Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Assins & Assados

Assins & Assados

28
Fev19

Quando quase se escreve um post que... já estava escrito...

Zaytouna.jpg

 

rosa.jpg

 

Há dias referi a diversidade de novas coisas que têm aberto na zona do mercado de Arroios. Uma delas é a Zaytouna, uma mercearia com produtos do Médio Oriente que abriu há alguns meses numa das lojas exteriores do mercado.

 

Entrei para ver, não estava a pensar comprar nada, mas saí com uma garrafinha de água de flor de laranjeira. A caminho de casa vinha pensando em como há uns anos havia tantos ingredientes que era necessário trazer quando se viajava, mas agora em Lisboa há uma oferta vasta de produtos e sabores de outras paragens. Vinha também antecipando fazer um "café branco". Depois, ao bebê-lo, recordei a primeira memória que tenho de comer algo com água de flor de laranjeira - os Ovos à Antiga do Restaurante Conventual - nos anos 1980. Quase me ia sentar para escrever sobre isso, mas de repente surgiu-me um dúvida... uma pequena busca e o post estava lá, relatando tudo isto. 

 

Mas a água de flor de laranjeira despertou-me a vontade de fazer uma outra sobremesa muito simples e de que gosto muito, uma sobremesa que aprendi a fazer há muitos anos nas aulas da Cozinhomania, uma salada de laranja com água de flor de laranjeira. Rodelas de laranja descascada, uns salpicos de água de flor de laranjeira, um pouco de açúcar e canela e umas folhas de hortelã. É delicioso!

 

salada de laranja m.jpg

 

No Zaytouna ficaram-me os olhos num saco de lima secas, e a vontade de passar lá para as comprar e cozinhar. Nunca cozinhei nada com limas secas. Hei-de ir comprá-las, mas antes tenho que planear o que cozinhar com elas.

 

 

1ª foto DAQUI

2ª Foto DAQUI

 

 

23
Fev19

Estamos numa época de mudança e é muito interessante acompanhá-la

vgsroll2.jpg

 

verde escuro.jpg

 

 

Uma notícia que li há pouco, sobre o aumento de lucros da cadeia de bakeries (nunca sei como traduzir, nem sei se temos palavra correspondente) Greggs, fez-me relembrar o início de Janeiro. 

 

A 3 de Janeiro a minha filha mandou-me a foto acima, dois sausage rolls veganos que tinha comprado. Tinham sido lançados naquele dia pela Greggs. A campanha publicitária tinha sido excelente (filme promocional aqui) e eram esperados com grande ansiedade. Eram o resultado de um processo de desenvolvimento de quase um ano, em consequência do enorme aumento da procura por produtos vegetarianos e veganos e, em particular, em resposta a uma petição on-line iniciativa da PETA  (People for the Ethical Treatment of Animals) e assinada por mais de 20000 pessoas que pedia uma versão vegana do produto mais vendido pela Greggs.

 

Imediatamente começou um enorme debate, nalguns casos com posições extremas, que foi objeto de vários artigos na imprensa. Algumas pessoas felizes, já que os sausage rolls têm um lugar especial nos hábitos alimentares dos ingleses e estão muito enraizados na sua cultura gastronómica, e finalmente iam poder voltar a comê-los. Tinha sido uma opção não comerem carne, mas sentiam a falta dos sausage rolls. Outros discutiam se se podiam chamar de sausage rolls, já que não tinham porco, procuravam encontrar defeitos, e chegavam a considerar que era quase um ultraje o Greggs vender sausage rolls veganos, sentiam-no como uma traição ou uma ameaça.  Alguns achavam que o facto de terem sido lançados na altura apenas em cerca de metade da lojas representava um juízo de valor relativamente às localidades onde não foram vendidos logo nos primeiros dias. Alguns desesperavam, as lojas já os tinham, mas não tinham as pinças para os servir, estas tinham que ser diferentes para não haver contaminação cruzada com os produtos contendo carne. Enfim, tudo reações fortes...

Tal não aconteceu quando outras cadeias lançaram produtos veganos. Era referido que outras cadeias eram bastante globais, e menos enraizadas na cultura britânica. A situação da Greggs é particular, é a maior cadeia de bakeries do UK, e provavelmente a mais antiga (desde 1951), com quase 2000 lojas, cujos lucros aumentaram em 2018 quando a generalidade das cadeias sentia dificuldades. Vende basicamente produtos tradicionais, a preços relativamente baixos, vendendo mais de 1,5 milhões de sausage rolls por semana.  Os motivos para a forte reação, em que havia pessoas que diziam que tinham sido coisas como aquela que as tinha feito votar a favor do Brexit, ou que nunca mais entrariam num Greggs, eram, segundo alguns, razões políticas e de classe. 

