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Assins & Assados

Ovos para quê?

por Paulina Mata, em 12.03.17

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Uns dias em Inglaterra e venho verdadeiramente impressionada com a variedade e qualidade dos bolos vegan. Em quase todo o lado há muito boas opções disponíveis. Mas, mais do que isso, cada vez mais abrem lojas exclusivamente de bolos vegan. 

 

A oferta é excelente.Texturas variadas, bolos leves e saborosos. Dá para perguntar: "Ovos para quê?". Comi vários e, numa prova cega, não os distinguiria de bolos "normais", sobretudo em termos de qualidade.

 

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E não é só em Londres, de onde são os bolos das fotos acima, da Vida Bakery em Brick Lane. Mesmo em pequenas cidades isso acontece. Como é o caso do Seaside Cake Parlour em Margate onde tivemos um excelente brunch. Nas duas lojas os produtos são exclusivamente vegan.

 

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Um Amor de Azeitonas

por Paulina Mata, em 04.01.17

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Esta semana comi dois pacotes de Oloves (Basil & Garlic e Chili & Oregano). As azeitonas são boas e souberam-me bem. Mas, sobretudo, fizeram-me pensar.

 

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Azeitonas, sem caroço e sem líquido, na forma de um snack, transportável, e em doses individuai. Azeitonas com um aspecto atraente, e um site muito bom.  Certamente atraiem novos consumidores, certamente induzem novas formas de consumo de azeitonas.

 

Tenho pena que por cá não sejamos mais exigentes com as azeitonas, tenho a sensação que o seu consumo é cada vez menor. Gostei muito das Oloves, e desejei que um dia tivessemos algo idêntico, ou seja formas de apresentação e consumo de azeitonas mais compatíveis com os tempos em que vivemos e que as promovam. 

 

 

1ª Foto DAQUI

 

 

Hoje comi um ralador de cozinha

por Paulina Mata, em 28.12.16

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Hoje comecei a comer este ralador de cozinha. 

 

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Para os próximos dias tenho para me deliciar uma tesoura e um novelo de fio.

 

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Tudo isto parte de um presente de Natal, uma caixa de bons e originais chocolates da Amazing Chocolate Workshop.Tudo no tamanho original, tudo com um ar muito real, mas tudo de chocolate.

 

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Passei também pela loja. Dá vontade de trazer tudo. Uma caixa de ravioli e a carretilha que os cortou, alicates, pregos ferrugentos, pincéis, bisnagas de tinta... tudo  dá vontade de comprar e comer.

 

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Uma das coisas mais espantosas é esta cafeteira para fazer café no tamanho real e com todas as partes que a compõem.

 

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Ideias muito criativas, produtos lindíssimos!

 

A delicadeza e sofisticação de um bolo de rolo

por Paulina Mata, em 20.11.16

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Enquanto vou saboreado uma fina fatia de bolo de rolo, oferta de uma aluna que terminou recentemente o mestrado em Ciências Gastronómicas, vou refletindo sobre a riqueza e delicadeza do bolo. Primeiro, o agradável e irresistível aroma do recheio de goiabada. Depois o sabor elegante e complexo que esta confere ao bolo. Impossível foi também resistir a medir a espessura das camadas de bolo. Sem grande rigor, digo que em média é de 2 mm, as de goiabada menos de 1 mm. Na parte mais alta o bolo tem pouco mais de 4 cm de altura. Penso que deve ser preciso muita destreza e prática para conseguir fazer um bolo com estas características. Como mais um pouco e espanto-me mais uma vez com a criatividade de sofisticação usada para transformar ingredientes comuns numa multiplicidade de de produtos, todos tão diferentes e alguns tão especiais.

 

Uma busca sobre a origem deste bolo, que tinha ouvido dizer serem as nossas tortas. O texto de Virgílio Gomes - Torta Enrolada, Rocambole e Bolo de Rolo que o confirma:

De facto verificamos que todas as versões são da mesma família de bolo enrolado. Assim a torta portuguesa deu o rocambole do Brasil. Depois do rocambole aparece o bolo de rolo de Pernanbuco que é um rocambole em que a massa de bolo é mais fina e pode enrolar em mais camadas.

