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Assins & Assados

Assins & Assados

28
Fev18

Preços dos Restaurantes - um assunto que dá que pensar...

 

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Já aqui disse em vários posts (por exemplo nesteneste e neste) que acho o preços da generalidade dos restaurantes aqui em Inglaterra mais razoáveis do que aí. Nos exemplos que dei, falei de restaurantes a que se pode ir todos os dias, mas mesmo noutros de uma gama de preços mais alta, perdemos frequentemente na comparação.

 

Há dias uma amiga (que suspeito que não acreditava muito no que eu dizia) disse-me que tinha estado com uma turista inglesa, em Lisboa, que lhe disse o mesmo que eu. Referindo que o almoço que teve numa taberna por 12€, ficava aquém do que ela tinha em Inglaterra por um valor equivalente. Não tenho dúvidas!

 

Há dias estava a conversar com a minha filha, que gosta de ir comer a restaurantes, e disse-lhe isto. Ela disse-me que nota que quando come em Londres os preços são superiores ao que acontece aqui, mais a norte, para refeições equivalentes, mas que onde nota uma grande diferença é quando vai a Lisboa, aí os preços são ainda mais altos.

 

Por vezes fico completamente em choque com os preços apresentados para algumas refeições, só me pergunto "Quem pode pagar?" ou, mais frequentemente, "Perderam o juízo?"

 

Hoje fui espreitar o blog Diario del Gourmet de Provincias y del Perro Gastrónomo, e li o post Una Alta Cocina Cada Vez Más Lejana em que o tema eram precisamente os elevados preços, com aumentos frequentes, na alta cozinha. J Guitián diz que se em algumas situações, de restaurantes excepcionais, isso se justifica, não será o caso de várias centenas de locais nos vários países. Refere ainda que o aumento de preços chega por vezes a ser ainda maior nos festivais gastronómicos, em que atinge preços exorbitantes.

 

Conclui que a distância entre alta gastronomia e o público médio cresce cada vez mais, e que são os próprios restaurantes que se estão a afastar. Que apesar da restauração ser um negócio, tudo isto terá consequências na relação com o público e deste com a gastronomia como bem comum de uma sociedade e de uma cultura e um meio de desenvolvimento social. Dizendo mesmo que esta tendência o preocupa.

 

É um assunto em que também tenho pensado muito. Já não tenho o entusiasmo que tinha há uns anos em conhecer novos trabalhos e novos projetos, e os elevadíssimos preços são uma das várias razões. Seguramente que o preços, e não só, terão consequências importantes. O tempo mostrará para onde estamos a caminhar...

 

 

Foto DAQUI

 

27
Fev18

Fascinantes e saborosos pães indianos

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No sábado fomos de manhã a um farmer's market e depois, para almoçar, escolhemos um restaurante indiano de street food ali perto. Já aqui há tempos tinha falado desta moda de restaurantes indianos com snacks, um ambiente descontraído, e sempre umas decorações muito coloridas.

 

Também há dias disse (e não deve ter sido a única vez) que me fascinam imenso os pães, feitos usualmente com um conjunto reduzido de ingredientes, mas com formas, texturas e sabores tão diferentes. Quando estava a ver o menu apeteceu-me escolher uma variedade deles. É de facto admirável a criatividade humana (quase sempre de mulheres, pois são elas que alimentam as famílias) para transformar ingredientes simples em produtos muito interessantes e variados, que envolvem várias formas de comer.  E ali fiquei fascinada a olhar para os pães indianos. E a comê-los, claro!

 

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Pani Puri 

Esferas ocas de uma massa estaladiça feita com farinha de trigo, recheadas com batata e grão, na altura de comer adiciona-se uma água com tamarindo e menta.

 

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Gobi Paratha

Pão, também de farinha de trigo, recheado com couve flor. O nome vem de parat e atta que significam camadas de massa cozida.

 

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 Dosa-Masala Aloo

Crepes estaladiços e muito finos de uma massa feita de arroz e lentilhas, recheados com batata e servidos com sambhar (creme de vegetais à base de lentilhas) e chutney de coco.

