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Ovos-Moles de Aveiro - na garagem da beira-mar

por Paulina Mata, em 05.04.16

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Adoro ovos-moles! Por isso a oportunidade de ir a Aveiro com alguns alunos do mestrado em Ciências Gastronómicas deixou-me muito contente. O objectivo era visitar a casa Maria da Apresentação da Cruz, Herdeiros que se diz produzir os melhores ovos-moles de Aveiro.

 

Não poderíamos ver a produção, mas seríamos recebidos pela D. Silvina Raimundo. À chegada vimos um pequeno filme sobre a história e a produção deste doce. Depois, à volta de uma mesa, tivemos uma longa conversa e fomos comendo alguns doces.

 

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A casa foi fundada em 1882 por Maria da Apresentação Cruz, a sogra de D. Silvina. A receita herdou-a de uma tia, que por sua vez a tinha obtido através de uma senhora ligada ao Convento de Jesus. Antes de D. Maria da Apresentação falecer, e perante a angústia de não ter seguidores na família, D. Silvina, professora primária, prometeu-lhe que manteria a empresa a laborar. E assim fez, mantendo as duas actividades. Uma das suas netas será a sua seguidora e permitirá dar continuidade a este negócio familiar, já trabalha na empresa.

 

Na produção de ovos-moles sempre quis manter a tradição, e sobretudo seguir com rigor todo o processo usado pela sua sogra. Assim, os ovos-moles são feitos nos mesmos tachos de cobre e são cozinhados sobre brasas de forma ao aquecimento ser suave.

 

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O processo é simples e sem segredos, diz D. Silvina, o que é necessário é fazer sempre tudo da mesma forma, com os mesmos gestos. Cada tacho leva 400 gemas, os ovos são partidos um a um. As gemas cuidadosamente separadas da clara, esta iria alterar a textura e os ovos-moles não ficariam bem. Todos os dias fazem pelo menos uma ida (um tacho) de ovos-moles, por vezes nas épocas festivas fazem duas idas. A maior parte dos ovos são usados para rechear folhas de hóstias com motivos marítimos, que depois são cobertas com uma calda de açúcar, para lhes dar brilho e melhor conservar (um processo que não é usado na produção industrial). Uma parte menor é vendida nas tradicionais barricas de madeira ou cerâmica.

 

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Só o vendem ao balcão da empresa, ou num outro espaço que têm na mesma rua, um pouco mais à frente. O primeiro espaço é em geral identificado pela porta de garagem que continua a ter. D. Silvina diz que em tempos pensaram mudar, mas que só de pensar nisso teve uma depressão. Também a porta se manteve. Aliás é por ela que procuram as pessoas que apenas levam como indicação que os melhores ovos são vendidos na garagem branca das velhinhas da beira-mar.

 

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Nas paredes de ambos os espaços fotografias antigas ou do processo de produção, há ainda objectos antigos como esta prensa.

 

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Maria da Apresentação da Cruz, Herdeiros – Rua  D. Jorge Lencastre, 37 - Aveiro

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