 

Tão interessantes estas adaptações. Neste caso a origem é a nossa Torta de Viana, recheada com doce de ovos, sabores muito familiares... já o bolo de rolo, tem um sabor exótico que nos remete para outras paragens.

 

A cozinha, o que comemos, é fascinante. A sua complexidade e variedade permite que seja uma fonte diária de conhecimento e reflexão. E eu gosto tanto disso.

 

 

Finalmente sábado

por Paulina Mata, em 05.11.16

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E o sábado chegou! E com ele, como desejava, um pequeno almoço de cacau quente e arepas.

 

 

A surpresa chegou com a sobremesa

por Paulina Mata, em 25.10.16

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Num restaurante cuja especialidade são carnes, espera-se que esta seja boa e cozinhada da forma adequada. E o restaurante cumpriu essa expectativa. O que não esperava era ser surpreendida pela sobremesa.  Quando me sugeriram um mil folhas com doce de ovos, imaginei uma coisa bem diferente daquela que me chegou à mesa. Com um ar muito leve, era bastante boa, mas sobretudo bonita, e nós também comemos com os olhos.

 

Foi uma óptima surpresa!

A cozinha do Vitor Areias, pratos que intrigam e surpreendem

por Paulina Mata, em 20.10.16

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Gosto tanto quando me servem um prato que me intriga e surpreende, que me obriga a descobri-lo, lentamente, a saboreá-lo.  Foi o que aconteceu há algumas semanas com este prato do Vítor Areias, que comi no seu restaurante Estória, na Cruz Quebrada.

 

Camarão, envolto em massa filo e frito, muito saboroso e suculento. Um puré de abóbora, coco e bisque do camarão, um acompanhamento perfeito pelo sabor e pelo contraste da sua cremosidade com o crocante da massa e a textura do camarão. Para complementar amendoim e pedaços de coco.

 

Uma outra coisa que gosto muito nas refeições no Estórias, é a qualidade e originalidade do pão. Varia muito, mas tenho lá comido ótimos pães. Desta vez era de vinho e nozes. Acompanhava-o um dip de figos frescos e uma pasta de tremoço e outra de sardinhas.

 

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Uma refeição em que todos os momentos primaram pela originalidade e qualidade e que terminou com um creme de chocolate branco, toffee de azeitonas, nibs de cacau e granizado de framboesa.

 

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Um trabalho muito original e que merecia bem mais atenção, pois só assim poderá ter condições para progredir.

 

 

Estória Restaurante
R. Sacadura Cabral 54, Cruz Quebrada
 
 

Bacalhau, chipotle, ancho, guajillo, chocolate, amendoim, milho, pipoca, broa ou a sofisticada interligação de duas culturas gastronómicas

por Paulina Mata, em 13.10.16

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Há pratos que nos marcam, pratos que nos ficam na memória. Porque são bons? São-no, mas isso só por si não chega. Já comi tanta coisa verdadeiramente boa e de que passado umas horas tenho apenas uma vaga memória. Acho que a forma como nos marcam está mais relacionada com o significado que lhes atribuímos. Com a forma como "encaixam" na nossa forma de estar na vida, com a nossa personalidade.

 

Há umas semanas comi no restaurante Cave 23 este prato da Chefe Ana Moura. Um prato de bacalhau. O seu desenvolvimento começou com a clássica ligação do bacalhau com broa. Sendo a broa feita com milho a Ana pensou noutras formas de integrar este ingrediente no prato. Logo aí houve uma associação de ideias com a cozinha mexicana, em que o milho está muito presente. Ideia que não foi logo explorada, mas as voltas da vida fizeram com que nessa semana chegasse um amigo mexicano da Ana. Conversaram de comida e de cozinha, como não podia deixar de ser. Falaram de moles mexicanos. Surgiu a ideia de ligar um mole mexicano ao bacalhau. Este tinha uma personalidade suficientemente forte para aguentar a grande complexidade do mole preparado com caldo de frango, amendoins, nozes, passas, tortilha de milho, sementes de abóbora, canela, pimenta preta, sementes de coentros, cravinho, sésamo, chocolate mexicano, cebola, tomate, alho, ancho, guajillo, chipotle e banha de porco.