 

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 Iddli Sambhar

Massa de arroz e lentilhas cozida a vapor, com sambhar e chutney de coco.

 

Já tinha comido algumas vezes dosa, iddli só uma vez, feito por uma aluna, a Abigail, que fez um trabalho sobre dosa e idli e fez estes para nos dar a provar. A massa base, de arroz e lentilhas e fermentada (o que melhora o seu valor nutricional), é idêntica para os dois, o que varia é essencialmente a forma de a cozinhar.  Estava curiosa de provar os dois lado a lado. 

 

É mesmo fascinante!

 

 

26
Fev18

Vieiras fumadas com turfa, e a importância de valorizar um produto associando-lhe uma origem e práticas tradicionais locais

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Foi há nove anos que comprei pela primeira vez as Scottish Peat Smoked Scallops, no mesmo local onde as comprei a semana passada. Nestes nove anos devo ter comprado estas vieiras uma meia dúzia de vezes, sempre no mesmo local, no Food Hall do Waitrose no John Lewis de Oxford Street em Londres. Nunca as vi à venda em nenhum outro local, e vou lá quase de propósito para as comprar.

 

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Gosto do sabor adocicado e rico em umami característico das vieiras, aqui intensificado pela perda de água, complementado com um aroma levemente fumado. Gosto da textura firme, conferida pela salga e pela fumagem a quente, e ao mesmo tempo delicada destas fatias de vieira com menos de um milímetro de espessura. Mas mais do que isto gosto de saber que foram apanhadas nas águas claras e turbulentas do Atlântico que rodeia as Hébridas Exteriores, um arquipélago na zona oeste da Escócia.

 

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Gosto de saber que todo o processo é feito à mão, desde a abertura das vieiras, até ao corte final. Gosto de saber que as vieiras são fumadas com turfa que ao longo de séculos se foi acumulando naquela região, e que tradicionalmente é usada como combustível para o aquecimento doméstico. Acredito quando dizem que a fumagem com turfa lhes confere um sabor característico, mas, mais do que isso, sei que esse sabor é intensificado quando nos inteiramos destes detalhes apresentados na embalagem. São eles que tornam tornam estas vieiras especiais, associando-lhes uma origem, as características desta, e práticas tradicionais locais. É tão importante valorizar os produtos dando a conhecer estes aspetos que os tornam únicos.

 

Ah! Já me esquecia de dizer... estas vieiras fumadas são tão boas! Tão diferentes de todos os outros fumados que tenho comido.

 

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23
Fev18

Onde um cristal de sal numa trufa de chocolate me levou hoje...

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Houve um período, há cerca de 20 anos, em que lia muitos livros americanos de (e sobre) cozinha. Frequentemente era referido o kosher salt, que não fazia a mínima ideia do que era. Procurei informação e fiquei a saber que os cristais teriam uma forma plana, tipo flocos e que por vezes formavam pirâmide ocas. Na altura, em Portugal, havia sal grosso e sal fino, já tinha visto referências à flor de sal de Guérande em livros de cozinha franceses, e acho que já a tinha visto em França, mas esta descrição era absolutamente fora da minha experiência.

 

Nos últimos anos dos 1990 fui a um café em Londres onde tive um encontro marcante. Tendo uma ideia relativamente precisa do espaço, e quase a certeza que o restaurante era do Terence Conran, fiz uma busca na internet e concluí que deveria ser o Bluebird Cafe em King's Road. Estava sentada na esplanada e em cima das mesas havia umas tigelinhas com sal. Quando olhei para o que estava lá dentro o entusiasmo foi tanto que ainda hoje me lembro do momento, que de certa forma me mudou a vida. Foi a descoberta de outro sal, um sal com cristais tipo flocos planos e com algumas pirâmides ocas. Perguntei no restaurante que sal era aquele e disseram-me que era sal Maldon. Nesse mesmo dia comprei uma embalagem de sal Maldon, e desde então sempre que ia a Inglaterra trazia duas ou três na mala. Até que há uns 10 anos as passei a comprar em Portugal no ECI. Nunca mais vivi sem ele. Nos últimos 20 anos sempre houve um frasco com sal Maldon em minha casa. 