 
Tudo isto, que fui acompanhando nos primeiros dias deste ano era muito interessante. Dois dias depois do lançamento estive com a minha filha, que antes passou num Greggs para comprar sausage rolls veganos para provarmos. Eram bons, tão bons como me lembrava da versão com carne. No dia seguinte, a caminho do autocarro, passei em frente de um Greggs e comprei um, mas de carne, ainda tinha a memória fresca do vegano e queria comparar. Sabores idênticos, a textura do recheio do vegano era um pouco mais densa.
 
Regressei e não voltei a comer mais nenhum, mas o sucesso continua, a vendas continuam a subir e os lucros ultrapassaram as expetativas da empresa. Dizem que possivelmente não apenas devido à venda de sausage rolls veganos, mas também à publicidade associada. 
 
Um fenómeno interessante, estamos verdadeiramente numa época de mudança a que é muito interessante assistir. Não só assistir à mudança,  como às reações das pessoas perante ela. 

 

 

18
Fev19

Se forem ao Fome, vão com muita fome

IMG_20180626_201907.jpg

 

amarelo.jpg

 

 

Estava com fome, e também com saudades de ir ao Fome. A escolha foi óbvia para o jantar de sexta feira, fui ao Fome matar a fome e matar as saudades. Quando me trouxeram o quadro com os pratos do dia e me explicaram cada um, pensei que não ia ser fácil decidir e, obviamente, pensei que tinha que voltar breve. Cheguei mesmo a pensar voltar no dia seguinte, não aconteceu, mas não vão faltar muitos dias, porque não deu para matar as saudades todas, porque gosto muito do Fome. Gosto da comida, gosto do espaço bonito, do ambiente acolhedor e da forma simpática como nos recebem. Gosto de haver sempre novas coisas para experimentar, e da sensação de que tenho andado a perder muito, e que seja o que for que escolha vou falhar alguma coisa de que ia mesmo gostar...

 

Trouxeram-me um tabuleiro com vários pratinhos e um cesto de pão, perguntaram-me o que queria escolher para couvert. E eu escolhi:

 

IMG_20190215_202409.jpg

Hummus de lentilhas com papadums e corações de frango

 

Nunca me tinham servido corações de frango no couvert, não será para toda a gente, mas o tabuleiro tem várias opções e cada um escolhe o que quer. Souberam-me bem, mas o que de facto me encheu as medidas foi o hummus de lentilhas com papadums. Delicioso e com um sabor muito elegante!

 

Por esta altura a temperatura acolhedora da sala, a música e o ambiente agradável, em que se via que toda a gente estava curiosa com a comida e satisfeita também, já me tinham feito esquecer o longo dia de trabalho sentada em frente do computador.

 

IMG_20190215_205232.jpg

Mexilhões com molho à tailandesa

 

Vieram os mexilhões, para abrir o apetite para o prato seguinte. E abriram mesmo, com os seus suaves sabores exóticos.

 

Seguiu-se o prato principal, uma coisa que não comia há muito:

 

IMG_20190215_210306.jpg

Sável frito com açorda de ovas

 

Tudo muito bom! Com alma e personalidade. 

 

Já estava quase sem fome, mas a gulodice fez-me escolher uma das sobremesas. Já ela estava sobre a mesa, fizeram-me sinal para esperar e trouxeram-me um mimito, um pequeno bao recheado com corvina e com molho béarnaise. Delicioso! Para a mesa ao lado, onde estava um casal francês, chegou a dose completa de três pequenos baos. Eles também adoraram. Até lamberam os dedos!

 

Foi a vez da sobremesa, fiquei indecisa entre a torta de laranja, que já lá tinha comido antes e que acho quase igual à que a minha Mãe fazia, e o creme brûlée de abóbora. Decidi-me por este que ainda não tinha provado.

 

IMG_20190215_212052.jpg

 

Saí a pensar que é uma sorte ter o Fome aqui tão perto. Esta semana vou voltar para experimentar mais uns pratos. Se forem ao Fome, vão com muita fome, pois há muita coisa boa por onde escolher,

 

Vivo perto do mercado de Arroios há muitos anos, era uma zona em que não havia nada, com as obras no mercado e a opção das lojas exteriores passarem a ser restaurantes, apareceram muitas coisas interessantes, não só no mercado, como à volta deste (como é o caso do Fome). Projetos pequenos, feitos com muito esforço e paixão. É uma zona que está a ficar muito agradável. Vale a pena ir! É importante ir!

