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A Cozinha Portuguesa interpretada por Nuno Mendes no Peixe em Lisboa

por Paulina Mata, em 27.04.16

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A primeira vez que ouvi falar do Nuno Mendes foi no final de 2006, num artigo do Jay Rayner, fui relê-lo agora a propósito deste post e constatei que no mundo da cozinha tudo mudou mesmo muito nestes 10 anos! Cerca de 6 meses depois de ler este artigo fui jantar ao Bacchus a Londres, o restaurante do Nuno Mendes na altura. Estive a ler o que escrevi relativamente a esse jantar. Dizia que havia algumas referências à cozinha espanhola, mas não à portuguesa. Mais tarde, no Viajante, já havia referências à cozinha e a produtos portugueses, mas poucas. Na apresentação no Peixe em Lisboa, o Nuno Mendes disse que inicialmente essa relação não era possível por razões várias, de que destacou a disponibilidade de produtos. Pelo que entendi, o seu interesse pela cozinha e produtos portugueses também não era tão grande como acontece actualmente.

 

Este interesse actual reflecte-se na abertura da Taberna do Mercado em Londres, onde tem como um dos objectivos dar visibilidade aos produtos portugueses, aos sabores portugueses e à língua portuguesa. Sabores esses que reflectem as suas memórias mas, como referiu, memórias que podem estar desfocados pelo seu percurso de vida, pelas viagens que fez. Até pelos pratos de influência portuguesa que encontrou noutros continentes, adaptados aos produtos e climas locais.

 

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Foram três pratos nesta linha que apresentou no Peixe em Lisboa. Começou com um prato de salmonete com um molho inspirado pela caldeirada. Relativamente ao peixe, referiu que pode beneficiar com alguma maturação (curiosamente um tema também tratado depois por Tomoaki Kanazawa) e explicou como o faz em geral, e em particular para este prato.  O peixe foi então confitado em azeite a 42ºC  e depois levemente corado com um maçarico. Para o molho fez um caldo baseado na caldeirada.

 

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O peixe foi servido sobre pão barrado com um piso de coentros e guarnecido com lascas de amêndoa.

 

O segundo prato foi inspirado no bacalhau à Brás. O bacalhau usado foi bacalhau fresco que ele próprio curou e confitou. As suas lascas foram misturadas com cebola caramelizada, batatas  e ovos. No prato, à volta do preparado de bacalhau, foi colocado um caldo também de bacalhau e, no final, por cima foi colocada uma pele de bacalhau desidratada e posteriormente hidratada em caldo de bacalhau misturado com um caldo de arroz fermentado.

 

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O último prato foi uma barriga de garoupa maturada servida com pézinhos de coentrada.

 

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Um prato que de certa forma é uma variação de um outro servido na Taberna do Mercado  - "Cuttlefish and pig trotters coentrada" (ver aqui).

 

No final, junto ao espaço de cozinha reparei que a faca que usou foi, como seria de esperar, a faca de cozinha das Rocks Knives.

 

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Uma cozinha muito interessante e que tem dado que falar em Londres, uma interpretação muito pessoal da cozinha portuguesa.

Harmonizações no Peixe em Lisboa - André Magalhães / Vinho do Porto

por Paulina Mata, em 21.04.16

 

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Harmonizar peixe e marisco com vinho do Porto não é uma tarefa fácil. Com o André Magalhães, que pela primeira vez criava pratos para harmonizarem com vinho do Porto, o desafio tornou-se  maior, tal a diversidade de ingredientes e o facto de muitos deles terem personalidades bem vincadas. Por várias vezes o Paulo Pinto do IVDP disse: Eu tinha pensado as harmonizações considerando o ingrediente básico, com todos os outros componentes já não tenho a certeza, o melhor é experimentarem com todos.

 

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Todos eram: um Porto Branco Reserva da Rozès, um LBV 2007 da Chuchill's e um Colheita 2005 da Niepoort.

 

O desafio começou com uma entrada de peixes fumados.