 

Nessa altura ainda não se ouvia falar de flor de sal portuguesa. Penso que estava a começar, e que foi por volta de 2000 / 2001 que o João Navalho a começou a produzir na Necton e o Joaquim Figueiredo a divulgava. Levava-a para as aulas da Cozinhomania para o tempero final. Em 2001 participei numa actividade da "Cozinha é um Laboratório" da Ciência Viva onde também estava o Joaquim Figueiredo e o João Navalho como a sua flor de sal. Desde essa altura passou a haver também um frasco com flor de sal ao lado do sal Maldon.

 

Lembrei-me de tudo isto hoje, quando fui buscar uma trufa de chocolate que fiz e abri o frasco de sal Maldon para lhe pôr uns cristais em cima. Fui também reler umas coisas que escrevi no Forum da Nova Crítica (que saudades! belíssimos tempos! foi tão bom recordar) em que falo do sal Maldon e digo que uma das vantagens relativamente à flor de sal é que o sal Maldon não absorve a humidade do ar. O que expliquei na altura assim:

 

"É verdade que o sal é naturalmente higroscópico, mas com as humidades normais "aguenta-se". No entanto os sais de magnésio são muitíssimo mais higroscópicos. Na purificação do sal de cozinha tenta-se tirar tanto quanto possível dos sais de magnésio para evitar o problema da água e adicionam-se aditivos... 

Tanto o Maldon como a flor de sal não têm aditivos adicionados. a diferença entre eles, deste ponto de vista, é que a flor de sal tem muitíssimo mais sais de magnésio do que o Maldon. Numa comparação um pouco grosseira e pouco rigorosa, com base em composições com características diferentes que encontrei, penso que a flor de sal terá 0,37% de magnésio e o Maldon no máximo 0,02%. Penso que é esta diferença que torna a flor de sal tão fortemente higroscópica. 

Aliás, nos pacotes de flor de sal vem inclusivamente escrito: 
Naturalmente rico em magnésio... é naturalmente húmido... "

 

Outra diferença é que a flor de sal é produzida em salinas, com uma evaporação natural, mas sendo o sal Maldon inglês, e o clima outro, ele é produzido em fábrica por um processo que envolve a filtração da água do mar, que é depois fervida e finalmente aquecida até que o sal comece a formar-se sendo extraídos os cristais.

 

Voltando ao início desta conversa, não sei se o sal Maldon é o dito kosher salt, mas descobri hoje que este é produzido pelo processo de Albeger que é idêntico ao que descrevi.

 

Onde um cristal de sal numa trufa de chocolate me levou hoje...

 

 

 

22
Fev18

Em busca dos meus crumpets perfeitos!

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Não sei se já alguma vez tinha comido crumpets, acho que não. Há uns meses, no supermercado descobri-os e comprei para experimentar. Achei muita graça à textura meio esponjosa e ao aspeto. Voltei a comprar várias vezes. Até que há dias resolvi ir ver como se faziam. Fácil, bem fácil. Tinha que experimentar.  A diversidade de pães que se faz com uma quantidade muito reduzida de ingredientes fascina-me. Gosto muito de experimentar, e de conseguir fazer vários diferentes razoavelmente bem.

 

Faltavam-me os aros para os cozer, mas rapidamente este obstáculo foi ultrapassado, era altura de meter mão à obra. Para a primeira tentativa, uma receita do Jamie Oliver. Normalmente as receitas dos livros dele funcionam bem. Não tinha bicarbonato, mas tinha fermento para bolos, fiz e ficaram tão bons! Mas ainda não tinham a textura esponjosa e os buraquinhos que deviam ter (na fotografia que acompanha a receita têm). Não foi problema, desapareceram num instante!

