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Assins & Assados

As batatas que vieram da luz

por Paulina Mata, em 01.11.16

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As batatas produzem naturalmente, como forma de defesa contra insectos, pequenas quantidades de alcalóides tóxicos, como a solanina, que as tornam levemente amargas. A maioria das variedades comerciais têm 2 a 15 mg por cada 100 g de batata. O teor em que surgem não põe problemas para a saúde humana, no entanto se estes estiverem presentes em níveis mais elevados podem causar problemas neurológicos, digestivos e até a morte.

 

Quando as batatas estão expostas à luz, e mais ainda se estiverem num ambiente quente, interpretam isso como estando fora da terra e produzem clorofila que lhes permite captar a energia da luz solar e toxinas amargas, como a solanina e a chaconina, como forma de defesa. Os níveis de alcalóides presentes podem mesmo duplicar ou triplicar.

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A formação de clorofila induzida pela luz é um sinal visível deste processo. Embora a clorofila não constitua um problema, uma mancha verde na batata é um sinal visível da presença dos ditos alcalóides tóxicos em níveis que podem ser elevados. Para evitar que se desenvolvam zonas verdes as batatas devem ser armazenadas em locais frescos e escuros.

 

As toxinas produzidas neste processo em geral acumulam-se na pele da batata e mesmo por baixo dela, assim as batatas verdes devem ser peladas retirando bastante polpa ou deitadas fora se a parte verde for muito extensa. Deve haver um cuidado redobrado com preparações em que a pele é consumida. Dado que as toxinas são em geral amargas é sempre uma boa regra não consumir batatas amargas.

 

Consumir ocasionalmente uma batata esverdeada pode não constituir problema, mas é sempre melhor prevenir do que remediar...

 

 

Texto inicialmente publicado em  Uma Química Irresistível

 

 

 

Os fantasminhas do jantar de Halloween

por Paulina Mata, em 01.11.16

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"Mãe, faz os fantasminhas para o jantar de Halloween!" disseram-me as minhas filhas ontem. Ri-me, fiz contas e disse-lhes "faz precisamente amanhã 26 anos que fiz os fantasminhas pela primeira vez para o jantar de Halloween".

 

Tantas vezes me tenho questionado o que faz com que um prato nos fique na memória? Este ficou-lhes, nestes 26 anos têm-no pedido muitas vezes (mas sempre, e só, no Halloween). Hoje, já adultas, mais uma vez... Batatas assadas, abrem-se ao meio, tira-se a polpa, esmaga-se, tempera-se com manteiga, sal e pimenta e volta-se a meter o puré na casca. Depois dois grãos de pimenta para fazer os olhos. Nada mais simples, mas traz-lhes muitas recordações certamente. Do primeiro ano em que viveram em Inglaterra. Um ano que as marcou, que nos marcou.

 

Hoje. de novo em Inglaterra, onde agora vivem as duas, voltei a fazer... Enquanto os fazia abrimos a porta muitas vezes "Trick or Treat" diziam as dezenas de crianças que tocaram à campainha, todas com roupas e pinturas fantásticas. Ontem eu perguntava se era necessário comprar dois pacotes cada um com 25 pacotinhos de gomas. Perguntei "Acham que vão aparecer 50 crianças?". Elas disseram que sim, eu fiquei com dúvidas... os 50 pacotinhos desapareceram num abrir de olhos, e tivemos que ir arranjar muitos outros... Tradições engraçadas que se mantêm!

 

Para comer com as batatas... resolvi fazer abóbora. Ao folhear uma revista de cozinha vegan tinham-me ficado os olhos num prato de abóbora. Eu nem gosto muito de abóbora, elas também não... Mas tinha que ser... era Halloween. A abóbora, cozinhada no forno com leite de coco, piri-piri, lima, lemon grass, sementes de coentros, alho e gengibre, e depois coberta com coentros frescos picados, malagueta e raspa de lima estava óptima! Tal como os pacotes de gomas, também desapareceu rapidamente.

 

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