 

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De cima para baixo: Esturjão fumado temperado com miso branco, com nata ácida e endro; Muxama de bonito com beringela fumada e creme de limão de conserva; Bacalhau demolhado com harissa sobre uma tosta barrada com manteiga emulsionada com leveduras do pão (uma criação do Leo Carreira).

 

Ao assistir à preparação estava um pouco apreeensiva com a diversidade de sabores fortes, mas no final tive que concluir que estavam muito bem equilibrados. Para a muxama e o bacalhau foi sugerido o Colheita da Niepoort, um vinho envelhecido em madeira, com notas de especiarias e frutos secos.  Para o esturjão o Porto branco reserva, um vinho com 7 anos, com grande complexidade de aromas e muita propensão para a gastronomia.

 

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Seguiu-se um camarão inspirado no Kinilaw, um prato das Filipinas. O camarão marinado em vinagre de coco, gengibre, lima, açúcar de palma a alho, foi brevemente cozinhado com um maçarico, para dar o efeito de grelha. A acompanhar um pickle de cebola roxa e kumquat. Finalmente amendoim torrado e pó de satay, e ainda furikake, um tempero japonês feito de peixe seco e moído, sementes de sésamo, algas e sal. Complexo? Muito. Delicioso? também...

 

Para este o vinho sugerido foi o LBV da Churchill's muito estruturado e frutado. Também experimentei com o branco e gostei.

 

Seguiu-se o terceiro e último desafio:

 

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Enguia fumada com tofu fumado e marinado com azeite e tamari, alga saccharina e nori hidratada, silken tofu e um sabayon confeccionado com um vinho do Porto branco seco e um dashi, molho teriyaki, esferificações de trufa preta e como componente crocante uns snacks com aroma de Unagi Kabayaki (um prato de enguia temperada com molho de soja doce e grelhada). Para este o vinho sugerido foi o Porto branco da Rozès.

 

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É sempre muito bom ver o André cozinhar, apresentar um conjunto de ingredientes tão pouco familiares, e sobretudo combiná-los de forma muito harmoniosa. As discussões sobre as variadas combinações dos vinhos com os pratos também foram animadas e nem sempre consensuais.

 

Mais uma das óptimas experiências que proporcionam estas sessões de harmonização da programação do Peixe em Lisboa.

 

 

 

 

 

É preciso repensar tudo - Elena Arzak no Peixe em Lisboa

por Paulina Mata, em 18.04.16

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Elena Arzak é a 4ª geração da família à frente do restaurante Arzak em San Sebastian / Donostia. Um restaurante com três estrelas Michelin desde 1989. Na sua apresentação no Peixe em Lisboa falou dos factores que contribuem para que, mais de 100 anos depois da sua fundação (em 1897), o restaurante continue vivo e de boa saúde. Falou do respeito pelas gerações anteriores, da importância de viajar, conhecer mais e evoluir, mas sem nunca esquecer as raízes, as técnicas e os produtos tradicionais da região onde o restaurante está localizado.

 

Por essa razão o ingrediente principal do 1º prato foram as kokotxas de merluza tão apreciadas no País Basco. Mas respeitar as raízes, não significa rejeitar o que vem de fora. Aliás, foi recebendo influências exteriores que as cozinhas regionais foram evoluindo. Assim, no prato apresentado, as kokotchas eram servidas entre duas folhas de bambu, que lhes conferiam uma componente de sabor suave, sendo ainda acompanhadas por rebentos de bambu  em pickle.

 

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Falou também do facto de se estar numa época de grande mudança, em que é importante tudo repensar. A seguir a um período de muita informação, muitas mudanças na cozinha, a um ritmo por vezes demasiado rápido, é importante pensar e analisar tudo.  A cozinha mudou, os clientes mudaram, e cada vez são mais conhecedores e exigentes. É preciso mudar, mas não mudar por mudar, é preciso reflectir sobre a cozinha em geral, sobre a forma como a sentem, é preciso ouvir os clientes. É importante ter a noção da diversidade de pessoas que frequentam o restaurante, e consequentemente de expectativas e gostos. Tanto mais que considera que a felicidade do cliente é fundamental.

