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Assins & Assados

Assins & Assados

21
Jul18

Ele fez-me mudar de planos...

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Há dias saí de casa com planos bem definidos. No caminho para o autocarro passei pela esplanada de um restaurante italiano, vi um prato idêntico ao da foto. Ele fez-me mudar de planos...

 

Impossível resistir a umas flores de curgetes recheadas. Quando o autocarro passou, já eu estava sentada na esplanada, e os planos iniciais passaram para o dia seguinte. Valeu a pena!

 

 

 

18
Jul18

Um Desnorte com um rumo muito bem definido

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Junto à porta tem um sinal de proibido, mas não é proibido entrar no Desnorte, antes pelo contrário, é aconselhável entrar, procurar um lugar e, sobretudo, comer. Aliás, quando se olha para o interior entende-se isso pelo espaço distribuído por três níveis, com um ambiente acolhedor e uma cozinha à vista.

 

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Foi uma surpresa quando há dias uns amigos me convidaram para o seu novo restaurante no Bairro Alto, quase à esquina com o Largo de Camões. Não sabia que se tinham metido na aventura de abrir um restaurante... e fui, cheia de curiosidade.  Sentámo-nos à mesa e foram-me falando do projeto e das "aventuras" dos últimos meses. Enquanto isso íamos petiscando do couvert e decidindo o que comeríamos.

 

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E o jantar começou com 

 

 Tempura de Polvo com Amêndoa e Maionese de Kimchi e Lima

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Muito boa, o polvo tenro e o crocante dado pelas lascas de amêndoa muito agradável. O frasquinho com a maionese de kimchi e lima, uma forma menos comum de servir o molho, cria pequenos momentos de uma interação diferente com o prato que nos obriga a dar-lhe mais atenção.

 

O mesmo aconteceu com outra das entradas 

 

Tártaro de Atum com Lima Fresca e Salada de Abacate

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Também aqui os diversos componentes do tártaro vêm separados e cabe-nos misturá-los a nosso gosto e descobrir os vários sabores e texturas.

 

O conjunto de entradas terminou com 

 

 Carpaccio de Novilho com Pasta de Trufas e Cogumelos e Pistácio

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Três entradas muito boas que nos despertaram o apetite para os pratos. Gostei muito do que se seguiu

 

Bacalhau do Brás

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O Chefe chama-se Emanuel Brás e este  é o seu bacalhau. Por sinal uma versão inspirada no Bacalhau à Brás. Quando chega a cataplana vê-se uma boa posta de bacalhau confitado e um creme amarelo. Quando nos servimos vimos por baixo as batatas levemente crocantes, o creme é de ovo e quando comemos o sabor é o de um cremoso Bacalhau à Brás, com a vantagem da excelente textura das lascas de bacalhau. Gostei muito do bacalhau do Brás, em que novas técnicas atualmente disponíveis são usadas para conferir novas características ao prato. Excelente!

 

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Seguiu-se

 

 Entrecôte Maturado com Batata Rústica, Arroz de Cogumelos e Legumes Salteados

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Um prato para duas pessoas, em que a variedade de acompanhamentos permite que cada um componha o seu prato da forma que mais gostar.  Muito bom o arroz de cogumelos, e carne excelente!

 

Pelo meio ainda tive oportunidade de provar  um dos pratos vegetarianos

 

Quinoa real cremosa com legumes, pesto e parmesão

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Para a sobremesa não escolhemos nenhuma das sobremesas da carta (que pelas fotos que vi são muito generosas e têm um aspeto que desperta o apetite), mas uma combinação de componentes de diversas das sobremesas.

 

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Gostei muito da ideia de todos os meses escolherem um doce tradicional e fazerem uma sobremesa inspirada nele, no dia em que fui era um Pudim Abade de Priscos, servido com um sorvete de lima que estava muito bom. Gostei muito também do créme brulée de manga.

 

O chefe consultor é Jorge Fernandes, membro da Equipa Olímpica de Cozinha Sénior, o chefe executivo é Emanuel Brás também ele um dos membros da Equipa Olímpica. Das mesas no nível da entrada pode ver-se o trabalho da cozinha, e é sempre espantoso como se faz tanto num espaço tão pequeno. O serviço de sala é excelente e muito simpático.

