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A energia d' O Watt

por Paulina Mata, em 11.08.17

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Quando o prato estava a chegar, imaginei uma espetada de carne e imediatamente me trouxe à memória as espetadas da Madeira. Mas não era...

 

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Era a Espetada de Polvo Galega , grelhada no Josper. O polvo, muito tenro e saboroso, servido com uma saborosa cevadinha com camarão e mexilhão e ervilha torta.

 

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Este foi um dos pratos do menu que comi há dias no O Watt a convite do Kiko. Gostei da forma como nele se joga com as nossas memórias gastronómicas e expectativas, para depois surpreender com outras combinações e sabores.

 

Mas começando pelo princípio... Fui recebida com um Ampere, um cocktail criado para este restaurante, à base de gin e coentros.

 

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Foi com ele na mão que visitei o espaço de A Cafetaria, situada na cave do mesmo edifício e também da responsabilidade do Kiko, e do restaurante O Watt. Este é grande (110 lugares) mas está dividido por várias zonas, o que dá uma sensação de um espaço mais pequeno, aconchegante e muito agradável. A decoração remete para o espaço em que se encontra, a sede da EDP, com fotos de barragens e centrais elétricas, rádios e eletrodomésticos antigos. A parede envidraçada permite também um contacto com o exterior.

 

Passámos à mesa e o couvert era composto de pães estaladiços, papaddums (de farinha de grão) e um outro de alfarroba. Para os acompanhar um tzatiki com o pepino ralado em fios muito finos e molho romesco.

 

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 Logo depois chegou um prato fresco e agradável.

 

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Tomate Bio com Burrata - tomate biológico em várias texturas, burrata, mangericão e caviar balsâmico

 

Com o prato seguinte chegaram os sabores asiático, bem presentes numa variedade de pratos dos restaurantes do Kiko. Sabores que o marcaram muito na viagem gastronómica que fez à volta do mundo. E como o compreendo... também não os dispenso.

 

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 Poke de Atum - atum, algas, molho ponzu, sésamo e abacate.

 

Sabores bem fortes e acidez pronunciada. Mas o prato seguinte, com outras características, levou-nos para uma zona de sabores terrosos e suaves, também com notas de umami, mas sem a acidez do poke, e para texturas mais cremosas. 

 

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 Cogumelos e Couve-Flor - cogumelos espuma de couve flor, avelã e gema trufada.

 

A couve flor e os cogumelos em várias texturas, um óptimo prato que nos fez voltar à terra. E a gema... tem uma textura cremosa deliciosa! E foi neste ponto que surgiu o polvo. A seguir a ele, um prato que nos remeteu de novo para o oriente, pela estética e pelos sabores.

 

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 Camarão Indiano em Folha de Bananeira - camarão, lentilhas, masala indiana e chutney de manga

 

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Foi então a vez do prato de carne. 

 

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 Borrego Médio Oriente - carré de borrego, grão de bico, espargos, iogurte com za'atar e pistácios

 

Tanto os camarões quanto o borrego com excelentes pontos de cozedura, sabores fortes e com a presença de leguminosas.  Dois pratos muito bons.

 

Foi a vez das sobremesas, preparadas sem adição de açúcares refinados. De facto a cozinha do O Watt está na linha das tendências alimentares em voga, substituição dos açúcares refinados por açúcares noutras formas, menos gordura (sobretudo menos gorduras saturadas), utilização de processos de cozedura com temperaturas mais baixas, não se recorrendo à fritura, e optando-se preferencialmente por alimentos crus, grelhados ou cozinhados a vapor.

 

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 Abacaxi, Iogurte e Pinhão - abacaxi grelhado, gelado de iogurte e sponge cake de pinhão

 

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 Barra Energética d'O Watt - barra de coco, pistácio e tâmaras e gelatina de laranja e togarashi

 

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 Açaí e Gaspacho de Frutos Vermelhos - gelado de açaí, sopa de morangos e cerejas e granola

 

Sobremesas originais, menos doces e muito boas.

 

No final um carrinho com whiskies, não é a minha praia e passei... para um chá e uma boa conversa.

 

Um conjunto muito bonito de edifícios dos arquitetos Aires Mateus, uma decoração do designer britânico Jasper Morrison, um espaço muito agradável e sofisticado. Uma proposta gastronómica a condizer. Diferente dos outros restaurantes, mas indo buscar um ou outro prato aos outros, e sobretudo ma proposta coerente com a deles. A cozinha do Kiko Martins é marcada pelas suas viagens, pratos complexos, com muitos ingredientes e sabores fortes, também aqui é assim. Gosto do facto deste conjunto de restaurantes tão diversos terem um fio condutor forte.

 

 

O Watt - Avenida 24 de Julho, 12 - Lisboa