Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Assins & Assados

As férias e a angústia da página em branco...

por Paulina Mata, em 14.09.19

IMG002724.jpg

 

 

cinzento.jpg

 

 

Estas férias tiveram uma característica especial, estive quase um mês sem sequer ligar o computador.  Soube bem. Mas as férias não foram tão longas quanto as 8 semanas de ausência do blog poderiam levar a concluir. A culpa para as primeiras duas semanas foi o trabalho, que não me deixou tempo livre. As quatro seguintes, foram aquelas em que não liguei o computador. Para as duas últimas podia arranjar n desculpas mas, basicamente, foi a angústia da página em branco. Aconteceu-me quando comecei o blog. Escrevi o primeiro post a 4 de Janeiro de 2016 depois, durante 3 semanas, não me ocorreu nada para escrever e só o pus visível mais tarde, depois de escrever o segundo post a 25 de Janeiro.

 

Hoje não tenho a menor ideia sobre o que vou escrever, mas é altura de vencer a angústia da página em branco... De facto, no primeiro post dizia que cada vez tenho menos certezas e posições bem definidas sobre gastronomia (e sobre quase tudo). Que precisava de pensar, de reflectir, de descobrir o que sentia. De repensar tudo. Basicamente acho que continuo no ponto zero... tudo muda muito rapidamente.

 

Quando comecei o blog mal se falava da necessidade de alterar a nossa forma de comer. Hoje ouvimo-lo todos os dias. Em Londres vi alguns milhares de pessoas, mais de uma dezena de milhar, manifestando-se pelos direitos dos animais. Gente de todas as idades, seguramente dos 8 meses aos 88 anos...

 

foto 3.jpg

foto 4.jpg

foto1.jpg

foto2.jpg

 

Continuo a comer tudo, mas de forma diferente. Há dias ao ver um anúncio de um supermercado pensei - isto começa a ser muito controverso.  Está tudo a mudar depressa... e todos vamos ter que nos adaptar.

 

Nas férias comi coisas simples, mas algumas muito boas. Gosto muito de ir às lojas e restaurantes que muitas quintas  produtoras de alimentos, ou mesmo garden centres, têm no UK. Sempre muito concorridos e com uma excelente oferta.

 

FOTO 2019123721.jpg

 

Constatei mais uma vez a óptima oferta de pratos veganos, mesmo num restaurante de bairro de pizzas.

 

IMG_2019.jpg

 

Descobri filhoses quase iguais às que a minha Avó fazia a milhares de quilómetros de distância. E ninguém copiou ninguém...

 

IMG_1.jpg

 

Mas foi bom também fazer coisa simples, como procurar pedras pintadas no parque. Uma atividade que os elementos mais novos da família muito apreciam, sobem até às árvores para as procurar. Eu adoro a ideia das pessoas pintarem pedras e as esconderem nos parques para as crianças procurarem e as esconderem noutro local.

 

70509460_10156732938142224_3283593559688609792_n.j

70446760_10156732937492224_5308125509618499584_n.j

 

Ou jogar escape games de tabuleiro ao serão, ou mesmo em escape rooms, esta uma atividade muito popular entre os membros mais velhos da família.

 

EG.jpg

 

Agora é hora de voltar à vida real, espero que escrever ajude. Mas decidir sobre o que escrevo está a ser um desafio... 

 

6 comentários

  • Imagem de perfil

    De Paulina Mata a 17.09.2019 às 00:29

    Olá Carlos, a sua ausência foi bem maior que a minha. Também já tinha saudades. Fico contente por o ver por aqui de novo.

    Há muitas opções alimentares que são questões pessoais. No limite admito que todas. No entanto parece que temos que tomar medidas para melhorar a saúde deste planeta. E a forma como comemos tem um peso importante. Como em tudo, agora o assunto passou a omnipresente. Não tenho dados credíveis em contrário e penso que vai mesmo ser necessário, que vai ter que acontecer.

    Não penso algum dia vir a ser vegetariana ou vegana, mas reduzir em 80% o meu consumo de carne, e até de laticinios admito que sim, que aos poucos aconteça.

    Mas mesmo sem considerar nada disto, a criatividade (e a tecnologia) para criar novos produtos plant-based (gosto mais de os referir assim, sem associar a nenhuma opção alimentar) fascina-me. Há coisas muito boas já. "Imitações", se assim as quiserem chamar, mas podem ser vistas de outra forma, que valem por si só. A semana passada comi um queijo "plant based" inspirado no gorgonzola. Não me preocupa minimamente se é igual ou não. É excelente, e só tenho pena de só ter acesso a ele ocasionalmente porque o comeria regularmente. Acho fascinante este desenvolvimento de novos produtos, criação de texturas e sabores excelentes que antes não eram possíveis ou que nunca tinham sido tentados.

  • Sem imagem de perfil

    De Carlos Alexandre a 17.09.2019 às 21:49

    Está a ver?

