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O Hot Pot do The Old House

por Paulina Mata, em 23.03.16

 

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O The Old House abriu há menos de um ano, é um restaurant chinês, com características diferentes da generalidade dos outros restaurantes chineses em Portugal. The Old House é uma marca de restauração reconhecida e conceituada na China, sendo o restaurante de Lisboa (no Parque das Nações) o primeiro a abrir num outro país. O restaurante assume, como fazendo parte da sua missão, a promoção da cultura da região de Sichuan. O tipo de cozinha que oferecem é precisamente dessa região, onde se usam bastantes malaguetas na comida, se bem que no restaurante de Lisboa adaptem o nível de picante às características dos clientes. Os cozinheiros vieram directamente da China, tendo aí sido sujeitos a um longo processo de seleção para garantir a qualidade adequada.

 

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O que chama também a atenção é ser um restaurante com um espaço e um serviço mais cuidados do que o da generalidade dos restaurantes chineses. Além da sala “normal” do restaurante, disponibilizam também espaços isolados para grupos de dimensões diferentes.

 

Estive lá já algumas vezes desde que abriu, e recentemente recebi um convite para provar um prato que introduziram na sua oferta. É sobre isso que falarei hoje e não sobre a oferta à carta, também muito interessante e diferente daquilo a que estamos habituados.

 

O prato é o Hot Pot, também conhecido por fondue chinês. É  bastante popular na região de Sichuan. Embora seja preparado por toda a China, e até noutros países do oriente. É um prato de inverno (e a oferta será limitada aos meses mais frios do ano). Foi introduzido na China há mais de 1000 anos, inicialmente na região da Mongólia, e depois tornou-se popular no sul da China durante a Dinastia Tang (618 a 907). As suas características podem variar de região para região, ou até de família para família. É um dos pratos mais populares para reuniões familiares ou sociais, e até se diz que não se come um Hot Pot com pessoas de quem não se gosta. Participar num refeição de Hot Pot envolve não só partilhar uma refeição, como cozinhá-la em conjunto.

 

Os componentes essenciais do Hot Pot são um caldo base, que fica no meio da mesa a ferver, uma série de ingredientes variados e preparados para serem cozinhados nesse caldo, e alguns molhos para os temperar.

 

O caldo

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No Hot Pot oferecido no The Old House, há dois caldos possíveis de costeleta com milho ou de galinha com molho de castanhas (de água). São caldos que envolvem uma preparação longa, para que fiquem com o sabor e a qualidade que se pretende. Assim, chega à mesa a panela do Hot Pot com o caldo, e dentro deste estão vegetais e carne. Começa-se por comer estes (ou pelo menos parte destes) e se se quiser pode-se comer um pouco do saboroso caldo.

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Os molhos

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O molhos muito saborosos fazem toda a diferença e permitem ir variando o sabor ao longo da refeição. São oferecidas cinco possibilidades de molhos: (no centro da imagem, e no sentido dos ponteiros do relógio) em baixo o molho vermelho é de tofu, seguem-se o de amendoim e sésamo, picante, de ostras e de alho. Cada comensal pode escolher três diferentes. Além disto pode ser oferecido vinagre, ervas aromáticas picadas… (à esquerda na foto).

 

Na foto, à direita, está ainda o couvert que no dia em que jantámos foi amendoins cozidos com especiarias e vaca marinada com legumes e molho picante.

 

Os ingredientes

 

São muito variados e envolvem carne, peixe e legumes, nas fotos em baixo estão os que nos foram servidos,  e que correspondem à variedade normal, mas há mais escolhas possíveis. Uma quantidade muito substancial (ninguém sai como fome, e provavelmente sobra bastante, mas os chineses gostam de fartura à mesa).

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Bolinhas de carne de porco picada

 

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Bolinhas de camarão

 

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Fatias finíssimas de carne de borrego

 

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Fatias finíssimas de carne de vaca

 

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Cogumelos (3 diferentes), lacinhos de yuba chinesa (tofu), raiz de lótus, batata, espinafres.

 

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Bolinhas de peixe com recheio de carne e tofu fumado, bolinhas de carne de porco e de carne de vaca

Delícias do mar, algas e pepino

Fiambre, couve-flor, brócolos e inhame

 

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Carne de porco crocante

 

E no final para concluir...

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Gyozas

 

Cozem-se estes ingredientes no molho tendo, em conta os tempos adequados de cozedura de cada um. Por exemplo, alguns segundos para as finíssimas fatias de carne e alguns minutos para as rodelas de batata ou o inhame.

 

Os chineses não têm o conceito de sobremesa, como nós. Em geral comem apenas fruta.  No The Old House oferecem no entanto algumas. Assim comemos uma bolinhas de farinha de arroz glutinoso recheadas com uma pasta de sésamo negro e fritas, que eram servidas mornas.

 

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União perfeita

 

Tudo foi acompanhado por chá, mas a escolha é variada e a opção de cada um. No meu caso o chá foi um Tie Guan Yin, um chá Oolong, mas com um processamento específico. Um chá premium, que foi desenvolvido no século XIX na província de Fujian.

 

Um tipo de refeição que promove muito a interacção entre as pessoas e que dá origem a um divertido e longo convívio. Com o caldo e os molhos, torna-se uma refeição muito saborosa e variada.

 

Dada a quantidade de ingredientes, e a qualidade do serviço que querem prestar, o prato só é oferecido no The Old House por marcação com pelo menos 24 h de antecedência (e o caldo tem que ser escolhido nessa altura, pois leva várias horas a confecionar). É uma refeição para grupos e há um valor base de 120 euros, sendo esse valor para um grupo de até 4 ou 5 pessoas (bebidas à parte). Pode ser servido para grupos maiores, mas nesse caso o custo é de mais 30 euros por pessoa.

 

The Old House - Rua da Pimenta, 9 - Parque das Nações - Lisboa

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