 

Num segundo prato a cavala com um legume que os bascos muito apreciam, os alhos franceses, e em que usou o patxaran, um licor da região.

 

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Elena Arzak falou ainda da importância da criatividade e da investigação, de como têm um laboratório de investigação desde 2000. Da organização necessária para a inovação, e do facto de ser um processo demorado. Também é um trabalho que  exige conhecimentos de várias áreas que não dominam, daí a necessidade de estabelecerem colaborações com centros de investigação (AZTI Technalia, Alicia), com historiadores...

 

O terceiro prato apresentado foi um Tamale de Robalo, servido com um prensado de frutos liofilizados e um molho de milho branco e amêndoas. Sendo um tamale, utilizam a tradicional folha de milho, mas aqui embebida em vinho tinto o que além de uma belíssima cor, transfere alguns aromas do vinho para o prato quando é aquecida.

 

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Falou também da importância cultural da cozinha, e até começou a sua apresentação com um pequeno filme relacionado com o facto de San Sebastian ser Capital Europeia da Cultura em 2016. Referiu que neste contexto a cozinha foi considerada uma importante componente cultural. De facto San Sebastian, com 16 estrelas Michelin, detém o 2º maior número de estrelas Michelin per capita no mundo, logo a seguir a Kyoto. Falou da importância económica da cozinha e ainda da sua importância como geradora de experiências e conteúdos, como fonte de conhecimento.

 

Definiu a cozinha do restaurante Arzak como sendo:

- de autor

- basca

- de investigação

- de evolução e vanguarda.

 

Mas sempre destacando a importância de tudo repensar e analisar, sobretudo na época em que vivemos, e considerando a necessidade e a importância de humanizar a gastronomia. 

 

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Os restaurantes do Peixe em Lisboa III

por Paulina Mata, em 17.04.16

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Ontem tive oportunidade mais uma vez de apreciar mais alguns pratos nos restaurantes no Peixe em Lisboa.  Comecei com um excelente Carapau Fumado com Pickles no José Avillez. Com um creme de conserva de cenouras com cominhos e uma maionese fumada.  Óptimo! Simples, fresco, mas uma grande complexidade de sabores.

 

De seguida foi a vez de uma Alhada de Raia com Amêndoa da Tasca da Esquina / Peixaria da Esquina.  Leve, saborosa e muito agradável o contraste de textura com a amêndoa.

 

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E os pratos salgados terminaram muito bem, uma Mini Sandes de Camarão e Choco do Kiko.  Em pão de batata doce, com um "bife" de camarão, choco, salsa criolla e maionese de gengibre e lima. Quem me dera ter mais vezes "à mão" uma sandes assim.

 

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Mas para terminar mesmo o que comi ontem, uma sobremesa que já vem sendo tradição no Peixe em Lisboa. E, tanto quanto sei, a única que tem algo de peixe. A Mousse de Chocolate com Tobiko da Taberna da Rua das Flores. A famosa mousse do taberneiro, levemente alcoólica, com azeite, as ovas e flor de sal. É tão boa! E com a textura das ovas é um divertimento comê-la. 

 

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Que bem que se come no Peixe em Lisboa! E sobretudo pratos muito originais.

 

Os restaurantes do Peixe em Lisboa II

por Paulina Mata, em 16.04.16

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Bao com atum e karashi sumiso foi o que me sugeriram no balcão do Arola e Midori by Penha Longa Resort no Peixe e Lisboa quando pedi uma opinião. Resolvi aceitar, embora não estivesse completamente convencida... mas só foi preciso uma dentada para desvanecer todas as dúvidas. Muito bom! O pão cozido a vapor muito fofo e o recheio temperado com karashi sumiso, ou seja um molho de mostarda, miso e vinagre muito saboroso.

 

Aconselharam-me a Cavala lacada com geleia de mirim, pêra abacate e pepino do Bertílio Gomes. Testei e ficou aprovada.