 

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Nova tentativa, desta vez com bicarbonato, como as receitas mandavam, e seguindo a receita para os Perfect Crumpets da Felicity Cloake (apesar da foto dos dela não apresentar uns crumpets muito apetecívies). No início a massa estava um pouco espessa, fui ajustando a quantidade de água aos poucos e eles iam saindo melhor. No final penso que tinha o que se pretendia, e eles borbulhavam bem no aro.

 

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 Os que obtive tinha melhor aspeto que os dela, e acho que ganhavam na comparação com um industrial que aqui tinha.

 

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O sabor dos primeiros que fiz era melhor. Sempre me intrigou o bicarbonato, não há ingredientes ácidos para reagirem com ele, e penso que o sabor se nota no final. Os primeiros, em que usei fermento para bolos, não tinham esse problema. A etapa seguinte vai ser tentar fazer crumpets com o sabor dos primeiros e a textura dos segundos, se possível ainda com mais buraquinhos. Os meus crumpets perfeitos!

 

Aos industriais já só volto em SOS, tal como diz o Jamie Oliver na introdução da receita, "These require a little patience, but you just cannot beat a homemade crumpet.". Quando se põe a manteiga, ela derrete e escorre pelos buraquinhos, e a tentação é pôr mais. É tão bom!

 

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21
Fev18

Se não tivesse ido, tinha-me arrependido. Assim, está o assunto arrumado!

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Se me perguntarem pelas primeiras e mais fortes memórias que tenho das primeiras vezes que fui a Londres, direi as montras dos restaurantes chineses com as carnes penduradas. Em Queensway, zona em que estavam grande parte dos hotéis oferecidos pelas agências de viagens em Portugal, e sobretudo em Chinatown. Aliás, era fascinante ir a Chinatown, o ar exótico, os restaurantes e as montras, não só com as carnes, mas onde se vê fazer dumplings, os supermercados com ingredientes e vegetais que nem sonhava o que eram, mas fui aprendendo (alguns claro). Enfim... fascinante!

 

Há muito anos que na altura do Ano Novo Chinês pensava sempre "um dia tenho que ir a Chinatown por esta altura". Imaginava a animação, as bancas de comida... Este ano estive indecisa, e a certa altura disse-me "se não fores vais-te arrepender". E fui, no dia a seguir ao início do ano do Cão. O que vi? Uma Chinatown igual à do costume, sem bancas nenhumas e com 10 vezes mais pessoas. Grupos com dragões dançando, sobretudo em frente dos restaurantes onde iam pedir dinheiro. Acontece que as pessoas paravam para ver e fazer fotos e era impossível circular, e não se via quase nada. E eu pensava... onde eu me vim meter...

 

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Antes de ir, tentei planear o almoço num restaurante com comentários positivos. Depois de muitos encontrões consegui lá chegar. Tinha fechado para remodelações (pelo que entendi foi obrigado a isso pelas entidades sanitárias). Entrei noutro "Não, está cheio, e toda a gente começou agora...". Entrei num outro "Só aquela mesa", ainda perguntei se não tinha outra "Não". Sentei-me, era ao pé da porta, cada vez que abriam a porta entrava uma enorme corrente de ar frio. E estavam sempre a abrir. Levantei-me e saí. Chegava!

 

Pensei "Há que tempos que não vou ao Yauatcha!",  o nível era outro, até tinha uma estrela Michelin. Fui. Cheguei lá... "Mesa, só daqui por 45 minutos a 1 hora". Estava com fome, não estava para isso. Decidi que não ia ser almoço chinês, fui ao Kiln (um tailandês de um inglês, muito na moda - vinha uma entrevista com ele no 1º número da National Geographic Food). Entrei e estava cheio. Lugar, só ao balcão, mas estava completamente cheio, e gente à espera. Como eu detesto comer em balcões, bancos altos, a ter que dar e receber cotoveladas dos vizinhos... A cozinha era à vista. Olhei para a cara dos cozinheiros - exaustos! Não, eu não queria de todo comer a um balcão, aos encontrões aos vizinhos do lado e a olhar para umas pessoas exaustas (por favor, repensem os horários dos cozinheiros e as cozinhas à vista!). 