 

Apesar de ainda em soft opening, a experiência que tive no Desnorte foi óptima. Mais uma boa opção para um jantar na zona do Chiado. Para jantar e não só, pois vão abrir durante o fim de semana para oferecer um brunch que fiquei com curiosidade de experimentar. 

 

1ª e 2ª Fotos DAQUI

 

Desnorte - Rua do Norte, 13 Lisboa
 

 

15
Jul18

Quando as palavras perdem o significado...

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Há umas semanas, numa área de serviço de uma auto-estrada, vi isto à entrada das casas de banho. Por acaso estava a dirigir-me para lá, mas se não estivesse, passava a estar... um novo conceito de casa de banho???!!! O que seria? 

 

Entrei, olhei em volta, usei a casa de banho e não encontrei nada, mas mesmo nada, que a distinguisse das casas de banho de qualquer área de serviço.

 

Conceito - uma palavra que já perdeu o significado e que é melhor evitar... Aqui aplicada às casas de banho, na restauração também usada à exaustão... Uma palavra que já não significa nada, tal como aconteceu, por exemplo, com gourmet...

 

 

11
Jul18

Fome, com muita e boa fartura!

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Na minha recente estadia em Lisboa o primeiro jantar foi no Fome, o restaurante do Adriano junto ao mercado de Arroios. Ir lá estava bem no topo da minha lista de coisas a fazer. Gostei tanto que voltei, quase no último dia, com um grupo de 11 pessoas. Duas experiências diferentes, duas boas experiências.

 

No primeiro jantar sentámo-nos e, quando nos trouxeram o couvert, não pude deixar de sorrir... 

 

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Uma cesta de pão, manteiga de ovelha, boas azeitonas e ... umas saborosas rillettes! Lembrei-me logo disto...  "Estava a pensar dar uma tacita [de rillettes] para couvert, se calhar ao lado de outra tacita pequenina de musse de fígado de aves."  Estas, com aquele sabor rústico, os pedaços de carne a desfazerem-se, a cremosidade da gordura... estavam uma delícia! E satisfizeram as minhas expetativas... 

 

Não estava lá a tacita de musse de fígado de aves... mas da segunda vez que lá fui ela lá estava. A tacita à direita.

 

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Ainda perguntei se não havia rillettes, mas não havia. Felizmente! Não porque as rillettes não estivessem boas, já disse que estavam uma delícia! Mas porque assim tive a oportunidade de comer aquela manteiga de camarão, que era outra delícia! 

 

Enquanto ia tocando com a mão no mangerico e inspirando o seu aroma a "Santos Populares", a Lisboa... e  bebendo o vinho que também era de Lisboa (é bom voltar!) íamos escolhendo do quadro com o menu (que muda diariamente segundo os produtos disponíveis e a inspiração).

 

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Impossível resistir a um Gaspacho de Cereja... que ainda por cima trazia um "brinde" inesperado, uns carapauzinhos fritos. Tão bom!

 

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Seguiu-se  a Salada URSS, com fígado de tamboril, pepino, tomate e endro (e sem batata). Fresca, e o contraste dos vegetais com a cremosidade do fígado muito bom!

 

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Pedimos ainda o Xarém de Ameijoas, menos cremoso do que o que estou habituada, mas com um sabor excelente. A salicórnia e os pedacinhos de alga  dava-lhe ainda mais graça.

 

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Depois, comemos uns excelentes Rojões de Cação à Alentejana. 

 

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Um óptimo jantar que terminou com uma boa torta de laranja.

 

Uns dias depois voltei,  começámos quase todos com uma boa tigela de Sopa de Tomate com Pilim

 

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Ouvi alguém na mesa comentar que era a melhor sopa de tomate que já tinha comido. E era mesmo muito boa. Os meus vizinhos do lado comiam Gaspacho de Cereja, que desta vez era com Coral de Camarão.

