Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Assins & Assados

China – Chá e Dim Sum

por Paulina Mata, em 31.01.16

new world.jpg

laranja.jpg

 

A primeira vez que comi dim sum foi em Londres. A minha irmã estava lá a fazer o doutoramento, na casa onde vivia também estava uma estudante chinesa que a levou a um restaurante de dim sum em Chinatown. Ia visitar a minha irmã frequentemente e foi com ela que lá fui pela primeira vez. O restaurante era enorme e sempre muito movimentado, li uma vez que teria 700 lugares distribuídos pelos vários andares do prédio. O dim sum era servido em carrinhos (foto acima) que andavam pela sala, paravam junto às mesas e escolhíamos o que queríamos. Durante 20 anos sempre que ia a Londres ia lá, há três anos fui pela última vez. Estava bem diferente, não voltei.

 

Felizmente entretanto começaram a abrir bons restaurantes com dim sum em Lisboa. Este tipo de cozinha é originário de Cantão, e está ligado à tradição de beber chá. Os viajantes da Rota da Seda tinham necessidade de descansar durante as viagens e começaram a surgir casas de chá ao longo das estradas. A par do chá estas passaram a servir pequenas porções de comida – o dim sum. O hábito pegou e o dim sum, que é tradicionalmente é servido desde manhã e até meio da tarde, transformou-se num pretexto para reunir famílias e amigos à volta de uma mesa.

 

O Grande Palácio Hong Kong serve dim sum. Vou lá frequentemente, em grandes grupo, em grupos pequenos, e por vezes sozinha. Nos fins de semana, à laia de brunch, por vezes o que me apetece é um bule de chá de jasmim com dim sum. A escolha é bem variada, as sabores exóticos e estimulantes! Impossível resistir durante muito tempo a estas paragens onde de tanto ir já me sinto em casa.

IMG_20160124_134805.jpg

Har Kau – Dumplings de Gambas

 

DSC00430 [640x480].jpg

Siu Mai de Porco e Gambas

 

DSC00429 [640x480].jpg

Patas de Galinha com Feijão Preto

 

IMG_20160124_135251.jpg

Dumplings de Barbatana de Tubarão

 

DSC09508.jpg

Inhame Frito com Recheio de Carne

 

DSC09501 (2).jpg

Char Siu Bau - Pão Chinês com Carne de Porco e Mel

 

DSC09499.jpg

Rolos de Farinha de Arroz com Gambas

 

IMG_20160124_135340.jpg

 Rolos de Farinha de Arroz com Crepe (dentro do invólucro suave e húmido de arroz está um crepe bem estaladiço)

 

DSC00404 [640x480].JPG

Vieiras com Molho de Feijão Preto

 

DSC09512.jpg

 Ma Lai Ko – Pão de Ló Cantonês (cozido a vapor)

 

Gande Palácio Hong Kong, R. Pascoal de Melo 8.

 

1ª foto DAQUI

Uma viagem à volta do mundo

por Paulina Mata, em 30.01.16

food.jpg

 

laranja.jpg

 

Diz-me o que comes; dir-te-ei quem és.” disse Brillat-Savarin no seu livro A Fisiologia do Gosto.

 

Cerca de um século depois Eça de Queiroz, em Notas Contemporâneas, disse:

“Diz-me o que comes, dir-te-ei o que és. O carácter de uma raça pode ser deduzido simplesmente do seu método de assar a carne. Um lombo de vaca preparado em Portugal, em França, ou Inglaterra, faz compreender talvez melhor as diferenças intelectuais destes três povos do que o estudo das suas literaturas.”

 

Para mim, o que disseram, faz todo o sentido. As cozinhas dos diferentes povos reflectem a sua história, cultura, e forma de estar na vida. Viajar à mesa, permite saber muito sobre as características de quem vive em locais que nunca pisámos.

 

Já viajei à mesa por bem mais países do que aqueles em que estive. Essas viagens proporcionaram-me imenso prazer. Mas, mais do que isso, foram uma fonte de enorme aprendizagem sobre as características dos vários povos, sobre as suas técnicas de cozinha, produtos e sabores. Fascinante!

 

Vivemos uma época difícil, em que é importante, e urgente, conhecer melhor outras culturas e povos. Criar laços. Fazê-lo à mesa é uma das formas possíveis.