 

 

Fome  -  Rua Ângela Pinto 4 - Lisboa

(Aberto aos jantares e sábado ao almoço, fecha ao domingo e segunda).

 

 

17
Fev19

A minha estranha relação com o bacalhau

linguas_de_bacalhau m.jpg

 

rosa.jpg

 

 

Era certo e sabido que à sexta feira a hora da refeição era tensa. Em criança / adolescente vivia numa pequena localidade da Beira Baixa, a disponibilidade de peixe não era a atual e, lá em casa, à sexta-feira não se comia carne. Recorria-se frequentemente ao bacalhau. Não gostava de bacalhau, não queria comer, mas a minha Mãe insistia que comesse... Eu não conseguia achar graça aquilo...

 

Hoje como bacalhau, com gosto. Mas se, de repente, me perguntarem se gosto de bacalhau, e me derem apenas uns segundos para responder, não responderei com convicção que sim. Talvez até diga que não, também se convicção. Hoje como bacalhau, e gosto, de alguns pratos gosto muito. Contudo, raramente cozinho bacalhau.

 

Lembro-me de ter saudades de bacalhau num ano em que vivi fora, quase há 30 anos. Vim no Natal e levei um bacalhau. Fiz pastéis de bacalhau, bacalhau assado, bacalhau à Braz...

 

Considerando esta minha estranha relação com o bacalhau, nunca me aventurei por aquelas partes "menos nobres" deste - caras, línguas, sames... Nunca entraram na minha cozinha, nem na da minha família. Lembro-me de uma das minhas irmãs (cujo aniversário seria hoje) me dizer que estava a cozinhar caras de bacalhau. Fiquei com a cara meio franzida, não achei de todo atraente (e continuo a achar que nunca comi). Há uns anos comi sames, adorei! Nunca cozinhei, mas já voltei a comer várias vezes. Gosto daquela textura. 

 

Há umas semanas, para uma demonstração de emulsões para uma aula, um dos meus alunos (por sinal brasileiro) sugeriu fazer um pil-pil com línguas de bacalhau. Tive que admitir que nunca tinha cozinhado línguas de bacalhau, nem as sabia cozinhar, ele fez.

 

Uns dias depois fui ao supermercado e vi à venda línguas de bacalhau. Achei que era altura de lhes dar uma oportunidade, e trouxe uma embalagem. Fiz línguas de bacalhau panadas. Gostei de ficar mais "esperta" com a experiência de cozinhar uma coisa diferente. Souberam-me bem com um arroz de tomate* com pimento. Mas a sensação continua a ser a mesma - gosto, mas... Nem sei o que é o mas... mas que há sempre alguma resistência, há.

 

Ao lado estavam embalagens de sames, um dia destes dou-lhes a oportunidade de entrarem na minha cozinha.

 

 

* Pois, eu sei que não é altura do tomate, mas usei tomate em conserva. A atual obsessão com a sazonalidade às vezes quase leva a que se esqueçam coisas bem importantes e interessantes.

Em miúda lembro-me de na época do tomate a minha Mãe fazer conserva de tomate em casa. Vivíamos numa localidade pequena da Beira Baixa, o acesso a vários produtos era limitado. No quintal havia muito tomate no verão, que não consumíamos todo, fazia-se conserva para o inverno e também  muito doce de tomate (o único que havia, a par da marmelada).  Gosto deste conhecimento, e do engenho e arte para desenvolver técnicas para conservar alimentos, e dos novos sabores desses alimentos.

O sabor do tomate em conserva no inverno faz parte das minhas memórias gastronómicas e não tenho nada contra ele, antes pelo contrário. E, já agora, temos mesmo ótimas conservas de tomate produzidas pela indústria alimentar.

 

 

1ª foto adaptada DAQUI

 

 

11
Fev19

Uma boa forma de começar um fim de semana, com boa comida e num espaço muito bonito.

imagem 1.jpg

 

amarelo.jpg

 

 

Na mesa ao lado da nossa estava uma família de quatro pessoas originárias de um qualquer país asiático.  Mais adiante, uma jovem também asiática comia sozinha. Estava no O Asiático do Kiko Martins. Tive vontade de lhes perguntar o que achavam da comida, e como viam aquela interpretação da cozinha asiática.  Esta pergunta, que lhes gostaria de ter feito mas não fiz, é uma que me ponho muitas vezes. Como vêem as pessoas originárias de uma dado país, a sua comida e os seus sabores interpretados por pessoas com outras culturas gastronómicas? 