 

Se calhar devia ter ficado no Yauatcha! Mas agora já não voltava. Estava outra vez perto de Chinatown, resolvi voltar lá e tentar a sorte. Sempre era Ano Novo Chinês e há anos que pensava que gostava de lá  ir por essa altura. Durante estas voltas tinha passado pela loja de chocolates do Paul A Young - comprei meia dúzia de bombons custaram-me quase 11 libras. Estava com fome! Comi um bombom. Não me encheu as medidas... mais à frente outro, também não... Ainda por cima eram caros (dos 6, só de um é que gostei mesmo).

 

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Cheguei a Gerrard Street as filas enormes à porta dos restaurantes continuavam. Havia um que tinha uma fila mais pequena, tinha a montra com as carnes. Não procurava mais, era nesse! Fiquei à porta, só havia um homem com uma criança à minha frente. Esperámos, esperámos... A certa altura chegou um grupo com um dragão, dançou ali à porta, vieram os empregados a correr pendurar no topo da porta uma alface com um envelope vermelho (1ª, 2ª e 3ª fotos, no canto superior direito), os envelopes onde se mete o dinheiro que se oferece no ano novo chinês. No final da dança o dragão saltou, apanhou a alface, retirou o dinheiro, desfez a alface toda, atirou os bocados, alguns vieram para cima de mim. Pelo menos distraiu-me um bocado e estava integrado no espírito da época e do local..

 

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Entrei, mandaram-me para uma cave, sem janelas, muitos chineses, mas não só, na mesa ao lado tinha uma família de brasileiros. Com várias mesas vazias, questionei-me porque razão tinha estado tanto tempo à espera, mas não valia a pena... Comi pato e barriga de porco, igual aos que tinha visto o cozinheiro cortar enquanto esperava. Um pouco secos, mas mataram a fome...

 

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Durante anos tinha um refúgio, quando andava por aquela zona e estava cansada ia até Regent St, subia um pouco, entrava por Heddon St e tinha o MoCafé, ao lado do restaurante marroquino Momo. Estava sempre tudo muito calmo, parecia que estava noutro mundo, noutra cultura, era tão agradável. Resolvi ir lá. A rua calma, as plantas a fazerem a fronteira, a esconderem aquele refúgio de calma.

 

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Entrei... cheio, cheíssimo, grupos, famílias, tudo bebia chá e comia bolos num ambiente ruidoso. Voltei a sair... era mesmo hora de sair daquela zona.

 

Ano Novo Chinês em Chinatown, nunca, mas nunca mais! E Londres já foi mais agradável... Mas se não tivesse ido, tinha-me arrependido, e houve momentos bons e risquei várias coisas da minha lista de coisas a fazer em Londres...

 

 

 

 

20
Fev18

Mais uma fascinante montra de doces

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Era mesmo dia de ficar colada às montras das lojas de doces... E eu que nem sou de doces. Depois do bolinho comemorativo do ano do cão da Minamoto Kitchoan só podia mesmo ir até Chinatown. Mal cheguei, mais uma pastelaria me despertou a atenção, uma pastelaria chinesa, mas os bolinhos, os Taiyaki, esses são japoneses. Taiyaki significa Pargo Assado, e os bolinhos em forma de peixe são formados por massa de panqueca estaladiça recheada com um creme.

 

O que me chamou a atenção não foram os bolinhos, mas a máquina que os fazia. Fascinante! Um conjunto de formas aquecidas que um mecanismo faz rodar. Dois recipientes um com a massa exterior, outro com o creme do recheio. A massa exterior é deitada nas formas, imediatamente a seguir o creme é injectado no meio da massa e a forma fechada. Depois, durante o percurso, em que as formas são viradas duas vezes, a massa exterior coze. No final saem os bolinhos em forma de peixe recheados. 

 

Não era hora de comer mais bolos, e eles são bons mornos, mas da próxima vez que ali for tenho que provar. Tenho mesmo...