 

Se estas viagens já eram para mim um hábito e um prazer, apetece-me agora torná-las ainda mais frequentes. Felizmente em Lisboa é cada vez mais fácil viajar à mesa. São muitos os destinos possíveis… mais de 40!

 

A viagem à volta do mundo vai começar!

 

Foto DAQUI

Os restaurantes mais acessíveis de chefes conhecidos... O balanço final é positivo?

por Paulina Mata, em 29.01.16

The Perfectionists Cafe.jpg

 amarelo.jpg

 

Há umas semanas, no regresso de Inglaterra para Lisboa, fui apanhar o avião ao Terminal 2 do aeroporto de Heathrow. O voo era a meio da tarde, chegámos pela hora do almoço. A minha filha, que vinha comigo, comentou “olha o restaurante do Heston Blumenthal”. O restaurante chama-se The Perfectionists' Café e promete Fantastic Food… Fast. Segundo o site foi inspirado na série de programas de TV, que deu origem a três livros também, In Search of Perfection, em que ele analisa pratos bem populares para os tornar tão deliciosos quanto possível. Ficou logo decidido que íamos lá almoçar.

 

O que esperava? Bem não estava à espera de encontrar o The Fat Duck num restaurante de aeroporto, nem sequer o Dinner. Mas vindo de quem vem, estava à espera de, para um espaço com aquelas características, ter uma experiência excepcional – o que vim a verificar posteriormente que é o que prometem no site. Foi isso que tive? Custa-me admitir… Quem me conhece bem sabe que eu admiro muito, mas muito mesmo, o trabalho do Heston Blumenthal. Mas não, não foi. Se foi mau? Longe disso…

 

O espaço é bonito e agradável. Mas, sem ter acontecido nada de especial, o serviço não estava à altura de uma experiência excepcional. Mesmo tendo em conta que era um restaurante de aeroporto. E o serviço é tão importante! (Um assunto que terei em conta em posts futuros.)

 

Veio o menu. Decidimos escolher uns Ovos Benedict (two eggs on toasted English muffins, maple cured ham and hollandaise sauce. £8.75) eram sem dúvida bastantes bons, os melhores que comi. Bom começo! Seguiu-se o Fish & Chips, apresentado com bastante destaque no menu e com uma série de adjectivos que faziam elevar as expectativas. E é preciso muito cuidado quando elevam demasiado as expectativas, é que frequentemente o trambolhão também é grande….

fish and chips.jpg

Já li muitas linhas sobre a técnica do polme, até falo dele nas aulas, discutindo o papel de cada ingrediente e da técnica usada. Li também muitas páginas sobre as triple cooked chips, seria o que vinha com o peixe? Quando fui ao The Fat Duck a primeira vez até as pedi, extra menu, explicando que tinha lido tanto sobre elas que estava curiosa. Trouxeram-nas e lembro-me que me cobraram £5.00 por 6 palitos de batata (2 palitos por pessoa), numa refeição que custou cerca de 100 vezes mais. Era desnecessário… Mas pronto, não achei simpático, mas não foi isso que beliscou o meu fascínio pela cozinha do Heston Blumenthal.

 

Bem, estou a perder-me… voltando ao Fish & Chips, o peixe era bom e bem fresco, o polme estaladiço e bem aerado (adoro a palavra, que aprendi com os meus alunos brasileiros). Não chegou para satisfazer as expectativas, mas era bastante bom. Quanto às batatas, não sei se eram as triple cooked chips, acho que não, mas não eram o tipo de batatas que aprecio. A minha filha, que adora batatas fritas, e para quem deixo sempre as últimas, até disse “se gostas come, que eu não gosto muito delas”. As ervilhas eram simpáticas, mas longe do que esperava em resultado de uma extensa busca pela perfeição.

 

Para além do destaque e dos adjectivos do menu, estava curiosa com o atomizer of malt vinegar pickled onion juice – bottled at source! que o menu prometia. Estávamos a comer e comentámos “falta o spray, será que põem antes? Era mais giro se trouxessem”. À saída lá estavam, muitos, arrumados a um canto do balcão, mas parece que não vão até às mesas. Basta googlar um pouco e há mais gente a queixar-se do mesmo. Um pouco decepcionadas, pusemos as esperanças na sobremesa, para salvar a experiência.