 

Sem ter tido a coragem de satisfazer esta minha grande curiosidade, aproveitei para satisfazer outra: Como era o brunch no O Asiático?

 

Havia três hipóteses de escolha, escolhemos duas (Brunch Ramen e Brunch Bao) que partilhámos. Comum aos dois menus chegou:

 

IMG_20190120_123421.jpg

Seleção de Pães (Bao, Flat Bread, Croissant, Manteiga, Manteiga de Kimchi e Compota de Goiaba)

 

Com os pães veio ainda um prato com fiambre e outro com queijo. Pediram-nos que escolhêssemos o sumo que desejávamos. Os gostos dividiram-se entre Sumo de Maracujá e Coco e Sumo de Cereja e Yuzu. Foi um bom começo, uma boa variedade de pães com características distintas, que podiam ser comidos com acompanhamentos que satisfaziam aqueles com gostos mais tradicionais, mas também quem gosta de um pouco de aventura.

 

Untitled.jpg

Tapioca Cremosa de Coco com Maracujá

 

Com o estômago aconchegado, passámos para um excelente prato, o primeiro que de facto nos levava a viajar até à Ásia.

 

IMG_20190120_125032.jpg

Ovo a Baixa Temperatura, Camarão e Cogumelos Shiitake

 

Terminada a parte comum dos dois menus, passámos aos pratos seguintes do Brunch Bao:

 

IMG_20190120_125101.jpg

Guiozas de Lavagante, Porco Preto e Sake

 

IMG_20190120_130122.jpg

Bao Surf & Turf (Pão ao Vapor, Barriga de Porco Confitada, Camarão e Wasabi)

 

Passámos finalmente ao último prato do Brunch Ramen:

 

IMG_20190120_130246.jpg

Ramen de Porco Preto, Noodles de Arroz, Algas e Pak-Choi

 

Terminei com um Café Vietnamita.

 

IMG_20190120_134033.jpg

 

Uma boa forma de começar um fim de semana,  um brunch diferente, generoso e muito agradável, num espaço muito bonito.

 

imagem 2.jpg

 

Muitas vezes tenho falado dos altos preços. Impõe-se que aqui fale do preço justo destes brunches (Brunch Ramen 22,30 €; Brunch Bao 23,70 €  - com tudo o que referi incluído).

 

O Asiático - Rua da Rosa 317, Lisboa

 

1ª e última fotos DAQUI

3ª foto DAQUI

 

 

08
Fev19

A quantidade de lixo que fazemos é absurda. Mudar hábitos não é fácil, mas é necessário.

0smashcup-001.jpg

 

cinzento.jpg

 

 

Esperava o comboio, ao meu lado estava um homem entre os 35 e os 40 anos. Na mão tinha um copo com uma bebida quente. Antes do comboio chegar acabou  bebida, "fechou" o copo, e guardou-o na mochila. Passou-se há umas semanas na estação de comboios de Birmingham.

 

Nesse mesmo dia fui pedir uma bebida numa cafetaria de uma cadeia conhecida. Perguntaram-me se era em chávena de loiça ou para levar e, neste caso, se tinha a minha própria caneca. Os preços seriam diferentes. Quase todas as cafetarias, das várias cadeias em Inglaterra, vendem canecas re-usáveis, e fazem desconto a quem leva a sua própria caneca reusável.

 

Esta semana, numa reunião para organização de um evento, um ponto ficou assente, não podia haver plástico descartável. Representantes de várias universidades referiram que nas suas universidades já não há eventos com plástico descartável. Não é permitido.

 

Começou-se a tomar consciência do impacto de todo o desperdício que fazemos. Por vezes é difícil mudar de hábitos. Mas aos poucos eles acabam por mudar. Quando compro uma garrafa de água, e umas horas depois outra... começo a sentir um certo peso na consciência por estar a contribuir para aumentar o desperdício de plástico. As minhas filhas andam com uma garrafa  de metal que enchem diariamente. Ainda não me habituei a isso. Talvez daqui a uns anos, ou uns meses, ande também com uma garrafa e uma caneca na carteira. 

 

Lembro-me sempre com alguma ternura de um copinho de plástico colapsável que a minha Mãe tinha sempre no tablier do carro para nos dar água durante as viagens. Ninguém vai recordar com ternura as garrafas de plástico da água. 