 

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Este ano tenho tido menos oportunidade de comer nos restaurantes que estão no Peixe em Lisboa, mas tenho gostado muito do que experimentei. Acredito que envolve um enorme esforço manter os restaurantes a funcionar e para além disso os espaços no Peixe em Lisboa, mas o resultado tem sido muito bom.

 

 

 

Tiago Feio e o Leopold no Peixe em Lisboa

por Paulina Mata, em 15.04.16

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Gosto do Peixe em Lisboa porque me permite sempre conhecer e aprender mais. Tento ir ao máximo possível de sessões da "Cozinha ao Vivo no Auditório". Umas interessam-me mais do que outras, como é normal. Mas todas permitem contactar com aspectos diferentes do que é a cozinha. Este ano gostei muito da apresentação do Tiago Feio do restaurante Leopold.

 

O Tiago fez uma apresentação mais conceptual do que é habitual e este é um aspecto que me interessa muito. Foi uma apresentação bastante "fora da caixa", em que o Tiago nos guiou pelo seu percurso, ou melhor pelo do Leopold, ao qual o seu, nos últimos anos, está intimamente ligado. E, curiosamente, não apresentou nenhum prato com peixe.

 

O Leopold, o restaurante do Tiago Feio e da Ana Cachaço, tem apenas 4 mesas, 10 lugares, e funciona apenas com um turno por noite. Um restaurante peculiar também por uma outra razão, é um restaurante sem fogão. Começando, pelo princípio o Tiago disse-nos que o restaurante começou muito antes dos espaço. Teria sido durante uma viagem a Barcelona que começou a tomar forma. Antes havia apenas o desejo de ter um restaurante casual e com comida de qualidade, mais nada estava definido. Aliás, um dos objectivos da viagem a Barcelona foi precisamente para visitar o Tickets de Albert e Ferran Adrià, para procurar inspiração. Não só aí, mas também no Pavilhão Alemão, projectado por Mies van der Rohe para a Exposição Internacional de Barcelona de 1929. O minimalismo e a suavidade deste era algo que o Tiago decidiu que queria para a sua cozinha.

 

De regresso havia que procurar um espaço, o possível considerando que o orçamento era limitado. Estava bem definido que queriam ter um restaurante urbano, um restaurante que fizesse parte da cidade, estivesse num bairro em mudança, e participasse nessa mudança. A Mouraria foi uma das opções, e acabou por ser lá que encontraram o espaço. Uma antiga padaria abandonada. Um elemento da cidade com uma história, que teve uma vida própria e que iriam renovar, transformar, dar-lhe uma outra vida. Sem o descaracterizar, era importante manter a ligação ao passado daquele espaço. Um pequeno senão... o espaço não tinha extração. Não podia ter um fogão. Esta limitação foi pelo Tiago tranformada num elemento de definição da cozinha a praticar. Numa oportunidade de expandir e diversificar as técnicas a usar.

 

Era preciso dar um nome ao restaurante. Mas não sabiam bem como o fazer... Porque, de facto, não sabiam aonde aquele projecto os levaria. O conceito ainda estava muito indefinido. Em casa tinham, na cozinha, um poster de uma exposição de Egon Schiele a que a Ana tinha ido no museu Leopold em Viena de Áustria. Tinha gostado do auto-retrato.

 

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Decidiram trazer esse quadro para o restaurante. Seria quase o único objecto de decoração. Também tinha um certo peso simbólico, pretendiam que o projecto que estavam a desenvolver tivesse um carácter intimista forte. Trazer um objecto da sua intimidade, de casa, para o restaurante fez sentido para eles. E o nome dado ao restaurante está associado a esse objecto.

 

Com um espaço havia que desenvolver os pratos que constituiriam a oferta. A cozinha praticada foi definida pelas limitações do orçamento, e consequentemente as do espaço. Também por ser um restaurante em que não há um chefe que cria e uma equipa que concretiza. De facto, todo o trabalho é feito pelo Tiago e pela Ana. Assim, a cozinha praticada, e até a sua evolução, acabaram por ser definidas pelos factores referidos, mas também pela interação com os fornecedores, já que os pratos acabam por ser uma consequência dos produtos que estes oferecem, e pelas reacções dos clientes. O Tiago não fala assim da sua cozinha, não se vê como o chefe criador, considera apenas que a sua linguagem pessoal é mais um elemento na determinação do tipo de cozinha. É este conjunto de factores que criam a identidade do Leopold.