 

A escolha recaíu no The BFG (Black Forest Gateau not the Big Friendly Giant) (chocolate and vanilla ice cream, sour cherry compote, chocolate brownie, Kirsch whipped cream and chocolate shavings. Served with a Kirsch atomizer for that smell of the Black Forest!  £7.50). Desta vez chegou à mesa o atomizador individual.

atomizador.jpg

Mas nem ele conseguiu subir o estatuto da sobremesa para além de banal. Não era má, era banal. E do Heston Blumenthal não estamos à espera do banal...

 

Tudo isto me fez reflectir sobre os 2os e 3os restaurantes de chefes conhecidos. Que usam o nome e o estatuto adquirido noutros campeonatos para abrir restaurantes mais acessíveis. Há alguns que fazem um bom trabalho, mas muitos deles são uma desilusão, seja na "comida de chef", seja na "comida da avó".

 

Por vezes pergunto-me porque o fazem. Eventualmente o lucro justifica-o, e numa época como esta em que vivemos isso pode ser importante. Será?

 

Há muitos chefes que o fazem sem ter uma carreira bem sólida. Tenho a sensação que a versão popular os dispersa do que devia ser o foco principal (e por vezes as consequências são bem objectivas). Por outro lado, raramente se dedicam à versão popular o suficiente para fazerem um bom trabalho. Um trabalho compatível com a fama que têm. Mais, quando reproduzem pratos tradicionais, raramente são significativamente melhores (se é que o são) do que numa boa tasca ou restaurante popular. O seu papel poderia também ser o de fazer renascer receitas ou produtos esquecidos, mas não é.

 

Ponho-me várias questões. No final o balanço é positivo? Como a maioria dos chefes não tem ainda uma carreira muito sólida (leva muitos, muitos anos), não seria melhor dedicarem-se à cozinha mais sofisticada que lhes deu nome? E se lhes interessa uma cozinha mais popular e acessível, porque não se dedicam mais, para marcar alguma diferença? Qual seria a aposta certa nestes restaurantes mais acessíveis?

 

Tantas vezes que já me pus estas questões, e sinceramente não tenho respostas definidas. Tenho que dizer que em muitos casos não entendo. Não sei sequer se é positivo para a imagem deles e se o eventual lucro compensa...

 

1ª foto  DAQUI

 

Numa mesa junto à janela, uns camarões, enquanto fazia exercícios de matemática

por Paulina Mata, em 28.01.16

IMG_20160116_163144.jpg

rosa.jpg

 

Com 10 anos, tal como todas as pessoas da minha idade, ao terminar a 4ª classe fazia-se o exame final e, se se pretendia continuar a estudar, o exame de admissão ao liceu. Este frequentemente exigia uma preparação extra. Preparação essa pela qual o meu Pai se responsabilizou.

 

Nesse período ele veio a Lisboa fazer um curso e eu vim com ele, para não interromper a preparação para o exame. Lembro-me de pouco do que estudava, do que fazia durante o dia em casa de familiares… até mesmo do exame… Só há uma coisa que ficou para sempre gravada na minha memória – um lanche na Portugália, numa mesa junto à janela, uns camarões, enquanto fazia exercícios de matemática.

 

Acredito mesmo que a mesa fosse esta…

O que é natural nem sempre é bom

por Paulina Mata, em 27.01.16

natural.jpgvermelho.jpg

 

 Há coisas que de tão intuitivas, virtuosas até, parecem uma verdade indiscutível… Mas serão? Muitas não.

 

“Come que é tudo natural!”

 

Se me dizem isto apetece-me logo perguntar: O que é que significa natural? O que é que isso garante? Significa que é mais saudável?

 

De facto, o que é considerado "natural", são por vezes coisas bem diferentes. Algumas altamente processadas. E será mau o facto de serem processadas? Não necessariamente.

 

Quanto às coisas naturais serem saudáveis… Infelizmente as coisas não são tão simples. É sempre preciso mais conhecimento, mas conhecimento bem fundamentado, em fontes credíveis. Os venenos mais potentes existem na natureza, e o homem até aprendeu a evitá-los ou, empiricamente, a eliminá-los. O caso da mandioca brava é um bom exemplo. É muito rica em cianeto, e alguns povos desenvolveram ao longo de séculos técnicas para a processar e eliminar o cianeto de forma a poderem consumi-la, é fascinante. Ou seja, a mandioca tem que ser altamente processada para se tornar num alimento saudável.