 

A quantidade de lixo que fazemos é absurda. E, sobretudo, não é necessária.  Mudar hábitos não é fácil, mas é necessário.

 

 

 

 

 

05
Fev19

O mundo é grande! E o que podemos experienciar limitado...

IMG_20180807_145944.jpg

 

cinzento.jpg

 

 

Estava a arrumar umas fotografias e encontrei esta. Tirei-a em Agosto numa mercearia em Leicester, em Narborough Road, uma rua que dizem ser oficialmente (signifique isso o que significar) considerada a rua com mais diversidade na Grã-Bretanha. Dizem que o mundo está naquela rua. Não diria tanto, mas a diversidade é grande e vive (aparentemente) em paz, lado a lado. 

 

Quando vi estas coisas enormes (penso que com quase 30 cm de diâmetro) não percebi logo o que eram.

 

IMG_20180807_145948.jpg

 

Demorei algum tempo (e a etiqueta ajudou) até entender que eram sementes de girassol.  Sempre as tinha visto apenas em saquinhos com alguns gramas. Limpas, bem distantes do seu local de origem. Achei fascinante. Senti que tinha ganho o dia. Que tinha ficado mais rica!

 

Recordei-me também de apenas ter tomado consciência de que os amendoins nasciam debaixo da terra quando li este artigo da Alexandra Prado Coelho. Nunca tinha pensado de onde viriam... 

 

Agora, ao rever a foto, dei comigo a pensar como comentamos com espanto o facto de muitas crianças não relacionarem o peito de frango com um frango vivo a cacarejar, e outras coisas do género.

 

Se calhar não é tão chocante assim. Nós relacionamos, pois faz parte das nossas experiências de vida. Mas há tanta coisas igualmente óbvia que nunca relacionámos, porque não fazem parte da nossa experiência de vida. Não será normal? 

 

 

03
Fev19

O pequeno-almoço Español

IMG_20190119_114709.jpg

 

 

beige.jpg

 

 

Gosto de longos pequenos almoços. Gosto da diferença de hábitos relativamente aos pequenos almoços. Fascinam-me a diferença de hábitos, mesmo quando a distância é curta. Há umas semanas fui com as minhas três irmãs a Badajoz. De tempos a tempos fazemos um fim se semana algures só nós quatro, sem famílias. Desta vez escolhemos Badajoz porque era lá que antes do Natal, ou quando precisávamos de roupa, ou quando precisávamos apenas de espairecer, os meus pais nos levavam em crianças. A "nossa" loja de brinquedos mágica era  Las Três Campanas, do supermercado Simago vinham os caramelos, os melocotones, os patés... Dos Preciados a roupa. Recordações que são certamente as de muitos portugueses, há quem as descreva de forma a que nos revemos completamente no relato.

 

Cerca de 50 anos depois dessas excitantes viagens a Badajoz, resolvemos voltar, na viagem fomos fazendo a lista de tudo o queríamos ver, como se o tempo não tivesse passado. Badajoz é outra agora, porque os tempos mudaram no quase meio século que passou e a cidade evoluiu, porque os portugueses deixaram de ir comprar caramelos e melocotones. Mas foi igualmente divertido.Estivemos à porta de Las Três Campanas, que já fechou, e o bonito edifício vai ser transformado num hotel. Fomos ao Simago, que já não é Simago, nem tem já os perritos calientes de que nos lembrávamos. Mas foi numa cafetaria lá que acabámos por tomar o nosso primeiro pequeno almoço. Tostadas com cachuela, tomate /hamón ibéricotomate/queso, aceite com miel.

 

IMG-20181201-WA0000.jpg

 

Gosto particularmente das de tomate com presunto que me fizeram lembrar outras (melhores) que tinha comido umas semanas antes em Sevilla.

 

IMG_20181127_100452.jpg

 

Há dias li que uma empresa espanhola tinha aberto na Baixa uma loja, que funcionava como charcutaria, mas também servia refeições ligeiras, incluíndo pequenos almoços. Vieram-me logo à memória estas lembranças e uma grande vontade de lá ir tomar o pequeno almoço. E assim foi...

 

IMG_20190119_114648.jpg

IMG_20190119_115356.jpg

 

Soube-me bem! Recordou-me também que está na altura de voltar a viajar à mesa em Lisboa. Enquanto comia pensei no que diria se alguém me perguntasse como era um pequeno almoço característico de Portugal. Não sei bem. Algumas sugestões?

 

 

Beher - Rua da Prata, 249 - Lisboa

 

 

 

 

 

Mais sobre mim

Seguir

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Comentários recentes