 

Faltava introduzir o milho (ele já estava nas tortilhas usadas para o molho, mas não era suficiente). Não só introduzi-lo, mas fazer isto de uma forma em que ele fizesse a ponte entre as duas culturas representadas no prato - a portuguesa e mexicana. Surgem assim no prato vários elementos baseados em milho: lá está a broa propriamente dita, esfarelada e frita, mas também uma fina gelatina de milho coberta de pó de pipocas de milho e pó de folha de abacate. De uma forma estilizada representa a maçaroca de milho. Por baixo desta capa está o bacalhau confitado e uma emulsão preparada com a sua própria gelatina.

 

Achei o prato lindíssimo. Uma estética muito diferente da vigente. Só isso já o distinguia. Gostei muito da descrição do processo de desenvolvimento do prato. Adorei a combinação de sabores, completamente inesperada, a sua complexidade e sofisticação e a forma como representa a interligação de duas culturas gastronómicas tão distintas.  Um prato muito diferente de todos os pratos de bacalhau que já comi.  Um prato que nos faz viajar para muito longe, e ao mesmo tempo tem referências tão fortes a casa.  Gosto muito destas viagens...

 

A Ana Moura está a fazer um excelente trabalho, a sua evolução no último ano é notória. Uma cozinha muito ousada, muito culta e com muita personalidade que me deixa grandes expectativas.

 

 

Para o pequeno almoço, o que me apetecia mesmo era...

por Paulina Mata, em 02.10.16

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A minha primeira tapioca, na foto acima, comi-a há 3 anos em Fortaleza, no Empório Delitalia, recheada com carne seca e queijo coalho. Gostei muito! Nessa mesma estadia comi muitas, em vários locais, e fui inclusivamente um dia jantar ao Centro das Tapioqueiras, uma zona com cerca de 30 barracas que vendem mais de 60 tipos de tapiocas.

 

Depois disso já experimentei fazer. Da primeira vez até mandei uma foto a um dos meus alunos de Fortaleza. Orgulhosa da minha obra. A resposta não foi animadora: "Já vi tapiocas melhores." Não, não é o mesmo que comê-las lá... e cá não tenho a carne seca e o queijo coalho.

 

Durante uma recente estadia em Fortaleza, todos os dias ao pequeno almoço comia uma tapioca com carne seca e queijo coalho. Todos os dias feita por esta senhora que, na sala de pequenos almoços do hotel, manejava com grande perícia 5 frigideiras para fazer omeletes e tapiocas para todos os gostos.

 

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E agora, o que me apetecia mesmo para o pequeno almoço, era um tapioca com queijo coalho e carne seca ...

 

De repente a sinalização na auto-estrada fez-nos mudar o destino...

por Paulina Mata, em 30.03.16

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A viagem decorria calma, a próxima paragem estava bem definida. Mas de repente a sinalização na auto-estrada fez-nos mudar o destino. Temporariamente, é certo, mas inevitavelmente... Às 8 h e 45 m ao ver a indicação na auto-estrada da saída para Alfeizerão sentimos uma irresistível vontade de comer uma fatia de pão de ló.

 

Alguns minutos depois, a uma das mesas da Casa do Pão de Ló de Alfeizerão, satisfizemos aquele desejo repentino. Estes pequenos prazeres não planeados são tão bons!

 

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Surgiu então um outro desejo, o de saber mais sobre este bolo. Foi fácil! Uma pequena busca, e alguns minutos depois lia um texto de Virgílio Gomes sobre este pão de ló, e também sobre a Casa do Pão de Ló, que me satisfez toda a curiosidade, e acrescentou outra dimensão à experiência.