 

Num mundo não muito seguro, e em que a informação que nos chega é por vezes complexa e confusa, recorremos a várias âncoras, como esta do "natural", para criar zonas de segurança. Mas podem ser falsas zonas de segurança. A indústria e o comércio exploram esta, nem sempre justificada, associação entre o natural, o saudável e o seguro para vender. A imprensa bombardeia-nos com informação sem nenhum fundamento sobre os benefícios do “natural” versus um também mal definido “processado”.

 

Nem sempre o que parece é, e nem sempre o que é intuitivo é verdade. É urgente que se invista mais em educação e que estes conceitos comecem a ser clarificados na escola, talvez assim dentro de alguns anos os consumidores sejam mais informados, críticos e exigentes e façam escolhas mais racionais.

 

Imagem DAQUI

L´éclair: uma janela que permite escapar ao quotidiano

por Paulina Mata, em 26.01.16

DSC07524 (2)f.jpg

 

amarelo.jpg

 

Há dias, estava sentada na L’éclair e na mesa ao meu lado sentaram-se três franceses, com idade para estarem a gozar a sua reforma. Pelo que ouvi pareceu-me que uma senhora vivia em Lisboa e estava com um casal que a tinha vindo visitar. Enquanto aguardavam os éclairs que tinham escolhido, a senhora que vivia em Lisboa disse várias vezes aos amigos “Ils sont superbes”, depois foi dizendo que nunca tinha comido éclairs tão bons em França, que eram os melhores que alguma vez tinha comido. Também são os melhores que eu alguma vez comi, mas não sou francesa, e a minha experiência quanto ao que aos éclairs diz respeito é bem mais reduzida que a dela, e o que ouvi serviu para confirmar a qualidade dos éclairs que o Mathieu Croiger e a sua equipa nos disponibilizam diariamente.

IMG_20151007_092719 (2)f.jpg

A L’éclair abriu há quase dois anos, por iniciativa de Mathieu Croiger, filho de uma portuguesa, que tem formação em hotelaria e restauração e trabalhou na área durante vários anos em Paris. Aos 26 anos resolveu vir viver e trabalhar para Lisboa e trouxe com ele João Henrique, um pasteleiro também luso descendente. O objectivo era abrir uma pastelaria diferente do que tínhamos em Lisboa, baseada essencialmente num único produto. Desde o início que tenho sido cliente regular deste espaço com uma decoração simples, mas elegante, onde o serviço é muito simpático e me tratam sempre muito bem. A atenção que o Mathieu dispensa ao seu espaço e aos seus clientes é certamente um factor importante para o sucesso e para a manutenção da qualidade,  raríssimas foram as vezes que fui à L’éclair que o Mathieu não estivesse lá. 

IMG_20141010_164121 (2)f.jpg

O dia em que ouvi a conversa que referi estava cinzento, meio chuvoso, e cada dentada no éclair que tinha escolhido era como que um relâmpago que iluminava e tornava menos cinzento o dia. De facto a L´éclair para mim é uma das janela que me permitem escapar do quotidiano, por algum tempo, para umas férias bem longe. A L´éclair permite mimar-me com uns bolos lindos e excelentes… 

 

O facto da oferta ser essencialmente baseada num único produto, não significa que a experiência que nos proporcionam seja sempre igual. Estão constantemente a desenvolver novos produtos, posso sempre escolher o conforto e segurança de um éclair que conheço e de que gosto, ou arriscar em combinações mais exóticas, conforme a disposição no dia. 

IMG_20150711_112316 (2)f.jpg

O prato forte são os éclaries doces, que acompanho sempre com um chá da Mariage Fréres, que traz sempre uma pequena barra de chocolate Valhona. Chocolate este que também é usado na preparação do chocolate quente que servem.

IMG_20141202_180644 (2)f.jpg

IMG_20141028_170056 (2)f.jpg

IMG_20150606_155708 (2)f.jpg

IMG_20151007_093841 (2)f.jpg

E se queremos experimentar mais do que um, às vezes é difícil decidir,  há os mini éclairs.

IMG_20160109_123435 (2)f.jpgOu então há a opção de levar uns para casa para comer mais tarde e partilhar.

IMG_20150711_130418 (2)f.jpg

IMG_20150711_130442 (2)f.jpg

À hora do almoço há ainda éclaires salgados, servidos com uma salada. E ao pequeno almoço croissants e pains au chocolat.

IMG_20150818_125449.jpg

IMG_20150308_125733 (2)f.jpg

É uma sorte ter quase ao virar da esquina éclairs de excelência, melhores do que a muitos dos que se fazem em França (e não sou eu que o digo).