 

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19
Fev18

Kinkan Daifuku e Tuyaguri: a estética e o sabor dos doces japoneses

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Depois da exuberância da pastelaria francesa, com influências americanas, da Dominique Ansel Bakery, entrei no metro em Victoria, mas saí logo na estação seguinte, Green Park, e caminhei por Piccadilly Street. Muitas lojas de algum luxo e algumas delas de comida. Há já alguns anos que não caminhava por ali. Tive que parar à porta de Maille Boutique, a loja é linda, as cores das mostardas e vinagres e os frascos alinhados são muito atraentes, as mostardas frescas não embaladas uma experiência a ter um dia. Mais à frente entrei na Fortnum & Mason, onde o luxo continua em todos os produtos oferecidos. Um expositor com mel de todas as partes do mundo. Todas as tonalidades de amarelo e castanho... maravilhoso. Pelo meio também mel português.

 

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Saí e atravessei a rua, a loja da Ladurée, a mesma sensação de há uns anos atrás... Pouco atraente. Um balcão quase, com uma decoração que parece a mesma há anos, com um ar um pouco decadente. Não me atrai... Mas quase ao lado, na loja da Minamoto Kitchoan,  tive mesmo que entrar. O contraste com a loja onde tomei o pequeno almoço é enorme. Contudo ambas deixam-me parada em frente dos expositores, impossível provar tudo, mas é tão bom ver! Ambas reflectem culturas bem diferentes. E esta diversidade é fascinante.

 

 

Belíssimos os doces japoneses, a sua estética, as lindíssimas e cuidadas embalagens (vêm do Japão), assim como as bonitas e bem realistas representações em cera. Doces com características muito próprias. Diz o site da Minamoto Kitchoan que reflectem a cultura tradicional e transportam a alegria e harmonia das quatro estações. Levam-nos a várias partes no mundo, as duas lojas de Londres são as únicas na Europa.

 

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Tenho sempre que trazer algum, e como já ali não ia há muito tempo, comprei dois para comer em casa. Um Kinkan Daifuku, ou seja um mochi composto por um kumquat inteiro, envolto numa pasta de feijão branco, e no exterior a pasta de arroz glutinoso característica deste tipo de bolos. Muito bom o conjunto diversificado de texturas, o sabor cítrico forte do kumquat, a cremosa e doce pasta de feijão e depois a camada exterior elástica e com um sabor mais neutro. O outro foi o da foto anterior, um Tuyaguri - uma castanha confitada em mel, envolta numa pasta de castanha gelificada com agar. Excelente o contraste de texturas com o mesmo sabor a castanha.

 

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À saída reparei no bolinho comemorativo do Ano Novo Chinês, o Ano do Cão que tinha acabado de começar.

 

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1ª Foto DAQUI

19
Fev18

O meu segundo Cronut!

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Há dias contei que tinha comido um Cronut. Este fim de semana comi outro. Desta vez "o verdadeiro".  Quase também por acaso, não tanto como o anterior, mas quase.

 

Quanto mais velha estou menos gosto do stress de correr para comboios, aviões... Vou sempre cedo e planeio tudo a contar com imprevistos. Há dias fui a Londres, fui ver horários de comboios e depois dos autocarros para a estação. Havia um que dava, mas decidi ir no anterior para ir com mais calma, aproveitava e tomava o pequeno almoço na estação. Quando cheguei olhei para as partidas e ia sair um comboio daí a cinco minutos. Fui nesse, sem pequeno almoço. Chegava também a Londres mais cedo do que tinha planeado e, durante a viagem, decidi ir tomar o pequeno almoço à Dominique Ansel Bakery em Victoria.

 

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Para arrumar o assunto dos Cronuts, e provar "o verdadeiro", resolvi comer um Cronut.  Mas ao ver o expositor quase revi a decisão... mas estava decidido!

 

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Os cronuts nem estavam no expositor, li que esgotam cedo. Nem sei se havia vários diferentes. Ia comer o do mês que estava anunciado à porta.

