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Assins & Assados

A batata assada congelada não é sinal de coisa nenhuma!

por Paulina Mata, em 01.02.18

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Gosto muito do hábito que existe por aqui de comerem batatas assadas com vários recheios. No café da esquina, por cerca de 5 libras, servem grandes batatas bem assadas, com a polpa leve e macia. Tento variar, mas a primeira tendência é pedir com baked beans e queijo. 

 

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Adoro baked beans, os de lata que se compram no supermercado, e que penso que são os usados em geral.  Uma tosta com baked beans e queijo é um pequeno almoço divinal.

 

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Mas voltando às batatas. São tão populares que no supermercado se vendem assadas e congeladas. Há umas semanas comprei uma embalagem, e também uma lata de baked beans. Numa noite fria iam saber bem. Acabaram por me salvar quando os vírus da época deram comigo e fizeram das suas. 

 

Comentei com a minha filha que tinha comprado batatas assadas congeladas. Ela disse (não me lembro bem das palavras, fica a ideia) que uns dias antes tinha lido algures que batatas assadas congeladas eram quase um sinal da decadência de uma sociedade.  Percebi que a razão era por ser uma coisa tão simples de fazer, basicamente comprar as batatas e metê-las no forno durante cerca de 1 hora, e as pessoas nem se darem sequer a esse trabalho. Quem quer assar a batata que a asse, e até é capaz de ficar um pouco melhor, a pele mais estaladiça talvez. Quem não quer, não tem tempo, não tem condições, pois que coma a batata assada congelada e a meta 5 minutos no micro-ondas na hora de comer. Sem culpas. Não há mais para discutir sobre isto, e uma opção ou outra não são sinal de coisa nenhuma.

 

Acho sempre estes comentários muito arrogantes. É verdade que não custa a fazer, mas também é verdade que se uma pessoa esteve a trabalhar o dia inteiro, está cansada e precisa de comer, pôr a batata no forno e esperar 1 hora significa que não a vai fazer. Já sem falar na energia gasta para assar uma ou duas batatas. Esta atribuição de significados a estas coisas, como se todos tivéssemos que fazer o mesmo e ter as mesmas prioridades não tem sentido. Esta pressão constante para se ser perfeito é completamente idiota.  E faz tanto mal! 

 

Hoje lembrei-me de tudo isto, quando estava a ler uma entrevista com Paul A Young, considerado um dos melhores chocolatiers do mundo. A certa altura ele diz:

"I sometimes have a bar of Dairy Milk because it reminds me of being young. You should never be arrogant enough to think your palate is too good for something - after all, who doesn't have a hankering for a McDonald's after they've had a few?

I never understand why people get snobby about food. It keeps you grounded to eat the things you had when you were young - I always sit down with a tin of Quality Street at Christmas."

 

Que lufada de ar fresco! Eu também acho que a perfeição todos os dias é desumana, que "o melhor" todos os dias é desumano, que é importante ter os pés assentes na terra. Particularmente no que diz respeito ao que comemos. "O melhor" é mesmo muito bom. Eu adoro! Mas não todos os dias. É importante ter os pés assentes no chão. 

 

Já tenho uma nova embalagem de batatas assadas no congelador, e no armário mais uma lata de baked beans, quando me apetecer uma batata leve e macia, com manteiga, baked beans e queijo, está ali a 5 minutos de distância. Sem culpas!

 

 

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