 

L’éclair

Av. Duque de Ávila 44, Lisboa

Taberna do Mercado - um almoço surpresa

por Paulina Mata, em 25.01.16

taberna do mercado.jpg

amarelo.jpg

 

Na véspera do meu aniversário, que tinha ido passar a Inglaterra com as minhas filhas, elas disseram: "Amanhã está pronta para sair às 9 h e 30 m". Perguntei onde íamos, disseram que era surpresa. Eu gosto de surpresas! Ia certamente ser um bom programa. Começámos por ir para a estação, rapidamente percebi que íamos apanhar o comboio para Londres. Chegando a King’s Cross, foi a vez de apanhar um autocarro. Já no autocarro perguntaram-me “Já tens alguma ideia para onde vais?”. Já, já suspeitava. O autocarro ia para Liverpool Street. Liverpool Street – Spitalfields Market… Taberna do Mercado.

 

Receberam-nos muito bem. O Bruno Caseiro veio ter connosco e combinámos que podia ser ele a escolher o menu. Eu gosto de surpresas! Ainda por cima gosto de tudo, e das coisas de que nem gosto muito, gosto de as ver com outra interpretação, ou a mesma… gosto de aprender a gostar.

 

Referiu que um dos pratos já tinha acabado, mas que ele sabia que eu lá ia e tinha guardado uma dose, porque gostava que o provasse. Mais surpresas! E convenhamos, é bom tratarem-nos bem... fazerem-nos sentir especiais.

 

Deram-me a escolher esplanada ou a sala. A sala decididamente. Conheço bem o mercado, já lá estive muitas, muitas vezes. Queria sentir o restaurante e não o mercado. O espaço e o conceito estão bem integrados no local. E, principalmente reflectem a  nossa cultura. Senti-me em casa. Os pratos foram sendo servidos a um bom ritmo. Uma das minhas filhas é vegan (elas tinham avisado), e com cada prato chegava uma versão dele, ou um outro prato, vegan para ela. Foi assim (os nomes que estão entre aspas são os nomes dos pratos no menu):

cenouras.jpg

“Carrots escabeche”

 

peixinhos da horta 2.jpg

 “Runner bean fritters and bulhão pato”

 

rissois.jpg

 “Prawn rissóis”

 

 presunto.jpg

Presunto

 

tutano.jpgTuna bone marrow

O prato que o Bruno Caseiro me tinha guardado. Nunca tinha comido o tutano do atum. É estranho, gelatinoso, diferente, mas muito interessante. Ao olhar para o prato não pude deixar de associar ao Roast Bone Marrow & Parsley Salad do St John, uma boa referência, e com o tutano de atum, um prato completamente diferente.

 

terrincho.jpg

“Terrincho, Quinta da Veiguinha DOP Bragança”

 

azeitao.jpg

 Queijo de Azeitão

 

ervilhas.jpg

 “Peas egg yolk and broa de milho”

 

conservas.jpg

 "House Tinned Fish – Cod massa de pimentão; Monkfish garlic and shallots; Makerel tomato sofrito"

 

endivias.jpg“Chicory, massa de pimentão, pear and almonds”

 

arroz.jpg

Arroz de Choco

 

migas.jpg

 “Breme onion and sorrel migas”

 

pezinhos.jpg"Cuttlefish and pig trotters coentrada"

 

lagosta.jpg

 "Lobster à Brás"

 

abade de priscos.jpg "Abade de Priscos and port caramel"

 

toucinho do ceu.jpg"Fig Toucinho do Céu"

 

pao de lo.jpg"Olive oil Pão de Ló"

 

Gostei dos nomes dos pratos, é preciso alguns conhecimentos sobre a nossa cozinha para se entender ao certo o que se vai comer, mas é normal, não é? Acontece-nos o mesmo em restaurantes de outras cozinhas. Gostei da mistura de línguas nos nomes. Fica divertido.

 

Gostei da apresentação dos pratos, das loiças, das mesas de madeira com tampo de mármore. Uma estética muito nossa, que nos faz sentir em casa. Original, para quem não tem as mesmas referências.