 

Define os pratos oferecidos no menu de degustação do Leopold como pratos simples, com sabores limpos e em que joga particularmente com uma variedade de texturas. Neste momento oferecem apenas um menu de degustação de 7 pratos. Tal faz com que a refeição possa ser um momento de com um ritmo próprio, definido pelo conjunto da sala. Uma refeição em que o comensal deve estar receptivo a ser guiado num percurso de 2 horas.

 

Para acompanhar a refeição há uma carta de vinhos preparada em colaboração com os Goliardos, vinhos de pequenos produtores, vinhos que foram escolhidos de forma a harmonizarem bem com a proposta gastronómica, mas deixando espaço ao cliente para definir o que pretende.

 

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Nesta apresentação o Tiago mostrou a evolução de alguns pratos ao longo do tempo, porque as condicionantes mudaram, porque ele mudou.

 

Os Legumes da Terra foi um dos primeiros pratos a serem oferecidos no Leopold. Um puré de nabos, ervilhas tortas e cenouras cozinhados em sous vide, espinafres crus. E a terra de farinha de alfarroba.

 

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Mas o fornecedor de legumes mudou. O Tiago identificou os aspectos fundamentais no prato: várias camadas de texturas diferentes, de formas de confecção diferentes. E surgiu um novo prato com este conceito base. O mesmo puré de nabo, um crocante de sementes, os mesmos espinafres. Um tempero diferente - miso branco.

 

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Mas o novo fornecedor de legumes deixou essa actividade. E o Tiago leu um artigo da New Yorker - A New Leaf. Entendeu as algas como os novos legumes, os legumes do futuro. Fez sentido explorá-las, integrá-las na sua cozinha. A alface do mar, a alga nori, o esparguete do mar, a alga aramé, a kombu... tantas opções de sabor e textura... E assim surgiu a 3ª versão do prato.

 

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Alga nori e chalotas na base, temperadas com azeite e vinagre de vinho tinto. Uma fatia de pão, que permite a quem o quiser uma interação mais estreita com o alimento, comendo-o à mão (como aliás acontecia na 1ª versão do prato). E flores de chagas.

 

Em todas as suas versões este prato é servido no centro da mesa, as pessoas comem do mesmo prato. Para haver partilha, para se quebrar o gelo.

 

Mostrou também a evolução de um outro prato. Uma evolução à primeira vista pouco óbvia:

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Na primeira versão espargos cozinhados no forno com azeite, cogumelos shiitake em pó a temperá-los, e um creme de nozes. Elementos que se temperam entre si, com diferentes formas de confeção e com texturas que se complementam. Ouviu os clientes... e o prato evoluiu para lombo de novilho dos Açores cozinhado em sous-vide, pickle de alga kombu, mostarda japonesa (mizuna) uma planta com sabor suave, um pouco picante.

 

Em resumo, os ingredientes mudam, porque muda a estação do ano, ou os fornecedores, ou devido à reacção do clientes. Os métodos de confecção podem mudar também. Mas os pontos chave conceptuais mantêm-se.

 

Uma abordagem muito interessante. Uma apresentação muito interessante.

 

 

Os restaurantes do Peixe em Lisboa I

por Paulina Mata, em 11.04.16

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Uma atracção importante do Peixe em Lisboa são os restaurantes em funcionamento no Pátio da Galé, que apresentam pratos de peixes e mariscos. Este ano os restaurantes presentes são o Arola e Midori by Penha Longa Resort, José Avillez, Kiko Martins, Nobre/Nobre Estoril, Ribamar, Taberna da Rua das Flores, Tasca da Esquina e Peixaria da Esquina – Vítor Sobral, Bertílio Gomes com Chapitô à Mesa, Ibo, e o Ritz Four Seasons Hotel Lisboa – Pascal Meynard. Todos com interessantes  e originais propostas.

