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Come Prima e o aroma inebriante da trufa branca de Alba

por Paulina Mata, em 10.12.18

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Entrei a porta e o odor era inconfundível, cheirava a trufa! Não era de estranhar, há alguns dias que via na comunicação social fotos da enorme trufa branca de Alba, diziam que a maior da década, que tinha sido adquirida por Tanka Sapkota para o seu restaurante Come Prima. Quando recebi o convite para ir lá almoçar imaginei que iria ainda comer parte da trufa gigante. É que 1,153 kg de trufa é mesmo muito trufa. Não aconteceu. Foi quase toda consumida no primeiro dia, nem sequer deu para todo um segundo dia. Mas havia outras, não tão grandes, mas acredito que igualmente boas. Ali estavam elas sobre a mesa, não resisti a pegar numa. Quando a pousei cheirei a mão, não podia deixar de aspirar os voláteis (acredito que bem mais de uma centena) que ali tinham ficado.

 

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Chegou um prato com meio pão, o pão que é feito diariamente no Come Prima, vinha barrado com uma pasta de Ricotta e Fontina, os dois com sabores suaves para deixar sobressair a trufa branca de Alba fatiada à mesa sobre cada um dos pratos. 

 

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Tanka Sapkota, nepalês que teve o primeiro contacto com cozinha italiana a trabalhar em restaurantes na Alemanha, veio um dia a Portugal de férias e por cá ficou. Abriu o Come Prima em 1999 e a sua preocupação sempre foi aprender mais e fazer melhor. Frequentou cursos na escola de cozinha da Gambero Rosso, fez muitas visitas a Itália e, atualmente, está a participar num documentário que envolve percursos por algumas regiões - Piemonte, Puglia, Veneto  e Campania - onde contacta com quem pratica a verdadeira cozinha tradicional, mas também com chefes reconhecidos e produtores. O objetivo é mais uma vez conhecer mais, aprender mais e fazer melhor.

 

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Foi com orgulho que informou que tinha sido nomeado recentemente Cavaliere dell'Ordine del Tartufo e dei Vini di Alba.

 

O almoço prosseguiu com um ovo biológico cozido a baixa temperatura (64ºC), temperado com flor de sal e servido apenas com trufa branca de Alba.

 

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De seguida veio o prato que para mim foi o ponto mais alto do almoço. Delicioso!  Uma pasta caseira com manteiga dos Açores e um pouco de Parmigiano Reggiano.

 

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Para acompanhar os pratos anteriores foi servido um Pêra-Manca Branco de 2016. Com o prato seguinte, um escalope de vitela muito jovem levemente frito em manteiga e servido com trufa, veio um Quinta de Carvalhais Reserva Tinto 2012.

 

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Até a sobremesa,  um bolo de chocolate com creme de Mascarpone foi servido com trufa  branca de Alba. Foi acompanhada de um Porto Ferreira.

 

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Uma experiência excelente, uma refeição fantástica, condimentada ainda com o orgulho do Tanka Sapkota em fazer bem, e cada vez melhor, e trazer para Portugal, para o seu restaurante, trufa branca de Alba. Para ser ainda mais interessante contribuiu o excelente convívio e conversa com os meus companheiros de mesa.

 

Este é um produto sazonal, a época dura poucos dias e no Come Prima termina no dia 12 de Dezembro.

 

Come Prima  - R. do Olival 258, Lisboa