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Assins & Assados

Os dramas da canela

por Paulina Mata, em 30.09.17

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Há dias, perante uma quantidade de maçãs maior do que eu comeria, resolvi fazer uma "marmelada" de maçã com canela. A marmelada saiu com a textura que tinha imaginado. O sabor não. Porque não tinha o toque da canela que pretendia. Culpa dos paus de canela...

 

Que aquilo que tomamos por canela, não é de facto canela, já sabia há muito, e até tinha já aqui falado disso. É cássia, uma especiaria mais barata, e que em muitos países é vendida como canela. De tal forma assim é que o aroma que associamos à canela é em geral o da cássia. Mas, sabendo que os sabores são diferentes, até agora o que tinha usado, tinha sido sempre cássia.

 

Desta vez abri a embalagem e, assim que olhei, percebi que o que tinha era canela. Aliás, vi depois, a embalagem especificava que era canela de Ceilão. 

 

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Fiz a "marmelada" de maçã, provei, tenho comido de vez em quando e... não tem o sabor que associo à canela. No início, tenho que confessar que fiquei desiludida. Agora, depois de ter comido várias vezes, já não me desilude, gosto dela sou capaz de reconhecer que o aroma conferido pela canela de Ceilão é mais sofisticado até. 

 

De facto, a verdadeira canela, a canela de Ceilão, tem um sabor suave e delicado, que não se impõe. Ao contrário da cássia, que tem um sabor forte e dominante, que se sobrepõe a qualquer outro sabor.

 

Eu até me tenho esforçado ao longo da vida por educar o gosto, e quando entendi que tinha canela verdadeira até fiquei contente. Mas as minhas memórias gastronómicas, o conforto associado à canela a polvilhar um arroz doce cremoso ou um pastel de nata, ou a aromatizar outras sobremesas era o que eu procurava, e isso não encontrei. Daí a desilusão inicial. Só quando ultrapassei estas expectativas, e me dispus a apreciar o que de facto tinha lhe vi o encanto. (Acontece tanto, e em tantas situações...)

 

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Também tinha comprado uma embalagem de canela em pó. Fui logo abri-la, cheirá-la, prová-la... também é canela de Ceilão. Tentarei dar-lhe uso. Mas nunca para polvilhar um travessa de arroz doce. Não seria o meu arroz doce. Nem sempre o melhor, o verdadeiro, é o mais adaptável a todas a situações. Nem sequer ao nosso gosto. E o importante é que nos dê prazer. (Acontece tanto, e em tantas situações...)

 

 

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