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Um Almoço no Antiqvvm

por Paulina Mata, em 10.07.17

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Há dias estive umas horas no Porto. Fui participar no debate organizado pela Ordem dos Nutricionistas no âmbito das comemorações do Dia da Gastronomia Sustentável. Achei que tendo-me levantado num domingo pelas 5 e meia, e viajado para o Porto para participar num debate durante a manhã, mais do que merecia um bom almoço antes de regressar.

 

Não conhecia o trabalho do Chef Vitor Matos. Mas já o tinha visto em várias sessões de show-cooking e gostava do entusiasmo e paixão que transmitia. Assim, decidi que o Antiqvvm era um bom local para almoçar. Foi decidido em cima da hora, nem sequer marquei, limitei-me a aparecer, já um pouco tarde, mas felizmente havia mesa. Pedi à carta, uma entrada, um prato e uma sobremesa. Mas com os amuse-bouche e a pré sobremesa, o menu foi bem mais longo.

 

Pouco depois de me ter sentado chegou o pão, ou melhor os pães pois chegaram cinco variedades, com manteiga das Marinhas e azeite, e logo de seguida trouxeram um conjunto de pequenos snacks.

 

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Este era composto por:

 

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 Cavala, aioli e sucos de pimentos assados

 

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 Baguete de toro de atum com escabeche

 

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 Tártaro de camarão com abacate, chilli e coentros e crocante de tinta de choco

 

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 Romeu e Julieta - Gelado de queijo Serra da Estrela e marmelada

 

A que seguiu 

 

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Foie Gras des Landes & Enguia Fumada
Maçã - Café - Balsâmico - Sabugueiro

 

Um conjunto interessante e diversificado de snacks, com sabores bem definidos. Gostei particularmente do último, mais complexo que os anteriores. Chegou então a entrada que tinha pedido:

 

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Lavagante Azul & Vieira
Bloody Mary de beterraba - Molho de ostras e gengibre - Aipo
 
Pedaços de lavagante, mas também um tártaro de lavagante envolvido por um gel de beterraba, de forma a parecer uma beterraba (a esfera ao centro), rodelas finas de vieira, e também de beterraba, tudo acompanhado por um creme de beterraba e também o Bloody Mary, e ainda um molho de sabores asiáticos contendo molho de ostras, gengibre e yuzu. Por cima umas folhas de aipo com o seu sabor forte e anisado. Uma variedade de sabores e texturas, numa entrada muito boa e bonita.
 
 

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Robalo do Atlântico & Algas

Xerém de amêijoas - Molho de Alvarinho e açafroa dos Açores - Camarão

 

Robalo escalfado num caldo com algas, num bom ponto de cozedura. O molho de Alvarinho e açafroa sob a forma de espuma e um xerém de ameijoas e camarão, algas e salicórnia. Um bom prato, mas para o meu gosto de sabores demasiado suaves, acho que ganharia se estes não fossem tão discretos e tivessem um pouco mais de personalidade.

 

Antes da sobremesa, trouxeram uma pré-sobremesa muito agradável. Um gelado de citrinos, um cremoso de cenoura e gomos de laranja e limão passados por uma calda de açúcar. Fresca, leve, não muito doce, com a acidez dos citrinos.

 

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Finalmente  chegou a sobremesa. Escolhi uma em que um dos ingredientes era ruibarbo, pois não me lembro de alguma vez ter visto uma sobremesa com ruibarbo num restaurante em Portugal.

 

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Framboesa & Ruibarbo

Gelado de lima kaffir - Gel de lichias - Coco em texturas - Sabugueiro

 

Muito bonita, também fresca e pouco doce. Pedaços de ruibarbo, a framboesa fresca, mas também sob a forma de gel, assim como o sabugueiro, as lichias e uma das texturas do coco.  Coco que ainda vinha na forma de marshmallow e ralado. Tudo complementado com um gelado de lima kaffir.

 

Finalmente trouxeram uma caixa com uma enorme variedade de petit-fours dos quais escolhi três - goma de morango com um "papel" comestível, um macarron de mirtilo e um bombom de chocolate preto e café.

 

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 As pequenas jóias do Chef

 

Um bom almoço, de acordo com o que seria de esperar num restaurante com uma estrela Michelin. A exuberância e a paixão transmitidas pelo chef Vitor Matos tinham-me criado algumas expectativas. Confesso que o prato de robalo, embora muito bom, ficou abaixo delas. Esperava algo com mais personalidade.

 

Um serviço simpático, mas que precisa ainda de alguma afinação. O reparo principal tem a ver com a temperatura na sala. Era um dia de muito, muito calor e o ar condicionado não estava ligado. A temperatura dentro da sala era demasiado elevada, tive inclusivamente que tirar o leque da carteira. Queixei-me três vezes do calor, as duas primeiras não deram origem a qualquer reação, a não ser constatarem que de facto estava calor. Na terceira vez que referi, a outra pessoa, foi-me de imediato perguntado que se queria que ligassem o ar condicionado. Depois disso melhorou, mas eu já estava na sobremesa... São detalhes que podem estragar uma refeição e que têm que ser mais cuidados.

 

 

Antiqvvm 

R. de Entre-Quintas 220, Porto

 

 

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