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Assins & Assados

Síria - o pão e muito mais sabores... no Mezze

por Paulina Mata, em 05.01.18

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Li uma vez, não sei onde, que nos emigrantes, nas gerações que já nascem fora do país, se perde mais rapidamente a língua do que os hábitos alimentares e as memórias dos sabores. Não sei se é verdade, mas sei que o que comemos, as memórias gastronómicas são parte intrínseca da nossa identidade. 

 

Compreendo perfeitamente a resposta de Alaa Alhariri, uma estudante síria de arquitectura, quando Francisca Gorjão Henriques e Rita Melo lhe perguntaram de que é  que tinha mais saudades - do pão. Esta resposta foi como que uma alavanca para o projecto Pão a Pão - Associação para a Integração de Refugiados do Médio Oriente, que esteve na base da criação do restaurante Mezze. Recorrendo a uma campanha de crowdfunding, e depois de um período de formação, o Mezze abriu em Setembro no Mercado de Arroios.

 

Jantei lá em Outubro, e estive lá mais recentemente para um workshop de cozinha síria, seguida de um jantar em que nos sentámos todos à mesa, partilhámos a refeição que tínhamos preparado e conversámos. Uma óptima experiência! É sempre bom aprender a criar novos sabores, conhecer novos pratos e técnicas. Mas foi sobretudo bom pois as pessoas que ali estavam, a partilhar as suas experiências e a mostrar a sua cozinha, eram quase conhecidos pois já tinha lido sobre eles, as caras eram bem familiares. 

 

A Fátima, o Rafat, o Yasser, a Alaa, e o orgulho e entusiasmo com que nos mostraram a sua cozinha, e o apoio constante da Francisca Gorjão Henriques tornaram a experiência inesquecível. 

 

Começámos, como não podia deixar de ser, pelo pão e o Yasser, um exímio padeiro, demonstrou-nos como se fazia o pão sírio.

 

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Tudo o resto esteve a cargo da Fátima, com o apoio de todos. O Rafat e a Alaa, ambos falando um português excelente, traduziam e explicavam.

 

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No final sobre a mesa tínhamos:  khubz (pão sírio), hummus (pasta de grão), tabbouleh (salada de salsa), baba ganoush (puré de beringela), mandi (arroz fumado com pimentos), meshawi (espetadas de frango), tudo acompanhado de sumo de tamarindo. E para concluir a refeição harissa (bolo de sêmola de trigo) com café sírio (com cardamomo e as borras do café).

 

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Tudo muito bom, mas se pudesse destacar uma só coisa, seria o arroz. Óptimo, como tudo o resto, mas sobretudo por ter aprendido a técnica usada para o fumar que nunca tinha visto. Quase no final faz-se uma pequena cova no meio cobre-se com papel de alumínio (que forma como que uma pequena taça), dentro deita-se uma brasa incandescente, por cima dela um pequeno fio de azeite e tapa-se o tacho. O fumo que se liberta vai fumar o arroz. No final retira-se tudo, mistura-se o arroz e serve-se. E o sabor é espantoso! E a técnica fascinante! Nunca deixa de me espantar o engenho e criatividade para transformar alimentos e criar sabores tão característicos da cultura de cada povo.

 

 

Mezze - Mercado de Arroios, Rua Ângela Pinto, 12, Lisboa

 

1ª Foto DAQUI

 

Cerejas com Origem

por Paulina Mata, em 01.07.17

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O fruto que mais associo à sua região de origem é a Cereja do Fundão, grandes, carnudas e doces, procuro-as todos os anos , pela sua imagem de qualidade.

 

Penso que tal é resultado das iniciativas desenvolvidas nesta região, com o apoio da Câmara Municipal do Fundão, de forma a promoverem a cereja e a transformarem-na num motor de desenvolvimento económico. De facto este produto já movimenta 20 milhões de euros por ano e que dá emprego a cerca de 1500 pessoas, o que é fundamental para a sustentabilidade económica da região.

 

Associados à cereja, quer sejam as cerejeiras em flor ou a apanha da cereja, são organizados programas turísticos e a Festa da Cereja. Tem havido também um investimento na forma de conservar cerejas para poderem ser consumidas todo o ano (embora o consumo de cerejas frescas esteja limitados à sua época). Têm sido criados produtos com cerejas, como é o caso dos pastéis de cereja desenvolvidos em colaboração coma a Escola de Hotelaria do Fundão.

 

A par de tudo isto, na época da cereja, é ainda organizada a Rota Gastronómica da Cereja, sendo convidados restaurantes de chefes de renome e bares para que criem menus e cocktails com cerejas do Fundão. Este ano, de 16 de Junho a 2 de Julho, decorreu a V Rota Gastronómica da Cereja do Fundão, com restaurantes e bares de Lisboa, do Porto e do Algarve.

 

Fui convidada para um jantar com representantes da Câmara Municipal do Fundão que decorreu no restaurante Panorama do Hotel Sheraton em Lisboa. Todos os pratos do menu continham cerejas:

 

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 Crocante de Cereja, Iogurte com Cardamomo e Creme de Cereja

 

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 Ostra, Neve de Cereja e Coco, Salada de Aipo, Água de Ostras

 

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 Leite Creme de Fois Gras, com Puré de Cereja e Jus de Coentros

 

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 Supremo de Pato com Beterraba, Cerejas do Fundão Assadas no carvão, Pele de Cavala Estaladiça e Jus de Rosas

 

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 Cerejas do Fundão com Sorvete de Maçã

 

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Mousse de Cereja do Fundão com Gelado de Cerefólio e Mel e Crocante de Parmesão

 

Uma variedade de interessantes propostas do Chef Miguel Paulino, em que as cerejas surgem em contextos pouco habituais mas que resultaram muito bem.

 

O jantar foi também acompanhado por vinhos D.O.C. Beira Interior:  o branco Alpedrinha Reserva de 2015 da Adega Cooperativa do Fundão, e o Colheita Seleccionada tinto de 2014 da Quinta dos Currais.

 

Excelente o trabalho realizado pelo Câmara Municipal do Fundão na promoção da Cereja apresentando-a como um produto de qualidade e desenvolvendo todo um conjunto de actividades em torno dela.

 

Good After - uma contribuição para reduzir o desperdício

por Paulina Mata, em 12.06.16

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Acabei de ler que um novo supermercado on-line, Good After, vende produtos em fim de linha até 70% mais baratos.

 

Uma boa iniciativa, pois é uma forma de reduzir desperdício alimentar. Não tem mesmo sentido que coisas em bom estado vão para o lixo!