 

Ontem decidi experimentar algumas das propostas do Pascal Meynard e do Bertílio Gomes que se estreiam este ano neste evento. Comecei por um excelente prato do Pascal Meynard, leve e extremamente saboroso, e com uma bonita apresentação. Excelente!

 

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salada lavagante 2.jpgLavagante com trufa preta e yuzu, salada de espinafres, estaladiço de alho francês

 

Seguiu-se uma proposta do Bertílio Gomes, muito original e com um ingrediente muito pouco habitual e que nunca tinha comido.

 

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Berbigão com testículos de galo e creme de batata doce

 

Gostei bastante da combinação de sabores e texturas, que eram complementados com um crocante feito com pele de galo e pão. Para terminar um prato também do Bertílio Gomes, muito colorido e com um ingrediente pouco conhecido, os cuscus de Trás-os- Montes.

 

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Polvo, cuscus de Trás-os-Montes com tinta de choco e salicórnia

 

Um excelente começo, com três pratos muito originais e de alta qualidade. Ficou a vontade de experimentar muitos outros...

 

Chocolate d'Odette no Mercado Gourmet do Peixe em Lisboa

por Paulina Mata, em 10.04.16

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No Mercado Gourmet do Peixe em Lisboa provei alguns dos Chocolates d'Odette...

 

A Odette Estêvão é uma apaixonada pelo Cacau e pelo Chocolate. Fundou e é presidente do  Cacau Clube de Portugal. É autora do livro "Um Ano de Chocolate" (Casa das Letras). Mas além disso ainda produz deliciosos chocolates e tartes de chocolate.

 

Produtos muito bons e com muita qualidade. Já é habitual a sua presença no Mercado Gourmet do Peixe em Lisboa, e raramente resisto a trazer para casa dois ou três bombons.

Harmonizações no Peixe em Lisboa - Nuno Diniz / JMF

por Paulina Mata, em 09.04.16

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Não sei se devia falar disto... é quase um segredo... que convém guardar bem. Falo das sessões de harmonizações do Peixe em Lisboa. São oportunidades fantásticas de, num ambiente calmo, contactar com chefes, provar as suas propostas e discutir harmonizações com pessoas ligadas aos vinhos. Um espaço de aprendizagem e tertúlia...

 

Todos os anos vou a algumas, e ontem foi a primeira. Estive sentada com mais 11 pessoas à volta de um balcão a provar as propostas do chefe Nuno Diniz e com os vinhos da José Maria da Fonseca apresentados por Domingos Soares Franco,  da sexta geração da família que gere a José Maria da Fonseca e o seu enólogo responsável.

 

Começámos com as famosas, mas raras, empadas de lampreia do Nuno Diniz.

 

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Uma boa massa folhada, recheada com um arroz de lampreia e acompanhada por uma salada de nêsperas e túberas salteadas e ervilhas. Para a acompanhar um vinho produzido no Douro Superior pela José Maria da Fonseca - o Domini 2012.

 

O prato seguinte tinha uma série de componentes originais, que formavam um conjunto muito harmonioso.

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 Pargo, Ameijoas da Fajã de Santo Cristo (S, Jorge - Açores), Tapioca, Cubos crocantes de risotto.

 

O pargo temperado com azeite e sal foi cozinhado no forno embrulhado em papel vegetal; as ameijoas foram abertas com um verdelho da José Maria da Fonseca, um vinho ácido. A tapioca  foi cozinhada e depois temperada com um caldo de galinha emulsionado com mostarda e misturado com um piso de coentros. O risotto foi deitado num tabuleiro, arrefecido a cortado em cubos que foram fritos, ficando crocantes por fora e cremosos por dentro.

 

Experimentou-se a harmonização com dois vinhos. Começámos com um tinto,  o Periquita Reseva 2012, que estagia em carvalho americano ficando com um aroma bem presente a baunilha. Em seguida, a harmonização mais consensual e conseguida, com o Hexagon 2013, o branco “topo de gama” da José Maria da Fonseca.