    A sua vivência, rica em descobertas, análises, compreensões, assimilações e comparações, permite-lhe fazer opções com que mais ninguém se poderá identificar. Poderão estar próximos, ou copiar, mas o que escolhe e gosta é muito seu. A sua impressão digital. Isto não é uma tendência, é viver, em vez de copiar.

    As tendências são tão más quanto o estado atual. Gostaria de ver estudos sérios sobre alternativas quantificadas, e com fundamentos e pressupostos credíveis. Por exemplo, estudos sobre o feito de uma pequena variação do consumo atual pode ter sobre a correção do desequilíbrio de que se fala. Será preciso mudar 70-75%? 50%? 20%? As tendências empurram para soluções que serão outros problemas, se não em termos de sustentabilidade, podem sê-lo em termos de saúde pública, ou até mesmo em termos de equilíbrio ecológico, por mais inacreditável que possa parecer. Por outro lado, será tão bom assim reduzir a excessiva produção de dióxido de carbono de modo tão drástico que a natureza, na reação a esta mudança, tenha comportamentos que ninguém esperava?

    São tantas as questões de que ninguém fala que não acredito em nenhuma das tendências, por terem fundamentos muito superficiais e demagógicos.

    Comer peixe não é crime. Crime é deitar fora metade do peixe, porque só se comem as partes nobres, e o mau hábito de comprar filetes que deixam todo o resto do peixe para o lixo. E as espinhas para o caldo? E as aparas para fazer uns rissóis? E há necessidade de comer 400 g de peixe limpo por pessoa? Não bastarão 150 g com uns legumes? Um peixe pode render muito mais do que o que se aproveita. E aprender a amanhá-lo pode levar a respeitá-lo nesse sentido, porque vemos o que vai para o lixo e que podia ser aproveitado. isto em casa de todos nós.
    Esta e muitas outras são as verdadeiras questões que passam ao lado.




  • Imagem de perfil

    De Paulina Mata a 27.09.2019 às 23:03

    Carlos, há de facto muitas questões que se podem pôr. E qualque mudança tem consequências que podem ser más. Veja o caso do efeito que teve de repente toda a gente começar a comer abacate ( https://assinseassados.blogs.sapo.pt/a-moda-do-abacate-e-as-suas-159335 ).


    Não sou especialista em questões de sustentabilidade, limito-me a "acreditar" naquilo que me parece vir de fontes (ou ser apoiado por pessoas / instituições) mais credíveis. Não posso provar o oposto, e não vi nunca o assunto ser rebatido com argumentos credíveis. Pode haver algum exagero, não sei. Mas há que fazer qualquer coisa. Penso que há que tomar medidas, mesmo que algumas tenham que ser corrigidas. ´´E o processo para atingir um equilíbrio.

    O desperdício que refere é um dos aspetos, e os valores são chocantes. O que o consumidor final deita fora é imenso. A época da comida barata e fácil, em que tudo se deita fora, vai mudar. E o desperdício terá que ser menor. Tem toda a razão quando refere isso.

    Em tempos li que reduzir muito este desperdício e comer menos carne era fundamental e um passo enorme. Será? Será "normal" comer tanta carne? Isso também é uma "moda" recente.
  • Sem imagem de perfil

    De Carlos Alexandre a 29.09.2019 às 14:28

    Claro que se "gasta" demasiada carne, porque se estraga muita. Nos EUA uma dose individual daria para mim para quatro refeições.

    Eu sintetizo a minha posição dizendo que tudo se passa em nossa casa. Cada indivíduo tem de ter bom senso. A moda das lutas não resolve nada se cada um não tiver consciência de que a comida é sagrada e que alimentar-se bem é ter o máximo de variedade possível. Não é indo manifestar-me para o Banco de Portugal que vou convencer as pessoas a comerem com mais racionalidade. É trabalhando nas escolas, na educação alimentar com jovens e adultos, e sobretudo ensino as pessoas a cozinhar para aprenderem o que podem fazer com tudo o que têm ao seu alcance sem ser com carne.
    Gritar na rua ou representar uma leitura de textos demagógicos, é histeria coletiva que passa por certa, por estar na moda. Trocar experiências é aprender e ensinar sem dogmatismos e, a longo prazo dá frutos.

    Não tenho dúvidas que a nossa sociedade está doente, mas o diagnóstico está a ser mal feito.
  • Imagem de perfil

    De Paulina Mata a 04.10.2019 às 21:53

    Concordo com grande parte. O que fazemos em casa é fundamental.

    As manifestações se calhar também (embora aconteçam coisas discutíveis). É que o que fazemos em casa não é notícia. Não sensibiliza ninguém. E é preciso sensibilizar.

    Estou longe de ser o tipo de pessoas que acha que proibir é a forma de resolver as coisas. Tal como o Carlos acho que é a educação que leva à mudança. Mas para que se mudem práticas é preciso chamar a atenção, é preciso sensibilizar.

    Sabe, acho que o melhor efeito da proibição da carne de vaca nas cantinas da Univ. de Coimbra foi ter feito falar do assunto, bem ou mal... Falou-se, discutiu-se. Acho que parte de um eventual objetivo já foi atingido.
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.