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Brexit, restrições à imigração, preços da alimentação e restaurantes - uma grande confusão!

por Paulina Mata, em 02.12.16

 

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Há dias li, por coincidência no mesmo dia, dois artigos que referiam consequências dos resultados do referendo do Brexit e das restrições à imigração para a alimentação em Inglaterra. Um aspecto em que poucas pessoas devem ter pensado quando votaram a favor do Brexit, mas tudo é tão complexo e interligado que qualquer alteração vai ter repercussões em tudo.

 

 

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Um dos artigos é de Jay Rayner  - The Marmite row is the first sign of the true cost of Brexit for food producers - e refere-se sobretudo às consequências da desvalorização da libra que ocorreu em consequência dos resultados do referendo. Na verdade, os custos dos produtos alimentares importados subiram bastante, cerca de 20%. Tendo em conta que o Reino Unido importa cerca de 50% dos alimentos consumidos, isto é bastante significativo. Mas a situação pode ainda piorar, pois a queda da libra faz com que exportar os produtos seja mais interessante para os produtores e se tal acontecer a percentagem de produtos importados pode eventualmente vir a aumentar. Também as incertezas relacionadas com o Brexit podem levar a uma maior cautela dos produtores relativamente a investimentos futuros, pelo menos temporariamente. o que pode levar a que a percentagem de importações suba ainda mais. No futuro, após a saída da UE, os subsídios para os produtores irão acabar, assim como mão de obra mais barata, por exemplo dos europeus do leste, para agricultura. Em resumo os preços da alimentação poderão vir todos a aumentar significativamente, o que terá impacto na vida de todos, mas sobretudo naqueles com menores recursos económicos.

 

 

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O outro artigo Shortage of Chefs, de Joanna Blythman na revista Good Food de Outubro de 2016, discute o efeito das restrições à imigração nos restaurantes no Reino Unido. Diz que os restaurantes estão a ter problemas para recrutar cozinheiros para as vagas existentes, isto é particularmente importante no que diz respeito aos restaurantes indianos, esperando-se que muitos fechem no próximo ano. Tal acontece pois os cozinheiros destes restaurantes vinham em geral da Índia. Com as políticas de restrição da imigração para recrutar um chefe no país de origem e permitir que ele obtenha o necessário visto temporário,  o empregador deve pagar-lhe um ordenado anual de 29.000 libras depois das deduções para acomodação e refeições (aproximadamente 34220 euros). Os restaurantes com take-away ainda são mais penalizados pois não estão incluídos neste sistema de vistos. Para obter um visto permanente, o ordenado pago pelo restaurante deve ser 35.000 libras (aproximadamente 41300 euros). Valores extremamente elevados se se tiver em conta que o ordenado mínimo é de 7,20 libras/hora e que por vezes (ilegalmente) nem isso é pago, mesmo em restaurantes de topo.

 

A indústria da restauração no Reino Unido depende muito do recrutamento de cozinheiros estrangeiros - 42% dos cozinheiros a trabalhar no Reino Unido são estrangeiros, sendo cerca de metade destes de países da UE.  Com as restrições à imigração será cada vez mais difícil encontrar comida autêntica e bem cozinhada de outras culturas. Pior que isso, será cada vez mais difícil que abram novos restaurantes e que os que existem se mantenham abertos. Assim a indústria da restauração considera que a única forma de manter a situação actual é haver medidas menos restritivas para cozinheiros pois considera que serão necessários no Reino Unido 22000 cozinheiros até 2022.

 

Complexo e difícil de resolver!

 

1ª imagem DAQUI

2ª e 3ª imagens DAQUI

4ª imagem DAQUI