 

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O doce do recheio era suficientemente ácido para compensar o açúcar, mas tive que tirar a maior parte da cobertura de icing. É um bolo bom, mas não consigo entender a fama, ou melhor a loucura.

 

Na mesa ao lado sentaram-se duas jovens, e para além de um Cronut igual ao meu ainda tinham estes bolos (não, não tirei fotos dos bolos delas, mas toda a gente tira e foi fácil encontrá-las):

 

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Liquid Caramel Peanut Butter Mousse Cake

 

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 Lime Me Up Tart

 

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 Paris London

 

Só não fiquei invejosa pois até eu, que só olhei, fiquei enjoada com tanto açúcar. Mas que eram lindos, eram. 

 

Hoje a minha filha disse-me que um amigo dela foi a Nova Iorque e decidiram que tinham que ir comer um Cronut ao Dominique Ansel. Foram para a fila às 5 e meia da manhã e estiveram 4 horas na fila... Ele achou que não valia a pena, mas queria ver o que era, e viu o Dominique Ansel a fazê-los também. Eu acho que é loucura mesmo! O meu Cronut verdadeiro foi sem fila, quando cheguei não havia ninguém à espera, fui logo atendida. Meia hora mais tarde já havia mais gente, mas apenas meia dúzia de pessoas à espera de serem atendidas.

 

A minha tolerância ao açúcar não é muito grande, sou mais de salgados do que de doces. Um dia gostava de provar o Spicy Chorizo Croissant que diz ser um exclusivo da loja de Londres, também fiquei com curiosidade de comer um Cookie Shot, um cookie de chocolate em forma de copo que é servido cheio de leite frio aromatizado com baunilha. Talvez volte num dia mais quente para um pequeno almoço ou lanche no agradável pátio ao fundo da sala.

 

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Sobre as mesas um desdobrável dizia que Dominique Ansel tinha sido considerado World's Best Pastry Chef 2017. E possivelmente é justo, uma coisa que salta à vista é a criatividade de tudo o que é produzido. A base são técnicas e produtos de pastelaria clássicos, a partir dos quais são desenvolvidos novos e originais produtos.

 

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3ª, 6ª, 7ª e 8ª fotos DAQUI

15
Fev18

Vou ter saudades...

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Ontem de manhã quando acordei tinha isto à porta. Gosto muito de me levantar e ir ali buscar o leite para o pequeno almoço. Gosto também que venha em garrafas de vidro. Acabei agora de fazer a encomenda para amanhã - leite e ovos - e de pôr 4 garrafas vazias à porta, para serem levadas para reutilização. 

 

Nunca vi quem me vem pôr estas coisas à porta, tal como Anna Turns, jornalista do The Guardian, não tinha visto, até recentemente, quem deixa o seu leite à porta. Porém, há alguns dias acompanhou o leiteiro na sua ronda, e escreveu o artigo Best in glass - can the return of the milkround help squash our plastic problem?  sobre este serviço que tem vindo a crescer. Curiosamente, esteve em declínio nos últimos 20 anos, mas a tendência inverteu-se. Procura-se um consumo de proximidade e maior humanidade, e o conforto de abrir a porta de manhã e ali estar o que precisamos e pedimos na véspera (no meu caso os pedidos são on-line e posso fazê-los até à meia noite para serem entregues na manhã seguinte, bem cedo). Mas não é apenas isto, a tendência crescente de reduzir a quantidade de plástico utilizada, e a consciencialização para esse aspeto, parecem ser outras das razões.

 

Segundo o artigo, nas últimas semanas tem havido uma grande procura por parte de novos clientes, o leiteiro que a jornalista do The Guardian acompanhou diz que em média estão a receber 9 novos pedidos por dia. Diz ainda acreditar que o programa da BBC Blue Planet II foi um dos incentivos. 

 

Um serviço de que gosto muito, mas que acho muito difícil de implementar numa cidade com as características de Lisboa, sendo mais fácil aqui, onde predominam pequenas vivendas. Mas vou ter saudades... Muitas saudades.

 

 

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