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A minha lâmina de cortar pão - verdadeiro tesouro

por Paulina Mata, em 12.05.17

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Gosto de fazer pão, já disse aqui muitas vezes. Há dias comentava com uma amiga que me faltava uma boa lâmina para cortar o pão. Uns dias depois recebi de presente a lâmina mais bonita que alguma vez vi! Um verdadeiro tesouro!

 

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Linda, com um cabo de nogueira preta... Primeiro foi entender bem a forma de colocar a lâmina, esse pequeno obstáculo ultrapassado (afinal era tão simples), o passo seguinte foi usá-la.  Agora fazer pão é outro luxo! Este foi um dos primeiros que cortei com a minha nova lâmina.

 

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É uma sorte ter amigos assim!

 

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A minha panela de Fatias de Tomar - verdadeiro tesouro

por Paulina Mata, em 23.08.16

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Se pesquisar na memória, as imagens mais antigas que tenho das Fatias de Tomar, ou Fatias da China como alguns lhe chamam, são de uns grandes pratos cheios de Fatias de Tomar em calda de açúcar que via na montra da Martins & Costa, uma mercearia fina que havia na Rua do Carmo e que ardeu no incêndio de 1988.

 

Penso que nunca as comprei, mas de cada fez que passava aquele doce misterioso intrigava-me. Como seria feito? Não me lembro quando as comi pela primeira vez, mas li como se fazia e comecei a fazer. Primeiro numa marmita oval, que fechava bem e que usava para as cozinhar em banho-maria. Mais tarde ofereceram-me esta panela para fazer Fatias de Tomar. Foi há mais de 20 anos. Lembro-me que me disseram na altura que só havia já uma pessoa a fazê-las em Tomar. Um tesouro!

 

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Usei-a muitas vezes. É sempre um fascínio ver como duas dúzias de gemas se transformam num bolo fofo, que depois de cortado em fatias e destas serem passadas por uma calda de açúcar a ferver, para as ensopar, se torna neste doce delicioso.

 

Há muito que não as faço, mas tenho que fazer um dia destes... Há muito que não as vejo a vender. Em Tomar não as vi na lista de sobremesas dos restaurantes que visitei, a não ser no Hotel dos Templários. Foi lá que comi estas. Deliciosas!

 

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PS

Depois deste post escrito encontrei esta entrevista feita pelo Fernando Melo a Maria de Lourdes Modesto, em que as Fatias de Tomar e da sua panela própria são referidas. Tendo até sido confeccionadas por Maria de Lourdes Modesto durante a entrevista.

 

Os meus funis de fios de ovos - verdadeiros tesouros

por Paulina Mata, em 08.06.16

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Gosto muito de doces de ovos. Qualquer doce de ovos. Porque são muito bons. Se os tenho não paro... por isso o melhor é nem fazer, nem comprar... vá lá só de vez em quando... muito de vez em quando.

 

Gosto muito de doces de ovos, quaisquer doces de ovos. Porque são o resultado de um nível espantoso de criatividade e sofisticação. Quem é que imagina pegar em ovos, e particularmente gemas, e açúcar e transformá-los numa panóplia de produtos com diferentes texturas, aspectos e até sabores, e que provocam uma variedade de sensações. Do conforto que dá uma tigela de ovos moles, à delicadeza de umas trouxas de ovos, ou à doce espuma de umas fatias de Tomar... Tudo é delicioso.

 

Mas hoje é dia de fios de ovos.  Que aprendi a fazer há muitos anos. Queria aprender a cozinhar, fui à lista telefónica e a única escola de cozinha que encontrei era... no prédio em frente ao meu, no mesmo andar que eu, ou seja, exactamente do outro lado da rua. Fui para a janela, para ver se via quem atendia, e telefonei para lá. Não vi ninguém. 70 aulas, aprendia-se a fazer tudo com a D. Iolanda. Se queria em grupo ou individual? Em grupo que era mais barato. Nas 70 aulas, entre janeiro e maio de 1981, o grupo fui sempre só eu. A D. Iolanda fazia, eu via, e anotava. Tenho quatro cadernos com as notas. Talvez um dia copie aquelas receitas e faça um livrinho. Depois trazia o jantar para casa.

 

Foi com a D. Iolanda que aprendi a fazer desde massa folhada e pastéis de nata a caldeirada de enguias (tive pesadelos nessa noite, só me lembrava das enguias aos saltos, a agonizarem), de galantine de frango a bolas de Berlim e até um bolo de noiva. Está tudo naqueles livrinhos. Até leitão à Bairrada. Pergunto-me como teria sido feito. De certeza que não foi com um leitão... havia que simplificar algumas coisas. O grupo fui sempre só eu. Foi com a D. Iolanda também que aprendi que manteiga de cacau, água de flor de laranjeira e o verdadeiro açafrão se compravam na farmácia. Estas dicas estão escritas na contracapa de um dos cadernos.

 

Foi também com a D. Iolanda que aprendi a fazer fios de ovos. Adorei aprender a pegar no funil, e sozinha conseguir fazer todo o processo. Comprei um funil de fios de ovos. Este:

 

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Foi muito usado para  Fios de ovos, Dom Rodrigos, Lampreias de ovos... Foi comigo quando fui um ano de sabática para Inglaterra. Achei imprescindível.

 

O meu irmão casou e eu fiz as lampreias de ovos para a boda. Penso que umas seis. Com este funil era complicado. Comprei outro, que facilitava muito a vida.

 

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Os anos deixaram-lhes marcas. Mas para mim são tesouros. A vida mudou... e eu raramente faço fios de ovos. E estes tesouros foram substituídos por um outro funil, mais de acordo com os requisitos actuais. Também um tesouro.

 

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Tenho que fazer fios de ovos um dia destes!