 

Quanto aos pratos, não, não é a comida da mãe, nem da avó… mas não é o que se pretende. É a cozinha do Nuno Mendes e da sua equipa. Alguns produtos, sabores e técnicas que bem reconhecemos numa cozinha urbana, actual, bem integrada no espaço. A generalidade dos pratos muito, muito bons…

 

Acompanho o trabalho do Nuno Mendes desde o tempo do Bacchus, onde fui algumas vezes, depois no Viajante e no Corner Room, e agora na Taberna do Mercado. Diferentes fases, mas todas muito interessantes. Lembro-me do António Agapito, chefe executivo da Taberna do Mercado, como estagiário no Bacchus. Tem sido bom poder acompanhar este percurso.

 

Havia mais surpresas para a tarde, mas tiveram que ser adiadas, a lista de pratos mostra bem porquê…

 

Para mim, por várias razões, um almoço inesquecível!

 

1ª foto DAQUI

Porque há Assins & Assados que marcam os dias...

por Paulina Mata, em 04.01.16

assins&assados.jpg

cinzento.jpg

 

Faz hoje dez anos que me inscrevi e comecei a escrever no forum Os Cinco às Oito. Apenas para um comentário. Não contava escrever muito. Mas tomei-lhe o gosto...

 

Seguiu-se o projecto Nova Crítica, em que o papel era diferente: fui convidada pelo Pedro Gomes e o Tiago Teles a moderar o espaço de gastronomia. Foi uma aventura bem intensa, mas cinco anos, cinco meses e cinco dias depois do meu primeiro post chegou a altura de deixar a Nova Crítica.

 

Quase cinco meses depois comecei a escrever, como convidada do Miguel Pires e do Duarte Calvão, no Mesa Marcada.

 

Duas experiências diferentes, duas experiências excelentes, que me marcaram muito, em que aprendi imenso, e de que guardo as melhores recordações.

 

Foram dez anos a colaborar em espaços onde me senti em casa, mas que não eram a minha casa. Agradeço do fundo do coração ao Pedro, ao Tiago, ao Miguel e ao Duarte as oportunidades que me deram. No entanto, há muito que sinto necessidade de ter um espaço meu. Fui adiando, porque me fizeram sentir em casa nos outros projectos, porque o tempo disponível para escrever não é muito... mas acho que agora chegou a altura de também ter a minha própria casa.

 

Há dez anos, quando comecei a escrever, o mundo era outro. Mudou muito entretanto, de forma que nunca imaginei... O mundo da gastronomia também mudou bastante. Aliás, tem sido uma revolução constante...  E eu também mudei, porque há Assins & Assados que marcam os dias e nos vão mudando.

 

Muito contribuiu para a minha mudança a participação no Mesa Marcada e, sobretudo, no Nova Crítica, já que um forum é um formato com maior imprevisibilidade e variedade de temas e que nos tira frequentemente da nossa zona de conforto. Esta participação obrigou-me a reflectir muito sobre temas relacionados com o que comemos e cozinhamos, alguns que nunca me tinham ocorrido antes, permitiu-me argumentar sobre estes assuntos, obrigou-me a procurar informação, a estudar... Aprendi muito, mesmo muito!

 

Apesar do que referi, ou talvez por isso, cada vez tenho menos certezas e posições bem definidas. E com a mudança que tem ocorrido no mundo, na gastronomia, na vida... acho que preciso de pensar, de reflectir, de descobrir o que sinto. De certa forma preciso de repensar tudo. Escrever ajuda a aprofundar e arrumar ideias. Este é um dos objectivos deste espaço, que será sobretudo vocacionado para um tema que me apaixona: o que comemos e como comemos... mas que não tem que ser exclusivamente dedicado a ele.

 

Ao longo do tempo fui descobrindo que o que escrevo, sobretudo sobre experiências, me ajuda a aprofundá-las e funciona como um arquivo dessas mesmas experiências. Um arquivo onde posso voltar sempre que preciso ou quero. Onde encontro sempre detalhes que a memória e a voracidade dos dias não permitiram manter vivos. E é bom revivê-los... Este espaço também será um arquivo de memórias, experiências e emoções.

 

São razões muito pessoais, egoístas mesmo,  que me motivam a escrever... Mas ao longo destes dez anos percebi que o facto de haver do outro lado quem lesse o que escrevia era muito importante, fundamental mesmo, porque me obriga a pensar alto e de forma mais cuidada, porque as contribuições e as discussões, sobretudo aquelas com boas argumentações, constituem Assins & Assados que me marcam os dias e que me mudam. Espero que de vez em quando estes Assins & Assados possam também contribuir para marcar os vossos dias e desta forma agradecer-vos o que me dão.

 

Até já! Vou estando por aqui.