 

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Para sobremesa a inspiração foi um doce francês, o cannellé. Neste o habitual Rum foi substituído por Moscatel Roxo da José Maria da Fonseca. Foram servidos com ovos moles e uns apontamentos de lemon curd. A harmonização foi com um Alambre - Moscatel Roxo da José Maria da Fonseca.

 

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Uma óptima experiência!

 

Peixe em Lisboa 2016

por Paulina Mata, em 22.03.16

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Peixe em Lisboa está aí de novo no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, de 7 a 17 de Abril. É a 9ª edição de um evento de que gosto muito. Sobretudo do conjunto de sessões com chefes, debates, sessões temáticas, harmonizações... aprendo sempre coisa novas. É também uma altura de encontrar amigos e conhecidos e de pôr a conversa em dia. Assim que sei as datas marco logo na agenda, para garantir que posso assistir ao máximo de sessões.

 

O programa... é sempre um segredo bem guardado até bem perto. Foi divulgado na semana passada. A cabeça de cartaz (se assim se pode chamar à pessoa que vem do restaurante mais estrelado) é Elena Arzak  chefe do restaurante Arzak em San Sebastian (*** Michelin) em colaboração com o seu Pai, Juan Maria Arzak. Elena Arzak (4ª geração ligada ao restaurante) começou a trabalhar no restaurante da sua família muito nova, durante as férias escolares, quando a sua Avó era a chef. Recebeu em 2012 o prémio da revista Restaurant  - Veuve Clicquot award for World’s Best Female Chef. 

 

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Fiquei contente por poder ver uma apresentação de um restaurante onde nunca fui, mas sobre o qual muito li já. Mas (não vou esconder, nem disfarçar) fico muito contente por ser uma mulher a cabeça de cartaz. É importante que as mulheres apareçam, que o trabalho que fazem seja divulgado, que sirvam de modelo para outras que querem abraçar a mesma carreira.

 

No Peixe em Lisboa deste ano poderemos ainda ver outros chefes com trabalhos relevantes. De fora vêm o italiano Pino Cuttaia do restaurante La Madia na Sicília (** Michelin), Diego Gallegos do restaurante Sollo, em Málaga (* Michelin) e Nuno Mendes do Chiltern Firehouse e da Taberna do Mercado em Londres. Dos chefes a trabalhar em Portugal estarão a apresentar o seu trabalho Rui Silvestre, que é reponsável pela mais recente * Michelin atribuída a restaurantes em Portugal, Tomoaki Kanazawa, Tiago Feio, Henrique Sá Pessoa e Alexandre Silva.

 

Tal como em anos anteriores restaurantes de referência estarão no local do evento, as novidades este ano serão o Chapitô à Mesa, o Ibo e o Ritz Four Seasons. Continuando alguns já habituais em edições anteriores: Arola e Midori by Penha Longa Resort, José Avillez, Kiko Martins, Nobre/Nobre Estoril, Ribamar, Taberna da Rua das Flores e Tasca da Esquina/Peixaria da Esquina.

 

Nem só de peixe vive o homem e a mulher, e um docinho cai sempre bem. Assim decorrerão durante o Peixe em Lisboa não só o já habitual concurso “O Melhor Pastel de Nata”, mas ainda um outro denominado “ADN de Pasteleiro”, que reunirá alguns dos mais promissores chefes pasteleiros a trabalhar em Portugal, que competirão perante um júri presidido por Maria Lourdes Modesto. 

 

Também haverá tertúlias, harmonizações enogastronómicas e aulas de cozinha. Assim como o imprescindível Mercado Gourmet com dezenas de expositores dos mais variados produtos. 

 

Mas este ano existem outras novidades, como a “Noite de Fado”, no primeiro domingo, com fado ao vivo durante o horário do jantar, e ainda as “Noites do Peixe”, às sextas e sábados, em que o horário é prolongado até às  2 h estando prevista a atuação de um DJ.

 

Fico em contagem decrescente para o início do evento...

 

 

Foto DAQUI