 

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Repetimos a salada URSS, repetimos o xarém, que para além das ameijoas trazia lingueirão. E ainda comemos:

 

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Escabeche de Polvo

 

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Ceviche Prestige

 

Em que uns negros crocantes de arroz escondiam um roxo puré de batata doce. 

 

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Vaca Maturada

 

Acompanhada por um puré de batata doce e uns óptimos feijões amarelos.

 

Depois, para terminar, veio uma tábua de queijos do Sr Adolfo, e um conjunto das várias sobremesas (mousse de lima, uma outra de chocolate, a torta de laranja, uma tarte de nata e umas maravilhosas cerejas).

 

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Gostei mesmo muito. O espaço é muito agradável, e o serviço também. A Andreia, que foi que cuidou de nós das duas vezes, é uma simpatia, e fala dos pratos com um entusiasmo contagiante. 

 

Não posso deixar de destacar que, apesar do restaurante completamente cheio, de apenas estarem duas pessoas a cozinhar (o Adriano e o Fábio), e terem tido a necessidade de improvisar pratos para duas pessoas vegetarianas (que gostaram muito deles), o ritmo a que vieram os pratos foi muito bom, sem longas esperas. 

 

Gosto de todo o tipo de restaurantes (desde que bons), cada um com o seu espaço e tempo, mas tenho um carinho especial por estes projetos pequenos, feitos com muito esforço e paixão. Parabéns Adriano, gostei mesmo!

 

Ainda por cima tenho uma enorme sorte, é a pouco mais de 5 minutos a pé de minha casa. Breve voltarei para Lisboa, e vou ir lá muitas vezes... Se lá forem, vão com Fome, para poderem desfrutar da boa fartura que nos oferecem!

 

Fome  -  Rua Angela Pinto 4 - Lisboa

(Para já só está aberto ao jantar e fecha ao domingo e segunda).

 

 

 

 

07
Jul18

Londrino, sem dúvida! Mas não só...

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Tinha planeado durante a estadia em Inglaterra ir ao Londrino, o restaurante do Leandro Carreira. Tinha-o encontrado em Lisboa há tempos, e até lhe tinha dito que lá apareceria. Há umas semanas tinha um compromisso em Londres de manhã e outro ao fim da tarde, era uma excelente oportunidade para almoçar no Londrino, e assim fiz...

 

Saí na estação de metro de London Bridge e caminhei até lá. Foi bom voltar a uma zona onde há muito não ia e de que gosto e tenho boas recordações, a minha filha mais velha viveu ali perto uns anos e desci muitas, mesmo muitas vezes, Bermondsey St, frequentemente para passar pelo Borough Market antes de ir a outros locais. 

 

O Leandro é de Leiria e começou a sua carreira a trabalhar em restaurantes em Lisboa, procurou então outras experiências na Europa, onde passou pelo Mugaritz. Em Londres, entre outros, trabalhou no Viajante de Nuno Mendes. Tendo decidido ficar por Londres e ter o seu próprio projecto, abriu no final de 2017 o Londrino, cuja cozinha reflete o seu percurso e experiências e, mesmo sem pretender ser um restaurante de cozinha portuguesa, inevitavelmente as memórias gastronómicas do Leandro estão presentes em alguns dos pratos, assim como os nossos produtos. Vai mesmo mais longe, e aos domingos o menu de almoço é inspirado pela cozinha de uma das regiões de Portugal, que muda todos os meses. Além do restaurante, também tem um wine bar com petiscos que funciona durante todo o dia.

 

Cheguei e entrei num espaço grande, bonito, e com muita luz, tendo ao fundo a cozinha aberta. 

 

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O menu tinha várias propostas interessantes, muitos pratos vegetarianos e de peixe, apenas um de carne, de leitão. Difícil a escolha...  Quanto aos vinhos, eram predominantemente de Portugal, e todos eram oferecidos em garrafa ou a copo. Quando na lista vi o Maria da Graça, da Bairrada, do Tiago Teles nem pensei mais. Gosto de encontrar os amigos em situações inesperadas.

 

E o almoço foi assim...

