com a nossa cultura, experiências e meio social. No entanto, em última análise, o que comemos e a forma como comemos é profundamente pessoal. De tão enraizados que estão os nossos gostos e hábitos, eles servem de conforto quando estamos fora do nosso ambiente, e em épocas de mudança ou de crise. Se sentirmos que são ameaçados, tal é sentido como uma ameaça muito mais profunda do que a relacionada apenas com aquilo que comemos.

 

Sempre achei curioso observar as reações das pessoas relativamente ao que surge de novo, relativamente ao que quase vêem como uma ameaça. Não quer isto dizer que os hábitos não mudem, a reação é relativamente ao que vem de fora, àquilo que as pessoas receiam que lhes vá ser imposto. Lembro-me de em conversas sobre novas técnicas de cozinha, aqui há uns 10 anos, me terem perguntado  "Mas vamos continuar a comer ensopado de borrego?". Acho que as reações fortes a veganos e ao que comem também são de certa forma justificadas por isto (embora possam existir outras componentes). Mas a ameaça que refiro hoje é outra...

 

Recentemente o Reitor da Universidade de Coimbra proibiu o consumo de carne de vaca nas cantinas e bares da Universidade. Tem sido curioso ver as reações e argumentações, em que nunca vi uma discussão séria e profunda do assunto, baseada numa fundamentação sólida, mas que consistem sobretudo em desacreditar,  chegando por vezes até ao insulto. Também nelas se sente a reação a uma ameaça. Uma ameaça bem mais profunda do que a justificada pelo facto de não ser servida carne de vaca nas cantinas da Universidade de Coimbra. Um local onde, curiosamente, as pessoas que reagem desta forma nunca irão comer, e a maioria nunca comeu. Contudo, aqueles que lá comem, os estudantes, compreendem e apoiam a medida.

 

Não sou adepta de proibições, mas mais de informar e educar. Nunca tinha pensado numa medida como esta, e só depois de se ter começado a falar dela me apercebi que já tinha sido tomada noutras Universidades, por exemplo Cambridge e Goldsmiths - University of London. Tenho pensado sobre ela e, neste momento, mais do que uma proibição, vejo-a como uma forma de alertar, sensibilizar e contribuir para alterar hábitos.

 

Nas cantinas das Universidades a presença da carne de vaca não é a mais comum, não vai mudar muito o estilo de alimentação, apenas alguns pratos. Nas cantinas das Universidades, o objetivo é mais manter um preço baixo do que a qualidade. Assim duvido que a carne servida seja de grande qualidade, possivelmente até é carne de produção intensiva, importada de um qualquer outro país (segundo a Balança Alimentar Portuguesa 2012 - 2016 do INE  nesse período importámos 52,7% da carne de bovino consumida). Assim, à pegada da carne de vaca (muito maior do que das outras carnes), junta-se a do transporte e da necessária refrigeração. Não vou discutir se se justifica ou não, não vou discutir se o impacto tem algum efeito para combater as alterações climáticas (os atos de cada um individualmente possivelmente não terão, mas somos muitos milhões neste planeta e os de todos terão...). Mas também não acho que esse seja o aspeto mais importante.

 

Note-se que mesmo antes dessa proibição ter sido implementada, o efeito já foi marcante. Toda a gente falou do assunto. E, seja qual for a forma como se falou, as pessoas ficaram despertas para o problema. Umas tentarão resistir comendo ainda mais carne, fazendo churrascos à porta da Universidade (li algures que tal estava planeado). Outros ficarão sensibilizados para o assunto e começarão a pensar nos seus hábitos alimentares, e procurarão informação para os alterar. E é necessário alterá-los. Pelo clima, pelo planeta, pela nossa saúde. Um artigo recente do jornal Público referia um estudo que concluiu que as crianças portuguesas comem quatro vezes mais proteínas  do que necessitam, e que estas são provenientes em grande parte de carne e de laticínios.

 

Há dias, ao falar deste assunto, alguém me perguntava, interpretando a proibição como uma restrição à liberdade individual, "Então e se algum estudante quiser comer carne de vaca, não pode?". Claro que pode, atravessa a rua e vai à tasca em frente. O mesmo que faz se quiser comer inúmeras outras coisas que não são servidas nas cantinas. Pode também comer outras carnes na cantina, as características nutricionais da sua alimentação não ficam muito alteradas por não comer carne de vaca. A maioria dos portugueses nem a consome muito (segundo a Balança Alimentar Portuguesa o consumo de carne de bovino corresponde a 21,5% da carne consumida, enquanto o porco corresponde a 31,5% e as aves 36,7%).

 

O papel das escolas é sensibilizar e educar, e neste aspeto acho que a Universidade de Coimbra está a desempenhar o seu papel. Esta medida terá certamente um efeito muito maior do que o estritamente relacionado com a carne de vaca consumida nas cantinas. Um efeito ampliado que é fundamental, pelo ambiente e pela nossa saúde, e até pode servir de incentivo a alterações importantes que promovam uma alimentação mais equilibrada, já que cada vez nos desviamos mais do ideal. 

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11
Out19

NOAH - uma óptima descoberta!

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Há dias vinha a descer a Av. Guerra Junqueiro e entrei na Mercearia Criativa. A ideia era comprar qualquer coisa para lanchar. Olhei para o frigorífico logo à entrada e vi umas embalagens bem atraentes. Parecia queijo, e quando olhei melhor vi que era um "queijo" vegano. Foi isso que comprei.

