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Assins & Assados

Vietname - ou um leve cheirinho a ele...

por Paulina Mata, em 01.06.16

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Não há restaurantes de comida vietnamita em Lisboa, e é pena. Há algum tempo surgiram restaurantes que servem um prato da cozinha de rua vietnamita, o Phô. O Phô é uma sopa, uma tigela de um caldo de carne e especiarias, massa de arroz, carne - usualmente porco ou vaca, mas podem existir outras variações, e muitas ervas aromáticas. Normalmente vem o caldo com a massa, a carne e algumas ervas e uma travessa com rebentos de soja, um molho, limão e mais ervas aromáticas - coentros, hortelã e mangericão (embora o mangericão usado no Vietname seja diferente do que é comum aqui).  Uma sopa que é uma refeição. Quanto ao nome, alguns dizem que vem da palavra francesa feu (fogo) já que os franceses colonizaram o Vietname. Mas não é garantido que tal seja verdade.

 

Tanto quanto sei, o primeiro restaurante a servir Phô em Lisboa foi o Pho-Pu na zona do Martim Moniz.  Já lá fui algumas vezes, desta vez resolvi ir experimentar um novo, o Pho House, que abriu no Atrium Saldanha e tem mais algumas coisas vietnamitas. Escolhi este para experimentar um novo espaço (embora o food-court de um centro comercial não seja o local mais apetecível e interessante) e também porque vi que tinham uma outra coisa, os Gỏi cuốn, crepes muito frescos feitos com papel de arroz, e com recheio de camarão, alface, massa vermicelli e ervas aromáticas. Lembro-me muito bem da primeira vez que os comi, há mais de 30 anos. Numa época de crise... fugi para Paris e fiquei em casa da Annie. Uma francesa que tinha conhecido em Lisboa, tinha vindo com um músico francês que veio dar um concerto. Morava num apartamento pequeno na Rue de Sévres, onde estive alguns dias. Uma noite convidou-me para jantar num restaurante vietnamita, junto ao Sena perto do Quartier Latin. Foi lá que comi pela primeira vez os Gỏi cuốn. Nunca mais me esqueci, nunca tinha visto nada assim, achei-os lindos com a folha de arroz meio transparente, a deixar ver os camarões, achei-os também super aromáticos, devido ao conjunto de ervas aromáticas que tinham. É raro encontrar cá estes crepes e decidi ir experimentar.

 

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Também se viam os camarões, mas faltava-lhes o aroma das ervas, tinham muita alface, alguns coentros, mas nem dei pela massa vermicelli, podia ter, mas era pouca. Bem longe das memórias que tenho de outros Gỏi cuốn, dos de Paris e dos que comi algumas vezes em Londres em restaurantes vietnamitas. Ao lado um molho de amendoim.

 

Quanto ao Phô... o caldo podia ser mais saboroso, vinha com a massa, escolhi o de vaca mal passada, que tinha fatias finas de carne de vaca crua que cozeram com o caldo quente, e algumas almôndegas de carne de vaca, coentros e cebola. A travessa que me deram tinha um pedacinho demasiado pequeno de limão, bastantes rebentos de soja, duas folhas de hortelã e molho hoisin. Poucas ervas, demasiado poucas... pedi mais, pedi mangericão, pedi malagueta (bem picante... usei só dois pedacinhos e chegou). Se não tivesse pedido as ervas e a malagueta era um Phô um pouco triste, assim foi um pouquinho melhor. Mas é mesmo só um leve cheiro ao Vietname... Um restaurante vetnamita não pode poupar assim nas ervas aromáticas.

 

Para quando um bom restaurante de cozinha vietnamita em Lisboa? Era mesmo bom.