 

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 Quisquilla and Sorrel Kakiage

 

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Cod Tripe, Fava Beans & Smoked Cod Roe 

 

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 Fresh Peas & Sorrel Emulsion

 

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 Confit Egg Yolk, Chicken of the Woods 

 

Muito bons todos os pratos, leves, com sabores frescos e bem definidos. O polme da tempura (kakiage) muito estaladiço, e o prato muito saboroso. Nas favas com sames de bacalhau, muito boa a combinação de sabores, e eu adoro a textura gelatinosa dos sames. As ervilhas, os grão e os rebentos, muito frescos e com sabores bem definidos, a emulsão de azedas ligava tudo. Mas o último prato foi o que mais me surpreendeu, nunca tinha comido chicken of the woods, um cogumelo (Laetiporus) que surge em troncos de árvores e cuja textura e sabor depois de cozinhado se assemelha muito a frango. A textura fibrosa e firme do cogumelo (como um peito de frango cozinhado da mesma forma)  era muito bem complementada com a cremosidade da gema cozinhada a baixa temperatura e até com o seu sabor. Muito bom! 

 

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Tinha comido mais do que o necessário, o razoável seria escolher uma sobremesa leve, e havia-as, mas não foi o que fiz... Escolhi uma bem mais "pesada" do que os pratos, mas o Leandro sugeriu esta, a empregada de mesa aprovou veementemente a escolha, e ia caminhar bastante no resto da tarde. 

 

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 Grilled Brioche, Sour Caramel, Hazelnuts

 

Fiz bem, era muito saborosa. Foi muito bom comê-la lentamente, enquanto bebia um chá e ia observando a azáfama na cozinha.

 

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Um bom serviço de mesa e muito simpático. Embora o preço de cada um dos pratos fosse razoável, as refeições com este formato acabam por não sair muito baratas, ainda mais em Londres. Foi o caso. É verdade que não precisava de tanto, mas queria experimentar várias coisas.

 

Foi bom conhecer a cozinha do Leandro Carreira num espaço luminoso e muito agradável, em que fui muito bem recebida, e onde ainda conheci novos produtos. Fiquei com vontade de voltar.

 

 

Londrino 

36 Snowsfields, Southwark, London

 

 

01
Jul18

Longe da perfeição...

 

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Depois da imersão na cozinha de Heston Blumenthal que deu origem aos últimos posts, o The Perfectionists' Café foi a escolha quando há dias tive que almoçar no aeroporto de Heathrow. Eu sabia que ia ficar decepcionada, porque já tinha ficado antes, mas as outras opções não eram melhores. 

 

Comi um hambúrguer. Não sou particular fã de hambúrgueres, mas as alternativas apeteciam-me menos... e havia uma proposta que achei interessante.

 

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Crispy Hoisin Duck - Beef burger, crispy duck, cucumber, spring onion and hoisin sauce

 

Eu gosto de Crispy Duck e nunca o tinha visto, ou imaginado, associado a um hambúrguer. Perguntaram-me o que queria de acompanhamento, escolhi uma salada.

 

Gostei da associação, mas o hambúrguer, made from three cuts of aged Hereford beef, estava um pouco cozinhado demais. O resto era banal. O café chama-se The Perfectionists'... aquilo estava longe da perfeição. O serviço também, uma eficiência pouco simpática, dava a sensação que nos estavam a despachar.

 

Fiquei (mais uma vez) a pensar nas propostas mais acessíveis de chefes conhecidos. A grande maioria das vezes são uma desilusão. Geralmente pergunto-me "porquê?". Não a razão para abrirem estes restaurantes, pois essa é em geral económica. Mas, porque é que associam o seu nome e não se empenham o suficiente? Às vezes pergunto-me mesmo se frequentam aquele tipo de restaurantes de chefes que não são famosos. É que se não frequentam, deviam pelo menos ir ver a que nível está a fasquia para fazerem melhor... significativamente melhor.

 

Por vezes pergunto-me também se a experiência e conhecimentos com a alta cozinha são importantes quando se "joga" noutro campeonato. Cada vez acho mais que não.

 

É mesmo preciso melhor conhecimento do mercado e mais mais empenho...Assim não! Assim é publicidade enganosa.

 

 

 

 

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