 

Ao desembrulhar, o aspeto de um queijo seco deixou-me curiosa.

 

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Cortei e a textura era também muito parecida à de um queijo seco. O sabor, muito agradável. Comi logo ao lanche a parte que cortei.

 

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Com o número cada vez maior de pessoas veganas ou intolerantes à lactose, este mercado tem crescido. Qualquer supermercado tem agora "queijos" de origem vegetal. Alguns desempenham o seu papel, e até de forma tão boa como outros queijos industriais. Mas aqueles que são bons, que valem por si e dão vontade de comprar de novo não são muitos. Tinha encontrado um!

 

É um queijo artesanal, feito pelo Projeto Romã numa quinta em Palmela, e com muita qualidade. Um produto que não tem necessariamente que ser visto como um substituto do queijo, pois vale por si. A base é caju e a mistura é fermentada.

 

Passei na Mercearia Criativa mais tarde e comprei mais dois, o LEIA com ervas aromáticas, e o NOEMI umas bolas de "mozzarella" vegana. Também bons, mas o NOAH continua o meu preferido.

 

É bom ver esta criatividade e estes novos produtos, ainda desconhecidos de muitos, que têm o seu lugar nas nossas mesas e acredito que cada vez mais o vão ter. Muito bom!

 

 

07
Out19

In Between - Um almoço feito a quatro mãos, mas como grande coerência estética

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Há pouco mais de uma semana estive no almoço / performance In Between integrado na Lisbon Food Week com o Tiago Feio e a Ana Raminhos.

 

Descrito no programa do evento da seguinte forma:

Um almoço/performance onde exploramos a dicotomia Lisboa/natureza. Começamos com uma série de oposições binárias muito simples: natureza versus gastronomia, interior versus exterior, complexidade versus simplicidade. Ao estabelecermos oposições binárias simples como ponto de partida para este projeto, permitimos que o campo de testes seja o espaço intermédio, o lugar de complexidade, um lugar mais rico. Para este projeto reconhecemos o contraste aparente entre a cidade artificial e o natural, mas também entendemos a cidade como viva e orgânica. Como uma floresta, Lisboa é uma estrutura de vida: sólida, mas também nebulosa, bonita em qualquer momento, mas em constante mudança.

 

O almoço decorreu no último andar das Carpintarias de São Lázaro, um espaço cultural multidisciplinar (artes visuais, música, teatro, dança, cinema... e até gastronomia) e contemporâneo. Desta vez  papel central era o da gastronomia. O espaço enorme e completamente nu, ainda a destacava mais. A única distração possível era a vista da cidade através das enormes janelas. Porém, a cidade era um elemento inspirador, e também integrante, do projeto. Haveria melhor zona da cidade para o almoço decorrer do que aquela onde estávamos, com a sua grande complexidade e diversidade e a consequente riqueza? 

 

Chegámos e não havia mesa, nem cadeiras... nada, apenas algumas ripas de madeira em dois montes. Formavam dois paralelepípedos idênticos. Estávamos numa antiga carpintaria... fazia sentido. De copo na mão andávamos por ali, vendo a cidade e trocando algumas palavras com o Tiago Feio e a Ana Raminhos, que ultimavam os preparativos num espaço minimalista ao fundo - quase sem equipamento e sem água. Apenas duas mesas pequenas.

 

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A certa altura a Ana e o Tiago construíram a mesa. E nós íamo-nos interrogando - o que era? como funcionaria?

 

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Surgiram também umas almofadas brancas que puseram à volta. Era a nossa mesa e íamos comer sentados no chão. Assustou-me... acreditem que sim! Estar ali algumas horas sentada no chão... não ia ser fácil.

 

Ocupámos os nossos lugares vieram os talheres...

 

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Logo a seguir começou a refeição, que se desenrolou em 8 momentos.

 

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Cuscos de Trás-os-Montes cozinhados como se fosse um arroz cremoso, Romã

 

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Emulsão de azedas com limão e mel, Uvas, Bolo esponja com matcha e uma variedade de ervas aromáticas

 

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Nas mesas do fundo o trabalho continuava para que a comida chegasse à nossa mesa, trazida pelos chefes e pela Ana Cachaço.

 

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Gema curada, Caldo de cebola caramelizada, Trigo sarraceno, Halófitas e Beldroegas

 

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Puré de shiitake, Espinafre selvagem e Crocantes de sementes

 

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Novilho dos Açores, Iogurte de alho fermentado e Pickles de alga kombu

 

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Toffee de molho de soja, Gelado de sésamo negro, Carvão ativado e pó de sésamo negro

 

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Canudo de massa folhada com Ganache de azeite e sal

 

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Choux à la crème, Creme de vinho Madeira, Noz moscada

 

Um almoço feito a quatro mãos, mas como grande coerência estética. Uma estética própria, não só visual como de sabores.  Sabores bem definidos, fortes, e alguns pouco habituais. E Lisboa sempre ali em frente, a "temperar" cada momento. Muito bom . Aqui e ali discutia-se o preferido. Eu gostei de todos.

 

A sequência dos pratos, a sua diversidade, a expetativa, a curiosidade, e quase me esqueci que estava sentada no chão. Está bem que me fui levantando de vez em quando. A mesa também era muito orgânica, quase viva, reagia a estímulos, permitia mudanças. E do meu lado foi mudando ao longo do tempo... e acabei encostada à parede. Tudo sabia ainda melhora assim.

 

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A comida é muito mais do que o que está no prato, e todas estas componentes adicionais a tornam ainda mais interessante.

 

 

 

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